sexta-feira, dezembro 29, 2006

365 dias de Sophia

Hoje Sophia completa 1 ano. Talvez tenha inclusive ciência do fato, já que responde mostrando o número 1 com o dedinho toda vez que lhe é feita a pergunta. Talvez não. Talvez seja só uma imitacionice dessas de qualquer bebê. Não sei e também pouco me importa.
Importa é que ela já diz papai e me estende os braços quando está com sono. Que ela sorri muito e dança sua dancinha meio louca toda vez que abro a porta. Importa que ela brinca com meus dedos antes de dormir e que sai do banho enroladinha no meu colo.
Este é o nosso primeiro ano inteiro juntos. Maravilhas, cansaço, medo e um sorriso enorme ou uma lágrima sempre que penso nela. E um pedido. De que minha vida seja um longo perdão e me permita ao lado dela enquanto eu tenha forças pra dizer "te amo, minha filha".
Parabéns, meu docinho. Que a felicidade seja sua grande bênção.






Direto na têmpora: Só quero ver - Palavra Cantada

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Brown, James Brown

É com atraso que falo aqui da morte do hardest working man in showbusiness. Apesar de gostar de dar umas pancadas na mulher de vez em quando, o cara foi um marco na história da música, pelo menos no século XX. Morreu na noite de natal e em um momento onde, no Brasil, funk virou sinônimo não de James Brown, mas de Tati Quebra Barraco. Vai com Deus Mr. Hot Pants, e que o Ilacir supere bem a perda.




Direto na têmpora: I feel good - James Brown

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Subdefinições

Saudade é quando o coração só tem olhos pra quem a gente não vê mais.

Surdez é quando alguém só fala o que pensa e você só ouve o que quer.




Direto na têmpora: Cinema mudo - Paralamas do Sucesso

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz 2007

Ao meu sexteto de leitores (ou melhor, hepteto, já que a Dri Machado ontem dedurou o Fabio como um voyeur deste blog) e a qualquer um que tropece por aqui, um feliz 2007 e um natal muito bacana. Segue aí o cartãozinho que eu fiz com a foto da princesinha. Happy new year, folks!

PS1 - o layout é do Menino Monstro.
PS2 - para ler melhor, clique na foto.






Direto na têmpora: Bad - U2

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Desejos de fim de ano

Olha aí os desejos da Criação da TOM pra 2007.






Direto na têmpora: All together now - The Farm

Vincent O'Brien

He only sings when he's sad
But he's sad all the time,
so he sings the whole night through
Yeah, he sings in the day-time, too

He only dreams when he's sad
And he's sad all the time,
so he dreams the whole night through
Yeah, he dreams in the day-time, too

There may be mermaids under the water
There may even be a man in the moon
But Vincent, time is running out
You better get yourself together soon

Out of Buffalo, the man
Below the belt, he swung,
and then after the bell has rung
Another cheap shot, here it comes

Another cheap shot, here it comes

He only laughs when he's sad
And he's sad all the time,
so he laughs the whole night through
Yeah, he laughs in the daytime, too

There may be mermaids under the water
There may even be a man in the moon
But Vincent, time is running out
I hope you get yourself together soon

I hope you get yourself together soon

( M. Ward)




Direto na têmpora: Angel - Massive Attack

Bom de ouvido

Entrei no blog do Rubinho Troll e do John, ambos ex-Sexo Explícito e fiz o teste lá postado. Tirei 83,3% no primeiro e 92% no segundo. No terceiro eu fui só razoável, mas tá bom. Tenta lá, surdinho.

http://jakemandell.com/tonedeaf
http://tonometric.com/rhythmdeaf
http://tonometric.com/adaptivepitch




Direto na têmpora: Nereu Nereu Nereu Nereu - Trio Mocotó

terça-feira, dezembro 19, 2006

California Uber Alles

Depois que o Terminator virou governador da California, a cançãozinha dos Dead Kennedys ficou ainda mais apropriada. Se você odeia punk, nem clique, porque as imagens são de um show de 79 e o Jello Biafra tá no auge do espírito "do movimento".




Direto na têmpora: Rape me - Nirvana

Tirando o seu da reta

"A culpa é minha, eu coloco em quem eu quiser".
A frase quem me apresentou foi a Dani Laborne, mas desconheço o autor. É ou não é o suprasumo do safismo?




Direto na têmpora: Sister Havana - Urge Overkill

Latrocinio

Tive que roubar esse filme do James. Além da música bacana, a edição é do caralho e achar o povo do U2 no meio do público é muito divertido.






Direto na têmpora: I just don't know what to do with myself - White Stripes

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Beneficios trabalhistas

O Alex Crowes está fazendo um freela aqui na TOM e me fez lembrar de um episódio quando trabalhávamos os dois na Lapis Raro. Acontece que o Alex ficava alojado em uma saletinha com 3 beldades: Laila Nazar, Patrícia Leal e Isabela Campos (estagiária na época).
Um dia o Alex levanta, caminha até a minha mesa e me chama. Acompanho a criatura e, da porta da sua saleta, ele com o braço faz um gesto que contempla as três mocinhas e completa: "acredita que eles ainda me pagam pra trabalhar?"
Agora tá aí, ralando do lado do Zé Gato, do Heron e, brevemente, do Marcelinho. É, negão, a vida dá voltas.




Direto na têmpora: No class - Mötörhead

MSN

Minha amiguinha Marceleza vive dividindo comigo sua revolta por certos nicks de msn que as pessoas usam. Ela, que sempre usa "Marcela" (mas já usou "Pezinho"), volta e meia me aborda com sua ira: "Pelamordedeus, Maurilo, olha o nick de Fulano 'Com a vontade de meu coração, tudo posso'. Alguém tem que fazer uma lista dos piores nicks de todos os tempos."
Bom, Marceleza, a lista eu não prometo, mas vai aí o apoio ao seu protesto. Se bem que, vindo de alguém que costuma usar o endereço do próprio blog ou Lord of the Idiots como nick, não tenho muita certeza se o apoio é bem vindo ou não.

PS - A promoção Incultos continua, não deixe sua sogra e seu amigo oculto ficarem sem o deles.




Direto na têmpora: Merry Christmas - Raimundos

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Xmas descontrol

Eu adoro festas de fim de ano em empresas. Tem desafeto se abraçando, machão soltando a franga, nego sério contando piada, caboclo ganhando trip pra Salvador e por aí vai. Já teve até festa de agência em que casamentos terminaram e namoros começaram.
É sempre assim e é sempre engraçado, mas depois da festa da TOM que rolou ontem, o que eu queria mesmo era ter um pouquinho menos de caráter pra postar alguns filmes aqui neste bloguicho. Ia dar um merdeiro danado, mas que neguinho ia morrer de rir, isso ia. E viva o descontrole de fim de ano!




Direto na têmpora: The cask of Amontillado - Alan Parsons Project

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Expert

Zé Gato - nosso mesozóico finalista aqui da TOM - conta uma história de seus tempos na Espaço quando teve contato com um desses pseudo-especialistas que a gente vive topando nessa vida.
Noite alta, aquela pepinada tradicional e Zé Gato precisava apenas dar saída em uma prova até que seu companheiro de trabalho, novo na empresa, declara que a rede tá toda errada.
Começa então a fuçação. Mexe aqui, remexe ali e a rede entre os computadores cessa. Mais um pouco de mexelança e a impressora deixa de funcionar. Cavucando mais um tiquinho e pronto, nem os telefones dão sinal de vida.
Nosso Zé Gatinho, então já meio puto, levanta e fala:
"Porra, pára de mexer nisso aí. Eu preciso só imprimir UMA peça, o cliente tá esperando e você mexendo nesse negócio, caralho."
"Mas isso aqui tava tudo errado, a maior gambiarra, eu tô consertando!"
"Tá bom, cacete, mas quando tava errado funcionava! Agora que você consertou, olha a merda que virou!"
O Zé Gato fala que o cara chorou, mas aí eu já acho que é maldade dele.




Direto na têmpora: Tangerine - Led Zeppelin

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Pais

Há duas grandes certezas na vida de um pai, duas grandes verdades contra as quais não cabe réplica ou ajuste.
A primeira é imediata, quase violenta em seu impacto: ele nunca foi tão feliz. Pouco importa o que tenha vivido, onde tenha ido ou quem tenha comido, ele nunca, absolutamente nunca, sentiu-se assim.
A segunda foge-aparece no canto do pensamento, repisca num cochilo e, súbita, toma conta de tudo: ele nunca teve tanto medo. Pouco importa o salto de pára-quedas, os filmes de terror à meia-noite, o valentão da escola, ele nunca, absolutamente nunca, sentiu-se assim.
Pais têm um medo que a luz não cura, que o riso não espanta, que não é o susto. É algo que agora faz parte do dia e pronto. Pais convivem com o medo como quem sabe perfeita e inevitável sua mortalidade. Ganham uma noção sem precedentes da própria presença. E, conseqüentemente, da própria ausência.
Um pai vai te contar como ele é feliz, mas nunca vai falar sobre o medo. Mesmo que você o descubra chorando ao ver o filho dormir.




Direto na têmpora: Forgetful Lucy - Adam Sandler

terça-feira, dezembro 12, 2006

Gaveta de guardados IV



Meu grande amigo Tatu em um momento mamífero embriagado no BH Shopping (?) durante a campanha da Parmalat. Uma mistura perfeita de gambá, dálmata e, é claro, tatu.
Abaixo, uma caricatura minha que alguém fez na Solution. Até a calva inicial está contemplada, mas não lembro se quem fez foi o Danilo, Claudão, Oliva ou mesmo o Pedrolli. Será que alguém se lembra?






Direto na têmpora: A peleja do diabo com o dono do céu - Zé Ramalho

Gaveta de guardados III

Houve uma época em que eu fugia da bebida, mas ela continuava ligando, tocando a campainha e mandando cartas. Saco!
Importante perceber que na época eu utilizava o codinome Andreas Maurilo, numa tentativa de despistar a marvada.






Direto na têmpora: Somebody get me a doctor - Van Halen

Gaveta de guardados II

A luva que a gente ganhou no dia 11 de janeiro de 1985 pra usar no show do Queen, fechando o primeiro dia de Rock in Rio, eu tenho. A foto do mullet que eu usava na época vou ficar devendo.






Direto na têmpora: Raspberry beret - Prince

Gaveta de guardados I



Acima, a foto do último documento "oficial" onde meu nome aparece grafado corretamente. Aliás, os 28 anos da façanha serão comemorados em todo o Vale do Aço no dia 14 de dezembro.
Abaixo, a prova de que eu, já respondendo pela alcunha de Maurílio, dei minha pequena contribuição como vereador-mirim para que Ipatinga se tornasse a metrópole cultural, econômica e ambiental que é hoje.
Para ver com detalhes, basta clicar nas fotos.






Direto na têmpora: California thing - Freedy Johnston

No ingreis nois agarante

Trabalhava na ABC e atendíamos o Shopping Del Rey. Campanha de fim de ano pronta, a Diretora de Arte com a qual eu fazia dupla dá uma olhada nas provas e libera tudo bem tranquilona.
Como a agência não tinha revisor, dou uma passada de olho no texto e pergunto para a garota:
"Aqui, você já liberou a prova?"
"Já."
"Tem erro, viu?"
"Tem nada."
"Pode olhar, shopping está escrito com dois "p"."
Depois de um breve momento de incredulidade começa a bater o desespero na moça. Como é que ninguém viu isso, por que você não me falou antes e por aí vai. Até suava, a pobre. A crise durou uns 15 minutos entre ligações pro fornecedor, revisão do arquivo finalizado na própria máquina e conferência com o produtor gráfico.
Só quando ela entrou na sala e pegou a criação inteira rolando de rir foi que percebeu que shopping se escreve mesmo é com dois "p". Nem foi por isso, mas a baixinha até acabou largando a área.




Direto na têmpora: Never before - Deep Purple

Nightswimming

Nightswimming deserves a quiet night.
The photograph on the dashboard, taken years ago,
Turned around backwards so the windshield shows.
Every streetlight reveals the picture in reverse.
Still, it's so much clearer.
I forgot my shirt at the water's edge.
The moon is low tonight.

Nightswimming deserves a quiet night.
I'm not sure all these people understand.
It's not like years ago,
The fear of getting caught,
Of recklessness and water.
They cannot see me naked.
These things, they go away,
Replaced by everyday.

Nightswimming, remembering that night.
September's coming soon.
I'm pining for the moon.
And what if there were two
Side by side in orbit
Around the fairest sun?
That bright, tight forever drum
Could not describe nightswimming.

You, I thought I knew you.
You I cannot judge.
You, I thought you knew me,
this one laughing quietly underneath my breath.
Nightswimming.

The photograph reflects,
Every streetlight a reminder.
Nightswimming deserves a quiet night, deserves a quiet night.

(REM)




Direto na têmpora: Rotten apples - Smashing Pumpkins

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Passarinho

Passarinho trouxe no bico um feixe
de palha e graveto,
cadinho de barro,
prenúncio do ovo.

No bico um cuidado
veio trazer passarinho.

No vinga-não-vinga do choco
passarinho acredita em Deus,
voa uma bênção azul
só pra menino da terra sonhar.

E o olhar é uma prece, um gesto:
olhar-passarinho que só de menino há de vir.




Direto na têmpora: How insensitive - Sinéad O'Connor

Seinfeldiana

Tem um episódio genial de Seinfeld em que o George, meu ídolo máximo, descobre que o bom senso dele é um péssimo conselheiro e resolve agir 100% de forma contrária à lógica.
Por exemplo, ao chegar em uma gata ele diz: "Meu nome é George. Eu estou desempregado e vivo com os meus pais." Batata! George pega a loira. A partir daí, assumindo o oposto, George passa a acertar sempre até que... bom, assistam ao episódio. É da sexta temporada e chama-se "The Opposite".
Hoje é um daqueles dias em que eu queria bancar o George e seguir pelo caminho da lógica reversa. Ligar pro cliente e calmamente explicar que, quando eu digo "ouça os mais velhos", de forma nenhuma estou procurando "abordar o tema da terceira idade" como ele suspeita. Pode ser que os resultados fossem extremamente positivos e que eu salvasse o dia, mas falando em George eu ainda estou bem mais pra Lord of the Idiots. Então, próximo pit, por favor!




Direto na têmpora: Rapante - Raimundos

Tempo bem gasto

Quando bater aquele tempo à toa, aquela vontade de ver o que tem na net de bacana, não deixe de acessar os flash games do Amanita ou essa clínica psiquiátrica para bichinhos de pelúcia que sofreram abuso. Coisas geniais para passar o tempo.




Direto na têmpora: Disparada - Jair Rodrigues

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Macacos me mordam

Existe uma anedota no meio publicitário que conta de um dos produtores do King Kong que, ao assistir o filme pela primeira vez, deu seu veredito: "achei muito bom, mas tira o macaco".
Em publicidade isso virou uma expressão. Apresentou um filme maravilhoso e o cliente pediu alguma mudança naquele detalhezinho que afeta o espírito da idéia, arranca a graça, transforma o que seria uma peça genial em um trabalhinho comum? Pois é, tirou o macaco do filme.
Daí que eu me lembrei de um mega trabalho que já fiz há um tempo, cuja proposta era grandiosíssima. O pedido incluía material gráfico em larga escala, ilustrações várias, um superdocumentário, tudo com aquele conteúdo preparado para revolucionar a visão das pessoas sobre o tema em questão.
Primeira reunião e faltaram aplaudir o material. Acharam tudo lindo, fofo, genial! Depois cortaram a verba uma vez, duas, três, quatro e a campanha acabou virando um folhetinho mixo em papel vagabundo.
Resumo da ópera, falta de grana também mata macaco. E como.




Direto na têmpora: Happiness - Macy Gray

Fantasmas

Um fantasma vive em meu apartamento
No ranger das gavetas
No barulho do piso
No silente momento

Se faz invisível e deixa sinais
No canto do olho
Na chave que some
Na coluna travada, tesa demais

Mas não se iluda um segundo, meu caro ateu
O fantasma é vivente
E convicto diz
Que o fantasma sou eu

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: Brown eyed girl - Van Morrison

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Semana de 4 dias (uma homenagem)

Ode à semana de 4 dias

4 é o perfeito em dias
com a beleza de dois pares
dois casais
o 5 é o que no meio sobra
a vela, o bicão
a visita que se alonga demais

4 é a divisão correta, sem frações
justa medida
justo trabalho
o 5 é o imperfeito ímpar
que se divide quebrando
e deixa arestas pra caralho

4 é o repouso com menos espera
o peso mais leve aos ombros
você mais perto dos seus
o 5 é isso que está, que já é
e que essa semana
dançou, Gracas a Deus




Direto na têmpora: Carolina - Seu Jorge

Rodriguez dentro, Papai Noel fora

Já postei sobre ele aqui, mas não tenho como deixar de colocar um filme do Chris Christmas Rodriguez para a apreciação do meu sexteto de leitores. Quem gostar, acesse o site http://www.wiggerl.com/ccr onde é possível encontrar todos os outros filmetes, inclusive vinhetinhas sensacionais de 10 e 15 segundos. Aposto que quem assistir vai votar em Chris para o cargo de Papai Noel com toda a segurança.
No mais, ando postando muita coisa dos outros, então esse deve ser um dos últimos materiais "outsiders", pelo menos por um tempo. Dedicar-me-ei à arte de escrever mais bobagens próprias.






Direto na têmpora: Stephen Fry - Zeca Baleiro

terça-feira, dezembro 05, 2006

Utilidade publica

O natal está chegando e é preciso ficar atento a algumas regrinhas básicas de segurança. Se algum Papai Noel sem barba, como o da foto abaixo, perguntar se você quer ver o que ele tem no saco, não aceite. Repito: não aceite.






Direto na têmpora: Sheela-Na-Gig - PJ Harvey

Razoes sociais

Não são raros os nomes esquisitos para estabelecimentos, como o bar GLS "Meu cu que brilha" em São Paulo e a famosa desentupidora "Rola-Bosta" aqui em BH (é sério, não riam).
O Boca Ratón, por exemplo, diz que se tivesse uma lanchonete chamaria "Sebastião Salgados". O Ricardo Carvalho falava que tinha o sonho de abrir uma empresa de derivados de tripa suína chamada "A Predileta". Já eu, se tivesse um estacionamento na Savassi, chamaria de "Getúlio Vagas".
Na verdade, li em algum lugar que os nomes mais criativos são sempre aqueles dados para as operações da PF. Assim, de supetão, olha as que eu achei só em 2004: Operação Catuaba, Operação Saia Justa, Operação Mascates e até a mitológica Operação Perseu.
Por isso, se algum dia eu descobrir que não vou vingar como redator publicitário, faço um concurso pra Polícia Federal e vou viver de criar nomes pra operações. É ou não é o dream job?




Direto na têmpora: Crossroads - Allman Brothers

Just like daddy

Ah, como eu queria inspirar a juventude dessa forma. O melhor filminho da MTV de todos os tempos.






Direto na têmpora: The Scientist - Coldplay

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Bons samaritanos

Estava lembrando aqui da minha saída de uma certa agência onde trabalhei. Fui pra lá por indicação do Zuim, com um substancial aumento de salário, para atender umas contas de governo que eles tinham acabado de pegar.
Até aí tudo bem. Só que, no meio do processo, acabei retrocedendo de Mac para máquina de escrever e fiquei ao lado da recepção no primeiro mês. Foi temporário, mas foi chato. Depois seguiram-se atrasos salariais, um Diretor de Criação odiado por todos e vários descumprimentos do combinado. Não aguentei muito tempo e, 3 meses depois, saí trocando seis por meia dúzia pra uma outra agência mais séria.
Pois não é que na hora do acerto um dos sócios, na tentativa de dar um cano parcial, me manda a seguinte pérola: "mas quando você precisou, a agência te acolheu..." Faltei voar no pescoço do filho da mãe, mas acabei recebendo tudo direitinho graças à intervenção providencial do Bruno Coelho. Quer dizer, eu tiro o cara do emprego anterior, eu combino com o cara, o cara trabalha pra mim, eu não pago o cara e, na hora de acertar o que eu devo, tento enrolar o cara e ainda quero sair como alma caridosa?
Olha, minha sorte é que depois disso, tirando política, só trabalhei com gente séria e honesta. Senão já tinha largado tudo e tava criando porco numa roça dessas aí.




Direto na têmpora: All the same - Sick Puppies

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Quindim de melado

Segue um apelo dramático a todos os entendidos em culinária: eu ando DESESPERADO atrás da receita do quindim de melado e não acho. Vou até escrever pra Ana Maria Braga e ver se consigo a resposta com ela, mas se alguém descobrir antes, mande pra mim, por favor! A única dica que posso dar é que tinha essa maravilha na Doces de Portugal e, através de minha incrível perspicácia, deduzo que seja uma receita portuguesa.
Agradeço penhorado desde já e chega de postar, porque hoje que eu exagerei.
Inté!




Direto na têmpora: Cochise - Audioslave

Objetivos

Falar é, para mim, a mesma coisa que andar é para a Sophia: a gente adora, mas quase sempre dá merda. Pensando nisso, encontrei a foto abaixo e descobri que meu objetivo na vida agora é desenvolver tal habilidade. Vai ser melhor pra todo mundo, acredite.






Direto na têmpora: A millenium fever ballad - Scarnella

Marcuci

Depois de Maurinho, Paulino, Maurílio, Maurício, Marcílio, Marley, entre outros, hoje fui agraciado com mais uma confusão de nomenclatura: Marcuci.
Sim, amiguinhos, pra vocês verem como nome diferente é bacana, hoje descobri que de Maurilo para Marcuci é um pulo.




Direto na têmpora: Sobre todas as coisas - Gilberto Gil

Tickles

I feel a tickle everytime i walk on broken glass.
A tickle in my stomach that makes me grin a little.
Sometimes there’s also pain
But the grin is already there and it can’t change.
It just won't change.

(Dennis McHale)




Direto na têmpora: Back to the beat - Motion City Soundtrack

A promoçao continua

O grande saldão Incultos é um sucesso. Também, por apenas R$ 10,00, não tem como deixar de comprar um monte para saborear ou presentear. Então peça logo o seu, pô!




Direto na têmpora: Guitar Solo 2 - Neil young

Found photos

A Cristina Cortez me indicou um blog genial (já devidamente linkado ao lado) que tinha umas legendas muito loucas sobre fotos antigas. Rachei de rir e mostrei pro Baras que, imediatamente, me aplicou na Found Magazine (www.foundmagazine.com), uma publicação só com fotos, bilhetes e coisinhas achadas. Trash e maravilhoso ao mesmo tempo. Visitem os dois.


Os noivos Sherman e Rebecca Ratliff deixando sua cerimônia de matrimônio em Milford, Delaware, rumo à noite de núpcias. A foto mostra o exato momento em que Rebecca descobre o problema de ejaculação precoce de Sherman sob o olhar atento da pequena Talulah.




Direto na têmpora: Seven Nation Army - White Stripes

quinta-feira, novembro 30, 2006

Ta bobo, fio?

O mais bobo que tá tendo nesse mundo aí realmente sou eu. Então, pra comemorar, olha a mensagem de Noriel Vilela em "Só o ôme". Uma bela canção.


Só o Ôme

Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

Suncê compra um garrafa de marafo
Marafo que eu vai dizê o nome
Meia noite suncê na incruziada
Distampa a garrafa e chama o ôme
O galo vai cantá suncê escuta
Rêia tudo no chão que tá na hora
E se guáda noturno vem chegando
Suncê óia pa ele que ele vai andando

Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

Eu estou ensinando isso a suncê
Mas suncê num tem sido muito bão
Tem sido mau fio mau marido
Inda puxa saco di patrão
Fez candonga di cumpanheiro seu
Ele botô feitiço em suncê
Agora só o ôme à meia noite
É que seu caso pode resolvê




Direto na têmpora: Pintura íntima - Kid Abelha e os Abóboras Selvagens

Velhinho tarado

Reuniões em grandes empresas são coisas engraçadas. Não faz muito tempo eu participei de uma onde o "big kahuna" era um velhinho que ficava ali, meio alheio a tudo, opinando sobre detalhes bobos e fazendo o seu papel de baluarte da instituição. Na nossa apresentação mesmo prestou pouca atenção.
O fato é que o tal senhor nem parecia mesmo muito interessado em mim ou na atendimento da conta enquanto nós nos desdobrávamos em cuidados para aprovar o material. Todos os diretores buscavam com o olhar a opinião do chefão e ele às vezes confirmava ou simplesmente ignorava as suspeitas dos asseclas sem muito entusiasmo.
Acabada a reunião que durou umas 2 horas, tudo aprovado, levantamos para sair e, assim que a atendimento vira de costas com uma daquelas calças justíssimas, o velho cacique que parecia morto se anima e pergunta: "e o seu nome, minha filha, qual é mesmo?". Contam que a partir daquele dia ele nunca mais esqueceu o nome da garota.




Direto na têmpora: Rock and Roll Preacher - Slade

quarta-feira, novembro 29, 2006

O mago do gamao

Houve uma época na Solution onde qualquer folga era desculpa pra um campeonatinho de gamão. Seja em partidas avulsas ou torneios, sempre rolava uma jogatina. Pois um dos jogadores mais contumazes, o Claudão, tinha um mistério que até hoje eu não consegui descobrir. O cara era um pato, levava surras homéricas da gente até que alguém mencionava a frase "vale um McDonalds". A partir daí ele se transformava no imbatível mago do gamão, vencendo a todos de lavada e consumindo fartas porções do engordativo sanduíche.
Aí fica a minha dúvida: será que o cara era realmente um sortudo que ganhava quando importava ou será que o otário era eu, que fui enganado meses a fio e enchi aquela pança de Big Mac?
Se você aposta na opção 2, por favor, nem comente.




Direto na têmpora: Price to pay - Blues Traveler

terça-feira, novembro 28, 2006

Lingua azul

Essa quem me contou foi a Sumire, uma amiga muito peça rara que mora em Diadema. Trabalhava ela na agência com um redator que tinha uma mania meio esquisita: sempre comprava guloseimas pra passar a noite em uma daquelas homéricas viradas que acontecem com todos nós. Acontece que, muitas vezes, ele comprava as guloseimas e acabava não ficando. Aí deixava as balas, chicletes, chocolates e demais delícias na gaveta pra consumir outro dia. Só que na manhã elas nunca estavam lá. Sempre tinha algum filho da puta que comia tudo escondido e o tal redator ficava no veneno.
Um dia ele resolveu armar pro ladrãozinho (que ele desconfiava ser o boy) e comprou uma porrada daquelas balas que deixam a língua azul. Deixou as gostosuras na gaveta e foi pra casa doido pra descobrir o sem vergonha na manhã seguinte. O cabra chegou na agência até mais cedo e tava lá a gaveta vazia. O plano tinha dado certo.
Passados 15 minutos irrompe na sala, completamente transtornada, a dona da agência. Quase espumando ela reclamava, aos gritos, que ia perder uma reunião superimportante naquela manhã porque algum engraçadinho tinha feito uma brincadeira imbecil e ela agora estava com a língua toda azul.
Ah, esses chefes espertinhos e suas travessuras maravilhosas.




Direto na têmpora: Straight, no chaser - Thelonious Monk

segunda-feira, novembro 27, 2006

Saldao! Queimao! Promoçao!

Meus caros amigos, aproxima-se o natal. Hora de torrar o seu rico dinheirinho com presentes para amados e nem tão amados assim. E é aí que eu entro, cheio de espírito natalino, com uma superdica de presente para vocês: Incultos, a maior obra literária de Maurilo Andreas.

Quer tirar uma ondinha de intelectual com a gatinha? Incultos.
Quer dar um presente inusitado pro colega bombadão da academia? Incultos.
Quer chocar a sua sogra? Incultos.
Quer deixar puto o seu amigo-oculto da firma? Incultos.
Quer se dar aquele presente que você sempre quis, mas tinha vergonha de comprar? Incultos.

Sim, Incultos estará com preços promocionais a partir de hoje até o dia 31 de dezembro. Apenas R$ 10,00, sim DEZ REAIS para você causar furor com um mimo diferente e exclusivíssimo. Sim, exclusivo porque foram impressas apenas 330 unidades e restam somente 80. Sim, 80 felizardos poderão aproveitar essa sensacional promoção e você pode ser um deles.

Então não perca tempo e encomende hoje mesmo o seu Incultos. Deixe sua mensagem aqui ou envie um email para mandreas@terra.com.br. Entregamos para todo o Brasil e exterior (Dallas, Vancouver, Londres, Puerto Ordaz e até mesmo Ipatinga).

PS - Tirando os exageros varejísticos é isso mesmo. Incultos a dez reais até 31 de dezembro. Querendo, é só encomendar.




Direto na têmpora: Stay (just a little bit longer) - Jackson Browne

Sophia Pe de Coelho e Grarco Pe Frio

Desde que a Sophia nasceu o Galo subiu, o Ipatinga subiu e o Parreira caiu. Só bênção.
Paradoxalmente o Grarco, um paraense que mora em São Caetano, acaba de ver o Papão tomar de 9 e cair pra terceira enquanto o São Caetano despenca para a Série B. E nem venha me dizer que é sãopaulino, Grarco, porque essa não cola de jeito nenhum.




Direto na têmpora: Road to nowhere - Talking Heads

Tatuzinho da Viola

Festa do 12, Ouro Preto, lá pelo começo dos anos 90. Centenas de jovens significamente alterados pelo consumo excessivo de álcool (e/ou drogas ilícitas) na Praça Tiradentes. De repente um toró de inundar cadeia e todo mundo se espreme nos botecos ao redor da praça.
Passada a pancada nos reunimos novamente, mas falta o Tatu. De repente, ouvimos uma vozinha que canta alegremente na sarjeta. No meio da enxurrada violentíssima, dois bracinhos balançam acompanhando o ritmo do samba. É o Tatu, deitado no meio fio, tomando um banho de enxurrada e cantando todo pimpão: "Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levaaaaaaaaar..."
E depois tem gente que ainda me pergunta porque eu quase não bebo mais.




Direto na têmpora: You want me bad - Frenchbloke

sexta-feira, novembro 24, 2006

A morte

A Fernanda me mandou um email com um texto do Bial sobre a morte e eu me lembrei deste discurso brilhante do John Cleese no funeral do Graham Chapman (pra quem não sabe, duas figuras geniais do Monty Python). Se não me engano o Morado, do blog Shiny Gun, já havia postado isso há algum tempo, mas vale pra quem não assistiu. E quem tiver paciência ouça a musiquinha até o final. Sempre um clássico.
Infelizmente só em inglês, folks.



PS - Quem quiser assistir ao sketch do papagaio morto que o John Cleese menciona no começo do discurso, pode procurar no youtube que tem. É só dar busca por dead parrot python.




Direto na têmpora: 1,2,3,4 - Little Quail and the Madbirds

Fama

A menina mais gostosa da sala é sempre vagabunda.
O aluno mais inteligente é sempre bundão.
O bonitão da novela é sempre veado.
A atriz lindíssima é sempre puta.
O empresário de sucesso é sempre ladrão.
O publicitário premiado é sempre insuportável.
O craque internacional é sempre mercenário.
O músico da Billboard é sempre vendido.
O seu chefe é sempre burro.
O político eleito é sempre corrupto.
O acusado da manchete é sempre culpado.

Ainda bem que eu sou um merda.




Direto na têmpora: Antes da chuva - Virna Lisi

You'll never walk alone

"When you walk through a storm hold your head up high
And don't be afraid of the dark.
At the end of a storm is a golden sky
And the sweet silver song of a lark.

Walk on through the wind,
Walk on through the rain,
Tho' your dreams be tossed and blown.

Walk on, walk on with hope in your heart
And you'll never walk alone,
You'll never, ever walk alone."




Direto na têmpora: You'll never walk alone - Elvis Presley

quinta-feira, novembro 23, 2006

Casanova

Tem um antigo Diretor de Arte daqui de BH que não resistia às criativas mais novas que adentravam seus domínios. Bastava uma coisinha mais formosa passar pela sala que ele já ficava todo cheio de olhos e dedos.
Pois uma amiga minha, em começo de carreira, foi trabalhar com o supracitado Casanova. Passado algum tempo que os dois conviviam, amizade conquistada, ele a convida para conhecer sua propriedade rural, em um lugar bastante aprazível no entorno da capital mineira.
Chegando lá o nosso galã parte pra cima da vítima inocente. Resultado? Ela morre de rir e deixa claro que não vai rolar de maneira nenhuma, que nunca nem passou pela cabeça dela ter algo com ele, etc, etc. Num momento de total singeleza, nosso Don Juan então pede humildemente:
"Tudo bem, mas se o pessoal da agência perguntar eu posso falar que rolou?"




Direto na têmpora: Sexo - Ultraje a Rigor

Next time

Da próxima vez que você for embora
deixe uma sombra atrás do abajur verde
perto do velho sofá.
Esqueça uma peça de roupa na minha gaveta
Espalhe memórias pela casa
Esconda motivos pelos cantos.
Coloque uma saudade junto às lentilhas, onde eu nunca consiga encontrar.
Deixe na mesa de centro um dicionário com a palavra certa
que explique o que eu vou sentir.
Bata forte a porta e grite triste um adeus
que é pra eu saber que você foi embora
da próxima vez que você for embora.

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: Dream On - Aerosmith

Puxadinho

Alguém aí conhece um bom engenheiro ou arquiteto? Preciso de alguém pra fazer um "puxadinho" pro meu saco, porque a área original já tá superlotada e correndo o risco de estourar a qualquer momento.
Mas passa, daqui a pouco isso passa.




Direto na têmpora: Judgement night - Onyx & Biohazard

terça-feira, novembro 21, 2006

Forrest Gump, o contador de historias

Tá certo que todo publicitário é um pouco contador de histórias, mas tem um certo profissional renomado que merece o troféu Forrest Gump por causa do seguinte ocorrido.
Cliente furibundo, relação com a agência já nos últimos estertores, uma reunião é marcada para tentar salvar o trabalho que vinha se arrastando há meses. 9 horas sem atraso? 9 horas sem falta. Tudo certo, tudo lindo.
Manhã da reunião, toda a árvore genealógica do cliente esperava, solene, o dono da agência. 5, 15, 30, 50 minutos de atraso e irrompe na sala o nosso publicitário, proprietário da supracitada agência. Sem dar tempo para reclamações ou reprimendas ele logo dispara sua desventura matutina.
“Gente, milhões de desculpas, mas hoje deu tudo errado. Eu estava saindo de casa pra cá, com tudo certinho quando minha cadela aproveitou o portão aberto e fugiu. Tentei correr atrás dela, mas ela disparou e eu tive que sair de carro perseguindo a infeliz. Ela então se entrincheirou num canto da Praça Alasca e não queria vir comigo de jeito nenhum. Foi aí que eu vi uma farmácia do outro lado da rua, comprei um chocolate e aí ela veio. Lógico que nesse ponto eu estava todo sujo, suado e tive que voltar em casa para tomar um banho. Então, mais uma vez me desculpem, mas não teve jeito de chegar na hora.”
Tudo cheio dos maiores detalhes e floreios, claro. A mesa toda sorri, o clima descontrai e fica tudo praticamente certo. O combinado é que alguns dias depois o Diretor de Marketing da empresa iria até a agência e acertaria tudo com o sócio do nosso amigo.
Na data marcada, está sentado na recepção o Diretor de Marketing quando nosso amigo passa voando e entra na sala de reunião bem ao lado, onde outros clientes o esperavam.
Sem acreditar, o homem de marketing ouve em alto e bom som, o publicitário esbaforido, quase sem fôlego, disparar: “Desculpem, gente, mas hoje quando eu estava saindo de casa, minha cadela aproveitou o portão aberto e fugiu.”
E contou, para as figuras de outra empresa, exatamente a mesma história. A mesma praça, a mesma raça de cachorro, tudo igual a não ser por um pequeno detalhe: na segunda história, ao invés de chocolate o que ele comprou foi uma barra de cereais. Licença poética, é claro. Coisa de criativo.




Direto na têmpora: Don't know much about history - Sam Cooke

segunda-feira, novembro 20, 2006

Indispensavel

Minha máquina, pra variar, está no estaleiro. Ligo para a assistência técnica:

- Gostaria de falar com a Márcia, por favor.
- Ela está em horário de almoço.
- Ok, a partir das 14 horas eu consigo falar com ela?
- Ah, sim, nesse horário ela já deve estar de volta.
(pausa ligeiramente demorada)
- Se Deus quiser!

Ou esse cara é muito religioso ou eu nunca conheci uma funcionária tão importante pra uma empresa.




Direto na têmpora: Biquini defunto - Kongo

sexta-feira, novembro 17, 2006

Compromisso De Morte

"Na margem do riacho
Pro bando de Lampião
O almoço hoje é bala

No outro hemisfério
Nos arredores da usina
O almoço é radiação

O almoço hoje é bomba
Pra culpados e inocentes

O almoço é terremoto
Pra cristãos e ateus
As filas afundarão
(nem os bancos estarão a salvo desta vez)

Minha mãe não pariu nenhum punk
No entanto
Aqui estou eu

O almoço hoje é negócio
Pro azar da gentalha
E pra os que não se sujam

O almoço é radiação
(cabelos caindo, pele queimando, estômago doendo)
Pra todos os sapos
Pra todos os padres
E sobretudo pros coveiros

Minha mãe não pariu
Nenhum punk
No entanto, aqui estou eu

O almoço hoje é morte...
O almoço hoje é bala...
Sobretudo pros coveiros,
O almoço é radiação..."

(Mundo Livre S/A)




Direto na têmpora: Hang the DJ - The smiths

Kel na Espanha

A queridíssima Raquel Paoliello, parceirinha de TOM e conterrânea da cidade mais européia do Brasil (Ipatinga), agora vive em Barcelona.
Mais do que isso, foi ao show do Kraftwerk.
Mais do que isso, conseguiu um trampo e está cobrindo férias em uma agência de lá.
Mais do que isso, a agência só funciona até as 15h na sexta-feira.
Mais do que isso, a partir das 14h são servidos petiscos.
Mais do que isso, eu tô com uma inveja filhadaputa dela nessa sexta ensolarada que tá fazendo hoje aqui.




Direto na têmpora: Al Capone - Raul Seixas

Atropelamento

Morri primeiro nas luzes (o princípio golpe).
Buzina, breque, borracha queimada.
E o baque.
Do impacto, planei breve vôo.
E senti nascerem - físicas - asas de anjo em minhas costas.

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: Weird Science - Oingo Boingo

quinta-feira, novembro 16, 2006

Toscos e modernos

Eu tinha uma tia-avó que dizia "Maurilo, um dia você vai ter que se vestir direito. Você vai ver, não tem escapatória." Até agora a "praga" de Dona Ilka não pegou e eu sigo com meu jeito mulambo-chique que a Fernanda vem consistentemente tentando melhorar.
Mas é engraçado como o estilo causa certas impressões que levam imediatamente a certas conclusões não tão certas assim. Logo antes de eu vir para a TOM, tive uma entrevista com o Vina que, na época, usava uma criativa "bigoleta" (mistura de bigode com costeleta). Antes mesmo da reunião terminar eu já estava pensando "é, acho que eu sou meio careta pra cá".
Reunião finda, saio da sala animado com o papo, paro na frente do elevador e me deparo com um cabeludo usando Havaianas cor-de-rosa (Diogo), um moicano com piercing na sobrancelha e no nariz (Felipe) e uma menina toda fashion de cabelo vermelho (Angelica) e chego à conclusão: "É, realmente eu sou MUITO careta pra cá. Não vai rolar."
Impressão errada, porque um tempo depois o Vina liga e até hoje estamos aí, ralando muito e gostando mais ainda. E Dona Ilka que siga esperando, porque se tá dando certo assim, terno de novo só na formatura da Sophia.




Direto na têmpora: Eternal - Joy Division

Decadence avec elegance

Há algum tempo, quando algum artista sumia da mídia e não tinha juntado dinheiro o destino era um só: Retiro dos Artistas. Hoje temos mais opções para os caídos em desgraça. Atores, músicos, modelos e afins podem seguir dois caminhos: ou participam do Dança no Gelo no Domingão do Faustão ou vão estrelar alguma produção das Brasileirinhas com o Kid Bengala. Sendo assim, fico torcendo desde agora pra ver o Wando na Dança no Gelo, porque imaginar a segunda opção é simplesmente terrível demais para a minha mente.




Direto na têmpora: Hunting high and low - Aha

terça-feira, novembro 14, 2006

O que ha de novo, velhinho?

Caso verídico da Alcântara ou da Bros, mas a memória não ajuda a definir qual. Reunião com o cliente (juro que não me lembro qual também), campanha apresentada, toda a agência confiante e vem a resposta: "Não sei se eu gostei não. Acho que ninguém nunca fez um negócios desses. Eu pelo menos nunca vi isso."
Resposta sem pensar deste infeliz aqui: "Aaahhhnnnn, ok. Mas... não é pra isso que a gente é pago?"
Bom, o resultado foi que refizemos tudo e mandamos pra mídia uma idéia que todo mundo já tinha feito. O cliente amou.




Direto na têmpora: Same O' Same - Hepcat

Semana com um furo no meio

Já professei aqui o meu amor desmesurado pela semana de 4 dias. Não renego, não abro mão e quem dera todas as semanas fossem assim, mas esse feriado na quarta-feira me dá também uma sensação de desperdício. Tá certo que aqui na TOM dificilmente a gente emenda algum feriado e que eu não estou muito para longas viagens ultimamente, mas feriado deveria ser, por lei, sempre na segunda ou na sexta. Na pior das hipóteses uma terça ou quinta-feira pra gente ficar na expectativa do enforcamento. O complicado da quarta-feira é isso, nem o sonho de emendar a gente tem (a não ser que você seja servidor público, aí tudo é possível).
De qualquer forma, como semana de 4 dias é sempre bem-vinda, separe o chinelão, coloque a bermuda furada de prontidão e certifique-se de que o agasalho do seu time favorito ainda não se autodestruiu, porque amanhã é feriado e você vai precisar do traje de gala.




Direto na têmpora: Samba do lado - Chico Science & Nação Zumbi

segunda-feira, novembro 13, 2006

Atendendo a pedidos

A Adriana Machado, chefinha amada, idolatrada, salve, salve (e uma das 6 pessoas que lê este blog), anda reclamando que isto aqui está muito azedo. Resolvi reler os últimos posts e achei que tá uma mescla, com uma pitada de mau humor, um tantinho de boas notícias e uma dose de vale de lágrimas, mas sem puxar muito pra lado nenhum. De qualquer forma, como chefe é chefe (e os leitores praticamente mandam aqui), vai aí uma historinha mais leve, que aconteceu hoje mesmo aqui na TOM, pra alegrar o ambiente.
Marcus Barão, esta figura lendária, profissional renomado e figuraça de nível internacional, acaba de ganhar uma máquina nova. Aliás, uma puta máquina. Em seus primeiros movimentos ao redor da bruta, Marcus causa um leve abalo e a bichinha quase se precipita ao solo. Imediatamente então ele chama o Doidinho, nosso Diretor de Assuntos Informáticos, e pede a solução definitiva para o problema: "Ô, Doidim, depois me arranja um arame ou uma borracha aí pra gente segurar essa máquina."
Moral da história: pobre é foda! Mal ganhou uma tv de plasma e já quer colocar bombril na antena.



Direto na têmpora: Empty Garden - Elton John

sexta-feira, novembro 10, 2006

Vicissitudes do caminhar

Olho roxo, lábio inchado e bochecha machucada. Nos 3 últimos dias esse tem sido o saldo da Sophia como bípede autônomo e caminhante. Se continuar uma contusão por dia assim, em menos de um mês serei pai da Múmia.






Direto na têmpora: Somebody kill me please - Adam Sandler

Vai, ordinaria, descendo ate o chao

Muitas vezes nesta honrosa profissão me senti como um axémaníaco em pleno carnaval de Salvador. O ritmo contagiante, você suando igual a um louco e um imbecil qualquer de cima do palco gritando ordens sem sentido como "joga as mãozinhas pro alto", "vai descendo até o chão" ou "mexe, ordinária, mexe". E você, mais ensandecido ainda, obedece àquilo tudo de maneira frenética, sem se importar com a estupidez das frases que ecoam em sua pobre caixa craniana.
Tem um certo job que vem me dando essa nítida sensação há algum tempo. Eu quero dançar tranqüilo, acompanhando a música, todo pimpão. Fazer uns passinhos bacanas, sabe? Mas de 5 em 5 minutos vem uma ordem alucinada e eu, sem pestanejar, saio por aí obedecendo as vozes que não param de berrar:
"Agora num pé só! Todo mundo fazendo a dança do mudinho. Remexe, ordinário, remexe!"




Direto na têmpora: Musher - Bettie Serveert

quinta-feira, novembro 09, 2006

Docilidade feminina

Férias em família no Rio de Janeiro. Durante uma tarde chuvosa, meus pais e meus irmãos jogavam buraco. Meu pai e Werner, o filho caçula na época com seus 9 ou 10 anos; minha mãe e Diogo, filho do meio então com 12 ou 13 anos.
Começa o jogo e Werner, ainda muito criança e aprendendo a dinâmica do esporte, mostra-se uma arma para a dupla adversária. Deixa passar canastras, descarta bobagens homéricas, não vê o jogo do parceiro e por aí vai. Meu pai revira os olhos, bufa, range os dentes, quase morre. Tudo em silêncio.
Minha mãe vendo aquilo se condói do filhotinho rapa-do-tacho e dá o basta. "Vamos trocar de dupla! O seu pai não tem paciência com você, né filhinho? Vem jogar com a mamãe."
Duplas trocadas, a partida recomeça. Joga Diogo, joga minha mãe, joga meu pai e, na vez do Werner, ele descarta um sete de espadas que dava uma canastra real para a dupla adversária. Minha mãe imediatamente esquece o instinto maternal e dispara: "Werner, seu burrão!"
Se não fosse um menino tão calmo, estaria pagando terapia até hoje.




Direto na têmpora: Liar - Rollins Band

Como diria o Jonio...

Tantas pessoas pra matar e tão pouco tempo.




Direto na têmpora: Pros que estão em casa - Hojerizah

quarta-feira, novembro 08, 2006

O ladrao de musicas

Trabalhei na ABC com o Roberto, um arte-finalista das antigas, pavio curto e com um hábito no mínimo curioso: o Roberto roubava músicas.
Era só você começar a assoviar ou cantar alguma coisa que, segundos depois, lá vinha o Roberto assoviar a mesma música. De clássico a pagode, de heavy metal a baião, colocou na roda o Robertão mandava a seqüência instintivamente. Tentávamos confundi-lo com várias pessoas assoviando ao mesmo tempo, mas ele escolhia um dos temas e se apegava àquilo com força total. A coisa chegava a um ponto que, ao final do dia, você já não sabia se quem tinha começado a cantarolar a música havia sido você mesmo ou o Roberto.
Pois algum tempo depois trabalhei com um Diretor de Arte que tinha a mesma técnica, só que para idéias. Você tinha a idéia, desenvolvia, ajeitava e, de repente, ele começava a falar dela com entusiasmo. Aí fodeu. Bastava um tempinho pra ele apresentar o material pro Diretor de Criação, sair vendendo pros atendimentos e, quando você menos esperava, o caboclo já tinha virado o dono do conceito. E isso inclui acompanhar produção, entrar na ficha técnica, receber os prêmios e virar o queridinho da agência.
A nós, meros trabalhadores, resta cantarolar o velho refrão "malandro é malandro mesmo" e lembrar com saudade dos tempos em que só roubavam as músicas que a gente assoviava.




Direto na têmpora: Hell ain't no bad place to be - AC/DC

terça-feira, novembro 07, 2006

Ronald e os vandalos

Havia um gigantesco Ronald inflável no McDonalds da rua Rio de Janeiro, bem no centro de BH. Sabe-se lá se por uma questão ideológica ou estética, tal personagem causava profunda repulsa em RS, um colega meu de faculdade lá pelos idos de 93.
Pois um dia RS resolve fazer justiça com as próprias mãos e convoca seus asseclas RJ e MM para um audacioso plano (se não me engano o amigo US também foi). Tudo combinado, às 23 horas de uma noite qualquer RJ recebe a ligação com a tão esperada senha: "o Ronald vai soprar".
O trio (quarteto?) ruma então para o endereço onde habita Ronald e, enquanto um carro vigia, outro traz MM com meio corpo para fora da janela munido de uma besta. Sim, a besta à qual me refiro aqui é uma daquelas armas medievais que atira flechas. Em poucos segundos Ronald havia sido atingido e os criminosos fugiam em desabalada carreira.
Na manhã seguinte, a caminho da faculdade, resolvo passar na frente do Mc Donalds para conferir o sucesso da empreitada. Meio torto, meio murcho, ferido em seu orgulho, mas ainda vivo, lá estava Ronald, olhando a todos de cima com seu sorriso vitorioso e mostrando que nem sempre é fácil derrubar um mito. Nem sempre.




Direto na têmpora: The Bees - Belly

O amor em pessoa

Hoje o PC-Pod me pegou de surpresa com essa do primeiro disco do Pato Fu (Rotomusic de Liquidificapum). Aliás, como boa viúva do Sexo Explícito, por mais estranho que essa frase soe, esse é o único disco deles que eu gosto. Segue a letra do John.


"O amor, ele mesmo, em carne e osso
Me jurou, prometeu, garantiu que se eu
Que se eu
Eu fosse um bom moço
Eu fosse uma pessoa boa
Eu me divertiria
Eu viveria rindo à toa
Olha só o que me disse um dia, ele
O amor em pessoa."




Direto na têmpora: Kissing on the bridge - Thurston Moore

segunda-feira, novembro 06, 2006

Banana na tela

Quando eu tinha meus 14 anos tive uma idéia genial (provavelmente a única até hoje): levei uma banana para a sala de aula e passei em todo o quadro-negro para que o giz do professor não pegasse. Funcionou que foi uma beleza. Ainda mais quando a pessoa da limpeza tentou limpar aquilo com pano molhado, aí sim a coisa complicou de vez e ficamos cerca de 50 minutos sem aulas. Foi lindo.
Pois hoje, após um fim de semana pesadíssimo, fico imaginando se não seria uma boa passar alguma coisa (talvez não uma banana) nas telas dos atendimentos ou da Claudia Gis. Será que os pits parariam de chegar? Será que seríamos todos dispensados pelo resto do dia? Será que eu estaria dormindo ao invés de ficar aqui, enrolando pra começar um trabalho chato? Temo que nunca saberei as respostas.




Direto na têmpora: It's the end of the world as we know it - REM

Horario de Verao

Então, fica combinado: uma hora mais cedo.
Ou uma hora mais tarde, sei lá.
Na verdade, pouco importa.
Uma hora dessas, uma hora qualquer,
uma hora em que for bom pra você.
Uma hora, sessenta minutos, uma porrada de segundos.
Mas quem está contando?
Minha dor e meu dia continuam do mesmo tamanho.

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: Uptown Girl - Billy Joel

Pra quem passou dos 30

Quem conhece a história que lembre o final, que cante a cantiga, que compre o Disquinho.
Ou peça pra mim que eu gravo.

"Uma velha muito velha, chamada Firinfinfelha,
tinha um lindo bananal no fundo do seu quintal.
Mas a coitada da velha poucas bananas comia,
pois o macaco Simão roubava todas que havia.

Macaco Simão, macaco ladrão!
Macaco Simão, macaco ladrão!

Um dia Firinfinfelha, cansada de ser roubada,
teve uma idéia de noite e acordou de madrugada.
Comprou na loja da esquina vários quilos de alcatrão.
Com eles fez um boneco pretinho como um tição."




Direto na têmpora: Stop in the name of love - The Supremes

quarta-feira, novembro 01, 2006

Pequenas vitorias (ou puxando a brasa pra minha sardinha)

Adoro as grandes campanhas, aquelas concorrências disputadas, as contas cheias de desafios e verbas, mas algumas vezes nada supera as pequenas vitórias. Um outdoor despretensioso para a CaradeCão que leva prata na Central de Outdoor ou um anúncio sobre energia eólica da Cemig que o próprio Estado de Minas (não o cliente e nem a agência, mas o veículo!!!) resolve inscrever no prêmio da ANJ. Esses lances que chegam de surpresa são verdadeiramente especiais. E a cada pequena vitória dessas fica a certeza de termos trabalhado com grandes profissionais. Parabéns pra nós, Kel!




Direto na têmpora: I wonder - (trilha do comercial argentino do Espantapajaros para o Clio)

Aurinha em Portugal

Hoje encontrei a Aurinha na hora do almoço. Como sempre, foi ótimo apesar de muito rápido. De qualquer forma, deu pra conversar um pouquinho e aproveitei que ela estava na frente da Doces de Portugal para ficar ali algum tempo babando nos Pastéis de Santa Clara, Pastéis de Belém, Travesseiros de Sintra, Ovos Moles e aquelas coisas maravilhosas todas.
Fui embora com ainda mais saudades da Aurinha, do Jônio e da Florença, mas pelo menos saí saboreando um delicioso Pastel do Convento. E o pior é que já tô com saudades dele também.




Direto na têmpora: He ain't got rhythm - Billie Holiday

Acabou o sossego

Agora é oficial: Sophia já é capaz de andar sozinha. Tudo documentado em vídeo e foto, fica a certeza de que acabou a paz. De agora em diante a garota é um bípede com propulsão própria e eu começo a sentir que ela está escapando por entre meus dedos. Agora só falta falar.






Direto na têmpora: Pensei se há - Bonsucesso SambaClube

terça-feira, outubro 31, 2006

Shhhhhhhhhh

Em uma semana onde minha burrice e minha capacidade de falar mostraram-se, pela milionésima vez, uma combinação bastante destrutiva, o PC Pod me lembra dos conselhos de Arnaldo Antunes na bela canção "E estamos conversados". Agora é só colocar em prática e fechar essa maldita matraca.

"Eu agora só escuto rádio, vitrola, gravador.
Campainha, telefone, secretária eletrônica eu não ouço nunca mais.
Pelo menos por enquanto.
Quem quiser papo comigo tem que calar a boca enquanto eu fecho o bico.
E estamos conversados."




Direto na têmpora: Bravo mundo novo - Plebe Rude

Na veia

Os profissionais de criação se parecem com os traficantes em muitas coisas. Ambos se consideram mais poderosos do que são, vendem produtos sem se preocupar muito com a procedência ou com o efeito nos consumidores e quase sempre exageram suas qualidades (deles próprios e dos produtos).
Outra coincidência é que, depois dos 50, tanto o criativo quanto o traficante ou estão mortos, ou largaram a atividade ou só administram a boca. Não dá outra.
É por isso que tem tanta gente dizendo que essa profissão é (desculpem a piadinha infame) uma droga.




Direto na têmpora: Matuta véia - Ruy Maurity

segunda-feira, outubro 30, 2006

Quem herda nao furta

Já dizia a minha avó que quem herda não furta. E eu, como a pessoa mais chata do mundo quando o assunto é comida, deveria saber que Sophia não seria moleza.
Pois agora ela só come com a Lílian, a moca que trabalha lá em casa. Não come com a mãe, não come comigo, não come com avós, tias ou qualquer outra pessoa. Só com a Lílian.
Até aí, tudo bem. A baixinha come de terça a sexta e fica três dias sem comer. Ótimo. Lindo. Mas em janeiro chegam as férias da Lílian e aí não vai ter jeito: ou Sophia come na marra ou vai ficar com um look "modelo de fashion week" (aliás, quem gosta de mulheres magrelas daquele jeito, meu Santo Antonio do Goiabal?).
Daí que concluí o seguinte, a culpa é minha e pronto. Quem mandou torturar os pais com a chatice pra comer durante anos a fio? Não quis comer feijão, ovo, frango, peixe, agora eu que me vire (junto com a Fernanda, claro) pra fazer a menina se alimentar direito. A única esperança é que meus genes da chatice sejam recessivos e isso tudo não passe de uma fase.
Come, menina!!!




Direto na têmpora: Don't you want me, baby? - Human League

Justo na hora

O Aderbal, um monstro de redator, trabalhava na SMPB quando eu fiz estágio lá, aliás, uma aula a cada dia com Louro, Geraldo Leite, Ricardo Carvalho, Boca, Marquinhos, Amauri, Vitão e por aí vai. Só que o Aderbal dava um azar fodido com o Maurício Moreira, um dos donos na agência na época. Não importava o quanto ele houvesse ralado no dia, era só colocar as mãos na nuca, apoiar os pés na mesa e o Maurício entrava na sala. Queria chamar o Maurício Moreira, era só pedir pro Aderbal ficar à toa, tipo acender cigarro pro ônibus chegar ou lavar o carro pra chover. Sempre depois do ocorrido lá vinha o Aderbal: "Ah, não. É muito azar. Eu ralei o dia inteiro e esse cara entra aqui agora? É azar demais."
Até que em um dia especialmente cansativo, já depois do expediente, o Aderbal se recosta na cadeira e coloca os pés sobre a mesa ao lado da máquina de escrever (sim, crianças, ainda não havia computador na SMPB na época). Coisa de um minuto depois o Maurício Moreira irrompe no recinto, sendo recebido por um Aderbal revoltado. "Ah, não, Maurício! Eu tava trabalhando até agora! Não tem um minuto que eu parei. Vai dar azar assim na puta que o pariu."
Passaram-se bons minutos até que o resto da equipe e o próprio Maurício Moreira parassem de rir.




Direto na têmpora: Cidade Chumbo - Inocentes

Red Auerbach is dead

Esse site não é sobre basquete (na verdade, é sobre o quê?), mas para quem é fã do esporte e acompanha desde 84 não dá pra deixar de falar sobre a morte de Red Auerbach aos 89 anos. O cara ganhou 8 títulos em 9 anos, 16 no total e descobriu alguns dos maiores talentos da NBA. Em Boston, Red era uma das coisas mais parecidas com Deus que já se viu. Eu, que só assisti a um jogo dos Celtics ao vivo (e nem foi no Garden) fico com a impressão de que a mística vai se perdendo aceleradamente e o time está cada vez mais perto de ser só mais um. Uma pena, Red.




Direto na têmpora: School - Supertramp

quinta-feira, outubro 26, 2006

That's me everyday, babe

"Writing the words of a sermon that no one will hear."




Direto na têmpora: Sorrir - Cristina Buarque de Hollanda

People are strange

People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted
Streets are uneven when you're down

When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange
When you're strange
When you're strange

(The Doors)




Direto na têmpora: No sleep till Brooklyn - Beastie Boys

quarta-feira, outubro 25, 2006

Costinha e a Loterj

O falecido, boca-suja e engraçadíssimo Costinha foi, durante um bom tempo, garoto-propaganda da Loterj. Além de vários comerciais divertidos, ele deixou essa pérola que quem ainda não assistiu precisa ver. Mas não parem no meio, porque o melhor mesmo está no final. E pra quem tiver curiosidade, vários dos comerciais "sérios" com ele estão no Youtube, é só digitar "Costinha" e "Loterj".

http://www.youtube.com/watch?v=4Df9RzgvkMo




Direto na têmpora: The times they are a-changin' - Bob Dylan

Pragas

Um avião estava preso na rede elétrica
Já não era possivel tirá-lo

Diabo de vida
Onde me enredo em pequenas teias
Diabo de sonho
Cujo significado consigo compreender

Diabos! Diabos!
E praguejar já não adianta nada

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: You really got me - Kinks

Going Home


Chegar em casa estourado, pedindo pra morrer e uma coisinha de 9 meses te receber fazendo carinha de "porquinho" é a receita perfeita pra conseguir mais 4 ou 5 horas de energia pra brincar, rolar no chão, fazer mamadeira e dar banho achando tudo uma maravilha.




Direto na têmpora: The Punch Line - Mighty Mighty Bosstones

terça-feira, outubro 24, 2006

O novo atendimento

Estão profetizando por aí o fim do profissional de atendimento. Uma visão apocalíptica para quem, como eu, prefere não ter tanto contato assim com os clientes. Movido por este sentimento pouco nobre, proponho uma alternativa para o funcionamento do setor ao invés de sua pura extinção. A idéia é simples, transformar o Departamento de Atendimento em um telemarketing com todas as suas características.
Peço que a diretoria da TOM avalie a proposta e, para isso, apresento aqui um exemplo de como a coisa funcionaria. Nota importante: é fundamental imaginar esta situação às 18h15, com todas as respostas do Telemarketing de Atendimento com um forte sotaque paulista.
_ Telemarketing de Atendimento, boa noite.
- Boa noite, eu estava precisando de um anúncio urgente. É de hoje pra hoje, porque ainda tenho que aprovar pra veicular amanhã. Não dá pra ter foto e nem nada.
- Senhor, infelizmente o sistema não permite este tipo de operação.
- Mas eu sempre fiz isso, minha filha!
- Senhor, infelizmente o novo sistema de atendimento por telemarketing não admite mais este tipo de solicitação.
- Mas tem que admitir! Eu preciso desse anúncio agora, porra!
- Sinto muito senhor, mas o sistema não permite.
- Eu quero falar com o seu coordenador!!! Agora!!!
- Pois não, senhor. Aguarde um instante.

(Seguem-se 25 minutos de mensagem eletrônica com musiquinha irritante e um anúncio gravado de "por favor, aguarde, sua ligação é muito importante para nós".)

- Coordenador do Telemarketing, boa noite.
- Boa noite, amigo. Eu estou precisando de um ad de hoje pra hoje e a sua funcionária aí disse que isso não é possível. Que o sistema não deixa. Isso é um absurdo, eu preciso desse anúncio pra hoje!
- Senhor, a informação está correta. O novo sistema não permite este tipo de prazo.
- Mas quem foi que inventou essa merda!? Eu preciso desse ad!!!
- Senhor, não se altere. São normas da empresa e não há nada que eu possa fazer. Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
- Pode ir à merda, seu filho da puta!!! Quero cancelar minha conta agora nessa espelunca!!! Agora!!!!!
- Um instante, senhor. Estarei transferindo sua ligação para o Departamento de Cancelamento.

Bastam 2 transferências para setores errados e 50 minutos de espera com a tal musiquinha irritante para o cliente desistir e, em meio a uma crise nervosa, demitir todo o seu Departamento de Marketing. A conta continua salva, a criação não precisa virar mais uma noite e duas semanas na casa de repouso fazem muito bem a qualquer cliente.




Direto na têmpora: Sweet Virginia - Rolling Stones

segunda-feira, outubro 23, 2006

Botecando

Estive em Ipatinga no sábado e, além de rever grandes amigos e vender o meu livrinho, tive notícias muitíssimo interessantes para (sobre) os cachaceiros da terrinha: dois amigos, Nakaba e Zenon, estão abrindo bares. Bares diferentes em diferentes lugares, diga-se de passagem.
Pois essa coincidência me lembrou do Burrim, outro ipatinguense, que conseguiu um bar bem debaixo da Baturité, um dos pontos mais cobiçados de BH no início da década de 90. O Burrim, além de figura maravilhosa, de uma criatividade absurda e lealdade fora do normal, era um bebum de marca maior. Tomava todas e tomava bem, sempre com amigos, bom clima e ótimo papo.
Voltando ao bar, chamava-se Pepe Legal e ficava no meio da muvuca que era aquela região da Cidade Nova. Íamos sempre pra lá e a história se repetia. A conversa ia rendendo, o povo ficando tonto e não passava da meia-noite lá ia o Burrim espantar a freguesia, fechar a porta e tomar uma com os amigos dentro do bar. Mesmo quando continuávamos do lado de fora com os outros clientes, fazia questão de não cobrar nada ou muito pouco dos conterrâneos. Some-se a isso o fato do Burrim consumir grande parte do estoque e deu no que deu. O Pepe Legal quebrou em menos de um ano.
Sorte ao Nakaba e ao Zenon, mas nunca se esqueçam da máxima: botecos, botecos, amigos à parte.




Direto na têmpora: Pelo interfone - Ritchie

Mon Amour

Hoje no almoço descobri, entre estarrecido e divertido, que um amigo meu de longa data (na verdade, irmão de um grandessíssimo amigo meu) se transformou na tradução perfeita da folclórica canção de Odair José. Sim, ele está namorando uma meretriz. Não só está namorando, como apresentou para o irmão e sobrinhos. Não só está namorando, como apresentou pra mãe que, aliás, já sabia do ganha-pão da moça.
Claro, claro, o amor não tem fronteiras. Até porque a ex-mulher de tal parceiro ele conheceu no hospício (não, não é piada e eu juro), mas não consigo me imaginar chegando para minha digníssima progenitora e apresentando tal donzela. Ainda mais se a garota em questão (como é o caso) residisse no interior de Minas e oferecesse seus préstimos na boite Mon Amour.
Mas o melhor, o melhor mesmo, é que a moça é ciumenta e liga para o namorado por volta das 3h da manhã pra saber o que ele anda aprontando, se está em casa, se está sozinho e tal. Imagino a resposta cândida e cheia de ternura:
"Tô em casa mesmo, amor, e você, o que anda fazendo?"
Com todo o respeito, meu chapa, essa eu não encarava. De qualquer forma, boa sorte e seja feliz.




Direto na têmpora: Girl gone bad - Van Halen

sexta-feira, outubro 20, 2006

Fusos

Trabalhei numa agência onde o Diretor de Criação tinha um fuso horário diferente do resto da equipe. Depois de passar a tarde inteira fora (jogando peteca, diziam as más línguas), ele chegava esbaforido lás pelas 5 e meia, 6 da tarde e enchia todo mundo de serviços urgentes. Era um negócio chato, desagradável, mas que o povo já esperava. Dava perto das 6 e lá vinha o cabra começar a trabalhar.
Pois antes de eu entrar na tal agência, uma redatora muito amiga minha, profissional premiadíssima e da mais alta estirpe, viveu uma situação curiosa por causa desta diferença de fusos. Eram 6 e meia da tarde quando chega o infeliz. Ela de compromisso marcado e ele cheio de trabalhos urgentes, a tensão foi inevitável. Fechou a cara, resmungou alguma coisa e pôs-se a trabalhar. Passado algum tempo ela se levanta de repente, pega a bolsa e começa a andar rumo à porta. O Diretor de Criação então desespera-se e meio que grita na frente de todo mundo:
"Peraí! Onde é que você tá indo, pô?"
Minha amiga então vira-se, furibunda, e dispara no mesmo tom:
"Se você deixar eu estou indo trocar o meu modess. Posso!?"
E assim, vingada, dirigiu-se ao toilette.




Direto na têmpora: Sonia (uncensored) - Leo Jaime

Rasputina

Três mulheres tocando cello, um cara na bateria e um sei lá o quê que leva da euforia à raiva, do embevecimento ao total sentimento numb. E isso desde 96. Amanhã é dia de ir pra Ipatinga, mas hoje é dia de ouvir Rasputina.

"Let me tell you more, you'll see what I mean.
I took a sealion by the waist and I twisted it.
Then I kiss-ed it. It was mossy and chaste.
That is funny, isn't it?
Not to tell you would be such a waste.
Can't you see me?
I am your long lost best friend.
Please believe me.
All these things have happened.
I went for a ride on the carousel.
I was on a yellow horse, right behind the swan.
In the swan, a man and a woman they were doing it.
I didn't want to look. I wished I'd brought a book."




Direto na têmpora (há quase duas horas): Our Lies - Rasputina

quinta-feira, outubro 19, 2006

Mais uma do Vinicius

Um dia perguntaram pra Vinicus de Moraes se ele acreditava em reencarnação. Ele ficou meio na dúvida, disse que não tinha muita certeza sobre o que pensava e tal. Aí perguntaram como ele gostaria de voltar se houvesse afinal a tal da reencarnção. Se como algum bicho, como outra pessoa, alguém diferente, sei lá. no que o poetinha responde na bucha: "Acho que gostaria de voltar como eu mesmo, desse meu jeito, só que com um pau um pouquiiiiinho maior".
Como ele mesmo dizia, "um monstro de delicadeza".




Direto na têmpora: Essa linda canção - Camisa de Vênus

Vinicius de Moraes

Hoje o poetinha faria 93 anos. Segue aí uma obra-prima do fenomenal Vinicius de Moraes.


Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.




Direto na têmpora: Synchronicity II - The Police

quarta-feira, outubro 18, 2006

Calor

Calor pra mim é Ipatinga. Um Chicabon, um banho de mangueira no quintal, a vaca preta feita com o sorvete e a Coca que meu pai trazia da Vila Ipanema (junto com algumas Caracu). As janelas abertas, irmãos sem camisa e ele dizendo "olhas as árvores, tudo paradinho, não tem um vento".
Calor pra mim é demorar um pouco mais a dormir, porque a temperatura fervilha bobagens na mente e inquieta o corpo. E cama não é lugar pra todo tipo de calor. Daí acorda-se mais cedo pra tomar um suco e a gente formiga de vontade de sair e fazer não sei o quê.
Calor pra mim é o estalo no meio do dia dizendo "ai, como eu queria uma piscina, uma cerveja, um beijo na boca" e a tela do computador ali, quieta, te olhando sisuda com o frio texto ainda por fazer.
Calor pra mim dá bambeza, dá suor e gruda a gente no sofá de couro com o programa bobo da tv.
Calor pra mim faz a tarde durar, o dia sem querer ir embora, cheio de coisas, de promessas, de convites. E a gente sem saber se pede mais uma ou se toma um banho pra refrescar. Porque a noite de calor vem aí, talvez até com um grito de chuva na madrugada. E isso também é bom.




Direto na têmpora: Devil inside - INXS

terça-feira, outubro 17, 2006

Carrinho no pescoço

Já está devidamente linkado no Pastelzinho o Carrinho no Pescoço, um excelente blog sobre futebol do qual sou fã assíduo. Parece que ele morreu um pouquinho, mas já tá bem de novo. É isso aí.




Direto na têmpora: Air - Bobby McFerrin

segunda-feira, outubro 16, 2006

Alias

Outra boa do Luigi Caneloni foi quando, escutando uma discussão sobre o poder de consumo do público gay, decidiu que ia mudar de rumo (apenas da agência, compreendam). Iria criar uma estrutura voltada para se tornar a primeira agência de publicidade do Brasil especializada no cliente homossexual. O passo inicial seria simples: trocar o nome da empresa de Aliás para ALILÁS.
Não sei porque o projeto não foi pra frente, mas que seria genial, seria.




Direto na têmpora: Pretty woman - Roy Orbison

Por conta da conta

Na época da ABC, o Augusto premiava cada conta nova ou grande campanha aprovada com um boca livre no Cozinha de Minas, bem ao lado da agência. Ele mesmo não ia, mas a equipe toda se reunia com um cheque em branco e muita vontade de comemorar. Tudo ia muito bem até que uma conta com 12 ou 13 doses de Havana fez cancelar a tradição. O Oliva aliás, tem um ótimo caso nessa mesma linha com o título de "Pato Laqueado", que você pode ler no blog dele (Causos de Publicidade, nos meus links).
Na Aliás havia algo semelhante, só que o local das comemorações era uma tal churrascaria Porcão na Afonso Pena (apenas uma homônima, já que a original não havia chegado ainda a BH). Sendo assim, a cada boa notícia, a criação se manifestava com incessantes e selvagens gritos de "We want the pig! We want the pig!". Parecia uma versão capitalista do "Senhor das Moscas", mas sempre surtia efeito e acabávamos nos empanturrando de carne e cerveja no supracitado estabelecimento comercial.
Não sei se Don Luigi Caneloni mantém a tradição, mas deveria. Nada como uma boa farra pra comemorar, periodicamente, o sucesso de uma equipe.




Direto na têmpora: Les embouteillages - Sanseverino

Menininha



Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão

Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim e você
Vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão

Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
Também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei.

(Vinicius de Moraes & Toquinho)




Direto na têmpora: Stray Cat Strut - Stray Cats

sábado, outubro 14, 2006

O tempo avua

O Floyd sabe ser deprê quando quer, mas ô letrinha verdadeira essa de Time. Vai aí um trechinho em homenagem a tudo o que se faz por dinheiro.

"And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in the relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the english way
The time is gone, the song is over, thought I'd something more to say"




Direto na têmpora: Menininha - Toquinho

Yustrich

Fui Diretor de Criação da Bros por 2 anos. Pra mim a experiência foi muito boa, mas fiquei com a certeza de que poderia ter feito muito mais no período.
Na verdade a agência ganhou contas, levou prêmios e melhorou sua estrutura (e sua imagem), mas acho que acrescentei pouco aos profissionais de criação que trabalhavam comigo. Talvez tenha sido muito amigo e pouco chefe, o que nem sempre é bom.
Claro que o oposto também pode ser complicado se houver exageros. Não sei, por exemplo, se um Diretor de Criação estilo Yustrich funcionaria. Pra quem não sabe, o Yustrich era um técnico paquidérmico que, segundo a lenda, chegava a bater em alguns jogadores no intervalo dos jogos. Imagino aquela menininha recém-formada apresentando o layout e o DC Yustrich aos berros. "Você tem coragem de me trazer essa merda!? Precisa suar a camisa, minha filha! Você não tá mais na casinha da mamãe não! Ou aprende a trabalhar, ou vai pra rua, porra!" E tome bofetão.
Pensando bem, sabe que podia até funcionar?


PS - Este post de manhã de sábado é patrocinado pela Claudia Gis e tem o apoio da Odebrecht e do Banco BMG.




Direto na têmpora: I'm walking on sunshine - Katrina and the Waves

sexta-feira, outubro 13, 2006

O Aroeira

Tenho um amigo, o Joãozinho Morróia, que nasceu em Ipatinga, formou-se em Ouro Preto e morou em Brasília. Ele conta que, quando viveu na Candangolândia, tinha um amigo chamado Aroeira, sobrenome herdado do pai, um célebre membro do Exército Brasileiro.
Pois o Aroeira Filho tinha um fraco pelo meretrício. Metia-se (sem trocadilhos) em tudo o que é zona da cidade, entregando-se aos prazeres mais mundanos. Diante de tamanha atividade ocorreu o esperado e o rapazete contraiu uma doença venérea. Não contente em sofrer de constante incômodo no baixo leblon, Aroeira espalhou a nova entre os colegas em busca de algum tipo de auxílio e as notícias de sua situação espalharam-se rapidamente.
Ajuda para curar a moléstia não conseguiu, mas já na manhã seguinte ao surgimento do boato, o muro de sua casa estava pichado em letras garrafais com a mensagem curta e direta: O AROEIRA TÁ DE CANCRO DURO. Como Aroeira no caso poderia designar pai ou filho, armou-se um incidente militar dentro da casa, não tanto pela doença do jovem, mas principalmente pela reputação do velho.
O resultado foi que, numa bela manhã de sábado, Aroeira (o filho) exercitava seus dotes artísticos e, demão após demão, devolvia a moral e os bons costumes ao muro daquela prestigiosa residência.




Direto na têmpora: Tiny Dancer - Tori Amos

quarta-feira, outubro 11, 2006

Dia das Crianças


Amanhã é o primeiro Dia das Crianças da Sophia. Parabéns pra ela e pra tudo quanto é moleque desse mundo.




Direto na têmpora: Where are you going - Dave Matthews Band

Pé quebrado

Fiz um verso assim, rimado
Meio torto, pé quebrado
Com rimas desse meu jeito
Que pros outros é defeito

Por me faltar verso perfeito
Daqueles que o amor é feito
Vou viver rimando errado
Apressado, atrapalhado

Perdoe quem do meu lado
Me sabe tão limitado
Mas a rima vem do peito
E rimar mal é meu direito

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: Romeo and Juliet - Dire Straits

O triunfo da vontade

Não tive contato com o David Paiva e só conheço esse caso de orelha, portanto não aceito ser processado por qualquer inverdade, exagero ou mentira deslavada escritos aqui. Mas o que ouvi foi que o David, um dos grandes redatores que já passaram por Minas Gerais, era famoso por seu pavio curto.
Certo dia, em uma reunião com um megacliente da agência, campanha praticamente aprovada, a sobrinha de um dos diretores da empresa, menina recém-formada e cheia de boas intenções, faz a observação.
"Tá tudo ótimo! Acho que nem precisa desse blá-blá-blá aqui."
David levanta-se imediatamente e, dedo em riste, descasca a menina da cabeça aos pés.
"Blá-blá-blá!? Você dobre a língua pra falar do meu texto. Nem saiu dos cueiros e vem falar do meu trabalho. Que porra é essa?"
Seguiram-se alguns minutos de fúria, a menina chorando copiosamente, a turma do deixa-disso intervindo até que acharam melhor dar por encerrada a apresentação. A moça acabou desistindo de trabalhar em comunicação e a campanha eu nem sei que fim levou, mas fala a verdade, quantas vezes você já teve que se segurar pra não dar uma extravasada assim em plena reunião? E mais, deve ou não deve ser a melhor sensação do mundo?




Direto na têmpora: Coisa medonha - Xique Baratinho

terça-feira, outubro 10, 2006

Cancela tudo

Faz um tempo que descobri que as empresas me julgam um cliente importante e passei a usar isso para obter vantagens. Se tem algo que não me agrada, digo as palavrinhas mágicas "vou cancelar" e mil portas se abrem. Assim já ganhei celulares, aumentei a velocidade de minha banda larga e recebi descontos inenarráveis.
Pois faz um tempo estava contando que, chegou a fatura do cartão de crédito, eu ligo e digo que quero cancelar porque a anuidade está alta. Depois de 80 minutos ao fone, invariavelmente saio com anuidade grátis. Ouvindo essa conversa, a socialite e grande dama das relações Brasil-França, Carmita Almeida (conhecida e invejada entre as castas mais baixas pela alcunha de Cacate) resolveu utilizar a mesma técnica para economizar seu rico dinheirinho. Pegou o telefone, ligou para a Credicard e com empáfia disparou:
"Eu gostaria de cancelar o meu cartão, a anuidade está muito alta."
"Mas a senhora é cliente há 20 anos, senhora."
"Eu sei, mas a anuidade está alta e eu prefiro cancelar."
"Ok, a partir deste momento o seu cartão está cancelado."
Ainda em choque com a resposta e com a perda de todos os benefícios adquiridos durante este longo tempo, Carmita Almeida investe com fúria sobre este pobre escriba e passa a duvidar sistematicamente de minha palavra e, conseqüentemente, do meu caráter. Nunca mais entrarei no Automóvel Clube.




Direto na têmpora: Sweet Jane - Velvet Underground

segunda-feira, outubro 09, 2006

Coisa de mae

Um pouco mais cedo mandei pra minha mãe o seguinte poema:

Mudança

Dezesseis camisas e umas poucas calças
Cinco, seis, sete talvez
Escovas de dente, duas, e um pente
Na caixa maior discos, livros, esquecimentos
No bolso, troco, no rosto, canso, nas mãos, malas
Nas costas tudo o que não é meu
A vida é sair de casa


Alberto Guiñazú

A resposta veio imediata: "Beleza! Mas isso aí quer dizer alguma coisa?" Enquanto me recuperava da crise de risos respondi que significava um monte de coisas, mas que aqui em casa estava tudo bem, se era isso que ela queria saber. Mothers will always be mothers, my friend. Always.




Direto na têmpora: Gugu - Trio Soneca

Cantinho do Feno

A TOM teve, durante um tempo, o Cantinho do Feno. Um espaço dedicado às pérolas do atendimento que alegravam nosso dia e que, ao final do ano, premiaria os freqüentadores mais assíduos com um fardo de feno e o troféu Arreio de Ouro. Na verdade, antes que os resultados pudessem ser aferidos e o prêmio fosse entregue, um problema de espaço (ver com a Claudia Gis) impediu o prosseguimento da contenda.
O Cantinho do Feno trazia pequenas maravilhas como "nosso público-alvo são clientes, não-clientes e público em geral" ou "precisamos de um folder sem dobra" ou ainda "para evitar pichações, podemos plastificar o tótem". Enfim, o que não faltava era sarcasmo e material para encher os quadros com solicitações e argumentos "curiosos".
Alguns atendimentos abraçaram a causa e disputavam a liderança do espaço como se sua vida dependesse disso, mas no geral era tudo levado com bastante bom humor e paz entre os setores.
Sei que a Lápis oferece o troféu Jesse Valadão ao ser humano mais grosso / machista / tosco da criação, mas aqui essa disputa já estaria vencida antes de iniciar, então, me resta convocar a todos para pensar em novas premiações ou, quem sabe, ressucitar o bom e nem tão velho assim Cantinho do Feno.




Direto na têmpora: Don't answer me - Alan Parsons Project

domingo, outubro 08, 2006

Ema, ema, ema

O câncer do meu vizinho não cura o meu resfriado.




Direto na têmpora: Black - Pearl Jam

sexta-feira, outubro 06, 2006

Partes desnecessarias

Os médicos que me desculpem, mas o corpo humano é cheio de partes desnecessárias. O apêndice por exemplo, tem a clara função de inflamar. As amígdalas seguem o princípio e abusam do seu ofício que é, sem sombra de dúvidas, fazer a garganta doer. Isso sem falar nos meniscos, cuja exclusiva propriedade é reduzir vida útil de craque e nada mais.
Pois ando descobrindo que a boca, se usada apenas para a fala, é um desses órgãos daninhos pra mim. Quanto mais falo, em mais merda me meto, menos coisas resolvo e mais problemas crio. Você até pode argumentar que o problema não é a boca, mas o cérebro. Concordo, mas desse eu não posso me livrar porque afetaria minha capacidade de assistir Seinfeld.
Seja pra dar opinião, conselho ou pedir favor, minha boca tem sido pródiga em gerar pequenas catástrofes e grandes constrangimentos. A solução óbvia seria um prolongado (quiçá eterno) voto de silêncio, mas minha constante diarréia vocal não permite. Sendo assim, o mantra do mês é "não fala, filho da puta, pensa".




Direto na têmpora: So much water - M. Ward

quinta-feira, outubro 05, 2006

Leminskiana

Morto às doze
Meu relógio marca enquanto ela chora
Perdi o pulso
Mas não perco a hora


Alberto Guiñazú




Direto na têmpora: My favorite things - Sarah Vaughan

Rock in Rio XXV



Quando eu tinha 13 anos meu pai me deu, escondido da minha mãe, ingressos para dois dias do primeiro Rock in Rio. Fui de ônibus sozinho pro Rio e um mezzo primo de 18 anos foi o responsável por mim durante os shows. A coisa toda foi fantástica, a começar por shows de Queen (simplesmente maravilhoso), Iron Maiden, Blitz, Paralamas no segundo disco, Rod Stewart e por aí vai.
Uma experiência que causou problemas pros meus pais, já que os vizinhos reclamavam "Como é que vocês deixam o Maurilo ir? E ainda por cima sozinho!?!? Agora o Fulaninho não me deixa em paz porque não pode fazer nada, não vai a show nenhum, não viaja." E tome ladainha.
Pra mim foi incrível e sempre agradeci muito aos meus pais por terem me deixado ir. Agora que sou pai, a coisa mudou um pouco. Só consigo pensar na Sophia com 13 anos querendo ir ao Rock in Rio XXV, ou algo que o valha, e eu espumando de puto "Não vai de jeito nenhum! Cê tá louca!? Você tem só 13 anos, menina! Nem se eu fosse junto! E já pra cama!"
Ai, como é duro envelhecer.




Direto na têmpora: Amateur - Aimee Mann

Cigarras atendidas

O Grarco, paraense de São Caetano, atendeu meu comovido apelo e mandou um pequeno trecho com sons de cigarras. Apesar de não saber apreciar a beleza do canto de Dalto, pelo menos às cigarras o Grarco dá o merecido respeito. Valeu, meu caro!




Direto na têmpora: Detroit Rock City - Kiss

Cigarras

Ipatinga era cheia de cigarras. No final da tarde, perto das árvores, às vezes era difícil ouvir o que o outro dizia a poucos metros de você. A gente se acostuma com aquele som e começa a achar o silêncio estranho, sente falta dos vários tons, dos humores e volumes diferentes a cada dia. Um som que podia ser doce ou amargo conforme o seu espírito, conforme o clima, conforme qualquer coisa.
O que eu não daria pra ouvir uma cigarra hoje o dia inteiro.




Direto na têmpora: Tesoura do desejo - Alceu Valença

Palhaçada

A Solution foi uma agência muito importante na minha carreira por vários motivos. Além de ter feito bons trabalhos lá, a empresa tinha uma estrutura bacana, contas legais e uma equipe de onde tirei grandes amigos. Infelizmente, houve épocas de clima pesado e grande insatisfação por motivos variados, alguns culpa nossa mesmo e outros culpa da agência. Aliás, como acontece em qualquer lugar.
Sei que numa dessas crises me veio a idéia de comprar narizes de palhaço para toda a Criação. A partir daí, se o atendimento chegava dizendo, por exemplo, que o prazo foi reduzido em dois dias, a gente botava as bolotas vermelhas no nariz e respondia "Ah, é? Dois dias a menos? Claro, não tem problema nenhum". Não era raro chegar na sala e encontrar dois ou mais profissionais portando seu rubro símbolo de protesto. Tudo com o maior bom humor, é claro.
Um dia, em uma reunião com o Marcelo Martins (dono da Patrimar e um dos melhores e mais inteligentes clientes com quem já trabalhei), o Olivieri, nosso Diretor de Criação, resolve levar por precaução uma narizeta no bolso da calça. Tudo correndo bem até que alguém, não o Marcelo, diz algo desabonador sobre o trabalho. Nosso Diretor então tira a peça do bolso, posiciona sobre o nariz e calmamente declara "mas isso é uma palhaçada!"
O Marcelo, como era de se esperar, morreu de rir e a campanha foi aprovada. Com palhaçada ou não, entre mortos e feridos salvaram-se todos.




Direto na têmpora: Stop whispering - Radiohead

quarta-feira, outubro 04, 2006

Oh yeah 3

Originais do Samba, Fernando Meirelles, Luis Fernando Veríssimo, Grande Otelo e muitas Havana. Oh yeah, baby, oh yeah.




Direto na têmpora: Falador passa mal - Originais do Samba

Tirem esse brega daqui

Em um momento horrendo e de difícil assimilação reconheço que o PC Pod hoje tá praticamente o Sidney Magal dos mp3 players. Depois do próprio Sidney, já me mandou Radio Taxi, Roupa Nova e Dalto. E o pior é que eu sou fã de Dalto. Trágico, eu sei, mas é a mais pura verdade.




Direto na têmpora: Sapato velho - Roupa Nova

Voluntariado

Apesar do termo "voluntariado" estar desgastado pra caramba, tô com um projetinho de ação social aí que precisa essencialmente de 3 coisas pra decolar:

1) Gente
2) Vontade
3) Trabalho

Se você pode oferecer essas 3 coisas, dê um toque. Se tiver contatos com comunidades carentes e/ou produtoras de vídeo, melhor ainda. Tô com muita vontade de tirar isso do papel e toda ajuda é bem vinda.




Direto na têmpora: Black is the color - Nina Simone

terça-feira, outubro 03, 2006

Call me James

Aos eventuais e raros leitores do Pastelzinho, ressalto que acrescentei o blog do Rodrigo James à minha lista de links. Saudações.




Direto na têmpora: Basketcase - Green Day

Lost

Não se enganem, eu não faço parte da elite descolada que assiste Lost. Na verdade eu faço parte da elite descolada que assiste apenas e tão somente Discovery Kids e Nick Jr, mas isso não vem ao caso. O fato é que mesmo sem assistir Lost sei que ele fala de um microcosmo surreal em alguma ilha maluca e aí não posso deixar de me lembrar do Leandro Simões. O Leandro foi contemporâneo meu de UFMG, onde formou-se em jornalismo. Éramos grandes companheiros, inclusive com uma memorável passagem por Recife no ENECOM, onde ele recebeu o apelido de Pesadinho. Atleticano doente, viúva do Saldanha, membro do Natal dos Homossexuais Falidos e fã de samba e rock and roll, seguiu meu amigo até o fim, mesmo com o pouco contato que sua ida para São Paulo acabou causando.
Lá em Sampa ele trabalhou na Placar, Contigo e na Playboy, através da qual viveu seu maravilhoso momento Lost em um apartamento da capital paulista. Isso em 2000, é bom lembrar. A experiência era a seguinte: é possível viver, durante 30 dias, sem sair do apartamento e comprando apenas pela internet em São Paulo? Leandro mostrou que sim e passou todo o período do projeto trancafiado, tendo como único contato com o exterior a visita periódica de garotas da Playboy.
Peraí! Como é que alguém consegue realizar qualquer tipo de experimento recebendo visitas periódicas das coelhinhas que traziam como lembrança suas revistas e posters em tamanho natural? Ora, faça-me o favor, tudo balela, tudo um embuste. O que o Leandro viveu foi o sonho adolescente de ficar trancado no quarto cheio de playboys e ainda com a visita das musas em carne e osso (mais carne, diga-se de passagem).
Infelizmente nunca pude comentar isso com o Leandro, que pegou um atalho lá pra riba em abril de 2003. Mas uma coisa é certa, dos 30 e poucos anos que passou entre nós, só esses 30 dias já devem ter valido muito a pena.




Direto na têmpora: In the Lap of the Gods - Queen

segunda-feira, outubro 02, 2006

Fontes lacteas

Plena sexta-feira, casamento de Ana Luiza, a TOM inteira se preparava para o grande evento social. Enquanto isso, Cacate, Lucas Ribas e eu penávamos com uma campanha urgentíssima para o Minas Leite. Eram quase onze horas da noite e o cliente na agência, esperando a campanha.
No meio daquela loucura toda, conseguimos fazer um trabalho bem bacana, com uma marca legal e tudo mais. Cacate imprimindo peça após peça, montando tudo mal e porcamente, decidimos que eu deveria subir sem ela para apresentar tudo praticamente sozinho, já que o Lucas estava cuidando dos caras e nem tinha visto o material.
Subi com tudo debaixo do braço e comecei a apresentar a marca do evento e uma série de layouts. Os clientes olharam praquilo sem muita emoção, sem muito ânimo, quando dei a cartada genial. Apresentei de novo a marca, mas desta vez argumentei que, pela escolha da fonte, mais do que orgânica, aquela era uma fonte láctea. Sim, uma fonte láctea para o Minas Leite. É ou não é uma jogada de mestre?
Daí pra frente, em poucos minutos, tudo aprovado e fomos comer uma pizza na Specialli.




Direto na têmpora: Motoqueiro - Almir Rogério

Aprova logo

Meu primeiro trabalho na Solution foi um material para prospecção de lojistas do ainda embrionário Shopping Jardim. Tinha acabado de chegar na agência, querendo mostrar serviço, cheio de idéias e, como o cliente era novo na casa, o desafio era um tanto quanto respeitável.
Fui fazer o job com o Pedrolli, um amigo meu de longa data e realmente nos esmeramos nas peças. Ficou muito bacana, todo mundo adorou e, na reunião de apresentação, fui convocado a participar. Não me lembro bem, mas acho que o Pedrolli arranjou alguma desculpa e tirou seus bigodes (que ele usa desde os 7 anos) da reta.
Só sei que ficamos sentados à mesa de reuniões eu, Nelson Nascimento (Diretor de Atendimento), Fernando Campos (dono da agência) e o então responsável pelo marketing do shopping. Apresentei as peças com riqueza de detalhes, ressaltando a criatividade e a pertinência dos títulos, a beleza dos layouts, o cuidado na escolha do papel, enfim, um primoroso trabalho de atendimento.
Acabei de falar, o cliente espalhou todas as peças e, olhando fixamente para elas, começou a tamborilar com os dedos na mesa. Já estava assim há quase 1 minuto quando resolvi fazer uma observação. Ele, sem me olhar, esticou a mão aberta e fez um "shhhh" digno de cinema. Aguardamos mais 3 minutos e eu já pensava em como teria que procurar outro emprego depois daquele fiasco. De repente, ele bate a mão na mesa e diz sorridente: "Perfeito! É isso aí!"
Agora, eu pergunto, pra quê me fazer sofrer assim, meu Deus? Pra quê?




Direto na têmpora: Waters of March - David Byrne e Marisa Monte

Mr. Lennon

Pros amigos (e não são poucos) que estão precisando, que estão recomeçando, que têm um caminho duro pela frente, palavras de Mr. Lennon.

"I don't believe in magic
I don't believe in I-ching
I don't believe in Bible
I don't believe in Tarot
I don't believe in Hitler
I don't believe in Jesus
I don't believe in Kennedy
I don't believe in Buddha
I don't believe in Mantra
I don't believe in Gita
I don't believe in Yoga
I don't believe in Kings
I don't believe in Elvis
I don't believe in Zimmerman
I don't believe in The Beatles
I just believe in me
...and that's reality"

Boa sorte sempre.




Direto na têmpora: Reel around the fountain - The Smiths

sexta-feira, setembro 29, 2006

Cachinhos

A minha Sophia tem lindos cachinhos que a mãe, carinhosa, teima em domar
Redobra os cuidados, prepara a criança e com zelo de fêmea põe-se a tentar
Mas minha Sophia é da vaidade o antes
Toma-lhe a escova, morde, balança as perninhas e é feliz assim, só de estar
Só de ser
Quando não olham, roubo a minha Sophia um segundo
encosto em meu peito seu ninho e acarinho,
com dedos e dengos,
refazendo cada cachinho.

(Alberto Guiñazú)




Direto na têmpora: Lord is it mine - Supertramp