quinta-feira, dezembro 02, 2010

Coisinha de nada

De cima da árvore ainda ouviu a mãe gritar "desce daí, menino", mas não se deteve e esticou os braços para alcançar a manga que era sua missão.

Arrancou a fruta do galho fino e a apertou forte junto ao peito enquanto caía e sentia seu corpo se chocar surdamente contra o chão de terra batida.

Assim que recuperou o ar, sentiu o gosto de sangue na boca. A mãe estava vermelha, com o rosto colado ao seu e gritando algo que ele não escutava.

Tentou mexer os braços. Nada.

Viu a manga rolar lentamente pelo pó do terreiro e, com o canto dos olhos, percebeu as mãos finas e escuras que a recolhiam.

A menina de boca imensa e maçãs do rosto saltadas tirou um pedaço da casca e mordeu com volúpia, deixando escorrer o caldo amarelo por seu pescoço. Com um sorriso curto, acenou para o corpo imóvel do garoto e saiu do seu campo de visão enquanto pulava o muro de volta para casa.

- Pai, trouxe a manga. Tá uma delícia.





Direto na têmpora: Happy, happy, joy, joy - Ren & Stimpy

9 comentários:

PC disse...

Viadinha, ela.
Deve ser irmã do João Ganhão...

redatozim disse...

hahahah tem que fazer a genealogia, PC.

Rute Faria disse...

Li esse texto e vi toda cena em câmera lenta... Fantástico! =D

redatozim disse...

Em câmera lenta o tombo dói mais, Rute? rsrsrs

Rute Faria disse...

Verdade, tadinho. rs

Eduardo César disse...

Cruel que nem o Gargamel.
Muito bom texto.

redatozim disse...

Gracias, Edu.

Sakana-san disse...

Embora muito bem escrito, estou com uma lágrima no canto do meu olho que insiste em cair. A culpa é sua! :P

redatozim disse...

Foi mal aí, Sakana-san, ;-)