A primeira vez que eu ouvi o choro da Sophia eu sorri.
Não era um lamento suave ou tranquilo, era um urro que clamava vida, um grito primal que celebrava um começo.
Só fui chorar depois, quando fiquei sozinho, civilizado e escondido.
Direto na têmpora: The geeks were right - The Faint
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quarta-feira, dezembro 21, 2011
terça-feira, setembro 13, 2011
Cê lembra disso, maluco?
Deve ter uns 10 anos que isso aqui era a maior febre, lembra? Você clica na imagem, se aproxima da tela, olha fixamente, fica meio vesgo e quando se afasta aparece a imagem em 3D.
Direto na têmpora: Ranking full stop - The English Beat
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| E aí, conseguiu ver o dinossauro? |
Direto na têmpora: Ranking full stop - The English Beat
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sexta-feira, maio 20, 2011
Os jovens-jovens
Outro dia alguém pesquisou nas ruas de Nova Iorque e descobriu que muitos teens não fazem ideia de quem foram os Beatles.
Parece absurdo, eu sei, mas os Beatles já se separaram faz tempo, dois deles morreram, não há novas gravações, enfim, a situação tem lá seus atenuantes.
De qualquer forma, eu tenho a impressão de que é possível determinar a idade de alguém pelas celebridades que ele conhece. Usando o futebol como exemplo: se o cara não conhece Nilton Santos ele não é necessariamente jovem. Se o cara não conhece Sócrates, ele com certeza é jovem. Agora, se o cara não conhece o Higuita ele definitivamente não tem mais de 18 anos.
Higuita não diz nada para os jovens-jovens, assim como algum goleiro da Colômbia da década de 60 não diz nada pra mim.
Sendo assim, defino aqui meu padrão de reconhecimento da juventude-jovem pelo Higuita. Se você não conhece o figura, provavelmente ainda não fez vestibular e certamente nunca provou a pururuca Bottrel (ok, se você tem menos de 30 muito dificilmente provou).
Então, fica combinado. Se você, jovem-jovem, quiser conversar com o tio Maurilo como se tivéssemos uma idade mais compatível, procure na Wikipedia tudo sobre o homem da foto aí debaixo.
E pra começar, assista a este vídeo aqui.
Direto na têmpora: Bull rider - The Detours
Parece absurdo, eu sei, mas os Beatles já se separaram faz tempo, dois deles morreram, não há novas gravações, enfim, a situação tem lá seus atenuantes.
De qualquer forma, eu tenho a impressão de que é possível determinar a idade de alguém pelas celebridades que ele conhece. Usando o futebol como exemplo: se o cara não conhece Nilton Santos ele não é necessariamente jovem. Se o cara não conhece Sócrates, ele com certeza é jovem. Agora, se o cara não conhece o Higuita ele definitivamente não tem mais de 18 anos.
Higuita não diz nada para os jovens-jovens, assim como algum goleiro da Colômbia da década de 60 não diz nada pra mim.
Sendo assim, defino aqui meu padrão de reconhecimento da juventude-jovem pelo Higuita. Se você não conhece o figura, provavelmente ainda não fez vestibular e certamente nunca provou a pururuca Bottrel (ok, se você tem menos de 30 muito dificilmente provou).
Então, fica combinado. Se você, jovem-jovem, quiser conversar com o tio Maurilo como se tivéssemos uma idade mais compatível, procure na Wikipedia tudo sobre o homem da foto aí debaixo.
E pra começar, assista a este vídeo aqui.
Direto na têmpora: Bull rider - The Detours
segunda-feira, março 14, 2011
Moleques
Eu e meus irmãos tínhamos uma arma de chumbinho quando éramos criança. Atirávamos em latas colocadas sobre o muro e coisas assim, mas com exceção do Diogo que dizimava calangos, evitávamos animais.
Pois um dia estávamos tentando acertar algo quando surgiu meu pai.
- Vocês são muito ruins de mira... me dá isso aqui. Quer ver que eu acerto naquela lâmpada?
Apontou a arma para uma lâmpada na casa do vizinho de trás e atirou com a certeza de que iria errar. Pow! Não deu outra e acertou em cheio.
Na mesma hora entregou a causadora da tragédia pra nós e avisou:
- Qualquer coisa a culpa é de vocês, hein?
No dia seguinte o vizinho de trás foi conversar com ele e meu pai imediatamente iniciou a falação:
- Pois é, Fulano, esses meninos são fogo. Eu já falei pra não brincarem com a arma no quintal, já disse que ia dar problema. Você me desculpe, viu? Chegando em casa eu vou dar um castigo neles e a lâmpada você deixa que eu pago.
Então o vizinho abre um sorriso e diz:
- Sabe o que é, Nilo, o Beltrano que é seu vizinho de lado viu que foi você quem atirou.
O vizinho então caiu na gargalhada e meu pai pediu desculpas como deu, pagou o que devia e nunca mais tocou em uma arma de chumbinho.
Direto na têmpora: Loving cup - The Rolling Stones
Pois um dia estávamos tentando acertar algo quando surgiu meu pai.
- Vocês são muito ruins de mira... me dá isso aqui. Quer ver que eu acerto naquela lâmpada?
Apontou a arma para uma lâmpada na casa do vizinho de trás e atirou com a certeza de que iria errar. Pow! Não deu outra e acertou em cheio.
Na mesma hora entregou a causadora da tragédia pra nós e avisou:
- Qualquer coisa a culpa é de vocês, hein?
No dia seguinte o vizinho de trás foi conversar com ele e meu pai imediatamente iniciou a falação:
- Pois é, Fulano, esses meninos são fogo. Eu já falei pra não brincarem com a arma no quintal, já disse que ia dar problema. Você me desculpe, viu? Chegando em casa eu vou dar um castigo neles e a lâmpada você deixa que eu pago.
Então o vizinho abre um sorriso e diz:
- Sabe o que é, Nilo, o Beltrano que é seu vizinho de lado viu que foi você quem atirou.
O vizinho então caiu na gargalhada e meu pai pediu desculpas como deu, pagou o que devia e nunca mais tocou em uma arma de chumbinho.
Direto na têmpora: Loving cup - The Rolling Stones
quinta-feira, março 10, 2011
Carnavalesco
Dos carnavais em Ipatinga, meio zonzo de tanto tomar Manoela no Esaki, eu me lembro dos planos para entrar nos bailes do Cariru Tênis Clube, de onde eu não era sócio.
Eram estratégias, desculpas e distrações que me valeram o apelido de McGyver junto ao meu amigo Tananan, tudo para encontrar alguma menina ou simplesmente ficar em um lugar onde houvesse menos gente pronta para dar notícias aos meus pais.
Ficávamos naquele alalaô até o sol raiar e depois voltava-se a pé para casa. Dormíamos até as 15h, íamos pro Clube e mal a noite começava já começávamos também mais uma noite de carnaval.
E hoje eu tenho preguiça até de ver os desfiles na Globo.
Direto na têmpora: So many ways - The Mighty Mighty Bosstones
Eram estratégias, desculpas e distrações que me valeram o apelido de McGyver junto ao meu amigo Tananan, tudo para encontrar alguma menina ou simplesmente ficar em um lugar onde houvesse menos gente pronta para dar notícias aos meus pais.
Ficávamos naquele alalaô até o sol raiar e depois voltava-se a pé para casa. Dormíamos até as 15h, íamos pro Clube e mal a noite começava já começávamos também mais uma noite de carnaval.
E hoje eu tenho preguiça até de ver os desfiles na Globo.
Direto na têmpora: So many ways - The Mighty Mighty Bosstones
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
10 filmes que eu gostaria de rever
Estes são 10 filmes que eu achei muito ducaralho quando eu vi e que gostaria de saber se ainda causam o mesmo impacto depois de tanto tempo. Claro que tem outros filmes que adoro, mas que já revi e sei do impacto depois de algum tempo.
A lista começou porque outro dia O Informante passou na tv a cabo, eu assisti e achei tão bom quanto da primeira vez. Segue a lista.
1) Traídos pelo Desejo
2) Mississipi em Chamas
3) Magnolia
4) Dead Man
5) Cortina de Fumaça (Smoke)
6) The Commitments
7) Bem-vindo à Casa de Bonecas
8) O Oitavo Dia
9) Delicatessen
10) Na corda bamba
Direto na têmpora: We're going to be friends - The White Stripes
A lista começou porque outro dia O Informante passou na tv a cabo, eu assisti e achei tão bom quanto da primeira vez. Segue a lista.
1) Traídos pelo Desejo
2) Mississipi em Chamas
3) Magnolia
4) Dead Man
5) Cortina de Fumaça (Smoke)
6) The Commitments
7) Bem-vindo à Casa de Bonecas
8) O Oitavo Dia
9) Delicatessen
10) Na corda bamba
Direto na têmpora: We're going to be friends - The White Stripes
terça-feira, janeiro 25, 2011
10 coisas que eu fazia e me davam orgulho, mas hoje nem tanto
1) Usar sobretudo naquele calor infernal de Ipatinga só porque eu curtia The Cure.
2) Entrar de penetra em casamentos.
3) Imitar o Gil Gomes.
4) Gastar todo o meu dinheiro com discos e cds.
5) Dividir a cama com um casal de buldogues.
6) Lembrar o sobrenome de praticamente todo mundo da minha turma.
7) Tomar uma lata de leite condensado de uma vezada só.
8) Estudar russo.
9) Ter duas salamandras.
10) Nunca anular um voto.
Direto na têmpora: In this twilight - Nine Inch Nails
2) Entrar de penetra em casamentos.
3) Imitar o Gil Gomes.
4) Gastar todo o meu dinheiro com discos e cds.
5) Dividir a cama com um casal de buldogues.
6) Lembrar o sobrenome de praticamente todo mundo da minha turma.
7) Tomar uma lata de leite condensado de uma vezada só.
8) Estudar russo.
9) Ter duas salamandras.
10) Nunca anular um voto.
Direto na têmpora: In this twilight - Nine Inch Nails
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Vilões
Numa boa? Os vilões do meu tempo são muito mais legais do que os seus.
Iara Faz Sujeira
Hugo Agogô
Tião Gavião
Zorak
Sleestaks
Simon, o Simpático
Um vilão qualquer aí do Scooby Doo
Direto na têmpora: Don't make me a target - Spoon
Iara Faz Sujeira
Hugo Agogô
Tião Gavião
Zorak
Sleestaks
Simon, o Simpático
Um vilão qualquer aí do Scooby Doo
Direto na têmpora: Don't make me a target - Spoon
quinta-feira, outubro 28, 2010
Êêêêê meus tempos
Eu sou do tempo em que a gente demorava uma semana ou mais para mandar notícias a alguém por carta e receber uma resposta.
Eu sou do tempo em que ter seios pequenos era uma característica como ter olhos castanhos, não um defeito.
Eu sou do tempo do orelhão de ficha.
Eu sou do tempo em que a gente ficava com a cara torta se pegasse vento depois do banho quente.
Eu sou do tempo em que a gente apanhava dos pais e sabia muito bem o porquê.
Eu sou do tempo em que a gente ia ao cinema com uma menina e só quando saía percebia que tinha ficado meia hora apalpando a ombreira dela.
Eu sou do tempo em que manga com leite matava.
Eu sou do tempo do Mandiopan, do Cremogema e do Biotônico Fontoura com semente de sucupira.
Eu sou do tempo do Guaraná Skol em garrafa.
Eu sou do tempo em que a gente usava um diário para escrever o que ninguém podia ler e não um blog pra todo mundo ler qualquer coisa que a gente escrever.
Direto na têmpora: We are waiters - Bean And The Coat
Eu sou do tempo em que ter seios pequenos era uma característica como ter olhos castanhos, não um defeito.
Eu sou do tempo do orelhão de ficha.
Eu sou do tempo em que a gente ficava com a cara torta se pegasse vento depois do banho quente.
Eu sou do tempo em que a gente apanhava dos pais e sabia muito bem o porquê.
Eu sou do tempo em que a gente ia ao cinema com uma menina e só quando saía percebia que tinha ficado meia hora apalpando a ombreira dela.
Eu sou do tempo em que manga com leite matava.
Eu sou do tempo do Mandiopan, do Cremogema e do Biotônico Fontoura com semente de sucupira.
Eu sou do tempo do Guaraná Skol em garrafa.
Eu sou do tempo em que a gente usava um diário para escrever o que ninguém podia ler e não um blog pra todo mundo ler qualquer coisa que a gente escrever.
Direto na têmpora: We are waiters - Bean And The Coat
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memórias
quinta-feira, julho 22, 2010
Tempo livre
O tempo livre é uma das coisas de maior potencial da vida. É ocupando bem o tempo livre que você faz o que não é obrigação, mas prazer e explora outras áreas do seu cérebro e dos seus interesses.
Mas não estou falando daquele tempo livre que você força se espremendo entre dois trabalhos para escrever no blog (ops). Não, eu falo daquele tempo livre que surge lindo e livre na sua frente e que você pode usar para escrever um texto longo sobre algo que ame, ouvir música, passear no parque ou qualquer coisa assim.
Eu me orgulho muito, por exemplo, de quando tinha meus 13 ou 14 anos e ficava sentado assistindo às aulas de matérias nas quais já tinha passado, só descascando giz em uma folha de papel por horas e horas.
Tudo isso para, no último horário, colocar cuidadosamente o pó sobre as pás do ventilador de teto, reclamar do calor com o professor e ver a sala inteira ficar coberta de uma neblina esbranquiçada.
Isso sim, era um bom uso do tempo livre.
Direto na têmpora: I stand corrected - Vampire Weekend
Mas não estou falando daquele tempo livre que você força se espremendo entre dois trabalhos para escrever no blog (ops). Não, eu falo daquele tempo livre que surge lindo e livre na sua frente e que você pode usar para escrever um texto longo sobre algo que ame, ouvir música, passear no parque ou qualquer coisa assim.
Eu me orgulho muito, por exemplo, de quando tinha meus 13 ou 14 anos e ficava sentado assistindo às aulas de matérias nas quais já tinha passado, só descascando giz em uma folha de papel por horas e horas.
Tudo isso para, no último horário, colocar cuidadosamente o pó sobre as pás do ventilador de teto, reclamar do calor com o professor e ver a sala inteira ficar coberta de uma neblina esbranquiçada.
Isso sim, era um bom uso do tempo livre.
Direto na têmpora: I stand corrected - Vampire Weekend
quinta-feira, março 25, 2010
Vale da Lua
Achei um caderno que escrevi quando fiz minha viagem sozinho pela Bolívia, Peru e Chile em 97. Aliás, eu sempre gostei de viajar sozinho. Fui assim ao Rock in Rio em 85, à Flórida em 87, a Morro de São Paulo em 91 e em muitos outros lugares mais próximos.
Claro que uma viagem com turma tem seu lugar e que uma viagem com a minha Fer é sempre especial, mas tem algo de sair sozinho pelo mundo que não tem preço.
Relendo o caderninho, achei este texto que escrevi quando estava no Vale da Lua, em San Pedro de Atacama, em cima de uma montanha há mais de 4.000 metros, vendo o sol se pôr. Não é bem escrito, mas foi o que saiu na hora e mostra o que foi aquilo tudo pra mim com 25 anos.
Mais uma vez o silêncio impressiona. Estou consumido.
A vontade que dá é ampliar minha memória e preencher com este momento. Cada curva, cada cor, cada som, cada rota, cada cheiro, cada silêncio. Guardar tudo sentido por todos so sentidos em todos os sentidos.
Os azuis, rosas e cinzas destes céus, o alaranjado destas montanhas e o grande círculo prateado da lua são um espetáculo.
Que vento, que silêncio. Me adoeço aqui. Febre vermelho-fogo de alma. Olhos em chamas, garganta seca.
Visto de cima, sou um Deus-austronauta, pai e filho deste mundo. Meus olhos estão de horizontes novos.
Direto na têmpora: Heaven is a drag - Pree
Claro que uma viagem com turma tem seu lugar e que uma viagem com a minha Fer é sempre especial, mas tem algo de sair sozinho pelo mundo que não tem preço.
Relendo o caderninho, achei este texto que escrevi quando estava no Vale da Lua, em San Pedro de Atacama, em cima de uma montanha há mais de 4.000 metros, vendo o sol se pôr. Não é bem escrito, mas foi o que saiu na hora e mostra o que foi aquilo tudo pra mim com 25 anos.
Mais uma vez o silêncio impressiona. Estou consumido.
A vontade que dá é ampliar minha memória e preencher com este momento. Cada curva, cada cor, cada som, cada rota, cada cheiro, cada silêncio. Guardar tudo sentido por todos so sentidos em todos os sentidos.
Os azuis, rosas e cinzas destes céus, o alaranjado destas montanhas e o grande círculo prateado da lua são um espetáculo.
Que vento, que silêncio. Me adoeço aqui. Febre vermelho-fogo de alma. Olhos em chamas, garganta seca.
Visto de cima, sou um Deus-austronauta, pai e filho deste mundo. Meus olhos estão de horizontes novos.
Direto na têmpora: Heaven is a drag - Pree
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Musetti, Musete, Muzeti...
Sophia Comelli Musetti Silveira, esse é o seu nome, minha filha. Comelli é o sobrenome da sua mãe, Silveira é o meu e Sophia foi o nome que nós escolhemos para você. Só que no meio disso tudo tem um Musetti que só entrou na hora em que eu fui te registrar. É o sobrenome da sua bisavó Geralda, mãe do vovô Nilo e minha avó. Aliás, pouca gente sabe, mas o nome de verdade da sua bisa é Geraldina, mas ninguém chama ela assim.
Pois bem, eu como não tenho esse sobrenome queria muito que você o tivesse. Pensei até em tirar o “meu” Silveira, mas no cartório não deixaram e eu tive que encaixar o Musetti no meio do nome. Ficou bonito e sua mãe me deixou muito feliz por aprovar a idéia.
Uma das coisas que eu gosto desse nome é que nem na nossa família ele é escrito do mesmo jeito. Tem tios que são Muzetti, outros que são Muzeti e tem o seu avô que é Musetti. Pelo resto do Brasil a confusão é maior ainda, com Muzete, Museti e por aí vai.
Mas sabe porque eu queria tanto colocar esse sobrenome em você? Por causa da história da sua bisavó Geralda e do seu bisavô Maurilo. É, eu sei, meu nome é igual ao dele, né? Foi uma homenagem que o vovô Nilo fez. Ah, e não foi erro de cartório não. A mãe do vovô Maurilo, minha bisa Adelaide, deixou bem claro pro meu “biso” Saturnino: é Maurilo e não Maurílio, viu?” Mas voltando à história, tudo começou em Passos, no interior de Minas Gerais.
Sua bisa Geralda era filha de Augusta Posanzini e Luigi Musetti, ela de Ancona, ele de Carrara. Dona Augusta era uma italiana brava, severa, que vivia de costurar para clientes da cidade. Vovó Geralda era a segunda de seis filhos, sendo que a irmã mais velha havia morrido aos 19 anos durante o parto. Trabalhava como telefonista de dia e, à noite, costurava e dava aula de bordados à máquina.
Dizem que Vovó geralda era linda, linda. Ainda bem novinha ela namorou Messias Maia, filho do “Rei do Gado” Sebastião Maia. Um dia, Messias trouxe para ela bombons vindos de São Paulo, uma delícia rara e caríssima. Dona Augusta não gostou nada daquilo e mandou devolver. Sua bisa então, disse que de jeito nenhum, que devolver seria falta de educação. O resultado foi que ela levou uma surra, os bombons foram devolvidos e o namoro terminou por ali mesmo.
Namorou também o Saul, dono de uma farmácia, mas a mãe dele era contra só porque vovó era pobre. Depois veio o Cunha, e é aí que começa a história da vovó Geralda e do vovô Maurilo.
Celestino Cunha era de uma família riquíssima, envolvida com a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Apaixonou-se por vovó, ficaram noivos e ele comprou tudo para a nova residência do casal: geladeira, cama, móveis, só produtos da melhor qualidade. Dona Leocádia Cunha, mãe de Celestino, correspondia-se com vovó Geralda freqüentemente e era absolutamente encantada por ela. Enfim, tudo parecia encaminhar-se para um casamento feliz.
Certo dia, numa exposição de seus bordados, vovó Geralda encontrou vovô Maurilo pela primeira vez. Ele era 13 anos mais velho que ela, professor de matemática, muito inteligente. Cursou Engenharia no Rio de Janeiro, viajando a cavalo muitos dias junto com seu amigo e namorado de sua prima, Juscelino Kubitscheck, mas nunca terminou a faculdade.
Apaixonaram-se ali mesmo na exposição. Ele perguntou onde ela morava, ela contou e ele, curioso, disse que conhecia a casa. “Não é aquela casa onde tem sempre um lumezinho na porta?”. Vovó disse que sim e explicou que era o ferro em brasa que sua mãe, Dona Augusta, deixava na porta enquanto trabalhava.
Vovó terminou tudo com o Cunha dias depois. Já pensava nisso pelo fato dele ser espírita, o que incomodava muito uma pessoa católica como ela, mas o fator decisivo foi mesmo a paixão pelo vovô Maurilo.
Sempre muito correto, vovô Maurilo procurou o Cunha oferecendo-se para reembolsar todas as despesas que ele havia tido com a casa. Cunha recusou-se terminantemente a aceitar um centavo sequer. Queria apenas que vovó fosse feliz. Por carta, Dona Leocádia também desejou felicidades.
Maurilo e Geralda casaram-se em 1932. Tiveram 12 filhos, sendo que quatro morreram ainda bebês. Os outros oito seguem vivos até hoje: Levi, Luís, Galba, Hugo, Otto, Iara, seu avô Nilo e Maria das Graças. Viveram uma vida feliz e abençoada.
Em 1974, fiquei com eles alguns meses no sítio do Arrozal. Vovô Nilo e vovó Wanda foram para o Japão e me deixaram ali, com os tios todos, a Dinha (que você ainda não conhece), o seu biso Maurilo e a sua bisa Geralda. Fazia tanto tempo que eu não via o vovô Nilo que comecei a chamar Tio Levi de pai.
Quando queria alguma coisa, eu dizia assim: “faz batata frita pra ele, faz Dinha.” E a Dinha fazia uma bacia de batatinhas fritas que eu levava para a janela e ficava sentado, de banho tomado, olhando as pessoas passarem. Oferecia batatinha frita para todo mundo, perguntava se já tinham tomado banho ou se queriam ser meu pai.
Brincava no quintal e quase sempre me tiravam de lugares onde havia cobras. Entrei no meio da boiada, brinquei com o Duque, ia no riachinho no fundo do lote e fiquei um tempão sem cortar o cabelo. Anos depois morei de novo com vovó Geralda, mas dessa vez eu tinha 16 anos e já estávamos em Belo Horizonte. Foram dois anos que passamos no velho apartamento do São Bento, quando a barragem do Santa Lúcia era só um monte de mato.
Como você vê, Sophia, vovó Geralda tem uma história linda e é muito importante na vida do papai. Por isso eu fiz tanta questão e fiquei tão feliz que você tivesse o sobrenome Musetti. Tenha muito orgulho dele, porque é uma homenagem a uma pessoa maravilhosa.
Só mais uma coisinha: ainda hoje, com 96 anos e já bastante debilitada, vovó pede a Deus paciência, coragem, saúde e que seus filhos continuem sendo o que sempre foram: bons filhos. E eu não consigo ver pedido melhor para fazer a Deus quando penso em você. Te amo, minha filha. Minha Sophia Comelli Musetti Silveira.
Direto na têmpora: You're so damn hot - OK Go
Pois bem, eu como não tenho esse sobrenome queria muito que você o tivesse. Pensei até em tirar o “meu” Silveira, mas no cartório não deixaram e eu tive que encaixar o Musetti no meio do nome. Ficou bonito e sua mãe me deixou muito feliz por aprovar a idéia.
Uma das coisas que eu gosto desse nome é que nem na nossa família ele é escrito do mesmo jeito. Tem tios que são Muzetti, outros que são Muzeti e tem o seu avô que é Musetti. Pelo resto do Brasil a confusão é maior ainda, com Muzete, Museti e por aí vai.
Mas sabe porque eu queria tanto colocar esse sobrenome em você? Por causa da história da sua bisavó Geralda e do seu bisavô Maurilo. É, eu sei, meu nome é igual ao dele, né? Foi uma homenagem que o vovô Nilo fez. Ah, e não foi erro de cartório não. A mãe do vovô Maurilo, minha bisa Adelaide, deixou bem claro pro meu “biso” Saturnino: é Maurilo e não Maurílio, viu?” Mas voltando à história, tudo começou em Passos, no interior de Minas Gerais.
Sua bisa Geralda era filha de Augusta Posanzini e Luigi Musetti, ela de Ancona, ele de Carrara. Dona Augusta era uma italiana brava, severa, que vivia de costurar para clientes da cidade. Vovó Geralda era a segunda de seis filhos, sendo que a irmã mais velha havia morrido aos 19 anos durante o parto. Trabalhava como telefonista de dia e, à noite, costurava e dava aula de bordados à máquina.
Dizem que Vovó geralda era linda, linda. Ainda bem novinha ela namorou Messias Maia, filho do “Rei do Gado” Sebastião Maia. Um dia, Messias trouxe para ela bombons vindos de São Paulo, uma delícia rara e caríssima. Dona Augusta não gostou nada daquilo e mandou devolver. Sua bisa então, disse que de jeito nenhum, que devolver seria falta de educação. O resultado foi que ela levou uma surra, os bombons foram devolvidos e o namoro terminou por ali mesmo.
Namorou também o Saul, dono de uma farmácia, mas a mãe dele era contra só porque vovó era pobre. Depois veio o Cunha, e é aí que começa a história da vovó Geralda e do vovô Maurilo.
Celestino Cunha era de uma família riquíssima, envolvida com a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Apaixonou-se por vovó, ficaram noivos e ele comprou tudo para a nova residência do casal: geladeira, cama, móveis, só produtos da melhor qualidade. Dona Leocádia Cunha, mãe de Celestino, correspondia-se com vovó Geralda freqüentemente e era absolutamente encantada por ela. Enfim, tudo parecia encaminhar-se para um casamento feliz.
Certo dia, numa exposição de seus bordados, vovó Geralda encontrou vovô Maurilo pela primeira vez. Ele era 13 anos mais velho que ela, professor de matemática, muito inteligente. Cursou Engenharia no Rio de Janeiro, viajando a cavalo muitos dias junto com seu amigo e namorado de sua prima, Juscelino Kubitscheck, mas nunca terminou a faculdade.
Apaixonaram-se ali mesmo na exposição. Ele perguntou onde ela morava, ela contou e ele, curioso, disse que conhecia a casa. “Não é aquela casa onde tem sempre um lumezinho na porta?”. Vovó disse que sim e explicou que era o ferro em brasa que sua mãe, Dona Augusta, deixava na porta enquanto trabalhava.
Vovó terminou tudo com o Cunha dias depois. Já pensava nisso pelo fato dele ser espírita, o que incomodava muito uma pessoa católica como ela, mas o fator decisivo foi mesmo a paixão pelo vovô Maurilo.
Sempre muito correto, vovô Maurilo procurou o Cunha oferecendo-se para reembolsar todas as despesas que ele havia tido com a casa. Cunha recusou-se terminantemente a aceitar um centavo sequer. Queria apenas que vovó fosse feliz. Por carta, Dona Leocádia também desejou felicidades.
Maurilo e Geralda casaram-se em 1932. Tiveram 12 filhos, sendo que quatro morreram ainda bebês. Os outros oito seguem vivos até hoje: Levi, Luís, Galba, Hugo, Otto, Iara, seu avô Nilo e Maria das Graças. Viveram uma vida feliz e abençoada.
Em 1974, fiquei com eles alguns meses no sítio do Arrozal. Vovô Nilo e vovó Wanda foram para o Japão e me deixaram ali, com os tios todos, a Dinha (que você ainda não conhece), o seu biso Maurilo e a sua bisa Geralda. Fazia tanto tempo que eu não via o vovô Nilo que comecei a chamar Tio Levi de pai.
Quando queria alguma coisa, eu dizia assim: “faz batata frita pra ele, faz Dinha.” E a Dinha fazia uma bacia de batatinhas fritas que eu levava para a janela e ficava sentado, de banho tomado, olhando as pessoas passarem. Oferecia batatinha frita para todo mundo, perguntava se já tinham tomado banho ou se queriam ser meu pai.
Brincava no quintal e quase sempre me tiravam de lugares onde havia cobras. Entrei no meio da boiada, brinquei com o Duque, ia no riachinho no fundo do lote e fiquei um tempão sem cortar o cabelo. Anos depois morei de novo com vovó Geralda, mas dessa vez eu tinha 16 anos e já estávamos em Belo Horizonte. Foram dois anos que passamos no velho apartamento do São Bento, quando a barragem do Santa Lúcia era só um monte de mato.
Como você vê, Sophia, vovó Geralda tem uma história linda e é muito importante na vida do papai. Por isso eu fiz tanta questão e fiquei tão feliz que você tivesse o sobrenome Musetti. Tenha muito orgulho dele, porque é uma homenagem a uma pessoa maravilhosa.
Só mais uma coisinha: ainda hoje, com 96 anos e já bastante debilitada, vovó pede a Deus paciência, coragem, saúde e que seus filhos continuem sendo o que sempre foram: bons filhos. E eu não consigo ver pedido melhor para fazer a Deus quando penso em você. Te amo, minha filha. Minha Sophia Comelli Musetti Silveira.
Direto na têmpora: You're so damn hot - OK Go
terça-feira, janeiro 12, 2010
África do Sul
Acho que já mencionei antes no Pastelzinho que minha viagem de lua-de-mel começou pela África do Sul. Pois ontem, assistindo ao bom filme Invictus (sobre rugby e com Morgan Freeman no papel de Mandela), não pude deixar de lembrar da nossa visita e do absurdo que foi o Apartheid.
Mandela foi eleito presidente em 94 e eu e Fernanda estivemos lá em 2002, ou seja, a questão racial já havia avançado oito longos anos. Mesmo assim, contando com a boa vontade da minha memória (que anda piorando por causa da internet, segundo a Fernanda e a Veja), vou tentar lembrar algumas das impressões que tivemos.
Era interessante ver que todos falavam inglês, mas que a grande maioria dos brancos assumia não falar zulu, enquanto q quase totalidade dos negros falava afrikaans. Acho que ainda havia dois hinos na época, mas não tenho certeza.
Diziam também que os brancos que por algum motivo ficavam na miséria se recusavam a mudar para as favelas de Soweto (acho que era Soweto mesmo), mas os bairros "sofisticados" recebiam bem os negros.
Fora isso, a quantidade de imigrantes de outros países africanos atraídos pela melhor condição financeira dos vizinhos era assustadora. Inclusive não era raro ver pessoas falando em português devido à grande quantidade de moçambicanos e angolanos.
Só conhecemos Joanesburgo, Sun City e algumas atrações turísticas como safari fotográfico em parques de vida selvagem. Por estarmos em meio a uma viagem de turismo, não prestamos assim tanta atenção nas questões sociais, mas foi uma experiência memorável.
Não estarei na Copa, mas torço para que quem vá encontre um país igualmente lindo, igualmente rico culturalmente e cada vez mais bacana para os que vivem lá.
Direto na têmpora: Sleeping on the sidewalk - Queen
Mandela foi eleito presidente em 94 e eu e Fernanda estivemos lá em 2002, ou seja, a questão racial já havia avançado oito longos anos. Mesmo assim, contando com a boa vontade da minha memória (que anda piorando por causa da internet, segundo a Fernanda e a Veja), vou tentar lembrar algumas das impressões que tivemos.
Era interessante ver que todos falavam inglês, mas que a grande maioria dos brancos assumia não falar zulu, enquanto q quase totalidade dos negros falava afrikaans. Acho que ainda havia dois hinos na época, mas não tenho certeza.
Diziam também que os brancos que por algum motivo ficavam na miséria se recusavam a mudar para as favelas de Soweto (acho que era Soweto mesmo), mas os bairros "sofisticados" recebiam bem os negros.
Fora isso, a quantidade de imigrantes de outros países africanos atraídos pela melhor condição financeira dos vizinhos era assustadora. Inclusive não era raro ver pessoas falando em português devido à grande quantidade de moçambicanos e angolanos.
Só conhecemos Joanesburgo, Sun City e algumas atrações turísticas como safari fotográfico em parques de vida selvagem. Por estarmos em meio a uma viagem de turismo, não prestamos assim tanta atenção nas questões sociais, mas foi uma experiência memorável.
Não estarei na Copa, mas torço para que quem vá encontre um país igualmente lindo, igualmente rico culturalmente e cada vez mais bacana para os que vivem lá.
Direto na têmpora: Sleeping on the sidewalk - Queen
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
Porra, cê lembra disso?
Três coisas das quais eu me lembrei esses dias sabe-se lá por que.
1) Tonoklen - falta o começo do filme e o áudio tá péssimo, mas vale assim mesmo para vocês conhecerem o Viagra dos anos 70/80.
2) Milton, o monstro - não, na minha época não havia Ben 10.
3) Quando a tv tinha fim - na minha adolescência chegava uma hora em que a programação da tv acabava. No começo dos anos 80, tinha a Sessão Coruja e depois a Globo saía do ar. Como naquela época não havia computador ou tv a cabo, as noites eram um tédio para quem tinha insônia (o que graças a Deus não era o meu caso).
Direto na têmpora: Altar of sacrifice - Slayer
1) Tonoklen - falta o começo do filme e o áudio tá péssimo, mas vale assim mesmo para vocês conhecerem o Viagra dos anos 70/80.
2) Milton, o monstro - não, na minha época não havia Ben 10.
3) Quando a tv tinha fim - na minha adolescência chegava uma hora em que a programação da tv acabava. No começo dos anos 80, tinha a Sessão Coruja e depois a Globo saía do ar. Como naquela época não havia computador ou tv a cabo, as noites eram um tédio para quem tinha insônia (o que graças a Deus não era o meu caso).
Direto na têmpora: Altar of sacrifice - Slayer
terça-feira, dezembro 01, 2009
Suspiro
Ao mudar para BH morei um tempo com minha avó Geralda. O apartamento era ali bem em frente à barragem do Santa Lúcia quando havia apenas um pântano no local, sem laguinho, sem pista de cooper, sem nada.
Na pracinha, uma feirinha acontecia aos sábados e minha avó sempre comprava frutas, biscoitos e uma guloseima ou outra.
Ela, enfrentando um regime bravo, volta e meia chegava ao apartamento com um saco enorme de suspiros e dizia toda feliz:
- Trouxe suspiros para você.
Passado um tempo, eu deitado na sala vendo tv, ouvia minha avó se aproximar da cozinha.
- Esse parece fresquinho, vou provar só um.
Mais 5 minutos e lá vinha ela.
- Tá gostoso mesmo, vou comer só mais um.
Outro tantinho e já voltava Dona Geralda.
- Nossa, esse suspiro tá uma delícia, mais um e pronto.
E assim ia, a tarde toda, até que eu me levantasse e encontrasse menos de metade do saco de suspiros me esperando na mesa.
Nem me importava com o sumiço dos doces (e olha que eu sou louco por doces), mas adorava ver minha avó comendo daquele jeitinho dela. Na verdade, ficar observando aquilo era quase tão gostoso quanto os próprios suspiros.
Direto na têmpora: Up to no good - Rancid
Na pracinha, uma feirinha acontecia aos sábados e minha avó sempre comprava frutas, biscoitos e uma guloseima ou outra.
Ela, enfrentando um regime bravo, volta e meia chegava ao apartamento com um saco enorme de suspiros e dizia toda feliz:
- Trouxe suspiros para você.
Passado um tempo, eu deitado na sala vendo tv, ouvia minha avó se aproximar da cozinha.
- Esse parece fresquinho, vou provar só um.
Mais 5 minutos e lá vinha ela.
- Tá gostoso mesmo, vou comer só mais um.
Outro tantinho e já voltava Dona Geralda.
- Nossa, esse suspiro tá uma delícia, mais um e pronto.
E assim ia, a tarde toda, até que eu me levantasse e encontrasse menos de metade do saco de suspiros me esperando na mesa.
Nem me importava com o sumiço dos doces (e olha que eu sou louco por doces), mas adorava ver minha avó comendo daquele jeitinho dela. Na verdade, ficar observando aquilo era quase tão gostoso quanto os próprios suspiros.
Direto na têmpora: Up to no good - Rancid
segunda-feira, novembro 23, 2009
Alalaô
O bairro em que eu morava em Ipatinga tinha um lance bem legal: praticamente não tinha comércio.
Daí que, pela ausência de padarias, pão e leite tinham um sistema de entrega muito bacana. As pessoas compravam uma quantidade "x" de vales e deixavam uma cestinha com os vales de leite e de pão na quantidade desejada. Na manhã seguinte era só acordar, abrir a porta e trazer a cestinha recheada.
Infelizmente, Ipatinga tem criaturas absolutamente espírito de porco como eu e alguns amigos. No carnaval, voltando da rua com o dia nascendo, íamos colhendo os vales das cestinhas e colocávamos apenas em uma casa.
Ou seja,enquanto 30 casas ficavam sem café da manhã, apenas uma mais afortunada recebia 40 litros de leite e 70 pãezinhos.
Ah, como era divertido ser irresponsável e idiota.
Direto na têmpora: Dusted - Belly
Daí que, pela ausência de padarias, pão e leite tinham um sistema de entrega muito bacana. As pessoas compravam uma quantidade "x" de vales e deixavam uma cestinha com os vales de leite e de pão na quantidade desejada. Na manhã seguinte era só acordar, abrir a porta e trazer a cestinha recheada.
Infelizmente, Ipatinga tem criaturas absolutamente espírito de porco como eu e alguns amigos. No carnaval, voltando da rua com o dia nascendo, íamos colhendo os vales das cestinhas e colocávamos apenas em uma casa.
Ou seja,enquanto 30 casas ficavam sem café da manhã, apenas uma mais afortunada recebia 40 litros de leite e 70 pãezinhos.
Ah, como era divertido ser irresponsável e idiota.
Direto na têmpora: Dusted - Belly
quinta-feira, novembro 19, 2009
Ska man
Eu já fui muito fã de ska. Em 92 e 93 havia sempre uma noite reggae na falecida Broaday que acontecia, salvo falha de memória causada pela idade, às quintas-feiras e onde rolava reggae, obviamente, ska, 2-tone e congêneres.
Não era raro sairmos de lá pela manhã e seguirmos direto para a UFMG onde zumbizávamos durante as primeiras aulas ou mesmo dormíamos descaradamente no CEC - Centro de Estudos da Comunicação.
De 94 pra cá eu quase não ouvi mais ska, exceto por um período em 97 em que comprei bastante coisas na também falecida Urban Cave, sempre muito bem assessorado pelo Jeff Kaspar.
Agora, desde o começo do ano, a blip.fm me fez reencontrar ídolos como Hepcat, Rancid, The Specials, Madness, The Mighty Mighty Bosstones, Skatalites e ainda me ajudou a descobrir novos grupos. Isso sem falar que no twitter, descobri que o @rpajuaba (sigam-no!) também é skazeiro véio.
Não tenho mais aquelas noites selvagens de ska, mas confesso, ouço cada vez mais no carro e, às vezes, faço um moonstomping na agência quando não tem ninguém olhando.
Give'em the boot, the roots, the radicals!
Direto na têmpora: Istambul (not Constantinople) - The Four Lads
Não era raro sairmos de lá pela manhã e seguirmos direto para a UFMG onde zumbizávamos durante as primeiras aulas ou mesmo dormíamos descaradamente no CEC - Centro de Estudos da Comunicação.
De 94 pra cá eu quase não ouvi mais ska, exceto por um período em 97 em que comprei bastante coisas na também falecida Urban Cave, sempre muito bem assessorado pelo Jeff Kaspar.
Agora, desde o começo do ano, a blip.fm me fez reencontrar ídolos como Hepcat, Rancid, The Specials, Madness, The Mighty Mighty Bosstones, Skatalites e ainda me ajudou a descobrir novos grupos. Isso sem falar que no twitter, descobri que o @rpajuaba (sigam-no!) também é skazeiro véio.
Não tenho mais aquelas noites selvagens de ska, mas confesso, ouço cada vez mais no carro e, às vezes, faço um moonstomping na agência quando não tem ninguém olhando.
Give'em the boot, the roots, the radicals!
Direto na têmpora: Istambul (not Constantinople) - The Four Lads
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quarta-feira, novembro 11, 2009
Os loucos daquele tempo
Se você é do interior, certamente conviveu com uma boa dose de loucos. Ipatinga, onde eu nasci e vivi até os 16 anos, era fértil em malucos e peças raras.
Tinha doido com problema mental, doido por uso de dorgas, doido de temperamento, doido por opção, doido que era mais normal que a gente, tinha de tudo.
Pois bem, um desses doidos que era um grande amigo meu tinha uma série de cacoetes estranhíssimos e uma mania muito esquisita, mas que acabava sendo muito boa pra gente. Volta e meia, lá vinha ele perguntar:
- Maurilo, posso te dar um soco no braço?
- Tá doido, Fulano? Claro que não.
- Só um soco.
- Não, porra, sossega.
- E se eu te pagar um Cornetto?
- Não, cara, só um Cornetto é pouco pra um soco no braço.
- Um Cornetto, uma Coca e um mixto.
- Ok, pode dar o soco.
E assim lanchávamos de graça, com direito a sobremesa, graças ao nosso amigo doidinho.
Direto na têmpora: Eyes - Rogue Wave
Tinha doido com problema mental, doido por uso de dorgas, doido de temperamento, doido por opção, doido que era mais normal que a gente, tinha de tudo.
Pois bem, um desses doidos que era um grande amigo meu tinha uma série de cacoetes estranhíssimos e uma mania muito esquisita, mas que acabava sendo muito boa pra gente. Volta e meia, lá vinha ele perguntar:
- Maurilo, posso te dar um soco no braço?
- Tá doido, Fulano? Claro que não.
- Só um soco.
- Não, porra, sossega.
- E se eu te pagar um Cornetto?
- Não, cara, só um Cornetto é pouco pra um soco no braço.
- Um Cornetto, uma Coca e um mixto.
- Ok, pode dar o soco.
E assim lanchávamos de graça, com direito a sobremesa, graças ao nosso amigo doidinho.
Direto na têmpora: Eyes - Rogue Wave
quarta-feira, setembro 16, 2009
The boy from the 80s
Sim, eu usei New Wave Glitter Gel só na lateral do cabelo.
Sim, eu tinha tênis Redley bicolor (verde e cinza).
Sim, eu tomei Keep Cooler.
Sim, eu comprava vinis de forma compulsiva na Rei do Disco em Ipatinga; na Cogumelo e na Cotec em BH.
Sim, eu já usei calça OP e tinha uma bermuda verde limão.
Sim, eu usei daquelas sapatilhas chinesas pretas com uma sola fininha e que soltavam fácil, fácil.
Sim, eu era fã do The Cure e usei sobretudo mesmo morando em uma cidade onde 36 graus à noite era algo absolutamente normal.
Sim, eu comia mais de uma Mastiguinha por dia, comprava Yakult no carrinho e sei que brinquedo era o Kuru Kuru (Kuru Kuru, bicho engraçado, mas tome cuidado... Kuru Kuru é um bicho muito louco).
E você? Viveu os anos 80 também?

Tirado do site Memory Chips.
Direto na têmpora: Details Of The War - Clap Your Hands Say Yeah
Sim, eu tinha tênis Redley bicolor (verde e cinza).
Sim, eu tomei Keep Cooler.
Sim, eu comprava vinis de forma compulsiva na Rei do Disco em Ipatinga; na Cogumelo e na Cotec em BH.
Sim, eu já usei calça OP e tinha uma bermuda verde limão.
Sim, eu usei daquelas sapatilhas chinesas pretas com uma sola fininha e que soltavam fácil, fácil.
Sim, eu era fã do The Cure e usei sobretudo mesmo morando em uma cidade onde 36 graus à noite era algo absolutamente normal.
Sim, eu comia mais de uma Mastiguinha por dia, comprava Yakult no carrinho e sei que brinquedo era o Kuru Kuru (Kuru Kuru, bicho engraçado, mas tome cuidado... Kuru Kuru é um bicho muito louco).
E você? Viveu os anos 80 também?
Tirado do site Memory Chips.
Direto na têmpora: Details Of The War - Clap Your Hands Say Yeah
terça-feira, agosto 25, 2009
O poeta de Lumiar
Carnaval em Lumiar, coisa de 10 anos atrás. Casa bacana, no meio do mato, Jack Daniels na beira do riacho, boa comida e novos amigos. Enfim, um ótimo programa.
O fato é que em meio a turma havia também uns velhos esquisitões e completamente malucos. E foi com um deles que rolou a situação poético-musical-escalafobética que se segue.
Cheguei na varanda da casa e avistei meu amigo Fabriceira sentado com o supracitado coroa. Fabriceira fez um sinal com a mão e convidou "vem ouvir isso aqui". Sentei-me ao lado dos dois e o maluco empunhando um violão começou a falar, completamente chapado.
- Essa música eu fiz pra minha filha.
Ajeitou o instrumento, fez uma cara emocionada e, posicionando sua boca a milímetros da orelha do Fabriceira, berrou a comovente letra.
- Vai embooooraaaaaaaaaaaaa... que eu não te quero maisssshhhh... gente nuuaaaaaaa, não pode andar na ruuuaaaaaa... é proibido anda sem maishcarassssshhhhhh...
O resto da letra eu não consigo me lembrar, mas tenho quase certeza que não explica o que a filha do cara fez com ele.
Direto na têmpora: Sleeping is the only love - Silver Jews
O fato é que em meio a turma havia também uns velhos esquisitões e completamente malucos. E foi com um deles que rolou a situação poético-musical-escalafobética que se segue.
Cheguei na varanda da casa e avistei meu amigo Fabriceira sentado com o supracitado coroa. Fabriceira fez um sinal com a mão e convidou "vem ouvir isso aqui". Sentei-me ao lado dos dois e o maluco empunhando um violão começou a falar, completamente chapado.
- Essa música eu fiz pra minha filha.
Ajeitou o instrumento, fez uma cara emocionada e, posicionando sua boca a milímetros da orelha do Fabriceira, berrou a comovente letra.
- Vai embooooraaaaaaaaaaaaa... que eu não te quero maisssshhhh... gente nuuaaaaaaa, não pode andar na ruuuaaaaaa... é proibido anda sem maishcarassssshhhhhh...
O resto da letra eu não consigo me lembrar, mas tenho quase certeza que não explica o que a filha do cara fez com ele.
Direto na têmpora: Sleeping is the only love - Silver Jews
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