sexta-feira, dezembro 26, 2008

Rino

Um dia eu me descobri o oposto da delicadeza.

Meus gestos são largos, minha raiva é gritada, meu humor se escancara.

Talvez não bruto, mas certamente abrutalhado.

Movo-me pesadamente e sinto tudo um peso que nem sempre deveria haver. Sou o oposto do fluido.

Mesmo quando sou bom, o que me move não é caridade, mas a luta contra uma impotência diante do acontecido.

Por isso, talvez, é que seja para mim tão simples agir, mudar, decidir, romper, resolver, amar.

Atropelo as circunstâncias, não percebo o detalhe.

O sutil e o sensível não cabem em mim, nesse caldo espesso de fúria, estupidez e alegria vastas.

Não posso dizer, como Mário Quintana: “eles passarão, eu passarinho”. Mas posso berrar honesto e tosco: “eles rinoserão, eu rinoceronte”.




Direto na têmpora: Big in Japan - Tom Waits

8 comentários:

tita disse...

pots auto-análise....huum..legal, pasta;)

Micho en el pais de las maravillas disse...

ótimo!

redatozim disse...

hehehe, valeu, tita

redatozim disse...

nessa época de festas é o que estamos tendo, micho rs

ndms disse...

Naa mais errado frente a percepcao de quem te ve de fora: voce tem muita sensibilidade para o amor, para o carinho, para o respeito, para o perdao, para a atencao e, tudo mais, que de verdade o torna um ser humano especial. E olha que eu lhe conheco muito bem

redatozim disse...

Ângulos distintos de visão, percepções distintas, ndms.

Jonga Olivieri disse...

Rinoseria?
Don

redatozim disse...

Rinosou (rinosoro?) sem dúvidas, Don.