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segunda-feira, dezembro 19, 2011

Quem foi que disse

Eu, de novo, inventando de compor música. Minha despedida do Clic.

  Quem Foi que disse by mauriloandreas

Ficha técnica: Arranjos do Helder e do Luciano (Kundum)



Direto na têmpora: Quem foi que disse - Maurilo Andreas

quinta-feira, novembro 17, 2011

50 anos da Comunicação Social na UFMG

Eu me formei em 93 como Bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela UFMG. Hoje, depois de uns 15 anos, voltei à Fafich para comemorar os 50 anos do curso.

Eu adorei estudar na Federal e mais especificamente no Campus. É uma puta mistura de visões, opiniões, estilos e formações que acabam abrindo a cabeça para caminhos diferentes daqueles com os quais eu estava familiarizado.

Fiz muitos amigos, alguns com os quais mantenho contato e outros não. Conheci professores motivados e motivadores como a Carla Madeira e o falecido Baesse e outros não.

Foi bom pra caramba e hoje me arrependo de não ter investido um pouco mais para concluir também o curso de jornalismo ou iniciar um mestrado logo após a formatura. Poderia ter sido bom, mas eu realmente estava louco pra sair pro mercado.

Só sei que foi bom voltar à UFMG, rever amigos como a Rafa, o Elias Sunshine, a Carla e o Fred. E foi melhor ainda por ter sido como convidado para um evento tão bacana como foi esse.




Direto na têmpora: Dig dug - We Are Scientists

segunda-feira, outubro 31, 2011

Quando éramos um

E então éramos um. Apenas um, com defeitos e qualidades conhecidos; limites, medos e certezas bem definidos; espaços demarcados; vida que seguia em um monólogo confortável.

De repente, do nada, veio o desejo de sermos dois e quem sabe três, quatro ou cinco depois. Uma operação antimatemática em que a soma das partes resulta magicamente em outro número um. Uma unidade. Somos nós, plural, mas somos singular, o casal.

Cabe a nós descobrir a receita inexata, falível e jamais repetida que faz um relacionamento funcionar. Nos vemos cercados de medidas delicadas para combinar ingredientes que nem sempre se misturam.

Erramos torcendo para que a fórmula não desande, para que não tenha sobrado maturidade ou faltado flexibilidade. Arriscamos, refazemos, tentamos, jogamos tudo para o alto e deixamos somente a bagunça do que restou e não fundiu, não criou, não germinou diante de nós.

Somos falhos. Talvez não tenhamos mesmo nascido para sermos este um que engloba dois, três ou cinco. Talvez sejamos feitos para seguir sós, comodamente únicos, inflexíveis, bem adaptados.

Mas eis que em meio à terra onde já não se vislumbra o fruto, ergue-se o gesto, descobre-se um sentido e pode ser que baste apenas uma palavra para que algo brote novamente. Uma vontade, um compromisso, um desejo que resolvemos por algum acordo imemorial chamar de amor.

Atentos! A colheita não é certa e o trabalho irá de novo nos fechar os olhos e castigar os sentidos.

Atentos, firmes, juntos. E novos. Imaculados. Límpidos e claros como deve ser um recomeço. Porque se não vale a pena tentar de novo por amor, mesmo que doa cada fibra do corpo e trema cada brilho da alma, nada mais há de valer alguma coisa.

E que lugar terrível seria um mundo assim para viver.



Para meus queridos amigos, muitas bênçãos, muita força, muito carinho e tudo o que possamos oferecer a vocês dois, a vocês quatro, a vocês UM.




Direto na têmpora: Use it - The New Pornographers

segunda-feira, setembro 05, 2011

O cara do bigode

Freddie Mercury faria hoje 65 anos. Em novembro, serão 20 anos da sua morte. Eu, como fã do Queen desde muito pequeno só posso dizer que não dá pra escolher uma única música pra homenagear o ilustre bigodudo.

Sendo assim, vão algumas e fica a alegria de ouvir Sophia andar pela casa cantando "somebody, somebody... somebody, somebody".

























Enjoy!




Direto na têmpora: Procession - Queen

quarta-feira, agosto 31, 2011

9 anos

O 3 elevado ao quadrado.

Todas as sinfonias de Beethoven.

Os meses para nascer outra gente.

As renas de Papai Noel.

O 6 de ponta-cabeça.

A nota quase perfeita.

Nove é nosso tempo marcado em anos, nossos erros e risos e sonhos.

Uma filha, nossa família, abraços, amigos, viagens e um mundo que já ficou para trás.

Adiante outro mundo maior, a vida que soubermos fazer e tudo o que nos faça sorrir.

Feliz aniversário, Fernanda. E muito obrigado por estes nove anos que me fizeram ser quem eu sempre quis, mas nunca soube como.




Direto na têmpora: Lonesome tears - Beck

terça-feira, julho 12, 2011

As crianças que me fizeram virar tubérculo

Este é o último ano da Sophia no Clic. Já estou morrendo de saudades antecipadas daquele lugar que me transformou em tubérculo e que ajudou a Sophia a se tornar confiante, articulada, independente e curiosa como ela é.

Com as crianças do Clic eu virei o Batatão e me sinto quase mais um deles. Conheci e me tornei amigos de seus pais, me senti parte da escola e da comunidade.

Já fiz música para eles, já escrevi textos para eles e hoje estive lá, contando história para eles.

Essa meninada faz parte da minha vida. E como é bom receber cada abraço, cada grito, cada beijo "espontâneo" que arranco deles.

Acho que eu ainda preciso aprender que tudo passa, que as coisas mudam. O Clic ensinou isso pra Sophia, mas parece que essa aula eu perdi.




Direto na têmpora: Fripp - Catherine Wheel

segunda-feira, julho 11, 2011

Menos um grande

Jackson Drummond Zuim morreu no último sábado, foi cremado ontem e eu só soube hoje. Não pude me despedir do cara que, se não era um amigo próximo, foi fundamental em minha carreira.

Zuim era talentoso, engraçado, generoso e marcou uma época da publicidade em Minas Gerais.

Conheci seus casos antes de conhecê-lo e, mesmo com pouco tempo de contato, recebi dele uma ajuda para mudar de emprego. Quando cheguei na nova agência, passei três meses com salários atrasados, uma estrutura péssima e liguei de novo pra ele e sua voz de baixo profundo.

- Porra, Zuim, esse lugar é uma zona, os caras não pagam, assim não dá.

- Ô, Barão
(Barão era como Zuim chamava todo mundo), cê tá insatisfeito?

- Tô, Zuim, aqui é muito ruim.

- Então peraí.


E em menos de dois dias eu estava saindo daquele lugar para um emprego novo e muito melhor onde fiquei mais de dois anos.

Agora, foi-se embora o Zuim. A última vez que o encontrei foi em 2008 e escrevi isso aqui.

Hoje, não tenho a dizer além de um muito obrigado e vai com Deus a um dos grandes redatores que Minas já teve.




Direto na têmpora: One fine day - Cracker

segunda-feira, junho 27, 2011

O dia dela

Por toda a diferença que você fez na minha vida, pelo seu carinho, pelo seu amor incondicional, pela preocupação, pelo cuidado, pela forma como cuida de nossas coisas, pela filha maravilhosa que fez comigo, pela família que trouxe para mim, pelo perdão, pelo agradecimento, pelos beijos, pela viagens, pelo passado, pelo futuro e, principalmente pelo nosso tempo presente, muito obrigado, minha Fer.

E um aniversário maravilhoso para você.




Direto na têmpora: Walkabout - Sugarcubes

sexta-feira, maio 13, 2011

Bacon and Hobbes

Uma homenagem do pessoal da "Pants Are Overrated " a um dos meus personagens favoritos: Calvin.






Direto na têmpora: Song 2 - Blur

sexta-feira, maio 06, 2011

Meu conselho para as mães

A todas as mães do mundo, um conselho: sejam como a minha própria mãe, que ao me ver chegar com o fruto da minha inabilidade, sempre mostrou-se carinhosa.

Minha habilidade manual compara-se a de um ser desprovido de polegares opositores. E eu não estou exagerando.

Meus vergonhosos vasinhos de cerâmica, por exemplo, poderiam ser confundidos com uma nebulosa ou com os resto mortais de um guaxinim.

A bem da verdade, tudo o que eu produzia chegava purgando cola branca, cheio de ângulos estranhos e materiais que, definitivamente, não deveriam estar ali. Receber uma obra de arte minha era como ganhar um passe para vislumbrar diretamente algum canto esquecido do inferno.

E no entanto, ó amor materno, minha progenitora sempre recebeu todos estes abortos criativos com o mesmo olhar carinhoso e as mesmas palavras amorosas:

- Que lindo, meu filho. O que é isso mesmo?





Direto na têmpora: Bayern - Die Toten Hosen

quinta-feira, abril 28, 2011

Minha cidade

Ipatinga completa hoje amanhã 47 anos. É pouco pra uma cidade daquele tamanho, mas é tempo suficiente pra não ser mais um lugar qualquer.

Sou da primeira geração de pessoas nascidas ali. Ipatinguense da gema, com muito orgulho, filho de pessoas de fora como todas as pessoas dali.

Gente que veio de tudo quanto é lugar, trazendo todo tipo de bagagem, mas que escolheu o encontro dos rios Doce e Piracicaba pra construir uma nova história.

Ipatinga surpreendentemente verde, assustadoramente quente, grande e pequena, tão diferente e tão igual a tantas outras cidades.

Ipatinga de tantos amigos, de tantas memórias, dos tombos de rolimã, das tardes passadas no clube, da subida do morro no meio da noite, de meninos correndo e apagando padrão nas casas.

Ipatinga, capital do aço que eu acho tão doce, você faz parte de mim. E eu espero, com toda vontade do mundo, ainda fazer parte de você.




Direto na têmpora: I feel better - Frightened Rabbit

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Inté, Ronaldo.

Para emitir qualquer opinião sobre um atleta é preciso deixar claro qual é o seu referencial.

Eu não vi Pelé, Garrincha, Tostão, Puskas, Didi e muitos outros jogarem.

Eu vi apenas o finalzinho de carreira de Cruyff, Beckenbauer, Breitner, Rummenigge e Rivelino.

Eu acompanhei bem de perto Zico, Sócrates, Reinaldo, Van Basten, Gullit, Baresi, Romário, Zidane e Ronaldo.

Esse é o meu referencial e é através dele que formo a minha visão de excelência. Sendo brasileiro, me entristece dizer que o melhor jogador que já vi em campo foi Maradona. Disparado.

Ronaldo talvez tenha sido o melhor centroavante, mas teria que disputar minha preferência com Romário, Reinaldo e Van Basten, por exemplo. Não ouso escolher um entre eles, mas afirmo que Ronaldo foi um dos melhores que vi jogar.

Sou mineiro e atleticano, por isso acompanhei de perto quando Ronaldo surgiu no Cruzeiro e comemorei quando ele saiu. Depois do drible que quase levou à invalidez o Kanapkis, dava pra ver que o moleque ia dar muito trabalho. Mas a minha lembrança mais marcante dele aqui em Minas foi esse gol aqui embaixo (a partir de 1 minuto e 4 segundos).



O mais legal desse lance foi que, ao final do jogo, Ronaldo correu para um dos câmeras e perguntou feliz como um menino "você filmou aquilo ali?".

No meio do caminho vieram os gols inesquecíveis no Barcelona, o fiasco da final de 98, problemas físicos e, quase sempre, um futebol bem acima da média.

Aliás, Ronaldo foi também um dos maiores casos de recuperação que eu já vi. Todo mundo jurava que a carreira do cara tinha acabado quando ele voltou após uma contusão horrível para trazer a Copa e se tornar o melhor jogador de 2002.

O fato é que mesmo fora de forma sempre havia aquela sensação de que bastava um descuido para que Ronaldo acabasse com o jogo (nisso e em muitas outras coisas ele e Romário sempre foram parecidos.)

Durante toda a carreira do Fenômeno, ficava sempre a certeza de que estávamos vendo alguém que teve o melhor e o pior da superexposição na mídia. Contratos milionários e campanhas publicitárias sensacionais se misturavam a relacionamentos tumultuados com mulheres, um escândalo com travestis e descuido da forma física (independentemente do hipotireoidismo).

A aposentadoria de Ronaldo representa para a mim a aposentadoria de um dos muitos craques que vi jogar. Um cara que, se não foi Maradona, ficou indubitavelmente entre os grandes. E em meio a tanta gente boa, isso não é pouco.




Direto na têmpora: Fanfare Parkdale - Metric

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Para Lílian

Resiste, mulher, ao tapa que te explode na face, à agressão que te fere a alma.

Resiste, pois és mulher, e nada para ti será simples, muito menos o amor para o qual viveste uma vida inteira.


Resiste, mulher, à ofensa rasteira, à mentira que queima.

Resiste, pois és mulher, e geraste filhos que te virarão o rosto e fingirão que não mereces ser chamada mãe.


Resiste, mulher, à humilhação rotineira, ao desprezo diário, ao descuido com café, pão e manteiga de toda manhã.

Resiste, pois és mulher, e tens o nome de Lílian, que quer dizer pura, inocente.

Mas quando resistes, mulher, inventas para ti mesma um outro nome que grito aqui: coragem! Coragem! Coragem!



PS - Minha homenagem à Lílian, que está ao nosso lado há quase 10 anos e cuja resignação e súbita coragem para enfrentar a violência doméstica nos fazem querer ser melhores.





Direto na têmpora: We're In Yr Corner - Cornershop

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Maria Neves: minha bisavó, mãe de todo mundo

- Ô, Jardim, você tá mais gordinho... o que é que tá acontecendo, hein?

- Eu? Gordinho? Que é isso, mulher?

- Ora, não desconversa. Olha esse uniforme, mal cabe em você!

- Deixa de ser boba, mulher, isso aí encolheu porque você não sabe lavar direito.


Ela então ri com gosto.

- Ah, Jardim, Jardim... sua boca fala uma coisa, mas sua barriga diz outra. Fala a verdade, isso é doce de Dona Maria Neves que você anda roubando, não é não?

- Quê? Doce? Para com isso, mulher! Doce... onde já se viu? Roubar doce, eu?


É muito provável que o diálogo acima nunca tenha acontecido, mas pensando bem, sabe que pode ser que tenha sido bem próximo disso? É que Dona Maria Neves, minha bisavó, era uma vítima recorrente do Sr. Jardim, um carteiro de tempos mais antigos que sempre roubava alguns doces de figo cristalizados que costumavam secar nas janelas da velha casa da Rua Xavier da Veiga.

Aliás, o Sr. Jardim não era o único. Estudantes das repúblicas mais próximas e jovens vizinhos também não resistiam àqueles pedacinhos verdes de tentação cobertos de açúcar que ficavam atraindo os passantes como moça bonita, daquelas bem namoradeiras, aboletada na janela.

Eu confesso que também já roubei minha cota de doces de figo, doces de nozes e, é claro, dos deliciosos biscoitos de Maurilo (batizados em homenagem à minha paixão desmesurada por eles). Mas era um roubo sem necessidade para um primeiro bisneto e afilhado que era recebido sempre com um abraço e com a frase ao pé do ouvido “coloca a mão no meu bolso”. Quando eu colocava, saía cheio de balas Erlan entre os dedos e ela completava “se quiser mais é só vir me abraçar”.

Isso sem falar que na casa de Vovó Maria tinha penico ao lado da cama, tinha assoalho com frestas pelas quais se via o galinheiro, tinha aquele frio perfeito de Ouro Preto, tinha cama de mola, tinha família reunida e poste de ferro bem na frente da porta da entrada.

A verdade é que aparte toda a diversão e toda a doçura que a memória empresta ao que se amou, minha avó Maria (que eu nunca chamei de bisa) foi das mulheres mais fortes que já conheci.

Vovó Maria nasceu em São Caetano, hoje Monsenhor Horta, mas mudou-se para Ouro Preto ainda moça. Em Ouro Preto casou-se com Levindo Barbosa Leite, que também veio de Monsenhor Horta e era comerciante na cidade.

As certidões dizem que vovó Maria teve 7 filhos, mas isso é bobagem. Foram dezenas. Não faltaram irmãos, netos, amigos e vizinhos para que Dona Maria pudesse abrigar sob suas asas e cobrir de atenção, conselhos, carinho e, é claro, broncas. Muitas broncas.

Ah, sim, porque não se engane você pensando que Dona Maria Neves era dessas avozinhas de novela que se deixam no sofá e assistem a tudo calmamente sem mover um dedo. Ah, mas isso não, senhor.

Dona Maria Neves foi Inspetora de Alunos na antiga Escola Normal Oficial de Ouro Preto, meu amigo.

Dona Maria Neves viu o marido ir a falência e trabalhou como uma leoa vendendo seus trabalhos de crochê e à máquina, meu irmão.

Para os casamentos de dezenas e dezenas de noivas, Dona Maria Neves cansou de fazer salgados, doces, bombons, sempre com as bandejas enfeitadas pela amiga Hyara Tonidandel. Sem falar no seu famoso bolo com recheio de nozes, artisticamente confeitado por D. Eliza Alves de Brito.

Dona Maria Neves trabalhou dia e noite para fazer doces e salgados que abasteceram, ao longo de sua vida, as festas e os estômagos das famílias mais requintadas da região; os alunos da Escola Técnica Federal de Ouro Preto e os carnavais do 15 de Novembro, da Associação Comercial e do CAEM.

E daí? E daí que Dona Maria Neves aprendeu com a necessidade o valor da disciplina. Aprendeu com a adversidade a hora de apoiar e a hora de cobrar. Aprendeu com a vida que se doar não é uma opção: é uma obrigação.

Era um caso sério essa tal Maria Neves. Vaidosa, usava sempre saia e casaquinho e tinha pernas de moça mesmo aos 80 anos. Era louca por queijo Palmira, era louca por cinema, era louca por novelas e foi a mulher mais sã que já conheci.

Como amava as pessoas essa tal Maria Neves e sua casa de portas abertas para estudantes, turistas, amigos, equipes de filmagem e qualquer um que se apresentasse. Como amava e como foi amada. Eu, menino ainda, tinha ciúmes dessa avó/bisavó que era de uma cidade inteira. Bobagem minha. No coração de Dona Maria cabia quem soubesse chegar.

Voltando às datas e certidões e fatos, Dona Maria Neves nasceu a 18 de maio de 1903 e morreu em 1 de janeiro de 1986, aos 82 anos. Da sua morte me lembro de muito pouco, mas foi minha primeira perda de alguém realmente amado.

A lembrança mais forte que tenho é dos adultos chorando ao lado da cozinha. Sim, ao lado da cozinha, misturando lágrima, lembrança e o cheiro algo mágico das mais doces delícias. E foi exatamente como deveria ter sido.

Mas não foi o fim, porque a presença é algo que não se interrompe com algo tão bobo quanto a morte. Maria Neves existiu no jeito aparentemente sóbrio e intensamente alegre de minha Tia Avó Ilka. Maria Neves existe na vitalidade imensa, nos quitutes divinos e no amor que não mede palavras da minha Tia Rosa. Maria Neves para mim sempre existirá no cuidado que move céus e mundo de minha mãe Wanda.

Serei eu um pouco Maria Neves? Quem me dera, sou fraco. Mas imagino ainda assim uma cena em que o velho carteiro Jardim se une a um arcanjo mais saidinho e vão os dois juntos, pé ante pé, roubar os doces de figo celestiais que Vovó Maria deixa secando em alguma janela do Éden.

Ela briga, espinafra, mas no fundo então ri. E eles riem também. Mas que fique aqui o aviso, enquanto falamos dos doces de figo, está tudo certo, está tudo bem. Mas se algum anjinho metido, mesmo que seja o tal Gabriel, resolver roubar uma fornada quentinha de biscoitos de Maurilo a coisa muda de figura.

E aí é melhor se prepararem, porque eu não sou Maria Neves, mas vou aí em cima e acabo na hora com essa pouca vergonha.




Direto na têmpora: Just don't love you - Carbon Copies

segunda-feira, dezembro 20, 2010

5 anos

Valha-me, Nosso Senhor, que essa menina faz cinco anos!

Valha-me, Santa Clara, e me dê luz para eu me virar.
Valha-me, São Benedito, e me dê forças para eu me aguentar.
Valha-me, Santo Tomás de Aquino e me dê inteligência para compreender.

São cinco anos, Omolu, Xangô e Oxum! Cinco anos, meu Maomezinho querido. Agora, me diga aí, Buda gordo e sorridente, desde quando cinco anos passam assim, de uma hora pra outra? Desde quando?

Sim, porque eu acredito em tudo nessa vida - gigantes, fadas, saci, boitatá - mas que cinco anos tenham voado assim eu não posso acreditar.

Então eu pergunto a Santa Sophia (meu Deus, que ela me dê sabedoria): "como é que pode meu anjo fazer cinco anos, se ela nasceu foi mesmo outro dia?"




Direto na têmpora: Troublemaker - Weezer

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Blake Edwards

Blake Edwards foi um senhor diretor de cinema. Em termos de comédia, talvez tenha sido o melhor. Dirigiu Bonequinha de Luxo, mas praticamente tudo o que fez de melhor foi junto com outro fenômeno: Peter Sellers.

Tenho em DVD "Um Convidado Bem Trapalhão" e todos os filmes dirigidos por Edwards da série "A Pantera Cor de Rosa". É, junto com os filmes do Monty Python, o que há de mais perfeito para mim em termos de humor.

Se há vida após a morte, Blake Edwards e Peter Sellers estão juntos novamente. Será que alguém aí consegue mandar um streaming do além?



Abaixo segue um videozinho curto contendo um dos ataques-surpresa de Cato ao Inspetor Clouseau. Tem também o que eu já escrevi sobre ele aqui no pastelzinho e esse link com a entrega do Oscar em sua homenagem.







Direto na têmpora: Baby's on fire - Brian Eno

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Homenagem aos amigos, ao Clic, à turminha da Sophia

Eu sou um apaixonado pelo Clic. Se lá Sophia fez grandes amigos e está vivendo anos inesquecíveis da sua vida, eu também encontrei pessoas especiais e aprendi lições importantes como "não vale rir do amigo pelado", entre outras.

Compus essa música para homenagear o Clic, a meninada e todos os amigos que a gente faz para a vida toda. O Barral e a equipe da Neutra gravaram e fizeram o arranjo e eu só não sei quem foram a intérprete e a banda porque o velho Gérson ainda não me passou a ficha técnica

Espero que gostem.






Direto na têmpora: Book of stories - The Drums

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O Mario é doido

Muito difícil iniciar uma conversa sobre o Mario d'Alcântara sem que alguma das partes, em algum momento, declare: "o Mario é doido".

Essa frase pode trazer em si admiração, desdém, inveja, alegria e outros sentimentos, todos com seu algo de verdade. O fato inconteste é que sim, o Mario é doido.

Não fosse doido, não teria inventado de trazer a Belo Horizonte Alex West da Mother e Matt Smith da The Viral Factory mesmo sabendo que o publicitário mineiro infelizmente não costuma valorizar este tipo de iniciativa.

Não fosse doido, não teria repetido a dose e trazido Paula Rizzo, Caio Del Manto e Mario Castelar, além de profissionais bem bacanas de BH em um evento raro que não mereceu a atenção devida.

Não fosse doido, não falaria trezentas mil línguas e nem brigaria com você de manhã de forma quase violenta só para mostrar todo sorridente, poucas horas depois, seu novo livro sobre a arte em azulejos da antiga Mesopotâmia ou coisa do gênero.

Não fosse doido, não trabalharia incansavelmente pelo seu projeto sensacional do Museu da Comunicação enquanto muitos viram as costas.

O Mario d'Alcântara é doido, isso ninguém discute. O que se discute é a falta que fazem mais doidos assim para o nosso mercado.




Direto na têmpora: C'mon - The Soft Pack

quinta-feira, outubro 14, 2010

97 anos

Às vezes a morte é apenas uma formalidade que a vida impõe.

Minha avó Geralda morreu há cerca de 3 horas, aos 97 anos, mas nos últimos dias já não era a minha avó.

Já não era a senhora que comia suspiros com a boca mais boa e fazia a massa de pão de queijo com as próprias mãos.

Já não era a senhora de memória prodigiosa e de uma vaidade doce, beirando a adolescência.

Já não era a senhora que me contava casos e conversava horas e horas sobre qualquer assunto.

Já não era sequer a senhora que, mesmo cega, acompanhava a novela e adorava rir do mal feito.

Não sei o que penso da morte e do que acontece quando nosso corpo já não pode mais continuar. Não sei no que acredito, mas sei o que Dona Geralda merece, e se existe realmente um Deus ela está agora no meio de uma daquelas risadas que a faziam se curvar de tanta alegria.

E, caramba, como eu sinto saudades.


PS - Em janeiro de 2010 eu contei um pouco da história da minha avó Geralda no Pastelzinho. Foi ela mesma quem me ditou e se você quiser ler, está
aqui.




Direto na têmpora: Juicy - Better Than Ezra

segunda-feira, julho 19, 2010

Bodas de rubi

Ok, bodas de rubi é um nomezinho muito brega. Para quem não sabe, a alcunha refere-se à celebração de 40 anos de casamento.

Ontem meus pais comemoraram bodas de rubi e se eu tive uma certeza ao longo da minha vida foi a de que meu pai sempre estaria ao lado da minha mãe e minha mãe ao lado do meu pai.

Quando digo "estar ao lado" não digo simplesmente estar casado ou vivendo na mesma casa. Meu pai e minha mãe sempre conseguiram me passar a sensação de que eu poderia contar com os dois em qualquer situação.

Difícil ver um casal tão diferente e tão apaixonado, tão pronto para dividir sonhos, sacrifícios e encarar mudanças.

Estiveram presentes em minha vida sem serem invasivos. Deram apoio total sem tirarem minha iniciativa ou responsabilidade sobre as ações. Deixaram clara a sua visão de mundo, mas nunca a impuseram a mim.

São duas pessoas completamente diferentes, mas indissoluvelmente unidas por algo maior. São meus pais, que durante tanto tempo estiveram longe e que hoje estão fisicamente presentes novamente na vida da minha filha, minha e da Fernanda.

Parabéns pelos 40 anos de casamento de Nilo e Wanda, que só quiseram ser felizes e acabaram por puro amor se transformando em exemplo.

Amo vocês.




Direto na têmpora: Crushcrushcrush - Paramore