Estou lendo The Basketball Book, do meu escritor esportivo favorito, Bill Simmons. Logo no começo do livro, em uma entrevista com o grande Isiah Thomas, Bill Simmons recebe do craque o segredo do basquete: "it's not about basketball".
Segundo eles, basquete é menos sobre talento para o esporte e mais sobre comprometimento, envolvimento, capacidade de extrair o melhor do companheiro e de abrir mão do individual para o resultado coletivo. Bird, Magic, Jordan, Isiah, todos souberam fazer isso como jogadores.
Eu nunca achei que a resposta para fazer boa comunicação estivesse nos anuários, embora entenda que seja ótimo utilizá-los como referência técnica. Quanto mais eu penso nisso, mais eu chego à conclusão de que publicidade é, a cada dia mais, uma profissão menos para quem domina o software e mais para quem entende pessoas; menos para quem escreve bem e mais para quem gosta de arriscar; menos para quem analisa números e mais para quem visualiza rumos; menos para quem curte falar e mais para quem sabe ouvir; menos para quem adora anúncios e mais para quem é louco por comportamento.
Enfim, publicidade para mim é sobre um monte de coisas, but it's not all about advertising.
Direto na têmpora: Smoke on the water - Señor Coconut
Mostrando postagens com marcador aanálise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aanálise. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, março 11, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
Ideias
Acabei de ler uma entrevista com Jean-Claude Carrière no site da Cosac Naify e adorei a frase que fecha a conversa: "O erro é pensar que a tecnologia irá nos dar ideias, embora a tecnologia em si já seja uma ideia."
A mente criativa se manifesta e se desenvolve nos mais diversos espaços e nas mais distintas situações. Eu sou daqueles defensores de que a boa ideia surge, só para dar exemplo de agências de publicidade, no planejamento, na mídia, no atendimento, na produção, enfim, em qualquer lugar onde haja gente competente em seu ofício e disposta a ousar.
Talvez seja por isso que eu me sinta um pouco constrangido quando se referem a mim como "o criativo Maurilo Andreas", sendo criativo aqui usado como substantivo e não como adjetivo. Não acho que criativo possa definir uma função ou um cargo, mas sim um compromisso com fazer as coisas de modo diferente, surpreendente, eficiente.
Em casa, faço tudo para que a minha Sophia seja uma pessoa criativa. Desenhos em papel, histórias, jogos de estratégia, iPhone, conversas, filmes, livros, tudo é ferramenta para que ela possa desenvolver um pensamento original independente da tecnologia, da profissão que ela escolha ou dos ambientes pelos quais ela passe.
Voltando ao que disse o Carrière, "o erro é pensar que a tecnologia irá nos dar ideias". E, cada vez mais, quem se apega às ferramentas fica obsoleto junto com elas.
Direto na têmpora: Vcr - The XX
A mente criativa se manifesta e se desenvolve nos mais diversos espaços e nas mais distintas situações. Eu sou daqueles defensores de que a boa ideia surge, só para dar exemplo de agências de publicidade, no planejamento, na mídia, no atendimento, na produção, enfim, em qualquer lugar onde haja gente competente em seu ofício e disposta a ousar.
Talvez seja por isso que eu me sinta um pouco constrangido quando se referem a mim como "o criativo Maurilo Andreas", sendo criativo aqui usado como substantivo e não como adjetivo. Não acho que criativo possa definir uma função ou um cargo, mas sim um compromisso com fazer as coisas de modo diferente, surpreendente, eficiente.
Em casa, faço tudo para que a minha Sophia seja uma pessoa criativa. Desenhos em papel, histórias, jogos de estratégia, iPhone, conversas, filmes, livros, tudo é ferramenta para que ela possa desenvolver um pensamento original independente da tecnologia, da profissão que ela escolha ou dos ambientes pelos quais ela passe.
Voltando ao que disse o Carrière, "o erro é pensar que a tecnologia irá nos dar ideias". E, cada vez mais, quem se apega às ferramentas fica obsoleto junto com elas.
Direto na têmpora: Vcr - The XX
Labels:
aanálise,
cotidiano,
publicidade
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Ruim de cama
Eu não acredito que alguém seja ruim de cama. Eu acredito que você e outra pessoa não combinem na cama.
O fato da sua parceira chamar você pelo nome de um falecido tio-avô Belmiro, se vestir de fiscal da BHTrans e recitar letras do Nickelback durante a transa não significa que ela seja detestável na arte do amor. Significa apenas que ela não é a companheira certa para você.
Ampliando o raciocínio, é possível ainda que você só não ache isso tudo excitante porque nunca experimentou e que, após duas ou três tentativas extenuantes, não consiga mais sentir prazer sem esse formato erótico tão original.
Na minha opinião, as redes sociais seguem o mesmo princípio. Você pode curtir uma que fala o tempo todo e que faz tudo rapidinho como o Twitter, uma modernete e com jeito de gringa como o Facebook, uma profissional como o LinkedIn ou aquela que faz de tudo, com todo mundo e que tem a maior fama de bagaceira como o Orkut. Você pode inclusive achar que isso dá trabalho demais e preferir o celibato. Sem problemas.
O lance é que não há uma rede social ruim. O que existe é a rede social que serve melhor para os propósitos da sua empresa. É importante observar, conhecer e, quem sabe, até experimentar antes de decidir. O que não rola é descartar o programa só porque ela é mal falada.
E fica a dica: misturar mais de um estilo também pode trazer resultados interessantes para tirar as marcas de uma certa monotonia e evitar a rotina.
Direto na têmpora: Amused to death - Roger Waters
O fato da sua parceira chamar você pelo nome de um falecido tio-avô Belmiro, se vestir de fiscal da BHTrans e recitar letras do Nickelback durante a transa não significa que ela seja detestável na arte do amor. Significa apenas que ela não é a companheira certa para você.
Ampliando o raciocínio, é possível ainda que você só não ache isso tudo excitante porque nunca experimentou e que, após duas ou três tentativas extenuantes, não consiga mais sentir prazer sem esse formato erótico tão original.
Na minha opinião, as redes sociais seguem o mesmo princípio. Você pode curtir uma que fala o tempo todo e que faz tudo rapidinho como o Twitter, uma modernete e com jeito de gringa como o Facebook, uma profissional como o LinkedIn ou aquela que faz de tudo, com todo mundo e que tem a maior fama de bagaceira como o Orkut. Você pode inclusive achar que isso dá trabalho demais e preferir o celibato. Sem problemas.
O lance é que não há uma rede social ruim. O que existe é a rede social que serve melhor para os propósitos da sua empresa. É importante observar, conhecer e, quem sabe, até experimentar antes de decidir. O que não rola é descartar o programa só porque ela é mal falada.
E fica a dica: misturar mais de um estilo também pode trazer resultados interessantes para tirar as marcas de uma certa monotonia e evitar a rotina.
Direto na têmpora: Amused to death - Roger Waters
Labels:
aanálise,
redes sociais
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Justiça
Luciano Farah está nas ruas. Para quem não se lembra, Luciano Farah foi aquele empresário dono da Rede West de postos de gasolina que adulterava combustíveis e, sentindo-se perseguido pelo promotor Francisco Lins do Rêgo, fez o que qualquer cidadão racional faria e mandou matar o cabra.
Além disso, Farah matou também, na mesma época, um rapaz que assaltou um de seus postos, o que não deveria surpreender ninguém. Para Farah, grana é um negócio muito mais importante do que a vida.
Fosse Farah um pé de chinelo e provavelmente a pena de 21 anos seria cumprida na íntegra, sendo ele quem é, está nas ruas beneficiado pela progressão de pena. As duas pessoas que Farah orientou a cometerem o homicídio, por exemplo, continuam cumprindo pena em regime fechado.
Nada contra o regime semi-aberto, que é um importante instrumento de reintegração do presidiário à sociedade. Também não acho que Farah represente risco ao cidadão comum, a não ser é claro que você tenha qualquer tipo de interferência sobre os negócios dele.
Ainda assim não estou convencido de que tenha sido uma decisão justa, até porque existe uma diferença enorme entre o que é legalmente correto e o que é justo. Luciano Farah se junta aos filhos de empresário que atropelam famílias de trabalhadores e vão estudar no exterior, aos playboys que queimam índios e tomam cerveja nos botecos durante o regime semi-aberto.
Em casos como estes, a "leveza" da justiça não educa, não é humana, não redime. O que ela faz é ensinar que o preço de uma vida varia e, se bem negociado, pode sair muito baratinho.
Como já disse, para Farah, grana é um negócio muito mais importante do que a vida. E a justiça brasileira vem dando pinta de que concorda com ele.
Direto na têmpora: Sex Bomb - Tom Jones
Além disso, Farah matou também, na mesma época, um rapaz que assaltou um de seus postos, o que não deveria surpreender ninguém. Para Farah, grana é um negócio muito mais importante do que a vida.
Fosse Farah um pé de chinelo e provavelmente a pena de 21 anos seria cumprida na íntegra, sendo ele quem é, está nas ruas beneficiado pela progressão de pena. As duas pessoas que Farah orientou a cometerem o homicídio, por exemplo, continuam cumprindo pena em regime fechado.
Nada contra o regime semi-aberto, que é um importante instrumento de reintegração do presidiário à sociedade. Também não acho que Farah represente risco ao cidadão comum, a não ser é claro que você tenha qualquer tipo de interferência sobre os negócios dele.
Ainda assim não estou convencido de que tenha sido uma decisão justa, até porque existe uma diferença enorme entre o que é legalmente correto e o que é justo. Luciano Farah se junta aos filhos de empresário que atropelam famílias de trabalhadores e vão estudar no exterior, aos playboys que queimam índios e tomam cerveja nos botecos durante o regime semi-aberto.
Em casos como estes, a "leveza" da justiça não educa, não é humana, não redime. O que ela faz é ensinar que o preço de uma vida varia e, se bem negociado, pode sair muito baratinho.
Como já disse, para Farah, grana é um negócio muito mais importante do que a vida. E a justiça brasileira vem dando pinta de que concorda com ele.
Direto na têmpora: Sex Bomb - Tom Jones
Assinar:
Comentários (Atom)