quarta-feira, março 31, 2010

Trens

Eu sempre contava os vagões do trem com meu pai quando ele voltava do trabalho. Nunca quis saber para onde o trem ia, mas sempre soube que ele levava minério ao invés de pessoas.

O caminho das coisas me interessa pouco. Já um trem cheio de pessoas me faz pensar, adivinhar histórias, calcular destinos. Assim o trem fica mais humano, um transporte de sonhos e dúvidas, de rotinas e momentos únicos.

Talvez seja isso mesmo. Talvez hoje eu me importe cada vez menos em saber para onde vai o trem de minério.




Direto na têmpora: Nothing better - The Postal Service

Duas pra abrir a quarta

Minha Sophia almoçando na casa dos pais da Fernanda.

- Tá na hora do almoço, Sophia.

- Tá bom vovô, mas já vou avisando que eu vou comer pouco porque hoje eu estou só com 1 apetite, viu?



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Minha Sophia escovando os dentes na casa dos meus pais.

- Papai, posso escovar primeiro e depois você termina?

- Agora eu já comecei, filhinha. Vamos fazer o seguinte, eu escovo primeiro, você escova depois e aí eu escovo por último para ficar direitinho.

- Ah, é, pois esse seu plano é muito redículo (com "e" mesmo), sabia?





Direto na têmpora: Five easy pieces - Clap Your Hands Say Yeah

terça-feira, março 30, 2010

Desenhe o Quiggle

Graças ao Rapha Garcia, descobri que Quiggle já existe. Por isso, de agora em diante os bichinhos irão se chamar Kwiggols.


Minha Sophia e eu inventamos um bichinho: o Kwiggol. Eu criei o nome e comecei a fazer perguntas pra Sophia que ia respondendo e montando o bichinho. Ficou mais ou menos assim.


- Pequeno do tamanho de uma abelha.

- Marrom e preto, mas com bolinhas de todas as cores.

- Olhinhos cor-de-rosa bem pequenininhos.

- Um nariz branquinho e bem redondo.

- Muitos dentinhos, mas não morde a gente.

- Duas asas de zangão (leia-se mamangava).

- 8 patinhas.

- Eles andam em grupos bem grandes e adoram cheirar as pessoas.


Se você desenha bem, faça um favor pro Tio Maurilo, desenhe um Kwiggol e mande pra mim. Juro que divulgo aqui no Pastelzinho e que se um dia o Kwiggol virar livro a sua ilustração aparece.



E já chegou a primeira ilustração do Kwiggol! Valeu, Friedrich Beinroth.





Olha a segunda aí. Valeu, Vivi Latini.





E teve mais uma. Valeu, Micho Lapouble.





E o meu querido amigo Zé Carlos me mandou uma revoada de Kwiggols. Obrigadão, Zé.






Direto na têmpora: Drive - The Cars

Tópicos aleatórios

Se você é apaixonado por basquete e pela NBA, precisa ler o The Basketball Book, do Bill Simmons.

Mas não basta gostar da NBA, é preciso realmente ser fanático, porque são 700 páginas em inglês (estou na 540) com análises detalhadas da carreira de 96 jogadores, grandes times e extensos períodos de tempo da história da liga.

Ainda assim, vale cada linha. E se você é fã dos Lakers, precisa ler o texto sobre Elgin Baylor, o 14o maior jogador de todos os tempos na opinião de Simmons. Uma homenagem emocionante a um craque quase esquecido.


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O pessoal da Editora Olhares deu a dica e eu recomendo a exposição do fotógrafo José Caldas "Brasil e a Transformação da Paisagem". Se você estiver em São Paulo entre 3 de abril e 23 de maio, visite ao vivo na Caixa Cultural. Se não estiver, conheça o blog.


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Sábado, no Clic, eu vi um senhor passando que era igualzinho ao velhinho amigo do Russel no filme UP - Altas Aventuras. Um segundo depois, minha Sophia me chama e sussurra no meu ouvido.

- Papai, é o senhor Frederickson.


Isso sim, é sintonia.


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Parada Disney no sábado. Uma hora e meia de engarrafamento que começava antes da Pedro II, sol infernal, correria com a minha Sophia no ombro para chegar a tempo e a decepção de ver os últimos carros passando ao longe.

Mesmo com tudo isso, valeu a pena pelo diálogo que eu tive com a baixinha.

- Sophia, o trânsito tá muito ruim, a gente tá atrasado, o papai vai tentar, mas eu acho que a gente não vai conseguir ver a parada, tá bom?

- Tá bom, papai, mesmo se não conseguir eu vou ficar superfeliz, viu?


E aí superfeliz fiquei eu.




Direto na têmpora: Cherry Oh Baby - Rolling Stones

segunda-feira, março 29, 2010

7 dicas sobre o redatozim

7 dicas para saber quando o redatozim não está vivendo um dia normal.

1) Se eu estiver usando terno.

2) Se eu acordar com muito mal humor.

3) Se eu pedir só uma saladinha para o almoço.

4) Se eu entrar no carro e não ligar o som.

5) Se um sorriso não for a minha primeira opção.

6) Se eu recusar doce de leite.

7) Se Monty Python não conseguir me animar.




Direto na têmpora: Groundswell - Throw Me The Statue

A máfia dos cachinhos

Ontem Sophia viu Eriberto Leão na televisão.


- Esse moço é bem lindo.

- Você achou ele bonito, Sophia? Por quê?

- Ele é cacheado. Só as pessoas cacheadas são lindas.

- Ah, é? E eu não sou lindo, não?

- Ah, papai, só um pouco.



É, acabo de ser vítima do corporativismo dos cachinhos.




Direto na têmpora: Stop in the name of love - The Hollies

sexta-feira, março 26, 2010

Dia do Chocolate

Hoje é Dia do Chocolate. Para mim, esta é a data mais importante do ano juntamente com o Dia da Coca-Cola, o Dia do Torresmo, o Dia do Sexo e o Dia do Depósito Misterioso de Cinco Mil Reais na sua Conta Bancária.

Ainda não comi chocolate hoje, mas isso será remediado brevemente com um Chokito ou algo do gênero. O ideal mesmo seria uma barra de chocolate El Rey da Venezuela, de preferência o Caoba, mas vou ter que viver sem essa.





A verdade é que se não fosse pelo chocolate eu nunca teria ouvido falar dos Olmecas (dizem que foram os primeiros a usar o fruto do cacau) e, ao invés de Língua de Gato, ia comer mamão com a Sophia. Resumindo, a vida ia perder muito a graça.

Por isso, celebre o dia de hoje, esqueça o regime e diga "foda-se" às espinhas. Poucas coisas são melhores do que um bom chocolate e em um mundo cada vez mais chato, essas oportunidades têm que ser aproveitadas ao máximo.




Direto na têmpora: Monster Hospital - Metric

Quem é que está bem?

Diálogo que rolou há 15 minutos na agência.

- Fernanda tem quantos anos, Maurilo?

- Ela faz 40 em junho.


Resposta em uníssono.

- Pooooooorraaaaaa... ela tá bem, hein?


E minha resposta com um sorrisinho de satisfação.

- Bem, nada. Olha pra mim, ela tá é mal. Bem tô eu que tem 10 anos que tô pegando ela.

Ah, nada como um tosco romântico.




Direto na têmpora: Dearest - Buddy Holly

quinta-feira, março 25, 2010

Cenas do cotidiano

Imagine que você é uma mocinha. Você pede ajuda a um diretor de arte para selecionar fotos suas. De repente, surge uma sua na praia e ele grita: "Putz, olha a Fulana de biquini!".

Enquanto toda a Criação levanta para olhar a foto na sua tela e você fica completamente rubra, o que rola de fazer durante o desespero? Uma coleguinha nossa da TOM fez isso.







Direto na têmpora: Pigs - Pink Floyd

Vale da Lua

Achei um caderno que escrevi quando fiz minha viagem sozinho pela Bolívia, Peru e Chile em 97. Aliás, eu sempre gostei de viajar sozinho. Fui assim ao Rock in Rio em 85, à Flórida em 87, a Morro de São Paulo em 91 e em muitos outros lugares mais próximos.

Claro que uma viagem com turma tem seu lugar e que uma viagem com a minha Fer é sempre especial, mas tem algo de sair sozinho pelo mundo que não tem preço.

Relendo o caderninho, achei este texto que escrevi quando estava no Vale da Lua, em San Pedro de Atacama, em cima de uma montanha há mais de 4.000 metros, vendo o sol se pôr. Não é bem escrito, mas foi o que saiu na hora e mostra o que foi aquilo tudo pra mim com 25 anos.

Mais uma vez o silêncio impressiona. Estou consumido.

A vontade que dá é ampliar minha memória e preencher com este momento. Cada curva, cada cor, cada som, cada rota, cada cheiro, cada silêncio. Guardar tudo sentido por todos so sentidos em todos os sentidos.

Os azuis, rosas e cinzas destes céus, o alaranjado destas montanhas e o grande círculo prateado da lua são um espetáculo.

Que vento, que silêncio. Me adoeço aqui. Febre vermelho-fogo de alma. Olhos em chamas, garganta seca.

Visto de cima, sou um Deus-austronauta, pai e filho deste mundo. Meus olhos estão de horizontes novos.





Direto na têmpora: Heaven is a drag - Pree

quarta-feira, março 24, 2010

Sophia, a macabra

- Com quem você fez natação hoje, Sophia?

- Com a Aline.

- E foi legal?

- Foi... hmpf... só quero ver quando a Aline morrer.

- Que é isso, Sophia? Aline morrer?

- É, uai, daqui a muitos anos, quando ela morrer.

- Mas ainda demora, filha, e todo mundo morre um dia.


E ela, com cara de quem prevê uma catástrofe, reforça seu temor macabro.

- É, eu sei... mas só quero ver quando ela morrer.





Direto na têmpora: Bob Lind - Pulp

terça-feira, março 23, 2010

As 7 piores coisas para se ouvir no trabalho

1) O que é você está fazendo agora, hein? Sua pauta está muito cheia?


2) O prazo é hoje e o cliente mandou avisar que não tem verba.


3) Olha, não vai dar tempo de fazer briefing não, viu?


4) Agora só falta o presidente dar uma olhada. (dito depois de seis instâncias de "aprovação")


5) Não, não, não, eu nunca disse que era pra fazer assim!


6) O atendimento tá voltando do cliente e pediu pra você esperar. (invariavelmente às 11h45 ou 18h45)


7) O cliente amou a campanha! Só tem que mudar o título, dar uma ajustada no texto e trocar essa foto. De resto tá tudo ok, menos o conceito que ele quer que a gente dê uma reavaliada.




Direto na têmpora: Making a go - We Are Scientists

segunda-feira, março 22, 2010

Mudou

Quando eu era novinho, sempre me imaginava morando na Áustria, médico, almoçando pílulas e indo para o trabalho com uma daquelas mochilas a jato que a gente via nas séries futuristas de tv.

Metade do que não aconteceu no meu futuro foi uma decisão minha e a outra metade foram contingências. As duas primeiras não rolaram porque eu mudei demais desde que era menino e as duas últimas dançaram porque o mundo não mudou tanto assim daquela época pra cá.

Tentar imaginar o futuro é sempre uma combinação desastrosa de fantasia e de previsões teoricamente lógicas, mas às vezes o futuro muda simplesmente pelo que a gente faz e não pelo que a gente não controla. Algumas vezes, 50% do que será amanhã depende de você. Em outras vezes, pode ser mais ou menos.

A única certeza é de que a omissão dá 100% de responsbilidade para o acaso. Resumindo, é melhor fazer alguma coisa agora.




Direto na têmpora: Again - Lenny Kravitz

Swing

Alguns clientes são como um casal que resolve entrar numa festa de swing.

Antes do evento eles ficam cheios de planos, imaginando mil aventuras sexuais e parceiros maravilhosos, dispostos a tudo, certos de que a experiência não tem como não ser incrível.

No entanto, basta abrir a porta que tudo muda. O marido começa a imaginar um daqueles caras com sua mulher e morre de ciúmes, eles se sentem inadequados naquele ambiente cheio de gente liberada e ela só consegue pensar na decepção do pai se souber que a filhinha fez uma coisa dessas.

Cada um toma um refrigerante e quinze minutos depois vão embora pra casa assistir a um filme e comer pipoca.

Por isso, se o seu cliente disser que topa swing, que curte bondage, que faz de tudo e acha bom, não se anime demais. Como dizia o poeta, "falar é fácil, eu quero ver mesmo é mãozinha na bundinha".




Direto na têmpora: Window bird - Stars

sexta-feira, março 19, 2010

Lições profissionais que a gente leva pra sempre

Eu trabalhei uma vez com uma grande empresa que tinha como responsáveis pela sua comunicação / marketing 6 pessoas, sendo que nenhuma delas havia lidado antes com agências de publicidade.

Desnecessário dizer que as contradições, ideias sem nexo e briefings insanos eram uma constante, mas o melhor dia pra mim foi quando um trabalho que já vinha se arrastando foi reapresentado pela quinta ou sexta vez.

De repente, do nada, o cliente dá uma guinada de 180 graus no briefing e o Planejamento que vinha acompanhando o trabalho desde o início tenta intervir:

- Peraí, Fulano, se você lembrar, seu primeiro pedido era x. No segundo você pediu pra gente ir mais por aquele caminho. No terceiro, era pra gente fazer tal coisa. No quarto, outro negócio. No quinto, você já disse outra coisa e agora você muda tudo? A gente precisa definir um caminho e ter certeza dele pra seguir em frente, senão fica difícil.

Resposta do filho da puta com um sorriso pseudosimpaticozinho no rosto.

- Ah, mas aqui a gente é assim mesmo, a gente pensa uma coisa, depois muda, aí muda de novo. É assim mesmo. Vamos tentar mais essa, então?

Até onde eu sei, esse cara continua no mesmo cargo, ganhando muito melhor do que a média e com status de fodão da comunicação dentro da empresa.

E o pior é que esse tipo de "profissional" me parece mais a regra do que a exceção, ou você que trabalha com publicidade vai dizer que nunca conheceu outro cliente exatamente assim?




Direto na têmpora: Speed Date - Arab Strap

quinta-feira, março 18, 2010

Você conhece a cidade de Pedro Sales?

Logo depois de Astolfo Dutra, indo para Ubá, fica a pacata, porém progressista cidade de Pedro Sales.

Na Avenida Rubens Aguiar, a principal da cidade, concentram-se as atividades comerciais do município, incluindo a Barão Auto-Peças, especializada em escapamentos e o Bambito Lanches, famosos pela sua rosquinha.

A dois quarteirões da Rubens Aguiar, já praticamente fora da cidade, a Escola Municipal Ivan Pawlow forma os futuros pedrosalenses, quase todos eles nascidos na moderna Maternidade Flávia Rennó, registrados no tradicional Cartório Maurilo Andreas e tendo iniciado sua alfabetização na escolinha da Tia Cacate.

Depois da aula, os petizes sempre saboreiam os deliciosos chup-chups do GluGlu ou vão brincar na praça Rodrigo Silva, atrás da igreja de São Fresno.

Pedro Sales acaba de inaugurar também o seu primeiro edifício. Com quatro andares de puro estilo, o Ed. Luiz Otávio abriga em seu térreo um shopping que conta com lojas renomadas como a Patrícia Barbabela Modas, que veste as senhoras mais distintas do local e a Vina Piercing & Tattoo, onde a galera modernex se reúne.

Com tanta pujança comercial, a publicidade em Pedro Sales alça vôos cada vez mais altos, sempre capitaneada pela Rojão Pinturas, que leva propaganda de altíssimo nível aos muros da cidade.

Em Pedro Sales quem brilha também é Wandinho, o doidinho da praça, que passou sua infância no Orfanato Graziele de Paula e que hoje encanta a população cantando nos bares a troco de doses de cachaça ou soltando a voz no carro de som.

E assim cresce Pedro Sales, com os olhos no futuro e com muita gente boa dando uma força por trás.




Direto na têmpora: The lines are cut - The Coast

quarta-feira, março 17, 2010

Pelo telefone

Nem eu e nem a minha Sophia somos muito fãs de telefone. Ela, principalmente, tem pouca ou nenhuma paciência pra usar o invento grahambellístico.

Pois hoje estávamos ao telefone e após menos de 2 minutos de conversa ela, visivelmente sem paciência, diz:

- Papai, para de falar um pouco porque eu vou mudar o telefone de orelha, tá?

Sutil, sutil.




Direto na têmpora: Choclate - One Eskimo

terça-feira, março 16, 2010

10 coisas que eu gostaria de fazer, mas tenho 99% de certeza que nunca vai rolar

Pode ser por falta de oportunidade, pode ser por falta de grana, pode ser até mesmo por preguiça, mas seguem aí 10 coisas que eu adoraria fazer, mas que no fundo eu sei que vou acabar ficando na vontade.

É claro que muitas outras coisas a gente deseja achando que são possíveis, mas essas? I don't think so.

Confesse, você também tem uma lista assim.


1) Voltar a estudar russo.
Pode parecer estranho, mas eu acho o russo uma das línguas mais bonitas do mundo. Eu já estudei há mais de 10 anos e ainda conheço o alfabeto cirílico, mas as declinações, tempos verbais, conjugações e o vocabulário (que eu nunca cheguei a dominar de verdade) acabaram indo totalmente pro saco por causa da falta de prática. Eu queria muito retomar este projeto, mas não me vejo tendo aulas de russo tão cedo.


2) Viajar sozinho para o Tibet, Butão e Nepal.
Desde que eu fui sozinho para o Peru, Bolívia e Chile eu tenho vontade de fazer essa viagem. Até com a Fernanda eu já combinei, mas cada dia que passa é um dia que eu fico mais velho e com menos fôlego pra fazer essa viagem. Sem falar na grana.


3) Viver de literatura.
Sem entrar no doloroso mérito da falta de talento, o mercado editorial está mudando demais e acho cada vez mais difícil viver só de literatura. Dá pra complementar, mas viver só disso, sei não.


4) Abrir minha granja de porcos.

Além da dificuldade cada vez maior de ser produtor rural, me falta conhecimento técnico e grana, ou seja, fodeu.


5) Usar bigode permanentemente.

Pelo menos enquanto a Fernanda tiver algum motivo pra ficar comigo esse sonho dançou. Ela odeia bigodes.


6) Tirar um ano sabático.
Você já viu meu saldo no banco? Hahahahaha.


7) Processar cada empresa com atendimento porco que eu encontre pelo caminho.
Imagine só, mandar cada um desses filhos da puta pro tribunal, dia após dia, cagada após cagada? Ah, mas me faltam tempo e ânimo, ah, como me faltam tempo e ânimo.


8) Estar vivo para curtir o dia em que o câncer será curado através de um tratamento pesado à base de torresmo, cerveja e quindim.
A ciência caminha a passos lentos para quem sonha grande.


9) Ter season tickets para uma temporada dos Celtics.
Além de ser uma grana preta, tem o fato de eu não morar em Boston ou nos EUA de uma maneira geral. E pra falar a verdade, esse desejo só vale mesmo em um ano que o Boston ganhe um título. Se for pra passar raiva como agora, prefiro acompanhar pela internet.


10) Fazer com que a Sophia dependa sempre de mim.

Simplesmente não vai rolar.




Direto na têmpora: The Sex Has Made Me Stupid - Robots in Disguise

segunda-feira, março 15, 2010

Aquela nuvem

Aquela nuvem tem forma de ovelha ou talvez de sorvete ou quem sabe baleia. E se olhar de outro jeito, parece um domingo, parece um começo ou algum beijo esquecido.

Aquela nuvem tem cheiro de chuva, tem voz de saudade, tem cor de algo errado. E por trás dela há um sol e um céu e uma dúvida qualquer.

Aquela nuvem já não era assim e nem será assado. Ela só está e só passa e só passa, até um dia se dissolvessumir sem deixar rastro no azul. Ou então se deságua no cabelo que você acabou de fazer.

Aquela nuvem, ah, aquela nuvem e eita que basta um descuido e eu de repente já não me lembro dela.




Direto na têmpora: Pieces - Dinosaur Jr

Perfeito?

No meu ponto de vista, o conceito de perfeição se aplica apenas em três campos: as coisas que não conseguimos compreender, as lembranças filtradas pelo lado emocional do cérebro e aquilo com o que não nos importamos.

O que vivemos não é perfeito pelo simples fato de que não estamos sequer próximos do conceito de perfeição que nós mesmos criamos.

Quando nos livramos da ilusão da perfeição fica mais fácil entender que o que consideramos defeito não é algo a ser mudado, mas algo a ser compreendido. Pedimos menos desculpas sem sentido e nos concentramos em apreciar as diferenças.

O fato é que a vida é imperfeita e que nossas escolhas são imperfeitas apenas porque as opções a serem escolhidas o são também. Não é desculpa para errar e não se importar em melhorar, mas é um puta motivo para começar a perceber que sua visão sobre as pessoas e as coisas depende quase sempre da sua expectativa.

Somos imperfeitos, mas às vezes a nossa imperfeição é justamente o que o outro precisa.

Fernanda não é perfeita e eu não poderia estar mais longe de qualquer coisa ligada a uma imagem de perfeição. Ainda assim, estamos casados há quase 8 anos e não há nela uma única falha que a torne menor diante de como eu a vejo.

Obrigado, Fer, por ser imperfeita pra mim.




Direto na têmpora: Scooby snacks - Fun Lovin' Criminals

domingo, março 14, 2010

Joelma, nao!

Preguicinha depois do almoco, Faustao na tv da casa do meu sogro e, de repente, Calypso. Depois da apresentacao exuberante do grupo paraense, minha Sophia comeca a pular e dancar como uma louca, balancando a cabeca e pulando.

Diante do nosso olhar de perplexidade a baixinha se explica arfando:

- Nossa, eu fiquei agitada com o Calypso!

Po, Sophia, Joelma, nao, minha filha. Joelma, nao!




Direto na tempora: Ghost under rocks - Ra Ra Riot

sexta-feira, março 12, 2010

Cantagalo

Trabalhei com Marcos Pina na SMPB em 91. Ele era office-boy e tinha o apelido de Pinóquio. Eu fiz um estágio de 3 meses com grandes feras da propaganda, incluindo Geraldo Leite, Lôro, Aderbal, Ricardo Carvalho, Roberto Boca e outros. Com o tempo eu fui virando redator e o Pina foi virando diretor de arte.

Pois um dia desses a Flavia Bueno, aqui da Tom, me apresentou um projeto social do Pina que é de encher os olhos, o Cantagalo Futebol Clube. Na verdade o projeto tem mais de dez anos, mas só agora fiquei conhecendo. A ideia é que seja, segundo o próprio site deles "uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, que além de disputar campeonatos em Belo Horizonte, começa a desenvolver uma proposta socioesportiva fundamentada na transformação social de crianças e adolescentes, focando principalmente no direito ao esporte e ao lazer."

Por coincidência encontrei com o Pina hoje e me lembrei de comentar o projeto e colocar o link aqui para que vocês visitem o site do Cantagalo, conheçam o projeto e ajudem como puderem.

E pra dar uma força nem precisa gostar de futebol, só precisa mesmo acreditar em solidariedade.




Direto na têmpora:

Felizão

Sabe aquele átimo em que você percebe "é exatamente isso que eu gostaria de estar fazendo, é precisamente aqui que eu gostaria de estar?" Para mim, isso é estar feliz.

Obrigado, minha Sophia, por ficar abraçadinha e jogar jogo-da-velha comigo hoje pela manhã.




Direto na têmpora: This time tomorrow - The Kinks

quinta-feira, março 11, 2010

It's not about advertising

Estou lendo The Basketball Book, do meu escritor esportivo favorito, Bill Simmons. Logo no começo do livro, em uma entrevista com o grande Isiah Thomas, Bill Simmons recebe do craque o segredo do basquete: "it's not about basketball".

Segundo eles, basquete é menos sobre talento para o esporte e mais sobre comprometimento, envolvimento, capacidade de extrair o melhor do companheiro e de abrir mão do individual para o resultado coletivo. Bird, Magic, Jordan, Isiah, todos souberam fazer isso como jogadores.

Eu nunca achei que a resposta para fazer boa comunicação estivesse nos anuários, embora entenda que seja ótimo utilizá-los como referência técnica. Quanto mais eu penso nisso, mais eu chego à conclusão de que publicidade é, a cada dia mais, uma profissão menos para quem domina o software e mais para quem entende pessoas; menos para quem escreve bem e mais para quem gosta de arriscar; menos para quem analisa números e mais para quem visualiza rumos; menos para quem curte falar e mais para quem sabe ouvir; menos para quem adora anúncios e mais para quem é louco por comportamento.

Enfim, publicidade para mim é sobre um monte de coisas, but it's not all about advertising.




Direto na têmpora: Smoke on the water - Señor Coconut

quarta-feira, março 10, 2010

Gordices

Sophia ganhou bombons.

- Lílian, você quer um bombom?

- Não, Sophia, obrigada.

- Por quê?

- Ah, Sophia, porque eu estou precisando desinchar.



Aí eu complemento:

- É, Sophia, eu também não poderia, mas...

- Eu posso, né? Porque vocês são gordos e eu não.



Toma mais uma, filhão!




Direto na têmpora: Short bursts - We Were Promised Jetpacks

The National + stop motion = duca

Eu sou fã de The National. Eu adoro filmes em stop motion. Eu já escrevi aqui sobre o coelho na lua. Resultado, eu achei esse filme simplesmente duca.







Direto na têmpora: Slow show - The National

terça-feira, março 09, 2010

Canções dos anos 80

Entrei numa onda saudosista hoje e vocês pagarão o preço por isto. Seguem aí três canções que tocaram insanamente nos anos 80. Toma!




Spider Murphy Gang!




Falco!




Baltimora!




Direto na têmpora: Hello tomorrow - Karen O

segunda-feira, março 08, 2010

Girls, girls, girls

Eu nasci em um ambiente essencialmente masculino, com meu pai e dois irmãos. Minha mãe era a exceção e fazia o papel de bicho raro da família.

Mas mãe é mãe, e quando bem jovens não temos uma visão muito clara de que elas sejam a mesma coisa sobre a qual nos referimos quando falamos de mulheres nas conversas entre moleques.

Fui descobrir o que era mulher em cada professora, em cada coleguinha de sala, em cada menina do bairro, em cada namorada, em cada amiga e, ao longo tempo, consegui duas certezas: 1) quanto mais eu as conheço, menos eu as entendo e 2) quanto mais eu as conheço, mais eu as amo.

Hoje não apenas reconheço minha mãe como mulher, como sei que é das melhores que há pelo mundo. E nesse mesmo mundo encontrei outra mulher para me fazer descobrir companheiro, para me fazer saber que vale acreditar no "pra sempre". Com esta mulher tive uma filha que me transforma inteiro e com elas vivo cada vez mais em um universo essencialmente feminino.

E tanta felicidade é mais do que eu algum dia pedi a Deus.



PS - Se você é mulher e vê valor nesta data, feliz dia de hoje para você.




Direto na têmpora: Seen Enough - Mars Needs Women

domingo, março 07, 2010

Vocabulário inovador

Minha Sophia dando aula para vovô Nilo, vovó Wanda, Fernanda e eu:

- Eu vou ser a professora, mas um de vocês pode ser o meu acidente se quiser, tá?



____//____

Essa aconteceu na hora do banho, domingo à noite. Sophia mostrando o mapa que ela desenhou e dizendo:

- As borboletas ficam na América, as baleias ficam no Japão e as flores ficam em outro continente, lá no Pão de Sal que eu fui no Rio de Janeiro.




Direto na têmpora: I do fine - Noah and the Whale

sexta-feira, março 05, 2010

Mil e uma noites

Acabei hoje de ler As Mil e Uma Noites. Livro longo, com histórias ótimas e outras nem tanto, mas pra mim era obrigatório conhecer a obra pelo texto original e não por filmes da Disney ou versões adaptadas.

Fica a certeza de que o tapete mágico não tem nada a ver com a história do Aladim, que naquela época o povo matava com vontade e que todo mundo deveria ler este livro.

Agora, Alice. E um bom final de semana para todos.




Direto na têmpora: Antenna - The Plastic Swords

quinta-feira, março 04, 2010

Sophia Filmes apresenta

Consegui tirar os filmes da Sophia do iPhone e jogar na máquina. Na verdade, estavam todos deitados, mas o Paulo Emílio da Brokolis (sempre ele) me ajudou e agora ficou tudo bacana.

São 3 filminhos, um mostrando a baixinha cantando She & Him, outro mostrando a expressão de nervosia dela que é o uxi-uxi e o terceiro com uma machadada na cabeça do pai que vos fala.




Sophia canta Black Hole, do She & Him.




Uxi-uxi pra você também, Sophia.




Toma na cabeça, papai.





Direto na têmpora: Remember me - British Sea Power

Spray

Trabalhei em São Bernardo do Campo nas eleições de 2004, tentando a eleição do deputado federal Vicentinho para a prefeitura da cidade. Mesmo com uma bela equipe, foi um trabalho extremamente difícil, já que o outro candidato (que buscava a reeleição) era muito bem avaliado pela população, tinha investido bastante em propaganda durante o seu mandato e, pra piorar, mesmo com o tamanho da cidade não contávamos com tv ou rádio.

O resultado foi o esperado e saímos derrotados do pleito, o que foi uma pena por todas as qualidades que reconheci em Vicentinho, tanto como político quanto como pessoa.

O fato é que gostei bastante de São Bernardo e a cidade me surpreendeu por não ser o lugar poluído e cinza que eu imaginei, muito antes pelo contrário. Só havia uma coisa que me incomodava: o spray.

Não é que chovia em São Bernardo, mas garoava o dia inteiro. Era como se houvesse um daqueles sprinklers sobre a cidade, ligado 24 horas por dia. Cheguei inclusive a convencer o Vicentinho que ele deveria, se fosse eleito, assumir o compromisso de só ligar o spray dia sim, dia não.

Belo Horizonte hoje amanheceu assim, com um sprinkler sobre a cidade e eu, confesso, cheguei a temer por uns 30 dias de spray como vivi em São Bernardo.

Não vai rolar, mas sabe como é, só pra garantir, será que alguém podia pedir pro Lacerda ou pro São Pedro só ligarem isso em dias alternados?




Direto na têmpora: I know what I'm here for - James

quarta-feira, março 03, 2010

Ideias

Acabei de ler uma entrevista com Jean-Claude Carrière no site da Cosac Naify e adorei a frase que fecha a conversa: "O erro é pensar que a tecnologia irá nos dar ideias, embora a tecnologia em si já seja uma ideia."

A mente criativa se manifesta e se desenvolve nos mais diversos espaços e nas mais distintas situações. Eu sou daqueles defensores de que a boa ideia surge, só para dar exemplo de agências de publicidade, no planejamento, na mídia, no atendimento, na produção, enfim, em qualquer lugar onde haja gente competente em seu ofício e disposta a ousar.

Talvez seja por isso que eu me sinta um pouco constrangido quando se referem a mim como "o criativo Maurilo Andreas", sendo criativo aqui usado como substantivo e não como adjetivo. Não acho que criativo possa definir uma função ou um cargo, mas sim um compromisso com fazer as coisas de modo diferente, surpreendente, eficiente.

Em casa, faço tudo para que a minha Sophia seja uma pessoa criativa. Desenhos em papel, histórias, jogos de estratégia, iPhone, conversas, filmes, livros, tudo é ferramenta para que ela possa desenvolver um pensamento original independente da tecnologia, da profissão que ela escolha ou dos ambientes pelos quais ela passe.

Voltando ao que disse o Carrière, "o erro é pensar que a tecnologia irá nos dar ideias". E, cada vez mais, quem se apega às ferramentas fica obsoleto junto com elas.




Direto na têmpora: Vcr - The XX

terça-feira, março 02, 2010

Então vai aí um video fodaço do OK Go

A banda OK Go é legal e faz clipes incríveis como este das esteiras rolantes, logo aqui embaixo.





Faz pouco tempo a EMI, gravadora do OK Go, proibiu o embed dos videos da banda, ou seja, nenhum deles poderia ser anexado em blogs e sites que não no próprio Youtube.

O vocalista da banda escreveu para o New York Times um texto corajoso desancando a EMI e, parece, tudo voltou ao normal. Tomara que seja um sinal de que as grandes gravadoras estão percebendo que a internet tem funcionamento e regras próprias, que precisam ser respeitadas e levadas em conta.

Se tudo der certo, você poderá assistir, além do clipe acima, o novíssimo e igualmente genial abaixo. Além de ler a carta do Damian Kulash Jr aqui.







Direto na têmpora: This too shall pass - OK Go

Len Bias

Len Bias nunca jogou pelos Celtics, nunca comemorou um título da NBA e nunca usou sua camisa número 30. Len Bias não foi MVP, não recebeu milhões de dólares da Reebok e não estrelou em um único filme de Hollywood.

O parágrafo anterior está cheio de motivos pelos quais você nunca deve ter ouvido falar de Len Bias, mas se você era um fã dos Celtics em 86 e acompanhou os 20 anos de sofrimento que se seguiram, esse parágrafo diz quase tudo o que você precisa saber sobre Len Bias.

Os Celtics foram campeões em 1986 com um time que incluía 3 dos 50 maiores jogadores de todos os tempos da NBA: Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parish. Naquele ano, graças a algumas trocas feitas pelo genial Red Auerbach, Boston tinha ainda o número 2 no draft e não havia dúvidas sobre quem o time escolheria. Cleveland, que escolheria primeiro, precisava de um pivô e Boston poderia selecionar Len Bias, considerado o que havia de mais próximo a Michael Jordan na época.

Lenny Bias foi escolhido pelos Celtics e, na festa de comemoração ainda na noite do draft, teve uma parada cardíaca causada pelo consumo de cocaína com alto grau de pureza.

Eu já conhecia essa história, mas ontem a ESPN passou um documentário sobre a morte de Len Bias que eu queria realmente ter visto. Não consegui assistir inteiro, mas fico pensando como a morte deste jovem de 22 anos teve implicações não apenas em sua família, mas em toda a NBA e nos Celtics especificamente. Nem mesmo a morte de Reggie Lewis em plena quadra (2'20 do video) alguns anos depois teria tanto impacto.

Não sei se o Boston ganharia mais títulos com Bias ou mesmo se ele seria uma grande estrela. Ele poderia machucar o joelho na pré-temporada de 87 e nunca mais ser o mesmo, quem sabe? Pelo menos ele teria recebido 20 mil dólares por mês durante dois anos na pior das hipóteses.

O fato é que Len Bias foi uma história interrompida e que deixa milhares de "como seria se" para os fãs da NBA.

Você provavelmente nunca ouviu falar de Len Bias, mas ele tinha 22 anos quando morreu e, cara, ele era bom.







Direto na têmpora: Birthday - The Bird And The Bee

segunda-feira, março 01, 2010

10 coisas que melhoram o meu humor

1) Pessoas que ainda usam "cidade" para se referir ao centro. Ex.: "hoje eu tenho que ir na cidade resolver um negócio." Se sair da boca de uma velhinha da qual você gosta é melhor ainda.


2) Descobrir bandas / músicas novas e boas (pra mim) no blip.fm. Tipo essa do MGMT aqui.


3) Receber ligações da Fernanda só pra dizer que me ama (no explanation needed).


4) Conhecer gente que gosta do que eu escrevo.


5) Ver fotos da minha família nos anos 70 e 80.


6) Escutar "Every Little Thing She Does Is Magic" - The Police. Pode curtir aqui.


7) Presenciar a Sophia inventando as musiquinhas dela e cantando como se não se existisse mais nada.


8) Deixar que cocem minhas costas.


9) Doce de figo da Tia Rosa.


10) Não precisar fazer mais nada além de olhar pro céu e procurar estrelas cadentes em um sítio, fazenda ou cidadezinha qualquer.




Direto na têmpora: Grace under pressure - Elbow

Acho que o ninho deles é ali

Fui ao BH Shopping duas vezes no domingo. Uma delas para uma horrorosa manhã de compras no Carrefour e outra para assistir Toy Story, que a Sophia ainda não tinha visto, em 3D.

Nas duas idas, um show de filhadaputagem dos clientes ao estacionar os veículos. Tirei fotos de 3 situações, mas vou postar apenas uma que pra mim é hors concours.

Só pra fazer uma introdução, contam que um vendedor de churros na frente do velhíssimo CB Merci da Prudente de Morais deixou cair algo na gordura fervendo e, no reflexo, foi tentar pegar e queimou o dedo. Com muita dor e puto da vida ele então complementou: "fodeu um, fode tudo" e mergulhou a mão inteira atrás do objeto.

Pois os caras da foto que segue pensaram assim também. Afinal, já que é pra parar na vaga de deficientes, por que ocupar só uma?






Ah, eu aproveitei pra tirar uma foto dos dois senhores saudáveis que saíram do carro da foto anterior e foram fazer compras juntos no Carrefour. Eles não apenas caminhavam normalmente como também não apresentaram nenhum sinal de dificuldades para pegarem suas compras, encherem seus carrinhos e carregarem tudo no veículo. Olha aí o tio de branco e o tio de amarelo (sem os rostos, obviamente) prontos pra tocar o terror.







Direto na têmpora: Hometown Unicorn - Super Furry Animals

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

She & Him & Her

Sophia anda apaixonada por She & Him. Basta sentar no carro que ela já pede "Quero Zooey". E enquanto as músicas tocam ela ainda vai pedindo pra que eu traduza e assim ela passa a saber do que a música trata. Ah, para quem não sabe, Zooey Deschanel é atriz, vocalista da dupla e a "She" do nome, enquanto M. Ward é o "Him".

Hoje cedo eu chego na sala e Sophia está desenhando e cantando toda compenetrada e linda a canção Black Hole dos "She & Him". E mais lindo ainda foi ouvir ela cantando direitinho em inglês: "over you. I'm alone on a bycicle for two."

Olha o clipe aí e me diz que não dá pra entender a paixão da baixinha pela música pela dupla.








Direto na têmpora: Lovely - Suicidal Tendencies

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Liras de Sintra e o Porto

Os peixes abertos de tripas expostas serviam-se às aves e ao vento salgado de Liras de Sintra. Os braços ainda atracados às redes, as mulheres sempre em casa a esperar e o dia seguindo em um lento e insípido arrastar.

Ainda havia o sol quando Pedro Aires deitou-se à areia, mirando uma nuvem com certa forma familiar que ele teimava em não reconhecer. Atrás de si, os telhados de um vermelho acanelado pareciam respirar.

Em torno do seu pensar, tudo era Aurélia, embora ela não mais se houvesse em Liras de Sintra. Pedro Aires ainda pescava como ofício, ainda comia o que a mãe lhe preparasse, ainda era todo certeza de que sua vida ali lhe bastava.

E no entanto havia Aurélia a vestir-se em convite, desenhada em suor e desejo, e, na sua mente, o Porto já ganhava cores de futuro, já soava nome de algo real.




Direto na têmpora: All the beautiful things - Eels

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Novas cores

Tem um joguinho que a Sophia adora e sobre o qual já até contei um caso aqui. Pois hoje rendeu mais uma.

Sophia:
- Atenção... concentração... vai haver... revolução... se você não me disser o nome de uma cor.

Fernanda:
- Rosa-choque.

Sophia:
- Não pode, mamãe, você gosta de vermelho, não pode mudar pra rosa-choque.

Fernanda:
- Vermelho.

Sophia:
- Rosa-choque.

Maurilo:
- Preto.

Fernanda:
- Roxo.

Sophia:
- Rosa-choque.

Fernanda:
- Você já falou rosa-choque, Sohpia, não pode repetir.

Sophia:
- Azul-choque!





Direto na têmpora: Ears ring - Rainer Maria

Só com o Deo

Deomar Geraldo é uma figura. Aliás, outro dia contei um caso dele aqui com o telemarketing ativo da Claro. Pois hoje teve mais uma historinha da criança.

Estava Deomar almoçando com o nosso amigo Lisandrinho no tradicional bar do Mané Doido, no Mercado Central, quando ao lado deles sentou um grupinho juvenil.

Entre as pessoas do grupinho, uma gatinha começa a olhar insistentemente para o Deo. Nosso amigo vai sentindo seu ego inflar e começa a ficar todo orgulhoso de seu poder de sedução quando a menina, cutucando as outras pessoas do grupo, aponta para o Deomar e pergunta:

- Aquele ali que é o Mané Doido?




Direto na têmpora:

Bolão

Vou dar um chute aqui e dizer que 99% das lotéricas espalhadas pelo Brasil oferecem aos seus clientes a participação em um Bolão da Megasena organizado pela própria casa.

Vou dar outro chute aqui e imaginar que a Caixa Econômica Federal tenha um contato, mesmo que diminuto, com essas casas lotéricas e já tenha pelo menos escutado falar desta prática.

É por isso que me soa a falso puritanismo a Caixa Econômica Federal proibir os bolões. É como os políticos que condenam o caixa 2 em campanha política tendo acabado de usar do expediente para serem eleitos.

Enquanto dava (muito) dinheiro e nenhum problema, a Caixa fechava os olhos para o fato dos bolões poderem significar confusão. Agora, a mesma CEF age como se eles fossem a representação maior de tudo o que há errado no mundo.

E os caras que ganharam e não levaram que se ferrem correndo atrás do que é direito deles na Justiça.




Direto na têmpora: No controles - Cafe Tacuba

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Bichos

O Cansaço é um vírus que pesa como um elefante, mas que se move sem som pelo ar e cabe dentro da gente, às vezes nas pernas, às vezes nas costas, às vezes em cada fibra. Se o cansaço tiver uma cor, é cinza escuro.

O Amor é um passarinho que canta baixinho e lindo, que pousa na mão da gente, mas que no primeiro gesto brusco voa e deixa no lugar o ovo gigante de um outro bicho chamado Tristeza. O amor quando chega é de um amarelo bem claro, mas muda sempre de cor.

A Tristeza é um tipo de sanguessuga, que esvazia a gente e que engole horizontes. Muda de tamanho e se encolhe e mesmo que pareça ter ido embora, sempre pode voltar de repente. Tem a cor do vazio.

A Palavra é um bichinho que se deve guardar muito bem, porque quando escapa se metamorfoseia e chega diferente no outro. Palavra quando sai e volta, sempre retorna outra. Sua cor são todas.

O Futuro é um bicho que jamais existe e que a gente insiste em tentar enxergar e se convencer de que vai ser diferente. O grande segredo do Futuro é fazer parecer que está lá quando na verdade ele já passou. A cor do Futuro é aquela que a gente nunca vai encontrar.




Direto na têmpora: Three women - Stereolab

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Ruim de cama

Eu não acredito que alguém seja ruim de cama. Eu acredito que você e outra pessoa não combinem na cama.

O fato da sua parceira chamar você pelo nome de um falecido tio-avô Belmiro, se vestir de fiscal da BHTrans e recitar letras do Nickelback durante a transa não significa que ela seja detestável na arte do amor. Significa apenas que ela não é a companheira certa para você.

Ampliando o raciocínio, é possível ainda que você só não ache isso tudo excitante porque nunca experimentou e que, após duas ou três tentativas extenuantes, não consiga mais sentir prazer sem esse formato erótico tão original.

Na minha opinião, as redes sociais seguem o mesmo princípio. Você pode curtir uma que fala o tempo todo e que faz tudo rapidinho como o Twitter, uma modernete e com jeito de gringa como o Facebook, uma profissional como o LinkedIn ou aquela que faz de tudo, com todo mundo e que tem a maior fama de bagaceira como o Orkut. Você pode inclusive achar que isso dá trabalho demais e preferir o celibato. Sem problemas.

O lance é que não há uma rede social ruim. O que existe é a rede social que serve melhor para os propósitos da sua empresa. É importante observar, conhecer e, quem sabe, até experimentar antes de decidir. O que não rola é descartar o programa só porque ela é mal falada.

E fica a dica: misturar mais de um estilo também pode trazer resultados interessantes para tirar as marcas de uma certa monotonia e evitar a rotina.




Direto na têmpora: Amused to death - Roger Waters

Para a Turma do Sorvete

A Turma do Sorvete, lá do clic, vai ser divida em duas hoje. Fica aí uma historinha pra despedir da fase antiga e começar a nova etapa.


A beterraba Roxinha

Não havia naquela horta nenhuma ave, inseto, animal ou vegetal mais ranzinza do que a Roxinha. Desde que nasceu e era só uma pelotinha roxa ela já brigava com todo mundo e vivia sempre brava e gritando.

Roxinha era bem redonda e muito bonitinha, mas ninguém conseguia ficar perto dela porque ela vivia xingando todo mundo. Era só alguma planta chegar um pouco mais perto dela que a brigaiada começava.

- Ei! O que é que você está fazendo aqui? Essa área é minha, vai embora agora, xô, passa!

Pra falar a verdade, até mesmo os passarinhos e as minhocas, se ficam em volta dela, mesmo sem querer, já levavam bronca. Era muito difícil aquela Roxinha.

Agora, o que eu não tinha contado ainda é que a Roxinha vivia na horta do Clic, uma escolinha muito especial com uma meninada muito bacana. E nessa escolinha, tinha a Turma do Sorvete que era uma festa só.

Um dia desses, a Turma do Sorvete estava mexendo na hortinha quando, de repente, viram uma coisinha roxa sair da terra, levantando as folhinhas como se fossem duas mãozinhas e berrando bem alto.

- Ei, sua meninada bagunceira! Quem deixou vocês mexerem aqui na minha casa? Vocês acham que mandam aqui, é? Olha que eu saio da terra e dou uma mordida no nariz de cada um, viu? Agora vão embora, sai, sai!

Depois daquela gritaiada toda, a Sophia olhou pra Ailinha; a Ailinha olhou pro João Guerra; o João Guerra olhou pra Juju Bernardi; a Juju Bernardi olhou pro Nicolas; o Nicolas olhou pro Tomás; o Tomás olhou pra Clara Nelson; a Clara Nelson olhou pra Valentina; a Valentina olhou pro Augusto; o Augusto olhou pra Luana Jacques; a Luana Jacques olhou pra Ana Esteves; a Ana Esteves olhou pro Pablo; o Pablo olhou pra Ana Luisa; a Ana Luisa olhou pro Fernando; o Fernando olhou pra Luana Figueiredo; a Luana Figueiredo olhou pro Davi; o Davi olhou pra Isadora e a Isadora olhou pro Vitor.

Eles ficaram sem entender nada. Pensaram, pensaram e resolveram dar um jeito naquilo. Afinal, a meninada da Turma do Sorvete adorava a horta, suas minhocas e os seus vegetais deliciosos. Eles então juntaram suas cabeças e fizeram um plano.

A Maria estava na cozinha quando a meninada da Turma do Sorvete chegou bem de mansinho e conversou como se a Maria nem estivesse lá.

- Vocês viram aquela beterraba linda na hortinha?

- Nossa! Ela era grande mesmo.

- E linda, deve estar deliciosa.


Quando a meninada saiu, a Maria pensou.

- Olha que boa idéia, vou até a hortinha, pego a beterraba e faço uma saladinha deliciosa pra Turma do Sorvete.

Naquele mesmo momento, a Roxinha estava tirando um cochilo e nem viu quando a Maria puxou ela da terra, levou pra cozinha e começou a descascar. Quando a Roxinha acordou e viu que estava pelada, ficou furiosa. Ela olhou pra Maria e começou a gritar.

- Ei, você aí com a faca na mão. Foi você que descascou minha roupa e me deixou pelada? Ah, você vai ver! Eu vou dar uma boa mordida no seu nariz, sua doidinha!


A Maria ficou muito assustada e começou a falar.

- N-n-n-não, dona beterraba, desculpa. Eu nem sabia que você falava. É que a Turma do Sorvete passou por aqui e falou que tinha uma beterraba linda na horta aí...

A Roxinha entendeu tudo.

- A-há! Foram aqueles safadinhos da Turma do Sorvete! Mas eles vão se ver comigo.


A Roxinha então saiu pisando duro e procurando a meninada da Turma do Sorvete para dar uma mordida no nariz de cada um. Quando ela entrou na sala do lanche e viu que estavam todos lá ela subiu na mesa e continuou gritando.

- Foram vocês que mandaram aquela moça me deixar pelada, né, seus narigudos? Mas vocês vão ver! Agora vocês não me escapam!

A Turma do Sorvete ficou bem paradinha e de repente a Sophia olhou pra Ailinha; a Ailinha olhou pro João Guerra; o João Guerra olhou pra Juju Bernardi; a Juju Bernardi olhou pro Nicolas; o Nicolas olhou pro Tomás; o Tomás olhou pra Clara Nelson; a Clara Nelson olhou pra Valentina; a Valentina olhou pro Augusto; o Augusto olhou pra Luana Jacques; a Luana Jacques olhou pra Ana Esteves; a Ana Esteves olhou pro Pablo; o Pablo olhou pra Ana Luisa; a Ana Luisa olhou pro Fernando; o Fernando olhou pra Luana Figueiredo; a Luana Figueiredo olhou pro Davi; o Davi olhou pra Isadora e a Isadora olhou pro Vitor.

Todos juntos pularam sobre a Roxinha, toda linda e descascadinha e nhac! Comeram ela todinha.




Direto na têmpora: The Opposite Of Hallelujah - Jens Lekman

O rei dos petizes

Aniversário do Gutinho, colega da Sophia no Clic e primo da Mari. Criançada em estado de ebulição e, de repente, a Imila, filha dos meus amigos Martín e Luana vem correndo em minha direção de bracinhos abertos e gritando "Batatão! Batatão!".

Já me sentia o mais querido da festa, o rei dos petizes, o chefe da brincadeira quando ela, segurando a minha mão, diz:

- Batatão, xixi.

E lá fui eu levar a pequena ao banheiro. Na segunda vez não teve romntismo nenhum. Estava eu sentado e só senti o puxão na manga enquanto ouvia a Imila dizer:

- Batatão, cocô.

Mas como disse o Martín, pedir pra levar ao banheiro também é uma demonstração de carinho. E eu, Batatão, o rei dos sanitários, agradeço muito e de verdade, viu Mimila?




Direto na têmpora: Daylight Robbery - Imogen Heap

domingo, fevereiro 21, 2010

Acabando com o cristianismo

Ontem, alguém explicou para a minha Sophia que a figura dentro do oratório era Maria. Algum tempo depois, a baixinha fechou as portas com a imagem lá dentro:

- Agora eu vou trancar a Mariazinha aqui e ela nem vai poder encontrar mais com o namorado dela. Rá!

E assim, com um sorriso sapeca e sem conhecer a saga de Jesus, Sophia evitou que o carpinteiro José encontrasse a Virgem Maria e transformou para sempre a história ocidental.




Mariazinha, logo antes de entrar em cana.




Anjos são assim, mudam o rumo da humanidade e vão tirar um cochilo.




Direto na têmpora: Fiesta - The Pogues

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Contito

E então, castigado pela chuva e pelo vento, o pequeno Estevão olhou para os céus e, como em uma explosão ou renascimento, vociferou sua reprovação ao divino e ao mundano.

- Putaqueopariu, não vai parar de chover não, ô, caralho!?




Direto na têmpora: Irene - Caetano Veloso

Dia bom

Ontem eu recebi três ótimas notícias e ajudei a preparar o terreno pra mais uma que, se Deus quiser, virá em breve (antes que as leitoras de úteros palpitantes se arrisquem, não é gravidez, ok?).

O fato é que dias em que tanta coisa boa chega de uma vez só fazem a gente parar um pouco e ver como temos sorte e o quanto falta para merecer tudo isso.

Não deu pra postar ontem, mas se tudo der certo mesmo, o que não vai faltar é post novo com assuntos bons nos próximos dias. Torçam para o tio Maurilo.




Direto na têmpora: So lonely - Nouvelle Vague

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Na batida da roça

Cavalos, vacas, galinhas, porcos, morcegos e uma fazenda de 1750 onde viveu Carlos Chagas. Para completar, ótimos amigos, uma meninada pra lá de feliz, comida e cerveja de primeira, um céu absurdamente estrelado e um corregozinho correndo lento a poucos metros da casa enorme e antiga.

Não poderia ter sido melhor.




A oncinha amou o carnaval na fazenda.




Foram horas e horas no balanço amarrado em um galho de árvore.




Teve passeio a cavalo.




E é claro que teve baile de carnaval.




Direto na têmpora: Molly's lips - Nirvana

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Eu que mando

Essa aí estava no Posto Ale do Ponteio quando resolveu fazer umas compras na Araujo, talvez comer um lanchinho e tal.

Local pra estacionar? Em cima da sinalização de "Proibido Estacionar", é claro. Ali, ninguém te incomoda. Parabéns, dona.





PS - Até depois do carnaval e bom descanso procês tudo.




Direto na têmpora: I wonder - Blind Melon

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Vidinha besta

11h01 - G acorda e, sem escovar os dentes ou lavar o rosto, pega uma lata de cerveja na sala e volta para o sofá. A tv já estava ligada e ele se senta para assistir algum programa de esporte.

12h31 - Ainda no sofá, G come a pizza dormida que estava na geladeira.

14h53 - G cochila no sofá da sala. No canto esquerdo da boca, um rastro de baba seca e nas mãos o controle remoto parece um travesseirinho de segurança.

15h22 - G tem gases e acorda com o barulho da própria explosão de flatulência. Olha ao redor um tanto e confuso e volta a dormir.

20h38 - G levanta para urinar e no meio do caminho decide que precisa fazer algo, que dormir a tarde inteira no sofá assim não é possível, que ele não vive de verdade desde que R o deixou.

20h47 - Após urinar, G retorna ao sofá e pede uma pizza.

21h12 - A pizza chega, G a guarda na geladeira, veste o pijama e resolve se deitar na cama.

21h29 - Antes de adormecer completamente, G resolve que na manhã seguinte irá vender o sofá.




Direto na têmpora: Weak - Skunk Anansie

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Sem perdão

Eu não sou especialmente bom em perdoar, seja em coisas grande ou pequenas. É um defeito meu que tento melhorar e que venho conseguido alterar pouquinho, baby steps e tal.

Talvez por isso eu não consiga me colocar no lugar do Ricardo aqui da Tom, que teve a sobrinha de 4 anos assassinada estupidamente(como se houvesse assassinato que não fosse estúpido) por um vizinho de 16.

Eu não consigo imaginar a dor da família ou como estejam lidando com os pais do monstro. Mais do que isso, eu não consigo sequer imaginar que em dois anos ele estará solto por ser menor.

Eu, que sequer faço parte da família, desejo a ele as piores coisas que eu possa desejar a outro ser humano. Eu não me interesso pelos motivos que esse rapaz possa dar e não acredito na justiça. Nesse caso, eu sequer compreendo a recuperação como uma possibilidade ou alternativa de interesse da sociedade.

Eu não sei se o Ricardo e sua família irão perdoar o rapaz. Eu sei que eu não perdoaria e, sinto muito, não me envergonho nem um pouco disso.




Direto na têmpora: You've got the love - Florence and the Machine

O bigode azul da menina - Freak Children

Jussara era um doce de criança

Um anjinho pequeno de olhar cool

Adorava teatro, cinema e dança

E tinha um lindo bigode azul



O bigodaço azul até que combinava com ela

E muita gente chegava mesmo a elogiá-lo

Ela penteava bem e, com uma fita amarela,

Prendia o moustache num lindo rabo de cavalo



Era bastante feliz com sua pelagem facial

Eu diria que era quase um caso de amor

Por isso não gostou nada quando ganhou de natal

Um ultra-super-moderno barbeador



O bigode azul não tinha nada de infame

E deixava Jussara com um look intrigante

Logo foi descoberta por um "olheiro" da Armani

Para se transformar em modelo elegante



No primeiro desfile, sucesso total

Desmaios, palmas e muito chilique

O bigode virou mania mundial

E a Jussara estrela do SP Fashion Week





Direto na têmpora: Pink India - Stephen Malkmus

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Telemarketing ativo, um pedacinho do inferno só pra você.

Meu grande amigo Deomar (@deooliveira) odeia telemarketing, o que faz dele uma pessoa absolutamente normal.

Pois outro dia o Deo recebeu uma ligação que transcorreu mais ou menos assim:


- Sr. Deomar, boa tarde. Aqui é Fulano de Tal, da Claro, o senhor é cliente Vivo correto?

- Sim.

- E o senhor ainda tem vínculo contratual com a Vivo?

- Tenho.

- E o senhor não estaria interessado em conhecer as condições que a Claro lhe oferece para trocar de operadora?

- Bom, na verdade para mudar de operadora eu teria interesse se fosse para ganhar um iPhone.

- Ah, é? Só que isso aqui não é Criança Esperança, não, falô!


E tum! Desliga o telefone na cara do Deo.

É sacanagem pra caralho e o Deomar já acionou a Claro para ferrar esse vagabundo, mas eu ri muito.




Direto na têmpora: Hurt - Johnny Cash

Gentices

Eu já ouvi muita coisa na minha vida, mas três delas me irritam não importa quanto tempo passe.



1) A pessoa acha que pedir um mudança dá o mesmo trabalho do que fazer uma mudança.


Pedir pra mudar o mesmo trabalho 10 vezes porque o cliente é confuso deve ser muito chato. Deve mesmo, eu acho isso e simpatizo com as pessos que fazem essa interface. Agora, querer dizer que dá o mesmo trampo pedir 10 mudanças ou fazer 10 mudanças é ir um pouco longe demais. Para mim, o fato de alguém pensar assim só tem duas explicações e nenhuma delas é lisonjeira.


2) A pessoa se justificar dizendo "todo mundo faz".

Não vou nem mencionar o que esse tipo de postura diz sobre a ausência de personalidade do indivíduo. Quem usa essa frase deve ter convulsões sempre que sofre um pensamento original. É praticamente uma carta que isenta a pessoa do fardo que é raciocinar.


3) A pessoa que diz "ah, mas isso é fácil".


Se é fácil, porque não fez antes? Se é fácil, porque pediu pros outros? Enfim, tudo é rápido e fácil quando não é você quem tem que fazer.




Direto na têmpora: Learned to surf - Superchunk

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Semente

A semente não sabia o que era, só sabia que gostava da terra. E quando se estourou em raízes, não foi por desejo de se descobrir o que quer que fosse, mas apenas por uma certa pressa de não caber em si.

Suas folhas romperam a crosta, sedentas de luz, e já não era semente. Era outra coisa, diferente, indefinida, que os outros já enxergavam com clareza, mas que ela mesma não adivinhava. E nem se interessava.

Sentia era falta da terra, do concentrado de ser pequena e não se reconhecia assim, espalhada. Semente ainda e sempre, presa em corpo de cenoura, de beterraba, de taioba ou de alguma flor.

Pouco importava. Não se enxergava, não se sustentava e nem se lamentava. Brotar é a dor irreversível.




Direto na têmpora: Blitzkrieg Bop - Die Toten Hosen

sábado, fevereiro 06, 2010

Pastel urgente: mais duas da Sophia

Sophia conversando com a Fernanda:

- Sophia, o vovô Sevi vai voltar moreninho da praia.

- E a vovó Yole?

- A vovó Yole vai voltar branquinha, porque ela não gosta de tomar sol.

- Branca, eca! Eu não gosto de branco.

- Então você não gosta de mim, Sophia? Eu sou branquinha...

- Eu gosto de você, mas não gosto da sua cor. Eu acho queimado mais bonito. As duas cores que eu gosto são moreno e rosa.

- Rosa? E você conhece alguém rosa, Sophia?

- O unicórnio, uai!




____//____

Sophia conversando comigo:

- Olha o meu desenho de zebra, papai.

- Que lindo, Sophia. Mas olha só, você sabe quantas perninhas a zebra tem?

- Quantas?

- Quatro.

- Igual ao boi.

- Isso.

- É, mas eu desenhei quantas pernas ela precisa.








Direto na têmpora: Girlfriend - Phoenix

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Natural born digitals

Eu não sou um nativo digital. Eu me lembro quando meu pai comprou nossa primeira tv a cores, me lembro do Telejogo, do orelhão de ficha e das linhas de telefone fixas caríssimas. O telefone, aliás, era de disco e tinha fio.

Eu ouvia música em vinil ou fita cassete e vi nascer o walkman. Também vi nascer o cd e o dvd, além de acompanhar o primeiro console de Atari e o videocassete do berço ao túmulo, sendo que o Beta morreu bem antes do VHS.

No meu ensino médio, computadores em casa eram um raridade e não havia celulares. Nos meus estágios trabalhei com máquina de escrever (aliás, ganhei uma quando entrei na faculdade) e quando me formei, o laboratório de redação da UFMG ainda não tinha computadores.

Em 98, apenas um dos computadores da agência em que eu trabalhava contava com internet e os emails eram por setor. Ex.: criacao@xxxcomunicacao.com.br. Conheci o ICQ e o mIRC.

Ao contrário do que este breve histórico deixa transparecer, não tenho 70 anos, mas 38. Vocês que são nativos digitais levam sobre mim uma enorme vantagem de conhecerem as novas formas de comunicação e relacionamento de uma maneira muito mais natural.

Em 2003 comecei a colaborar com um site de produção cultural independente e dali tirei os textos que compuseram meu primeiro livro "Incultos".

Em 2004, a Ju Sampaio, uma das autoras do Mothern, me apresentou os blogs.

Em 2005 comecei a me interessar seriamente pela internet não apenas como usuário, mas profissionalmente.

Em 2006 ajudei a plantar a semente da vinda do Guilherme Boechat (e de todo um raciocínio estratégico em meios online) para a Tom e comecei com o Pastelzinho.

Em 2007 / 2008, o Paulo Silva, da Domínio Público, me ajudou muito investindo em cursos e na minha formação no que diz respeito a web.

Continuo estudando, gerando conteúdo nos mais diversos formatos e conversando com uma infinidade de pessoas mais competentes e com visões diferentes da minha.

Não sou o que se pode chamar de profissional de web, mas sou um profissional de comunicação que já compreendeu que não existe diferença entre online e offline. Minha carreira depende disso, minha visão de mundo abraça isso. Em contrapartida, só leio livros "analógicos", não blogo e nem uso meios digitais no final de semana (tirando iPhone).

Como já disse, não sou um nativo digital. Vocês que o são, saibam aproveitar. E lembrem-se de que tudo morre e muda com uma rapidez impressionante e que o moderninho de hoje, assim que para de se mover, é o obsoleto de amanhã.




Direto na têmpora: Paper planes - I'm From Barcelona

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Abençoado

E em forma de bênção, sem que eu prestasse atenção, todos os meus caminhos viraram um.







Direto na têmpora: I can't turn you loose - The Plimsouls

No papel fica melhor?

Criamos capa, criamos 11 personagens, criamos 11 histórias e 11 ilustrações. Agora, vamos dar um tempo. Em alguns casos gostei mais do texto, em outros mais da ilustração e, de maneira geral, achei tudo muito bacana.

Quem sabe fica ainda melhor no papel?


















































Direto na têmpora: Speaking Of Happiness - Gloria Lynne

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Minhoca, uma discussão filosófica para crianças

A Sophia adora minhocas. Eu não sei porque ela adora minhocas, mas nem preciso saber. Só sei que eu acho o máximo.


Você já viu uma minhoca de perto? Minhoca é um bicho sem pé nem cabeça.

Que tem anéis e não tem dedos, que vive na horta e não come verdura, que não tem olhos e sabe pra onde está indo.

Alguém aí já viu ovo de minhoca? Alguém aí já viu minhoca dormindo? Alguém aí sabe se uma minhoca é menino ou menina?

Mas não se engane, a gente conhece mal as minhocas, mas elas estão ali, prestando muita atenção na gente. Elas sabem quem gosta de cenoura e quem gosta de alface, quem gosta de pisar na terra, quem põe dedo sujo na boca e até quem molha as plantas e cuida bem da horta.

E o bom mesmo de ser amigo das minhocas é que quando a gente for pra debaixo da terra, naquele último instante em que a gente volta a ser parte do mundo de verdade, elas vão estar lá, cuidando do outro lado do jardim pra gente ser feliz pra sempre, do jeito que a gente sempre devia ser.





Direto na têmpora: If we wait - Guided By Voices

Freak Children - versão camelo

Texto: Maurilo Andreas
Ilustração: Rogério Fernandes








Direto na têmpora: The impression that I get - The Mighty Mighty Bosstones

terça-feira, fevereiro 02, 2010

As decisões que não tomamos

A vida da gente tem alguns momentos cruciais. Talvez na hora não notemos o quanto aquele instante é fundamental, mas aí ele passa e, anos depois, percebemos que faltou tomarmos uma decisão naquela hora.

Faltou dizer não, faltou desistir, faltou mudar o rumo, faltou perceber que aquele momento indicaria um caminho sem volta no qual ninguém deveria seguir.

E às vezes, cerca de dez anos depois, a gente gostaria muito de voltar àquele momento e dizer algo como "peloamordedeus, por que é que eu não largo logo esse imbecil?".

É, acho que traduzi bem a foto.




Fernanda encarando o seu futuro com medo e um leve desespero.




Direto na têmpora: Against all odds - The Postal Service

Italinhol

Meu grande amigo Martin é argentino e um ótimo professor de espanhol.

Em uma de suas aulas, Martin pediu que os alunos assistissem ao filme "Diários de Motocicleta", que conta a vida de Che Guevara em sua primeira viagem pela América Latina.

Depois, pediu que eles pesquisassem e escrevessem uma redação, obviamente em espanhol, sobre o que teria acontecido depois do final do filme, quando Che vai para Cuba.

Os trabalhos foram entregues e ao lê-los Martin teve uma certa surpresa com um dos alunos. No dia seguinte, rolou a aula.

- Fulano, por favor, dá pra vir até à frente da sala e ler o seu trabalho?

- Tá bom.


Após um prolongado silêncio, Martin perguntou:

- O que foi?

- Tá difícil ler isso aqui.

- Sabe por quê?

- Não.

- Porque você fez o trabalho em italiano.





Direto na têmpora: I want you! - Peter Bjorn and John

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Embaixadores da marca

O termo "embaixador da marca" ou advogado da marca" se refere ao consumidor que se identifica de tal forma com determinado produto, serviço ou empresa que passa, sem receber nada em troca, a defendê-la, indicá-la e reforçar seus diferenciais junto a outros consumidores. O termo pode parecer estranho, já que eu nunca vi um advogado trabalhar de graça em favor de alguém, mas enfim (desculpem a piadinha, amiguinhos jurisconsultos).

O fato é que eu era um embaixador de marca do Super Nosso Gourmet. Elogiava, via Twitter ou ao vivo, os carrinhos feitos de garrafas pet recicladas, o setor de vinhos, o atendimento, o fato de oferecer Dotz, a qualidade dos produtos e tudo mais.

Para os que diziam que o Super Nosso Gourmet nunca seria igual ao Verde Mar, outro supermercado que eu adoro e recomendo, eu argumentava que em certos aspectos ele já era melhor e que, no geral, eles se equiparavam. Heresia para muitos, mas era a minha opinião.

Hoje fui fazer compras de mês e, mesmo com a insistência da Fernanda para que eu fizesse no Carrefour por ser mais barato (quase sempre é), relutei e segui para o Super Nosso Gourmet. Dos quatro primeiros itens da lista, encontrei apenas um.

É óbvio que o Super Nosso Gourmet não deixa de ser um excelente supermercado por isso e é notável o esforço da gerente para me atender e oferecer outras marcas em substituição, mas o encanto se perdeu um pouco.

Continuarei comprando no Super Nosso Gourmet, mas não serei mais um defensor apaixonado. Até porque eles concorrem com o Verde Mar e não podem ser apenas bons, precisam ser excelentes sempre. Infelizmente para eles, a margem para erro é mínima.

Escrevi isso tudo porque cada vez mais é difícil conquistar adeptos fiéis e capazes de viralizar o que há de bom em um produto. As empresas que conseguem isso, como a Apple, só para citar o exemplo, merecem muito o nosso aplauso. Eu confesso que sou embaixador da Editora Conrad, do Wii e de outras poucas marcas. O Super Nosso Gourmet ficou bem próximo e o Verde Mar também quase entrou nessa lista, mas ainda falta um detalhe.




Direto na têmpora: Igloo - Karen O and the Kids

Hein?

O cisne, o ganso, o marreco e o pato são leiautes diferentes de uma mesma idéia. O briefing era claro e pedia olhinhos redondos e um grasnar engraçado.

Gostar de nadar era fundamental e as asas para voar também. Pés chatos, penas impermeavéis e o mesmo rebolar desengonçado ao caminhar também eram parte do pedido.

Aí o trabalho foi para quatro equipes diferentes, com designers, engenheiros e sei lá mais o quê. Deu no que deu, quatro idéias com a mesma base, mas completamente diferentes.

Alguns amam a postura meio romântica do cisne, outros adoram o jeito agressivo do ganso. Uns gostam de patos, outros preferem marrecos.

A verdade é que isso começou pra ser uma historinha infantil, depois me pareceu uma alegoria qualquer sobre o Dia do Publicitário e terminou não sendo nem um, nem outro.

Aliás, nem terminou, mas já que eu escrevi até aqui, deixo pra vocês. Quem quiser que continue.




Direto na têmpora: All the wine - The National