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quarta-feira, abril 04, 2012

Inimigo meu

Inimigo meu, fiques tranquilo que não te desejo o pior em todos os dias e nem sequer uma morte dolorosa e lenta. Não sou desses, embora fale como esses.

A verdade, inimigo meu, é que tampouco te desejo sucesso, alegria e saúde. Apenas pensei em ti porque me faltava assunto para escrever e eu, que tanto já falei sobre a amizade, hoje tive um gosto de variar.

Mas se quase não penso em ti, o que desejo afinal? Uma saudável distância, a paz de jamais rever-te e a esperança de que o teu caminho, qualquer que seja, nada tenha que ver com o meu.

Pouco me importa o que te venha a suceder, inimigo meu, e assim é melhor.

De resto, mantenho o compromisso de viver, lutar, ser feliz e errar como sempre fiz, preferencialmente sem que tenhas absolutamente nada a ver com isso.

E a ti, nada além da vida que mereças.




Direto na têmpora: Walking with a ghost - The National Fanfare Of Kadebostany

terça-feira, outubro 05, 2010

Gente que a gente encontra aqui

Por causa de um post meu, recebi um contato da Eloísa Muzzetti, uma graça de pessoa, muitíssimo educada e que divide sobrenome com a Sophia e meu pai.

Tentamos descobrir antepassados comuns mas concluímos que, se há parentesco, é coisa de séculos atrás.

Aí ontem a Eloísa me manda um email com fotos muito bacanas da região da Itália onde a família se originou e me parabeniza pelo fato de eu fazer pastéis (uma confusão que me fez rir bastante,confesso).

Ah, Eloísa, são apenas pastéis literários e bloguísticos, mas que com pessoas como você ganham um recheio muito melhor.




Direto na têmpora: Success - Iggy Pop

segunda-feira, julho 05, 2010

A vaca do apartamento X

Eu já contei aqui no Pastelzinho alguns casos sobre o meu prédio (esse e esse, por exemplo), mas confesso que achei que o pior tinha passado. Ledo engano.

Sabe como o Chaves sofria com a Bruxa do 71? Pois agora é a minha vez de sofrer com a Vaca do apartamento X. A casa da mulher é o seguinte: ela passa o dia inteiro fora e a filha se aboleta com o namorado na janela para fumar, o que resulta em bitucas de cigarro, chicletes, papéis de bala e outras delícias na área externa do meu apartamento.

Minha empregada já brigou com a menina, eu já mandei carta e no sábado até o vizinho da casa ao lado me ligou para reclamar que eles jogam cigarro no quintal dele. O que o Tio Maurilo fez? Escrevi um bilhete, juntei as baganas de cigarro e coloquei na porta da pessoa, dizendo que isso era uma constante e devolvendo o lixo que estavam jogando em minha casa.

Esperei uma reação da mãe e sabe o que ela fez? Mandou um bilhete dizendo que o problema era meu. Hoje cedo coloquei mais bitucas em um saquinho e deixei novamente na porta da moca com um bilhete mal educado. Isso vai render muito e eventualmente vai envolver condomínio, o dono do apê dela e, quem sabe, a policia.

O fato é que a Vaca do apartamento X só me fez confirmar que quando as pessoas reclamam que eu sou rígido demais com a Sophia, elas não fazem ideia de como pais permissivos ou preguiçosos podem estragar uma criança.

Vou pecar pelo excesso com a minha baixinha, mas nunca pela falta. E que Deus me ajude.



Minha vizinha, a permissiva Vaca do apartamento X.




Direto na têmpora: Whip it - Devo

sexta-feira, maio 07, 2010

Pensando alto

Pessoas tem que fazer concessões. É parte das relações sociais, é intrínseco aos membros de qualquer espécie que opta por viver em comunidade.

Daí surgem as tentativas de delimitar os espaços de cada um, de hierarquizar prioridades entre interesses públicos e pessoais, de encontrar um equilíbrio praticamente impossível quando personalidades diferentes interagem por proximidade.

Nesse cenário os conflitos, assim como as concessões, são inevitáveis. Conflito não significa a impossibilidade e muito menos a obrigação de concordância. O debate é saudável, a diferença é desejável.

Por isso, desconfie de quem não assume posições, questione quem prega vontades homogêneas, duvide de quem almoça com a Máfia Azul e janta com a Galoucura. Esses que agem assim vão chegar longe, muito mais longe do que eu e você, mas tome cuidado com eles. O caminho para eles é apenas um trâmite e o que vale é a linha final. E quem ocorrer de estar também pelo caminho por onde eles passam é isso: trâmite, passageiro, detalhe na paisagem.

Eles são os que concedem tudo e que por isso tudo conseguem. Eu acredito que exista um limite para concessões e tenho certeza de que o seu é diferente do meu. Mas ele existe, ele precisa existir para que continuemos percebendo que o caminho também se leva em conta.

Porque como escreveu Jonathan Safran Foer em seu Eating Animals, "if nothing matters, there's nothing to save".




Direto na têmpora: Hard to beat - Hard Fi

quinta-feira, maio 06, 2010

Humanidade para crianças

Bicho de pé, piolho e cupim

Pernilongo, pulga e carrapto

É tanto exemplo que não tem fim

A natureza é cheia de bicho chato


Olha aí a barata que chega voando

Olha a pomba que faz cocô lá de cima

Tem sempre uma mosca incomodando

Tem lagartixa escondida atrás da cortina


Mas tem um certo animal invejoso

Que nunca aceita o segundo lugar

E aí faz questão de ser mais seboso

Do que o bicho mais chato que você pensar


Essa raça enjoada está sempre por perto

E pode mesmo deixar todo mundo doente

Por isso é melhor ficar sempre esperto

Pra evitar esse chato que é o tal bicho-gente




Direto na têmpora: Sweet Sweet World - Two Tone Club

quarta-feira, maio 05, 2010

Direitos adquiridos

Eu discordo de alguns benefícios que as pessoas possuem assim, de graça. Para mim, certos direitos deveriam ser adquiridos apenas depois de uma análise minuciosa do perfil do querelante.

Por exemplo, "reply to all". A pessoa para usar o "reply to all" deveria ser examinada cuidadosamente para não sair respondendo para todo mundo toda e qualquer mensagem que recebe. Segue um exemplo.


De: Chefe
Para: Todos
Assunto: Reunião

Reunião amanhã às 9h. Estejam todos presentes.




De: Fulano
Para: Todos
Assunto: Re:Reunião

Uhu! Estarei lá, chefinho!



Por que, meu Deus, por que eu preciso receber essa mensagem? Por que toda a equipe precisa saber que Fulano é puxa-saco?

Agora, se houvesse uma Carteira de Habilitação Reply-to-all (CHR), isso não aconteceria. A pessoa teria seus direitos cassados e só poderia dar reply a um email por vez.

Essa triagem deveria ser aplicada também ao direito de discutir política na fila do banco, direito para usar o Twitter para falar de futebol e direito de cantar em espaços públicos (levando em consideração repertório, qualidade de voz e grau de sem-nocionismo).

Fica a dica.




Direto na têmpora: Cruel moon - Glasvegas

quinta-feira, abril 29, 2010

Percepção e realidade

Uma pessoa que trabalha em uma certa agência soltou um comentário no twitter. Uma reclamação sem nomes, sem detalhes, apenas uma frase.

Segundos depois, a mesma pessoa recebe seis comentários perguntando: é tal pessoa? E era. Os seis acertaram.

Se algum dia eu fizer no twitter algum comentário como "é um filho da puta", duvido que receberei seis comentários identificando o suposto fdp de maneira unânime e correta.

Podem achar que eu estou falando de um guardador de carro, de um cliente, de algum atendendente da telefonia celular, enfim, não basta a frase e o meu local de trabalho para saber de quem se trata.

No caso dessa outra pessoa (o alvo da frase, não o autor) o histórico não admite equívoco. Fulano trabalha em tal lugar, o filho da puta é ele.

Incrível como a fama, justificada ou não, precede alguns. Preconceito? Talvez, mas penso antes em prevenção. E nós, como podemos, nos precavemos.

Sei lá, achei meio triste isso.




Direto na têmpora: Who's Gonna Take The Weight – Gang Starr

segunda-feira, abril 19, 2010

Porcos-espinho e tatus

Existem dois tipos de pessoas quando acuadas: o tipo porco-espinho e o tipo tatu.

A pessoa do tipo-porco espinho é aquela que nem notamos ser perigosa normalmente, mas que tem as armas e as usa muito bem quando atacada.

A pessoa do tipo tatu é aquela que, ao ser atacada, apenas se defende, suportando tudo o que for usado contra ela sem esboçar reação.

É óbvio que quando me refiro a ataque, amplio a definição para crítica, cobrança, observação e qualquer outra forma de oposição, dependendo do grau de sensibilidade do tato e/ou porco-espinho.

Eu acho que sou mais porco-espinho e definitivamente preciso aprender a ser menos suscetível aos "ataques".

Por outro lado, velhos resmungões como eu são conhecidos pela sua dificuldade em mudar e por seu deleite em reclamar. Sorry.




Direto na têmpora: Dog days are over - Florence and the Machine

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Calma, porra!

Eu usei aparelho móvel durante um ano. Sem problemas, sem stress.

Depois, com uns 15 anos, eu descobri que os dois últimos dentes do lado direito superior estavam encavalados e fui sentenciado ao aparelho fixo.

Durante três semanas ou mais, vivi com a parte interna da bochecha cortada, inchada e sangrando. Foi aí que, demonstrando toda a minha calma e resignação, eu arranquei o aparelho com um garfo e me dei alta do tratamento.

Anos depois isso me custou um dente e algumas boas centenas de reais, mas eu era jovem, inconsequente e achava que o futuro só me reservava o melhor independentemente das minhas escolhas e atitudes.

Não digo que tenha melhorado muito de lá pra cá no quesito paciência, mas aprendi que às vezes é preciso aturar os cortes na parte interna da bochecha.

Infelizmente parece que Sophia herdou de mim essa grande urgência injustificada diante de tudo e uma intolerância maior ainda à frustração. Vai passar muita raiva, mas se souber transformar isso em um rumo e não em uma reação, pode se dar muito bem.

Aliás, acho que é isso que eu desejo para 2010. Lidar de forma intempestiva contra as adversidades, mas não de forma reativa e sim de maneira a buscar uma solução.

É que na minha opinião o grande problema não é ser impaciente, intolerante com as próprias limitações ou radical em suas posturas. Mil vezes isso ao cordeirismo. O grande problema é pensar curto e não usar a energia que vem destas "imperfeições" para criar novos caminhos.

Se eu conseguir fazer isso, conto pra vocês em 2011. Quem sabe?




Direto na têmpora: Favorite thing - Replacements

terça-feira, julho 28, 2009

Pequeno Tratado sobre o Preconceito

10 tipos de pessoa que eu odeio completamente sem ao menos conhecer:

1) Gente que tem adesivo "Sou Chicleteiro" no carro.

2) Mulheres que usam bota branca de cano alto (via Dri Machado).

3) Donos de carro com pintura fosca (adesivo, plotter, sei lá que porra é aquela).

4) Qualquer um que diga Harebaba mais de uma vez por dia.

5) Fãs radicais de Caetano Veloso, Los Hermanos e Raul Seixas.

6) Pessoas com mais de 13 anos que digam "doidimais, véi".

7) Manifestantes que ocupam a Praça Sete / Praça da Liberdade, independente da causa.

8) Indivíduos que pronunciam o número 12 como "douze".

9) Criaturas que fazem aspas com os dedinhos.

10) "Amigões" que cospem ao falar e cumprimentam com tapões na linha de cintura.




Direto na têmpora: Black burning heart - Keane

quarta-feira, junho 24, 2009

Ponyo

A pequena sereia, agora em versão japonesa do diretor Hayao Miyazki. Eu curti o trailer, só não entendi ainda o que é que a história tem a ver com a Pequena Sereia, mas enfim, a vida tem dessas coisas.

E foi justamente por causa dessa comparação estranha entre inspiração e resultado que me lembrei de um projeto que fiz de textos para uma certa instituição.

Em nosso primeiro trabalho juntos eles me deram como tema, só para dar um exemplo fictício, o nordeste brasileiro.

Eu então me esmerei e escrevi um texto altamente poético sobre a luta do nordestino, a persistência das pessoas, a fibra e a humanidade de um povo que supera a própria vontade da natureza com sua fé e seu trabalho, etc, etc.

Entreguei o texto cheio de orgulho, me sentindo quase um Graciliano Ramos e qual não foi a minha decepção ao ver que o cliente recebeu o material com um muxoxo.

"Meu Deus, como pode ele não gostar disso?", pensei e questionei se havia algo errado. Ele então respondeu com um sorriso amarelo.

"É que eu estava esperando uma coisa mais festa, sabe? Carnaval, forró, praia..."



A pequena o quê?




Direto na têmpora: I'm Movin' On - Rascal Flatts

quarta-feira, junho 03, 2009

Bigodes

Eu gosto de usar bigode. Normalmente quando passo mais tempo fora, como em campanhas políticas, por exemplo, eu sempre opto pelo bigode.

Fico me sentindo um revolucionário mexicano, um sindicalista polonês ou um malandro carioca da década de 50. A Fernanda não gosta de mim de cara lisa, que dirá de bigode. Sendo assim, quase não uso.

Como meu pai usava, talvez seja um pouco de saudosismo da infância. Não sei. Mas qualquer dia desses, quando a Fernanda não estiver, eu vou tirar a parte debaixo do cavanhaque e usar o bigode. Nem que seja por um dia, nem que seja por menos tempo ainda, mas eu irei me rebelar. Sim, eu irei, vocês verão, vocês todos verão!!!

Desculpem, acho que me exaltei um pouco, mas voltando aos bigodes, acho que são um atestado de autoconfiança. Não importa que essa moda tenha passado há mais de 30 anos, não importa que só senadores e jogadores de futebol húngaros ainda usem, o homem que ostenta um bigode diz em alto e bom som que simplesmente não se importa com modismos ou com a opinião dos outros. É quase como usar costeletas estilo Elvis ou polainas.

Por isso, homens de cara limpa, uni-vos. Liberem o bigodudo que existe dentro de vocês (ops) e assumam esta charmosa faixa de pelos faciais. Acreditem, assim vocês irão ajudar a fazer um mundo melhor.




Direto na têmpora: I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You - Black Kids

quinta-feira, maio 28, 2009

Para a mulher que eu amo

Esteja atenta, Fer, porque no mundo há pessoas sujas.

Há pessoas, minha Fer, que têm no próprio umbigo a maior e única riqueza, que pisam como se no mundo não houvesse outros pés, que fingem e enganam, que simplesmente não se importam.

Essas pessoas estarão por perto e há que saber lidar com elas. Às vezes você terá que não ouvir, outras terá que falar. E se for preciso, minha Fer, deixe claro que elas são sujas e que você sabe muito bem disso.

Sem se enervar, sem se preocupar, mas com a clareza de quem diz uma verdade pela qual não se pede desculpas.

Poderia dizer aqui que o mundo é dos idiotas, minha Fer, que o caráter é, na prática, uma deficiência.

Mesmo que seja verdade (e é), não vou dizê-lo. Vou apenas lembrar que há um outro mundo. Nosso, imperfeito e pobre a seu modo, mas ainda assim nosso. E que nele, essa sujeira não há de entrar.

Por isso, diga o que precisa ser dito, ignore o que precisa ser ignorado e saiba que, no final do dia, nosso mundo continua lá. E sem você, ele não existe. Te amo.




Direto na têmpora: Lost Cause Morning - The Moveable Furniture

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Decupando a pesquisa

Ok, a pesquisa ainda não está fechada, mas o Datapastel já acaba de revelar dados importantes sobre os leitores do pastelzinho.

Perguntados sobre o que farão no carnaval, 50% das pessoas afirmaram que dormirão. 25% afirmaram quer beberão. 20% afirmaram que furunfarão. 5% afirmaram que dançarão.

Na verdade o resultado surpreende pela velharia que está isso aqui. Nos meus tempos, marcaria "beber até morrer" facilmente, já que eu sempre fui do bloco dos comininguem e furunfar sempre foi fato raro na minha carreira carnavalesca.

Será que somos uma geração tsé-tsé? Será que o álcool perdeu a graça? Ou será que ninguém com mais de 30 liga pro carnaval? Nunca saberei a resposta, mas se você quiser tomar um chazinho de carqueja e jogar bingo nos 4 dias de folia, estamos aí.




Direto na têmpora: Dancing in the dark - Tegan and Sara

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O Welton Felipe da propaganda

O Clube Atlético Mineiro tem um zagueiro de nome Welton Felipe. É um garoto grandalhão, bem intencionado, mas extremamente atrapalhado. Sabe aquele neto carinhoso que corre pra dar um abração na avó, mas aí exagera na força e quebra o pescoço da velha? O Welton Felipe é assim. Mesmo sem ser maldoso ou violento, prevejo para ele uma carreira cheia de expulsões e pênaltis cometidos.

Pois trabalhei com um certo profissional que era o Welton Felipe da propaganda. Não era mal intencionado de jeito nenhum, mas sempre metia os pés pelas mãos na hora de lidar com a equipe. Na verdade, metia os pés pelas mãos em quase tudo o que envolvesse relacionar-se com as pessoas.

Uma notícia importante para todos ele contava, em segredo, apenas para dois e criava a rádio peão ele próprio com efeitos desastrosos. Era, enfim, um perigoso trapalhão.

Ainda me lembro que, para sanar um certo boato, chamou 5 pessoas da equipe e teve conversas pessoais com cada uma. Quando sentamos para conversar, cada um tinha recebido uma versão do fato. Ou seja, o boato transformou-se imediatamente em caos.

Não era maldoso, longe disso, mas quebrou muitos fêmures por aí o nosso Welton Felipe da propaganda.




Direto na têmpora: Her way of praying - The Jesus & Mary Chain

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Comum

A palestra sobre o Consumidor Classe C no Grupo de Estudos da TOM foi muito bacana. Apesar de toda a questão técnica e mercadológica ser interessantíssima, foi um aspecto humano que mais me chamou a atenção.

Obviamente, consumidores são pessoas. O GP08 mencionou isso a cada 15 segundos e ainda assim muita gente esquece. O que a pesquisa mostra é que, tanto entre homens quanto entre mulheres, o principal desejo que as pessoas da classe C tem é de ser inteligentes e criativos.

Entre os homens, na descrição de como veem a si próprios, o terceiro item mais citado foi "comum".

Saber-se comum é uma puta dor. Mais um, qualquer, igual, batido, repetido, sem relevância. Vida de gado.

Esqueça o que eles querem comprar e lembre-se de que eles querem existir. Ser visto, ser ouvido, não como extrato social ou grupo, mas como pessoa. Como indivíduo.

Ser comum é uma dor fodida.




Direto na têmpora: We Are Beautiful, We Are Doomed - Los Campesinos!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Dividindo a humanidade

Estou lendo a biografia do Ovalle e gostei demais da Nova Gnomonia. Sendo assim, inspirado pelo místico homem do monóculo, faço aqui minha própria classificação dos seres humanos em categorias.

Importante notar que não há aqui nenhum julgamento moral, já que pessoas de qualquer grupo podem ser boas ou ruins, conforme usem suas características para o bem ou para o mal.

Facianos: os facianos usam suas emoções no rosto. Respondem aos acontecimentos de maneira quase imediata e irrefletida. Compensam esse pouco cuidado com a reflexão com um instinto apurado. Facianos se arrependem de seus atos sim, mas nunca serão capazes de fingir uma reação ou simular uma simpatia.


Morphentes: os morphentes têm como principal característica uma grande capacidade de sonhar e de inventar. Não vivem de devaneios e nem são afastados da realidade, mas têm sempre um novo projeto em planejamento, seja uma viagem, uma exposição, um livro ou um romance. Alguns são levados a cabo, outros não.


Stérnicos: a firmeza é a principal marca dos stérnicos. Suas convicções e decisões costumam ser bem pensadas, bem embasadas e irrevogáveis. Inflexíveis, os stérnicos costumam impressionar pela firmeza e causar desconforto pela teimosia.


Nimbudistas: etéreos, distraídos, desapegados, os nimbudistas costumam ter um círculo fluido de relacionamentos, amorosos ou não. Péssimos para compromissos de qualquer espécie, costumam compensar este item com uma altíssima capacidade de abstrair. Como colaboradores são excelentes, como coordenadores, um fracasso.


Cambianos: em cada grupo os cambianos são descritos de uma forma. Para os amigos, são alegres; para os pais, compenetrados; para os colegas de trabalho alguma outra coisa. Não é falsidade, de maneira alguma, mas é que os cambianos têm uma grande multiplicidade de personalidades que os permitem adaptar-se facilmente às situações. Podem, no entanto, causar confusão e dúvidas sobre sua pessoa entre aqueles que os conhecem melhor.


Percebam que, assim como nos signos, podemos se de um determinado grupo e ter referência em outro. Eu, por exemplo, sou um morphente com sólidas referências stérnicas. E tu?




Direto na têmpora: Gift Shop - The Tragically Hip

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Desastre? Que desastre?

O universo protege algumas pessoas por motivos obscuros. Se existem aquelas que caminham inadvertidamente rumo ao perigo (ou melhor, inadvertidamente o caralho, muitas vezes advertidas), existem aquelas que passam pelo caos, abaixam para amarrar os sapatos e saem ilesos.

São os distraídos, os puros de coração ou simplesmente um bando de sortudos filhos da puta. Você escolhe.

Eu confesso que, mesmo acreditando cegamente no acaso, procuro me guiar pela máxima “antes de entrar, veja por onde vai sair”. Estas criaturas inabaláveis, não. Entram sem saber por onde e saem sem nem imaginar como.

Eu gosto de gente assim. Gosto muito. Aliás, eu preciso andar mais com pessoas assim.




Direto na têmpora: The man don’t give a fuck – Super Furry Animals

quarta-feira, novembro 19, 2008

Esquecimento

Não sei se foi o Borges quem disse que o esquecimento é o único perdão e a única vingança. Ou algo que o valha.

Pois bem, eu tenho enorme facilidade em reconhecer rostos e lembrar nomes, mas uma imensa dificuldade em recordar se a pessoas era um bom amigo ou um amargo desafeto. Já cumprimentei efusivamente um caloteiro no supermercado só para, 30 segundos depois, lembrar quem ele era e fechar a cara.

Tem um filme chamado Desafio no Bronx, dirigido pelo Robert De Niro, em que um dos personagens vive querendo pegar um outro rapaz que deve uma grana a ele. Um mafioso mais velho então pergunta:

"Você é amigo desse cara?"

"Não."

"Você gosta dele?"

"Não, ele é um babaca."

"Quanto ele te deve?"

"20 dólares."

"Pronto, considere que você pagou 20 dólares pra nunca mais ter que olhar para a cara dele."

Às vezes eu consigo agir assim e transformo gente que eu não gosto em posts sacanas ou simplesmente me esqueço deles. Normalmente eu consigo e isso é bom.




Direto na têmpora: Famous for nothing - Dropkick Murphys

terça-feira, novembro 04, 2008

Família salamandra

Dizem que existe uma divisão entre “cat people” e “dog people”. A Tetê é a “cat people” mais adorável que eu já conheci. Eu e Fernanda somos definitivamente “dog people”, o que não nos impede de nos relacionarmos extremamente bem com “cat people’ como a Tetê.

Enfim, sempre fui louco por cachorros, tenho inclusive um bulldog tatuado na minha perna direita (ilustração do Gui Fraga). Hoje, não sei se teria outro.

Cães têm o péssimo hábito de morrerem antes da gente, de serem carinhosos mesmo que ofereçamos a eles um mínimo e de não fazerem perguntas quando estamos tristes. Não sei se estou preparado para conviver novamente com seres assim se não puder me dedicar de verdade.

Acho que minha fase de dono de cães vai voltar na velhice, quando tiver mais tempo. Até lá, preciso apenas convencer a Fernanda a me deixar comprar salamandras novamente. Deixo até ela dar o nome. Vai dizer que não vai ser bacana dizer que somos “newt people”?




Direto na têmpora: Bird on a wire – Leonard Cohen