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quarta-feira, setembro 28, 2011

#porraivete

Ivete Sangalo está no Rock in Rio. Quer saber? Tudo bem.

Se os panacas Sandy & Junior já estiveram por lá, se o péssimo Carlinhos Brown já esteve por lá e se o excelente jazzista George Benson já esteve por lá, porque a Ivete não poderia estar? Foda-se, é assim que a banda toca e pronto.

Agora, o que me mata é a declaração que a moça deu ao site do O Globo.

"Dalila é a minha música mais heavy metal e vai estar no repertório também. Gosto muito de som pesado. Aliás, o axé tem uns riffs de guitarra, que, se apertar um pouco mais, vira heavy metal. Nada é mais rock'n'roll do que o axé."

Porra, Ivete, tá de sacanagem? Nada é mais rock'n'roll do que axé? Você comeu acarajé estragado, caralho?

Olha, numa boa, não é porque você tá deslocada na festa que precisa cagar na piscina, né, Ivete? Um pouco de respeito com quem gosta de rock, cazzo!

No mais, vai se foder e um abraço da galera que acha que qualquer coisa é mais axé do que rock'n'roll




Direto na têmpora: Salty dog - Flogging Molly

segunda-feira, abril 12, 2010

Todo aquele desejo que eu inventei para você

Charles Barkley foi, na minha opinião, um dos 50 melhores jogadores de basquete de todos os tempos. Além disso, "Sir" Charles é uma peça rara e autor de dezenas de frases espirituosas que serviriam para encher um livro.

Para mim, foi ele quem disse a frase definitiva sobre propaganda e as ilusões que ela cria.

"These are my new shoes. They're good shoes. They won't make you rich like me, they won't make you rebound like me, they definitely won't make you handsome like me. They'll only make you have shoes like me. That's it."

Eu ainda gosto muito de trabalhar com publicidade. É uma daquelas áreas que te permite olhar as coisas por ângulos diferentes, buscar o inusitado ao invés da norma e, principalemnte, não trabalhar de terno. Pelo menos na teoria é assim.

No entanto, eu tenho cada vez mais restrições ao papel da publicidade na sociedade: nós criamos ilusões. Talvez por isso a nova era da comunicação que parece surgir me alivie tanto. Me parece mais "moralmente" correto dialogar com quem tentamos convencer do que iludir a quem tentamos convencer.

Na maior parte do tempo nós não alimentamos o consumidor de informações, não colaboramos com o consumo consciente e nem melhoramos as novas gerações. Pelo menos não de maneira consistente ou remotamente regular. São raríssimos os momentos em que podemos pensar menos no truque e mais no espectador.

Nós vendemos ilusões.

Nossa função não é dizer que o tênis Nike é feito com qualidade (mesmo que por mão de obra infantil). Nossa função é iludir o gordinho sedentário para que ele imagine que um dia será Barkley, LeBron, Messi ou qualquer estrela que ganha milhões enquanto ele usa seus supertênis sentado no sofá em frente à tv.

Nada disso é novo. Não foi Charles Barkley quem me abriu os olhos e essa nem sequer é uma revelação surpreendente ou recente. A gente sempre soube disso. E continuamos inventando desejos e necessidades para os outros.

A verdade é o que o meu ponto não se refere à ética das agências (nisso eu sempre tive sorte). O jogo com os clientes costuma ser limpo e o que me incomoda volta e meia é a essência da profissão.

Não vou deixar de ser publicitário. É o que eu sei fazer, o que faço razoavelmente bem e o que me sustenta. Não me arrependo de ter escolhido este caminho e, mesmo com dúvidas éticas em certos momentos, escrever ainda é um grande prazer, mesmo que seja para anunciar um produto do qual ninguém precisa ou um político pelo qual não tenho admiração.

Esse post é só mesmo um desabafo, um questionamento provavelmente inútil sobre quem eu sou, o que faço e como contribuo para o mundo. Não deve mudar nada a não ser que a comunicação realmente mude. Um atestado de covardia ou de comodismo? Pode ser. Crise existencial? Definitivamente.

Quando Charles Barkley disse aquela frase com a qual abri o post, estava justamente lançando um tênis que lhe rendeu milhões. Ele não recusou o acordo, mesmo sabendo o que estava por trás do seu "empréstimo de imagem".

"Sir" Charles não é inocente e sabe muito bem as regras do jogo. Infelizmente, eu também.




Direto na têmpora: Maybe You Can Owe Me - Architecture In Helsinki

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Sem perdão

Eu não sou especialmente bom em perdoar, seja em coisas grande ou pequenas. É um defeito meu que tento melhorar e que venho conseguido alterar pouquinho, baby steps e tal.

Talvez por isso eu não consiga me colocar no lugar do Ricardo aqui da Tom, que teve a sobrinha de 4 anos assassinada estupidamente(como se houvesse assassinato que não fosse estúpido) por um vizinho de 16.

Eu não consigo imaginar a dor da família ou como estejam lidando com os pais do monstro. Mais do que isso, eu não consigo sequer imaginar que em dois anos ele estará solto por ser menor.

Eu, que sequer faço parte da família, desejo a ele as piores coisas que eu possa desejar a outro ser humano. Eu não me interesso pelos motivos que esse rapaz possa dar e não acredito na justiça. Nesse caso, eu sequer compreendo a recuperação como uma possibilidade ou alternativa de interesse da sociedade.

Eu não sei se o Ricardo e sua família irão perdoar o rapaz. Eu sei que eu não perdoaria e, sinto muito, não me envergonho nem um pouco disso.




Direto na têmpora: You've got the love - Florence and the Machine