terça-feira, dezembro 30, 2008

Sophia em dobro

- "Parabens pra voce, nesta GATA querida!"


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A cadeira cai no pezinho da minha Sophia e ela comeca a chorar inconsolavel:
"Papai, a cadeira pisou no meu pe!"




Direto na tempora: Sonho de Icaro - Biafra

segunda-feira, dezembro 29, 2008

3 anos que mudaram a minha vida

Pudesse escolher um presente e te daria um sorriso. Não desses que usamos por complacência, que distribuímos levianamente e que dizem nada.

Seria como esse que acorda no seu rosto nas manhãs mais divertidas, como o que precede o abraço que já disse aqui ser o melhor do mundo. Um sorriso exatamente como o seu, minha Sophia, com tudo o que só ele faz por mim.

Seria diferente apenas por ser um sorriso que você pudesse guardar e usar quando justamente quando não houvesse motivo para sorrir. Um sorriso que aplacasse o medo, que amainasse a perda, que dissolvesse o pranto.

Uma bênção disfarçada em riso, como só você sabe sorrir.

E quando eu não mais puder fazê-lo, que Deus proteja este riso.

Te amo, minha Sophia.



Já passou a festinha, mas o aniversário da minha Sophia é mesmo hoje. Parabéns, filha.




Direto na têmpora: Miss me blind - Culture Club

Eartha Kitt

A Eartha Kitt morreu. Além de uma cantora bacana, Eartha Kitt foi um tesão de Mulher Gato no Batman da tv.

Por isso, em homenagem à Eartha, vai aí um tributo a três das minhas catwomen favoritas: a supracitada Ms. Kitt, Julie Newmar e, é claro, Michelle Pfeiffer.

Não é à toa que eu sempre torcia contra o Batman. Maldito morcego.




Saudades da Eartha.




Saudades da Julie.




Saudades da Michelle.




Direto na têmpora: Change is hard - She & Him

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Rino

Um dia eu me descobri o oposto da delicadeza.

Meus gestos são largos, minha raiva é gritada, meu humor se escancara.

Talvez não bruto, mas certamente abrutalhado.

Movo-me pesadamente e sinto tudo um peso que nem sempre deveria haver. Sou o oposto do fluido.

Mesmo quando sou bom, o que me move não é caridade, mas a luta contra uma impotência diante do acontecido.

Por isso, talvez, é que seja para mim tão simples agir, mudar, decidir, romper, resolver, amar.

Atropelo as circunstâncias, não percebo o detalhe.

O sutil e o sensível não cabem em mim, nesse caldo espesso de fúria, estupidez e alegria vastas.

Não posso dizer, como Mário Quintana: “eles passarão, eu passarinho”. Mas posso berrar honesto e tosco: “eles rinoserão, eu rinoceronte”.




Direto na têmpora: Big in Japan - Tom Waits

terça-feira, dezembro 23, 2008

Stop!

O trânsito vai diminuindo, a gente vai relaxando, o trabalho reduz, a gente quer mesmo é descansar. É parar um pouco e lembrar que tem mais um ano pela frente, pra brigar de novo, amar de novo, correr atrás (ou na frente).

Tô cansado, mas o ano está no fim. E a gente vai reduzindo o ritmo, pegando leve, sem deixar o pastelzinho queimar.




Direto na têmpora: God bless and goodbye - Morcheeba

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Presentim

10 presentes que eu gostaria de dar para os leitores do pastelzinho, sem incluir o óbvio: saúde, alegria, etc. Aliás, se eu não puder dar estes presentes (como provavelmente não poderei), que alguém o faça.

1) Uma manhã / tarde no Mercado Central, com direito a Cristalina do Picão, torresmo, queijo Canastra, pão com lingüiça e cerveja para temperar a amizade.

2) Uma sessão de cinema para assistirmos juntos a algum puta filme que a gente já tenha visto e amado. Minha sugestão? Muito Além do Jardim (Ok, I’m a sucker for Sellers. Aliás, essa é uma que eu preciso fazer com a Fernanda. Bem lembrado).

3) Um fim de semana em Visconde de Mauá, ficando por ali em Maringá, assistindo a um show e comendo alguma coisinha no friozinho da noite.

4) Ler um bom livro do Luis Fernando Veríssimo, se acabar de rir e depois relembrar as partes mais engraçadas a tarde inteira. Se bobear, até criar uma “inside joke” com algum trecho.

5) Sentar em algum lugar tranqüilo e dizer calmamente, com toda a verdade do mundo: “olha, eu gosto de você por causa disso, disso e disso” (também preciso fazer com a Fer).

6) Escolher um lugar no mapa (só vale exterior) e ir pra lá sem esperar muito e sem se preocupar em como se virar. Eu sugiro a Áustria para todos, menos para a leitora de Salzburgo, é claro. Para ela, hmmmmmm deixa eu ver, quem sabe Tóquio?

7) Algo para a casa que combine perfeitamente com o jeito de cada um e que fique bem no seu canto. Coisa pequena, mas que vire um detalhe importante e que traga boas lembranças.

8) Um amor com o meu pela Fernanda, uma filha como a Sophia, enfim, um pouquinho bom da minha vida que eu desejo que todos tenham.

9) Um vale-salvada. Preso com um chato na festa? Sem grana pro táxi? Precisando de uma referência? Use seu vale e eu apareço pra ajudar.

10) Uma ligação quando você precise. Sem aviso, nem nada. Naquele dia que você estiver mais triste, só pra saber como você está e dizer que tudo vai melhorar. Pode ter certeza, tudo melhora.


Obviamente, se você não gostou de algum (ou nenhum) presente da lista, não tem problema. Afinal, você não vai ganhar mesmo.




Direto na têmpora: Sea Groove – Thievery Corporation

domingo, dezembro 21, 2008

I see voices

Sophia acorda incrivelmente cedo e quer ver tv no quarto com a gente. A Fer, que de manha eh bicho bravissimo, baixa a lei:

- Pode, mas sem som, Sophia.

- Ah, nao, mamae, assim eu nao to vendo as vozes!




Direto na tempora: Hallelujah I Love Her So - The Animals

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Chuva e telejogo

Lembro vagamente da enchente de 79 em Ipatinga. Eu tinha 7 anos, mas tenho em algum lugar do cérebro, imagens do centro da cidade inundado, a dificuldade de ir fazer as coisas, etc.

Acho que, tirando os desastres que ela causa, o grande incômodo da chuva para qualquer criança é ter que ficar em casa. Principalmente em uma época em que tínhamos 3 canais de tv e olhe lá.

Tá certo que a chuva mais branda era perfeita pra jogar futebol no campão, nadar ou simplesmente fazer qualquer coisa que envolvesse lama, mas quando o aguaceiro apertava e ficávamos presos em casa, o tédio era foda.

Por isso, quando ganhamos um Telejogo a alegria foi geral. Nem a chuva atrapalhava nosso humor ao aproveitar um dos 3 jogos do invento maravilhoso.

Bons tempos aqueles. Hoje, quando chove, só consigo pensar no trânsito infernal. Alguém aí me consegue um Telejogo?




Design arrojado




Gráficos embasbacantes




Direto na têmpora: Funny Vibe - Living Colour

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Cogumelos

Gabrielzinho do Irajá, meu companheirinho de labuta, trouxe uma deliciosa seleção de cogumelos orgânicos colhidos no latifúndio (pouco) produtivo de sua família.

A verdade é que eu adoro cogumelos: Paris, Shitake, Shimeji, Hiratake, Maitake, Portobello, não interessa. Se tem cogumelo, tem o redatozim na área.

Aqui em Belo Horizonte tem um restaurante chamado República do Jambreiro que é especializado nestas criaturinhas incríveis, mas agora com o fornecimento de qualidade providenciado pelo nosso resmungãozinho irajaense, existe a grande possibilidade de que eu volte a cozinhar e banque uma concorrência à República.

Sim, porque além de um velho resmungão, eu também me viro um pouquito pela cozinha. E eu não sei se vocês sabem, mas comigo, ah, comigo é na inhanha.




Direto na têmpora: Rust - Echo & The Bunnymen

Sophia, Fernanda e Maurilo desejam a todos vocês...






Direto na têmpora: Your English Is Good - Tokyo Police Club

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Planejando

Não vou falar aqui sobre o evento do Grupo de Planejamento em São Paulo, do qual participei graças ao esforço da Domínio Público e nem do Grupo de Estudo da Tom no qual fui palestrante para falar sobre o supracitado evento.

Na verdade, o pastelzinho não se presta a assuntos inteligentes assim.

O que eu vou dizer, é que algo está mudando no jeito de fazer comunicação como mudou com a chegada da tv a cabo, do computador e etc. Essa é a hora de ficar de olho e tem muita gente de olhos fechados.

Enfim, como diz a Sophia citando o Randolph do Monstros S.A.: "Tssss tssss tsss tssss Ouviu? São os ventos da mudança..."




Direto na têmpora: Nobody move, nobody get hurt - We Are Scientists

Dividindo a humanidade

Estou lendo a biografia do Ovalle e gostei demais da Nova Gnomonia. Sendo assim, inspirado pelo místico homem do monóculo, faço aqui minha própria classificação dos seres humanos em categorias.

Importante notar que não há aqui nenhum julgamento moral, já que pessoas de qualquer grupo podem ser boas ou ruins, conforme usem suas características para o bem ou para o mal.

Facianos: os facianos usam suas emoções no rosto. Respondem aos acontecimentos de maneira quase imediata e irrefletida. Compensam esse pouco cuidado com a reflexão com um instinto apurado. Facianos se arrependem de seus atos sim, mas nunca serão capazes de fingir uma reação ou simular uma simpatia.


Morphentes: os morphentes têm como principal característica uma grande capacidade de sonhar e de inventar. Não vivem de devaneios e nem são afastados da realidade, mas têm sempre um novo projeto em planejamento, seja uma viagem, uma exposição, um livro ou um romance. Alguns são levados a cabo, outros não.


Stérnicos: a firmeza é a principal marca dos stérnicos. Suas convicções e decisões costumam ser bem pensadas, bem embasadas e irrevogáveis. Inflexíveis, os stérnicos costumam impressionar pela firmeza e causar desconforto pela teimosia.


Nimbudistas: etéreos, distraídos, desapegados, os nimbudistas costumam ter um círculo fluido de relacionamentos, amorosos ou não. Péssimos para compromissos de qualquer espécie, costumam compensar este item com uma altíssima capacidade de abstrair. Como colaboradores são excelentes, como coordenadores, um fracasso.


Cambianos: em cada grupo os cambianos são descritos de uma forma. Para os amigos, são alegres; para os pais, compenetrados; para os colegas de trabalho alguma outra coisa. Não é falsidade, de maneira alguma, mas é que os cambianos têm uma grande multiplicidade de personalidades que os permitem adaptar-se facilmente às situações. Podem, no entanto, causar confusão e dúvidas sobre sua pessoa entre aqueles que os conhecem melhor.


Percebam que, assim como nos signos, podemos se de um determinado grupo e ter referência em outro. Eu, por exemplo, sou um morphente com sólidas referências stérnicas. E tu?




Direto na têmpora: Gift Shop - The Tragically Hip

terça-feira, dezembro 16, 2008

O oco

Eu juro que consigo ouvir o oco dentro da minha cabeça. Parece que toda a inteligência foi sugada de dentro do meu crânio (tá certo, deve ter levado 3 ou 4 segundos) e que nada mais sai dali de dentro.

Nada de genial ou de minimamente interessante passa perto do meu cérebro e a previsão do tempo indica que vai continuar assim até 2009. Como eu sou um velho resmungão, não me deixo vencer por esta enorme lacuna de idéias e simplesmente reclamo de tudo. Ao invés de fazer algo que presta, opto por causar problemas questionando a tudo e a todos.

Então, siga meu conselho, quando você se perceber um enorme deserto de originalidade, resmungue, critique, seja (ainda mais) chato. Acredite, funciona. É aquela mesma teoria de que quanto menos se sabe, mais se escreve em uma prova.

Resumindo, não existe nada errado com os outros. Simplesmente e conscientemente, o chato sou eu. Seja um você também.




Direto na têmpora: Hate you - Reel Big Fish

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Sua profissão é assim?

Havia duas tribos que viviam brigando por uma grande montanha de cocô que ficava bem na divisa entre as duas.

Durante séculos as duas tribos engalfinharam-se em sangrentas batalhas, com um número assustador de mortos e um ódio que crescia a cada dia.

A animosidade entre elas chegava a um ponto insustentável quando o líder de uma das tribos sentou-se em uma árvore e passou a observar as terras devastadas pelas guerras, as pessoas famintas, o chão coberto de escombros e, bem no centro de tudo, a imensa montanha de cocô.

O sol se punha e nosso pobre homem mirava a paisagem quando, de súbito, teve uma epifania:

“Peraí, isso é uma montanha de cocô, cacete! Quer saber, podem ficar com essa merda!”

E assim fez-se a paz.




Direto na têmpora: O patrão nosso de cada dia – Secos & Molhados

Venezuela Blues

10 coisas de que vou sentir falta agora que meus pais voltaram da Venezuela, mas das quais abro mão alegremente para ter a presença deles aqui. A propósito, a ordem dos itens é irrelevante.


1) Queijo Guayanés: gorduroso, sim, mas juro que é difícil arranjar outro queijo tão gostoso, mesmo aqui em Minas Gerais. Com certas combinações, fica quase celestial, o que nos leva ao item 2.

2) Cachapa: a cachapa é, discutivelmente, a grande invenção da história venezuelana. A cachapa con queso (guayanés obviamente) é algo capaz de iluminar o mais sombrio dos dias.

3) A proximidade com o Caribe: para quem mora longe do mar, a possibilidade de uma viagem de 4 horas de carro levar a algumas das mais belas praias do mundo é, no mínimo, muito atraente. Playa Blanca, Curaçao, Aruba, Bonnaire, lugares que só conheci porque meus pais moravam por ali.

4) Os parques de Puerto Ordaz: uma cidade onde o rio Orinoco encontra o rio Caroní só poderia mesmo ter uma porrada de parques bacanas. Iguanas soltas, muito verde e uma quantidade absurda de água em locais muito bonitos. E o que é melhor, a 15 minutos de qualquer lugar.

5) Chocolates El Rey: pode ser surpresa para alguns, mas a Venezuela produz grandes chocolates. O El Rey de 41% de cacau, o de 58% de cacau e o de 70 e tantos por cento de cacau são verdadeiras preciosidades sem as quais terei que viver.

6) O quintal da casa dos meus pais: piscina, árvores frutíferas, uma varanda deliciosa e muito verde. Queria que a Sophia tivesse conhecido aquele quintal hoje ao invés de com apenas 4 meses.

7) Colônia Tovar: pertinho de Puerto Ordaz com morangos, friozinho(!) e boas cervejas. Nem é tão lindo assim, mas que diferença de Puerto Ordaz.

8) O Teleférico de Caracas, no Cerro El Avila: do calor infernal de Caracas ao frio do Cerro El Avila, a 2153 metros. A vista é linda, a subida é muito bacana e a viagem vale a pena.

9) Arepa: nenhum café da manhã na Venezuela está completo se não tiver arepas. É como um café da manhã em hotel do nordeste sem tapioca.

10) O tax-free da Ilha Margarita: claro, a ilha tem algumas praias legais e hotéis bem bacanas, mas nada como fazer compras pagando bem mais baratinho do que aqui e ainda dormir na casa dos pais. Deveria ter comprado 3 relógios Swatch ao invés de um só quando estive lá.




Direto na têmpora: Mr. Tough - Yo La Tengo

Samba de Confins

Depois de 10 anos vivendo na Venezuela e de no máximo duas visitas por ano, meus pais estão de volta definitivamente ao Brasil.

Eu sei que é verdade, mas parece que ainda não entendi a realidade. Minha Sophia também parece que ainda acha que daqui a pouco eles vão embora de novo. É que ela já conheceu os avós assim, de visitas esporádicas.

Agora, o formato da nossa família mudou para melhor e eu passo a ter duas casas de novo.

Ainda não entendi de verdade a volta deles e ainda não deu pra matar a saudade, mas dentro de mim já começam os sinais de uma alegria que diz que algo muito bom aconteceu. Ou melhor, está acontecendo.

Sejam bem vindos de volta.




Direto na têmpora: Knight on the town - Kula Shaker

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Furto descarado

Fui lá no Caixa Preta e roubei este vídeo sensacional em que músicos de rua de todo o planeta tocam a clássica Stand by Me. Puta clipe.



All together now.




Direto na têmpora: Crumble - Dinosaur Jr.

3 anos da minha Sophia

A festinha é amanhã e o aniversário de verdade só dia 29, mas resolvi colocar um filmezinho que fiz com a ajuda do Helder da Kundum e do Paulo Emílio da Brókolis.



Blackbird, como sempre.




Direto na têmpora: Joyful Girl - Ani DiFranco

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Falas inesquecíveis da tv

- Acabou!
- Terminou...
- Quem vai querer mais?
- Eu!
- Plllafff!!!



- Coil, o Homem Mola. Prepara as teias quando as coisas estão feias.



- Boa noite, John Boy!
- Boa noite, Mary Ellen!




Direto na têmpora: Aim and shoot - The Dials

U-turn

Marcelo Silva era um bombeiro. Estabilidade no emprego, garantias, boa aposentadoria, etc. Não sei se ele já era meio sambado, mas tinha uma vida diferente.

Aí, o cara não só fica conhecendo a Suzana Vieira como namora com ela. E mais, resolve casar-se com ela. Glamour, páginas de Caras, acesso a coisas diferentes e pronto, olha o que virou a vida dele daí em diante.

- Confusão com putas no motel.
- Separação pública.
- Pedido humilhante de perdão.
- Internação por abuso de drogas.
- Dedo decepado pelo cão da Suzana que ele tentava salvar.
- Romance com colega de Narcóticos Anônimos.
- Amante liga pra Suzana e conta tudo.
- Marcelo dá um pau na amante e é indiciado por lesão corporal.
- Outra separação pública e humilhante.
- Namoro com a amante e cobrança de cachê para dar entrevistas.
- Morte súbita, aparentemente por overdose de cocaína, no estacionamento do hotel.

Em resumo, putaqueopariu, a pior coisa que poderia ter acontecido na vida desse cara era a Suzana Vieira.




Direto na têmpora: Speak to me Bones - Land of Talk

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Errinho

Tadinha, era pra escrever "I love Santa".



Um feliz natal do CPS - Clube dos Pequenos Satanistas.




Direto na têmpora: Heading for the Texas border - The Raconteurs

Desastre? Que desastre?

O universo protege algumas pessoas por motivos obscuros. Se existem aquelas que caminham inadvertidamente rumo ao perigo (ou melhor, inadvertidamente o caralho, muitas vezes advertidas), existem aquelas que passam pelo caos, abaixam para amarrar os sapatos e saem ilesos.

São os distraídos, os puros de coração ou simplesmente um bando de sortudos filhos da puta. Você escolhe.

Eu confesso que, mesmo acreditando cegamente no acaso, procuro me guiar pela máxima “antes de entrar, veja por onde vai sair”. Estas criaturas inabaláveis, não. Entram sem saber por onde e saem sem nem imaginar como.

Eu gosto de gente assim. Gosto muito. Aliás, eu preciso andar mais com pessoas assim.




Direto na têmpora: The man don’t give a fuck – Super Furry Animals

Rumo ao desastre

Diz a lenda que uma vez um advogado japonês foi questionado sobre a gigantesca diferença entre o número de advogados no Japão e nos EUA. "No Japão, se alguém é atingido por uma bola de beisebol, ele sorri e leva a bola como souvenir. Nos EUA ele processa quem arremessou, quem rebateu, quem construiu o estádio, a pessoa da sua frente que não pegou a bola e por aí vai."

Talvez essa historinha nem tenha tanto a ver com o tema do post, mas eu acho ela legalzinha, então coloquei aí e pronto. Eu queria mesmo era falar daquelas pessoas que lêem os avisos de área radioativa, vêem os animais mortos e as árvores marcadas pela radiação e continuem seguindo em frente sem nenhum motivo justificável. Meses depois, com um tumor do tamanho de um ovo de avestruz debaixo do braço e a pele escamando incessantemente, perguntam-se como aquilo pôde acontecer.

Essas pessoas que ignoram todos os sinais e marcham estupidamente rumo ao perigo anunciado são as primeiras a esbravejarem contra o destino. É como alguém que dirige bêbado e sofre algum acidente horroroso apenas para processar a responsável pelo funcionamento do semáforo que ele atravessou no vermelho. Ou alguém que fuma a vida inteira, mesmo com os avisos nas embalagens e quer ferrar a Souza Cruz.

Eu sei, eu sei, são reações de dor e a dor não é lógica, mas o mundo já está muito cheio de cagadas avisadas. Empresarialmente falando, a coisa é pior ainda, mas não quero entrar em detalhes.

É por isso que a música de abertura de Dexter (o geniozinho do cartoon e não o psicopata) sempre me causa estranheza: A surpresa é muito grande quando as coisas fazem BUM no laboratório de Deeeeexteeeer.

Porra, Dexter, na boa, na verdade não é surpresa nenhuma.




Direto na têmpora: Why do you let me stay here? - She & Him

terça-feira, dezembro 09, 2008

Xingando

Um amigo meu desenvolveu a teoria que a pior ofensa para um velho no trânsito era "maconheiro".

Primeiro porque alguém dessa idade nunca esperaria ser chamado de maconheiro, segundo porque para essas pessoas o maconheiro é uma figura pior do que estuprador. Confesso que usei algumas vezes e o resultado foi ótimo.

O Zé Gato, que trabalhava comigo, usava bastante a ofensa "bolha". Outra ótima escolha, mesmo para xingar alguém que não entende bem o que significa ser um bolha.

Na verdade, volta e meia fico pensando em expressões que gostaria de recuperar para xingar alguém: "cabeça de melão" para alguém burro; "fogão" (pronuncia-se "fugão") para mulheres feias e, a minha favorita, "mandrião" para qualquer um.

Imagine você discutindo com um colega de trabalho e, no ardor da contenda, poder encher a boca para disparar "seu, seu, seu mandrião!". Seria simplesmente perfeito. Se eu fosse homem, faria isso agora mesmo.




Direto na têmpora: Bang a Gong (Get it on) - T. Rex

Musiqueta

Quem aí já achou uma música que dizia exatamente o que você precisava ouvir naquele momento, levanta a mão.

Ah, sim, canções são escritas por pessoas e até mesmo por isso, pessoas se identificam com elas. Meu amigo Lisandrinho me mostrou um samba antigo que é exatamente uma passagem da vida dele sem tirar nem pôr. Coisa impressionante.

Todas as vezes que ouço um determinado trechinho de Time, do David Bowie (nada a ver com a letra que coloquei ali embaixo), fico com a certeza de que o camaleão já estava imaginando certos momentos da minha vida. Ok, ok, provavelmente o DB estava falando da vida de todo mundo, mas ainda assim, você entende o que eu digo.

E tu, tatu, que musiquinha anda falando coisas que você precisa ouvir hoje?


"John Francis Dooley, wipe the sleep from your eyes
And embrace the light
You have slept now for a thousand years
Beneath starless nights
And now it's time for you to renounce the old ways
And to see a new dawn rise"





Direto na têmpora: Blank Generation - Richard Hell & The Voidoids

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Feriado

Hoje é feriado em BH, ou seja, não ia postar. Mas, enquanto estou na casa do sogro, resolvi dizer apenas que fiquei imensamente feliz com a queda do Vasco (me desculpem os vascaínos). Os motivos são 3:

1) O mal que o Eurico Miranda representava para o futebol brasileiro merecia ser punido, mesmo que depois da saída do caboclo.

2) Depois que o Galo caiu, qualquer grande que cai me deixa feliz. Revanchismo de sofredor, eu sei.

3) Imagina se ano que vem o Ipatinga volta pra Primeirona e o Vasco continua? Vai ser a únicaq forma de diminuir a vergonha que foi essa temporada do Tigre. Se só caíssem pequenos não ia ter graça.

Então, até amanhã.




Direto na têmpora: Leader of the Pack - Twisted Sister

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Grandes homens

Cesinha Tolentino passou e eu tive que postar.







Direto na têmpora: Mental - Eels

Amora

Lá em casa tinha laranjeira, limoeiro, pé de maracujá, de mamão e de manga. Na casa do meu vizinho, tinha pé de ameixa e de cajamanga. O mato em frente era cheio de jabuticabeiras, amoreiras, pitangueiras e pés de carambola.

A gente não só comia muita fruta, como sabia muito bem a época de cada uma e esperávamos ansiosos os pés ficarem carregados das nossas favoritas.

Para mim, não havia nada igual aos tempos de amoras. Invariavelmente chegava em casa roxo, com os dedos e o rosto entregando a farra que acabara de acontecer, a blusa nova perdida para sempre.

Comer amoras era uma mistura de prazer gastronômico e de diversão pura. Subir no pé, escolher as mais pretinhas, tudo isso era quase tão bom quanto o gosto da fruta em si.

Às vezes pegávamos bacias de lavar roupa e enchíamos de amoras. Já no meio do caminho, comíamos metade, e o resto colocávamos no congelador para comer mais tarde.

Hoje, não me lambuzo mais de amora e nem me atrevo mais a subir em alguma árvore atrás de frutos. No máximo vou à feira ou ao supermercado e me delicio com aquelas cores e cheiros que lembram a infância.

Mas se pudesse fazer um desejo para a minha filha, com certeza seria que ela tivesse um pé de fruta para subir. E se não for pedir muito, um de amora, só para ver ela chegar roxa de felicidade como eu já fiz um dia.


PS - Restam apenas 3 caixinhas vermelhas e 2 azuis. Hoje acaba a promoção, então é melhor garantir o seu.




Direto na têmpora: The Jeep Song - Dresden Dolls

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Ruim deveras

Não é fácil fazer algo verdadeiramente ruim. O medíocre sai fácil, o ruinzinho também, mas aquilo que é realmente péssimo, beirando o hediondo, esse requer o esforço de um gênio ou de várias bestas.

Em homenagem a este fato que nos assombra diariamente, um clipe que mostra como fazer o tragicamente horroroso não é tarefa para qualquer um.



Mário? Que Mário?




Direto na têmpora: Suck my Kiss – Red Hot Chili Peppers

MegaSena

Eu nunca vou ganhar na MegaSena. Não tem problema nenhum, estou bem confortável com isso. Tá certo que um dos principais motivos da minha certeza é o fato de eu não jogar, o que dificulta bastante o êxito na empreitada, mas tem outras coisas também.


1) Eu odeio “reply to all”

É sério, eu acho que certas pessoas deveriam ter a ferramenta “reply to all” retirada permanentemente de seus computadores para não amolarem os outros com assuntos irrelevantes. O que isso tem a ver com a Mega? Simples, sempre que tem um bolão na empresa, todo mundo fica fazendo comentários e dando “reply to all”, ou seja, no final do dia você recebeu 389 emails de encheção sobre o bolão que não deu em nada.


2) Eu controlo bem a minha inveja

Esse negócio de todo mundo ganhar e você ficar de fora não me incomoda tanto. Se todo mundo ficar rico, beleza, parabéns, fazer o quê, né?


3) Eu acredito na “lei da compensação”

Na minha opinião, ninguém pode ter só sorte ou só azar. As coisas tendem a ser compensadas (até tenho uma cronicazinha sobre isso) e eu ando muito bem, obrigado. Não vou arriscar a sorte que eu tenho com saúde, família, amigos e trabalho por causa de um jogo.

Bobagem? Sem dúvida. Mas não é bobagem também acreditar, semana após semana, que com uma chance de sucesso de 1 em 50.063.860, vale a pena jogar na Mega?



PS1 – Se a turma da Domínio ganhar o bolão da Mega este post será sumariamente deletado e eu passarei a elogiar desbragadamente a inteligência e a perspicácia deste grupo de pessoas benevolentes que irão me ajudar a quitar meu carro.

PS2 – A promoção dos copinhos acaba amanhã e restam apenas 10 caixinhas. Aproveitem!




Direto na têmpora: Red Right Ankle - The Decemberists

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Rabanada

Em novembro, estive presente com contos / crônicas / textos em 4 revistas: Nova Escola, Banco Mercantil do Brasil, Shopping Cidade e Alphaville Campinas. Em uma delas, se não me engano a do Cidade, a personagem da minha historinha era louca por rabanada.

E agora, com o natal se aproximando, lembro que existem poucas coisas no mundo melhores do que rabanadas recém-feitas, quentinhas, cobertas de açúcar, enfim, um convite ao prazer e ao colesterol alto.

Sendo assim, abro de público uma medida provisória para o Programa CSN (Cansei de ser Nhonho): em dezembro, sempre que houver a possibilidade de comer rabanadas frescas, o regime fica de altas.

É isso aí, todo homem tem seu preço e o meu é um belo prato de rabanadas, ou um torresmo do Bar da Tia, mas aí já é outra história e outra causa de enfarte.




Direto na têmpora: Your love alone is not enough – Manic Street Preachers

Segundas no clube

O Clube Morro do Pilar não abria às segundas em Ipatinga. Por essa época do ano, já estávamos de férias e o calor batia forte por ali.

Claro que brincávamos em casa, tomávamos banho de mangueira, andávamos de bicicleta, fazíamos guerrinha de mamona ou íamos nos aventurar pela mata. Mas o bom, o bom mesmo, era entrar escondido no clube e ficar dentro da piscina, paradinho como um sapo, sem sequer nadar.

Não sei se era a emoção do perigo, o medo de ser pego e suspenso do clube ou só mesmo a folga do calor, mas era bom. E a gente passava ali a tarde inteira se deixassem, observando os funcionários do clube passando ao longe, relaxados e alertas ao mesmo tempo.

E quando algum adulto do clube nos avistava ou se aproximava, corríamos rindo, pulávamos o muro e sumíamos na rua, a sensação de ter vivido queimando ainda na pele.




Direto na têmpora: Only Shallow – My Bloody Valentine

terça-feira, dezembro 02, 2008

Fa-bu-lo-so

Acabei de ler as Fábulas Italianas selecionadas pelo Ítalo Calvino. Há cerca de 4 anos, na minha única visita à Europa, havia comprado um livro de fábulas tchecas (sem duplo sentido, por favor) e descobri algo em comum entre elas: as fábulas daquela época eram de matar criança do coração.

Só para dar um exemplo, em mais de uma historieta, o vilão é punido ao ser vestido com uma camisa de piche e ateado fogo. Exatamente, o final feliz de uns significava que alguém estava sendo queimado vivo do outro lado.

Em outra fábula, a vilã fica tão frustrada com o fracasso de sua trama maligna que arranca os cabelos um a um e, após o último fio, a raiva é tanta que arranca a própria cabeça.

Tá certo que a Sophia costuma gostar de uns negócios mais "lado negro da força" (ela é fissurada pela Malévola da Bela Adormecida, por exemplo), mas ainda assim o bicho pegava demais nessa época.

Resumindo, o livro é altamente recomendável, mas sugiro que mantenham fora do alcance das crianças.


PS1 - Faltam apenas 15 caixinhas da promoção de copinhos de cachaça. Você tem até sexta-feira para aproveitar o preço de R$ 65,00, viu?

PS2 - Alguma sugestão de pesquisa? Tem uma novinha em folha ao lado, mas eu tô ficando sem idéias.




Direto na têmpora: Bizarre Love Triangle - Even As We Speak

O pastel de novembro

Novembro foi o mês recorde de visitas no Pastelzinho. Vejamos o comparativo entre os rankings para entender como a posição antropogeográfica do blog mudou. Áustria, Salvador, Hortolândia (!) e São José dos Campos são as grandes surpresas.

E salve o Google Analytics.


Ranking histórico de países por número de visitas
1) Brasil
2) Venezuela
3) EUA
4) Portugal
5) Espanha
6) França
7) Canadá
8) Áustria
9) Inglaterra
10) Alemanha


Ranking novembro/08 de países por número de visitas
1) Brasil
2) EUA
3) Venezuela
4) Áustria
5) Portugal
6) Canadá
7) Espanha
8) França
9) Inglaterra
10) Alemanha



Ranking histórico de cidades por número de visitas
1) Belo Horizonte
2) Rio de Janeiro
3) São Paulo
4) Brasília
5) Curitiba
6) Salvador
7) Porto Alegre
8) Campinas
9) Recife
10) Goiânia


Ranking novembro/08 de cidades por número de visitas
1) Belo Horizonte
2) Rio de Janeiro
3) São Paulo
4) Salvador
5) Brasília
6) Recife
7) Curitiba
8) Hortolândia
9) Florianópolis
10) São José dos Campos




Direto na têmpora: Roadrunner – The Animals

1 mês de CSN

Pois bem, temos os resultados. Quem votou entre 6 kg e 9 kg, acertou. Pesei hoje e estou com 107,4 kg, ou seja, foram 7,6 kg perdidos em um mês, comendo e bebendo normalmente nos finais de semana e seguindo rigorosamente as restrições impostas por mim mesmo de segunda a sexta.

Continuamos firmes na meta de voltar aos dois dígitos e acredito que, já em fevereiro, conquistaremos o objetivo.

Até lá, muita ricota, muita barrinha de cereal e alface pra dar e vender. Olha aí as fotos entituladas "O desinchaço da besta".












Direto na têmpora: Halah - Mazzy Star

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Identidade

Um post bem rápido,porque a palestra está começando. Você escolhe quem quer ser aos 12, aos 18, aos 25, enfim, durante toda a vida. Em cada esquina, em cada dúvida, em cada decisão.

Tenho 37 anos e, apesar de pessoalmente ter uma boa noção e quem sou, profissionalmente, estou repensando quem eu quero ser e quais as condições que tenho pra isso.

Me sinto com 12 de novo. Melhor do que me sentir com 60.




Direto na têmpora: Maps - Yeah Yeah Yeahs

domingo, novembro 30, 2008

Post Extra

Como eu não devo conseguir postar amanhã (viajando a trabalho)e Sophia andou inspiradíssima esses dias, vai aí um post extra de domingo com duas pérolas da pequena.

No carro:

"Papai, põe a música do purício"?

"Purício? Não sei que música é essa, Sophia."

"Sabe, sim. Eu quero a música do purício."

"Eu não sei que música é essa, filha, canta pro papai."

E ela, toda compenetrada, me solta "O Ar", do Vinicius de Moraes.

"Purício é que eu não tenho forma, peso eu também não teeeenhooo, não tenho cooooor."


-*-*-*-*-*


Fernanda e eu compramos um fusquinha-baleiro para a Sophia. Era surpresa, então, durante uma compra de supermercado, separamos algumas balinhas e começamos a envolver a Sophia no clima do presente.

"Filhinha, quando a gente chegar lá em casa, vamos colocar essas balinhas em um lugar muito legal, sabia?"

"É?"

"É, sim, sabe onde?"

"Na boca?"




Sim, a criança andou impossível.




Direto na têmpora: Possum of the Grotto - Rasputina

sexta-feira, novembro 28, 2008

Qual é o pó

Eu tinha recebido e nem ia postar, mas tanta gente comentou, me mostrou e me mandou que eu não posso me furtar a divulgar este trabalho genial.

Só um detalhe pra vocês perceberem o gênio da coisa, eles usam a palavra "beleléu" na música e ainda rimam.



"Pó pará com o pó aê"




Direto na têmpora: Brand new day - Van Morrison

Promoção de natal

Caríssimos, chegamos às últimas unidades das caixinhas exclusivas com os copinhos de cachaça. Foram apenas 100 unidades para cada modelo e hoje temos apenas 20 de cada.

Sendo assim, farei um saldão com as últimas unidades.

Até a próxima sexta-feira, dia 5 de dezembro, as caixinhas custarão apenas R$ 65,00. Isso mesmo, R$ 65,00!

A partir do dia 6 de dezembro, se restarem ainda algumas unidades, o preço volta a ser R$ 75,00.

Ah, para os clientes de BH eu entrego em mãos, mas se você mora em outra cidade, o frete é por sua conta.

Então, aproveitem e divulguem. Um, dois e valendo! O email para fazer o pedido é: mauriloandreas@gmail.com.




























Direto na têmpora: Hardly Getting Over It - Bob Mould

quinta-feira, novembro 27, 2008

Hora certa

"Sophia, que horas são?"

"Quatro pra sempre."




Direto na têmpora: I'm a lady - Santogold

Zuim

Encontrei-me hoje pela manhã, por volta das 9h, com Jackson Drummond Zuim. Para quem não sabe, Zuim foi um dos grandes redatores publicitários de Minas Gerais, protagonista dos mais divertidos casos da nossa propaganda (alguns postados aqui) e ainda uma pessoa que abriu muitas portas para mim no início de carreira.

Vindo de uma época em que publicidade e boemia andavam quase sempre juntas (tempos bem mais divertidos, mas que cobraram um preço caro de muitos profissionais), era famoso por suas bebedeiras e por suas frases de efeito.

Por respeitar sua privacidade, não vou entrar em detalhes, mas o fato é que Zuim teve sérios problemas de saúde e hoje, bem mais magro, já está sem beber e sem fumar há 18 meses.

Mesmo sem a velha e tradicional voz de barítono, Zuim me mostrou um poema de sua autoria que, mesmo sem autorização, publico aqui.


Poeminha Abstêmio

Depois que parei de beber
Minha vida mudou
Do vinho para a água




Direto na têmpora: For once in my life - Frank Sinatra

quarta-feira, novembro 26, 2008

Rapidinha de nome

Uma historieta verídica e curta para vocês.

"Como é que você chama?"

"Deomar."

"Hahahahahaha. Deomar!? Hahahahahaa. Horroroso esse nome! Hahahaha."

"E você, como se chama?"

"Telemaco."

Cai o pano rápido.




Direto na têmpora: We're not alone - Dinosaur Jr.

10 pequenos prazeres

1) Emendar as festas de final de ano.

2) Comer doce no final de semana quando se está de regime.

3) Colocar a Sophia para dormir.

4) Rever as fotos das viagens que fiz com a Fer.

5) Descobrir que sua voz não é tão ruim quanto você imaginava.

6) Perceber que tem gente querendo ouvir o que você tem a dizer.

7) Descobrir que tentaram furar seu olho com o chefe através do próprio chefe.

8) Aprender algo novo e aplicar o que aprendeu.

9) Comprar os presentes de natal.

10) Lembrar que a vida tem mais possibilidades do que querem que você acredite.




Direto na têmpora: State of love and trust - Pearl Jam

terça-feira, novembro 25, 2008

And now for something completely different

Se você gosta de Monty Python eu tenho uma ótima notícia para você. Se você não gosta de Monty Python, eu tenho muita piedade de você. Se você não conhece Monty Python, saudações para a família aí em Júpiter.

Agora existe um canal oficial do Monty Python no Youtube. Clipes em alta qualidade, materiais raros, enfim, uma grande festa. E para dar um gostinho, seguem dois filmetes para vocês.



Todo esperma é sagrado, segundo Michael Palin.




Uma raridade Pythoniana.




Direto na têmpora: From Red To Blue – Billy Bragg

Mijando no próprio pé

Eu já disse que odeio o termo "do bem". Acho bobo, coisa de modinha, fraco. Mas esse é um problema meu. No entanto, vou fazer aqui algo que odeio e condeno, mas juro que é só essa vez (e teve aquela do motel mais antiga, vai): vou criticar uma campanha publicitária daqui de BH.

Falando sério, "Natal do Bem" não é legal. Pelo menos não para mim. Até porque não consido deixar de pensar em sua oposição: existe natal do mal?

Talvez um Papai Noel pedófilo e elfos que batem carteira dos transeuntes. Presentes estragados, a avó cuspindo no peru que vai ser servido para a família e um trenó movido a diesel e poluindo os céus.

Eu sei, eu sei, eu sou um velho resmungão e não há nada errado com a campanha. O problema, como eu já disse, é comigo mesmo.




Direto na têmpora: My name is Jonas - Weezer

segunda-feira, novembro 24, 2008

Tem foundphotos, quer um pedaço?


A última foto de Billy ainda com as calças secas na festa da irmã.




"Seu marido não vai chegar agora, vai?"




"Ah, sim, meus pais ficaram superfelizes com meu casamento."




Direto na têmpora: The Talking Asshole - Frank Zappa

O pequeno outro

Existem poucas maneiras mais fáceis de alguém parecer bom do que fazer os outros parecerem ruins. Eu sei, eu já usei essa tática e ela funciona bem em certas discussões.

Acredite, eu não me orgulho disso. É uma estratégia baixa, que desvia o foco das suas limitações e deficiências em determinado assunto para o oponente de forma geral.

Nizan usou isso na discussão com Fabio Fernandes quando, ao invés de discutir em alto nível, fazia caretas para o público a cada crítica de Fabio.

Jogadores de futebol fazem isso quando têm dificuldade em marcar algum adversário de equipe menor e desandam a falar sobre salários.

O Muricy fez isso com os jornalistas ontem quando disse que o time seria blindado e que agora "acabou entrevistinha exclusiva", como se não houvesse importância na função dos outro. Em seguida desculpou-se.

Alguns clientes são assim, referem-se ao trabalho publicitário como algo menor e escondem suas limitações, seu despreparo, sua total incapacidade de analisar tecnicamente uma peça atrás de diminutivos e brincadeirinhas.

Infelizmente não são raros clientes assim. Mesquinhos, bobinhos, pequenos. Clientinhos.




Direto na têmpora: Are you gonna be my girl? - Jet

sexta-feira, novembro 21, 2008

“You’ll still be here tomorrow, but your dreams may not”

Cat Stevens estava certo. Quanta coisa na qual eu acreditava não tem hoje a mínima importância. Quantas verdades absolutas hoje viraram pés de página. Quantas brigas compradas, rancores nutridos, desejos que consumiam noites hoje valem menos que nada.

Hoje preciso de coisas mais simples, mas nem por isso menos importantes. O mundo que eu quero não é o que eu queria, as coisas que eu busco nem me passavam pela mente.

Sonhos, verdades, necessidades, tudo muda com a gente. E a gente muda pra caramba. Como dizia McCartney, “I’m not half the man I used to be”, mas talvez seja dez vezes mais.




Direto na têmpora: Father and Son – Johnny Cash (with Fiona Apple)

Nirvana

Uma das minhas bandas favoritas. Até hoje lembro exatamente onde estava quando ouvi "Smells like teen spirit" pela primeira vez. Aí, entrei no Call Me James e vi este vídeo do MTV Awards de 92. Sensacional. Antológico. Do caralho. Olhaí.



Assisti esse MTV Awards pela tv ao vivo. Acho que Diogo estava junto.




Direto na têmpora: Live forever - Oasis

quinta-feira, novembro 20, 2008

Eu sorteio, você paga o prêmio

Eu conheci brevemente o Pedro Lucas quando estive em Patos de Minas participando da campanha de José Humberto para prefeito em 2000. Já naquela época ele era um dos vereadores mais votados, se não o mais votado, da cidade.

Sempre foi um cara independente, sem compromisso com esse ou aquele e totalmente imprevisível. Até aí, tudo bem, mas agora o cara se excedeu: em uma atitude que está sendo contestada pelo Ministério Público, resolveu que vai escolher, entre toda a população de Patos, seus assessores via sorteio.

Morou em Patos, pode ser analfabeto ou oponente, é só se inscrever e colocar o nome no papelzinho para concorrer ao cargo.

"Ele vai ganhar o quê, Lombardi?"

"Ele vai ganhar um belo cargo de assessor na Câmara de Vereadores de Patos de Minas, Silvio, com o patrocínio das lojas Tamakavi e do bolso do contribuinte."

Tá certo que alguns assessores, vereadores, deputados, senadores, etc, parecem ter sido escolhidos por sorteio também, sem o menor critério, mas daí a colocar a coisa assim, escancarada, é bravo.

E o que é melhor, quem vai pagar o salário de R$ 1850,00 para alguém cuja única competência comprovada é ter sorte não poderia ser ninguém menos do que... o povo, claro.

Quer saber? É tudo papo furado meu. No fundo, no fundo, a gente gosta mesmo é dessa bandalheira e fica reclamando só pra fazer tipo. Se eu pudesse, nesse segundo turno pra prefeito de BH, aprovaria o sorteio do Pedro Lucas. E sem o menor peso na consciência, feliz, feliz.




Direto na têmpora: Around the bend - The National

A bexiga

Você já viu uma bexiga? Bexiga mesmo, do corpo humano. Pois bem, de todos os elementos do nosso corpo, o que mais admiro é a bexiga.

A capacidade média da bexiga urinária é de 700ml a 800ml e é ela que me faz aguentar reuniões intermináveis, esperar surgir o próximo posto na estrada ou assistir a um filme sem me molhar inteiro, principalmente se levarmos em conta o meu consumo abusivo de Guarah ou Coca Zero (sim, o vício permanece).

E me parece incrível o poder que a bexiga tem de mobilizar o resto do corpo quando atinge o seu limite. As pernas se enroscam involuntariamente, o queixo treme, as mãos ficam suadas, tudo isso para preservar suas calças e sua dignidade.

A bexiga é uma vitoriosa, uma heroína que não recebe o reconhecimento que merece. Mas não aqui no Pastelzinho. Aqui, a bexiga reina dilatada, cheia, sempre a um segundo da explosão, plena e esplendorosa.

O coração é legal, os rins são bacanas e até a vesícula é joinha, mas a bexiga sim, merece toda a nossa admiração. Por isso, se você urina, dê um abraço na sua bexiga. Ela merece.


Minha "ídola", a bexiga.


PS - Este post não possui nenhum objetivo ou sentido escuso, é apenas o reconhecimento à parte do corpo que me possibilitou vir do Barroca até Nova Lima sem inutilizar o estofado do carro.




Direto na têmpora: Valentine - The Replacements

quarta-feira, novembro 19, 2008

Esquecimento

Não sei se foi o Borges quem disse que o esquecimento é o único perdão e a única vingança. Ou algo que o valha.

Pois bem, eu tenho enorme facilidade em reconhecer rostos e lembrar nomes, mas uma imensa dificuldade em recordar se a pessoas era um bom amigo ou um amargo desafeto. Já cumprimentei efusivamente um caloteiro no supermercado só para, 30 segundos depois, lembrar quem ele era e fechar a cara.

Tem um filme chamado Desafio no Bronx, dirigido pelo Robert De Niro, em que um dos personagens vive querendo pegar um outro rapaz que deve uma grana a ele. Um mafioso mais velho então pergunta:

"Você é amigo desse cara?"

"Não."

"Você gosta dele?"

"Não, ele é um babaca."

"Quanto ele te deve?"

"20 dólares."

"Pronto, considere que você pagou 20 dólares pra nunca mais ter que olhar para a cara dele."

Às vezes eu consigo agir assim e transformo gente que eu não gosto em posts sacanas ou simplesmente me esqueço deles. Normalmente eu consigo e isso é bom.




Direto na têmpora: Famous for nothing - Dropkick Murphys

Roubado do Miséria Humana

Olha, mãe, tem um pênis enorme na nossa piscina!







Direto na têmpora: Common People - Pulp

The horror, the horror

Pois bem, alguns de vocês já sabem, mas optei por um TIM Fixo. Ao contrário da primeira mula que me atendeu e informou que eu não poderia receber o fone em um lugar e pagar em outro, uma segunda funcionária explicou que a outra sofria de algum tipo de demência e concretizou a venda.

Ficou combinado que a cobrança iria para o endereço residencial e que o telefone chegaria aqui no trabalho pra mim, afinal, é onde eu passo a maior parte do dia e a chance de me encontrar cresce exponencialmente.

Pois bem, o aparelho chegou hoje (suspiro longo e doloroso) lá em casa.


PS – O que me faz manter a sanidade é que poucas coisas são mais engraçadas do que a Sophia imitando o Randolph, do Monstros SA.




Direto na têmpora: Little Red - Kate Nash

terça-feira, novembro 18, 2008

Twitter Style

Fala a verdade, até os avisos de manutenção do twitter são do caralho. Depois da baleinha, saca só o sorvetinho. Parece até coisa do threadless.



Sei lá, achei legal, sabe.




Direto na têmpora: Jump - Aztec Camera

Fala que nem homem, caraya!

Um amigo meu está fazendo um livro para um artista. O prazo se aproximando do final, a coisa apertando, o artista liga e começa com o papinho “sabe como é, muita coisa acumulada, correria, se precisar você fica fim de semana pra gente dar um gás, né?”.

No que meu amigo respondeu prontamente. “Não. Se quiser você vire as noites e me entregue no prazo”

Perfeito e coisa que deveria ser feita mais vezes por diversos setores de atividade e, mais especificamente, por diversos setores de uma agência. Aí, vendo esse caso, lembrei de um amigo de Ipatinga que, junto com outros dois foi para a sala do temido Professor Tavares por alguma bagunça.

“Denílson, quanto tempo você acha que merece de suspensão?”

“Ah, Professor Tavares, eu acho que já me arrependi, sei que estava errado, um dia está bom.”

“E você, Marco Valério?”

“Eu acho também, Professor Tavares, um dia tá bom.”

“Tarcísio, e você? Quantos dias?”

“Duzentos, trezentos, quinhentos, pode fazer o que quiser, eu já passei mesmo.”

Enfim, às vezes a gente tem que lembrar que falar grosso não dói. E, mais importante, é fundamental.




Direto na têmpora: Dr. Satan's Echo Chamber – The Upsetters

segunda-feira, novembro 17, 2008

Momento Sophia


Sexta-feira, acompanhando Madame Fernanda Comelli em sua visita ao salão de beleza.




O Caipora e Sophia, sábado último no Literaturas.




Eu temia o Homem do Saco. Sophia nem liga.




Pose descontraída antes do badalado evento de domingo.




Sophia Musetti (Minnie) e Julia Bernardi (Cinderela) com a aniversariante e também princesa Luana Jacques em momento de descontração.




Direto na têmpora: Glue Girls - Someone Still Loves You Boris Yeltsin

Torcedor de c... é r...

Estava acompanhando essa briga entre os torcedores do Palmeiras e o Luxemburgo no aeroporto e relembrando um conceito que sempre tive na cabeça: cara que vai atrás de jogador (ou técnico) de futebol pra dar porrada é porque não conhece os prazeres do sexo.

Ou de ficar deitado no sofá. Ou de um bom livro. Ou mesmo de rever o jogo pela televisão.

Adoro futebol, mas não cabe na minha cabeça esse tipo de atitude. Primeiro, se o jogador é ruim, a culpa não é dele, é da diretoria que deu o emprego a ele. Demite, caramba. Se o cara sai pra beber à noite e rende em campo, tudo bem. Se não rende, banco ou rua. Por que é que eu vou perder o meu tempo brigando com um cara desses?

Mas, enfim, futebol é paixão. Se bem que eu nunca saí pra dar porrada em alguma paixão minha.




Direto na têmpora: Foux du Fafa - Flight of the Conchords

sexta-feira, novembro 14, 2008

Atendimento

Meu telefone da NET Embratel teve problemas durante uma semana seguida. Agendei a visita e ninguém apareceu. Liguei para reclamar e vieram me dizer que o problema não era na minha casa, por isso não foram até lá. Mentira, minha linha continuava sem funcionar.

Fiquei puto e cancelei o fixo da NET Embratel.

Liguei para a GVT e fui muito bem atendido. Marcaram a instalação para o dia seguinte. Ligaram em seguida explicando que não iam instalar, mas apenas avaliar questões técnicas. Nunca apareceram.

Fiquei puto e cancelei o fixo da GVT antes mesmo da instalação.

Liguei para a OI. 6 pessoas me atenderam e foi impossível que qualquer uma delas me passasse sequer as opções de linha, pacotes e preços.

Fiquei puto e nunca sequer peguei o fixo da Oi.

Vou ficar sem telefone fixo em casa e foda-se. Em um mercado com tanta empresa porcaria, me recuso a ter contato com essa gente. Se quiserem, me liguem no celular.

Ah, é preciso fazer um adendo. A TIM, obviamente, não poderia me decepcionar. FEchado o pacote, disseram que eu teria que estar em casa para receber o aparelho e deram um prazo de até 10 dias para a entrega. Argumentei que trabalho e que não poderia ficar 10 dias em casa esperando, será que não poderiam entregar no trabalho? Não, se entregarem aí, a cobrança tem que ir para este endereço. E se eu for demitido amanhã? É um problema seu, senhor.




Direto na têmpora: Star sail - The Verve

Gente, é um foundphotos mesmo, olha!


"Dieta pra quê, amor, você tá ótima."




Essa experiência de transporte coletivo em San Francisco não foi bem aceita no resto do país.




"Eu e Fifi não vamos usar esses chapéus ridículos nem fodendo."




Direto na têmpora: From the valley to the stars - El Perro Del Mar

Eu não falo a sua língua

Você sabe o que é andar de fasto? E o que significa niquinha? Bom, essas são algumas expressões daqui do interior de Minas que pouca gente conhece, mas que para quem é do lugar soam perfeitamente normais.

Quando morei em Curitiba, quase matei algumas pessoas de rir quando chamei “temporal” de “toró”. E não ficou por aí. Na primeira vez que fui comer um cachorro quente, o rapaz me perguntou se eu iria querer com uma ou duas vinas.

Sem saber o que significava aquilo e, com minha estupidez típica, preferi não perguntar o que era. Deduzi que fosse vinagrete e mandei logo “quero o meu sem vina”.

O rapaz começou a rir e perguntou: “você não é daqui não, né?”

Para quem não sabe, em Curitiba “vina” é como eles chamam “salsicha”.



PS – Pra quem ficou curioso, “de fasto” significa “de costas” e “niquinha” é moeda, imagino eu por causa de alguma época em que as mesmas eram feitas de níquel.




Direto na têmpora: Polizia Molto Arrabiata - Goran Bregovic

quinta-feira, novembro 13, 2008

Exercícios

Ao invés de combater o fumo, o governo deveria começar hoje mesmo a combater o esporte. Depois de um ano de saudável inatividade, retornei ontem ao cruel e desagradável mundo da atividade física apenas para acordar hoje como quem passou a noite apanhando.

O plano divino para o homem foi muito claro: "sentarás em teu sofá, assistirás televisão, tomarás cerveja e comerás porcaria". Agora, não me pergunte qual o plano divino para as mulheres porque eu não faço a mínima idéia.

Era pra ser assim e pronto, sem complicação. Acho até que o Veríssimo tem um texto maravilhoso sobre isso, mas estou muito dolorido pra procurar.

A verdade é que o programa "Cansei de Ser Nhonho" cobra de mim este esforço e eu faço diligentemente, mas sem nenhum prazer. Quando tudo parar de doer, escrevo mais.




Direto na têmpora: Woo Hoo - Kings of Leon

Daily Mugshot






Direto na têmpora: I love you, Suzanne - Lou Reed & Velvet Underground

quarta-feira, novembro 12, 2008

Mundinho e o Vô

Mundinho está em uma sala, em frente ao computador, vidrado em algum jogo. Vô chega da porta e diz:
Oi, Mundinho.

Mundinho responde com um resmungo.
Hmmmmm.

A cena se repete ainda umas 3 vezes. Corta para o avô lendo um livro na sala, quando chega o Mundinho.
Brincou muito, Mundinho?

Muito.

Ele pára um pouco e pergunta.
No seu tempo você ficava só lendo, vô?

Claro que não, a gente brincava o dia inteiro quando não estava na escola. Só que não era assim, trancado na sala, não. A gente brincava de peão, bola de gude, pipa, até bicho a gente fazia.

Bicho? Como assim?

Ah, a gente fazia fazendinha. As batatas eram os bois.
(Mundinho então imagina um boi todo feito de batatinhas do McDonalds)

As cebolas eram os porquinhos.
(Mundinho imagina um porquinho feito de rodelas de cebola)

As cenouras eram os cavalos
(mais uma vez Mundinho viaja em um cavalo laranja, feito de cenoura)

Peraí, vô, não to entendendo nada.

Vem cá, vou te mostrar.

Cenas mostram o Vô mostrando ao Mundinho como se faz os bichinhos, colocando os palitos, fazendo o cercadinho de cartolina, etc.

Corta para o avô sentado na poltrona.
É, acho que o Mundinho gostou da brincadeira de hoje cedo.

Ele vai se levantando, passa na cozinha e pergunta para a cozinheira.
Ô, Ana, hoje vai ter aquele purezinho que eu gosto?

Purê? Hum, seu purê ta é pastando no quintal.

Avô faz cara de desentendido e corta para Mundinho com todas as batatas da casa, entretido em uma megafazendinha.




Direto na têmpora: Green Fields - The Good, The Bad & The Queen

Explicação

Para quem não trabalha com propaganda, ou mais especificamente com criação, vou tentar explicar em poucas linhas o que a gente passa diariamente:

“Olha, adorei esse negócio que você inventou. Chama motocicleta, né? Criativo, diferente, perfeito. Só precisa fazer uma mudancinha, ao invés de duas rodas, coloca quatro e tá legal. Pronto, agora ficou jóia!”


PS – O jurisconsulto Rogério Fernandes é a estrela do blog da Ibô Galeria / Atelier. Quem quiser, confira aqui: Rogério Fernandes na Ibô.




Direto na têmpora: Wrong Way - Sublime

Os dois porquinhos

Eu não sou um rapaz prendado. Até me viro, mas não sou um primor em nenhum quesito de cuidados com um lar, seja lavar, passar, cozinhar ou limpar. Faço tudo, mas nada disso eu faço bem.

Na época em que morei em Curitiba, dividia o apartamento com outros 3 caras, sendo que dois deles não eram o que se pode chamar de asseados. Ou seja, se eu e o Leandro não ralássemos pra deixar o apartamento habitável a coisa simplesmente degringolava.

Uma tarde, cheguei ao apê e fui assar um pão de queijo. Ao abrir o forno me deparo com os restos mortais de alguma ave já cobertos por um suave bolor. O cheiro variava entre nauseabundo e vagamente mortal.

Com ódio no coração, retirei o falecido e torrado animal, depositando-o sobre a cama do facínora responsável.

E o pior: ele chegou, pegou o cadáver decomposto e colocou na pia sem dizer uma palavra e sem aparentar nenhuma surpresa. No mínimo achou que tinha mesmo esquecido o lanchinho na cama.




Direto na têmpora: Speeding cars – Imogen Heap

terça-feira, novembro 11, 2008

O suicídio das sereias (parceria com Rogério Fernandes)

Em meio a tanta água, ninguém vê as lágrimas da sereia. Cegou-se com a tinta da sépia e suicidou-se a primeira, cravada em um peixe-espada.


A segunda sereia, divida entre peixe e humana, enfurnou-se em uma cova e de lá não mais saiu. Morreu sozinha, única, inteira, enfim.


Ninguém sabe por que a terceira sereia se matou, já que os pescadores, impressionados com o raro cadáver, nem notaram o bilhete escrito em alga.


No mar não existe o salto no vazio, nem afogamento ou cordas para se enforcar; no mar é muito difícil se matar, por isso a quarta sereia, lambuzada de Cenoura e Bronze, suicidou-se turista, besuntada na areia.




Direto na têmpora: The race is on again - Yo La Tengo

Coisinha rápida.

O gás de cozinha tem cheiro para que a gente possa identificar um vazamento. Os canários eram colocados nas minas porque, em caso de vazamento de gás ou falta de oxigênio, sei lá, morriam primeiro e os homens se salvavam.

Estou pensando em comprar um canário sensível ao maucaratismo. Ou então propor que os estúpidos venham equipados com algum odor característico. Fica mais fácil evitar acidentes.




Direto na têmpora: Urubu tá com raiva do boi - Baiano e os novos Caetanos

segunda-feira, novembro 10, 2008

Polaroid

Eu adoro a textura e as cores das fotos Polaroid, sem falar no processo de revelação instantânea. No entanto, tenho uma máquina Polaroid que fica só enfeitando minha mesa no trabalho sem nenhuma utilidade prática, já que o filme é caro pra caramba e dificílimo de achar.

Pois faz um mês descobri, não lembro como, um programinha para macintosh que converte qualquer foto para o "estilo" Polaroid. Fiz três fotos recentes passarem por lá e o resultado é bem bacana. Saca só.
















Direto na têmpora: Sleeping In – The Postal Service

Feirão

A reforma no apartamento teve uma peculiaridade: a gente mexeu, mexeu, mexeu e o espaço diminuiu. Bom, o espaço não, mas a quantidade de armários, sim. DEvido a este fato curioso, fiz um saldão aqui na DP e, na parte da manhã, foram embora 18 Archive, um livro do Laerte / Glauco / Angeli e 4 anuários (sobrou 1, por enquanto). Na parte da tarde, trouxe cerca de 100 cds e restam apenas 23 (incluindo Piazzola, Grant Lee Buffalo, Bjork).

Claro que os preços eram simbólicos, mas posso dizer que foi um sucesso. E se sobrar alguma coisa até o fim do dia, coloco à venda aqui no pastelzinho, junto com os copinhos de cachaça (gente, o natal tá chegando) e três móveis (alguém aí separou ou vai mudar?).

No mais, eu adoro essa vida de trocas e vendas pessoais. Se dependesse de mim, poderia ser esse o mercado real. Trocar uma geladeira por uma cama, um tratamento dentário por uma tv, coisas do gênero.

É utopia, claro, mas sempre que faço coisas assim, ainda acho que a gente tem jeitos mais bacanas de consumir e produzir. Mas, enfim, eu sou um velho resmungão.




Direto na têmpora: When Mute Tongues Can Speak – The Posies

sexta-feira, novembro 07, 2008

Convite

Se você já conhece o Para Francisco, listado aí ao lado, sabe que esse é um convite imperdível. Se conhece a Cris Guerra ou conheceu o Gui Fraga, também. Se não conhece, visite o blog e não perca: dia 18 tem lançamento do livro da Cris Guerra em BH e quem puder ir, deve aproveitar a chance. Uma obra de uma delicadeza sem tamanho.





Ah, antes que eu me esqueça, enquete nova aí do lado.




Direto na têmpora: Milky Way - Shonen Knife

Medo

Quando eu era criança, tinha 3 grandes pavores: a loura do banheiro, que assombrava o banheiro masculino com algodão no nariz e tudo mais; o homem do saco, que pegava a molecada, colocava no saco e sumia com elas e o bandido da cartucheira.

Mas o que é que o bandido da cartucheira, um reles marginal, tinha a ver com duas lendas urbanas? Não sei, mas era a primeira invasão do mundo adulto nos medos infantis.

A gente tinha medo de fantasma, mas não tinha medo de assalto. Acreditávamos em assombração, mas achávamos que trancar as portas ou fechar as janelas da casa era exagero de adulto (e foi, durante algum tempo).

Mesmo o bandido da cartucheira era mais uma invenção dos adultos para assustar do que uma preocupação real. Inventávamos nossos próprios medos e pronto.

Hoje, com tantos medos reais, tantos limites, tantas preocupações, quero mais é que a Sophia seja amiga de fantasmas e monstros, se dê bem com assombrações, adore vampiros e caveiras. A vida já já é assustadora o suficiente.




Direto na têmpora: Sleep - Dandy Warhols

quinta-feira, novembro 06, 2008

Caso a caso

O fato nunca é tão importante quanto as memórias da gente. Não interessa o que aconteceu de verdade e sim o que você sente em relação aquilo. Por exemplo, aquele carnaval em Porto Seguro no qual você passou fome, pagou caro por tudo e ainda ouviu música que odiava, não é necessariamente ruim se hoje você se lembra dele com a saudade boa dos amigos.

Pois é assim que algumas pessoas ficam na memória da gente. É claro que nem tudo aconteceu como a gente lembra, mas e daí? Vale a memória, mesmo que mascarada de emoção. Vale a pessoa que a gente ainda sente e não a que existiu.

Deve ser por isso que cada história que eu conto é diferente do que os outros se lembram. Porque tem o tempero dos anos, porque mudaram as pessoas, porque eu estou ali. Sim, existe em cada história um pouco de quem eu era e um tanto de quem eu sou.

E assim eu continuo contando um novo caso a cada dia, mesmo que ele não tenha sido realmente engraçado, mesmo que nunca a vida tenha sido tão boa assim, mesmo que eu nunca tenha sido aquele. É assim eu me reconheço hoje e ontem. É assim que eu me construo.




Direto na têmpora: The Queen of Texas - Ballboy

A história

Tenho 37 anos. Apenas 6 anos antes do meu nascimento, os negros (desculpem, me recuso a usar afro-descendentes, mas aceito sugestões) americanos ganharam direito de voto. Há 53 anos, os negros não podiam sentar nos mesmos assentos que os brancos nos ônibus estadunidenses.

Em termos de história, 50 anos são nada, mas basta uma pequena comparação para perceber o absurdo desse fato.

Os Beatles já faziam sucesso e os negros não podiam votar. O Brasil era bicampeão mundial de futebol e os negros não podiam votar. Brasília já havia sido construída e os negros não podiam votar.

De lá pra cá o ser humano mudou para melhor? Não sei, tenho minhas dúvidas. Na minha pessimista opinião, somos uma raça destinada a existir ao invés de evoluir, mas a vitória de Obama nos EUA, independente do sucesso de seu mandato como presidente, diz alguma coisa boa.

Foi a melhor decisão política para o país? Não posso opinar. Mas a escolha que se faz com esperança, sem ranço, já me parece vitoriosa no próprio nascimento. Que sejam bons e novos tempos para todos.


PS - Tem enquete nova aí do lado. Participe.




Direto na têmpora: Love comes - The Posies

quarta-feira, novembro 05, 2008

Sebastião e Danilo oficial

Pois bem, agora é oficial. Acabo de comprar na banca a Revista Nova Escola e lá está meu conto ilustrado pelo Roger (Rogério Fernandes). Reproduzo aqui, mas é claro que aqueles que preferirem comprar serão muito bem vindos.







Direto na têmpora: Life is sweet -Natalie Merchant

Nomes

Marisa Monte teve uma filha chamada Helena. Estaria tudo bem se o primeiro filho dela não se chamasse Mano Wladimir (ou Mano Vladimir, sei lá).

O que vai acontecer com a cabeça do irmão mais velho quando ele se der conta que vai se chamar, pro resto da vida, Mano Wladimir enquanto a irmã se chama Helena? É uma puta sacanagem. Coerência é fundamental nessas horas, gente: ou fode a vida da filharada toda ou põe nome normal sem exceção, pô.

Um bom exemplo é a Baby Consuelo, que mandou logo a linhagem de Riroca (hoje Sarah Sheeva), Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Babye e Pedro Baby. Pronto! Ninguém reclama e tá todo mundo na lama.

Agora, Mano Wladimir e Helena, não rola. O moleque vai acabar achando que é pessoal.




Direto na têmpora: The Impossible Dream (The Quest) - Elvis Presley

terça-feira, novembro 04, 2008

Música tema

Todo mundo sabe (quer dizer, todo mundo que lê isso aqui faz um tempinho) que minha música com Sophia é Blackbird, dos Beatles.

Pois outro dia achei essa versão japonesa com uma animação linda que ela simplesmente adora e fica pedindo pra ver toda hora. Do sotaque japonês à simplicidade das ilustrações, um videozinho imperdível.








Direto na têmpora: Ribbons of glass - J. Tillman

Família salamandra

Dizem que existe uma divisão entre “cat people” e “dog people”. A Tetê é a “cat people” mais adorável que eu já conheci. Eu e Fernanda somos definitivamente “dog people”, o que não nos impede de nos relacionarmos extremamente bem com “cat people’ como a Tetê.

Enfim, sempre fui louco por cachorros, tenho inclusive um bulldog tatuado na minha perna direita (ilustração do Gui Fraga). Hoje, não sei se teria outro.

Cães têm o péssimo hábito de morrerem antes da gente, de serem carinhosos mesmo que ofereçamos a eles um mínimo e de não fazerem perguntas quando estamos tristes. Não sei se estou preparado para conviver novamente com seres assim se não puder me dedicar de verdade.

Acho que minha fase de dono de cães vai voltar na velhice, quando tiver mais tempo. Até lá, preciso apenas convencer a Fernanda a me deixar comprar salamandras novamente. Deixo até ela dar o nome. Vai dizer que não vai ser bacana dizer que somos “newt people”?




Direto na têmpora: Bird on a wire – Leonard Cohen

segunda-feira, novembro 03, 2008

O valor do blog

O Inagaki passou um link onde você calcula quanto vale o seu blog. Pois bem, pra quem dizia que o Pastelzinho não vale nada, segue o desmentido: US$6.774,48 é o valor definido pelo site.

Por seis mil dólares redondo eu vendo agora, interessa?


Calcule aqui quanto vale o seu blog.




Direto na têmpora: The state I am in - Belle & Sebastian

Resmungos

Eu sou de uma época diferente da Fórmula 1. Do tempo do Coopersucar, do acidente do Niki Lauda, dos motores turbo ou aspirados. Eu, por exemplo, nunca fui fã do Senna. Gostava, respeitava como piloto, mas era fã mesmo do Piquet, que além de mandar bem na direção, ainda dormia no carro antes da prova, não tinha papas na língua e estava sempre mal humorado.

Agora, ontem foi uma corrida inesquecível. Não digo que recuperou meu interesse pela F1, mas valeu a pena assistir. Hamilton mereceu como já havia merecido (e perdido) ano passado. Perder novamente seria injusto com um piloto tão jovem e talentoso. E Massa deu pinta de que pode levar ano que vem se a Ferrari deixar. Enfim, teve bom pra todo mundo.

Mas como eu não entendo e nem interesso pelo assunto, deixa eu voltar a algo que sei fazer bem: falar bobagem. Eu já disse e repito que odeio as expressões “de raiz” e “do bem”. Não é que eu não goste, é que eu odeio mesmo, do fundo da alma.

No meu dicionário, “do bem” = “chato” e “de raiz” = “pretensamente verdadeiro”. Existe samba e um monte de coisas que vieram depois. Existe jazz e sua evolução. Existe o rock e suas vertentes. Rock de raiz, jazz de raiz ou samba de raiz é embuste.

Aí, dona Andréa Martins vem me contar que viu, neste fim de semana, na Serra do Cipó, uma faixa que anunciava um concerto de “música erudita de raiz”.

Acredito piamente que chegamos ao fim dos tempos, que uma criança com cabeça de bode nascerá prevendo o futuro e que a Angelina Jolie vai começar a me ligar incessantemente querendo meu corpo.

Enfim, eu sou um velho resmungão.




Direto na têmpora: In This Home on Ice – Clap Your Hands Say Yeah

Argumento para um possível futuro conto

Apesar do nome romano, Julius não ia à missa. Acreditava em Deus quase que hereditariamente, sem se questionar sobre o tema ou mesmo dar alguma importância ao assunto. Acreditava e que não perguntassem muito, isso bastava, ir à missa era exagero de beatas.

Sua mulher, Mariana, era devota de Santa Rosa de Lima e freqüentava a igreja assiduamente, não apenas aos domingos, mas em importantes trabalhos sociais e de arrecadação de fundos em benefício da paróquia.

Viviam bem assim, aceitando o que um considerava falha ou exagero no outro.

Quando o filho único morreu com um tiro durante um assalto, viveram o luto juntos. Enquanto ele entregou-se à religião, buscando algum tipo de redenção, ou paz, ela deixou de acreditar, abriu mão da fé.

Ainda opostos, sempre.




Direto na têmpora: Different names for the same thing - Death Cab for Cutie

domingo, novembro 02, 2008

Dona Sophia, a louca II

O que é isso, mamãe?

Chuchu, Sophia.

Não vou comer chuchu.

Ah, é? Por quê?

Porque agora eu não como mais nada verde claro.




Sophia e Fernanda (que não dirige) descendo para compras ao lado de casa.

O papai não vai com a gente?

Não.

Ah, é? E como você vai fazer pra dirigir sozinha?




Olha, papai, o Papai Noel de noiva!





Direto na têmpora: My favourite game - Cardigans

sexta-feira, outubro 31, 2008

Cansei de ser Nhonho

Amigos pasteleiros, tomei uma decisão. É com orgulho que lanço aqui hoje neste prestigiado espaço de lazer e descontração, o programa "Cansei de ser Nhonho".




O "Cansei de ser Nhonho" trará mensalmente um status do meu peso, acompanhado de uma foto que mostrará, se tudo der certo, a redução sensível do meu panceps. As atividades do programa começam na segunda e o objetivo é voltar a pesar 2 dígitos, de preferência, perdendo entre 25kg e 30kg (sem prazo determinado e sem remedinho). O peso do bezerro hoje é 115kg, aferidos há cerca de 2 horas.



31 de outubro de 2008 - 115 kg




31 de outubro de 2008 - 115 kg





Direto na têmpora: Death on the stairs - The Libertines