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segunda-feira, outubro 08, 2012

Minha mãe contou

Quando eu era menino, talvez com meus 6 ou 7 anos, a escolinha onde eu estudava entrou em acordo com os pais e mandou proibir os chicletes dentro do ambiente.

As razões eram mais que justas: além de conter muito açúcar, fazer mal aos dentes e causar risco de acidentes com criancas que corriam sem parar, o chiclete atrapalhava as refeições e tudo mais.

Tudo foi muito bem até o dia em que a professora interpelou uma menininha que mascava seu chiclete tranquilamente durante a aula.

- Fulaninha, a gente já conversou e não pode mascar chiclete. Joga fora, por favor?

- Não posso, fessora.

- Pode, sim, Fulaninha, todo mundo combinou, tem que cumprir. Joga fora, vai.

- Não... não posso jogar fora.

- Como não pode, menina? Tem que jogar fora. Vamos, cospe esse chiclete agora.

- Não posso, fessora, ele não é meu, é da Ciclana, ela só me emprestou um pouquinho...

Parece piada, mas eu acredito, porque foi minha mãe que contou.




Direto na têmpora:  Sweet sour - Band Of Skulls

quinta-feira, abril 28, 2011

Minha cidade

Ipatinga completa hoje amanhã 47 anos. É pouco pra uma cidade daquele tamanho, mas é tempo suficiente pra não ser mais um lugar qualquer.

Sou da primeira geração de pessoas nascidas ali. Ipatinguense da gema, com muito orgulho, filho de pessoas de fora como todas as pessoas dali.

Gente que veio de tudo quanto é lugar, trazendo todo tipo de bagagem, mas que escolheu o encontro dos rios Doce e Piracicaba pra construir uma nova história.

Ipatinga surpreendentemente verde, assustadoramente quente, grande e pequena, tão diferente e tão igual a tantas outras cidades.

Ipatinga de tantos amigos, de tantas memórias, dos tombos de rolimã, das tardes passadas no clube, da subida do morro no meio da noite, de meninos correndo e apagando padrão nas casas.

Ipatinga, capital do aço que eu acho tão doce, você faz parte de mim. E eu espero, com toda vontade do mundo, ainda fazer parte de você.




Direto na têmpora: I feel better - Frightened Rabbit

domingo, abril 10, 2011

BH - Ipatinga, um roteiro

1) No carro, ainda na ida, ouvindo "O Vira" dos Secos & Molhados:

- Sophia, sabe como chama esse moço que canta essa música?

- Como?

- Ney Matogrosso.

- E como chama essa menina que tá cantando aí?



2) No Beleus, Sophia comendo impressionada o famoso e ainda delicioso pão de queijo:

- Olha, papai, tem queijo!


3) Em Ipatinga, Sophia falando com o namorado da minha tia:

- O meu pai gosta de "rókein".


4) No Salão do Livro, reencontrar Júnia Mayrink, Daniella Bital com o marido e seus 3 filhos lindos, a professora Suzana, Dona Ione, Nena de Castro, Aníbal e família, Fernanda La Noce, Breno Doce (com direito a filho, sobrinho e um dos filhos do Léo Bundão), Paulomar Nascimento, Dona Ione, o pessoal do Clesi, a mãe do Bruno, Professor Amilar e esposa, Lúcio Brum e se esqueci de alguém, me desculpem. E ainda conhecer o cartunista Duke e o "livreiro" Preto.


5) Depois do Salão, visitar o Arábia do meu querido amigo Juquita, encontrar Pedrinho Teixeira e Ana Paula Caixeiro. Receber mensagem do Serginho Simões, encontrar o Tananan no Morro do Pilar, encontrar o Átila no Centro Comercial, encontrar Cristina e seu irmão Rogério Pacheco.


6) Ficar na casa da tia Vanda e conhecer seu namorado Hélio, além de poder passar um tempinho com meu primo Tiago e sua Vanessa prestes a dar à luz.


7) Sophia adorou ver um gambá se equilibrando e percorrendo um quarteirão inteiro sobre os fios de energia.


8) Rever minha casa, com a garganta apertando, dividir tudo com Fernanda e com Sophia, que adorou a viagem.


9) A delicatessen do Elisinho é massa, a Av. Japão tá cheia de estabelecimentos comerciais e o Almanara parece que fechou.


10) Eu, Sophia e Fernanda voltaremos, mas da próxima vez de trem, porque a 381 é simplesmente impraticável.

A verdade é que Ipatinga ainda é minha cidade. Ainda me emociona e me faz ser quem eu sou. Tudo mudou muito da última vez que estive ali, há cerca de 9 anos, mas ainda é o lugar onde me sinto em casa.

A alegria de ver quem eu vi foi enorme e a saudade de quem não encontrei só aumentou. Tudo me parece menor, mas tudo me parece ainda Ipatinga. Lugar que eu amo, pessoas que eu amo, história que sempre será um pouco minha.




Direto na têmpora: Diamonds and rust - Joan Baez

sexta-feira, abril 08, 2011

Ipatinga outra vez

Sophia vai conhecer a cidade em que os pais nasceram. Vai passar na frente do Hospital Márcio Cunha, do Colégio São Francisco Xavier, das casas onde vivemos boa parte das nossas vidas e do Clube Morro do Pilar.

Fora isso, vai ver o pai de novo vendendo livros, conversando com as pessoas, falando com quem gosta de ler.

É quase nada, mas pra mim é tanto, que uma viagenzinha de um dia pro outro já me atinge como uma pedrada de emoção.

Ah, segue a ficha do evento:


Salão do Livro do Vale do Aço
Centro Cultural Usiminas - Shopping do Vale
Sábado, 9 de abril
15 horas no Café Literário


Quem puder, apareça!




Direto na têmpora: Love - The Cult

segunda-feira, março 14, 2011

Moleques

Eu e meus irmãos tínhamos uma arma de chumbinho quando éramos criança. Atirávamos em latas colocadas sobre o muro e coisas assim, mas com exceção do Diogo que dizimava calangos, evitávamos animais.

Pois um dia estávamos tentando acertar algo quando surgiu meu pai.

- Vocês são muito ruins de mira... me dá isso aqui. Quer ver que eu acerto naquela lâmpada?

Apontou a arma para uma lâmpada na casa do vizinho de trás e atirou com a certeza de que iria errar. Pow! Não deu outra e acertou em cheio.

Na mesma hora entregou a causadora da tragédia pra nós e avisou:

- Qualquer coisa a culpa é de vocês, hein
?

No dia seguinte o vizinho de trás foi conversar com ele e meu pai imediatamente iniciou a falação:

- Pois é, Fulano, esses meninos são fogo. Eu já falei pra não brincarem com a arma no quintal, já disse que ia dar problema. Você me desculpe, viu? Chegando em casa eu vou dar um castigo neles e a lâmpada você deixa que eu pago.


Então o vizinho abre um sorriso e diz:

- Sabe o que é, Nilo, o Beltrano que é seu vizinho de lado viu que foi você quem atirou.

O vizinho então caiu na gargalhada e meu pai pediu desculpas como deu, pagou o que devia e nunca mais tocou em uma arma de chumbinho.




Direto na têmpora: Loving cup - The Rolling Stones

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Origem

Na última sexta reencontrei grandes amigos de Ipatinga: Marcinho e Toyana, Paulomar e Adriana, Xandinha e Rodrigo, Magno e Fernanda, Nanai, Sandra, Digão, Gustavo e Cão.

Muito papo furado, muitas sudades até que Paulomar lembrou de um caso que preciso contar aqui.

Sempre que vai se apresentar a alguém, o interlocutor sempre tem dificuldades para compreender o nome do Paulomar, sendo assim ele já explica "meu pai se chama Paulo, minha mãe se chama Marli, pronto: meu nome é Paulomar."

Nosso amigo Cão já tentou consolar o Paulomar lembrando que se a mãe dele tivesse o nome de Carla, ele provavelmente seria o Pauloca.

Mas melhor mesmo foi de um outro amigo nosso que, presenciando as dificuldades que o nome híbrido oferecia ao Pauloca, digo, ao Paulomar, resolveu usar o próprio exemplo como consolo.

- Poxa, Paulomar, não fica assim, não. O meu nome também é mistura, cara. Meu pais se chama Marcus e minha mãe Ione. Pronto, deu Marcio.

E o pior é que é verdade.



Direto na têmpora: Have Love, Will Travel - The Sonics

segunda-feira, novembro 23, 2009

Alalaô

O bairro em que eu morava em Ipatinga tinha um lance bem legal: praticamente não tinha comércio.

Daí que, pela ausência de padarias, pão e leite tinham um sistema de entrega muito bacana. As pessoas compravam uma quantidade "x" de vales e deixavam uma cestinha com os vales de leite e de pão na quantidade desejada. Na manhã seguinte era só acordar, abrir a porta e trazer a cestinha recheada.

Infelizmente, Ipatinga tem criaturas absolutamente espírito de porco como eu e alguns amigos. No carnaval, voltando da rua com o dia nascendo, íamos colhendo os vales das cestinhas e colocávamos apenas em uma casa.

Ou seja,enquanto 30 casas ficavam sem café da manhã, apenas uma mais afortunada recebia 40 litros de leite e 70 pãezinhos.

Ah, como era divertido ser irresponsável e idiota.




Direto na têmpora: Dusted - Belly

quarta-feira, novembro 11, 2009

Os loucos daquele tempo

Se você é do interior, certamente conviveu com uma boa dose de loucos. Ipatinga, onde eu nasci e vivi até os 16 anos, era fértil em malucos e peças raras.

Tinha doido com problema mental, doido por uso de dorgas, doido de temperamento, doido por opção, doido que era mais normal que a gente, tinha de tudo.

Pois bem, um desses doidos que era um grande amigo meu tinha uma série de cacoetes estranhíssimos e uma mania muito esquisita, mas que acabava sendo muito boa pra gente. Volta e meia, lá vinha ele perguntar:

- Maurilo, posso te dar um soco no braço?

- Tá doido, Fulano? Claro que não.

- Só um soco.

- Não, porra, sossega.

- E se eu te pagar um Cornetto?

- Não, cara, só um Cornetto é pouco pra um soco no braço.

- Um Cornetto, uma Coca e um mixto.

- Ok, pode dar o soco.


E assim lanchávamos de graça, com direito a sobremesa, graças ao nosso amigo doidinho.




Direto na têmpora: Eyes - Rogue Wave

quinta-feira, agosto 13, 2009

Infância

Eu adorava pão com manteiga mergulhado no Toddy.

Eu adorava Bat Fino, Os Herculóides e Milton, o Monstro.

Eu adorava andar descalço 95% do tempo.

Eu adorava melado com queijo.

Eu adorava andar de bicileta, mesmo morando em um bairro cheio de subidas.

Eu adorava vaca preta.

Eu adorava ser o irmão mais velho e o significado que isso tinha (e às vezes odiava).

Eu adorava qualquer viagem de carro lotado pra qualquer lugar que fosse.

Eu adorava entrar em casa pelo muro.

Eu adorava cada mergulho na piscina, cada joguinho de tênis, cada partida de futebol.

Eu adorava saber que estava seguro mesmo estando sozinho.

Eu adorava ser criança na década de 70.

Eu adorava ser adolescente na década de 80.

Eu adoro muito viver como eu vivo, talvez por ter vivido como vivi.




Direto na têmpora: Sweet Darlin' - She & Him

quarta-feira, março 04, 2009

Dormindo na rede

Esse calor fidumazunha que tá fazendo por aqui me fez lembrar Ipatinga. Na verdade, me fez lembrar vários lugares quentes por onde passei e as incontáveis vezes em que dormi, cochilei ou simplesmente descansei em uma rede.

Hoje eu acho que precisaria de uma rede extra large, mas na época eu podia ficar horas ali, aconchegado, balançando suave, um teto de telhas ou apenas o céu acima da cabeça.

Posso estar errado, mas acho que a felicidade tem algo a ver com deixar-se por horas a fio numa rede, mãos dadas com quem se ama na rede ao lado e um grito ao longe avisando que o jantar está pronto. O barulho do vento nas árvores, um cheiro de sol, preguiça formigando no corpo, a pele bronzeada e uma criança correndo para te dar um abraço.

Não sei, posso estar errado.




Direto na têmpora: Twee - Tullycraft

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Chuva e telejogo

Lembro vagamente da enchente de 79 em Ipatinga. Eu tinha 7 anos, mas tenho em algum lugar do cérebro, imagens do centro da cidade inundado, a dificuldade de ir fazer as coisas, etc.

Acho que, tirando os desastres que ela causa, o grande incômodo da chuva para qualquer criança é ter que ficar em casa. Principalmente em uma época em que tínhamos 3 canais de tv e olhe lá.

Tá certo que a chuva mais branda era perfeita pra jogar futebol no campão, nadar ou simplesmente fazer qualquer coisa que envolvesse lama, mas quando o aguaceiro apertava e ficávamos presos em casa, o tédio era foda.

Por isso, quando ganhamos um Telejogo a alegria foi geral. Nem a chuva atrapalhava nosso humor ao aproveitar um dos 3 jogos do invento maravilhoso.

Bons tempos aqueles. Hoje, quando chove, só consigo pensar no trânsito infernal. Alguém aí me consegue um Telejogo?




Design arrojado




Gráficos embasbacantes




Direto na têmpora: Funny Vibe - Living Colour

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Amora

Lá em casa tinha laranjeira, limoeiro, pé de maracujá, de mamão e de manga. Na casa do meu vizinho, tinha pé de ameixa e de cajamanga. O mato em frente era cheio de jabuticabeiras, amoreiras, pitangueiras e pés de carambola.

A gente não só comia muita fruta, como sabia muito bem a época de cada uma e esperávamos ansiosos os pés ficarem carregados das nossas favoritas.

Para mim, não havia nada igual aos tempos de amoras. Invariavelmente chegava em casa roxo, com os dedos e o rosto entregando a farra que acabara de acontecer, a blusa nova perdida para sempre.

Comer amoras era uma mistura de prazer gastronômico e de diversão pura. Subir no pé, escolher as mais pretinhas, tudo isso era quase tão bom quanto o gosto da fruta em si.

Às vezes pegávamos bacias de lavar roupa e enchíamos de amoras. Já no meio do caminho, comíamos metade, e o resto colocávamos no congelador para comer mais tarde.

Hoje, não me lambuzo mais de amora e nem me atrevo mais a subir em alguma árvore atrás de frutos. No máximo vou à feira ou ao supermercado e me delicio com aquelas cores e cheiros que lembram a infância.

Mas se pudesse fazer um desejo para a minha filha, com certeza seria que ela tivesse um pé de fruta para subir. E se não for pedir muito, um de amora, só para ver ela chegar roxa de felicidade como eu já fiz um dia.


PS - Restam apenas 3 caixinhas vermelhas e 2 azuis. Hoje acaba a promoção, então é melhor garantir o seu.




Direto na têmpora: The Jeep Song - Dresden Dolls

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Segundas no clube

O Clube Morro do Pilar não abria às segundas em Ipatinga. Por essa época do ano, já estávamos de férias e o calor batia forte por ali.

Claro que brincávamos em casa, tomávamos banho de mangueira, andávamos de bicicleta, fazíamos guerrinha de mamona ou íamos nos aventurar pela mata. Mas o bom, o bom mesmo, era entrar escondido no clube e ficar dentro da piscina, paradinho como um sapo, sem sequer nadar.

Não sei se era a emoção do perigo, o medo de ser pego e suspenso do clube ou só mesmo a folga do calor, mas era bom. E a gente passava ali a tarde inteira se deixassem, observando os funcionários do clube passando ao longe, relaxados e alertas ao mesmo tempo.

E quando algum adulto do clube nos avistava ou se aproximava, corríamos rindo, pulávamos o muro e sumíamos na rua, a sensação de ter vivido queimando ainda na pele.




Direto na têmpora: Only Shallow – My Bloody Valentine

terça-feira, novembro 18, 2008

Fala que nem homem, caraya!

Um amigo meu está fazendo um livro para um artista. O prazo se aproximando do final, a coisa apertando, o artista liga e começa com o papinho “sabe como é, muita coisa acumulada, correria, se precisar você fica fim de semana pra gente dar um gás, né?”.

No que meu amigo respondeu prontamente. “Não. Se quiser você vire as noites e me entregue no prazo”

Perfeito e coisa que deveria ser feita mais vezes por diversos setores de atividade e, mais especificamente, por diversos setores de uma agência. Aí, vendo esse caso, lembrei de um amigo de Ipatinga que, junto com outros dois foi para a sala do temido Professor Tavares por alguma bagunça.

“Denílson, quanto tempo você acha que merece de suspensão?”

“Ah, Professor Tavares, eu acho que já me arrependi, sei que estava errado, um dia está bom.”

“E você, Marco Valério?”

“Eu acho também, Professor Tavares, um dia tá bom.”

“Tarcísio, e você? Quantos dias?”

“Duzentos, trezentos, quinhentos, pode fazer o que quiser, eu já passei mesmo.”

Enfim, às vezes a gente tem que lembrar que falar grosso não dói. E, mais importante, é fundamental.




Direto na têmpora: Dr. Satan's Echo Chamber – The Upsetters

quinta-feira, abril 03, 2008

Nostalgiazinha de nada

5 saudades da infância:

- Tomar vaca preta sentado na janela
- Dormir ouvindo histórias, com a janela aberta e carinho nas costas
- Festival do Sorvete no Tívoli, durante as férias no Rio
- Cochilar na rede do caramanchão
- Passar a tarde inteira no clube, com direito a chicabon, mixto quente, guaraná, pelada, piscina e coarar no sol.



5 músicas que me fazem querer voltar aos 80:

- Still Ill (The Smiths)
- 99 red balloons (Nena)
- Teu inglês (Fellini)
- In between days (The Cure)
- Quase sem querer (Legião Urbana)



5 programas de tv que eu adorava e queria rever pra ver se eram bons mesmo:

- Profissão, perigo (McGyver)
- The Muppet Show
- TV Pirata
- O Bem Amado
- O Túnel do Tempo / Terra de Gigantes (empate técnico)




Direto na têmpora: Velvy blood - Yatsura

quarta-feira, abril 02, 2008

Amora

O trilho de trem era a fronteira proibida. Pra lá da linha era outro mundo, que viviam dizendo pra gente não ver. Mas nas tardes mais quentes de dezembro, a gente rompia a descida do Castelo, avançava sobre os limites com bacias na mão e voltava carregado de amoras para casa. Os dedos e o rosto sujos daquele mel escuro, uma parte consumida no caminho e outra na geladeira, qual tesouro, esperando para ser comida na hora da fresca, quando o trem passava lá embaixo.




Direto na têmpora: Kommienezuspadt – Tom Waits

segunda-feira, março 10, 2008

Pelo telefone

Eu tinha um amigo em Ipatinga, chamá-lo-emos de F, que vivia um relacionamento conturbado. Muitas brigas, chifres mútuos e a coisa rendia já por uns bons 5 anos. Certo dia, a namorada liga e solta o indefectível “passa aqui porque precisamos conversar”.

F pensa um pouco e solta o raciocínio:

“São 21h30. Eu vou descer a pé até o Cariru, pegar um ônibus pro Bom Retiro, caminhar até a sua casa, tomar um pé na bunda, pegar o ônibus de volta e subir a pé pro Castelo? Quer saber, vamos terminar por telefone mesmo. Beijão procê.”

Talvez pouco romântico, mas prático de doer. Ah, os dois são casados e vivem felizes na Bahia até onde eu sei.




Direto na têmpora: Go – Pearl Jam

quinta-feira, março 06, 2008

Picolé de jaca

Está fazendo um calor ipatinguense hoje. Aliás, Ipatinga era tão quente que derretia o asfalto. Juro. A gente ficava remexendo aquele piche derretido na rua e chegava em casa com a unha preta até a metade. Aí as mães pegavam creolina, estopa e limpavam aquilo na base da brutalidade pura. Depois, a recomendação era não passar nem perto do fogão para não sair correndo pela casa em chamas.

Meu pai, que morre de medo de cobra, juntava os filhos para matar as jararacas e corais que apareciam na copa lá de casa. Do lado do lixo tinha um pau de matar gambá. Meu irmão do meio uma vez chutou um ouriço caixeiro achando que era tatu e, se não estivesse de botas, teria furado o dedo. Isso sem falar que era só entrar na mata em frente de casa para tropeçar num teiú.

Sophia não vai ter uma infância assim. Vai ter outra diferente que pode ser até melhor, quem sabe. Mas eu não desisto e criei uma referência nota 10 pra ela: picolé de jaca. Ela experimentou, gostou e agora todo picolé que vê já é picolé de jaca. Ela também gosta de vacas e, outro dia, ouviu pela primeira vez o som de uma cigarra e adorou.

É pouco, mas é o que temos para o momento.




Direto na têmpora: O assassinato do camarão - Originais do Samba

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Procura-se

Estes seres foram vistos pela última vez em Ipatinga, lá pelos inícios da década de 70. Quem tiver notícias, avise, porque eles estão fazendo uma falta...


Vai mais um biscoitinho ai, fião?




O meliante com uma de suas camisas favoritas.




Direto na têmpora: Dimension - Wolfmother

sexta-feira, novembro 23, 2007

Crazy People

O cara mais louco que conheci foi o Baianão 3 Cocos, de Ipatinga. certa feita eu passeava pelo Centro Comercial do Cariru quando ouvi um estranho piado. Parei, procurei e descobri de qual árvore vinha. Ao chegar debaixo dela, notei que o Baiano estava lá, sentadinho em um galho.

"Que é isso, Baiano, tá fazendo o quê aí em cima?"

"Eu sou coruja. Tô vendo Ipatinga do alto."

Preferi ignorar e segui meu caminho. Deixa o doido quieto, melhor assim, uma lição que aplico ainda hoje, diga-se de passagem.




Direto na têmpora: Michael - Franz Ferdinand