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quarta-feira, agosto 31, 2011

Uma pessoa contra o casal

- Sophia, hoje o papai e a mamãe fazem nove anos de casado, não é legal?

- Não.

- Não!?

- Não, é nojento.

- Nojento, filha?

- É sim! Vocês vão beijar na boca. Eca!





Direto na têmpora: But the regrets are killing me - American Football

sexta-feira, agosto 26, 2011

Ontem

Ontem eu não postei porque meu dia foi interrompido por uma ida a Ouro Preto. Vi mais um livro do qual participei ser lançado, conheci pessoas de uma infância anterior à minha e fui interpelado duas vezes por pessaos que acharam que eu era o marido da minha mãe.

Tá certo, dona Wanda é uma gata e não parece ter a idade que tem, mas na beirola de completar 40 anos o fato não faz muito bem a este gordo pré-careca que vos bloga.

Enfim, é a vida. E o que me resta é a confiança na miopia progressiva da Fernanda. Amém.


Olha aí o gordinho "marido" da minha mãe fazendo pose na cadeira de bolha nova da agência.




Direto na têmpora: It's on! - Korn

quinta-feira, agosto 18, 2011

Fã macrobiótico

- Papai, o vovô Nilo é meu fã.

- É mesmo, sophia? Por quê?

- Por três coisas: eu sou netinha dele, ele gosta muito de mim e nós dois gostamos de arroz integral.




Direto na têmpora: Suzanne - Hope Sandoval

segunda-feira, agosto 08, 2011

To do list

Uma ONG britância sugeriu cinco atitudes que os pais devem tomar para melhorar o desenvolvimento e a mobilidade social dos filhos. A lista é essa aí:

- Leia para seu filho por 15 minutos.
- Brinque com ele no chão por 10 minutos.
- Converse com seu filho por 20 minutos com a TV desligada.
- Adote atitudes positivas em relação ao seu filho e o elogie com frequência.
- Dê ao seu filho uma dieta que ajude seu desenvolvimento.

Antes de mais nada fiquei muito feliz em ver que nós aplicamos razoavelmente bem a lista de tarefas lá em casa.

Depois fui pensar em como meus pais fizeram praticamente tudo isso durante anos sem precisar de listas ou recomendações de ONG. Sei lá, acho que a gente anda complicando demais a vida, sabe?




Direto na têmpora: Monopoly on sorrow - Suicidal Tendencies

quinta-feira, abril 21, 2011

Nanny

Estávamos comentando como é difícil fazer Sophia obedecer de primeira e como quase sempre precisamos falar duas, três, quatro vezes quando minha tia Rosa, sempre de olho na tv, deu uma sugestão.

- Uai, gente, então vocês precisam contratar a Nanny People pra ela.

Espero do fundo do meu coração que ela tenha confundido Nanny People e Super Nanny.






Direto na têmpora: Move it - Cliff Richard

sexta-feira, março 25, 2011

Sophia, eu, o bigode.

Essa sessão de fotos me rendeu mais uma tarde usando bigodes ;-)




Direto na têmpora: Corduroy - Pearl Jam

segunda-feira, março 14, 2011

Moleques

Eu e meus irmãos tínhamos uma arma de chumbinho quando éramos criança. Atirávamos em latas colocadas sobre o muro e coisas assim, mas com exceção do Diogo que dizimava calangos, evitávamos animais.

Pois um dia estávamos tentando acertar algo quando surgiu meu pai.

- Vocês são muito ruins de mira... me dá isso aqui. Quer ver que eu acerto naquela lâmpada?

Apontou a arma para uma lâmpada na casa do vizinho de trás e atirou com a certeza de que iria errar. Pow! Não deu outra e acertou em cheio.

Na mesma hora entregou a causadora da tragédia pra nós e avisou:

- Qualquer coisa a culpa é de vocês, hein
?

No dia seguinte o vizinho de trás foi conversar com ele e meu pai imediatamente iniciou a falação:

- Pois é, Fulano, esses meninos são fogo. Eu já falei pra não brincarem com a arma no quintal, já disse que ia dar problema. Você me desculpe, viu? Chegando em casa eu vou dar um castigo neles e a lâmpada você deixa que eu pago.


Então o vizinho abre um sorriso e diz:

- Sabe o que é, Nilo, o Beltrano que é seu vizinho de lado viu que foi você quem atirou.

O vizinho então caiu na gargalhada e meu pai pediu desculpas como deu, pagou o que devia e nunca mais tocou em uma arma de chumbinho.




Direto na têmpora: Loving cup - The Rolling Stones

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Consequências

Tudo na vida tem consequências. Ok, se você é o Sarney isso não é verdade, mas pra nós, pobre mortais, costuma ser assim.

Conto isso porque ontem meu advogado ligou e veio dizer que conseguiu confiscar uma grana da conta-corrente de um cara que nos devia uma grana desde 1998. Não é o valor total, mas é alguma coisa.

E, pra mim, o mais importante é saber que nenhuma das cinco pessoas da "gangue" pode ter carro, imóvel ou conta de banco em seu nome sem que a justiça o incomode para que pague o devido à minha família (e até onde sei, a muitas outras pessoas também).

Resumindo, quem escolhe agir como bandido, tem que saber que vai viver como bandido. A não ser, é claro, que você seja um certo Senador.




Direto na têmpora: A day in the life - The Beatles

sexta-feira, outubro 29, 2010

Músicas

Na "Sophia e o Vento" eu fiz letra e música (ainda cantei... putz!), enquanto Helder e Luciano da Kundum tocaram e arranjaram. Na "Tubarão" eu fiz a letra e o Marco Aur fez o resto.
Dois clipezinhos pra vocês.




Sophia e o vento





Tubarão




Direto na têmpora: Bomb - J Church

terça-feira, outubro 19, 2010

A música que cura

Quem lê isso aqui há mais tempo sabe que Blackbird dos Beatles é a música que eu canto pra Sophia desde que ela estava na barriga da mãe. Ela sempre se conforta e fica mais calma quando me ouve cantando essa música.

Pois ontem, Fernanda foi colocar Sophia para dormir e pediu.

- Sophia, vamos dormir rapidinho hoje? A mamãe tá cansada, tá triste, aí a gente dorme rapidinho, tá?

- Por que você tá assim, mamãe?

- É que a mamãe tá dormindo pouco e trabalhando demais, viu, filha?

- Tá bom.


Aí ela fechou os olhinhos e, bem baixinho, começou a cantar o Blackbird para a mãe dela.

I just love my girls.




Direto na têmpora: I want the world to stop - Belle & Sebastian

sábado, outubro 16, 2010

Meu irmão, o mendigo

Essa foi do meu sobrinho Samuel, acostumado a pedir balas, brinquedos, doces e ouvir do pai sempre a mesma resposta "poxa, filho, agora papai não tem dinheiro".

Hoje, um pouco mais cedo, meu pai pergunta ao pequeno:

- Samuca, você já foi ao Parque Guanabara?

- Não.

- Não!? Uai, mas por quê?


E ele, conformado:

- Porque meu pai não tem dinheiro...




Direto na têmpora: Show me the light - Mystery Jets

quinta-feira, outubro 14, 2010

97 anos

Às vezes a morte é apenas uma formalidade que a vida impõe.

Minha avó Geralda morreu há cerca de 3 horas, aos 97 anos, mas nos últimos dias já não era a minha avó.

Já não era a senhora que comia suspiros com a boca mais boa e fazia a massa de pão de queijo com as próprias mãos.

Já não era a senhora de memória prodigiosa e de uma vaidade doce, beirando a adolescência.

Já não era a senhora que me contava casos e conversava horas e horas sobre qualquer assunto.

Já não era sequer a senhora que, mesmo cega, acompanhava a novela e adorava rir do mal feito.

Não sei o que penso da morte e do que acontece quando nosso corpo já não pode mais continuar. Não sei no que acredito, mas sei o que Dona Geralda merece, e se existe realmente um Deus ela está agora no meio de uma daquelas risadas que a faziam se curvar de tanta alegria.

E, caramba, como eu sinto saudades.


PS - Em janeiro de 2010 eu contei um pouco da história da minha avó Geralda no Pastelzinho. Foi ela mesma quem me ditou e se você quiser ler, está
aqui.




Direto na têmpora: Juicy - Better Than Ezra

segunda-feira, julho 19, 2010

Bodas de rubi

Ok, bodas de rubi é um nomezinho muito brega. Para quem não sabe, a alcunha refere-se à celebração de 40 anos de casamento.

Ontem meus pais comemoraram bodas de rubi e se eu tive uma certeza ao longo da minha vida foi a de que meu pai sempre estaria ao lado da minha mãe e minha mãe ao lado do meu pai.

Quando digo "estar ao lado" não digo simplesmente estar casado ou vivendo na mesma casa. Meu pai e minha mãe sempre conseguiram me passar a sensação de que eu poderia contar com os dois em qualquer situação.

Difícil ver um casal tão diferente e tão apaixonado, tão pronto para dividir sonhos, sacrifícios e encarar mudanças.

Estiveram presentes em minha vida sem serem invasivos. Deram apoio total sem tirarem minha iniciativa ou responsabilidade sobre as ações. Deixaram clara a sua visão de mundo, mas nunca a impuseram a mim.

São duas pessoas completamente diferentes, mas indissoluvelmente unidas por algo maior. São meus pais, que durante tanto tempo estiveram longe e que hoje estão fisicamente presentes novamente na vida da minha filha, minha e da Fernanda.

Parabéns pelos 40 anos de casamento de Nilo e Wanda, que só quiseram ser felizes e acabaram por puro amor se transformando em exemplo.

Amo vocês.




Direto na têmpora: Crushcrushcrush - Paramore

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Abençoado

E em forma de bênção, sem que eu prestasse atenção, todos os meus caminhos viraram um.







Direto na têmpora: I can't turn you loose - The Plimsouls

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Musetti, Musete, Muzeti...

Sophia Comelli Musetti Silveira, esse é o seu nome, minha filha. Comelli é o sobrenome da sua mãe, Silveira é o meu e Sophia foi o nome que nós escolhemos para você. Só que no meio disso tudo tem um Musetti que só entrou na hora em que eu fui te registrar. É o sobrenome da sua bisavó Geralda, mãe do vovô Nilo e minha avó. Aliás, pouca gente sabe, mas o nome de verdade da sua bisa é Geraldina, mas ninguém chama ela assim.

Pois bem, eu como não tenho esse sobrenome queria muito que você o tivesse. Pensei até em tirar o “meu” Silveira, mas no cartório não deixaram e eu tive que encaixar o Musetti no meio do nome. Ficou bonito e sua mãe me deixou muito feliz por aprovar a idéia.

Uma das coisas que eu gosto desse nome é que nem na nossa família ele é escrito do mesmo jeito. Tem tios que são Muzetti, outros que são Muzeti e tem o seu avô que é Musetti. Pelo resto do Brasil a confusão é maior ainda, com Muzete, Museti e por aí vai.

Mas sabe porque eu queria tanto colocar esse sobrenome em você? Por causa da história da sua bisavó Geralda e do seu bisavô Maurilo. É, eu sei, meu nome é igual ao dele, né? Foi uma homenagem que o vovô Nilo fez. Ah, e não foi erro de cartório não. A mãe do vovô Maurilo, minha bisa Adelaide, deixou bem claro pro meu “biso” Saturnino: é Maurilo e não Maurílio, viu?” Mas voltando à história, tudo começou em Passos, no interior de Minas Gerais.

Sua bisa Geralda era filha de Augusta Posanzini e Luigi Musetti, ela de Ancona, ele de Carrara. Dona Augusta era uma italiana brava, severa, que vivia de costurar para clientes da cidade. Vovó Geralda era a segunda de seis filhos, sendo que a irmã mais velha havia morrido aos 19 anos durante o parto. Trabalhava como telefonista de dia e, à noite, costurava e dava aula de bordados à máquina.

Dizem que Vovó geralda era linda, linda. Ainda bem novinha ela namorou Messias Maia, filho do “Rei do Gado” Sebastião Maia. Um dia, Messias trouxe para ela bombons vindos de São Paulo, uma delícia rara e caríssima. Dona Augusta não gostou nada daquilo e mandou devolver. Sua bisa então, disse que de jeito nenhum, que devolver seria falta de educação. O resultado foi que ela levou uma surra, os bombons foram devolvidos e o namoro terminou por ali mesmo.

Namorou também o Saul, dono de uma farmácia, mas a mãe dele era contra só porque vovó era pobre. Depois veio o Cunha, e é aí que começa a história da vovó Geralda e do vovô Maurilo.

Celestino Cunha era de uma família riquíssima, envolvida com a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Apaixonou-se por vovó, ficaram noivos e ele comprou tudo para a nova residência do casal: geladeira, cama, móveis, só produtos da melhor qualidade. Dona Leocádia Cunha, mãe de Celestino, correspondia-se com vovó Geralda freqüentemente e era absolutamente encantada por ela. Enfim, tudo parecia encaminhar-se para um casamento feliz.

Certo dia, numa exposição de seus bordados, vovó Geralda encontrou vovô Maurilo pela primeira vez. Ele era 13 anos mais velho que ela, professor de matemática, muito inteligente. Cursou Engenharia no Rio de Janeiro, viajando a cavalo muitos dias junto com seu amigo e namorado de sua prima, Juscelino Kubitscheck, mas nunca terminou a faculdade.

Apaixonaram-se ali mesmo na exposição. Ele perguntou onde ela morava, ela contou e ele, curioso, disse que conhecia a casa. “Não é aquela casa onde tem sempre um lumezinho na porta?”. Vovó disse que sim e explicou que era o ferro em brasa que sua mãe, Dona Augusta, deixava na porta enquanto trabalhava.

Vovó terminou tudo com o Cunha dias depois. Já pensava nisso pelo fato dele ser espírita, o que incomodava muito uma pessoa católica como ela, mas o fator decisivo foi mesmo a paixão pelo vovô Maurilo.

Sempre muito correto, vovô Maurilo procurou o Cunha oferecendo-se para reembolsar todas as despesas que ele havia tido com a casa. Cunha recusou-se terminantemente a aceitar um centavo sequer. Queria apenas que vovó fosse feliz. Por carta, Dona Leocádia também desejou felicidades.

Maurilo e Geralda casaram-se em 1932. Tiveram 12 filhos, sendo que quatro morreram ainda bebês. Os outros oito seguem vivos até hoje: Levi, Luís, Galba, Hugo, Otto, Iara, seu avô Nilo e Maria das Graças. Viveram uma vida feliz e abençoada.

Em 1974, fiquei com eles alguns meses no sítio do Arrozal. Vovô Nilo e vovó Wanda foram para o Japão e me deixaram ali, com os tios todos, a Dinha (que você ainda não conhece), o seu biso Maurilo e a sua bisa Geralda. Fazia tanto tempo que eu não via o vovô Nilo que comecei a chamar Tio Levi de pai.

Quando queria alguma coisa, eu dizia assim: “faz batata frita pra ele, faz Dinha.” E a Dinha fazia uma bacia de batatinhas fritas que eu levava para a janela e ficava sentado, de banho tomado, olhando as pessoas passarem. Oferecia batatinha frita para todo mundo, perguntava se já tinham tomado banho ou se queriam ser meu pai.

Brincava no quintal e quase sempre me tiravam de lugares onde havia cobras. Entrei no meio da boiada, brinquei com o Duque, ia no riachinho no fundo do lote e fiquei um tempão sem cortar o cabelo. Anos depois morei de novo com vovó Geralda, mas dessa vez eu tinha 16 anos e já estávamos em Belo Horizonte. Foram dois anos que passamos no velho apartamento do São Bento, quando a barragem do Santa Lúcia era só um monte de mato.

Como você vê, Sophia, vovó Geralda tem uma história linda e é muito importante na vida do papai. Por isso eu fiz tanta questão e fiquei tão feliz que você tivesse o sobrenome Musetti. Tenha muito orgulho dele, porque é uma homenagem a uma pessoa maravilhosa.

Só mais uma coisinha: ainda hoje, com 96 anos e já bastante debilitada, vovó pede a Deus paciência, coragem, saúde e que seus filhos continuem sendo o que sempre foram: bons filhos. E eu não consigo ver pedido melhor para fazer a Deus quando penso em você. Te amo, minha filha. Minha Sophia Comelli Musetti Silveira.




Direto na têmpora: You're so damn hot - OK Go

terça-feira, dezembro 29, 2009

4 anos da minha Sophia

2009 foi um ano confuso, atribulado, mas que, ainda bem, está terminando muito melhor do que eu e Fernanda chegamos a imaginar.

Estamos todos com saúde, Sophia continua linda e inteligente e ambos, após momentos de incerteza, estamos bem empregados. Eu ainda tive o estranho prazer de passar por 4 agências em um único ano e conhecer profissionais e pessoas do melhor nível. O natal foi excelente, em família e com muitos motivos para ter esperança em um 2010 ainda melhor.

O único grande porém foi que terminamos o ano com as finanças ainda em reabilitação, não sendo possível fazer a festa de 4 anos que gostaríamos para a minha Sophia. Aproveitamos os 44 anos de casados do vovô Sevi e vovó Yole e fizemos uma festinha íntima, só para avós, tios e primos.

A minha querida Mari, da Tom e do delicioso (literalmente) blog Na Batedeira, fez cupcakes sensacionais e com massa cor-de-rosa para delírio da Sophia. Festejamos de um jeito simples, mas bacana e posso dizer que a cada dia tenho mais alegria em celebrar a vida da minha filha.

Na verdade, a cada ano que passa tenho a sensação nítida de que ando enganando a Deus, que com certeza anda enviando bênçãos extraviadas para mim. Cá entre nós, eu me espanto, mas não reclamo de jeito nenhum.




A aniversariante.




Os cupcakes da Mari.




Sophia e o primo Samuel em estado de euforia.




Família Shuêra.




Direto na têmpora: Sophia e o vento - Maurilo Andreas (participação especial, Sophia)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Suspiro

Ao mudar para BH morei um tempo com minha avó Geralda. O apartamento era ali bem em frente à barragem do Santa Lúcia quando havia apenas um pântano no local, sem laguinho, sem pista de cooper, sem nada.

Na pracinha, uma feirinha acontecia aos sábados e minha avó sempre comprava frutas, biscoitos e uma guloseima ou outra.

Ela, enfrentando um regime bravo, volta e meia chegava ao apartamento com um saco enorme de suspiros e dizia toda feliz:

- Trouxe suspiros para você.


Passado um tempo, eu deitado na sala vendo tv, ouvia minha avó se aproximar da cozinha.

- Esse parece fresquinho, vou provar só um.

Mais 5 minutos e lá vinha ela.

- Tá gostoso mesmo, vou comer só mais um.

Outro tantinho e já voltava Dona Geralda.

- Nossa, esse suspiro tá uma delícia, mais um e pronto.

E assim ia, a tarde toda, até que eu me levantasse e encontrasse menos de metade do saco de suspiros me esperando na mesa.

Nem me importava com o sumiço dos doces (e olha que eu sou louco por doces), mas adorava ver minha avó comendo daquele jeitinho dela. Na verdade, ficar observando aquilo era quase tão gostoso quanto os próprios suspiros.




Direto na têmpora: Up to no good - Rancid

segunda-feira, julho 06, 2009

O jeca mais feliz do mundo

Sim, a sobrancelha foi artificialmente emendada e a gravata vermelha curtíssima quase não se vê, mas não existe nesse universo junino outro jeca tão feliz quanto este.



Óia bem se num é o Nhô Shuêra e suas menina.




Direto na têmpora: Society - Eddie Veder

quarta-feira, maio 06, 2009

Semelhança

A minha Sophia se parece muito pouco comigo, o que na verdade é uma bênção. Ela é magra, esguia e tem o rosto da mãe. Em alguns detalhes lembra a avó materna, mas de meu mesmo tem pouco.

Talvez seja por isso que eu aprecie tanto as pequenas coisas em que ela se assemelha a mim. As mãozinhas largas de dedos grossos; as orelhas "de gente preguiçosa", como diz a Fernanda; a impaciência incontrolável e o bom humor (quase) inabalável; a paixão pelos desenhos animados clássicos, por Tom Waits e por um bom livro; o amor incondicional por doce de leite e coisinhas assim.

Pequenos detalhes, traços mínimos que me fazem sentir que ela tem mesmo algo de mim. E se não contribuí com beleza, inteligência ou talento, foi apenas porque não pude.

Hoje, logo na saída, Sophia revelou mais um traço materno e uma incapacidade minha. Ao nos despedirmos dela, Lílian ainda estava se arrumando e a baixinha, ao ficar sozinha na sala, caiu as prantos diante da porta enquanto gritava "eu não quero ser sozinha!".

Nunca tive muito medo da solidão e companhia demais às vezes até me incomoda. Esse é um traço mais da Fernanda, que eu nem sempre soube compreender, uma necessidade dela que eu atrapalhadamente quase nunca soube suprir.

Pode ter sido um sinal, uma dica da Sophia de que não somos apenas aquilo com que nascemos, mas principalmente no que nos tranformamos. Um choro que se expõe para me mostrar que aprendendo a ser pai, posso também descobrir como ser um bom marido enfim.








Direto na têmpora: This woman's work - Maxwell

quinta-feira, abril 16, 2009

Aprendendo

Faz pouco tempo que eu descobri por acaso que tenho uma certa capacidade para ensinar. Pode ser porque gosto do assunto, porque tenha facilidade de me expressar ou simplesmente porque seja claro de vez em quando.

Não importa, o que importa é que, pelo que parece, eu consigo fazer as pessoas entenderem o que eu digo e com isso dar a elas um novo ponto de vista que elas possam compreender (não necessariamente concordar).

Aprender já é outra história. Nem vou culpar minha burrice, mas a verdade é que sou uma pessoa de muitos começos e poucos fins. Resumindo, me interesso rápido e me desinteresso mais rápido ainda.

Avançar em qualquer processo de estudo ou aprendizagem é extremamente custoso pra mim, mas faço porque preciso (quando preciso). Aí é que me salva a boa memória. As pessoas tendem a confundir o fato de eu me lembrar das coisas com a capacidade de apreendê-las.

Resumindo, me emociona muito ver que a Sophia aprende rápido e gosta de aprender. Se não entende, pergunta, se esforça, relembra, não simplesmente deixa pra lá. É bom ver na minha filha essa qualidade da minha mulher.

E aí, eu que tenho essa dificuldade imensa de aprender qualquer coisa, aprendo a amar cada vez mais as duas.




Direto na têmpora: Wild horses - The Sundays