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quarta-feira, junho 23, 2010

Hoje eu sou outro

Eu já acreditei em projetos políticos, eu já planejei viver de literatura, eu já sonhei em ter três filhos, eu já fui louco por maria-mole, eu já pratiquei 4 horas de esporte por dia.

Eu já me achei superior a muita gente e já me aceitei inferior a qualquer um.

Eu já quis largar tudo, já quis reinventar tudo, já quis deixar tudo como estava.

Eu já amei e odiei meus pais, já comprei brigas que sabia que ia perder e já fugi da raia com a vitória nas mãos.

Eu já fui o idiota da vila, a voz da razão, o cego voluntário, o carrasco inconsequente, o melhor amigo e o pior traidor.

Mas hoje, eu sou outro.




Direto na têmpora: I think I need it too - Echo and the Bunnymen

terça-feira, junho 08, 2010

Próximos capítulos

Eu detesto seguir histórias que ditam o ritmo para você. Não sei me explico bem, mas eu gosto de definir o ponto de suspense do que leio ou sigo e não obedecer a um intervalo que me é imposto.

Novelas, por exemplo, não consigo seguir. Formatos de séries como Lost, que te fazem esperar pelo próximo capítulo ou temporada, pra mim não funcionam. Quadrinhos em longas sequências mensais nas bancas eu prefiro juntar todos e ler de uma vez só.

Eu gosto de coisas que se resolvem de uma tacada só, como Seinfeld, por exemplo. Ou ainda que me permitam escolher quando parar e quando seguir em frente, como um bom livro. É preferência minha, mas eu não consigo explicar muito bem.

Acho que é porque minha vida não acontece em fascículos. Ou talvez eu seja apenas chato mesmo.




Direto na têmpora: White Sport Coat - Meat Puppets

sexta-feira, maio 07, 2010

Pensando alto

Pessoas tem que fazer concessões. É parte das relações sociais, é intrínseco aos membros de qualquer espécie que opta por viver em comunidade.

Daí surgem as tentativas de delimitar os espaços de cada um, de hierarquizar prioridades entre interesses públicos e pessoais, de encontrar um equilíbrio praticamente impossível quando personalidades diferentes interagem por proximidade.

Nesse cenário os conflitos, assim como as concessões, são inevitáveis. Conflito não significa a impossibilidade e muito menos a obrigação de concordância. O debate é saudável, a diferença é desejável.

Por isso, desconfie de quem não assume posições, questione quem prega vontades homogêneas, duvide de quem almoça com a Máfia Azul e janta com a Galoucura. Esses que agem assim vão chegar longe, muito mais longe do que eu e você, mas tome cuidado com eles. O caminho para eles é apenas um trâmite e o que vale é a linha final. E quem ocorrer de estar também pelo caminho por onde eles passam é isso: trâmite, passageiro, detalhe na paisagem.

Eles são os que concedem tudo e que por isso tudo conseguem. Eu acredito que exista um limite para concessões e tenho certeza de que o seu é diferente do meu. Mas ele existe, ele precisa existir para que continuemos percebendo que o caminho também se leva em conta.

Porque como escreveu Jonathan Safran Foer em seu Eating Animals, "if nothing matters, there's nothing to save".




Direto na têmpora: Hard to beat - Hard Fi

segunda-feira, abril 19, 2010

Porcos-espinho e tatus

Existem dois tipos de pessoas quando acuadas: o tipo porco-espinho e o tipo tatu.

A pessoa do tipo-porco espinho é aquela que nem notamos ser perigosa normalmente, mas que tem as armas e as usa muito bem quando atacada.

A pessoa do tipo tatu é aquela que, ao ser atacada, apenas se defende, suportando tudo o que for usado contra ela sem esboçar reação.

É óbvio que quando me refiro a ataque, amplio a definição para crítica, cobrança, observação e qualquer outra forma de oposição, dependendo do grau de sensibilidade do tato e/ou porco-espinho.

Eu acho que sou mais porco-espinho e definitivamente preciso aprender a ser menos suscetível aos "ataques".

Por outro lado, velhos resmungões como eu são conhecidos pela sua dificuldade em mudar e por seu deleite em reclamar. Sorry.




Direto na têmpora: Dog days are over - Florence and the Machine

segunda-feira, março 22, 2010

Mudou

Quando eu era novinho, sempre me imaginava morando na Áustria, médico, almoçando pílulas e indo para o trabalho com uma daquelas mochilas a jato que a gente via nas séries futuristas de tv.

Metade do que não aconteceu no meu futuro foi uma decisão minha e a outra metade foram contingências. As duas primeiras não rolaram porque eu mudei demais desde que era menino e as duas últimas dançaram porque o mundo não mudou tanto assim daquela época pra cá.

Tentar imaginar o futuro é sempre uma combinação desastrosa de fantasia e de previsões teoricamente lógicas, mas às vezes o futuro muda simplesmente pelo que a gente faz e não pelo que a gente não controla. Algumas vezes, 50% do que será amanhã depende de você. Em outras vezes, pode ser mais ou menos.

A única certeza é de que a omissão dá 100% de responsbilidade para o acaso. Resumindo, é melhor fazer alguma coisa agora.




Direto na têmpora: Again - Lenny Kravitz

Swing

Alguns clientes são como um casal que resolve entrar numa festa de swing.

Antes do evento eles ficam cheios de planos, imaginando mil aventuras sexuais e parceiros maravilhosos, dispostos a tudo, certos de que a experiência não tem como não ser incrível.

No entanto, basta abrir a porta que tudo muda. O marido começa a imaginar um daqueles caras com sua mulher e morre de ciúmes, eles se sentem inadequados naquele ambiente cheio de gente liberada e ela só consegue pensar na decepção do pai se souber que a filhinha fez uma coisa dessas.

Cada um toma um refrigerante e quinze minutos depois vão embora pra casa assistir a um filme e comer pipoca.

Por isso, se o seu cliente disser que topa swing, que curte bondage, que faz de tudo e acha bom, não se anime demais. Como dizia o poeta, "falar é fácil, eu quero ver mesmo é mãozinha na bundinha".




Direto na têmpora: Window bird - Stars

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Natural born digitals

Eu não sou um nativo digital. Eu me lembro quando meu pai comprou nossa primeira tv a cores, me lembro do Telejogo, do orelhão de ficha e das linhas de telefone fixas caríssimas. O telefone, aliás, era de disco e tinha fio.

Eu ouvia música em vinil ou fita cassete e vi nascer o walkman. Também vi nascer o cd e o dvd, além de acompanhar o primeiro console de Atari e o videocassete do berço ao túmulo, sendo que o Beta morreu bem antes do VHS.

No meu ensino médio, computadores em casa eram um raridade e não havia celulares. Nos meus estágios trabalhei com máquina de escrever (aliás, ganhei uma quando entrei na faculdade) e quando me formei, o laboratório de redação da UFMG ainda não tinha computadores.

Em 98, apenas um dos computadores da agência em que eu trabalhava contava com internet e os emails eram por setor. Ex.: criacao@xxxcomunicacao.com.br. Conheci o ICQ e o mIRC.

Ao contrário do que este breve histórico deixa transparecer, não tenho 70 anos, mas 38. Vocês que são nativos digitais levam sobre mim uma enorme vantagem de conhecerem as novas formas de comunicação e relacionamento de uma maneira muito mais natural.

Em 2003 comecei a colaborar com um site de produção cultural independente e dali tirei os textos que compuseram meu primeiro livro "Incultos".

Em 2004, a Ju Sampaio, uma das autoras do Mothern, me apresentou os blogs.

Em 2005 comecei a me interessar seriamente pela internet não apenas como usuário, mas profissionalmente.

Em 2006 ajudei a plantar a semente da vinda do Guilherme Boechat (e de todo um raciocínio estratégico em meios online) para a Tom e comecei com o Pastelzinho.

Em 2007 / 2008, o Paulo Silva, da Domínio Público, me ajudou muito investindo em cursos e na minha formação no que diz respeito a web.

Continuo estudando, gerando conteúdo nos mais diversos formatos e conversando com uma infinidade de pessoas mais competentes e com visões diferentes da minha.

Não sou o que se pode chamar de profissional de web, mas sou um profissional de comunicação que já compreendeu que não existe diferença entre online e offline. Minha carreira depende disso, minha visão de mundo abraça isso. Em contrapartida, só leio livros "analógicos", não blogo e nem uso meios digitais no final de semana (tirando iPhone).

Como já disse, não sou um nativo digital. Vocês que o são, saibam aproveitar. E lembrem-se de que tudo morre e muda com uma rapidez impressionante e que o moderninho de hoje, assim que para de se mover, é o obsoleto de amanhã.




Direto na têmpora: Paper planes - I'm From Barcelona

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Embaixadores da marca

O termo "embaixador da marca" ou advogado da marca" se refere ao consumidor que se identifica de tal forma com determinado produto, serviço ou empresa que passa, sem receber nada em troca, a defendê-la, indicá-la e reforçar seus diferenciais junto a outros consumidores. O termo pode parecer estranho, já que eu nunca vi um advogado trabalhar de graça em favor de alguém, mas enfim (desculpem a piadinha, amiguinhos jurisconsultos).

O fato é que eu era um embaixador de marca do Super Nosso Gourmet. Elogiava, via Twitter ou ao vivo, os carrinhos feitos de garrafas pet recicladas, o setor de vinhos, o atendimento, o fato de oferecer Dotz, a qualidade dos produtos e tudo mais.

Para os que diziam que o Super Nosso Gourmet nunca seria igual ao Verde Mar, outro supermercado que eu adoro e recomendo, eu argumentava que em certos aspectos ele já era melhor e que, no geral, eles se equiparavam. Heresia para muitos, mas era a minha opinião.

Hoje fui fazer compras de mês e, mesmo com a insistência da Fernanda para que eu fizesse no Carrefour por ser mais barato (quase sempre é), relutei e segui para o Super Nosso Gourmet. Dos quatro primeiros itens da lista, encontrei apenas um.

É óbvio que o Super Nosso Gourmet não deixa de ser um excelente supermercado por isso e é notável o esforço da gerente para me atender e oferecer outras marcas em substituição, mas o encanto se perdeu um pouco.

Continuarei comprando no Super Nosso Gourmet, mas não serei mais um defensor apaixonado. Até porque eles concorrem com o Verde Mar e não podem ser apenas bons, precisam ser excelentes sempre. Infelizmente para eles, a margem para erro é mínima.

Escrevi isso tudo porque cada vez mais é difícil conquistar adeptos fiéis e capazes de viralizar o que há de bom em um produto. As empresas que conseguem isso, como a Apple, só para citar o exemplo, merecem muito o nosso aplauso. Eu confesso que sou embaixador da Editora Conrad, do Wii e de outras poucas marcas. O Super Nosso Gourmet ficou bem próximo e o Verde Mar também quase entrou nessa lista, mas ainda falta um detalhe.




Direto na têmpora: Igloo - Karen O and the Kids

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Nós, os trenzinhos

No cd novo da Adriana Partimpim há uma versão do Trenzinho do Caipira (ou Trenzinho Caipira, como preferir), de Villa Lobos. Sendo honesto, é a única música do cd que minha Sophia realmente curte. O resto ela ouve sem muita emoção.

Pois Sophia veio me perguntar o que era um "trem sem destino", uma parte da letra da música. Expliquei e outro dia, ouvindo a música, ela repetiu do jeito dela.

- Tem trem que sai de uma cidade e vai pra outra, né, papai, e aí é trem com destino, mas esse trenzinho sai de uma cidade e não vai pra lugar nenhum, e aí é trem sem destino.

Depois disso ela parou calada, pensativa, e eu cá comigo tenho que ela ficou imaginando poesias sobre o trem que nunca para e que segue sem ter onde chegar. Um trem que vai por simplesmente ir, parecido com a gente às vezes, que viaja pela viagem. Sem destino, sem motivo, só indo mesmo.

E se der uma vontadezinha de chorar quando você pensar nisso, minha Sophia, não se preocupe. Saber que a gente é um trenzinho sem destino é triste, mas é até bonito também.








Direto na têmpora: Surrender - Cheap Trick

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Calma, porra!

Eu usei aparelho móvel durante um ano. Sem problemas, sem stress.

Depois, com uns 15 anos, eu descobri que os dois últimos dentes do lado direito superior estavam encavalados e fui sentenciado ao aparelho fixo.

Durante três semanas ou mais, vivi com a parte interna da bochecha cortada, inchada e sangrando. Foi aí que, demonstrando toda a minha calma e resignação, eu arranquei o aparelho com um garfo e me dei alta do tratamento.

Anos depois isso me custou um dente e algumas boas centenas de reais, mas eu era jovem, inconsequente e achava que o futuro só me reservava o melhor independentemente das minhas escolhas e atitudes.

Não digo que tenha melhorado muito de lá pra cá no quesito paciência, mas aprendi que às vezes é preciso aturar os cortes na parte interna da bochecha.

Infelizmente parece que Sophia herdou de mim essa grande urgência injustificada diante de tudo e uma intolerância maior ainda à frustração. Vai passar muita raiva, mas se souber transformar isso em um rumo e não em uma reação, pode se dar muito bem.

Aliás, acho que é isso que eu desejo para 2010. Lidar de forma intempestiva contra as adversidades, mas não de forma reativa e sim de maneira a buscar uma solução.

É que na minha opinião o grande problema não é ser impaciente, intolerante com as próprias limitações ou radical em suas posturas. Mil vezes isso ao cordeirismo. O grande problema é pensar curto e não usar a energia que vem destas "imperfeições" para criar novos caminhos.

Se eu conseguir fazer isso, conto pra vocês em 2011. Quem sabe?




Direto na têmpora: Favorite thing - Replacements

terça-feira, janeiro 12, 2010

África do Sul

Acho que já mencionei antes no Pastelzinho que minha viagem de lua-de-mel começou pela África do Sul. Pois ontem, assistindo ao bom filme Invictus (sobre rugby e com Morgan Freeman no papel de Mandela), não pude deixar de lembrar da nossa visita e do absurdo que foi o Apartheid.

Mandela foi eleito presidente em 94 e eu e Fernanda estivemos lá em 2002, ou seja, a questão racial já havia avançado oito longos anos. Mesmo assim, contando com a boa vontade da minha memória (que anda piorando por causa da internet, segundo a Fernanda e a Veja), vou tentar lembrar algumas das impressões que tivemos.

Era interessante ver que todos falavam inglês, mas que a grande maioria dos brancos assumia não falar zulu, enquanto q quase totalidade dos negros falava afrikaans. Acho que ainda havia dois hinos na época, mas não tenho certeza.

Diziam também que os brancos que por algum motivo ficavam na miséria se recusavam a mudar para as favelas de Soweto (acho que era Soweto mesmo), mas os bairros "sofisticados" recebiam bem os negros.

Fora isso, a quantidade de imigrantes de outros países africanos atraídos pela melhor condição financeira dos vizinhos era assustadora. Inclusive não era raro ver pessoas falando em português devido à grande quantidade de moçambicanos e angolanos.

Só conhecemos Joanesburgo, Sun City e algumas atrações turísticas como safari fotográfico em parques de vida selvagem. Por estarmos em meio a uma viagem de turismo, não prestamos assim tanta atenção nas questões sociais, mas foi uma experiência memorável.

Não estarei na Copa, mas torço para que quem vá encontre um país igualmente lindo, igualmente rico culturalmente e cada vez mais bacana para os que vivem lá.




Direto na têmpora: Sleeping on the sidewalk - Queen

sexta-feira, janeiro 08, 2010

A Teoria do Crepúsculo

Antes de mais nada, é bom esclarecer que não fui ver Crepúsculo e nem Lua Nova não por preconceito, mas apenas por falta de interesse.

Em segundo lugar, eu fui apresentado a esta teoria por Marcus Barão (@marcus_barao) um dia desses aqui na TOM.

Em terceiro lugar, foram o Raphael Crespo (@raphaelcrespo) e a Sabrina Crespo (@SabrinaCrespo) que pediram para que eu dividisse com vocês a teoria, ou seja, é praticamente uma ordem. Sendo assim, vamos a ela.

Pelo que me contaram, o amor entre Bella e Edward é 98% platônico. Ele é louco por ela, ela é louca por ele, mas as coisas têm que ser meio distantes pelo fato do caboclo ser um vampiro.

É só abracinho leve, porque qualquer beijo na boca mais animadinho, qualquer roça-roça, qualquer sem-vergonhice pode resultar num acesso de sanguinolência do mocinho e em uma consequente chupada assassina (no sentido nosferático).

Resumindo, a mensagem que o filme passa para as meninas é: sexo mata. Mão naquilo? Mata também. Aquilo na mão? Mata demais! Boca naquilo e aquilo na boca? Ô, se mata. E se bobear até boca na boca tá arriscado a terminar em óbito.

Ou seja, estou encomendando hoje (não via Submarino, obviamente), o filme Crepúsculo. E minha Sophia vai assistir diariamente até entender que o Convento das Carmelitas Descalças é um ótimo lugar para que ela possa viver segura e feliz até, digamos, seus 38 anos.

E viva os vampiros vegans!




Direto na têmpora: It's a crime - Casiotone for the Painfuly Alone

terça-feira, janeiro 05, 2010

O fim da blogosfera

Eu queria ter um blog sobre marketing político, um blog sobre minhas opiniões políticas, um blog sobre meus projetos literários, um blog sobre meus projetos literários infantis, um blog sobre internet e redes sociais, um blog sobre a Sophia e a Fernanda, um blog sobre música, cinema e cultura em geral, um blog só de casos e memórias, um blog sobre basquete e um blog só com bobagens.

Infelizmente ia faltar leitor, tempo e assunto, por isso eu continuo só com o Pastelzinho.

A verdade é que embora eu ainda goste muito e tenha prazer em trabalhar com publicidade, meus interesses cada vez variam mais e o lugar que me permite lidar com todos eles e expressar o que penso sem precisar mudar radicalmente de vida é o blog.

E o pior é que já andam declarando o fim da blogosfera.

De qualquer forma, continuamos aqui, falando de tudo um pouco e usando como arquivo de um monte de coisas que antes se perderiam em alguma pilha de papel ou hd velho. Sendo assim, vai aí mais um repost de algo que tive que tirar do ar por causa do concurso literário.


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O menino que não acreditava no ar


"Se eu não pego, não mordo, não vejo e não cheiro, é porque ele não existe". Era assim que o menino dizia e ninguém o convencia de que o ar realmente existia.

"Mas e o vento, menino? O que você me diz dele? O que você acha que é o vento?"

"O vento é o vento, são as árvores espirrando, não é ar, mas não é mesmo."

"E o pum? O pum tem cheiro."

E o menino retrucava:

"Tem cheiro porque é pum, se não tivesse era outra coisa. Mas ar não é."

"Mas você não respira, menino? A gente respira é ar."

"É nada, papo furado, conversa mole. A gente enche e esvazia o peito é por causa do pulmão, não tem nada a ver com o ar, não."

E não havia fato que houvesse, professor que ensinasse e mãe que jurasse que convencesse o menino.

Um dia entrou na escola, bem na sala do menino, a menina mais bonita do mundo (ou pelo menos do bairro).

Tinha um olhar tão doce, um sorriso tão gostoso, que nem tinha passado um minuto e o menino não via mais nada. Ficou ali olhando pra ela, cara de bobo, coração disparado e ficou tão apaixonado que esqueceu de respirar.

De repente levou um susto, estava roxo, engasgado, sentindo falta de ar. A menina preocupada o socorreu, abanou, pegou no braço, deu até beijo na boca pra ajudar a reanimar. Ficaram se olhando um tempinho, ele quase desmaiando por causa daqueles olhos (ou do oxigênio, sei lá) e passados poucos dias resolveram namorar.

E depois daquele dia, o menino acreditou nessa história de ar, sem nunca duvidar de nada. O ar era fato de fato, disso não duvidava, mas preferia ficar sem ele, ficar roxo, bambo, abobado, preferia cair desairado, do que perder a namorada.




Direto na têmpora: Leavin' - Mad Caddies

quarta-feira, outubro 21, 2009

Twitter. Lado A, lado B.

10 coisas boas e 10 coisas ruins sobre o Twitter que você provavelmente já sabe e que se não sabe, não vai aprender aqui.


Os prós

1) Você pode seguir celebridades, fontes de informação sobre temas de seu interesse e todo tipo de gente que tenha alguma afinidade com você. Se você for atleticano, tiver 17 anos e curtir sacanagem você pode seguir, por exemplo, o @alexandrekalil, o @programapanico e a @evaangelinaxxx. Eu não sigo nenhum dos três, mas fica aí a dica.

2) É difícil ser muito chato usando apenas 140 caracteres.

3) O Twitter é perfeito para soltar frases misteriosas que podem te fazer parecer interessante mesmo que você não tenha nada importante a dizer. Após uma longa prisão de ventre você pode, por exemplo, twittar direto do seu banheiro algo como "Boa! Enfim as coisas começam a fluir" e passar a impressão de que está com grandes projetos profissionais acontecendo. Além disso, é ótimo para ofensas pega-carapuça, tipo "Publicitário mau caráter é foda". Sem ofender ninguém pessoalmente, você vai atingir um monte de gente que merece. É o mirar na jaca e acertar na uva.

4) As notícias sempre chegam primeiro ao Twitter. Tá certo que chegam como rumores, mas se você seguir as pessoas certas, é batata.

5) O Twitter é uma excelente ferramenta para divulgação pessoal / profissional. Sabendo usar você pode ser visto como um profissional bacana, produtivo e conectado ou pelo menos como um carinha descolado, o que for melhor pra você.

6) É difícil se perder em um raciocínio usando apenas 140 caracteres.

7) O unfollow é uma das melhores coisas do Twitter. Neguinho ficou chato, dá unfollow. Perdeu interesse no assunto, dá unfollow. Quer dar um tempo daquela linha de assunto, dá unfollow.

8) A aparência importa muito pouco no twitter. A não ser no caso da @evaangelinaxxx e suas colegas, é claro.

9) O Twitter aproxima e distancia ao mesmo tempo. Você sente como se estivesse falando com dezenas de outras pessoas a cada twittada, mas não se sente tímido por isso. É mais fácil dizer o que você realmente sente ou deseja nesse caso.

10) Para as empresas, o Twitter ainda é um mundo a ser descoberto, explorado e bem utilizado, o que significa grandes oportunidades para todo mundo que trabalha com marketing e comunicação, dentro ou fora destas próprias empresas.



Os contras

1) O Twitter costuma ser uma forma muito rápida de expressão, o que leva as pessoas a incorrerem no famoso "twittar sem pensar", o que pode levar desde briguinhas com coleguinhas virtuais até coisas mais sérias como processos, fim do casamento ou demissão (é sério).

2) Algumas pessoas conseguem ser incrivelmente chatas usando apenas 140 caracteres.

3) É difícil construir raciocínios muito elaborados com apenas 140 caracteres, até porque este não é o objetivo do Twitter. Se quiser discorrer sobre um tema mais dificultoso, podem rolar problemas de compreensão e você corre o risco de passar por idiota ou chato.

4) Escolher quem seguir no Twitter é metade da batalha. Se você não segue bem, vai achar que aquilo ali é apenas um bando de loucos falando ao vento sem fazer sentido e vai perder toda a diversão e a potencialidade da coisa.

5) O Twitter é uma sala aberta e você pode ser lido por pessoas que você nem imagina e que podem significar algo para você amanhã. Talvez seja melhor não abordar alguns assuntos, não destilar alguns venenos e nem fazer algumas críticas sem pensar muito bem.

6) Ao mandar um desabafo ou reclamação sem endereço certo você pode atingir quem não queria. E isso, principalmente no meio profissional, pode causar problemas.

7) Magoazinha de unfollow é um dos grandes males do twitter. Antes de mais nada, só porque você segue alguém, ele não tem a menor obrigação de seguir você. Principalmente se ele não te conhece. O grande lance do twitter é seguir quem você acha legal e se alguém te deu unfollow é porque você não está sendo bacana pra ele. Pode té ser um saco, mas é a vida.

8) Intimidade é uma merda. Se você é uma celebridade, vai ter que aguentar um monte de gente bancando o amigão, criticando ou dando palpite na sua vida. Se você é um figurão do mercado, vai ter que aguentar pedidos de emprego e muito puxasaquismo. Se você é um twitteiro qualquer, vai ter que aguentar piadinhas sobre futebol ou qualquer coisa assim de gente que você mal conhece, mas que acha que te conhece bem pra cacete.

9) O sobrenome do Twitter deveria ser "Too Much Information".

10) Para as empresas, o Twitter ainda é um mundo a ser descoberto, explorado e bem utilizado, o que significa um grande número de picaretas oferecendo soluções mágicas, gratuitas e perfeitas, além de um monte de empresas metendo os pés pelas mãos, usando mal a ferramenta e fazendo bobagem com a marca.




Direto na têmpora: We are golden - Mika

terça-feira, outubro 20, 2009

Feeding the Monster

O mercado publicitário já foi um lugar onde se ganhava muito dinheiro, mas muito mesmo, tipo de-com-força-pra-caraio.

Como a grana era muita e tinha muita gente querendo, algumas agências arranjaram uma forma "inteligente" de passar por bonzinhos com seus clientes e continuar faturando horrores.

A idéia básica era dizer pros caras "olha, sua marca é tão fodástica e a gente quer tanto trablhar com vocês que eu nem vou cobrar criação, vou ganhar só na comissão de mídia, beleza?"

E assim ficou, tudo beleza pra todo mundo durante um bom tempo até que chegou a tal da internet.

Os custos de mídia caíram, a própria necessidade de mídia passou a ser questionada em muitos casos, o consumidor passou a escolher o que quer ver, interrupção virou um pecado mortal e as agências passaram a viver um dilema: "como é que eu vou faturar se a mídia já não é mais aquela?"

Cobrar pela inteligência das soluções poderia ser um caminho, mas não foram as próprias agências que falaram pro cliente que essas soluções eram custo zero? Como fazer o cliente entender que ele nunca pagou por criação, mas que agora ela passou a valer muito?

O fato é que algumas agências criaram um monstro e agora todos vão passar aperto para alimentá-lo. Aqueles que pensam à frente já estão buscando soluções para essa questão, outros ainda vivem sonhando com a época das vacas gordas e torcendo pra esse negócio de internet não pegar.

O fato é que a grana está rara, a vida está cara e um novo modelo precisa ser pensado. E quanto mais rápido um consenso ou um vislumbre de caminho for encontrado, melhor para todos nós.




Direto na têmpora: Living Room - Tegan and Sarah

quarta-feira, outubro 14, 2009

Passei a noite licitando tu

Eu não tenho uma posição clara sobre a licitação de agências de publicidade para atenderem a contas públicas.

Para mim, o processo licitatório é importantíssimo para qualificar os prestadores de serviço que são pagos com o dinheiro público. Até aí não há discussão. No entanto, a coisa se complica por três questões:

- não são raras as vezes em que processos licitatórios se transvestem de transparentes quando, na verdade servem a interesses diversos;

- a avaliação de uma proposta técnica ou de um portifólio de propaganda é essencialmente subjetiva;

- a comunicação de um projeto político ou administração pública tem o seu quê de atividade de confiança, o que poderia justificar a possibilidade de uma indicação, por exemplo.

Por exemplo, a prefeitura de BH acaba de escolher para atendê-la a Perfil, a Espontânea/MPM (que agora é Populus) e a 18. Não questiono de forma alguma o resultado da licitação e parabenizo as três empresas. São agências que, junto com a TOM, ASA, Lápis Raro e tantas outras já se mostraram eficientes na comunicação de contas públicas.

O resultado se justifica ainda mais se levarmos em conta que, quando a coisa começou a desandar durante as eleições, a Perfil entrou no processo e fez um trabalho altamente elogiável.

Meu ponto é: por que não indicar as agências que já se mostraram da confiança do prefeito, capazes de compreender sua visão e competentes em suas funções para os postos licitados? Por que não dar ao governante o direito de indicar pelo menos uma das agências e licitar as outras contas?

Obviamente a fiscalização do uso das verbas públicas deveria ser correta (aliás, com sempre deveria ser), mas não seria mais justo agir assim do que esperar a coincidência de um processo licitatório com o que já é uma preferência declarada da administração?

É óbvio que essa linha de raciocínio pode levar também à indicação de empresas que venham a favorecer superfaturamento, desvio de verbas ou mesmo pagamentos mensais a certas pessoas. Mas, sejamos sinceros, nos processos licitatórios que existem hoje, não é o que acaba acontecendo em muitos casos?

De qualquer forma, licitações à parte, parabéns mais uma vez à Perfil, à Populus e à 18. Que a confiança da prefeitura seja merecida como eu acho que é e que façam todas um bom trabalho.

PS - Meu amigo Anderson me corrigiu a tempo: quem ganhou a segunda conta da Prefeitura foi a BIG, não a Populus. Sendo assim, parabéns à BIG e me desculpem pela confusão.




Direto na têmpora: Razzmatazz - Pulp

quinta-feira, outubro 01, 2009

Complexo de Jô

Hoje eu comentei no twitter sobre o Complexo de Jô, em que não importa qual seja o convidado, a entrevista é sempre sobre o apresentador.

Pois bem, o Complexo de Jô chegou nas redes sociais e parece que não vai sair tão cedo. Na verdade este é um efeito colateral do meio, que amplifica a voz de todos, mas principalmente daqueles que adoram ouvir a própria voz.

Eu não posso negar que seja um caso de Complexo de Jô, mas procuro sempre falar de outras coisas, repassar opiniões alheias, matérias interessantes que nada tenham a ver comigo. Não sei se consigo sempre, mas tento.

Acho que quando as pessoas reclamam desse grande palco de autoassunto que podem ser as redes sociais, não perceberam que eles não criam personalidades. Podem até revelar o que estava escondido (ou enrustido), mas não transformam água em vinho.

E pra falar a verdade, se estamos na era da afinidade, é dizendo o que gostamos e ouvindo do que os outros gostam que vamos criando relações e ampliando horizontes e conexões.

Resumindo, tá tudo certo. Mas que o Jô é chato, é.




Direto na têmpora: Walkin' On The Sun - Smash Mouth

terça-feira, setembro 29, 2009

WTF!?

Para quem não sabe, WTF é a sigla que representa, principalmente na web, a expressão "What the fuck". A sigla é usada para expressar choque, surpresa ou incredulidade diante de fotos, sites, comentários, vídeos, histórias, enfim, qualquer coisa que demande uma boa dose de "putaqueopariu" pela sua absurdância. Em bom português, a tradução seria algo próximo de "Que porra é essa?".

Enquanto isso, em Wisconsin, o órgão responsável pelo turismo do estado mudou seu nome de Wisconsin Tourism Federation (WTF) para Tourism Federation of Wisconsin (TFW). O motivo? Não há mais separação entre o mundo virtual e o real.

As pessoas buscavam o turismo em Wisconsin, encontravam WTF e as pessoas que buscavam situações WTF chegavam ao turismo de Wisconsin. O resultado é um campo aberto para hackers, pranksters, um número ilimitado de chacotas e brincadeiras que acabavam por afetar, na prática, as pretensões e a reputação da instituição de Wisconsin.

O que as pessoas consideram "virtual" é a cada dia mais real e impacta mais verdadeiramente o nosso cotidiano. Não somos usuários da internet, somos pessoas em cujas vidas a internet tem um papel tão prático e verificavelmente importante quanto uma calçada ou via de trânsito.

Incrivelmente bom para algumas coisas e terrivelmente ruim para outras, mas acredite, essa distância entre os dois mundos é cada vez mais a exceção. Embora nada substitua o contato físico, a troca de olhares, o contato real com um produto, existe uma extensão para estes sentidos e que está aí para ser explorada.

Explorar ou não é decisão de cada um. Para mim, a internet exponencializa o alcance de nossas opiniões, as conexões de nossas afinidades, as fronteiras do nosso conhecimento e as possibilidades da nossa criatividade. É real como um braço de cadeira ou um copo de café.

Essa é a minha opinião. Qual é a sua?




Direto na têmpora: Butterfly Nets - Bishop Allen

segunda-feira, setembro 21, 2009

Quase lá

O "quase" me angustia bastante. Os minutos logo antes da apresentação do trabalho, os instantes finais do jogo, o momento que antecede o sim (ou o não).

Não fui feito para esperar. E quando as coisas se acumulam no aguardo de respostas, tento fingir não ver, mesmo não adiantando.

É a verba que não chega para os projetos já aprovados, é o projeto que é bacana e ainda não foi apresentado, são as idéias que falta colocar no papel (ou no Word) é o que falta tempo para formatar e viabilizar, enfim, é coisa pra caramba.

Quando a hora chega o problema desaparece e, dando certo ou não, eu consigo lidar com uma certa tranquilidade com o fato. Meu problema mesmo é o quase-fato.

Agora, se tem uma espera com a qual eu tenho uma dificuldade enorme de conviver é aquela que antecede a entrega de presentes. Eu compro com antecedência e depois fico chocando aquilo, louco pra entregar para quem merece.

Vem logo, 12 de outubro, porque aquela caixa com a bicicletinha da Sophia já está começando a me tirar o sono.




Direto na têmpora: Do ya - Electric Light Orchestra

quinta-feira, setembro 17, 2009

Inovadorzinho

Poucas palavras são tão repetidas hoje quanto inovação. O "foco em inovação" de hoje é para mim apenas uma versão do "foco em resultados" de alguns dias atrás. Em 98,89% dos casos é discurso, apenas algo que se diz para que todos concordem, sintam-se bem e sigam fazendo as mesmas coisas com as mesmas velhas fórmulas.

Para ser inovador não basta fazer simplesmente o que não tem cara de velho. Não basta fazer algo diferente, legalzinho e que não se sustenta ou não se aplica. Isso é fazer novidade, não é fazer inovação.

A verdade é que nem sempre é preciso ser inovador ou genial. É perfeitamente normal e aceitável que uma empresa, pessoa, organização ou governo exerça suas funções com eficiência simplesmente executando muito bem o "feijão com arroz".

O que me incomoda na verdade é a adoção da postura inovadora sem a prática inovadora. Prefiro um Mauro Silva que se assume Mauro Silva a um Ronaldão que se anuncia Romário (Se você é novinho, pesquise sobre a Copa de 94. Se você quiser entender melhor a amplitude do vocábulo Mauro Silva, pergunte ao meu amigo Leo Oliveira).

Outra coisa que é preciso levar em conta é que não basta ser apaixonado por inovação para tornar-se inovador. É um ótimo começo, mas não funciona como causa e consequência. É como imaginar que basta ser apaixonado por livros para escrever como Camus.

De onde eu vejo, a inovação está ligada a três princípios básicos: compreender profundamente o problema; não se preocupar em como esse problema já foi solucionado por A, B ou C e entender que as objeções/problemas/críticas não devem ser ignorados e tampouco simplesmente obedecidos, mas sim analisados e resolvidos. Se uma solução inovadora depende de uma ferramenta que ainda não existe, invente-se a ferramenta.

Para finalizar o meu pitaco, ser inovador não é apenas pensar grande (é possível e altamente desejável ser inovador também nas pequenas questões), mas essencialmente pensar com a liberdade de quem não quer apenas resolver um problema, mas fazê-lo da melhor maneira possível.




Direto na têmpora: Tomato in the rain - Kaiser Chiefs