Esse cara aí do seu lado come wasabi com pão.
Esse cara aí do seu lado batia muito na irmã.
Esse cara aí do seu lado já namorou o meu chefe.
Esse cara aí do seu lado já levantou, agora é outro.
Esse cara aí do seu lado tem alergia a perfume.
Esse cara aí do seu lado arranhou o carro da Dona Célia.
Esse cara aí do seu lado eu nunca vi antes.
Esse cara aí do seu lado tem o maior jeito de pintor.
Esse cara aí do seu lado tava naquela festa.
Esse cara aí do seu lado tava naquele enterro.
Esse cara aí do seu lado é aquele que você falou?
Esse cara aí do seu lado tem cara de corno.
Esse cara aí do seu lado.
Todo cara aí do seu lado.
E aquele ali mais na frente também.
Direto na têmpora: Crash years - The New Pornographers
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terça-feira, abril 24, 2012
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Farol de São Tomé
A família da Fernanda tem uma casa em Farol de São Tomé, município de Campos, no Rio de Janeiro e fomos para lá no carnaval.
Após o terceiro dia, animadíssima com o sol, mar e praia, Sophia declarou:
- Essa é a melhor viagem da minha vida!
- Melhor que Porto de Galinhas?
- Melhor!
- Melhor que a Praia do Forte?
- Melhor!
- Melhor que o Rio de Janeiro?
- Melhor!
E eu, maligno, pensando no futuro.
- Melhor que a Disney?
Ela então me olhou muito séria e disse:
- Olha, papai, eu nunca fui à Disney e sempre fui doida pra ir, mas agora eu só quero vir aqui pra sempre!
Corta para o pai rindo loucamente por dentro e imaginando tudo o que ele poderá comprar com a grana economizada.
Direto na têmpora: No way - Sonic Youth
Após o terceiro dia, animadíssima com o sol, mar e praia, Sophia declarou:
- Essa é a melhor viagem da minha vida!
- Melhor que Porto de Galinhas?
- Melhor!
- Melhor que a Praia do Forte?
- Melhor!
- Melhor que o Rio de Janeiro?
- Melhor!
E eu, maligno, pensando no futuro.
- Melhor que a Disney?
Ela então me olhou muito séria e disse:
- Olha, papai, eu nunca fui à Disney e sempre fui doida pra ir, mas agora eu só quero vir aqui pra sempre!
Corta para o pai rindo loucamente por dentro e imaginando tudo o que ele poderá comprar com a grana economizada.
Direto na têmpora: No way - Sonic Youth
quarta-feira, setembro 21, 2011
Eu não conheço a Holanda
Eu não conheço a Holanda. Eu não conheço a Rússia. Eu não conheço o Japão. Eu não conheço as Ilhas Maldivas. Eu não conheço Moçambique. Eu não conheço Belize. Eu não conheço a Alemanha. Eu não conheço a Nova Zelândia.
Mas eu fico sempre com muita vontade de conhecer.
Miniature Waltz from Pieter Manders on Vimeo.
Direto na têmpora: Swing the night away - Miss Montreal
Mas eu fico sempre com muita vontade de conhecer.
Miniature Waltz from Pieter Manders on Vimeo.
Direto na têmpora: Swing the night away - Miss Montreal
terça-feira, agosto 30, 2011
Alma
Alma é o punhado de poeira cósmica, centelha de pó de estrela, o que resta do início de tudo e que ainda vive em nós.
Alma é o que sussurra a inspiração, é o que emociona em uma chuva que cai sem aviso, é o que entende o olhar jamais visto.
Alma é da gente o princípio, um restinho de infinito que ainda teima em queimar em nós.
Alma é tudo isso e é nada, é a magia do humano que se indistingue comum.
Efêmera como uma vida.
Eterna como uma sensação.
Direto na têmpora: 2000 miles - The Mighty Mighty Bosstones
Alma é o que sussurra a inspiração, é o que emociona em uma chuva que cai sem aviso, é o que entende o olhar jamais visto.
Alma é da gente o princípio, um restinho de infinito que ainda teima em queimar em nós.
Alma é tudo isso e é nada, é a magia do humano que se indistingue comum.
Efêmera como uma vida.
Eterna como uma sensação.
Direto na têmpora: 2000 miles - The Mighty Mighty Bosstones
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quinta-feira, junho 16, 2011
Ponto final
O ponto se sente pequenininho, sem graça, sozinho, somente um pontinho.
Não tem o topete ondulado do til, nem a coluna ereta da exclamação. Não se curva em interrogações, não se repete em reticências, não se alonga em uma pausa de vírgula.
Não começa a conversa como um travessão, não une palavras para criar outras como um hífen, não se equilibra sobre outro e vira dois pontos.
É um ponto e pronto. Fim de história. Ponto final.
Direto na têmpora: We close our eyes - Oingo Boingo
Não tem o topete ondulado do til, nem a coluna ereta da exclamação. Não se curva em interrogações, não se repete em reticências, não se alonga em uma pausa de vírgula.
Não começa a conversa como um travessão, não une palavras para criar outras como um hífen, não se equilibra sobre outro e vira dois pontos.
É um ponto e pronto. Fim de história. Ponto final.
Direto na têmpora: We close our eyes - Oingo Boingo
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domingo, abril 10, 2011
BH - Ipatinga, um roteiro
1) No carro, ainda na ida, ouvindo "O Vira" dos Secos & Molhados:
- Sophia, sabe como chama esse moço que canta essa música?
- Como?
- Ney Matogrosso.
- E como chama essa menina que tá cantando aí?
2) No Beleus, Sophia comendo impressionada o famoso e ainda delicioso pão de queijo:
- Olha, papai, tem queijo!
3) Em Ipatinga, Sophia falando com o namorado da minha tia:
- O meu pai gosta de "rókein".
4) No Salão do Livro, reencontrar Júnia Mayrink, Daniella Bital com o marido e seus 3 filhos lindos, a professora Suzana, Dona Ione, Nena de Castro, Aníbal e família, Fernanda La Noce, Breno Doce (com direito a filho, sobrinho e um dos filhos do Léo Bundão), Paulomar Nascimento, Dona Ione, o pessoal do Clesi, a mãe do Bruno, Professor Amilar e esposa, Lúcio Brum e se esqueci de alguém, me desculpem. E ainda conhecer o cartunista Duke e o "livreiro" Preto.
5) Depois do Salão, visitar o Arábia do meu querido amigo Juquita, encontrar Pedrinho Teixeira e Ana Paula Caixeiro. Receber mensagem do Serginho Simões, encontrar o Tananan no Morro do Pilar, encontrar o Átila no Centro Comercial, encontrar Cristina e seu irmão Rogério Pacheco.
6) Ficar na casa da tia Vanda e conhecer seu namorado Hélio, além de poder passar um tempinho com meu primo Tiago e sua Vanessa prestes a dar à luz.
7) Sophia adorou ver um gambá se equilibrando e percorrendo um quarteirão inteiro sobre os fios de energia.
8) Rever minha casa, com a garganta apertando, dividir tudo com Fernanda e com Sophia, que adorou a viagem.
9) A delicatessen do Elisinho é massa, a Av. Japão tá cheia de estabelecimentos comerciais e o Almanara parece que fechou.
10) Eu, Sophia e Fernanda voltaremos, mas da próxima vez de trem, porque a 381 é simplesmente impraticável.
A verdade é que Ipatinga ainda é minha cidade. Ainda me emociona e me faz ser quem eu sou. Tudo mudou muito da última vez que estive ali, há cerca de 9 anos, mas ainda é o lugar onde me sinto em casa.
A alegria de ver quem eu vi foi enorme e a saudade de quem não encontrei só aumentou. Tudo me parece menor, mas tudo me parece ainda Ipatinga. Lugar que eu amo, pessoas que eu amo, história que sempre será um pouco minha.
Direto na têmpora: Diamonds and rust - Joan Baez
- Sophia, sabe como chama esse moço que canta essa música?
- Como?
- Ney Matogrosso.
- E como chama essa menina que tá cantando aí?
2) No Beleus, Sophia comendo impressionada o famoso e ainda delicioso pão de queijo:
- Olha, papai, tem queijo!
3) Em Ipatinga, Sophia falando com o namorado da minha tia:
- O meu pai gosta de "rókein".
4) No Salão do Livro, reencontrar Júnia Mayrink, Daniella Bital com o marido e seus 3 filhos lindos, a professora Suzana, Dona Ione, Nena de Castro, Aníbal e família, Fernanda La Noce, Breno Doce (com direito a filho, sobrinho e um dos filhos do Léo Bundão), Paulomar Nascimento, Dona Ione, o pessoal do Clesi, a mãe do Bruno, Professor Amilar e esposa, Lúcio Brum e se esqueci de alguém, me desculpem. E ainda conhecer o cartunista Duke e o "livreiro" Preto.
5) Depois do Salão, visitar o Arábia do meu querido amigo Juquita, encontrar Pedrinho Teixeira e Ana Paula Caixeiro. Receber mensagem do Serginho Simões, encontrar o Tananan no Morro do Pilar, encontrar o Átila no Centro Comercial, encontrar Cristina e seu irmão Rogério Pacheco.
6) Ficar na casa da tia Vanda e conhecer seu namorado Hélio, além de poder passar um tempinho com meu primo Tiago e sua Vanessa prestes a dar à luz.
7) Sophia adorou ver um gambá se equilibrando e percorrendo um quarteirão inteiro sobre os fios de energia.
8) Rever minha casa, com a garganta apertando, dividir tudo com Fernanda e com Sophia, que adorou a viagem.
9) A delicatessen do Elisinho é massa, a Av. Japão tá cheia de estabelecimentos comerciais e o Almanara parece que fechou.
10) Eu, Sophia e Fernanda voltaremos, mas da próxima vez de trem, porque a 381 é simplesmente impraticável.
A verdade é que Ipatinga ainda é minha cidade. Ainda me emociona e me faz ser quem eu sou. Tudo mudou muito da última vez que estive ali, há cerca de 9 anos, mas ainda é o lugar onde me sinto em casa.
A alegria de ver quem eu vi foi enorme e a saudade de quem não encontrei só aumentou. Tudo me parece menor, mas tudo me parece ainda Ipatinga. Lugar que eu amo, pessoas que eu amo, história que sempre será um pouco minha.
Direto na têmpora: Diamonds and rust - Joan Baez
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
O barco
Dois pescadores estavam em um barco e, já bem distantes da costa, viram uma tempestade se aproximar de repente. Tentaram se afastar o mais rápido que podiam, mas foram pegos pela tormenta e, em completo desespero, se viram indefesos em meio ao caos.
O pequeno barco era jogado de um lado para o outro e não demorou muito até que os dois caíssem na água. As ondas vinham cada vez maiores e só restava a eles tentar manter a cabeça acima da superfície.
De repente, ao longe, avistaram um barco. Era impossível nadar até ele e seus gritos nunca seriam ouvidos pela tripulação.
Foi quando um dos amigos disse:
- Aguente firme e não perca o barco de vista. É só o que dá pra fazer.
Fique de olho no barco. Não se afogue. Às vezes é só o que dá pra fazer.
Direto na têmpora: Is there a ghost - Band of Horses
O pequeno barco era jogado de um lado para o outro e não demorou muito até que os dois caíssem na água. As ondas vinham cada vez maiores e só restava a eles tentar manter a cabeça acima da superfície.
De repente, ao longe, avistaram um barco. Era impossível nadar até ele e seus gritos nunca seriam ouvidos pela tripulação.
Foi quando um dos amigos disse:
- Aguente firme e não perca o barco de vista. É só o que dá pra fazer.
Fique de olho no barco. Não se afogue. Às vezes é só o que dá pra fazer.
Direto na têmpora: Is there a ghost - Band of Horses
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sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Três
Numa sala branca sentam-se os três com caras desanimadas: um cientista, um jogador de basquete e um ator. Três projeções de futuros com que sonhava, mas que nunca cheguei a viver.
- Aquele era dolorosamente burro - disse o cientista com uma certa pena.
- Sem impulsão, sem talento, sem altura - comentou o jogador de basquete balançando a cabeça com mal disfarçada decepção.
- Sempre confundia interpretação com mentira - sorriu tristemente o ator.
Pensaram ao mesmo tempo no gordinho de meia-idade, debruçaram-se sobre sua carreira, a filha e a mulher tão amadas, o carro ainda a pagar, os joelhos arrebentados, a viagem a Nova Iorque ainda e sempre adiada.
Questionaram prós, vasculharam contras, até que ouviu-se uma voz, saída ninguém sabe de onde, que murmurou com grave incredulidade.
- E é bem feliz o filho da puta.
Direto na têmpora: Lotus flower - Radiohead
- Aquele era dolorosamente burro - disse o cientista com uma certa pena.
- Sem impulsão, sem talento, sem altura - comentou o jogador de basquete balançando a cabeça com mal disfarçada decepção.
- Sempre confundia interpretação com mentira - sorriu tristemente o ator.
Pensaram ao mesmo tempo no gordinho de meia-idade, debruçaram-se sobre sua carreira, a filha e a mulher tão amadas, o carro ainda a pagar, os joelhos arrebentados, a viagem a Nova Iorque ainda e sempre adiada.
Questionaram prós, vasculharam contras, até que ouviu-se uma voz, saída ninguém sabe de onde, que murmurou com grave incredulidade.
- E é bem feliz o filho da puta.
Direto na têmpora: Lotus flower - Radiohead
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sexta-feira, agosto 06, 2010
Tiradentes continua ótima, mas tá ruim de chegar
Eu nunca tinha ido a Tiradentes "fora de temporada". A primeira visita foi durante uma das primeiras edições (segunda, se não me engano) do Festival de Cinema, depois estive com Fernanda no Festival de Gastronomia e a terceira vez passamos o Reveillon lá.
Agora, chegamos em uma terça-feira e ficamos até sexta. Cidade vazia, Sophia conhecendo o local e adorando, boa comida, clima gostoso, tudo perfeito. Quer dizer, tudo perfeito enquanto você está lá.
A verdade é que chegar e sair de Tiradentes para quem vai de Belo Horizonte é um suplício. O trecho entre Conselheiro Lafaiete e São João Del-Rei é um teste para os nervos de qualquer motorista.
Bom mesmo deve ser para quem tem helicóptero, quem viaja de avião ou para quem já tem acesso aos exclusivos serviços de teletransporte da Estrada Real. Para nós, pobre mortais que nos locomovemos de carro, ônibus ou moto é um suplício digno de Tiradentes.
Direto na têmpora: Jewel - Bombay Bicycle Club
Agora, chegamos em uma terça-feira e ficamos até sexta. Cidade vazia, Sophia conhecendo o local e adorando, boa comida, clima gostoso, tudo perfeito. Quer dizer, tudo perfeito enquanto você está lá.
A verdade é que chegar e sair de Tiradentes para quem vai de Belo Horizonte é um suplício. O trecho entre Conselheiro Lafaiete e São João Del-Rei é um teste para os nervos de qualquer motorista.
Bom mesmo deve ser para quem tem helicóptero, quem viaja de avião ou para quem já tem acesso aos exclusivos serviços de teletransporte da Estrada Real. Para nós, pobre mortais que nos locomovemos de carro, ônibus ou moto é um suplício digno de Tiradentes.
Direto na têmpora: Jewel - Bombay Bicycle Club
terça-feira, junho 15, 2010
Caju
Existe um certo tipo de alegria que só pode vir de um cajueiro. Esticar uma rede nos galhos, colher e comer a fruta, reparar no azul do céu por entre as folhas largas.
Ou pode ser só a sombra, só a textura nodosa da madeira, só a castanha que se espeta pra fora da carne do fruto. Pode ser só o aroma doce que o cajueiro exala.
O cajueiro é a preguiça se espalhando em um dia pra sempre de sol. É verde, amarelo e vermelho e a promessa de um delicioso travo recoberto de delícia.
Às vezes, mesmo que só paisagem, o cajueiro já se reinventa oásis. E enquanto isso, aqui em volta tudo é cimento, é cimento, é cimento e alguma fumaça também.
Direto na têmpora: Suicide - The Raveonettes
Ou pode ser só a sombra, só a textura nodosa da madeira, só a castanha que se espeta pra fora da carne do fruto. Pode ser só o aroma doce que o cajueiro exala.
O cajueiro é a preguiça se espalhando em um dia pra sempre de sol. É verde, amarelo e vermelho e a promessa de um delicioso travo recoberto de delícia.
Às vezes, mesmo que só paisagem, o cajueiro já se reinventa oásis. E enquanto isso, aqui em volta tudo é cimento, é cimento, é cimento e alguma fumaça também.
Direto na têmpora: Suicide - The Raveonettes
quinta-feira, março 25, 2010
Vale da Lua
Achei um caderno que escrevi quando fiz minha viagem sozinho pela Bolívia, Peru e Chile em 97. Aliás, eu sempre gostei de viajar sozinho. Fui assim ao Rock in Rio em 85, à Flórida em 87, a Morro de São Paulo em 91 e em muitos outros lugares mais próximos.
Claro que uma viagem com turma tem seu lugar e que uma viagem com a minha Fer é sempre especial, mas tem algo de sair sozinho pelo mundo que não tem preço.
Relendo o caderninho, achei este texto que escrevi quando estava no Vale da Lua, em San Pedro de Atacama, em cima de uma montanha há mais de 4.000 metros, vendo o sol se pôr. Não é bem escrito, mas foi o que saiu na hora e mostra o que foi aquilo tudo pra mim com 25 anos.
Mais uma vez o silêncio impressiona. Estou consumido.
A vontade que dá é ampliar minha memória e preencher com este momento. Cada curva, cada cor, cada som, cada rota, cada cheiro, cada silêncio. Guardar tudo sentido por todos so sentidos em todos os sentidos.
Os azuis, rosas e cinzas destes céus, o alaranjado destas montanhas e o grande círculo prateado da lua são um espetáculo.
Que vento, que silêncio. Me adoeço aqui. Febre vermelho-fogo de alma. Olhos em chamas, garganta seca.
Visto de cima, sou um Deus-austronauta, pai e filho deste mundo. Meus olhos estão de horizontes novos.
Direto na têmpora: Heaven is a drag - Pree
Claro que uma viagem com turma tem seu lugar e que uma viagem com a minha Fer é sempre especial, mas tem algo de sair sozinho pelo mundo que não tem preço.
Relendo o caderninho, achei este texto que escrevi quando estava no Vale da Lua, em San Pedro de Atacama, em cima de uma montanha há mais de 4.000 metros, vendo o sol se pôr. Não é bem escrito, mas foi o que saiu na hora e mostra o que foi aquilo tudo pra mim com 25 anos.
Mais uma vez o silêncio impressiona. Estou consumido.
A vontade que dá é ampliar minha memória e preencher com este momento. Cada curva, cada cor, cada som, cada rota, cada cheiro, cada silêncio. Guardar tudo sentido por todos so sentidos em todos os sentidos.
Os azuis, rosas e cinzas destes céus, o alaranjado destas montanhas e o grande círculo prateado da lua são um espetáculo.
Que vento, que silêncio. Me adoeço aqui. Febre vermelho-fogo de alma. Olhos em chamas, garganta seca.
Visto de cima, sou um Deus-austronauta, pai e filho deste mundo. Meus olhos estão de horizontes novos.
Direto na têmpora: Heaven is a drag - Pree
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Semente
A semente não sabia o que era, só sabia que gostava da terra. E quando se estourou em raízes, não foi por desejo de se descobrir o que quer que fosse, mas apenas por uma certa pressa de não caber em si.
Suas folhas romperam a crosta, sedentas de luz, e já não era semente. Era outra coisa, diferente, indefinida, que os outros já enxergavam com clareza, mas que ela mesma não adivinhava. E nem se interessava.
Sentia era falta da terra, do concentrado de ser pequena e não se reconhecia assim, espalhada. Semente ainda e sempre, presa em corpo de cenoura, de beterraba, de taioba ou de alguma flor.
Pouco importava. Não se enxergava, não se sustentava e nem se lamentava. Brotar é a dor irreversível.
Direto na têmpora: Blitzkrieg Bop - Die Toten Hosen
Suas folhas romperam a crosta, sedentas de luz, e já não era semente. Era outra coisa, diferente, indefinida, que os outros já enxergavam com clareza, mas que ela mesma não adivinhava. E nem se interessava.
Sentia era falta da terra, do concentrado de ser pequena e não se reconhecia assim, espalhada. Semente ainda e sempre, presa em corpo de cenoura, de beterraba, de taioba ou de alguma flor.
Pouco importava. Não se enxergava, não se sustentava e nem se lamentava. Brotar é a dor irreversível.
Direto na têmpora: Blitzkrieg Bop - Die Toten Hosen
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terça-feira, janeiro 12, 2010
África do Sul
Acho que já mencionei antes no Pastelzinho que minha viagem de lua-de-mel começou pela África do Sul. Pois ontem, assistindo ao bom filme Invictus (sobre rugby e com Morgan Freeman no papel de Mandela), não pude deixar de lembrar da nossa visita e do absurdo que foi o Apartheid.
Mandela foi eleito presidente em 94 e eu e Fernanda estivemos lá em 2002, ou seja, a questão racial já havia avançado oito longos anos. Mesmo assim, contando com a boa vontade da minha memória (que anda piorando por causa da internet, segundo a Fernanda e a Veja), vou tentar lembrar algumas das impressões que tivemos.
Era interessante ver que todos falavam inglês, mas que a grande maioria dos brancos assumia não falar zulu, enquanto q quase totalidade dos negros falava afrikaans. Acho que ainda havia dois hinos na época, mas não tenho certeza.
Diziam também que os brancos que por algum motivo ficavam na miséria se recusavam a mudar para as favelas de Soweto (acho que era Soweto mesmo), mas os bairros "sofisticados" recebiam bem os negros.
Fora isso, a quantidade de imigrantes de outros países africanos atraídos pela melhor condição financeira dos vizinhos era assustadora. Inclusive não era raro ver pessoas falando em português devido à grande quantidade de moçambicanos e angolanos.
Só conhecemos Joanesburgo, Sun City e algumas atrações turísticas como safari fotográfico em parques de vida selvagem. Por estarmos em meio a uma viagem de turismo, não prestamos assim tanta atenção nas questões sociais, mas foi uma experiência memorável.
Não estarei na Copa, mas torço para que quem vá encontre um país igualmente lindo, igualmente rico culturalmente e cada vez mais bacana para os que vivem lá.
Direto na têmpora: Sleeping on the sidewalk - Queen
Mandela foi eleito presidente em 94 e eu e Fernanda estivemos lá em 2002, ou seja, a questão racial já havia avançado oito longos anos. Mesmo assim, contando com a boa vontade da minha memória (que anda piorando por causa da internet, segundo a Fernanda e a Veja), vou tentar lembrar algumas das impressões que tivemos.
Era interessante ver que todos falavam inglês, mas que a grande maioria dos brancos assumia não falar zulu, enquanto q quase totalidade dos negros falava afrikaans. Acho que ainda havia dois hinos na época, mas não tenho certeza.
Diziam também que os brancos que por algum motivo ficavam na miséria se recusavam a mudar para as favelas de Soweto (acho que era Soweto mesmo), mas os bairros "sofisticados" recebiam bem os negros.
Fora isso, a quantidade de imigrantes de outros países africanos atraídos pela melhor condição financeira dos vizinhos era assustadora. Inclusive não era raro ver pessoas falando em português devido à grande quantidade de moçambicanos e angolanos.
Só conhecemos Joanesburgo, Sun City e algumas atrações turísticas como safari fotográfico em parques de vida selvagem. Por estarmos em meio a uma viagem de turismo, não prestamos assim tanta atenção nas questões sociais, mas foi uma experiência memorável.
Não estarei na Copa, mas torço para que quem vá encontre um país igualmente lindo, igualmente rico culturalmente e cada vez mais bacana para os que vivem lá.
Direto na têmpora: Sleeping on the sidewalk - Queen
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quarta-feira, agosto 26, 2009
Velhos amores
O Rio foi um amor de infância com o qual eu andei, não diria brigado, mas distante durante um bom tempo. Da Fernanda pra cá, eu e o Rio voltamos às boas e posso dizer que já sinto a velha chama acesa novamente.
Foi a primeira vez da Sophia na capital fluminense e que semana bacana passamos por ali. Nem a chuva atrapalhou e a baixinha amou o bondinho, o Cristo, a praia, o musical do Sítio do Pica Pau Amarelo e até mesmo o trágico Parque Terra Encantada, sobre o qual falarei depois.

Sophia curtiu a praia.

Sophia curtiu o Pão de Açúcar.

Sophia curtiu o Jardim Botânico.
Eu e Fernanda, além de nos divertirmos muito em todos os programas citados, ainda aproveitamos muito na comilança e nas compras.
Em termos de restaurantes a coisa foi realmente acima da média. Alessandro & Frederico, Zuka (e seu maravilhoso sorvete de tapioca com bala de coco), Deli 43 e os produtos Pavelka, Devassa, o excelente Bracarense e o delicioso café da manhã do Parque Lage foram alguns dos destaques.
No Bracarense, aliás, reencontramos meu grande amigo Don Oliva e depois fomos ver a sua Virgínia. Um dos melhores momentos da viagem.

Don Oliva, eu, Fernanda e Sophia no Bracarense.
De negativo, a impossibilidade de encontrar Raphael e Sabrina Crespo, a sinalização meio fraca e a decadência deprimente do Terra Encantada. Na verdade, o parque é hoje um exemplo de abandono que chega ao ponto do atendente avisar já na venda do ingresso: "em caso de arrependimento, não devolvemos o dinheiro".
Foi uma semana muito boa, como sempre são bons os momentos em que se reencontra um velho amigo como o Don Oliva ou uma antiga paixão como o Rio.
Direto na têmpora: Kick out the jams - Henry Rollins and Bad Brains
Foi a primeira vez da Sophia na capital fluminense e que semana bacana passamos por ali. Nem a chuva atrapalhou e a baixinha amou o bondinho, o Cristo, a praia, o musical do Sítio do Pica Pau Amarelo e até mesmo o trágico Parque Terra Encantada, sobre o qual falarei depois.
Sophia curtiu a praia.
Sophia curtiu o Pão de Açúcar.
Sophia curtiu o Jardim Botânico.
Eu e Fernanda, além de nos divertirmos muito em todos os programas citados, ainda aproveitamos muito na comilança e nas compras.
Em termos de restaurantes a coisa foi realmente acima da média. Alessandro & Frederico, Zuka (e seu maravilhoso sorvete de tapioca com bala de coco), Deli 43 e os produtos Pavelka, Devassa, o excelente Bracarense e o delicioso café da manhã do Parque Lage foram alguns dos destaques.
No Bracarense, aliás, reencontramos meu grande amigo Don Oliva e depois fomos ver a sua Virgínia. Um dos melhores momentos da viagem.
Don Oliva, eu, Fernanda e Sophia no Bracarense.
De negativo, a impossibilidade de encontrar Raphael e Sabrina Crespo, a sinalização meio fraca e a decadência deprimente do Terra Encantada. Na verdade, o parque é hoje um exemplo de abandono que chega ao ponto do atendente avisar já na venda do ingresso: "em caso de arrependimento, não devolvemos o dinheiro".
Foi uma semana muito boa, como sempre são bons os momentos em que se reencontra um velho amigo como o Don Oliva ou uma antiga paixão como o Rio.
Direto na têmpora: Kick out the jams - Henry Rollins and Bad Brains
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terça-feira, agosto 25, 2009
Becoming Costanza
A cada dia mais eu me convenço de que o título de Lord of the Idiots cabe a mim e somente a mim. Não somente pelas coisas que digo e faço, mas também pelas estranhas coincidências que me ligam ao grande George Costanza.
Quem lê o Pastelzinho há mais tempo sabe que eu já vivi um problema com pombas idêntico ao de George.
Pois ontem, retornando do Rio de Janeiro, vejo uma pomba que salta da mureta que separa as pistas a poucos metros do meu carro.
- Puta merda!
- Que foi, Mau?
- Eu vou matar essa pomba, Fernanda, olha ali que filha da puta.
- Bam!
Uma fração de segundos e a pobre ave se chocava violentamente contra o meu parabrisa deixando uma estranha mancha cinza, talvez das penas, no vidro.
Se matar pombas é pecado eu tô num rumo ótimo pro inferno (como se isso fosse o pior que já fiz... hmmmpf)
Direto na têmpora: Say you miss me - Jeff Tweedy
Quem lê o Pastelzinho há mais tempo sabe que eu já vivi um problema com pombas idêntico ao de George.
Pois ontem, retornando do Rio de Janeiro, vejo uma pomba que salta da mureta que separa as pistas a poucos metros do meu carro.
- Puta merda!
- Que foi, Mau?
- Eu vou matar essa pomba, Fernanda, olha ali que filha da puta.
- Bam!
Uma fração de segundos e a pobre ave se chocava violentamente contra o meu parabrisa deixando uma estranha mancha cinza, talvez das penas, no vidro.
Se matar pombas é pecado eu tô num rumo ótimo pro inferno (como se isso fosse o pior que já fiz... hmmmpf)
Direto na têmpora: Say you miss me - Jeff Tweedy
sexta-feira, agosto 07, 2009
Medo de quê?
O medo que eu tinha do escuro é hoje medo de quê? Um medo não some assim, como se nunca houvesse existido. Medo não desaparece, não cessa, não some no ar. Medo muda.
Ele se transmuta em outro pavor e se instala na gente até ser requisitado por um momento, um gesto, uma situação qualquer.
Meu medo de escuro virou o medo de ficar velho.
Meu medo da prova de Física virou medo da Sophia adoecer.
Meu medo do cachorro da rua de cima virou medo de perder a Fernanda.
Meu medo da loura do banheiro virou medo de descobrirem que sou incompetente.
Um medo que vira outro, uma certeza que vira susto, a gente que vai crescendo e temendo e tremendo e suando frio, sem dormir à noite por causa de algum medo novo que é o mesmo gelar nas veias.
O ser humano é assim: metade sonho e metade medo.
Direto na têmpora: Lonely Day - Phantom Planet
Ele se transmuta em outro pavor e se instala na gente até ser requisitado por um momento, um gesto, uma situação qualquer.
Meu medo de escuro virou o medo de ficar velho.
Meu medo da prova de Física virou medo da Sophia adoecer.
Meu medo do cachorro da rua de cima virou medo de perder a Fernanda.
Meu medo da loura do banheiro virou medo de descobrirem que sou incompetente.
Um medo que vira outro, uma certeza que vira susto, a gente que vai crescendo e temendo e tremendo e suando frio, sem dormir à noite por causa de algum medo novo que é o mesmo gelar nas veias.
O ser humano é assim: metade sonho e metade medo.
Direto na têmpora: Lonely Day - Phantom Planet
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sexta-feira, maio 15, 2009
São Paulo via Guarulhos
Eu sou razoavelmente bom com direções, mas para compensar eu sou incrivelmente burro. Da última vez que fui a São Paulo com a Fernanda, para o show do Radiohead, a viagem corria muito bem e eu contava com o GPS para me ajudar dentro da cidade até chegar à casa do tio da Tetê.
Realmente, dentro da cidade fomos até bem com o GPS, mas no meio do caminho, sabe-se lá porque, eu encasquetei que o bichinho indicava para sair da Fernão Dias antes da chegada em São Paulo. Do fundo da minha estupidez, acreditava que a casa do tio da Tetê poderia ficar em alguma região de São Paulo onde ficaria mais fácil chegar por ali.
Peguei a saída e me vi perdido em estradas vicinais mal sinalizadas, cidades estranhas e lugares com toda a panca de serem pontos de desova de presuntos.
Fernanda puta da vida (com razão), eu tentando descobrir alguma saída e como que por milagre surge uma placa para o Aeroporto de Guarulhos. Dali pra frente foi sopinha. Com quase duas horas de atraso chegamos ao nosso destino, a Fernanda ainda puta e eu francamente aliviado.
Direto na têmpora: Choking Tara - Guided by Voices
Realmente, dentro da cidade fomos até bem com o GPS, mas no meio do caminho, sabe-se lá porque, eu encasquetei que o bichinho indicava para sair da Fernão Dias antes da chegada em São Paulo. Do fundo da minha estupidez, acreditava que a casa do tio da Tetê poderia ficar em alguma região de São Paulo onde ficaria mais fácil chegar por ali.
Peguei a saída e me vi perdido em estradas vicinais mal sinalizadas, cidades estranhas e lugares com toda a panca de serem pontos de desova de presuntos.
Fernanda puta da vida (com razão), eu tentando descobrir alguma saída e como que por milagre surge uma placa para o Aeroporto de Guarulhos. Dali pra frente foi sopinha. Com quase duas horas de atraso chegamos ao nosso destino, a Fernanda ainda puta e eu francamente aliviado.
Direto na têmpora: Choking Tara - Guided by Voices
terça-feira, maio 05, 2009
Boa noite
Eu preciso de espaço para dormir. Sou estabanado, me espalho, mexo e rolo a noite inteira. Além disso, só consigo dormir com os pés pra fora do lençol, não importa a temperatura.
Três consequências desse estilo de sono são: a Fernanda penou no primeiro mês de casamento, eu prefiro dormir no chão a me espremer com alguém em uma cama e eu nunca fui muito fã de acampar.
É claro que eu já acampei, mas ficar naquela barraca abafada, com saco de dormir fazia com que eu dormisse às 4 da madruga e acordasse às 6 da matina. Sorte minha que a falta de sono me incomoda pouco.
Aí me lembrei de um caso na viagem que fiz pela Bolívia, Peru e Chile. Foram 33 dias sozinho, com um itinerário semidefinido e que me levaram à fronteira entre Peru e Chile algumas horas antes da abertura da alfândega.
Impossibilitado de seguir viagem, pedi ao motorista pra cochilar dentro do ônibus. Ele negou, alegando o risco de fiscais, mas me ofereceu outra solução: poderia dormir no compartimento de bagagens, vazio naquele momento.
Entrei, ele fechou a porta e, com a cabeça sobre a mochila, passei duas horas de um sono repousante e tranquilo nas entranhas do busão. Ninguém me incomodando, os pés livres e mais uma manhã cheia de coisas novas pela frente.
Teve bão.
Direto na têmpora: Frustration - Sugar
Três consequências desse estilo de sono são: a Fernanda penou no primeiro mês de casamento, eu prefiro dormir no chão a me espremer com alguém em uma cama e eu nunca fui muito fã de acampar.
É claro que eu já acampei, mas ficar naquela barraca abafada, com saco de dormir fazia com que eu dormisse às 4 da madruga e acordasse às 6 da matina. Sorte minha que a falta de sono me incomoda pouco.
Aí me lembrei de um caso na viagem que fiz pela Bolívia, Peru e Chile. Foram 33 dias sozinho, com um itinerário semidefinido e que me levaram à fronteira entre Peru e Chile algumas horas antes da abertura da alfândega.
Impossibilitado de seguir viagem, pedi ao motorista pra cochilar dentro do ônibus. Ele negou, alegando o risco de fiscais, mas me ofereceu outra solução: poderia dormir no compartimento de bagagens, vazio naquele momento.
Entrei, ele fechou a porta e, com a cabeça sobre a mochila, passei duas horas de um sono repousante e tranquilo nas entranhas do busão. Ninguém me incomodando, os pés livres e mais uma manhã cheia de coisas novas pela frente.
Teve bão.
Direto na têmpora: Frustration - Sugar
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terça-feira, março 10, 2009
Hooligans
Eu gosto de futebol bem mais do que gosto de ir ao estádio. Isso às vezes é bom e outras é ruim, mas me lembrei de quando estava com Fernanda em Praga, na única vez que fui à Europa e surgiu a oportunidade de assistir Sparta Praga e Manchester United.
Falei com a patroa, ela liberou e eu já estava todo animadão, afinal, assistir a um jogo desses não acontece qualquer dia.
Na manhã da partida, saímos para a praça e começamos a perceber a presença inequívoca dos torcedores ingleses já às 9h da matina. Eu, que meço 1,81 e peso cento e alguns quilos era pequeno perto dos gringos (todos com mulheres e filhos, a propósito).
Às 11h já podíamos ouvir os ingleses dizendo "vamos deixar as mulheres por aí e beber".
Às 14h a praça estava tomada por centenas de torcedores britânicos, completamente bêbados, agressivos, provocando os checos e gritando a plenos pulmões. Foi nesse momento que desisti de ir ao jogo.
Saí com a Fernanda, tivemos uma noite agradável em Lesser Town e no dia seguinte fui ver as manchetes: "Torcedores do Manchester quebram estádio, batem nos torcedores do Sparta e atacam a polícia.".
É por isso que cada vez fica mais difícil me encontrar nos grandes clássicos como Atlético e Social. Sou um torcedor de sofá assumido e muito feliz com isso.
Direto na têmpora: German love - Starfucker
Falei com a patroa, ela liberou e eu já estava todo animadão, afinal, assistir a um jogo desses não acontece qualquer dia.
Na manhã da partida, saímos para a praça e começamos a perceber a presença inequívoca dos torcedores ingleses já às 9h da matina. Eu, que meço 1,81 e peso cento e alguns quilos era pequeno perto dos gringos (todos com mulheres e filhos, a propósito).
Às 11h já podíamos ouvir os ingleses dizendo "vamos deixar as mulheres por aí e beber".
Às 14h a praça estava tomada por centenas de torcedores britânicos, completamente bêbados, agressivos, provocando os checos e gritando a plenos pulmões. Foi nesse momento que desisti de ir ao jogo.
Saí com a Fernanda, tivemos uma noite agradável em Lesser Town e no dia seguinte fui ver as manchetes: "Torcedores do Manchester quebram estádio, batem nos torcedores do Sparta e atacam a polícia.".
É por isso que cada vez fica mais difícil me encontrar nos grandes clássicos como Atlético e Social. Sou um torcedor de sofá assumido e muito feliz com isso.
Direto na têmpora: German love - Starfucker
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Coisas das Letras
Viagem para São Thomé das Letras com alguns amigos. Dois carros cheios de marmanjos para o feriado. Chegando a Três corações, logo antes da subida, carona para algumas meninas.
Uma delas, bicho grilo típico da fauna letrense, assim que entra no carro começa a contar um encontro traumatizante com seres extraterrenos. Sem entrar em detalhes, ela menciona como a experiência foi impressionante e como ela estava indo para a cidade mística em busca de respostas.
Silêncio breve e um dos meus amigos emenda: "pode falar, um ET comeu você, né?". No resto da subida não se ouviu mais a voz da pequena.
Outra rapidinha de São Thomé foi a vez em que um dos amigos ficou muito bêbado e sumiu. De repente, um outro colega caminhava com uma mocinha que arranjou por ali quando, como um raio, vem o bebum correndo, rouba o chapéu da donzela e, ainda em disparada, joga em uma poça de lama.
Após o feito, ergue os braços e sai comemorando "Touchdown! Touchdown!".
São Thomé era bom.
Direto na têmpora: Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes
Uma delas, bicho grilo típico da fauna letrense, assim que entra no carro começa a contar um encontro traumatizante com seres extraterrenos. Sem entrar em detalhes, ela menciona como a experiência foi impressionante e como ela estava indo para a cidade mística em busca de respostas.
Silêncio breve e um dos meus amigos emenda: "pode falar, um ET comeu você, né?". No resto da subida não se ouviu mais a voz da pequena.
Outra rapidinha de São Thomé foi a vez em que um dos amigos ficou muito bêbado e sumiu. De repente, um outro colega caminhava com uma mocinha que arranjou por ali quando, como um raio, vem o bebum correndo, rouba o chapéu da donzela e, ainda em disparada, joga em uma poça de lama.
Após o feito, ergue os braços e sai comemorando "Touchdown! Touchdown!".
São Thomé era bom.
Direto na têmpora: Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes
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