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segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Para Lílian

Resiste, mulher, ao tapa que te explode na face, à agressão que te fere a alma.

Resiste, pois és mulher, e nada para ti será simples, muito menos o amor para o qual viveste uma vida inteira.


Resiste, mulher, à ofensa rasteira, à mentira que queima.

Resiste, pois és mulher, e geraste filhos que te virarão o rosto e fingirão que não mereces ser chamada mãe.


Resiste, mulher, à humilhação rotineira, ao desprezo diário, ao descuido com café, pão e manteiga de toda manhã.

Resiste, pois és mulher, e tens o nome de Lílian, que quer dizer pura, inocente.

Mas quando resistes, mulher, inventas para ti mesma um outro nome que grito aqui: coragem! Coragem! Coragem!



PS - Minha homenagem à Lílian, que está ao nosso lado há quase 10 anos e cuja resignação e súbita coragem para enfrentar a violência doméstica nos fazem querer ser melhores.





Direto na têmpora: We're In Yr Corner - Cornershop

quarta-feira, outubro 27, 2010

Prova isso

Estava conversando com Madame Carmita Almeida e ela se lembrou de como as pessoas do interior têm mais leveza com a tragédia.

No interior, pelo menos em Minas, sempre tem uns casos assim:

- Deca, o Julinho de Neuza levou uma chifrada de vaca e tá todo aberto ali na beira da estrada.


- É mesmo? Noooooossinhora... vou lá ver como é que ele tá.

E pronto, lá se vão as comadres olhar o rapaz agonizante com a maior calma do mundo. É o que eu chamo de dividir o horror.

Sem querer ser preconceituoso (e acho que até já falei disso antes), mas mulheres também têm um pouco disso quando o assunto é comida, por exemplo.

Um homem prova algo ruim e, com toda tranquilidade, exclama:

- Essa merda tá estragada, vou jogar essa porra fora.

Já a mulher costuma seguir outra linha:

- Credo, isso tá horrível... prova aqui, amor, para você ver como está péssimo.

Para as mulheres, dividir o horror também é uma prova de carinho.




Direto na têmpora: Second hand news - Mates of State

quinta-feira, agosto 07, 2008

Rojas e Possanzini

O vídeo é longo e em espanhol. Foi meu pai quem mandou por email e eu resolvi postar porque lembra, em certa medida, a história de minha bisavó, Augusta Possanzini.

Minha bisa tinha um filho, Osvaldo, internado no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha e, toda semana, levava sacolas com frutas, revistas, comidas. Assim foi durante anos, mesmo bastante velhinha. O peso era tão grande que, quando morreu, minha bisavó tinha as palmas das mãos deformadas, viradas para fora.



O mundo está cheio de senhoras Margarita Rojas e Augusta Possanzini. E elas ainda são poucas.




Direto na têmpora: 1, 2, 3 - Camille

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Orgasmatron

Acaba de sair a notícia sobre um implante que pode levar as mulheres ao orgasmo simplesmente apertando um botão. Parece meio Barbarella, mas a notícia tem jeito de ser verdadeira.

Fico feliz pelas mulheres, de verdade, parabéns a todas, mas me sinto a cada dia mais inútil. Se bem que, como está em algum livro do Veríssimo, a única coisa para a qual as mulheres precisam dos homens é para abrir vidro de azeitona emperrado.

Sendo assim, recolho-me à minha insignificância masculina, vou ali comer um torresmo, beber uma pinga e já volto.




Direto na têmpora: It ain't me, babe - Bob Dylan