Estou dando aulas de redação publicitária e redação em meios digitais na Faculdade Promove de Sete Lagoas para o quinto e sexto períodos. É minha segunda experiência como professor e curto demais a atividade, mesmo não sabendo se poderei continuar no próximo semestre.
E o mais engraçado de ser professor é como a gente a gente já percebe se está impactando aquelas pessoas ou não e consegue sacar que tipo de profissional eles tendem a ser.
Sempre tem aquele que acha que sabe tudo e que se imagina melhor do que o curso, os professores, os colegas, enfim, o universo em geral. Esse vai sofrer muito.
Sempre tem os esforçados que ralam o dia inteiro e ainda quererm fazer o seu melhor e não apenas pegar o diploma. Esse também vai sofrer muito, mas tem mais chance de se dar bem.
O fato é que independente do perfil, é legal ver gente investindo na formação, às vezes com dificuldade, para atuar bem em uma área que está vivendo uma mudança profunda e onde o diploma e a experiência do profissional são cada vez menos valorizados.
É bom também saber que, dentro das minhas limitações, essa é uma forma de contribuir para que esses caras tenham uma vida mais bacana e para que nossa profissão ganhe publicitários melhores.
Tomara que eu esteja ajudando mais do que atrapalhando.
Direto na têmpora: Your song - Ellie Goulding
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quarta-feira, novembro 24, 2010
segunda-feira, agosto 04, 2008
Ô, fessô!
Com apenas meio semestre lecionando na Estácio de Sá, minha primeira experiência como professor, fui votado pelos alunos como um dos 5 melhores do curso de Publicidade.
Não sei se eu era pouco exigente ou se o povo gostou mesmo. De qualquer forma, tô feliz, feliz.
Direto na têmpora: Like suicide - Soundgarden
Não sei se eu era pouco exigente ou se o povo gostou mesmo. De qualquer forma, tô feliz, feliz.
Direto na têmpora: Like suicide - Soundgarden
terça-feira, maio 06, 2008
Dona Íris
Eu tive uma professora chamada Dona Íris que era uma figura mítica. Uma negra mais velha e extremamente sarcástica, Dona Íris era professora de Geografia e adepta de uma pedagogia, digamos, pouco ortodoxa para o Colégio São Francisco naqueles primórdios dos anos 80.
Havia na sala um amigo nosso, filho de pessoas bastante importante na cidade que, além de ser um capeta, tinha um tique nervoso altíssimo que incomodava todos os professores. Não sei se por medo do sobrenome do rapaz ou por respeito ao problema do tique, ninguém abordava a questão.
Pois já na primeira aula, depois do terceiro ou quarto ruído gutural, a mestra perguntou:
“Que barulho é esse que você fica fazendo, menino?”
“É tique, fessora.”
“Ah, é? Então vem aqui pra frente e lê esse capítulo aqui em voz alta pra nós.”
A partir daí, quem lia os temas da aula era o garoto, enquanto Dona Íris comentava e explicava pra turma. Se percebia um novo tique chegando, mandava ler outro trecho e pronto, passava a vontade.
_____________________
Um outro amigo, sempre em apuros com as notas na matéria, um dia saiu da sala descuidado e bradando para os colegas “cadê a macaca?”, só para dar de cara com ela que, tocando amistosamente o ombro do infeliz, respondeu “a macaca tá aqui”. Não deu outra, tomou recuperação.
_____________________
Eu mesmo, em uma das primeiras aulas, tentei capitalizar sobre o fato de meu pai ter sido professor e contemporâneo dela para tentar ganhar simpatia.
“Dona Íris, eu sou filho do Nilo, professor de Física.”
“Ah, é? Olha, pro seu pai eu tiro o chapéu, viu?”
Enquanto eu me enchia de orgulho, ela emendava:
“Mas pra você eu enfio até o pescoço.”
Nestes tempos bicudos, fico imaginando, que fim terá levado Dona Íris?
Direto na têmpora: The same old scene – Bryan Ferry & The Roxy Music
Havia na sala um amigo nosso, filho de pessoas bastante importante na cidade que, além de ser um capeta, tinha um tique nervoso altíssimo que incomodava todos os professores. Não sei se por medo do sobrenome do rapaz ou por respeito ao problema do tique, ninguém abordava a questão.
Pois já na primeira aula, depois do terceiro ou quarto ruído gutural, a mestra perguntou:
“Que barulho é esse que você fica fazendo, menino?”
“É tique, fessora.”
“Ah, é? Então vem aqui pra frente e lê esse capítulo aqui em voz alta pra nós.”
A partir daí, quem lia os temas da aula era o garoto, enquanto Dona Íris comentava e explicava pra turma. Se percebia um novo tique chegando, mandava ler outro trecho e pronto, passava a vontade.
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Um outro amigo, sempre em apuros com as notas na matéria, um dia saiu da sala descuidado e bradando para os colegas “cadê a macaca?”, só para dar de cara com ela que, tocando amistosamente o ombro do infeliz, respondeu “a macaca tá aqui”. Não deu outra, tomou recuperação.
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Eu mesmo, em uma das primeiras aulas, tentei capitalizar sobre o fato de meu pai ter sido professor e contemporâneo dela para tentar ganhar simpatia.
“Dona Íris, eu sou filho do Nilo, professor de Física.”
“Ah, é? Olha, pro seu pai eu tiro o chapéu, viu?”
Enquanto eu me enchia de orgulho, ela emendava:
“Mas pra você eu enfio até o pescoço.”
Nestes tempos bicudos, fico imaginando, que fim terá levado Dona Íris?
Direto na têmpora: The same old scene – Bryan Ferry & The Roxy Music
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Toma na cabeça
Acabo de descobrir, através do blog de uma aluna, que meus ex-alunos me consideravam um prego. Nem me senti ofendido, afinal, sempre achei 83,4% dos meus professores muito pregos. O que magoou foi o fato de já fazer uns 10 anos que ninguém me chamava de prego.
Claro que nesse meio tempo chamaram de canalha, vagabundo, ladrão, sem vergonha, ordinário, burro, mau caráter, incompetente, fdp, etc, mas prego fazia tempo que não entrava na lista. Enfim, começo hoje a campanha com os outros professores para reprovação em massa dos meus ex-alunos. Infiéis, tremei!
Direto na têmpora: XV anos - Ira!
Claro que nesse meio tempo chamaram de canalha, vagabundo, ladrão, sem vergonha, ordinário, burro, mau caráter, incompetente, fdp, etc, mas prego fazia tempo que não entrava na lista. Enfim, começo hoje a campanha com os outros professores para reprovação em massa dos meus ex-alunos. Infiéis, tremei!
Direto na têmpora: XV anos - Ira!
quinta-feira, janeiro 10, 2008
O gingante, o mendingo e o indiota
Um publicitário que conheci tinha um estranho hábito: concordava a cor "laranja" com o gênero. Por exemplo, o sapato, por ser masculino, seria laranjo, enquanto que a camisa seria laranja.
Eu sei que a cor é alaranjada, e que aí sim concorda lindamente com o gênero (o sapato alaranjado, ó sim, o sapato alaranjado). No entanto, o supracitado esmerava-se em emitir opiniões sobre o layout laranjo, o muro laranjo, o vestido laranjo, inclusive em reuniões importantes, para a vergonha / divertimento do restante da equipe.
Havia outro que dizia "vincular a campanha" e ainda um que cismava em "disconcordar" com o cliente. E o pior é que hoje me lembro de cada um deles muito mais por estes lapsos de fala do que pelas qualidades ou defeitos profissionais.
Foi por isso que, durante a apresentação do trabalho final da minha matéria, fiz questão de reforçar com os alunos que, tão importante quando a campanha em si, era o cuidado em referir-se ao produto sempre como iogurte e pelamordedeus nunca, nunca mesmo, como "iorgute".
Direto na têmpora: Choro de Memórias - Paulinho da Viola
Eu sei que a cor é alaranjada, e que aí sim concorda lindamente com o gênero (o sapato alaranjado, ó sim, o sapato alaranjado). No entanto, o supracitado esmerava-se em emitir opiniões sobre o layout laranjo, o muro laranjo, o vestido laranjo, inclusive em reuniões importantes, para a vergonha / divertimento do restante da equipe.
Havia outro que dizia "vincular a campanha" e ainda um que cismava em "disconcordar" com o cliente. E o pior é que hoje me lembro de cada um deles muito mais por estes lapsos de fala do que pelas qualidades ou defeitos profissionais.
Foi por isso que, durante a apresentação do trabalho final da minha matéria, fiz questão de reforçar com os alunos que, tão importante quando a campanha em si, era o cuidado em referir-se ao produto sempre como iogurte e pelamordedeus nunca, nunca mesmo, como "iorgute".
Direto na têmpora: Choro de Memórias - Paulinho da Viola
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sexta-feira, dezembro 07, 2007
Adeus às armas
Ontem foi meu último dia como professor na Estácio de Sá. Acho que os alunos gostaram e eu, muito mais do que esperava, adorei. Foi uma das experiências profissionais e de relacionamento mais bacanas que vivi nos últimos tempos.
Agora, é investir em uma formação e torcer para que, talvez em 2009, eu já possa investir mais nessa área acadêmica. Se alguém da turma estiver lendo, parabéns, vocês são do caralho!
Direto na têmpora: Ave, Lúcifer – Os Mutantes
Agora, é investir em uma formação e torcer para que, talvez em 2009, eu já possa investir mais nessa área acadêmica. Se alguém da turma estiver lendo, parabéns, vocês são do caralho!
Direto na têmpora: Ave, Lúcifer – Os Mutantes
sexta-feira, outubro 26, 2007
Taí, reparei na mocidade
Semana passada estive em São Paulo e nem comentei aqui que o Museu da Língua Portuguesa é uma das coisas mais bacanas que existem por esse terrão chamado Brasil. Não só as instalações, a tecnologia ou os textos, mas a beleza que é acompanhar jovens e crianças ouvindo pela primeira vez "Quatrilha" de Carlos Drummond de Andrade e se encantando de rir às altas com o poema. Vale qualquer ingresso.
Em uma história relacionada, ontem fui professor pela primeira vez. Serã pouco mais de 2 meses na Estácio de Sá, substituindo Renata Feldman nas aulas noturnas de redação publicitária para o 4o período. Posso dizer que gostei do magistério. Agora, é saber se ele também gostou de mim e deixar essa porta aberta pra ver o que dela sai ou, tanto melhor, o que nela entra.
Direto na têmpora: A menina gorda (poema de Ribeiro Couto, que aqui eu não ouço só música não, ó, pá) - João Villaret
Em uma história relacionada, ontem fui professor pela primeira vez. Serã pouco mais de 2 meses na Estácio de Sá, substituindo Renata Feldman nas aulas noturnas de redação publicitária para o 4o período. Posso dizer que gostei do magistério. Agora, é saber se ele também gostou de mim e deixar essa porta aberta pra ver o que dela sai ou, tanto melhor, o que nela entra.
Direto na têmpora: A menina gorda (poema de Ribeiro Couto, que aqui eu não ouço só música não, ó, pá) - João Villaret
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