Você sabe o que é andar de fasto? E o que significa niquinha? Bom, essas são algumas expressões daqui do interior de Minas que pouca gente conhece, mas que para quem é do lugar soam perfeitamente normais.
Quando morei em Curitiba, quase matei algumas pessoas de rir quando chamei “temporal” de “toró”. E não ficou por aí. Na primeira vez que fui comer um cachorro quente, o rapaz me perguntou se eu iria querer com uma ou duas vinas.
Sem saber o que significava aquilo e, com minha estupidez típica, preferi não perguntar o que era. Deduzi que fosse vinagrete e mandei logo “quero o meu sem vina”.
O rapaz começou a rir e perguntou: “você não é daqui não, né?”
Para quem não sabe, em Curitiba “vina” é como eles chamam “salsicha”.
PS – Pra quem ficou curioso, “de fasto” significa “de costas” e “niquinha” é moeda, imagino eu por causa de alguma época em que as mesmas eram feitas de níquel.
Direto na têmpora: Polizia Molto Arrabiata - Goran Bregovic
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sexta-feira, novembro 14, 2008
quarta-feira, novembro 12, 2008
Os dois porquinhos
Eu não sou um rapaz prendado. Até me viro, mas não sou um primor em nenhum quesito de cuidados com um lar, seja lavar, passar, cozinhar ou limpar. Faço tudo, mas nada disso eu faço bem.
Na época em que morei em Curitiba, dividia o apartamento com outros 3 caras, sendo que dois deles não eram o que se pode chamar de asseados. Ou seja, se eu e o Leandro não ralássemos pra deixar o apartamento habitável a coisa simplesmente degringolava.
Uma tarde, cheguei ao apê e fui assar um pão de queijo. Ao abrir o forno me deparo com os restos mortais de alguma ave já cobertos por um suave bolor. O cheiro variava entre nauseabundo e vagamente mortal.
Com ódio no coração, retirei o falecido e torrado animal, depositando-o sobre a cama do facínora responsável.
E o pior: ele chegou, pegou o cadáver decomposto e colocou na pia sem dizer uma palavra e sem aparentar nenhuma surpresa. No mínimo achou que tinha mesmo esquecido o lanchinho na cama.
Direto na têmpora: Speeding cars – Imogen Heap
Na época em que morei em Curitiba, dividia o apartamento com outros 3 caras, sendo que dois deles não eram o que se pode chamar de asseados. Ou seja, se eu e o Leandro não ralássemos pra deixar o apartamento habitável a coisa simplesmente degringolava.
Uma tarde, cheguei ao apê e fui assar um pão de queijo. Ao abrir o forno me deparo com os restos mortais de alguma ave já cobertos por um suave bolor. O cheiro variava entre nauseabundo e vagamente mortal.
Com ódio no coração, retirei o falecido e torrado animal, depositando-o sobre a cama do facínora responsável.
E o pior: ele chegou, pegou o cadáver decomposto e colocou na pia sem dizer uma palavra e sem aparentar nenhuma surpresa. No mínimo achou que tinha mesmo esquecido o lanchinho na cama.
Direto na têmpora: Speeding cars – Imogen Heap
quinta-feira, março 13, 2008
Curitiba, Curitiba
Morei em Curitiba no segundo semestre de 97, uma daquelas decisões inexplicaáveis em que resolvi largar tudo e mudar para um lugar que eu nunca havia visitado, sem nenhum conhecido e para trabalhar em alguma área totalmente nova.
O resultado não foi o esperado e, 6 meses depois, eu estava trabalhando novamente como redator em uma agência de publicidade e com possibilidades de dar aula em uma faculdade, justamente para o curso da área. Sendo assim, pra fazer o que eu já fazia (e com a grana acabando), achei melhor voltar para casa.
O fato é que achei Curitiba uma cidade limpa, organizadíssima, cheia de lugares muito bacanas pra se visitar como o Jardim Botânico, Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski (onde assisti David Bowie) e dois de meus lugares favoritos, a Universidade Livre e o Bosque Polonês.

É bonita a tal Universidade Livre do Meio Ambiente.

Eu adorava ficar à toa no Bosque Polonês.
Fiz muitos amigos por lá, mas tive dificuldade em construir amizade com os curitibanos mesmo. O pessoal com quem convivi era de São Paulo, Palmas, União da Vitória, Ubiratã, enfim, “estrangeiros” como eu. Não vai aí uma crítica ao povo da cidade, foi apenas algo que aconteceu e que pra mim está ok.
Mas o Leandro, que morava na república comigo, odiava a cidade. Mesmo. Com todas as suas forças. Só não me pergunte o motivo porque eu realmente não faço idéia.
Pois bem, um dia o Leandro (que é de Ubiratã-PR) sai de casa para fazer compras no Mercadorama e, batata, o clima louco da cidade entra em ação, o céu desaba e ele volta para casa ensopado.
Eu na sala, entra o Leandro pingando água, cheio de sacolas. A ponto de explodir, ele deposita tudo na cozinha, abre a janela da sala, põe a cabeça pra fora do nosso prédio de dois blocos, uns 6 apartamentos por andar, 20 pavimentos e berra:
“Ô lugarzinho fodido! Cidade escrota! Lugar bom pra cair uma bomba! Vai todo mundo tomá no cu!”
Dito isto, fecha a janela, volta-se pra mim e pergunta “e aí, tudo beleza?”
Depois desse dia, nunca mais os moradores do prédio cumprimentaram alguém do meu apê.
Direto na têmpora: Notorious – Duran Duran
O resultado não foi o esperado e, 6 meses depois, eu estava trabalhando novamente como redator em uma agência de publicidade e com possibilidades de dar aula em uma faculdade, justamente para o curso da área. Sendo assim, pra fazer o que eu já fazia (e com a grana acabando), achei melhor voltar para casa.
O fato é que achei Curitiba uma cidade limpa, organizadíssima, cheia de lugares muito bacanas pra se visitar como o Jardim Botânico, Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski (onde assisti David Bowie) e dois de meus lugares favoritos, a Universidade Livre e o Bosque Polonês.

É bonita a tal Universidade Livre do Meio Ambiente.

Eu adorava ficar à toa no Bosque Polonês.
Fiz muitos amigos por lá, mas tive dificuldade em construir amizade com os curitibanos mesmo. O pessoal com quem convivi era de São Paulo, Palmas, União da Vitória, Ubiratã, enfim, “estrangeiros” como eu. Não vai aí uma crítica ao povo da cidade, foi apenas algo que aconteceu e que pra mim está ok.
Mas o Leandro, que morava na república comigo, odiava a cidade. Mesmo. Com todas as suas forças. Só não me pergunte o motivo porque eu realmente não faço idéia.
Pois bem, um dia o Leandro (que é de Ubiratã-PR) sai de casa para fazer compras no Mercadorama e, batata, o clima louco da cidade entra em ação, o céu desaba e ele volta para casa ensopado.
Eu na sala, entra o Leandro pingando água, cheio de sacolas. A ponto de explodir, ele deposita tudo na cozinha, abre a janela da sala, põe a cabeça pra fora do nosso prédio de dois blocos, uns 6 apartamentos por andar, 20 pavimentos e berra:
“Ô lugarzinho fodido! Cidade escrota! Lugar bom pra cair uma bomba! Vai todo mundo tomá no cu!”
Dito isto, fecha a janela, volta-se pra mim e pergunta “e aí, tudo beleza?”
Depois desse dia, nunca mais os moradores do prédio cumprimentaram alguém do meu apê.
Direto na têmpora: Notorious – Duran Duran
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