Eu morro de medo de fantasmas. Se você é meu amigo e acabar morrendo (Deus nos livre), nem venha me contar das coisas do além porque eu não quero saber de jeito nenhum. Fique lá do outro lado, quietinho e bem na sua.
Esse medo do sobrenatural não quer dizer, no entanto, que eu não goste de filmes de terror / suspense. Eu amo O Iluminado, por exemplo, e curto bastante um sustinho bem dado.
Isso tem, por outro lado, um aspecto ruim. A primeira vez que eu assisti ao filme A Profecia, morava em Ipatinga ainda e tinha meus 13 ou 14 anos. Passou em alguma Sessão Coruja e eu ali na sala, todo encolhido e me borrando de medo.
Acabou o filme, eu me levantei do sofá e olhei pro corredor que separava a sala do meu quarto. Não eram mais de 5 metros, mas quanto mais eu olhava, mais tinha certeza de que seria atacado pelo Tinhoso no meio do caminho.
Resultado? Dormi na sala mesmo, encolhido e com a luz acesa. A minha Sophia é bem mais corajosa do que eu, e se tudo der certo, ainda vai me tirar da sala e me levar pra cama depois de alguma Sessão Coruja, eu ali, encontrando coragem nos bracinhos dela e tendo a certeza de que ela veio ao mundo mesmo foi pra me proteger e cuidar de mim.
Direto na têmpora: 1, 2, 3, 4 - Feist
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quinta-feira, maio 14, 2009
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Medo
Eu sempre morri de medo de fantasmas. Sério mesmo. Inclusive já avisei pra todo mundo que, se morrer, nem precisa vir me contar como é do lado de lá, avisar de perigo ou dar conselho.
De filme de terror eu até gosto, mas se eu tenho que andar sozinho por uma rua escura, penso sempre primeiro em assombração e depois em assalto.
Por causa disso, lembrei do caso de meu irmão do meio, Diogo, que começou a acordar no meio da noite com alguma coisa puxando seu lençol ou a barra do pijama. Apavorado, ele se encolhia e passava a noite praticamente em claro.
Alguns dias de sofrimento depois, ele chama meu irmão mais novo, o Werner. Os dois dividiam o quarto e ele achou justo desabafar sobre a suposta assombração:
"Cara, eu não tô conseguindo mais dormir. Toda noite, no meio da madrugada, alguma coisa vem puxar meu lençol. Tô desesperado."
Foi acabar de falar e o Werner morreu de rir. O fantasma era ele, cutucando o Diogo para que ele parasse de roncar.
Direto na têmpora: Novocain Stain - Modest Mouse
De filme de terror eu até gosto, mas se eu tenho que andar sozinho por uma rua escura, penso sempre primeiro em assombração e depois em assalto.
Por causa disso, lembrei do caso de meu irmão do meio, Diogo, que começou a acordar no meio da noite com alguma coisa puxando seu lençol ou a barra do pijama. Apavorado, ele se encolhia e passava a noite praticamente em claro.
Alguns dias de sofrimento depois, ele chama meu irmão mais novo, o Werner. Os dois dividiam o quarto e ele achou justo desabafar sobre a suposta assombração:
"Cara, eu não tô conseguindo mais dormir. Toda noite, no meio da madrugada, alguma coisa vem puxar meu lençol. Tô desesperado."
Foi acabar de falar e o Werner morreu de rir. O fantasma era ele, cutucando o Diogo para que ele parasse de roncar.
Direto na têmpora: Novocain Stain - Modest Mouse
sexta-feira, novembro 07, 2008
Medo
Quando eu era criança, tinha 3 grandes pavores: a loura do banheiro, que assombrava o banheiro masculino com algodão no nariz e tudo mais; o homem do saco, que pegava a molecada, colocava no saco e sumia com elas e o bandido da cartucheira.
Mas o que é que o bandido da cartucheira, um reles marginal, tinha a ver com duas lendas urbanas? Não sei, mas era a primeira invasão do mundo adulto nos medos infantis.
A gente tinha medo de fantasma, mas não tinha medo de assalto. Acreditávamos em assombração, mas achávamos que trancar as portas ou fechar as janelas da casa era exagero de adulto (e foi, durante algum tempo).
Mesmo o bandido da cartucheira era mais uma invenção dos adultos para assustar do que uma preocupação real. Inventávamos nossos próprios medos e pronto.
Hoje, com tantos medos reais, tantos limites, tantas preocupações, quero mais é que a Sophia seja amiga de fantasmas e monstros, se dê bem com assombrações, adore vampiros e caveiras. A vida já já é assustadora o suficiente.
Direto na têmpora: Sleep - Dandy Warhols
Mas o que é que o bandido da cartucheira, um reles marginal, tinha a ver com duas lendas urbanas? Não sei, mas era a primeira invasão do mundo adulto nos medos infantis.
A gente tinha medo de fantasma, mas não tinha medo de assalto. Acreditávamos em assombração, mas achávamos que trancar as portas ou fechar as janelas da casa era exagero de adulto (e foi, durante algum tempo).
Mesmo o bandido da cartucheira era mais uma invenção dos adultos para assustar do que uma preocupação real. Inventávamos nossos próprios medos e pronto.
Hoje, com tantos medos reais, tantos limites, tantas preocupações, quero mais é que a Sophia seja amiga de fantasmas e monstros, se dê bem com assombrações, adore vampiros e caveiras. A vida já já é assustadora o suficiente.
Direto na têmpora: Sleep - Dandy Warhols
terça-feira, novembro 20, 2007
Nos braços de Morfeu
“Quando fulano morrer, vai voltar pra puxar o seu pé”. E eu me encolhia pra esconder os pezões desproporcionais debaixo dos lençóis.
Depois, lembrava do filme “A Dança dos Vampiros” - que me fazia rir, mas dava um medão que eu escondia - e cobria o pescoço, como se o lençol fininho tivesse estampa de cruz e trama feita de alho.
Ficava nessa disputa, no cobre-e-descobre, entre um medo e outro, pescoço e pés eu todo, a cabeça sobrando de fora e ia dormir meio cansado, minutos depois, quando começava a imaginar os gols do meu time na minha cabeça e tudo então passava.
Sinto muita falta de dormir com a janela aberta em pleno verão de Ipatinga.
Direto na têmpora: Another saturday night - Cat Stevens
Depois, lembrava do filme “A Dança dos Vampiros” - que me fazia rir, mas dava um medão que eu escondia - e cobria o pescoço, como se o lençol fininho tivesse estampa de cruz e trama feita de alho.
Ficava nessa disputa, no cobre-e-descobre, entre um medo e outro, pescoço e pés eu todo, a cabeça sobrando de fora e ia dormir meio cansado, minutos depois, quando começava a imaginar os gols do meu time na minha cabeça e tudo então passava.
Sinto muita falta de dormir com a janela aberta em pleno verão de Ipatinga.
Direto na têmpora: Another saturday night - Cat Stevens
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Pais
Há duas grandes certezas na vida de um pai, duas grandes verdades contra as quais não cabe réplica ou ajuste.
A primeira é imediata, quase violenta em seu impacto: ele nunca foi tão feliz. Pouco importa o que tenha vivido, onde tenha ido ou quem tenha comido, ele nunca, absolutamente nunca, sentiu-se assim.
A segunda foge-aparece no canto do pensamento, repisca num cochilo e, súbita, toma conta de tudo: ele nunca teve tanto medo. Pouco importa o salto de pára-quedas, os filmes de terror à meia-noite, o valentão da escola, ele nunca, absolutamente nunca, sentiu-se assim.
Pais têm um medo que a luz não cura, que o riso não espanta, que não é o susto. É algo que agora faz parte do dia e pronto. Pais convivem com o medo como quem sabe perfeita e inevitável sua mortalidade. Ganham uma noção sem precedentes da própria presença. E, conseqüentemente, da própria ausência.
Um pai vai te contar como ele é feliz, mas nunca vai falar sobre o medo. Mesmo que você o descubra chorando ao ver o filho dormir.
Direto na têmpora: Forgetful Lucy - Adam Sandler
A primeira é imediata, quase violenta em seu impacto: ele nunca foi tão feliz. Pouco importa o que tenha vivido, onde tenha ido ou quem tenha comido, ele nunca, absolutamente nunca, sentiu-se assim.
A segunda foge-aparece no canto do pensamento, repisca num cochilo e, súbita, toma conta de tudo: ele nunca teve tanto medo. Pouco importa o salto de pára-quedas, os filmes de terror à meia-noite, o valentão da escola, ele nunca, absolutamente nunca, sentiu-se assim.
Pais têm um medo que a luz não cura, que o riso não espanta, que não é o susto. É algo que agora faz parte do dia e pronto. Pais convivem com o medo como quem sabe perfeita e inevitável sua mortalidade. Ganham uma noção sem precedentes da própria presença. E, conseqüentemente, da própria ausência.
Um pai vai te contar como ele é feliz, mas nunca vai falar sobre o medo. Mesmo que você o descubra chorando ao ver o filho dormir.
Direto na têmpora: Forgetful Lucy - Adam Sandler
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