segunda-feira, janeiro 18, 2010

Calma, porra!

Eu usei aparelho móvel durante um ano. Sem problemas, sem stress.

Depois, com uns 15 anos, eu descobri que os dois últimos dentes do lado direito superior estavam encavalados e fui sentenciado ao aparelho fixo.

Durante três semanas ou mais, vivi com a parte interna da bochecha cortada, inchada e sangrando. Foi aí que, demonstrando toda a minha calma e resignação, eu arranquei o aparelho com um garfo e me dei alta do tratamento.

Anos depois isso me custou um dente e algumas boas centenas de reais, mas eu era jovem, inconsequente e achava que o futuro só me reservava o melhor independentemente das minhas escolhas e atitudes.

Não digo que tenha melhorado muito de lá pra cá no quesito paciência, mas aprendi que às vezes é preciso aturar os cortes na parte interna da bochecha.

Infelizmente parece que Sophia herdou de mim essa grande urgência injustificada diante de tudo e uma intolerância maior ainda à frustração. Vai passar muita raiva, mas se souber transformar isso em um rumo e não em uma reação, pode se dar muito bem.

Aliás, acho que é isso que eu desejo para 2010. Lidar de forma intempestiva contra as adversidades, mas não de forma reativa e sim de maneira a buscar uma solução.

É que na minha opinião o grande problema não é ser impaciente, intolerante com as próprias limitações ou radical em suas posturas. Mil vezes isso ao cordeirismo. O grande problema é pensar curto e não usar a energia que vem destas "imperfeições" para criar novos caminhos.

Se eu conseguir fazer isso, conto pra vocês em 2011. Quem sabe?




Direto na têmpora: Favorite thing - Replacements

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Freak Children - menina que gira

A menina da cabeça que gira


Em voltas completas girando veloz

Num furor de trezentos e sessenta graus

A cabeça da menina de sina atroz

Parecia possuída por espíritos maus



Olhando de perto era como cinema

(uma cena de O Exorcista bem acelerada)

E a família teve um pequeno problema

Já no momento da primeira mamada



Ninguém esperava que a menina andasse

Mas ela deu os passinhos bem equilibrada

Só ficou um medinho que ela vomitasse

Porque a sala já tinha sido toda encerada



Ninguém compreendia como a menina enxergava

Com a cabeça rodando sem nunca parar

Mas mesmo correndo ela nunca trombava

E até mesmo basquete chegou a jogar



O único drama que houve de fato

Foi quando a menina resolveu namorar

Pois mesmo conseguindo o menino mais gato

A cabeça não parava pra ela beijar




Direto na têmpora: Pizza drive by - Whoremoans

Bichinhos de estimação

Nosso querido Pedro Sales (@pedrosales) encontrou no aconchego de seu lar um novo amiguinho: Esmegma, o escorpião.

Ontem ele veio brincar com a gente aqui na Tom, mas ficou ali, caladão. Só se estressou mesmo quando colocamos duas formigas e ele chegou a levantar as pinças pra mostrar o seu incômodo.

Diz o Pedro que em casa o Esmegma comeu um pernilongo, mas sei lá, ele tem jeito de quem prefere mesmo uma baratinha.

De qualquer forma, o Esmegma vai deixar saudades e só nos resta torcer para que o Pedro cuide bem do nosso amiguinho. Não se fazem mais escorpiões como aquele.








Direto na têmpora: Have you seen your mother, baby? - Rolling Stones

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Sophia e uma pitada de Freak Children

Minha Sophia desenha um monte de pontinhos coloridos e me chama.

- Olha, papai, um monte de pontinhos.

- Que lindo, Sophia, são estrelinhas?


E ela, quase sem pensar:

- Não, eu ainda não decidi o que vai ser.


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Sophia ganhou, no dia 5 de janeiro, um peixinho daqueles beta. A tia avisou logo que o peixinho era muito delicado e que poderia morrer rápido, para a minha Sophia não ficar triste se isso acontecesse.

Chegando em casa, eu e Fernanda reforçamos o conselho e avisamos que o bichinho poderia mesmo morrer de uma hora pra outra.

Hoje, o peixinho já estava mais pra lá do que pra cá, mas a baixinha não parecia muito preocupada. Aí a Lílian veio contar pra gente que, diariamente, desde que o peixe chegou lá em casa, Sophia chega perto do aquário e fica falando com o beta.

- Você ainda não morreu não, peixinho? Quando é que você vai morrer, hein?



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Para fechar o post, mais um freak children ilustrado pelo Rogério Fernandes.






Direto na têmpora: Those to come - The Shins

Pro inferno

Pat Robertson é um imbecil. Ele também é advogado, pastor pentecostal e ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, mas nada disso tem importância diante do fato de que ele é um gigantesco imbecil.

Para Pat Robertson, o Haiti fez um pacto com o diabo para escapar do jugo francês e é por isso que, há 200 anos, as pessoas daquele país estão condenadas a sofrer e a viver em meio à miséria.

Os 100 mil mortos do último terremoto, por exemplo, estão apenas pagando o preço por um pacto com o diabo feito por seus ancestrais. Se alguns voluntários morreram também, são apenas uma casualidade mínima, um bônus para o cramulhão.

Pat Robertson acredita ainda que a República Dominicana tem seus resorts e uma economia melhor do que o Haiti, mesmo as duas dividindo uma única ilha, porque não fez o tal pacto. Logicamente, o grande imbecil acha que o fato dos dois vizinhos terem sido colonizados por países diferentes não tem nada a ver com o peixe.

No discurso de Pat Robertson não há espaço para o respeito à dor, solidariedade ou mesmo perdão. Naquela mente mesquinha e limitada, cabe apenas a punição por uma suposta escolha de uma população inteira há mais de dois séculos.

Como eu disse, Pat Robertson é um imbecil dos grandes. E é bom saber que ele acredita no inferno, porque se tal lugar realmente existe, o lugarzinho dele está bem guardado por lá.




Pat Robertson mostrando a uma repórter porque faz parte da escória humana.




Direto na têmpora: You Mean Nothing To Me - Jay Reatard

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Minha menina

Menina, para de pular.

Menina, chega de correr.

Menina, deixa de gritar e vem aqui.

Vê se sossega, menina, que o tempo do seu pai nessa vida é curto e ele precisa de você quieta, paradinha, assim, insuspeita de tanto beijo que ele quer te dar.

Agora vai e segue, menina. Pula, corre, grita e gira sem sossego, porque seu tempo é sem fim, e não há beijo nesse mundo, nem mesmo do seu pai, que te possa segurar.








Direto na têmpora: Library date - Purse Snatchers

Quer mais Freak Children? Não? Toma assim mesmo.

A garota vegetal


Não se sabe se foi agrotóxico ou fato normal

Que gerou uma menina de imagem tão torta

Talvez praga de gente com inveja mortal

Talvez por ter sido concebida na horta



Do lado esquerdo do peito nasceu um repolho

E atrás da orelha uma folha de couve

Brotou um morango em cada olho

Menina tão estranha aqui nunca houve



A mãe e o pai, vegans assumidos

Sentiam enorme orgulho por dentro

Chegaram mesmo a ficar convencidos

Porque o hálito dela cheirava a coentro



Mas o destino pode ser de uma maldade danada

(naquela família com certeza ele foi)

É que a garota vegetal detestava salada

E preferia um sangrento e bom bife de boi




Direto na têmpora: DD don't like ska - Voodoo Glow Skulls

terça-feira, janeiro 12, 2010

África do Sul

Acho que já mencionei antes no Pastelzinho que minha viagem de lua-de-mel começou pela África do Sul. Pois ontem, assistindo ao bom filme Invictus (sobre rugby e com Morgan Freeman no papel de Mandela), não pude deixar de lembrar da nossa visita e do absurdo que foi o Apartheid.

Mandela foi eleito presidente em 94 e eu e Fernanda estivemos lá em 2002, ou seja, a questão racial já havia avançado oito longos anos. Mesmo assim, contando com a boa vontade da minha memória (que anda piorando por causa da internet, segundo a Fernanda e a Veja), vou tentar lembrar algumas das impressões que tivemos.

Era interessante ver que todos falavam inglês, mas que a grande maioria dos brancos assumia não falar zulu, enquanto q quase totalidade dos negros falava afrikaans. Acho que ainda havia dois hinos na época, mas não tenho certeza.

Diziam também que os brancos que por algum motivo ficavam na miséria se recusavam a mudar para as favelas de Soweto (acho que era Soweto mesmo), mas os bairros "sofisticados" recebiam bem os negros.

Fora isso, a quantidade de imigrantes de outros países africanos atraídos pela melhor condição financeira dos vizinhos era assustadora. Inclusive não era raro ver pessoas falando em português devido à grande quantidade de moçambicanos e angolanos.

Só conhecemos Joanesburgo, Sun City e algumas atrações turísticas como safari fotográfico em parques de vida selvagem. Por estarmos em meio a uma viagem de turismo, não prestamos assim tanta atenção nas questões sociais, mas foi uma experiência memorável.

Não estarei na Copa, mas torço para que quem vá encontre um país igualmente lindo, igualmente rico culturalmente e cada vez mais bacana para os que vivem lá.




Direto na têmpora: Sleeping on the sidewalk - Queen

Promessas, promessas

Trabalhando com publicidade a gente sabe muito bem que certas promessas dos anunciantes não serão cumpridas.

Às vezes basta olhar o pedido para saber que, por mais que o cliente jure de pés juntos que aquilo é verdade, iremos anunciar algo que muito provavelmente não passa de balela. Eu mesmo já redigi uma carta assinada pelo presidente de uma empresa que prometia a seus principais clientes um determinado benefício e terminava com "pode acreditar". Um ano depois e, é claro, o prometido não chegou a 60% de ser cumprido.

Não discuto aqui se há má fé por parte do empresário ou se essas coisas não passam de erros de cálculo, mas na grande maioria das vezes o consumidor esquece o prometido e fica tudo por isso mesmo. O problema é quando a promessa é quebrada ao vivo e cai no youtube. Aí sim, o imbróglio fica bem mais complicado. Saca só.








Direto na têmpora: Sure shot - Beastie Boys

segunda-feira, janeiro 11, 2010

E segue a saga dos Freak Children

Mais duas ilustrações do Rogério Fernandes pros Freak Children.












Direto na têmpora: Dope Nose - Weezer

Sophia e Calvin

Eu fiz! Tá certo que como cada foto rolou em no máximo dois cliques e minha Sophia estava indo dormir, a coisa não ficou 100%, mas eu achei duca mesmo assim. Dois de meus ídolos juntos!



Faça o seu também. Eu e Sophia curtimos.




Direto na têmpora: Twenty Flight Rock - Eddie Cochran

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Os próximos 10 anos

O jornal The Philadelphia Inquirer fez uma pesquisa com crianças abaixo de 13 anos para saber como seriam os próximos 10 anos.

Eu colei abaixo os meus favoritos, mas para ver a lista completa clique aqui.



I think there will be a robot who will be able to clean my room, brush my teeth, tuck me in at night, read me stories, and find a soft place for me to sit.
Sarah Carr, 4
Plymouth Meeting


People will be friendlier because they can talk to each other on more than one phone.
Morgen Zighelboim, 5
Huntingdon Valley


I think all of the animals will be dead in 10 years because America is polluting too much. People who aren't married won't have dogs, cats, fish, or any other type of house animal.
Lexi Schommer, 8
Penn Valley


I think in 10 years there will be a device that makes monkeys talk to you in English. It will be the next big hit in the U.S.
Justin Nachman, 8
Wynnewood


In 10 years you will see monkeys wearing dresses and being maids.

Jamila Rumph, 9
Ardmore


Robots will take over the world. They will have lasers.
Jacob Eiseman, 9
Penn Valley


We will have a trombone case that has wheels, so I don't have to carry it all the time.
Jonny Ford, 12
Malvern




Direto na têmpora: Velvet snow - Kings of Leon

A Teoria do Crepúsculo

Antes de mais nada, é bom esclarecer que não fui ver Crepúsculo e nem Lua Nova não por preconceito, mas apenas por falta de interesse.

Em segundo lugar, eu fui apresentado a esta teoria por Marcus Barão (@marcus_barao) um dia desses aqui na TOM.

Em terceiro lugar, foram o Raphael Crespo (@raphaelcrespo) e a Sabrina Crespo (@SabrinaCrespo) que pediram para que eu dividisse com vocês a teoria, ou seja, é praticamente uma ordem. Sendo assim, vamos a ela.

Pelo que me contaram, o amor entre Bella e Edward é 98% platônico. Ele é louco por ela, ela é louca por ele, mas as coisas têm que ser meio distantes pelo fato do caboclo ser um vampiro.

É só abracinho leve, porque qualquer beijo na boca mais animadinho, qualquer roça-roça, qualquer sem-vergonhice pode resultar num acesso de sanguinolência do mocinho e em uma consequente chupada assassina (no sentido nosferático).

Resumindo, a mensagem que o filme passa para as meninas é: sexo mata. Mão naquilo? Mata também. Aquilo na mão? Mata demais! Boca naquilo e aquilo na boca? Ô, se mata. E se bobear até boca na boca tá arriscado a terminar em óbito.

Ou seja, estou encomendando hoje (não via Submarino, obviamente), o filme Crepúsculo. E minha Sophia vai assistir diariamente até entender que o Convento das Carmelitas Descalças é um ótimo lugar para que ela possa viver segura e feliz até, digamos, seus 38 anos.

E viva os vampiros vegans!




Direto na têmpora: It's a crime - Casiotone for the Painfuly Alone

Maurilão, o juvenil

Eu acompanho o basquete da NBA pelo menos desde 1986. De lá pra cá eu já vi de tudo. Já vi Isiah Thomas marcar 16 pontos nos últimos 94 segundos de um jogo, já vi Reggie Miller virar um jogo marcando 8 pontos em 11 segundos, já vi Kobe Bryant marcar 81 pontos em uma única partida.

Mesmo já tendo visto tudo isso, na última quarta-feira eu fui dormir com 0,6 segundos no relógio em um jogo que os Celtics perdiam por dois pontos. Na verdade, com 5 segundos de jogo o Boston perdeu uma bola e a chance de vencer a partida, colocando a equipe dois pontos atrás com apenas 0,6 segundos no cronômetro.

Dormi com a certeza de que a partida havia sido perdida e ontem, quinta-feira, nem acessei o site da ESPN para não passar raiva.

Hoje, li as notícias e achei esse vídeo que serve para mostrar que na NBA a máxima "só acaba quando termina" é cada vez mais verdadeira. Enjoy!






PS - Pra piorar, os Celtics ainda venceram o jogo na prorrogação e eu lá, dormindo.




Direto na têmpora: The rising tide - Sunny Day Real Estate

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Justiça

Luciano Farah está nas ruas. Para quem não se lembra, Luciano Farah foi aquele empresário dono da Rede West de postos de gasolina que adulterava combustíveis e, sentindo-se perseguido pelo promotor Francisco Lins do Rêgo, fez o que qualquer cidadão racional faria e mandou matar o cabra.

Além disso, Farah matou também, na mesma época, um rapaz que assaltou um de seus postos, o que não deveria surpreender ninguém. Para Farah, grana é um negócio muito mais importante do que a vida.

Fosse Farah um pé de chinelo e provavelmente a pena de 21 anos seria cumprida na íntegra, sendo ele quem é, está nas ruas beneficiado pela progressão de pena. As duas pessoas que Farah orientou a cometerem o homicídio, por exemplo, continuam cumprindo pena em regime fechado.

Nada contra o regime semi-aberto, que é um importante instrumento de reintegração do presidiário à sociedade. Também não acho que Farah represente risco ao cidadão comum, a não ser é claro que você tenha qualquer tipo de interferência sobre os negócios dele.

Ainda assim não estou convencido de que tenha sido uma decisão justa, até porque existe uma diferença enorme entre o que é legalmente correto e o que é justo. Luciano Farah se junta aos filhos de empresário que atropelam famílias de trabalhadores e vão estudar no exterior, aos playboys que queimam índios e tomam cerveja nos botecos durante o regime semi-aberto.

Em casos como estes, a "leveza" da justiça não educa, não é humana, não redime. O que ela faz é ensinar que o preço de uma vida varia e, se bem negociado, pode sair muito baratinho.

Como já disse, para Farah, grana é um negócio muito mais importante do que a vida. E a justiça brasileira vem dando pinta de que concorda com ele.




Direto na têmpora: Sex Bomb - Tom Jones

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Submergir! Submergir!

No dia 20 de dezembro eu pedi um livro, dois joguinhos de Wii e um Pula Pirata para a Sophia através do Submarino.

De lá pra cá eles adiaram a entrega dos produtos, cancelaram a entrega dos joguinhos de Wii mesmo tendo autorizado a compra junto ao cartão de crédito, tentaram a primeira entrega em um domingo, ignoraram meu aviso de que não haveria ninguém em casa no dia da terceira tentativa de entrega, avisaram que o pedido voltaria ao estoque e disseram que eu precisaria esperar para cancelar a compra.

Quando eu achei que estava tudo resolvido e já havia desistido, até por recomendação do próprio Submarino, da compra, surpresa! Entregaram o livro e o Pula Pirata anteontem mesmo tendo avisado que não haveria mais tentativas.

Agora, para colocar a cereja no bolo da incompetência recebo, dois dias depois dos produtos terem chegado à minha casa, o seguinte email:

"Informamos que seu pedido 000000000 está em processo de devolução devido Ausência do destinatário no ato das três tentativas de entrega. Desta forma, retornará ao nosso Centro de Distribuição e após a confirmação de chegada em nosso estoque, providenciaremos o cancelamento e posteriormente o reembolso ou reenvio.

Pedimos gentilmente que aguarde a confirmação desta devolução através de seu e-mail.

Permanecemos a sua disposição para mais esclarecimentos.

Ter você a bordo será sempre um imenso prazer para nossa tripulação!

Atenciosamente,
Xxxxxxxxxxxx Xxxxxxxxx
BackOffice Delivery Submarino
www.submarino.com.br
"


Minha resposta não poderia ser outra:

"Xxxxxxxxxxxxx,

não me surpreende receber este email devido à desorganização que o Submarino vem mostrando ao longo deste pedido. Foram várias confusões de informação entre equipe de entrega e equipe de atendimento Submarino, além de atrasos e um total descaso dos atendentes via telefone.

O fato é que o pedido já foi entregue, o livro já foi lido e o brinquedo (que eu já havia comprado novamente em outro lugar) já foi até dado para outra criança.

Foi realmente um prazer encerrar minha última (definitivamente a última) compra com o Submarino com esse leve toque de humor por parte de vocês.

Grande abraço,



Maurilo
."




Direto na têmpora: Over it - Dinosaur Jr

terça-feira, janeiro 05, 2010

A menina de asas ilustrada

Mais uma ilustração do Rogério Fernandes para o projeto Freak Children. Eu achei que ficou duca.







Direto na têmpora: The first big weekend - Arab Strap

O fim da blogosfera

Eu queria ter um blog sobre marketing político, um blog sobre minhas opiniões políticas, um blog sobre meus projetos literários, um blog sobre meus projetos literários infantis, um blog sobre internet e redes sociais, um blog sobre a Sophia e a Fernanda, um blog sobre música, cinema e cultura em geral, um blog só de casos e memórias, um blog sobre basquete e um blog só com bobagens.

Infelizmente ia faltar leitor, tempo e assunto, por isso eu continuo só com o Pastelzinho.

A verdade é que embora eu ainda goste muito e tenha prazer em trabalhar com publicidade, meus interesses cada vez variam mais e o lugar que me permite lidar com todos eles e expressar o que penso sem precisar mudar radicalmente de vida é o blog.

E o pior é que já andam declarando o fim da blogosfera.

De qualquer forma, continuamos aqui, falando de tudo um pouco e usando como arquivo de um monte de coisas que antes se perderiam em alguma pilha de papel ou hd velho. Sendo assim, vai aí mais um repost de algo que tive que tirar do ar por causa do concurso literário.


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O menino que não acreditava no ar


"Se eu não pego, não mordo, não vejo e não cheiro, é porque ele não existe". Era assim que o menino dizia e ninguém o convencia de que o ar realmente existia.

"Mas e o vento, menino? O que você me diz dele? O que você acha que é o vento?"

"O vento é o vento, são as árvores espirrando, não é ar, mas não é mesmo."

"E o pum? O pum tem cheiro."

E o menino retrucava:

"Tem cheiro porque é pum, se não tivesse era outra coisa. Mas ar não é."

"Mas você não respira, menino? A gente respira é ar."

"É nada, papo furado, conversa mole. A gente enche e esvazia o peito é por causa do pulmão, não tem nada a ver com o ar, não."

E não havia fato que houvesse, professor que ensinasse e mãe que jurasse que convencesse o menino.

Um dia entrou na escola, bem na sala do menino, a menina mais bonita do mundo (ou pelo menos do bairro).

Tinha um olhar tão doce, um sorriso tão gostoso, que nem tinha passado um minuto e o menino não via mais nada. Ficou ali olhando pra ela, cara de bobo, coração disparado e ficou tão apaixonado que esqueceu de respirar.

De repente levou um susto, estava roxo, engasgado, sentindo falta de ar. A menina preocupada o socorreu, abanou, pegou no braço, deu até beijo na boca pra ajudar a reanimar. Ficaram se olhando um tempinho, ele quase desmaiando por causa daqueles olhos (ou do oxigênio, sei lá) e passados poucos dias resolveram namorar.

E depois daquele dia, o menino acreditou nessa história de ar, sem nunca duvidar de nada. O ar era fato de fato, disso não duvidava, mas preferia ficar sem ele, ficar roxo, bambo, abobado, preferia cair desairado, do que perder a namorada.




Direto na têmpora: Leavin' - Mad Caddies

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Pequenas Tragédias Cotidianas está de volta

O regime estava funcionando. Já havia perdido sete quilos e agora faltavam apenas quatro para atingir o seu objetivo. Estava mais confiante, os homens a olhavam de outra forma e mesmo no trabalho seu desempenho parecia melhorar com o ganho de auto-estima.

O segredo, acreditava ela, era uma combinação de força de vontade e da granola da dona Neide. Comia a granola misturada com o iogurte natural pelo menos quatro vezes ao dia. O produto vinha em um saquinho azul escuro que ela despejava diretamente no iogurte e mexia vigorosamente, acreditando piamente em seus efeitos milagrosos.

Certa manhã, logo antes de sair de casa, sentiu algo extra-crocante na colherada. Olhando para o potinho de iogurte, percebeu um objeto imóvel que parecia levemente com algum inseto.

Guardou o conteúdo na bocheca, sem engolir, enquanto retirava a evidência com a colher e examinava cuidadosamente. A conclusão era inequívoca: uma pequena barata. Ou melhor, metade de uma pequena barata.

O impulso imediato foi cuspir o que estava em sua boca e ligar para dona Neide dizendo poucas e boas. Correu para pia, mas no último instante reparou na calça 40 que a aguardava sobre a cadeira. Ficava sempre ali para lembrá-la de que o sacrifício logo, logo traria frutos. Sua meta a olhava desafiadora como se dissesse "uma baratinha? Vai desistir de mim por causa de uma baratinha?".

Seu coração acelerou. Pensou no número de telefone que havia passado para o mocinho da boate, lembrou-se da cara de inveja da chefe e, encarando a calça tão sonhada, engoliu a colherada que ainda retinha na boca.

Com os olhos fechados, continuo comendo como quem medita. Ia valer a pena. Um dia, tudo aquilo ia valer muito a pena.




Direto na têmpora: Champagne Supernova - Oasis

Rimarinhas na íntegra

Bom, seguem aí todas (ou quase todas) as Rimarinhas enquanto não tenho novidades sobre o assunto. Algumas já estiveram por aqui, mas fui forçado a tirar por causa do malfadado concurso literário da prefeitura.



Água viva

Água viva ficou noiva de um peixinho colorido
Deu um beijo, deu um choque, lá se foi o seu marido



A curiosidade matou o peixe

Esse peixinho no seu prato era muito curioso
Foi atrás de uma minhoca sem saber se era gostoso



Comilança

A foca não é peixe, nem o pingüim ou a baleia
Mas o tubarão nem liga: entrou na água vira ceia



Camarão

Nenhum peixe lá do mar acha o camarão bonito
Eles nem sonham o sucesso que ele faz quando está frito



Leão

Se o tubarão fosse da terra, seria um leão perfeitinho
Por que será que não é ele que se chama leão marinho?



Polvo

O polvo tem oito braços, mas eu nem sei se ele tem boca
Bicho bacana é assim: muita ação, conversa pouca.



Prateado

Dos peixinhos prateados eu nunca soube o nome
Quando eu começo a aprender, vem um peixe grande e come



Apelidos

O hipocampo, veja só, agora é cavalo-marinho
Se o nome dele fosse Antônio, ia acabar virando Toninho



Enguia

O nome enguia,
Quem diria,
Não vem de esguia
Mas devia



Arraia

Sempre que olho a arraia tenho uma duvidazinha à toa
Quando bate asas na água ela nada ou ela voa?



O homem

O homem quando se mete, confunde a cabeça do bicho
Eu já vi uma água viva amando um saco de lixo



Sereia

Meio peixe e meio gente, a sereia é coisa rara
No mar acham lindo o rabo, na terra preferem a cara



Bacalhau

Não cumprimentei o peixe, mas juro, não foi por mal
É que eu nunca tinha visto a cara do bacalhau



Golfinhos

Golfinhos nadam depressa, velozes como o quê
Acho que eles vão correndo ver o Flipper na TV



Tartaruga-marinha


Tem casco igual a cavalo, tem bico que nem galinha
Mas não é bicho de fazenda, é tartaruga-marinha



Aquário

O aquário da minha casa é um mar pequenininho
Tem peixe, tem caranguejo, só não tem pescadorzinho



Pelicano

O pelicano abre o bico e engole água com peixe e tudo
O albatroz com seu biquinho, diz: "que bicho mais sortudo"



Peixe-espada

No aniversário da peixe-espada foram todos os peixinhos
Baiacu saiu furado quando foi dar os três beijinhos



Peixe-voador

A turma dos peixes-voadores é uma bagunça danada
Na água eles são cardume, no ar são revoada



Caranguejo

Uma pergunta sobre o caranguejo pra quem é muito inteligente
Se pra ir em frente ele anda de lado, pra ir de lado ele anda pra frente?



Linguado


O linguado
todo achatado
no mar vive deitado
na mesa, morre assado



Papagaio-marinho

O papagaio-marinho nunca, nunca dá o pé
Deve ser medo de cair, por causa da maré



Rêmora

A rêmora sempre anda pertinho do tubarão
Se alguém procura briga, ela tem um amigão



Baleia

A ópera do mar está sempre de casa cheia
Todo mundo quer ouvir o lindo canto da baleia



Alga

Quando as algas dão na praia a gente diz "que sujeirada"
Mas se pros homens é sujeira, pros peixes é salada



Ouriço

Bom amigo, educado, pronto pra qualquer serviço
Mesmo assim, pobrezinho, ninguém abraça o ouriço



Sardinha

Esse mar é muito grande, reclamava Dona Sardinha
Hoje ela anda bem calada, apertada na latinha



Cril

O cril é pequenino, curtinho até no nome
Mas sem esse miudinho, a baleiona passa fome



Onda

Já viu onda debaixo d'água? Pois vou te dar uma pista.
Tem tubo, tem marola, tem até peixe surfista.




Direto na têmpora: Gloria - Them

É nóis de novo

Ontem assisti um dos filmes pelos quais esperei mais ansiosamente: "Onde vivem os monstros". Eu já tinha duas cópias do livro, uma em inglês pra mim e uma em português para a Sophia, mas o filme prometia. E cumpriu.

O menino ator Max Records é um show, os monstros são excelentes e Spike Jonze conseguiu adicionar profundidade e emoção a uma história curtíssima. O filme consegue ser ao mesmo tempo grandioso e singelo, deixando a gente com a certeza de que ainda existe um jeito de viver sendo criança, não importa a vida que tenhamos.

O único porém é não poder levar a minha Sophia, porque a história do filme é bem mais densa em certos pontos. Acho que acima de 8 já rola numa boa, mas com 4 anos ela não ia curtir. Tirando isso, perfeito.

E já que mencionei a minha Sophia, seguem algumas pérolas dela nesse 2010 que mal começou.


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Sophia mostra um casalzinho de bonecas para a mãe.

- Olha, mamãe, eles são namorados.

- Namorados? Mas eles não são muito novos para namorar?

- Papai, com quantos anos menino pode namorar?

- Com 38, filhinha.

- E menina?

- Ah, menina é com 39.


Tomara que ela tenha acreditado.


____//____

- Sophia, papai vai colocar algumas moedas no cofrinho para você, tá?


Decepcionada com o reduzido volume monetário depositado, Sophia pede:

- Papai, depois você compra mais moedas pra colocar no cofrinho?


____//____

E essa última foi anteontem de madrugada e me cortou o coração. Minha Sophia acorda chorando e pede pra dormir na nossa cama pela primeira vez em sua vida. Deve ter sido um puta pesadelo e eu fui tentar acalmá-la.

- Você tá com medo, Sophia?

- Tô.

- Mas você tá no seu quartinho, papai e mamãe estão aqui do lado, não precisa ter medo.

- Mas eu tô com medo.

- Mas medo por que, bonequinha?

- Porque eu não tenho muita coragem.


Pronto, já fez o pai desabar.




Direto na têmpora: Dull Life - Yeah Yeah Yeahs

sexta-feira, janeiro 01, 2010

O primeiro presente de 2010

Estava na cozinha com Fernanda quando Sophia chamou.

- Papai, mamãe, eu escrevi meu nome sozinha!

E assim eu ganhei o meu primeiro e emocionante presente de 2010.



E na minha cabeça ela já vai ser uma grande escritora ;)




Direto na têmpora: Fake Empire - The National

terça-feira, dezembro 29, 2009

4 anos da minha Sophia

2009 foi um ano confuso, atribulado, mas que, ainda bem, está terminando muito melhor do que eu e Fernanda chegamos a imaginar.

Estamos todos com saúde, Sophia continua linda e inteligente e ambos, após momentos de incerteza, estamos bem empregados. Eu ainda tive o estranho prazer de passar por 4 agências em um único ano e conhecer profissionais e pessoas do melhor nível. O natal foi excelente, em família e com muitos motivos para ter esperança em um 2010 ainda melhor.

O único grande porém foi que terminamos o ano com as finanças ainda em reabilitação, não sendo possível fazer a festa de 4 anos que gostaríamos para a minha Sophia. Aproveitamos os 44 anos de casados do vovô Sevi e vovó Yole e fizemos uma festinha íntima, só para avós, tios e primos.

A minha querida Mari, da Tom e do delicioso (literalmente) blog Na Batedeira, fez cupcakes sensacionais e com massa cor-de-rosa para delírio da Sophia. Festejamos de um jeito simples, mas bacana e posso dizer que a cada dia tenho mais alegria em celebrar a vida da minha filha.

Na verdade, a cada ano que passa tenho a sensação nítida de que ando enganando a Deus, que com certeza anda enviando bênçãos extraviadas para mim. Cá entre nós, eu me espanto, mas não reclamo de jeito nenhum.




A aniversariante.




Os cupcakes da Mari.




Sophia e o primo Samuel em estado de euforia.




Família Shuêra.




Direto na têmpora: Sophia e o vento - Maurilo Andreas (participação especial, Sophia)

segunda-feira, dezembro 28, 2009

O novo nome do menino-camelo

Imensa era a corcova que tinha nas costas

Peluda, marrom e muito feia de perto

E já corria a disputa nas rodas de apostas

Que o menino-camelo vinha lá do deserto



Ir de mochila para a escola era uma provação

(sem falar no riso das crianças malvadas)

E até mesmo seus pais sentiam a tentação

De usar a corcova para fazer piadas



Vivia calado, esperando solução

Que pudesse aliviar seu sofrimento profundo

E ficou bem feliz quando, aceitando a missão,

Um bom professor resolveu viajar pelo mundo



Do Japão à Alemanha, da Austrália ao Uruguai

O bom professor Mario buscou sem parar

Com dedicação tamanha, igual à de um pai,

Uma resposta para o menino-camelo ajudar



Descobriu algo novo e pôs-se a correr

Para levar a notícia ao pobre infante

Queria que ele fosse o primeiro saber

O que iria mudar sua vida em um instante



"Trago comigo ótimas novas",

disse sorrindo o Professor Mario

"Por ter uma e não duas corcovas

Não és menino-camelo, mas podes ser boy-dromedário"






Direto na têmpora: All my colours - Nouvelle Vague

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Momento surreal na véspera de natal

Eu já postei aqui que até já fui confundido com um tocador de banjo, por isso não foi surpresa o diálogo que tive hoje de manhã.

Chegando ao estacionamento do Super Nosso, uma mulher de seus 50 anos me pergunta:

- A entrada é por aqui?

- É sim, logo ali na frente.

- Ah, tá. Você é árabe também?

- Árabe? Não.

- Parece.

- Eu sou descendente de italianos...

- Ah, então é isso, é tudo vizinho.





Direto na têmpora: It's Thunder And It's Lightning - We Were Promised Jetpacks

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Freak Children - o bebê cheiroso

O cheiro do bebê


Um caso bem raro, como nunca se vê

Aconteceu em um quarto da maternidade

Com cheiro de ovo nasceu um bebê

E virou notícia por toda a cidade



Amoníaco, enxofre, rosas, lavanda

Terra molhada, fumaça e tinta

Do cheiro mais forte à fragrância mais branda

Perto da criança não há quem não sinta



A cada instante um aroma excepcional

Alguns deles tão bons que até davam fome

E o pobre bebê, em pleno Natal,

Foi comido na ceia ao cheirar panetone



PS curtíssimo: "fome" não rima com "panetone", mas vá lá.


PS curto: hoje é o último dia na agência em 2009, sendo assim, dia 4 eu volto. Claro que há possibildiade de posts esparsos, mas não conte com isso.


PS longo: durante algum tempo eu escrevi crônicas para duas revistas: a do Banco Mercantil do Brasil e a do Shopping Cidade.

No começo do ano, por questões de processos e métodos, decidi encerrar minha colaboração com a publicação do Mercantil e hoje recebi a triste notícia de que a Nube não mais será a responsável pela Felizcidade, do Shopping Cidade.

Não sei se a nova empresa irá me manter como cronista da Felizcidade e nem se há interesse do shopping nisso, mas coloco-me desde já à disposição para novas (ou velhas) publicações que necessitem de um colaborador.





Direto na têmpora: Hurricane Drunk - Florence and the Machine

terça-feira, dezembro 22, 2009

Animação fodíssima

Uma animação muito bacana e ainda com um um elemento de terror. Perfeita e imperdível.


Alma from Rodrigo Blaas on Vimeo.






Direto na têmpora: Mistress Mabel - The Fratellis

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Origem

Na última sexta reencontrei grandes amigos de Ipatinga: Marcinho e Toyana, Paulomar e Adriana, Xandinha e Rodrigo, Magno e Fernanda, Nanai, Sandra, Digão, Gustavo e Cão.

Muito papo furado, muitas sudades até que Paulomar lembrou de um caso que preciso contar aqui.

Sempre que vai se apresentar a alguém, o interlocutor sempre tem dificuldades para compreender o nome do Paulomar, sendo assim ele já explica "meu pai se chama Paulo, minha mãe se chama Marli, pronto: meu nome é Paulomar."

Nosso amigo Cão já tentou consolar o Paulomar lembrando que se a mãe dele tivesse o nome de Carla, ele provavelmente seria o Pauloca.

Mas melhor mesmo foi de um outro amigo nosso que, presenciando as dificuldades que o nome híbrido oferecia ao Pauloca, digo, ao Paulomar, resolveu usar o próprio exemplo como consolo.

- Poxa, Paulomar, não fica assim, não. O meu nome também é mistura, cara. Meu pais se chama Marcus e minha mãe Ione. Pronto, deu Marcio.

E o pior é que é verdade.



Direto na têmpora: Have Love, Will Travel - The Sonics

Porra, cê lembra disso?

Três coisas das quais eu me lembrei esses dias sabe-se lá por que.


1) Tonoklen - falta o começo do filme e o áudio tá péssimo, mas vale assim mesmo para vocês conhecerem o Viagra dos anos 70/80.





2) Milton, o monstro - não, na minha época não havia Ben 10.





3) Quando a tv tinha fim - na minha adolescência chegava uma hora em que a programação da tv acabava. No começo dos anos 80, tinha a Sessão Coruja e depois a Globo saía do ar. Como naquela época não havia computador ou tv a cabo, as noites eram um tédio para quem tinha insônia (o que graças a Deus não era o meu caso).




Direto na têmpora: Altar of sacrifice - Slayer

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Comprando na mão do carrasco

A derrota do Brasil para a Itália em 82 iniciou a derrocada do futebol arte. Obviamente esta é uma opinião minha que pode ou não refletir os fatos, mas tenho a visão clara de que quem abriu campo para toda uma geração de técnicos esquemistas e retranqueiros foi Paolo Rossi com seus três gols.

Sim, como você percebeu eu também fiquei recalcado com a derrota em 82 e, talvez por isso, tenha comemorado o título de 94 com uma ponta de tristeza por ver Dunga como capitão e o futebol burocrático que apresentamos.

Até aí tudo bem, recalque meu, problema meu. Mas ontem, ao fazer compras na Araujo, recebo o cartão do vendedor e me deparo com o nome Paulo Rossi.

- Paulo Rossi? Seu nome é Paulo Rossi, cara? Que coincidência desgraçada, hein? É o mesmo nome do cara que fodeu o Brasil em 82.

- Ah, eu sei, meu nome é por causa dele.

- E seu pai é italiano?

- Não.




Olha aí a prova.


Ok, um pai que não é italiano e coloca o nome do filho brasileiro de Paulo Rossi em homenagem ao artilheiro da Azzurra em 82 é, antes de tudo, um sádico.

É como se eu, atleticano que penou com o Flamengo na década de 80, chama-se um filho de Zico ou um cruzeirense que ao ter um filho por esses dias desse o nome de Verón. Impensável.

Confesso que se eu fosse o velho ainda mais resmungão de alguns anos atrás e os remédios não fossem para a Sophia era até capaz do assunto ter rendido mais, inclusive com ofensas ao progenitor do atendente.

Mas é fim de ano e, amiguinhos, eu ando um doce.




Direto na têmpora: High Lonesome Sound - The Gaslight Anthem

quinta-feira, dezembro 17, 2009

É, tá no fim mesmo

Faltam sete dias pra o recesso da Tom. Tá cedo, mas aproveito para já enviar para vocês a mensagem de fim de ano da Sophia, Fernanda e eu. Feliz 2010.

Ah, esse não é o último post de 2009, pelo menos até dia 23 eu ainda mantenho o ritmo.







Direto na têmpora: C'mon Everybody - Sid Vicious

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O horrendo Menino Uva e as primeiras peças dos Freak Children

Triste é a história do horrendo menino-uva

Que redondo e roxo assustava os vizinhos

Como não tinha mãos, nunca usou uma luva

Nem sapatos calçou por não ter dois pezinhos



Ainda bebê, o fim chegou num instante

Por descuido dos pais aconteceu a desgraça

Esqueceram o petiz sob o sol escaldante

E o pobre menino-uva morreu uva passa.




Olha aí o que o Rogério Fernandes já fez pros Freak Children. Eu gostei.











Direto na têmpora: Let's get even - Royal Bangs

Roberto Carlos, o súbito

Uma matéria de capa do jornal O Tempo traz Cauby Peixoto relembrando os anos 50, quando Roberto Carlos era o seu "súbito".

Claro que trocar a grafia de "súbito" e "súdito" não é algo tão horrorizante, mas isso me faz pensar em como veicular um trabalho nacionalmente coloca a gente diante da possibilidade do ridículo sempre.

Eu, que sou uma mula quando o assunto é a flor do inácio inculta e bela, agradeço sempre por ter meu trabalho revisado por profissionais. Aliás, até já falei disso aqui antes.

É que quando alguém se mete a escrever pros outros como eu, mesmo que seja em uma humilde pastelaria, revisão faz falta. Tá certo que aqui, por bondade dos leitores, ninguém reclama.

Mas, em um anúncio, o bicho pega. Imagina se um revisor desses daqui tem um mal "súdito" e a responsabilidade cai pra mim?




Direto na têmpora: Hound Dog - Elvis Presley

terça-feira, dezembro 15, 2009

Na horta, na fazenda, no jardim

Segue aí uma coletânea de textos infantis que eu tinha tirado do blog por causa do concurso João-de-Barro. Pra quem ainda não leu, pode ser uma boa. Ah, e se você tiver crianças em casa, ou próximas, teste com elas e me diga se gostaram, beleza?


Rei Tomate

Vermelho e roliço
De verde coroa
Suspenso no ar
O rei fica na boa

Rotundo e rubro
De pele brilhante
Reflete o sol
Como um diamante

Cercado de verde
Ele reina vermelho
E daria o seu reino
Pra se olhar no espelho

No entanto nem nota
O monarca vaidoso
Lá fora do reino
O inimigo guloso

E qualquer dia desses
Sem ser avisado
O tomate orgulhoso
Vai ser fatiado.



O ovo

O que é que tem do lado de dentro do ovo?
Um pato, uma cobra ou algum bicho novo?

Guardado da casca, no escuro quentinho
tem alguém encolhido que já sonha um pouquinho

Tem pena ou escama, tem bico ou tem dente
Não sei o que é, mas não deve ser gente

Devia estar em seu ninho ou talvez enterrado
Mas veio rolando chegar do meu lado

O ovo ia rachar, eu podia sentir
E de pensar no filhote, começava a sorrir

Eu já queria dar no bichinho um beijo
Mas meu pai preferiu omelete de queijo



Mariquita 1


Fofoca no jardim
Ainda vai dar confusão
Ouviram o grilo dizer
Que a joaninha é pintada a mão




Mariquita 2


O projeto da joaninha
É muito bem acabado
Ao invés de fazer um inseto
Criaram um moranguinho alado




Mariquita 3


O macho da joaninha
Anda sempre triste e sozinho
Se ele pudesse escolher
Ia se chamar joaninho



Abelha

Na ponta do meu nariz apareceu uma abelha.
Era linda, amarela e preta, da bundinha redonda, do jeitinho irrequieto.
Parecia um desenho muitíssimo animado.
Mas era de verdade.
E foi aí que eu perguntei "tem mel abelhinha?"
E ela, ranzinza, zuniu agitada e, zanzando zangada, zunou pro nariz.
Picada certeira, doída, ardida.
"Não quero mais mel, agora vai-te daqui."



Bees

Zumzumzum a zanzar no zênite
Aurinegra seta
Zumbindo um poema
Setando uma meta

Ruma na flor
Paira perfeita
Se cobre de pólen
Razão da receita

Seu trabalho melado roubei com a mão
Me pousou no nariz
Ajeitou o ferrão
Ai, que final infeliz



A ervilha Elvira

A ervilha nunca é filha única. Vem da vagem cheinha, com muitas irmãs gêmeas verdinhas, redondas, pequenas.

Mas com a Elvira foi diferente. Na vagem que nasceu Elvira, nenhuma outra ervilha vingou. E ela cresceu ali sozinha, sem as risadas sapecas das ervilhazinhas irmãs.
Era tristezinha a Elvira, tadinha.

Um dia, a vagem de Elvira saiu do pé e ela foi junto, quietinha, assustada, sem saber onde ia parar. Quando abriram a casca ela tomou um susto com a luz e se preparou para o pior.

Tiraram Elvira de lá e a jogaram em um monte de arroz. Depois, foi chegando uma ervilha e outra e outra e mais outra.

Naquele domingo, o almoço foi de família para a Elvira também. Pela primeira, última e deliciosa vez.



A berinjela

O que é o que é
que é verde e roxa
que é igual só a ela
que dá agua na boca
se vai pra panela?

O que é o que é
que faz sucesso no prato
e também na baixela
que só não come todinha
quem é matusquela?

Quer saber de verdade o que é o que é?
Que a Maria adora e também o José?

Então vai a dica para adivinhar
Ela é boa no almoço e também no jantar

Ela é um show na lasanha e também empanada
Uma delícia em pasta e também na salada

Ela é das leguminosas talvez a mais bela
Isso aí, muito bem, é a berinjela.



O Batata Tatão

O Batata Tatão vivia emburrado, de cara fechada, sempre reclamando de tudo. Todo mundo tinha medo dele, até as batatinhas que mal nasciam e já ouviam as mamães batata falarem: "Fiquem bem quietinhas, viu, porque batatinha que faz bagunça, o Batata Tatão vem e pega."

Mas o Batata Tatão até que tinha motivos pra ser assim, irritado. É que enquanto as outras plantinhas da horta aproveitavam o sol e ficavam por ali, ao ar livre, curtindo as cores, o calor e o ventinho, o Batata Tatão vivia enterrado, preso debaixo da terra.

Pois foi durante uma tarde em que o Batata Tatão andava nervoso como sempre que ele sentiu uma raiz encostar nele e não gostou nada, nada.

- Quem é que está aí? Vamos, fale, quem é que vem me incomodar aqui no meu canto?

Na hora ninguém respondeu, mas um pouquinho depois uma vozinha assustada disse:

- Sou eu, "seu" Batata Tatão, só uma cenourinha. Me desculpe, eu não queria incomodar.

O Batata Tatão então ouviu que ela começou a chorar baixinho e alguma coisa se mexeu dentro dele.

- O que foi, menina, tá chorando por quê?

- É que aqui é muito escuro e não tem nenhum amigo por perto. Estou com medo, sozinha e não tem ninguém pra me ajudar.

O Batata Tatão ficou pensando naquilo e resolveu ajudar a cenourinha. Conversou com ela, explicou que ali era muito mais frequinho do que lá em cima, que o sol não secava, que a chuva não esfriava, que era bem confortável, cercado de terra, tranquilo.

A cenourinha então foi se animando, começou até a crescer, ficou com um laranja bem vivo e as folhinhas da sua cabeça cresceram fortes e verdinhas.

Quando a cenourinha saiu dali e foi para a cozinha com as outras plantas, só teve elogios para o Batata Tatão. Falou como ele tinha ajudado, como era educado e tinha bom coração.

Todo mundo ficou muito espantado e a fama de bonzinho do Batata Tatão se espalhou. Daquele dia em diante, toda batatinha que nascia, já recebia da mãe o conselho:

- Olha filhinha, fique bem quietinha, mas se você sentir medo, não se preocupe, porque o Batata Tatão está bem ali, pertinho da gente para ajudar quando a gente precisar.



Julieta, a rabaneta

Não havia na hortinha legume, verdura ou fruta mais bonita que a Julieta. Redondinha, vermelhinha, com longas folhas verdes, Julieta era um rabanete perfeito.

“Rabanete, não” – dizia ela ofendida – “eu sou uma rabaneta!”

“Rabanete é rabanete! Não existe rabaneta.” - gritava nervoso o pardal.

Julieta fazia que nem era com ela e continuava conversando com duas caracóis muito distintas que passavam por ali.

“Sabem, meninas, eu sempre fui a rabaneta mais bonita aqui da horta. Podem perguntar por aí. Até as cenouras morrem de inveja de mim.”

O pardal, ouvindo aquilo, irritou-se e saiu voando. As duas caracóis continuavam lá, ouvindo interessadas.

“É mesmo, Julieta? E você tem muitos pretendentes?”

“É claro, vocês acham que eu sou vermelha assim, por quê? É de tantos elogios que vivo ouvindo.”

E era verdade. O repolho vivia de olho. O almeirão quase morria do coração. O chuchu sussurrava “ailoviú”.

E os rabanetes? Ah, os rabanetes eram loucos pela Julieta. Ficavam todos ali, felizes só de olhar pra ela.

Um dia, a dona da horta chegou por ali e, vendo a Julieta toda faceira, não teve dúvidas, tirou da terra e levou para a salada.

Os outros legumes ficaram chocados. As verduras não podiam acreditar naquilo. E até mesmo o pardal resmungão, lá do alto das árvores, se emocionou com o fato.

A horta ficou triste por um tempo, mas logo, logo, nasceram novas cenourinhas de um laranja vivo, um tomate bem redondo e corado, uma beterraba roxa como nunca se viu e a alegria foi voltando.

E na casa, Julieta foi a estrela da salada mais bonita e mais gostosa que já se comeu por ali.




Direto na têmpora: Paper Doll - Rachael Yamagata

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Biblioteca solidária e mais livros

Mal acabei de ler Celular, de Ingo Schulze (um belo livro) e me atraquei com as Mil e Uma Noites. Aliás, tô adorando isso de ler livros que eu "conhecia", mas ainda não tinha lido.

Foi assim com O Livro da Selva (Mogli); foi assim com No Coração das Trevas (Apocalypse Now); está sendo assim com As Mil e Uma Noites, que pelo menos até a noite 43 está excelente, e será assim com Alice no País das Maravilhas, que ganhei em uma edição primorosa da Cosac Naify.

Recomendo essa onda de ler os livros que a gente conhece mas nunca leu. Tem me rendido coisas muito bacanas.

Fora isso, gostaria de agradecer a todos que participaram, quiseram participar ou simplesmente torceram pela Biblioteca Solidária do Maurilão. Foram 85 quilos de arroz e feijão que eu e Sophia fomos entregar na creche Morada Nova, bem no meio do Morro do Papagaio (favela do Santa Lúcia).

Quando chegamos, a meninada estava fazendo a sesta, mas ficamos muito felizes em ver a satisfação dos responsáveis. Mais uma vez, obrigado a todos vocês e ano que vem tem mais.




Direto na têmpora: I'm alright - Stereophonics

Mais duas da minha Sophia

Ainda no clube ontem, eu e a minha Sophia resolvemos nadar na piscina grande. Assim que ela pulou na água e eu a segurei ela começou a dizer, bastante ansiosa:

- Vamos pra beirada, papai, vamos pra beirada!

- Não, Sophia, vamos nadar um pouquinho.

- Não, papai, eu quero ir pra beirada!

- Tá bom, mas por que você quer sair?

- Essa água tá assombrada!


Ou ela quis dizer água gelada ou eu nunca mais entro na piscina do Ginástico.


-//-


Hoje Sophia madrugou e Fernanda foi tentar convencê-la a dormir mais um pouco.

- Sophia, você vai ficar cansada, ontem você dormiu tarde, vamos dormir mais um pouquinho?

E ela, muito séria:

- Mamãe, eu não quero resolver isso agora.




Direto na têmpora: A Christmas Duel - The Hives & Cindy Lauper

domingo, dezembro 13, 2009

Urgente do clube

Uma água para a minha Sophia, uma cerveja para mim e uma porção de fritas para ambos. De repente, a carinha intrigada e a pergunta:

- Papai, por que essa garrafa tá com uma carinha esquisita?

Resposta:






Direto na têmpora: A cobra - Fernanda Takai

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Pernas pra que te quero

As seis pernas da menina Isabela

eram muito diferentes entre si

tinha perna grossa e perna magrela

tinha perna peluda como eu nunca vi


E com tantas pernas era muito comum

Que um tombo ocorresse em plena corrida

Eram 3, 4 passos e pruncatabum!

Já ia pro chão a menina querida


Se ralava um joelho a dúvida surgia

E cuidar do dodói era mesmo uma arte

Não foram raras as vezes que a sua tia

Confundiu-se de perna ao passar mertiolate


A única vantagem de pernas em dúzia

Era andar bastante e nunca cansar

Por isso se algum dia estava macambúzia

Ela ia bem longe sem nunca parar


Foi num passeio pra lá de Lisboa

Que ela encontrou o menino aranha

Ele tinha 8 pernas, uma carinha boa

E usava uma boina pra lá de estranha


Juntaram as pernas com muita alegria

(sempre se encontra alguém para amar)

E depois que ganharam na loteria

Passaram a vida de pernas pro ar




Direto na têmpora: Madman Across The Water - Elton John

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Fabuleta

Em toda e qualquer floresta existe sempre um bicho sinistro, daqueles que observa tudo sem dizer nada, com cara estranha, ar soturno e só esperando a chance de piar seu agouro.

Naquela floresta era o urubu. Um dia, dois bichos tiveram uma idéia e resolveram fazer um lago artificial para todos.

Fizeram o projeto e o urubu ali, só olhando. Chamaram uma equipe animal pra ajudar e o urubu ali, só olhando. Juntaram todo o material e o urubu ali, só olhando. Analisaram o trabalho passo a passo e o urubu ali, só olhando. Andaram quilômetros para buscar água e o urubu ali, só olhando. Encheram o lago todinho e o urubu ali, só olhando.

De repente, quando todos os bichos estavam na água se refrescando do calor o urubu, de cima do galho de uma árvore, falou:

- É, não vai funcionar. Aqui quase não chove, esse lago vai secar rapidinho.

E bateu asas para observar o trabalho de outros bichos.



PS - Pode até parecer, mas essa fabuleta não é inspirada no seu trabalho.




Direto na têmpora: How kind of you - Paul McCartney

Saiu o Experimento Pastelzinho

Depois de muita enrolação da minha parte, enfim consegui disponibilizar as 6 histórias criadas por Ivan Curi, Cristiano D'Alcântara, Ewerton Veloso, Andre Schneider, Clarissa Carvalho e José Celso Oliveira.

Para quem não se lembra, o experimento consistia em que cada um iniciasse uma história e o outro desse sequência, formando 6 histórias criadas, cada uma, por 6 autores. O resultado final está aqui, pela primeira vez para autores e para os demais leitores do Pastelzinho.

A dificuldade mesmo era arranjar uma forma de colocr os textos, com cerca de 7 páginas, sem inviabilizar a leitura do blog. Com a ajuda do Rapha Garcia eu acho que arranjei uma solução bacana.

Tá tudo sem revisão e sem nenhuma mudança minha para que a gente observe o resultado realmente como ele aconteceu. Tem coisa bem legal. Confiram.



























Direto na têmpora: Hospital - Modern Lovers

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Questão de carma, digo, do Carmo

Chove pra cacete em BH. Em frente à agência, na Av. Afonso Pena, uma árvore caiu agora na hora do almoço. Na frente da escola da Sophia, rua Campanha, rolou outra queda de árvore (e dessa eu tenho foto).





Mas o que mais me impressionou foi a cratera da Senhora do Carmo, que ocupa duas faixas de trânsito na pista mais à direita de quem sobe. O trânsito que já era horroroso depois do servicinho da BHTrans está inconcebível agora. E, se me permitem a ousadia, eu acho que sei a causa. É a maldição por causa do nome.

Lembram quando o Galo pintou o manto da santa de preto e ficou (continua) numa maré de azar horrorosa? Pois suspeito que BH acaba de cair na mesma esparrela.

Foi só transformar o nome da avenida de Nossa Senhora do Carmo para Senhora do Carmo que já rolaram árvore caída fechando duas pistas (tecnicamente é BR, mas na prática ainda é a avenida); um acidente horroroso que envolveu caminhões, ônibus e mortes; a supracitada cratera que é um negócio simplesmente impressionante e engarrafamentos paulistanos.

Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem. Por isso, fica aqui a minha dica para o Lacerdinha e para a BHTrans, o braço mais incompetente da PBH: voltem o nome para "Nossa Senhora do Carmo" enquanto podem, porque depois que bolas de fogo destruírem a avenida por causa da ira divina não vai adiantar mais.




Direto na têmpora: The Spirit Of Giving - The New Pornographers

terça-feira, dezembro 08, 2009

Menina de asas

Na grande jaqueira atrás da igreja

Caiu uma menina, talvez do infinito

Fez Chico Batuta derrubar a cerveja

Fez Zé Carrapato dar um faniquito


Com asas compridas, assustou o arraial

Atraiu todo o povo e virou discussão

Se era gente ou ave ou algum animal

Se era anjo ou filhote de algum avião


De repente uma pedra zuniu no ouvido

E quase acertou a menina de asas

Com o bodoque na mão e sempre temido

Joãozinho Capeta surgiu entre as casas


Alguém logo gritou em tom preocupado

"Tenha calma Joãozinho, isso aí é menina"

E o moleque então retrucou irritado

"Pois pra mim, se tem asa leva fogo em cima"


Uns dizem que correu, outros dizem que voou

Mas a verdade é que logo a menina sumiu

Se era anjo, na terra nunca mais voltou

Se era sonho, ali ninguém nunca mais viu




Direto na têmpora: Working Class Hero - John Lennon

She's back

Minha Sophia vive perguntando com que letra começam as palavras. Aí eu sempre faço o som da primeira letra e ela completa. A maioria ela já sabe, mas hoje ela perguntou:

- Papai,cobra começa com "S"?

- Não, filhinha, olha só, cobra, co, co, ca, co... então, cobra começa com que letra?


- Com "S" - e ela começa a imitar o sibilar de uma serpente - sssssssssssssssssssssssssss, igual a cobra.


-//-


Ontem fizemos uma reunião no Clic para saber como andava a minha Sophia. Em determinado ponto da reunião, perguntamos se ela estava sabendo dividir as coisas. É que toda sexta-feira os meninos levam livros e trocam entre si e Sophia sempre participou numa boa, mas outro dia "não deu conta" e trouxe o próprio livrinho de volta.

Uma das sócias então disse que era normal, que Sophia sempre dividia e tal. Aí a educadora dela complementou.

- É, mas a Sophia sempre gostou mais de livros. Antes, sempre que ela emprestava para um colega ela pedia "posso dar um beijinho nele antes de você levar"?




Direto na têmpora: Altar boy - Tom Waits

segunda-feira, dezembro 07, 2009

WTF na cueca

Eu não gosto de falar mal de peças dos outros porque eu não sei que tipo de censura, influência ou distorção os criativos sofreram até liberar o produto final, mas não me contive.

Meu Deus do céu, o que esse cara de cueca está fazendo espreitando o molequinho perto da árvore? Será que não tinha ninguém pra levantar a bandeirinha da pedofilia antes do ad sair na mídia?








Direto na têmpora: Glass ceiling - Metric

Violência e paixão

Acabou o Brasileirão. Parabéns ao Flamengo, que aproveitou as falhas de Palmeiras e São Paulo, jogou muito bem na reta final e chegou ao título com méritos. Gosto do Andrade e ele merece.

Parabéns ao Botafogo, que escapou, e principalmente ao Fluminense, que de "rebaixado com certeza" em todas conversas, se transformou no terror das 9 últimas rodadas.

Parabéns a Inter, São Paulo e Cruzeiro que garantiram vaga na Libertadores e meus pêsames ao Palmeiras e ao meu Galo, que se mostraram cavalinhos paraguaios de primeira qualidade.

Mais pêsames ainda aos quatro rebaixados que, convenhamos, fizeram por merecer.

Eu gosto muito de futebol (como gosto muito de basquete). Eu gosto de ver torcidas apaixonadas, que fazem do estádio uma festa. Paixão é uma coisa que é sempre maravilhosa de se ver.

O que eu não consigo respeitar é a ligação entre paixão e violência.
Pra mim, quem vai a aeroporto bater em jogador é vagabundo.
Quem espera time sair do estádio pra chutar carros, ônibus e ameaçar é vagabundo.
Quem invade estádio e quebra tudo é vagabundo.
Quem dá porrada em alguém da mesma torcida depois de ganhar um título é vagabundo.
Quem dá porrada em alguém da mesma torcida depois de perder um título e vagabundo.
Quem dá porrada em alguém da outra torcida só porque torce pra outro time é vagabundo.

Para mim, quem usa a paixão como desculpa para a violência é o mesmo tipo de pessoa que bate na mulher ou espanca os filhos. Foi tudo em nome da paixão.

Parabéns aos torcedores que perdendo ou ganhando souberam levar na esportiva os resultados.

Aos vagabundos que batem, quebram e acham que o "amor ao time" justifica vandalismo, estupidez e violência, cadeia.

Sim, eu sou um velho resmungão e sim, eu gosto de futebol, mas eu acho realmente que está na hora de algumas pessoas reverem suas prioridades.




Direto na têmpora: Blue Jeans & White T-Shirts - The Gaslight Anthem

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Rimarinhas

Ok, eu tava me segurando, mas vai aí uma prévia. A informação completa, só quando estiver tudo 100%.





E aí, gostou?




Direto na têmpora: Wished I Was A Giant - Guided by Voices

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Tempestade - metafórica ou não

É quando a chuva arma no horizonte e não há abrigo por perto que a gente inclina o corpo adiante e diz pro vento "seguimos", queira ele deixar ou não.

É quando a primeira gota cai e explode na testa que a gente encolhe os ombros, não em sinal de temor, mas em antecipação ao passo que vamos dar, rumo ao coração da chuva, rumo ao traçado que mesmos fizemos.

É quando o raio ilumina a abóbada e alguma árvore seca explode que bendizemos o mundo e somos também raio abrindo picada, forçando o rumo, rompendo.

É quando a pele se eriça e a roupa se encharca que o peso e o frio se esvaem de nós e já não pensamos no que foi ou no que há de ser, os pés enfiados na lama, a viagem ainda longa e chegar é menos que um sentimento.

É quando a tormenta não cessa que não cessar é também a escolha nossa.
É quando a tempestade engole o mundo que não ser engolido é a única decisão possível.
É quando a fúria é enorme que não ser pequeno é tudo o que nos resta.




Direto na têmpora: I Need All the Friends I Can Get - Camera Obscura

Charles, o magnético

Uma criança um tanto disfuncional

O pequeno Charles atraía metais

"Não tem problema, tá tudo normal"

Constrangidos justificavam os pais



Talheres de plástico no almoço e jantar

De resto, tudo em madeira ou tecido

E por tesouras não poder usar

Mantinha sempre o cabelo comprido



Ver o mar era o sonho do pobre menino

E os pais o levaram à praia em abril

Passando ali perto um submarino

Atraiu o Charles e submergiu



Chegou a Angola cruzando o mar

Mal havia findado a guerra civil

E assim que na estrada pôs-se a caminhar

Coberto de minas, o Charles explodiu




Direto na têmpora: Don't You (Forget About Me) - Yellowcard

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Ida

No último ano a blip.fm me apresentou muita coisa que eu não conhecia (ou conhecia pouco) e que hoje eu acho duca: Say Hi To Your Mom, Santogold, Goldfrapp, Glasvegas (que é inclusive o direto na têmpora desse post), The Cat Empire, Au Revoir Simone, Matt & Kim, The Shins e muitas outras.

Uma das bandas que eu pude conhecer ainda mais via blip foi Ida Maria. E como ultimamente eu ando ouvindo muito a menina, segue uma das minhas canções favoritas, que me faz pensar na minha Fer e que, inclusive, vale pela letra também.






When it comes to you - Ida Maria


I it's possible I
Have gone too far
When it comes to you

I can't wait for the day
When all the bad things I deserve
come crashing in and all I do is love you

Time, it's possible time
Could be my soldier and my king
In a war for you

And words, could bring you down
And put your heart right at my hands,
where I wanted to.

Then, when everything's changed
When all's forgotten foolery
And you are mine entirely and

Stars could guide our way
No matter how far away
Deep down or gone astray
God knows I'm lost
and all I do is love you

Say now, say now, could it be
When it comes to you and me
What is left for me to do
Now it's all just up to you
Maybe that was all your plan
And I'm just part of something else
So what is left for me to do
Now that's all just up to you





Direto na têmpora: Legs'n'Show - Glasvegas

No prize for you

Minha participação no prêmio João-de-Barro de literatura infantil não deu em nada. Sendo assim, volto a republicar no blog as histórias infantis que havia retirado.


Cachinhos, conchinhas, flores e ninhos


A menina tinha mil cachinhos na cabeça. Se a gente olhava de um jeito, cada cachinho era uma conchinha. Se reparava dali, pareciam botões de flores. Se batia os olhos de lá, viravam um monte de ninhos.

O pai amava as conchinhas. Brincava com os dedos nelas e quase sentia o cheiro de mar.

A mãe adorava as florzinhas. Cuidava bem de cada uma como se ali fosse o seu jardim

E os ninhozinhos? Ah, dos ninhozinhos nascia cada idéia... Debaixo dos cachinhos, a cachola da menina inventava histórias e criava mundos e encantava pessoas e ela se ria, ria, ria.

Mas um dia falaram para a menina que bom mesmo era não ter cachinhos. Disseram pra ela que bonito era de outro jeito, daquele mesmo jeito que todo mundo tinha.

Ela ficou bem triste. Não queria ficar sem eles, os seus cachinhos. Que graça teria uma cabeça sem conchinhas, nem florzinhas, nem ninhozinhos?

E aí o papai disse: “Não! Ninguém mexe nas minhas conchinhas”.

E a mamãe falou: “Sai pra lá. Deixa aqui o meu jardim”.

E os ninhozinhos falaram todos juntos: “Não, menininha, deixe a gente ficar aqui”.

A menina então pensou, pensou, fez um carinho nos cachinhos, ficou se olhando no espelho um tempão e começou a imaginar como seria se todo mundo mudasse o próprio jeito só pra agradar os outros.

Ficou pensando na tartaruga com a juba do leão. Ela toda engraçada com aquela cabeleira e o leão lá, todo espremidinho dentro do casco.

Imagina a confusão: a zebra com as manchas da girafa e a girafa com as listras da zebra. O tucano com o topete da cacatua e a cacatua com o bico do tucano. Um macaco com os pêlos de um poodle e um poodle com o rabo grande do macaco.

Aí ela resolveu que cada um é bonito de um jeito. Pra quê mudar assim? Pra quê querer ser outra coisa?

E com um cabelo cheio de cachinhos, conchinhas, flores e ninhos, a menina continuou sendo feliz. Muito feliz.




Musinha inspiradora




Direto na têmpora: A good idea - Sugar

terça-feira, dezembro 01, 2009

Suspiro

Ao mudar para BH morei um tempo com minha avó Geralda. O apartamento era ali bem em frente à barragem do Santa Lúcia quando havia apenas um pântano no local, sem laguinho, sem pista de cooper, sem nada.

Na pracinha, uma feirinha acontecia aos sábados e minha avó sempre comprava frutas, biscoitos e uma guloseima ou outra.

Ela, enfrentando um regime bravo, volta e meia chegava ao apartamento com um saco enorme de suspiros e dizia toda feliz:

- Trouxe suspiros para você.


Passado um tempo, eu deitado na sala vendo tv, ouvia minha avó se aproximar da cozinha.

- Esse parece fresquinho, vou provar só um.

Mais 5 minutos e lá vinha ela.

- Tá gostoso mesmo, vou comer só mais um.

Outro tantinho e já voltava Dona Geralda.

- Nossa, esse suspiro tá uma delícia, mais um e pronto.

E assim ia, a tarde toda, até que eu me levantasse e encontrasse menos de metade do saco de suspiros me esperando na mesa.

Nem me importava com o sumiço dos doces (e olha que eu sou louco por doces), mas adorava ver minha avó comendo daquele jeitinho dela. Na verdade, ficar observando aquilo era quase tão gostoso quanto os próprios suspiros.




Direto na têmpora: Up to no good - Rancid