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domingo, outubro 17, 2010

Cielito lindo

Um dia estudando com cuidado o infinito

O jovem astrônomo entendeu um sinal

Já sabia que o céu era muito bonito

Mas sacou que também era homossexual



Não é que ele fosse preconceituoso

Deus nos livre de uma falha tão pavorosa

Mas perceba que a lua é o astro famoso

Enquanto que o sol é a estrela fogosa




Direto na têmpora: Your hand in mine - Explosions In The Sky

sexta-feira, outubro 15, 2010

Poeira

Do pó vieste, ao pó retornarás. E, como poeira, irá sentir sobre ti os pés novos que aprendem a caminhar, tocar a face dos que correm sem saber aonde chegar, servir de pouso aos que caem e já não podem levantar.

Ao pó retornarás e ainda assim serás parte da vida, útil de um novo modo, presente como o menor grão.

Existirás, simplesmente existirás, e surpreso perceberás que apenas isso te basta.




Direto na têmpora: Boys will be boys - Goldfrapp

quinta-feira, setembro 30, 2010

Deixando um rastro

A gente quer ter filhos pra deixar um rastro. Quer fazer um blog pra deixar um rastro. Quer plantar uma árvore, escrever um livro e fazer uma revolução não pelo hoje, mas pelo amanhã.

Não ser notado é o pior castigo e ninguém quer ser esquecido. Queremos ser eternos para ser amados sem-fim, através do tempo, por algum outro que nem nos conheceu.

Todo homem quer deixar seu rastro. E às vezes até se perde por isso.




Direto na têmpora: Lullaby haze - Mates of State

quarta-feira, março 31, 2010

Trens

Eu sempre contava os vagões do trem com meu pai quando ele voltava do trabalho. Nunca quis saber para onde o trem ia, mas sempre soube que ele levava minério ao invés de pessoas.

O caminho das coisas me interessa pouco. Já um trem cheio de pessoas me faz pensar, adivinhar histórias, calcular destinos. Assim o trem fica mais humano, um transporte de sonhos e dúvidas, de rotinas e momentos únicos.

Talvez seja isso mesmo. Talvez hoje eu me importe cada vez menos em saber para onde vai o trem de minério.




Direto na têmpora: Nothing better - The Postal Service

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Hein?

O cisne, o ganso, o marreco e o pato são leiautes diferentes de uma mesma idéia. O briefing era claro e pedia olhinhos redondos e um grasnar engraçado.

Gostar de nadar era fundamental e as asas para voar também. Pés chatos, penas impermeavéis e o mesmo rebolar desengonçado ao caminhar também eram parte do pedido.

Aí o trabalho foi para quatro equipes diferentes, com designers, engenheiros e sei lá mais o quê. Deu no que deu, quatro idéias com a mesma base, mas completamente diferentes.

Alguns amam a postura meio romântica do cisne, outros adoram o jeito agressivo do ganso. Uns gostam de patos, outros preferem marrecos.

A verdade é que isso começou pra ser uma historinha infantil, depois me pareceu uma alegoria qualquer sobre o Dia do Publicitário e terminou não sendo nem um, nem outro.

Aliás, nem terminou, mas já que eu escrevi até aqui, deixo pra vocês. Quem quiser que continue.




Direto na têmpora: All the wine - The National