quinta-feira, dezembro 30, 2010

Outro começo

Das pontas dos cabelos caíam gotas frias de suor. A respiração ofegante se acalmava com lentidão. Limpou o rosto com as duas mãos e apertou os olhos para encarar as luzes brilhantes.

Colocou a coluna reta, mexeu levemente os braços e puxou forte o ar.

Como um murro, os acordes vibraram em seus ouvidos. Deu um salto. Exausto, mas cheio de vida, começava a dançar a próxima música.




Direto na têmpora: That man - Caro Emerald

quarta-feira, dezembro 29, 2010

O último Foundphotos (de 2010?)


Homenagem a Pablo Fuentes, inventor do auto-exame de próstata.





O recorde de maior número de flores artificiais em um único traje foi conquistado por Lucy Wortz, em 1960. A família, no entanto, nega.




Foto tirada logo antes da mudança de Minnie Williams e seu filho Bert para a nova casa. Durante a tragédia que ocorreu logo depois eles juram ter ouvido a voz de uma senhora idosa sussurrar: "essa é a minha casa... essa sempre será minha casa".




Direto na têmpora: Alice practice - Crystal Castles

terça-feira, dezembro 28, 2010

7 bilhões de pessoas

O mundo terá 7 bilhões de pessoas em 2011 e a National Geographic fez um filminho bem legal sobre isso. Saca só.


7 Billion, National Geographic Magazine from Jamie Lee Godfrey on Vimeo.





Direto na têmpora: The fleecing - Pedro The Lion

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Sophia solidária

Sophia deu um show na hora de doar seus brinquedos usados. Foi desprendida, consciente e está dando mais valor a tudo o que ganhou de aniversário e Natal.

A coisa estava indo tão bem que resolvemos abrir o cofrinho dela, contar as moedas e comprar mais alguma coisinha. Ela me ajudou a contar o dinheiro, encheu um saquinho e fomos à loja de brinquedos.

Quando Fernanda estava pagando, sentiu Sophia puxando sua blusa e tentando chamar sua atenção, mas como estava ocupada, custou um pouco a atender. Quando olhou, Sophia estava em prantos.

- Que foi, Sophia, você machucou?

- Mamãe, a moça está pegando todas as minhas moedinhas! Todas, mamãe, eu vou ficar sem nada...


Peguei minha Sophia no colo e tentei explicar que comprar é isso: a gente dá o dinheiro e pega alguma coisa em troca.

E ela lá, chorando, inconsolável.




Direto na têmpora: Song to the siren - This Mortal Coil

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Mucho thank you

Último dia de Pastelzinho antes do Natal. Queria agradecer a quem leu, indicou, participou, comentou ou simplesmente passou por aqui de vez em quando.

Agradecer a Sophia e Fernanda por mais motivos do que eu posso dizer. Agradecer à família e aos amigos por outros motivos tantos.

Agradecer pelo trabalho na TOM e por todos os parceiros, clientes e fornecedores bacanas com quem tive contato. Não dá pra citar nomes pelo medo de esquecer algum, mas esses caras sabem quem são.

Agradecer por ter sido um ano com mais conquistas do que perdas, agradecer ao Instituto Alfa e Beto e à Argvmentvm Editora por terem me dado a oportunidade de lançar meus três primeiros livros infantis (em 2011 vem mais, se Deus quiser).

Agradecer também às crianças da Escola Municipal de Educação Básica Vital Brasil, de São Bernardo do Campo, que junto com a Camila Asato usaram seu tempo para agradecer pelos livros Todas as Estrelas do Mundo que enviamos para lá (valeu, Argvmentvm).

No caso delas, como na maioria dos casos, as pessoas que me agradecem por algo são aquelas que merecem os maiores agradecimentos.

É isso. Um Feliz Natal e até dia 27.




Direto na têmpora: Move this - Technotronic

quarta-feira, dezembro 22, 2010

10 coisas que eu NÃO desejo para você em 2011

1) Gente que entra no elevador sem esperar quem vai sair.

2) Chorar sem ter um ombro do lado.

3) Qualquer tipo de contato com a BHTrans.

4) O fim de algum amor.

5) O começo de alguma dor.

6) Marasmo / conformismo / rotina.

7) Comida sem gosto.

8) Trabalho sem prazer.

9) Coisas intermináveis (que é um negócio muito diferente de "coisas infinitas", que fique claro).

10) Privar-se de dizer o que precisa ser dito (bom ou ruim) e de ouvir o que precisa ser ouvido (idem).




Direto na têmpora: Beautiful feeling - PJ Harvey

terça-feira, dezembro 21, 2010

Videozinho pra não passar em branco o dia

Musiquinha bacana e filmezinho simples, mas divertido.



Friends from Jake on Vimeo.




Direto na têmpora: Burning - The Whitest Boy Alive

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Bababumba

Esse caso é mais antigo, mas acho que nunca contei aqui, então vamos lá.

Estava com Sophia parando em alguma rua do Sion quando uma mulher que estava parada no sinal, vendo que eu colocava a pequena no carro, arrancou e, em alta velocidade, quase me atropelou. Na hora não pensei em nada e gritei a plenos pulmões:

- Ô, vagabunda!

Sophia se assustou um pouco, mas sabiamente ficou quietinha. Alguns minutos depois, já dentro do carro, a baixinha pergunta:

- Papai, o que é bababumba?

E eu, segurando o riso:


- Bababumba é o nome de uma amiga do papai, Sophia. Ela passou e aí eu chamei "ô, Bababumba".

Pronto, resolvido e acho que ela até acreditou.




Direto na têmpora: Running to stand still - U2

5 anos

Valha-me, Nosso Senhor, que essa menina faz cinco anos!

Valha-me, Santa Clara, e me dê luz para eu me virar.
Valha-me, São Benedito, e me dê forças para eu me aguentar.
Valha-me, Santo Tomás de Aquino e me dê inteligência para compreender.

São cinco anos, Omolu, Xangô e Oxum! Cinco anos, meu Maomezinho querido. Agora, me diga aí, Buda gordo e sorridente, desde quando cinco anos passam assim, de uma hora pra outra? Desde quando?

Sim, porque eu acredito em tudo nessa vida - gigantes, fadas, saci, boitatá - mas que cinco anos tenham voado assim eu não posso acreditar.

Então eu pergunto a Santa Sophia (meu Deus, que ela me dê sabedoria): "como é que pode meu anjo fazer cinco anos, se ela nasceu foi mesmo outro dia?"




Direto na têmpora: Troublemaker - Weezer

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Semente

Na cidade dos sem-paladar

Existe a mais gostosa semente

Tem sabor de céu e de ar

Mas consome a língua da gente




Direto na têmpora: Sunday morning wednesday night - Spoon

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Blake Edwards

Blake Edwards foi um senhor diretor de cinema. Em termos de comédia, talvez tenha sido o melhor. Dirigiu Bonequinha de Luxo, mas praticamente tudo o que fez de melhor foi junto com outro fenômeno: Peter Sellers.

Tenho em DVD "Um Convidado Bem Trapalhão" e todos os filmes dirigidos por Edwards da série "A Pantera Cor de Rosa". É, junto com os filmes do Monty Python, o que há de mais perfeito para mim em termos de humor.

Se há vida após a morte, Blake Edwards e Peter Sellers estão juntos novamente. Será que alguém aí consegue mandar um streaming do além?



Abaixo segue um videozinho curto contendo um dos ataques-surpresa de Cato ao Inspetor Clouseau. Tem também o que eu já escrevi sobre ele aqui no pastelzinho e esse link com a entrega do Oscar em sua homenagem.







Direto na têmpora: Baby's on fire - Brian Eno

Reclamando e achando bom

Eu sou um velho resmungão. Eu reclamo de tudo, da BHTrans e das reuniões com clientes; do Santander e das chuvas de fim de ano.

Reclamo porque é gostoso reclamar, porque faz mal guardar indignações e, principalmente, porque reclamar me faz bem ao humor.

Meu querido Paulo Emílio da Brókolis veio me perguntar outro dia se eu nunca fico puto e já faz alguns anos o Vinicius Kamei perguntou ao meu irmão se ele já tinha me visto triste. Ah, como são tolos. Fico muito puto e fico muito triste, talvez mais do que deveria.

Mas sabe de uma coisa? Passa.

Passa porque tudo tem que passar, porque o mundo gira, porque tem coisas melhores e maiores esperando agora mesmo por cada um de nós.

Eu não tenho problemas em ser um velho resmungão, mas eu teria problemas demais em ser um velho infeliz e cheio de mágoas escondidas.




Direto na têmpora: Funplex - The B-52's

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Feliz 2011





Direto na têmpora: Sweet Misery Blues - Violent Femmes

terça-feira, dezembro 14, 2010

Falando pela frente

Outro dia estava dando uma lição de moral qualquer na Sophia e ela respondeu contrariada.

- Papai, eu não gosto que falem de mim na minha frente, tá!




Direto na têmpora: Publish my love - Rogue Wave

Rimarinhas à venda

Pessoal, sábado pela manhã estarei vendendo meus livros Rimarinhas (e também o Estranhas Histórias e Todas as Estrelas do Mundo para quem se interessar) na Praça da Liberdade, ao lado do coreto.

O Rimarinhas foi meu primeiro livro publicado, mas o Instituto A&B, por ser uma ONG, não comercializou o material para o público final, mas apenas para escolas.

Minha amiga Juliana Cabral conseguiu algumas unidades e convido todos vocês a participarem e comprarem.


O quê: livro RIMARINHAS do Tio Maurilo com direito a autógrafo.

Quanto: 20,00 + brinquedo a ser doado para a creche Morada Nova.

Onde: Praça da Liberdade, ao lado do coreto.

Quando: Sábado, dia 18 de dezembro, de 10h às 12h.




Direto na têmpora: Little things - Pomplamoose

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Referência de trem bão

Outro dia fomos dormir, por motivo de dedetização, na casa dos meus pais. Ficamos no mesmo quarto eu, Fernanda e Sophia.

Na manhã seguinte, perguntamos se a baixinha tinha gostado e a resposta não poderia ter sido melhor.

- Gostei. Parece que a gente dormiu em Ouro Preto, né?


E acreditem, para ela é difícil um elogio maior do que esse.




Direto na têmpora: No sex in the champagne room - Chris Rock

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Homenagem aos amigos, ao Clic, à turminha da Sophia

Eu sou um apaixonado pelo Clic. Se lá Sophia fez grandes amigos e está vivendo anos inesquecíveis da sua vida, eu também encontrei pessoas especiais e aprendi lições importantes como "não vale rir do amigo pelado", entre outras.

Compus essa música para homenagear o Clic, a meninada e todos os amigos que a gente faz para a vida toda. O Barral e a equipe da Neutra gravaram e fizeram o arranjo e eu só não sei quem foram a intérprete e a banda porque o velho Gérson ainda não me passou a ficha técnica

Espero que gostem.






Direto na têmpora: Book of stories - The Drums

Animaçãozinha de sexta

Como já está virando tradição, olha aí a animaçãozinha (curta e divertidíssima) de sexta-feira. Ok, duas.



Flawful victory. from ak on Vimeo.



Docteur Tom . Smiley from Emmanuelle Walker on Vimeo.





Direto na têmpora: Oh be one - Oh no! Oh my!

Pastelistas juramentados

Hoje, antes da 9h da manhã, recebi uma ligação de Sandra Sakamoto, uma leitora do Pastelzinho que telefonou para agradecer os livros que enviei para ela e mandar um beijo para Fernanda e Sophia.

Ontem na hora do almoço uma mãe de trigêmeas me parou na rua para dizer que lê o Pastelzinho por indicação de sua irmã que mora nos EUA e aproveitou para dizer que adora a Sophia.

Anteontem eu estava la Lagoa Seca do Belvedere quando uma moça que corria, acenou e disse: "Oi, Sophia".

Esse tipo de contato com gente que não é do nosso cotidiano físico é das coisas mais gratificantes que o mundo virtual pode oferecer. É simpatia sincera, é conexão verdadeira que se dá por algum motivo que eu não sei explicar.

Nem sempre eu gosto do que escrevo, nem sempre eu gosto de como escrevo, mas não há dia em que eu não agradeça a oportunidade de criar alguma forma de contato com pessoas que de outra maneira eu não conheceria. E, às vezes, basta um gesto aparentemente comum como esses três que eu citei para que a gente ganhe o dia.

Obrigado a todos vocês. De verdade.




Direto na têmpora: Everybody, come outside! - Pomegranates

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Piada

Sophia aprendeu uma piada, me contou e pediu pra eu colocar no Pastelzinho.

- Papai, por que é que a manga cai da árvore?

- Não sei, Sophia.

- Porque ela não tem escada pra descer.


=)











Direto na têmpora: Groove me - Maximum Balloon

terça-feira, dezembro 07, 2010

Imeginaudepipou

Imagine que você é uma empresa de trânsito. Um órgão comprovadamente ineficaz e o braço mais incompetente da prefeitura de uma grande capital brasileira.

Agora, imagine que na sua vontade absurda de fazer dinheiro a qualquer custo sem se importar com as pessoas, você tenha distribuído placas de estacionamento rotativo pelos locais mais variados e sem a menor necessidade.

Continue imaginando e suponha que uma corporação verdadeiramente útil ao povo esteja localizada em uma dessas vias que você despreocupadamente fodeu.

Não pare agora, imagine que essa corporação percebeu a maldade e a burrice por trás da coisa e saiu em defesa de seus funcionários (afinal de contas, ao contrário de você, essas pessoas trabalham de verdade e não estão simplesmente preocupados em encher os cofres).

Só pra finalizar, imagine que a corporação fez valer a sua superioridade clara sobre você e te fez arregar, mas arregar bonito. Você não apenas teve que trocar as placas de rotativo, mas arrancá-las e liberar o estacionamento no trecho da rua como era antes.

Imaginou? Pois é, eu estava aqui do lado vendo isso tudo e morrendo de rir.

Eu sei, pouco importa, você vai continuar fazendo as coisas do seu jeito sem se preocupar com a população, mas fica aqui minha mensagem por essa breve e fugaz vingancinha: chupa empresinha de trânsito picareta!




Direto na têmpora: I need a dollar - Aloe Blacc

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O Mario é doido

Muito difícil iniciar uma conversa sobre o Mario d'Alcântara sem que alguma das partes, em algum momento, declare: "o Mario é doido".

Essa frase pode trazer em si admiração, desdém, inveja, alegria e outros sentimentos, todos com seu algo de verdade. O fato inconteste é que sim, o Mario é doido.

Não fosse doido, não teria inventado de trazer a Belo Horizonte Alex West da Mother e Matt Smith da The Viral Factory mesmo sabendo que o publicitário mineiro infelizmente não costuma valorizar este tipo de iniciativa.

Não fosse doido, não teria repetido a dose e trazido Paula Rizzo, Caio Del Manto e Mario Castelar, além de profissionais bem bacanas de BH em um evento raro que não mereceu a atenção devida.

Não fosse doido, não falaria trezentas mil línguas e nem brigaria com você de manhã de forma quase violenta só para mostrar todo sorridente, poucas horas depois, seu novo livro sobre a arte em azulejos da antiga Mesopotâmia ou coisa do gênero.

Não fosse doido, não trabalharia incansavelmente pelo seu projeto sensacional do Museu da Comunicação enquanto muitos viram as costas.

O Mario d'Alcântara é doido, isso ninguém discute. O que se discute é a falta que fazem mais doidos assim para o nosso mercado.




Direto na têmpora: C'mon - The Soft Pack

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Sextinha braba

Em uma sexta de muito trabalho e pouca inspiração, um puta filminho pra vocês. DE verdade. Lindo mesmo. Confere aí.


Second Wind from Ian Worrel on Vimeo.





Direto na têmpora: The general specific - Band of Horses

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Coisinha de nada

De cima da árvore ainda ouviu a mãe gritar "desce daí, menino", mas não se deteve e esticou os braços para alcançar a manga que era sua missão.

Arrancou a fruta do galho fino e a apertou forte junto ao peito enquanto caía e sentia seu corpo se chocar surdamente contra o chão de terra batida.

Assim que recuperou o ar, sentiu o gosto de sangue na boca. A mãe estava vermelha, com o rosto colado ao seu e gritando algo que ele não escutava.

Tentou mexer os braços. Nada.

Viu a manga rolar lentamente pelo pó do terreiro e, com o canto dos olhos, percebeu as mãos finas e escuras que a recolhiam.

A menina de boca imensa e maçãs do rosto saltadas tirou um pedaço da casca e mordeu com volúpia, deixando escorrer o caldo amarelo por seu pescoço. Com um sorriso curto, acenou para o corpo imóvel do garoto e saiu do seu campo de visão enquanto pulava o muro de volta para casa.

- Pai, trouxe a manga. Tá uma delícia.





Direto na têmpora: Happy, happy, joy, joy - Ren & Stimpy

quarta-feira, dezembro 01, 2010

10 pequenas intolerâncias cotidianas

Não tolero:


1) Gente que abraça como se não quisesse abraçar (válido também para apertos de mão).

2) Fanfarrões que vivem para dizer "proativo", "multitarefa" e "quebra de paradigma".

3) Figuras que pregam a salvação do planeta e se esquecem de ajudar pessoas.

4) Aqueles que perguntam quanto você ganha (a não ser que seja pra fazer proposta de emprego).

5) Qualquer um que não saiba agradecer, dar crédito ou reconhecer o valor dos outros.

6) Vizinhos do andar de cima que já acordam de salto alto ou tamanco.

7) Clientes "criativos".

8) Pão-duros em geral.

9) Fulanos que atendem celular no cinema.

10) Criaturas que usam o argumento "todo mundo faz assim".




Direto na têmpora: Hovering - Beulah

Receita de amor

Love Recipe from Amstudio.fr on Vimeo.





Direto na têmpora: Unnatural selection - Muse

terça-feira, novembro 30, 2010

João Ganhão

João Ganhão era um menino que não sabia perder.

No futebol, na bolinha de gude, no par ou ímpar, até mesmo na sala de aula, bastava alguém fazer alguma coisa melhor do que ele que o João Ganhão ficava louco e saía gritando, brigando, com raiva de todo mundo.

Por conta desse jeito esquisito, ele ficava cada vez mais sozinho. Também, quem ia querer brincar com um menino que não aceitava perder?

Pensando bem, era mesmo muito triste: ele que só queria ganhar acabava perdendo amigos, perdendo a diversão, perdendo a cabeça, perdendo a razão.

Mas tinha jeito de explicar isso pro João Ganhão? Não tinha. Era só alguém começar a falar que ele explodia:

- Vocês falam isso só pra ganharem de mim, mas eu sou o melhor em tudo, viu? EU SOU O MELHOR EM TUDO!!!

E a pessoa, pra ñao acabar brigando, ficava quieta e se afastava.

Só que um dia aconteceu uma coisa (e como acontece coisa nessa vida) que pegou o João Ganhão de surpresa. Apareceu na sala a menina mais linda que ele já tinha visto. Era uma menina moreninha, bem sorridente, dos cabelos cacheados e do narizinho bonitinho.

Assim que ele olhou pra ela, teve um frio na barriga e ficou vermelho, vermelho. Daquele dia em diante, tudo o que ele queria fazer era impressionar a garota.

Só que o único jeito que o João Ganhão conhecia para impressionar os outros era ganhando.

Por isso, se ela começava a caminhar para a fila da lanchonete, ele corria e entrava na frente. Se ela ia responder a uma pergunta na aula, ele levantava e respondia antes. Se ela estava jogando queimada ou vôlei ou brincando de pique-pega o João Ganhão entrava no meio e saía avacalhando tudo, tentando vencer de qualquer jeito.

E quanto mais ele se esforçava, mais distante dele a menina ficava.

Um dia o jardineiro da escola, que vinha reparando o João Ganhnao e a menina há muito tempo, chamou ele pra conversar.

- Tá triste, João?

- É... um pouquinho.

- Mas por quê? Eu tenho olhado você e nunca vi você ganhar tanto aqui na escola. Todo jogo que começa você vai lá e ganha. Não é disso que você gosta?


O João Ganhão, que não sabia o que responder ficou calado e olhando pro nada. Até que de repente apareceu lá longe a menininha linda e ele ficou vermelho na hora.

O jardineiro percebeu e então falou:

- Olha, João, eu vou te dar uma dica. Sabia que às vezes a gente acha que está ganhando, mas na verdade está é perdendo feio?


O menino olhou pra ele sem entender.

- Ó, por exemplo, tá vendo aquela menininha ali?


João abaixou os olhos sem graça.

- Pois é, quando ela chegou na escola, ela era louca por você, sabia? Todo mundo notava como ela olhava pra você. Pra falar a verdade, eu nunca vi ninguem tão apaixonado assim, sabia? Mas aí, o tempo foi passando e ela mudou, não mudou?

João abaixou a cabeça ainda mais.

- Pois é, será que pra ela nem tudo precisa ser uma briga, uma competição, uma disputa?

João Ganhão olhou pro jardineiro e saiu sem falar nada. Trancou-se no banheiro e alguns colegas juram que ouviram ele chorar até cansar.

No dia seguinte, a menininha estava chegando na fila do lanche e lá veio o João Ganhão correndo. Ela se encolheu toda e já estava pensando como aquele menino era mal educado quando ele parou, fez um sinal com o braço e deixou ela passar na frente dele.

- Tem certeza? - perguntou a menininha linda.

- Tenho - respondeu João - pode ficar na minha frente. Eu nem ligo de ficar em segundo...
Foi uma surpresa para todos. O João Ganhão mudou! Continuava disputando jogos, brincando, mas nem se importava mais com o resultado. Agora ele se divertia muito mais e a turma toda gostava dele outra vez. Até namorada (você sabem quem, né?) o João Ganhão arranjou.

E a partir daquele dia, o João Ganhão passou a ser só João. Um menino bacana, feliz, cheio de amigos que descobriu que quando a gente aprende a perder, a gente só tem a ganhar.




Direto na têmpora: Mimizan - Beirut

segunda-feira, novembro 29, 2010

Doce de figo

Você sabe que um doce é bom quando ele desperta a cobiça e leva ao crime. Minha bisavó Maria Neves foi uma das maiores doceiras de Ouro Preto, além de ser minha madrinha e fazer os famosos (na família) "biscoitos de Maurilo".

Mas o que fazia a fama da minha bisavó mesmo era o doce de figo. Sequinhos por fora e molhadinhos por dentro os doces de figo da vovó Maria eram realmente um caso de polícia.

A coisa era tão séria que quando ela colocava os doces para secar na janela estudantes, vizinhos e até mesmo um carteiro chamado Sr. Jardim não resistiam e roubavam alguns.

Falei isso tudo porque hoje já me aconteceram duas ou três coisas que me encheram bastante o saco e eu daria tudo - ou quase tudo - por uma caixa de doces de figo feitos por Dona Maria Neves para me ajudar a passar a tarde.

Se eu tento resolver minha ansiedade com doces? Hell yeah!




Direto na têmpora: Costume party - Two Door Cinema Club

sexta-feira, novembro 26, 2010

Mais uma leva

Olha só, a minha parte havia se esgotado, mas consegui com a editora mais uma leva dos meus livros (ilustrados pelo Rogério Fernandes) Estranhas Histórias e Todas as Estrelas do Mundo.

Para quem não conhece, são livros infantis que você encontra em Belo Horizonte na livraria Corre Cutia, na Mineiriana, Quixote, Scriptum e Leitura e no Brasil todo pelos sites da Livraria Cultura, Livraria da Travessa e Argvmentvm.

Pois bem, tenho alguns exemplares comigo e vendendo pelo preço promocional de R$ 20,00 (vinte reais), além da dedicatória, é claro.

Se quiserem comprar os livros, comentem aqui ou mandem email para mauriloandreas@gmail.com.




Direto na têmpora: Come out to play - UB40

Cartões de natal

A primeira peça publicitária que eu fiz foi um catálogo para leilão de gado pardo-suíço. O cliente era o pai de um colega de turma na faculdade que, obviamente, era também o meu dupla na empreitada.

Como profissional (não vale estagiário), meu primeiro trabalho foi um cartão de natal para uma construtora. E depois dele, vieram centenas de outros cartões para dezenas de outras empresas.

A verdade é que cartões de natal sempre vão fazer parte da vida de um redator e de um diretor de arte. Vai chegando novembro e eles começam a aparecer. Briefings semelhantes, prazos reduzidos e você louco pra poder se dedicar ao megajob com mídia nacional em tv, mas preso por aquela pecinha que normalmente vai pro lixo assim que é recebida.

Por isso, se você está começando em publicidade, fica a dica: prepare-se. Principalmente nos primeiros anos, para cada campanha legal na sua pauta vão existir 10 cartões de natal e mais 10 folhetinhos.

Parece ruim, mas a verdade é que fazer cada um deles bem feito é o que vai trazer mais campanhas legais para você. Um dos maiores elogios que recebi foi de uma Diretora de Criação (grande agência de BH) que disse "o bacana é que você sempre tira alguma coisa legal para um pit que ninguém dava nada por ele".

E a partir daí eu ganhei confiança para fazer coisas cada vez maiores e melhores.




Direto na têmpora: Bye Bye Bayou - LCD Soundsystem

quinta-feira, novembro 25, 2010

Repost

Meu pai achou esse textinho que fiz há muito tempo e resolvi repostar pra quem não conhece.


Aos pais.

O milagre se fez carne em tua barriga.
Em breve irá chorar.
Trará consigo fezes, urina e a imensa esperança de que sejamos melhores do que até hoje ousamos ser.
Nos provará frágeis e assim nos tornará gigantes.
De fruto far-se-á árvore.
E desse milagre brotaremos.
Novos, outros, nós.





Direto na têmpora: Nine in the afternoon - Panic! At The Disco

Mostre sua paixão

A vantagem de ter um blog é poder se vender como alguém melhor do que se é.

Eu não falo aqui que às vezes perco a paciência com a Sophia, que de vez em quando sou uma besta no trânsito, que já fiz muita cagada, que trato algumas pessoas pior do que elas merecem.

Ainda assim, o blog também é uma forma de falar sobre as coisas que me apaixonam. Eu adoro poder escrever sobre as coisas que me fazem feliz e fico extremamente satisfeito quando percebo que isso toca outras pessoas também, mesmo que elas discordem. A discordância não me incomoda, eu acho o debate uma das melhores coisas já adotadas pelo ser humano, já a indiferença me preocupa.

É lógico que todo mundo é indiferente a algo, mas eu desconfio muito de quem vive sem uma grande paixão, seja ela qual for. Quem não se move, quem não se envolve, quem não se expressa não impacta, não transforma, não se relaciona de verdade.

Prefiro mil vezes o lobo ao cordeiro. Mesmo a pior ação traz em si o benefício de gerar uma reação positiva em sentido oposto.

Talvez sua paixão não tenha nada a ver com a minha, talvez ela inclusive me irrite, mas pode estar certo de uma coisa: eu respeito muito mais você por acreditar firmemente em algo do que eu faria se você fosse um mosca-morta.

Pra fechar, se eu posso dar um conselho, não tenha medo de falar, de demonstrar, de investir nas coisas que realmente importam para você. Foda-se se perder amigos no Facebook, seguidores no Twitter, leitores no blog.

Viva o que você curte e, de um jeito ou de outro, você vai acabar encontrando gente que se interessa pelas mesmas coisas que você. Essa é a experiência, isso é o que vale a pena.




Direto na têmpora: St. Petersburg - Supergrass

quarta-feira, novembro 24, 2010

Fessô

Estou dando aulas de redação publicitária e redação em meios digitais na Faculdade Promove de Sete Lagoas para o quinto e sexto períodos. É minha segunda experiência como professor e curto demais a atividade, mesmo não sabendo se poderei continuar no próximo semestre.

E o mais engraçado de ser professor é como a gente a gente já percebe se está impactando aquelas pessoas ou não e consegue sacar que tipo de profissional eles tendem a ser.

Sempre tem aquele que acha que sabe tudo e que se imagina melhor do que o curso, os professores, os colegas, enfim, o universo em geral. Esse vai sofrer muito.

Sempre tem os esforçados que ralam o dia inteiro e ainda quererm fazer o seu melhor e não apenas pegar o diploma. Esse também vai sofrer muito, mas tem mais chance de se dar bem.

O fato é que independente do perfil, é legal ver gente investindo na formação, às vezes com dificuldade, para atuar bem em uma área que está vivendo uma mudança profunda e onde o diploma e a experiência do profissional são cada vez menos valorizados.

É bom também saber que, dentro das minhas limitações, essa é uma forma de contribuir para que esses caras tenham uma vida mais bacana e para que nossa profissão ganhe publicitários melhores.

Tomara que eu esteja ajudando mais do que atrapalhando.




Direto na têmpora: Your song - Ellie Goulding

terça-feira, novembro 23, 2010

Cócegas e passáros

Morro de cócegas no pescoço. Ontem, Sophia estava me atacando e ficamos os dois rindo um bom tempo até que ela falou:

- Ai, papai, você sente muita cosquinha...

- Sinto mesmo, Sosô.

- Ai, ai... e tem aquele país que chama Escócegas, né?

Juro que é verdade e demorei pelo menos uns dez minutos pra parar de rir.


__//__


Sophia ama a música Passaredo do Chico Buarque. Ela presta muita atenção à letra e hoje veio me explicar.

- No começo o cantor tá alegre e falando com os passarinhos, mas aí o homem chega e ele fica sério falando pra eles fugirem... mas por que é pra fugir do homem?

- Ah, filha, o homem corta as árvores onde eles moram, prende na gaiola, atira com espingardinha de chumbinho...

- Mas os passarinhos não deviam fugir. Eles deviam gritar bem alto e ficarem juntos pra bicar o peito dos homens... e o bililiu também. 

Ela então para pra pensar um pouco e me pergunta:

- Bicada no bililiu dói muito?



Pra quem não conhece a música, tá aí.




Direto na têmpora: Do your thing - Basement Jaxx

Novos projetos

Projetinho novo que vem por aí com a fotógrafa Kika Antunes. Aguardem.






Direto na têmpora: The sun was high (so was I) - Best Coast

segunda-feira, novembro 22, 2010

Briga feia e reconciliação

Ontem eu e Sophia tivemos uma briga feia e que rendeu a ela bons momentyos no castigo. Só sei que foi durante o jogo Palmeiras e Atlético e ela, no meio de um acesso de raiva despejou uma chuva de impropérios sobre mim.

- Você é o pai mais chato do mundo! E quer saber? Você nem torce pro Galo... você torce pro Cruzeiro! Cruzeirense! Aaaaarrrrrrrggghhhhh!

Óbvio que ela foi pro quarto pensar muito depois dessa (não por causa do "cruzeirense", mas da cena em geral).

Só que Sophia é como eu e nela o ódio mortal nunca dura mais do que meia hora. Fizemos as pazes, ela chegou à janela e conversou comigo.

- Papai, aqui na cidade nem tem estrela cadente, né? Só na fazenda.

- Aqui tem também, Sophia, mas como tem muita luz na cidade e o céu tá cheio de nuvens, fica difícil de ver. Mas lá em cima elas continuam passando.

- Então você me ajuda a fazer um pedido?

- Ajudo. 
 
Ela fez o pedido dela em silêncio e depois falou:

- Você quer fazer um pedido também, papai?

- Quero.

- Então tampa bem a boquinha e fala baixinho pra eu não ouvir, tá?

Pedidos feitos, lá vamos nós.

- Papai, quer saber o que eu pedi?

- Quero.

- Eu pedi pra ser a menina mais boazinha do mundo pra gente não brigar mais...

Corta para pai abraçando a filha e afundando o rosto nos cachinhos dela para esconder as lágrimas.




 Direto na têmpora: Without your love - Roger Daltrey

sexta-feira, novembro 19, 2010

Serra dourada

O cara tem uma empreiteira e resolve dar o nome de Serra Dourada. Legal, idílico, ecológico, superbacana.

Aí ele resolve fazer a marca e escolhe como símbolo sabe o quê? Uma serra, mas não a que você está pensando.






Direto na têmpora: Barcelona loves you - I'm From Barcelona

quinta-feira, novembro 18, 2010

Vergonha zero

- Papai, você tá na agência?


- Não, filhinha, tô dando aula.


- A meninada tá fazendo muita bagunça aí?


- Tá. Mas não é meninada, não, Sophia, eles são maiores do que você.


- Eles são adultos?


- São quase.


- Papai, sabia que eu dormi hoje depois da Yoga?


- Foi, Sophie? E você dormiu muito?


- Dormi e acrescenta com voz de sapeca a mamãe tá perdida.




Direto na têmpora: Caring is creepy - The Shins

quarta-feira, novembro 17, 2010

Monteiro Lobato e os cegos que não querem ver

O aceitável é algo cultural. Há bem pouco tempo era aceitável segregar pessoas pela sua cor. Ainda hoje, excluímos pessoas por sua opção sexual. O tempo muda esses conceitos, ainda bem, mas o que é produzido em determinada época reflete a realidade daquela fatia da história. Não há como aplicar a uma obra do século XII um julgamento de valor baseado em conceito morais atuais. É ridículo, é prepotente, é falso.

Monteiro Lobato é o maior escritor infantil da história do Brasil. Suas obras refletem uma época em que a vida de uma criança ganhava sabor não graças a traquitanas eletrônicas, mas à imaginação, à criatividade, à capacidade de se transportar para mundos e aventuras impossíveis.

Querer proibir Caçadas de Pedrinho nas escolas públicas por causa do caráter racista com que Tia Nastácia é descrita pelo autor e tratada pelos outros personagens é querer negar um momento de nossa história, é revisionismo do pior gosto e é negar aos alunos a possibilidade de discutir a evolução das relações humanas a partir de uma belíssima obra literária.

Se não é função do livro proporcionar questionamento e função do professor intermediar essa percepção do aluno, então já não sei mais para que serve a leitura na escola. Se assim fosse, nunca teria lido Capitães da Areia, afinal, os meninos tentaram estuprar Dora (era Dora mesmo?) e isso não é coisa que se exponha aos alunos, não é verdade? Também nunca teria lido As aventuras de Huckleberry Finn, já que Huck fumava com apenas 13 anos.

É um absurdo questionar, proibir ou demonizar obras literárias em perfeito acordo com sua época simplesmente porque os tempos evoluíram. Não seria melhor propor uma leitura crítica do livro e preparar o professor para estimular o debate e ajudar os alunos a chegarem às suas próprias conclusões?

Enfim, é esse tipo de babaquice que me mata de vergonha e que me dá cada vez mais ódio desse mundinho politicamente correto e sem culhões no qual vivemos.




Direto na têmpora: Numb - U2

terça-feira, novembro 16, 2010

Poemete para os casais

E viver consiste, enfim,

Em cuidar segundo a segundo

E amar para que a morna rotina

Não leve você de mim




Direto na têmpora: Minha mãe me disse - Catapulta

sexta-feira, novembro 12, 2010

Só mesmo pra agradecer

A quem comprou cds, a quem torceu, a quem indicou, a quem vai participar da próxima, o meu muito obrigado. Foram 120 panetones entregues na creche Morada Nova e que irão ajudar a fazer o Natal de 120 famílias um pouquinho melhor.

Dos mais de 230 cds, restaram apenas 11 (que você ainda pode comprar a dois reais escolhendo nessa lista aqui). Além das pessoas que compraram, o Super Nosso deu um desconto para que fosse possível atingir esse total.

Hoje eu fui entregar e, de verdade, tem muito pouca coisa melhor que isso.

Obrigado de novo.


 Empacotando no Super Nosso.



 4 caixas no porta-malas...



 ...e mais 3 no banco de trás do carro.



As caixas já na creche.



E nas mãos de quem faz a diferença de verdade. Ah, o sonzinho portátil também foi doado por nós.




Direto na têmpora: Flakes - The Mystery Jets

Yoga

Há cerca de dois anos a Sophia parou de cochilar à tarde. De lá pra cá ela só dorme à noite e muitíssimo raramente sente falta do repouso vespertino.

Mas agora surgiu uma exceção. Nos dias em que ela faz yoga no Clic, a baixinha fica tão relaxada, tão tranquila, que dorme umas duas horas no meio da tarde.

E mesmo sabendo que isso significa que ela vai estar um furacão à noite, eu acho a coisa mais fofa do mundo.




Direto na têmpora: I'm gonna get stabbed - Glasvegas

quinta-feira, novembro 11, 2010

Forum das Letrinhas

Eu ontem participei do Fórum das Letrinhas em Ouro Preto. O evento foi na Tenda Cultural do Trem da Vale e contou com a presença de quase 100 crianças de quatro escolas.






Estávamos lá eu e Rogério Fernandes para falar sobre o nosso livro Estranhas Histórias quando, antes do bate-papo em si, fomos surpreendidos por uma apresentação dos alunos de artes cências da UFOP que fizeram um sketch com algumas das histórias.






Havíamos preparado uma atividade para as crianças, mas as perguntas foram tantas e a conversa tão boa que não deu tempo. Pela alegria e pela participação da molecada (que já havia recebido, lido e discutido o livro com antecedência em sala de aula) ficou a certeza de que o Fórum das Letrinhas é uma iniciativa maravilhosa, que merece mais apoio por parte dos órgãos públicos e que deveria ser replicado em diversas cidades.

E aproveitando que o assunto é esse, queria aproveitar para agradecer ao pessoal do Fórum e também às meninas da Livraria Corre Cutia que, no último sábado, me proporcionaram uma enorme alegria com o espaço aberto para a minha contação de histórias. Olha aí as fotos.










Direto na têmpora: Young americans - David Bowie

Tati em Belleville

Você assistiu "As bicicletas de Belleville"? Eu assisti e adorei.

Pois agora o Marcus Barão me deu uma dica muito bacana e indicou o trailer do novo filme do diretor Sylvain Chomet e eu vou dividir com vocês.

O filme chama-se L'illusionniste e é baseado em um roteiro do genial Jacques Tati. Quando entrar em cartaz, leve as crianças, vá, aproveite. Sylvain Chomet e Jacques Tati não deve ser nada menos que genial.







Direto na têmpora: I can't find my friends - Missing Children Gang

quarta-feira, novembro 10, 2010

Curto e rápido

Não ia dar pra postar hoje, mas deixo a frase que coloquei nas redes sociais ontem só pra marcar presença.

Pra tudo na minha vida: nao quero ser especialista, quero ser entusiasta.




Direto na têmpora: Forever young - Alphaville

terça-feira, novembro 09, 2010

Ah, os clipes do OK Go

O OK Go é uma banda que tem músicas bem legais na minha opinião. Ainda assim, é indiscutível que os clipes da banda são o verdadeiro lado foda dos caras.

Agora, eles lançaram mais um vídeo simplesmente sensacional e o tio Maurilo divide com vocês. Enjoy!



Last Leaf

OK Go | Myspace Music Videos





Direto na Têmpora: Last leaf - OK Go

Hierarquia

Eu entendo a importância da hierarquia para a sociedade e qualquer instituição funcionarem.

Eu entendo a importância de uma instância superior à qual possamos recorrer no caso de nos sentirmos prejudicados ou injustiçados de alguma forma.

Mas eu ainda acho que quem recorre ao mais alto nível hierárquico antes de tentar resolver algum problema com os seus iguais é mimado. Mimado e incapaz de dialogar, solucinar problemas frente a frente e dar ao outro o direito de argumentação.

A hierarquia é muito importante, mas não deveria nunca virar muleta de covardes.

Ah, e antes que alguém me pergunte, não aconteceu nada comigo que pudsse motivar esse post, foi só mesmo uma reflexão simplória sobre o tema, belê?




Direto na têmpora: All her favorite fruit - Camper Van Beethoven

segunda-feira, novembro 08, 2010

Bruxinha

Eu vi a bruxa na lua cheia
Vassoura torta e verruga feia

Eu vi a bruxa com um único dente
Fazendo feitiços e assustando a gente

Eu vi a bruxa e seu narigão
Mexendo e rindo no seu caldeirão

Eu vi a bruxa no haloween
Olho de sapo e raiz de alecrim

Eu vi a bruxa pedindo doce
Ah, quem me dera uma bruxa eu fosse







Direto na têmpora: I get along - The Libertines

sexta-feira, novembro 05, 2010

Argumento

Faltando menos de uma semana para as eleições recebi um email de um amigo (junto com uma lista enorme de pessoas) em que ele se referia a um instituto de pesquisa que daria empate técnico com Serra ligeiramente à frente.

Achei aquilo estranho, afinal, naquele mesmo dia todos os instituso apontavam uma vitória de Dilma por 10 ou 12 pontos. Vi que o email citava a pesquisa como registrada no TRE e, por falta de detalhes, fui conferir no TRE-MG.

Na verdade, meu objetivo era verificar a veracidade da notícia e ter informações para depois fazer minhas considerações sobre a competência de um instituto que apontava um resultado tão distante do que se configurava e acabou se concretizando como resultado do pleito.

Entrei no TRE-MG e vi que não havia registro. Respondi então ao email do meu amigo dizendo que a pesquisa não estava registrada no TRE-MG e perguntando se não seria no TSE ou outro regional. A réplica do moço foi de "vai tomar no cu" pra baixo.

Não sei se ele repassou a notícia sabendo que era mentira, se achou que o meu questionamento estaria ligado a alguma posição política ou se ele simplesmente não gosta de pensar.

Só sei que essa tem sido uma postura muito comum em quem defende algum tipo de administração. Sabe uma coisa meio "Brasil, ame-o ou deixe-o"? Pois é.

Hoje mesmo recebi um twitter do perfil @TudoporBH que reforça essa postura. Quando se deparam com alguma crítica à administração, não respondem com alguma solução ou admissão de culpa, mas apenas com argumentos como "é maravilhoso servir à nossa capital" e outras baboseiras do gênero.

É impressionante que ainda existam pessoas assim, incapazes de entender que o questionamento e a crítica não significam ódio ou vontade de destruir algo. Às vezes o que se quer com isso é justamente melhorar as coisas ou conhecer o que há por trás do boato.

E assim, vamos fugindo ao debate e nos recolhendo às nossas pequenas e inquestionáveis verdadezinhas pessoais.




Direto na têmpora: She makes me - Queen

quinta-feira, novembro 04, 2010

Animações

Hoje eu vasculhei o Vimeo (que até outro dia eu odiava) atrás de referências de animação e achei duas pérolas. Quem tiver saco pra ver não vai se decepcionar. Enjoy!



A SHORT LOVE STORY IN STOP MOTION from Carlos Lascano on Vimeo.




TODOR & PETRU from CRCR on Vimeo.





Direto na têmpora: Supernothing - Gimp

Médicos, planos de saúde e o meu saco.

Há dois meses agendei uma pequena cirurgia com o dermatologista. Seria para retirar algumas pintas problemáticas na região do pescoço com anestesia local, nada demais.

O procedimento seria amanhã às 16h30 e hoje ao meio-dia a secretária do médico ligou me avisando que ele havia cancelado o contrato com o Bradesco e perguntando se eu gostaria de manter a cirurgia assim mesmo.

Já sabendo da resposta perguntei:

- Sem problema, vai ser de graça, né?

- Não, o convênio não atende mais.

- Isso eu entendi, mas como o procedimento foi marcado há dois meses e só hoje vocês me informaram que não poderia ser feito através do Bradesco, imaginei que até por uma questão ética vocês fariam o procedimento pelo menos com o custo mínimo.

- É... infelizmente, não.


Encerrei com algum tipo de lição de moral em que chamava o médico de antiético, pouco profissional e mercenário, mas tudo com muito bom gosto, é claro.

O fato é que os profissionais de saúde fazem o que bem querem com os pacientes no Brasil. Tempos de espera absurdo nas consultas, exames com hora marcada que atrasam mais de uma hora, cirurgias canceladas sem consulta ou aviso ao cliente, enfim, uma pouca vergonha.

E se você é segurado, pior ainda, porque secretamente o profissional tem ódio de arranjar horário para um pobre coitado como você, sendo que poderia ganhar muito mais recebendo um ricaço que faz no particular.

Mas mesmo passando muita raiva, mesmo querendo dizer o nome do médico aqui e processar o filho de uma gansa até os ovos, ainda me tranquilizo quando penso que poderia ser muito pior. Eu poderia ter que usar o SUS.




Direto na têmpora: You're so dear to me - Breathe Owl Breathe

quarta-feira, novembro 03, 2010

Roupas que vestem a gente por dentro

Eu escrevi, em um dos textos que fiz para o site da bacaníssima loja Gatos Pingados, que "os livros são roupas que vestem a gente por dentro". É o que eu sinto de verdade e, provavelmente por isso, fiquei encantado com a iniciativa da Fundação Itaú Social que está distribuindo 8 milhões de livros.

O processo é genialmente simples. Você acessa este endereço aqui, pede os 4 livros da Coleção Itaú de Livros Infantis e recebe em casa com o compromisso de passar para outras crianças após ler e reler a obra.

Os meus chegaram hoje e estou louco para ler para a Sophia. Como estamos acabando O Pequeno Príncipe (em uma belíssima edição pop-up e com texto integral, da editora Agir), devo demorar ainda um pouquinho para ler os outros, mas a iniciativa do Itaú é de se aplaudir, recomendar e imitar.

Se você ainda não pediu os seus livros, faça-o. Vale muito a pena incentivar o hábito de leitura e ajudar a vestir cada vez mais crianças com roupas bem alegres por dentro.




Direto na têmpora: Ring ring - Sleigh Bells

Cedezêra solidária do Pastelzinho

Lembram que outro dia falei que ia vender alguns cds? Pois é, muitos já foram, mas vou colocar aqui no Pastelzinho uma lista dos que ainda estão disponíveis.

Eu e Fernanda fizemos uma seleção e cada cd está sendo vendido a dois reais. O dinheiro arrecadado será usado para comprar panetones que serão distribuídos antes do Natal para as crianças da creche Morada Nova, no Morro do Papagaio (favela do Santa Lúcia).

Os comentários podem ser feitos aqui no blog, mas quem tiver interesse em algum cd, por favor, mande a sua escolha para mauriloandreas@gmail.com para que eu consiga saber quem pediu antes em caso de coincidências.

Segue abaixo a lista e muito obrigado.



Belly – King

Bettie Serveert – Dust bunnies

The Drovers – World of monsters

ELO - Time

Fourplay – The best of

Great expectations – trilha Sonora

Heavy – trilha sonora

Kirk Whalum – Colors

Noise Addict – Meet the real you

She’s having a baby – trilha sonora

Tori Amos – Scarlet’s walk




Direto na têmpora: James - Camera Obscura

Meu Mozart

Quando Sophia ainda era um bebê, dei pra ela um Mozart de pelúcia que tocava Eine Kleine Nachtmusik quando dávamos corda. Uma dessas coisinhas incríveis que a The Unemployed Philosophers Guild faz e que todo mundo deveria conhecer.

A baixinha adorava. Curtia a música, mordia o nariz e os rolinhos de cabelo do pobre Amadeus, enfim, vivia com ele pela casa.

Pois ontem eu mostrei a Marcha Turca pra Sophia e perguntei:

- Gostou dessa música, Sosophie?


- Gostei.


- Ela é bem legal, né?


- É.


- Sabe quem fez essa música? Um moço chamado Mozart.


E ela, com o maior brilho de orgulho nos olhos.


- É mesmo? O MEU Mozart?



O Mozart da Sophia é igual a esse aí, ó.




Direto na têmpora: Swallow my pride - Ramones

segunda-feira, novembro 01, 2010

Poeminhas monstruosos

O monstro com doze olhos espetaculares

Era entre os monstros o que mais sofria

Tinha astigmatismo em cinco globos oculares

E nos outros sete tinha hipermetropia


__//__


Com mais de dez garras bem afiadinhas

O monstro azul era um pavor de criatura

Mas nunca assustou nem as criancinhas

Pois não tinha sequer um centímetro de altura


__//__


Mesmo temido em qualquer lugar que surgia

O gigantesco dragão tinha o olhar preocupado

Em nenhuma caverna o bicharoco cabia

E de tomar tanto sereno, acabou resfriado




Direto na têmpora: Skull - Sebadoh

sexta-feira, outubro 29, 2010

Músicas

Na "Sophia e o Vento" eu fiz letra e música (ainda cantei... putz!), enquanto Helder e Luciano da Kundum tocaram e arranjaram. Na "Tubarão" eu fiz a letra e o Marco Aur fez o resto.
Dois clipezinhos pra vocês.




Sophia e o vento





Tubarão




Direto na têmpora: Bomb - J Church

O besouro e a lagarta

Toda manhã o besouro cascudo passava voando em seu vôo esquisito e via a lagarta feia e peluda se arrastando para chegar até alguma folhinha que ela pudesse devorar inteira.

Ele, que os outros bichos viviam chamando de feio e desajeitado, olhava aquela coisinha verde e rastejante e pensava: "tadinha, se eles me tratam assim por ser tão feioso, imagina o que devem fazer com ela".

E aí, com pena da lagarta, o besouro começou a parar todos os dias para conversar com ela. Ele realmente tinha dó de todo aquele esforço que ela precisava fazer para andar um pouquinho e, como já tinha percebido que ela era um bichinho bem legal, começou a dar carona para a lagarta até as folhas mais verdinhas e gostosas no alto das árvores.

Ela ia grudada naquelas costas duras e ele ia se balançando todo. Aquela dupla de amigos realmente fazia uma dança muito esquisita no ar.

O tempo foi passando, o besouro e a lagarta ficaram cada vez mais próximos. O resto da bicharada, no entanto, ria e falava mal daquela parceria tão estranha entre duas criaturas tão feias e desajeitadas. Quando eles passavam, os insetos mais novos (e até mesmo alguns bem adultos), logo começavam a gritar:

"Lá vai a lagarta verdona
Com o besourão cascudo
Dupla mais esquisitona
Não existe nesse mundo"

Mas sempre que algum deles exagerava, o besourão se enfezava e ia defender a pobre lagartinha. Que aqui ninguém nos ouça, mas ele chegou mesmo a dar umas boas chifradas em um gafanhoto mais atrevido que tentou puxar os pelos da verdinha.

Algum tempo depois, o besouro percebeu que a lagarta andava calada, quietinha, meio afastada de tudo. Até que um dia ela começou a se enrolar num fio fininho, fininho e ficou toda cobertinha, fechadinha, parecendo um pãozinho francês.

O besouro ficou muito procupado. O que será que aquilo queria dizer? Será que sua amiguinha tinha morrido? Será que ela ia ficar lá dentro pra sempre?

Daquele dia em diante, ele não saiu mais do lado daquela trouxinha que um dia tinha sido sua amiga lagarta: afastava insetos curiosos, abria suas asas grossas para protegê-la do vento, limpava o lugar em volta e quando chovia muito, cobria-a com uma folha bem larga.

Uma certa manhã, logo que o sol nasceu, o besouro foi visitar o embrulhinho da sua amiga, mas viu que ele estava rasgado e sem nada lá dentro.

O besourão então chorou, chorou e chorou. Todo aquele cuidado com a amiga não tinha adiantado nada e ele nem teve a chance de se despedir dela.

Mas enquanto ele chorava, sentiu um ventinho gostoso nas suas duras costas cascudas. O que seria aquilo?

Ele então se virou lentamente e deu de cara com uma linda borboleta azul e dourada flutuando bem na sua frente. O besouro ficou maravilhado! Ele nunca tinha visto nada tão lindo em toda a sua vida.

De repente, a borboleta falou:

- Ei, meu amigo, não está me reconhecendo?

O besouro passou as patinhas nos olhos, tentou virar a cabeça, mas não conseguia saber quem era aquela criatura tão linda e nem entender como ela poderia conhecer justo ele, um besourão tão feio.

- Ora, besouro, você que cuidou tão bem de mim agora não sabe mesmo quem eu sou?

O besouro então olhou bem de perto e tomou um susto enorme. Aquele sorriso... aquele sorriso era da lagartinha!

Os dois então se abraçaram e riram e brincaram e ficaram muito felizes. A lagarta, aquela lagartinha feia, tinha virado uma borboleta maravilhosa! E a nova borboleta, feliz com o grande amigo que tinha, disse para todos os insetos que olhavam sem entender aquela dupla tão diferente.

- Meus amigos, então agora vocês todos olham para mim assim, tão admirados? Justo vocês que até outro dia riam e implicavam comigo e com meu amigo besouro? Pois saibam que se vocês me acham bonita hoje, se pensam que eu sou alguém importante, é tudo por causa dele que me defendeu durante todo esse tempo. E, para mim, nesse jardim inteiro, não tem bicho mais bonito e nem amigo mais leal do que o meu querido besouro.

E daquele dia em diante, onde ia a linda borboleta, ia também o besourão cascudo. Só que agora, não havia mais gritos, nem xingamentos e nem confusão. É que todos os insetos aprenderam, vendo aquela amizade tão bonita, que não importa se a gente é bonito ou feio, grande ou pequeno, colorido ou cinza.

O que importa de verdade é o bem que a gente faz pros outros e os amigos que a gente tem.




Direto na têmpora: Backass - Karen O

quinta-feira, outubro 28, 2010

Palmeira dá...

Ontem estava andando com Fernanda e Sophia quando a pequena olhou para uma árvore e perguntou:

- Papai, essa árvore é um coqueiro?

- Não, Sophia, é uma palmeira.

- Ah, e ela dá pau, né?

Na hora eu ri, mas o raciocínio tá certíssimo: se coqueiro dá coco, palmeira daria o quê?




Direto na têmpora: Your head is on fire - Broken Bells

Êêêêê meus tempos

Eu sou do tempo em que a gente demorava uma semana ou mais para mandar notícias a alguém por carta e receber uma resposta.

Eu sou do tempo em que ter seios pequenos era uma característica como ter olhos castanhos, não um defeito.

Eu sou do tempo do orelhão de ficha.

Eu sou do tempo em que a gente ficava com a cara torta se pegasse vento depois do banho quente.

Eu sou do tempo em que a gente apanhava dos pais e sabia muito bem o porquê.

Eu sou do tempo em que a gente ia ao cinema com uma menina e só quando saía percebia que tinha ficado meia hora apalpando a ombreira dela.

Eu sou do tempo em que manga com leite matava.

Eu sou do tempo do Mandiopan, do Cremogema e do Biotônico Fontoura com semente de sucupira.

Eu sou do tempo do Guaraná Skol em garrafa.

Eu sou do tempo em que a gente usava um diário para escrever o que ninguém podia ler e não um blog pra todo mundo ler qualquer coisa que a gente escrever.




Direto na têmpora: We are waiters - Bean And The Coat

quarta-feira, outubro 27, 2010

Prova isso

Estava conversando com Madame Carmita Almeida e ela se lembrou de como as pessoas do interior têm mais leveza com a tragédia.

No interior, pelo menos em Minas, sempre tem uns casos assim:

- Deca, o Julinho de Neuza levou uma chifrada de vaca e tá todo aberto ali na beira da estrada.


- É mesmo? Noooooossinhora... vou lá ver como é que ele tá.

E pronto, lá se vão as comadres olhar o rapaz agonizante com a maior calma do mundo. É o que eu chamo de dividir o horror.

Sem querer ser preconceituoso (e acho que até já falei disso antes), mas mulheres também têm um pouco disso quando o assunto é comida, por exemplo.

Um homem prova algo ruim e, com toda tranquilidade, exclama:

- Essa merda tá estragada, vou jogar essa porra fora.

Já a mulher costuma seguir outra linha:

- Credo, isso tá horrível... prova aqui, amor, para você ver como está péssimo.

Para as mulheres, dividir o horror também é uma prova de carinho.




Direto na têmpora: Second hand news - Mates of State

Sono

O sono é uma coisa relativa.

Quando eu era pequeno, meu sonho era ficar acordado até meia-noite, mas tinha que ir dormir às 21h.

Depois, veio aquela época em que nada era mais importante do que a noite e a gente ia sem parar até de manhã.

Agora, tô do lado contrário. Tudo o que eu queria era dormir às 21h, mas raramente consigo pregar os olhos antes da meia-noite.

E os dias vão ficando longos, longos...




Direto na têmpora: Straight to hell - The Clash

terça-feira, outubro 26, 2010

Deduções

Sophia ligou para um parente e não foi atendida. Veio então reclamar comigo.

- Papí, a pessoa não me atendeu.


- Uai, Sophia, ela deve estar ocupada, trabalhando.


- É, ou então tá no banheiro fazendo cocô, né?




Direto na têmpora: Uh-Huh - Munchausen by Proxy

segunda-feira, outubro 25, 2010

Poeminha reunido

Se você topar comigo em alguma reunião

E notar meu olhar fixo e um sorriso angelical

Não fique pensando que é fruto da minha concentração

É só perda de consciência, é só morte cerebral




Direto na têmpora: Can't get used to losing you - The English Beat

Vinis, cds, mp3

Eu sou da época do vinil, aquela bolacha imensa e difícil de carregar. Quando eu ia comprar meus dicos na Rei do Disco em Ipatinga, tinha quase certeza de que ia encontrar o que queria porque eu só tinha acesso às músicas que ouvia na rádio ou via em algum programa de clipes.

Em BH, descobri que as próprias lojas de disco podiam servir como fonte de informação musical. Cogumelo, Hi-Fi, Bob Tostes, Cotec eram lugares que visitávamos para comprar e, principalmente, conhecer sons.

Daí vieram os cds, a Urban Cave apareceu na minha vida e ficou mais fácil levar 20 pepitas pra casa. Vendi todos os meus LPs e remontei meus arquivos só com as bolachitas pequeninas.

Agora, com quase tudo em mp3, vou fazer um saldão de 230 cds e liberar boa parte do meu armário para alguma outra coisa. Em breve devo fazer a promoção aqui, mas importante mesmo é dizer que eu acho muito bacana essa onda do "have everything, own nothing".

Acesso para mim é a palavra chave e eu vou me desapegando cada vez mais de estantes cheias e curtindo o quanto é legal ter as coisas à disposição sem ter que colocar uma coleira nelas.




Direto na têmpora: On our minds - The Litter

sexta-feira, outubro 22, 2010

Poeminha azarado

No meio da rua parado

O rapaz resolveu rezar

Já estava desesperado

Não podia mais suportar


O azar do mancebo era coisa horrorosa

Seja no emprego, no jogo ou namoro

Quando foi ordenhar a vaquinha mimosa

Com a mão descobriu que o bicho era um touro


Olhou para o céu o pobre infeliz

Pedindo um milagre com fé verdadeira

Mas levou um cocô de pardal no nariz

E ainda roubaram a sua carteira




Direto na têmpora: Say hello, wave goodbye - Soft Cell

Curativos

Cortei o dedo em um livro e fui procurar um curativo em casa. Descobri que, graças a Sophia, só tínhamos adesivos temáticos da Hello Kitty ou Princesas Disney em casa.

Resultado? Se você não consegue ver, essa aí no meu dedo é a Branca de Neve.






Direto na têmpora: Lust - Suburban Rhythm

quinta-feira, outubro 21, 2010

Porque eu acho que (não) vale tudo na política

Estava em uma cidade do interior fazendo campanha para um candidato à prefeitura quando recebemos o telefonema. Um câmera da nossa equipe tinha flagrado distribuição de gasolina para a população por parte do nosso adversário e havia sido ameaçado por militantes, tendo que se afastar.

O rapaz pedia orientações e aguardava em um local seguro, a alguma distância do posto de gasolina.

Um figurão da política de Minas Gerais, inclusive com atuação em Brasília por muito anos então sentenciou:

- Manda ele ir.

Eu contra-argumentei que o rapaz poderia se machucar ou até coisa pior e tive que ouvir o absurdo.

- Melhor. A gente deixa ele apanhar um pouco e depois manda a polícia pra tirar ele. Aí fica tudo gravado.

Nessa hora eu chamei nosso candidato a prefeito de lado e argumentei.

- Olha, ganhando ou perdendo, essa eleição passa e você continua vivendo aqui com sua mulher, com seus filhos, com seu estabelecimento. O rapaz tem família, não vale a pena essa sujeira pra ser eleito.

Resolveu-se que seria feita uma denúncia à justiça eleitoral, enviada a polícia ao local e uma equipe de segurança para proteger o câmera que continuaria a uma distância segura.

A denúncia não deu em nada, mas nosso "prefeito" foi eleito e, espero, manteve a consciência limpa.

Ontem houve confronto em uma caminhada de Serra no Rio de Janeiro. Houve tumulto, confusão e a notícia que recebi foi de que Serra havia sido agredido.

Não voto em Serra (ou em Dilma), mas achei um absurdo, um ato de desrespeito à democracia e que mostra a falta de preparo do brasileiro para o debate e uma tremenda incapacidade de conviver com a discordância.

No entanto, hoje o meu amigo Zé Álvaro me mostrou um vídeo do SBT sobre a confusão. A postura dos partidários de Dilma foi deplorável, mas não menos feio foi o que Serra fez.

O filme mostra o que parece ser uma bolinha de papel atingindo Serra e o candidato seguindo em frente normalmente, sem nenhum problema. 20 minutos depois, ele recebe uma ligação e começa a sofrer instantaneamente de fortes dores, náusea e tonteiras.

O PSDB divulgou nota dizendo que Serra foi atingido por um objeto pesado, o que contraria o vídeo e o médico não constatou nenhum ferimento local, mas ainda assim concede que as náuseas podem ter sido causadas pelo impacto.

É vale-tudo em dose dupla.

Vale-tudo de quem acha legítimo o confronto físico, a intimidação e a tentativa de agredir Serra, não apenas, mas inclusive com uma bolinha de papel.

Vale-tudo de quem acha legítimo mentir e simular uma situação apenas para desmoralizar a "turma da Dilma", sem perceber que algumas vezes esse tipo de impostura prejudica mais o impostor do que quem quer que seja.

Para mim, mais um argumento em favor da minha decisão de anular meu voto.



O vídeo do acontecido. Prato cheio pra quem gosta de sentir vergonha alheia.




Direto na têmpora: Things - Split Enz

quarta-feira, outubro 20, 2010

O meu grandissíssimo obrigado

Eu e Sophia entregamos hoje a última remessa de brinquedos na creche Morada Nova. Foram dois porta-mals de Fiesta sedan com brinquedos usados e novos, grandes e pequenos, para bebês e crianças maiores, para meninos e meninas.

Agora, tenho apenas duas unidades de Estranhas Histórias no meu estoque e para comprar os livros, só mesmo nas livrarias.

A vocês todos que compraram os livros, que indicaram e que torceram, muito obrigado. Muito obrigado mesmo. É um prazer saber que ainda tem tanta gente disposta a ajudar nesse mundo.




Direto na têmpora: Tenement Funster - Queen

terça-feira, outubro 19, 2010

Poeminha descalço

Sentir a grama nos pés
Fremir com o doce contato
E saber no fundo da alma
Que o que dá chulé é sapato




Direto na têmpora: In for the kill - La Roux

A música que cura

Quem lê isso aqui há mais tempo sabe que Blackbird dos Beatles é a música que eu canto pra Sophia desde que ela estava na barriga da mãe. Ela sempre se conforta e fica mais calma quando me ouve cantando essa música.

Pois ontem, Fernanda foi colocar Sophia para dormir e pediu.

- Sophia, vamos dormir rapidinho hoje? A mamãe tá cansada, tá triste, aí a gente dorme rapidinho, tá?

- Por que você tá assim, mamãe?

- É que a mamãe tá dormindo pouco e trabalhando demais, viu, filha?

- Tá bom.


Aí ela fechou os olhinhos e, bem baixinho, começou a cantar o Blackbird para a mãe dela.

I just love my girls.




Direto na têmpora: I want the world to stop - Belle & Sebastian

segunda-feira, outubro 18, 2010

A menina sem nada

Estava andando de bicicleta com a Sophia e sentamos pra tomar um suco perto de uma pet shop.

Bem na frente da loja tinha um cachorrinho para doação e a baixinha ficou simplesmente encantada. Chegava perto, cantava pro bichinho e de repente pediu pra sussurrar algo em meu ouvido.

- Papai, aquele cachorrinho tá muito triste, posso levar ele pra casa?

- Ô, Sophia, não dá. A gente precisa de um lugar pra ele, de comprar comidinha, casinha, de arrumar um monte de coisas. Ano que vem o papai promete que dá um pra você.


Ela então explode em um choro descontrolado e, em certo momento, volta sua fúria contra mim.

- Você não vai me dar o cachorrinho ano que vem porque você nunca me dá nada.

- Que mentira, Sophia, você ganha tantas coisas...

- É, mas você não quer me dar um cachorrinho. E nem quer me dar um irmãozinho!


Foi bem nessa hora que tive que dar razão pra garota. Cachorrinho é bem provável, mas irmãozinho não vai rolar mesmo não.




Direto na têmpora: Season of the witch - Donovan

domingo, outubro 17, 2010

Cielito lindo

Um dia estudando com cuidado o infinito

O jovem astrônomo entendeu um sinal

Já sabia que o céu era muito bonito

Mas sacou que também era homossexual



Não é que ele fosse preconceituoso

Deus nos livre de uma falha tão pavorosa

Mas perceba que a lua é o astro famoso

Enquanto que o sol é a estrela fogosa




Direto na têmpora: Your hand in mine - Explosions In The Sky

sábado, outubro 16, 2010

Meu irmão, o mendigo

Essa foi do meu sobrinho Samuel, acostumado a pedir balas, brinquedos, doces e ouvir do pai sempre a mesma resposta "poxa, filho, agora papai não tem dinheiro".

Hoje, um pouco mais cedo, meu pai pergunta ao pequeno:

- Samuca, você já foi ao Parque Guanabara?

- Não.

- Não!? Uai, mas por quê?


E ele, conformado:

- Porque meu pai não tem dinheiro...




Direto na têmpora: Show me the light - Mystery Jets

sexta-feira, outubro 15, 2010

Poeira

Do pó vieste, ao pó retornarás. E, como poeira, irá sentir sobre ti os pés novos que aprendem a caminhar, tocar a face dos que correm sem saber aonde chegar, servir de pouso aos que caem e já não podem levantar.

Ao pó retornarás e ainda assim serás parte da vida, útil de um novo modo, presente como o menor grão.

Existirás, simplesmente existirás, e surpreso perceberás que apenas isso te basta.




Direto na têmpora: Boys will be boys - Goldfrapp

quinta-feira, outubro 14, 2010

97 anos

Às vezes a morte é apenas uma formalidade que a vida impõe.

Minha avó Geralda morreu há cerca de 3 horas, aos 97 anos, mas nos últimos dias já não era a minha avó.

Já não era a senhora que comia suspiros com a boca mais boa e fazia a massa de pão de queijo com as próprias mãos.

Já não era a senhora de memória prodigiosa e de uma vaidade doce, beirando a adolescência.

Já não era a senhora que me contava casos e conversava horas e horas sobre qualquer assunto.

Já não era sequer a senhora que, mesmo cega, acompanhava a novela e adorava rir do mal feito.

Não sei o que penso da morte e do que acontece quando nosso corpo já não pode mais continuar. Não sei no que acredito, mas sei o que Dona Geralda merece, e se existe realmente um Deus ela está agora no meio de uma daquelas risadas que a faziam se curvar de tanta alegria.

E, caramba, como eu sinto saudades.


PS - Em janeiro de 2010 eu contei um pouco da história da minha avó Geralda no Pastelzinho. Foi ela mesma quem me ditou e se você quiser ler, está
aqui.




Direto na têmpora: Juicy - Better Than Ezra

quarta-feira, outubro 13, 2010

Bebês e babás

- Sophia, você quer ter um irmãozinho?

- Quero, mas minha mãe não deixa.

- Ah, é? Por quê?

- Porque com mais uma criança lá em casa a minha babá não ia dar conta, uai.





Direto na têmpora: R U Still in 2 it? - Mogwai

segunda-feira, outubro 11, 2010

Nessas terras frias tem algo de bom

O frio de Ouro Preto é bom pra comer chocolate, é bom pra andar pelas ruas mesmo com a cidade cheia, é bom pra entrar em bares, é bom pra rever amigos, é bom pra curtir família.

O frio de Ouro Preto é bom pra quase tudo, de pizza a uma boa noitada. De festa em república a filme alugado em casa. De uma boa soneca a uma noite virada.

O frio de Ouro Preto só não é bom pra uma coisa: tomar banho. Com um frio desses, minha gente, tomar banho é quase um martírio.




Direto na têmpora: All I want for Christmas - Joss Stone

sexta-feira, outubro 08, 2010

Meus presentes para o Dia das Crianças

Como segunda eu não sei se vou postar, seguem três presentinhos para todos vocês, crianças sempre.


FLUFFY MC CLOUD from conorfinnegan on Vimeo.




Death Buy Lemonade from Cartoon Brew TV on Vimeo.




Cabriole from Leosipe on Vimeo.





Direto na têmpora: Sex and Drugs and Rock and Roll - Ian Dury and the Blockheads

quinta-feira, outubro 07, 2010

Sophia no oftalmologista

Sophia foi ao oftalmologista, fez os testes e o médico detectou 0,5 grau de hipermetropia.

- Isso aí deve regredir com a idade, então nem se preocupe. Volte daqui a seis meses e a gente vê como evolui.

- Ótimo, então sem óculos?

- Isso. Óculos agora é bobagem. Vamos esperar.


Sophia então chega no meu ouvido e sussurra.

- Papai, eu não vou precisar usar óculos?

- Não, filhinha, que bom, né?

- Não... eu queria óculos...


E lá vou eu, semana que vem, fazer um óculos com 0,5 grau de hipermetropia pra baixinha porque ela acha óculos muito legal. Suspiro...




Direto na têmpora: Not about love - Fiona Apple

quarta-feira, outubro 06, 2010

Poemete à incompetência

Em cada rua ou avenida

Em cada esquina da nossa cidade

Existe um coitado fulo da vida

Por causa de uma certa entidade



Achamos que todos iriam sumir

Quando perderam o poder da multa

Mas parece que nunca irão desistir

É assim que agem os filhos da luta



Distribuem placas a granel

E agem de um jeito até vingativo

Ao nos punirem de um modo cruel

Com duas horas no rotativo



E seguem assim, metendo a mão

Sem ligar se fazem o bem ou o mal

O que eles querem mesmo é achar solução

Para garantir uma grana legal no Natal




Direto na têmpora: Cry, cry - Mazzy Star

BHTrans empresa maldita OU só pode ser de sacanagem

A TOM fica em uma região essencialmente residencial e de escritórios comerciais. As lojas e serviços de atendimento ao público são exceção e com localização bem definida.

Ainda assim, a BHTrans resolveu que colocar estacionamento rotativo por toda região seria uma puta ideia. Afinal, para quem passa horas procurando vaga, o estacionamento de 5 horas seria a solução perfeita.

Na verdade, isso é apenas mais uma estupidez como todas as outras que o braço mais incompetente da PBH costuma fazer. É apenas mais uma forma de arrecadação que não beneficia ninguém além da própria BHTrans.

Estacionar de 9h às 12h e das 14h às 19 já o hábito de 80% daqueles que param seus carros na região e colocar o rotativo de 5 horas não altera essa demanda, não gera mais vagas e apenas prejudica quem trabalha na região.

Ontem eu fiquei com dúvidas se a BHTrans agia com má intenção ou por pura incompetência, mas passo a concordar com aqueles que comentaram essa minha observação: é uma mistura dos dois.

E agora, como a BHTrans não pode mais multar, a necessidade de arrecadação fica ainda maior. Resultado? Sobra para quem trabalha.




Direto na têmpora: The '59 sound - The Gaslight Anthem

terça-feira, outubro 05, 2010

Gente que a gente encontra aqui

Por causa de um post meu, recebi um contato da Eloísa Muzzetti, uma graça de pessoa, muitíssimo educada e que divide sobrenome com a Sophia e meu pai.

Tentamos descobrir antepassados comuns mas concluímos que, se há parentesco, é coisa de séculos atrás.

Aí ontem a Eloísa me manda um email com fotos muito bacanas da região da Itália onde a família se originou e me parabeniza pelo fato de eu fazer pastéis (uma confusão que me fez rir bastante,confesso).

Ah, Eloísa, são apenas pastéis literários e bloguísticos, mas que com pessoas como você ganham um recheio muito melhor.




Direto na têmpora: Success - Iggy Pop

segunda-feira, outubro 04, 2010

Ostra

A ostra por fora é um bicho feinho

É tímida, quieta e vive escondida

Mas basta que ela engula um grãozinho

Pra fazer uma pérola e ficar convencida





Direto na têmpora: The racing rats - Editors

Roubando o tio Seth

Começo o dia e a semana roubando um texto do Seth Godin que achei primoroso. Enjoy!


Demonstrating strength


Apologize

Defer to others

Avoid shortcuts

Tell the truth

Offer kindness

Seek alliances

Volunteer to take the short straw

Choose the long-term, sacrificing the short

Demonstrate respect to all, not just the obviously strong

Share credit and be public in your gratitude

Risking the appearance of weakness takes strength. And the market knows it.





Direto na têmpora: Pattern recognition - Sonic Youth

sexta-feira, outubro 01, 2010

Historinha real de uma sexta-feira comum

Passei na lanchonete pra comprar uma Coca Cola Zero e ouvi o seguinte diálogo:

- Tem biscoito frito?

- Tem, mas nosso biscoito frito é assado.





Direto na têmpora: Super Theory of Super Everything - Gogol Bordello

quinta-feira, setembro 30, 2010

Deixando um rastro

A gente quer ter filhos pra deixar um rastro. Quer fazer um blog pra deixar um rastro. Quer plantar uma árvore, escrever um livro e fazer uma revolução não pelo hoje, mas pelo amanhã.

Não ser notado é o pior castigo e ninguém quer ser esquecido. Queremos ser eternos para ser amados sem-fim, através do tempo, por algum outro que nem nos conheceu.

Todo homem quer deixar seu rastro. E às vezes até se perde por isso.




Direto na têmpora: Lullaby haze - Mates of State

quarta-feira, setembro 29, 2010

Relógio

Está morto mais um dia e com ele jazem umas poucas esperanças e outros tantos afazeres. Morto mais um dia (e assim já é menos um) que não ressucitará jamais, seu peso inútil perdido para sempre em alguma dobra do espaço.

Nessa tragédia anunciada só há vítimas e nenhum algoz. Fomos nós que perdemos a chance, fomos nós que deixamos passar, fomos nós que escolhemos o caminho que ia dar no muro.

Está morto mais um dia. E que não morra com ele o melhor e o resto de nós que ainda escapou ao último.




Direto na têmpora: Wash the day - TV On The Radio

terça-feira, setembro 28, 2010

A chuva e os cavaletes

Chove em Belo Horizonte e seja bem-vinda a chuva que desmancha os cavaletes que invadem canteiros e enchem nossos olhos de feiúra e promessas falsas.

Fica ali, aquele papel encharcado, aquela papa de uma personalidade inventada escorrendo pela sarjeta.

O elefante tosco ensopado, o plástico desmelinguido, mais uma campanha que passa, os mesmos 30% de "renovação". Os mesmos interesses com novas caras ou não.

E eu nem deveria escrever isso, porque eu trabalho com marketing político também e sei que existe gente boa e séria por aí, fazendo a coisa direito e convencendo pelo trabalhos, mas cavalete é foda, meu irmão. Todo esse lixo colorido que nos entope as ruas sem mostrar uma proposta, sem contar uma história, só sujando e massacrando para ver se convence alguém na base da pressão.

E contando com a ignorância de muitos, elegem-se alguns. Mas isso a chuva não lava.




Direto na têmpora: Vampire - Sebadoh

segunda-feira, setembro 27, 2010

Minutos de Sophia

Lá vai ela imitando cachorro, disciplinando a boneca e dizendo que aquela música que eu amo deveria chamar música das estrelinhas.

Lá vai ela armando um namoro entre a Kaa e o Randolph, imitando a Rainha da Noite e querendo ser a princesa minhoca na Festa da Primavera.

Lá vai ela me ensinando a diferença entre maçã e berinjela, explicando quem brinca e quem não brinca com ela, descobrindo os fuscas na rua.

Lá vai ela querendo que eu traduza Zooey, chamando Tom Waits de "Finkle", querendo juntar moedinhas para visitar Nova Iorque.

Lá vai ela rindo o seu riso, sonhando o seu mundo, fazendo o seu jeito e achando que o nome da vaca do desenho é Tussa.

Lá vai ela me sophiando o dia e lá vou eu atrás, correndo como menino.




Direto na têmpora: Time to take out the trash - Brad Sucks

Medos complexos

Sei lá porque, um dia desses comecei a cantar a música da Kaa (veja Mogli, o Menino Lobo) e Sophia ficou simplesmente irada.

- Venha a mim... e só a mim...

- Para, papai! Eu tinha medo da Kaa porque ela olhava pro Mogli e aí o olho dela rodava assim e aí eu parei de ter medo e aí você fica cantando a música dela e aí eu vou ter medo de novo e a culpa vai ser sua!

- Filha, mas não precisa ter med...

- A culpa vai ser sua, pai!


Achei melhor ficar quieto. Deixa a menina com os medos dela, né não?








Direto na têmpora: Don't go quietly - The Society of Poor Academics

sexta-feira, setembro 24, 2010

Fechando a semana

Como hoje não tive inspiração para post, vai aí uma animaçãozinha duca pra vocês. Inté.








Direto na têmpora: I got an ape drape - Vandals

quinta-feira, setembro 23, 2010

Bichinho bonitinho

- Tem um bicho no meu cabelo! Tira! Tira! – gritava a menina todinha vermelha.


A mãe levantou-se e, soltando um suspiro resignado, foi ver de perto o motivo do escândalo.


- É só um bichinho, Mariana.

- Credo! Credo! Credo! Como é que ele é? É nojento?

- Não... sabia que ele até bonitinho?



E Mariana, tapando o rosto para não ver.


- Quê!? Bonitinho!?

- Bonitinho, sim. Ele é pequenininho, vermelhinho e tem umas manchinhas roxo-azuladas.

- Roxo-azuladas?

- É, um azul quase roxo, sabe?

- Ele é molengo?

- Não, mas também não é cascudo igual a besouro.



A menina tira as mãos do olhos e espia o inseto.


- Você vai fazer o que com ele?

- Não sei, Mariana, vou jogar fora, matar, sei lá.

- Mata não, mãe! Peraí, deixa eu ver ele aqui na minha mão.



Ela então vira a cabecinha, olha o bichinho e pede:


- Mãe, põe ele de novo no meu cabelo, por favor?





Direto na têmpora: Rudie can't fail - The Clash

15a SECOM, Calco, Furb. Que diabos é isso, afinal?

Fui parar em Blumenau no meio de um evento feito por uns estudantes que eu vou te contar uma história.

15a SECOM é, como o próprio nome diz, a décima quinta semana da Comunicação da Furb, que vem a ser Universidade de Blumenau, e é organizada pelo Calco - Centro Acadêmico Livre da Comunicação.

Antes de mais nada, é de dar gosto ver o esforço da molecada pra fazer tudo funcionar e ficar perfeito. Chamaram caras da Bullet, chamaram caras da Santa Clara e tirando o erro meio básico de convidar a mim, montaram um elenco de respeito pra falar com os estudantes.

Estadia, transporte (aliás, a Azul é a partir de hoje minha companhia aérea favorita), alimentação, tudo feito com um carinho danado e com uma agilidade que fez os caras superarem todos os muitos imprevistos que apareceram.

Falei sobre o novo cenário para os publicitários e mesmo com problemas na apresentação (não no equipamento deles, mas no meu) contei com a paciência e com o respeito das dezenas de alunos que foram assistir.

Saí de lá cansado, porque o batente foi bruto, mas feliz demais por ter participado. Foi uma aula sobre vontade, sobre organização, sobre comprometimento e que deveria servir de benchmark pra estudantes que estão pensando em montar qualquer evento.

A galera do Calco e o pasteleiro.
Peço desculpas aos blumenauers pelas falhas e prometo que se algum dia cometerem a temeridade de me chamar novamente, vou cuidar mais para fazer algo melhor.




Direto na têmpora: We feel safer at night - Takka Takka