quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Sem perdão

Eu não sou especialmente bom em perdoar, seja em coisas grande ou pequenas. É um defeito meu que tento melhorar e que venho conseguido alterar pouquinho, baby steps e tal.

Talvez por isso eu não consiga me colocar no lugar do Ricardo aqui da Tom, que teve a sobrinha de 4 anos assassinada estupidamente(como se houvesse assassinato que não fosse estúpido) por um vizinho de 16.

Eu não consigo imaginar a dor da família ou como estejam lidando com os pais do monstro. Mais do que isso, eu não consigo sequer imaginar que em dois anos ele estará solto por ser menor.

Eu, que sequer faço parte da família, desejo a ele as piores coisas que eu possa desejar a outro ser humano. Eu não me interesso pelos motivos que esse rapaz possa dar e não acredito na justiça. Nesse caso, eu sequer compreendo a recuperação como uma possibilidade ou alternativa de interesse da sociedade.

Eu não sei se o Ricardo e sua família irão perdoar o rapaz. Eu sei que eu não perdoaria e, sinto muito, não me envergonho nem um pouco disso.




Direto na têmpora: You've got the love - Florence and the Machine

22 comentários:

Danuza Falabella disse...

Meu Deus..eu vi o caso na mídia e fiquei chocada..sabendo que é de alguém conhecido fica ainda pior...Maurilo, eu tenho os mesmos pensamentos que vc. E estes pensamentos de ódio contra este tipo de monstruosidade pioraram depois que eu virei mãe. Me dói na alma imaginar a dor dessa família. Mas não sei se esta coisa fica solta...talvez o destino vai ser abraçar o capeta (sem querer fazer apologia a linchamento...)

redatozim disse...

Eu não tenho muita fé na justiça, Danny, infelizmente cada vez mais eu acho que tudo é aleatório.

ndms disse...

Quando se trata de criança tudo é mais difícil. Mando ao Ricardo e familia nossos desejos de que essa tão forte dor seja aplacada pelo tempo e pelas vidas que ficam

redatozim disse...

Estamos todos torcendo por ele, ndms.

Micho en el pais de las maravillas disse...

Eu não acredito na recuperação desse ipo de gente, me doi na alma que pagaremos a dita cuja recuperação com o dinheiro dos nossos impostos.
Eu não perdoaria, nunca e ainda por cima ia lutar com todas as minhas forças para ver esse desgraçado apodrecer na cadeia.
que Deus conforte a família da menina.

redatozim disse...

Pois é, micho, eu sei que soa meio desumano ou intolerante, mas não vejo recuperação também. Certas coisas não tem perdão.

O mundo de Sabrina disse...

POis é, qdo vejo esses casos fico pensando o que seria melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista): prisão perpétua, tortura chinesa ou linchamento em praça pública. E tb não me envergonho nem um pouco por pensar assim.

redatozim disse...

Se você visse o Ricardo, que voltou a trabalhar ontem, só ia potencializar esse sentimento, Sabrina. Revoltante.

Iza disse...

O que mais me chama a atenção é que, em muitos casos, a violência conttra a criança parte de alguém próximo a ela, como no caso da sobrinha do Ricardo em que a violência partiu do vizinho. Assim como a Danuza, essas coisas passaram a me atingir mais depois que me tornei mãe. Além da revolta e do ódio que já sentia antes, passei a sentir também um medo enorme desse tipo de gente. Só depois que tive meu Bernardo é que passei a conseguir dimensionar a dor de pessoas que sofrem uma brutalidade dessas. Desejo muita força para o Ricardo e a família dele.

redatozim disse...

Pois é, Iza, quando a gente tem filhos a empatia e a revolta com esse tipo de coisa cresce demais.

tita disse...

Tenho uma certa trava..fico magoada...
:(

redatozim disse...

é bem ruim mesmo, tita.

Rapha Garcia disse...

Tem horas que eu levanto a mão pro céu e agradeço por ter pessoas que pensam como eu e que não tem um pingo de medo ou receio do que os outros vão pensar.

Penso que você, em certas horas, Marélo, acaba sendo como um porta-voz pra algumas coisas que eu gostaria MUITO de falar mas, por ser novo (tanto de idade como no mercado), não tenho coragem de falar e acabo guardando pra mim.

E é uma pena que eu tenha vindo para o BMG exatamente nesse momento. Imagino como deve estar o Ricardo, que é um cara tão gente boa e tranquilo.

Agora é rezar e mandar boas vibrações à ele e a toda a família dele.

Quanto ao garoto de 16 anos, bom, esse daí eu deixo pra você falar por mim.

redatozim disse...

Rapha, eu falo demais e às vezes me ferro por isso, mas esse é um daqueles casos em que estou pouco me lixando para o que achem. O que esse rapaz fez não merece perdão.

Rapha Garcia disse...

Não acho que você fala demais... acho que você fala CERTO, mas às vezes algumas pessoas acabam discordando de uma forma até "agressiva" por assim dizer.

Eu, enquanto mero "nada" com 23 anos, acredito que ainda não tenho vivência o suficiente pra expor certas opiniões e pontos de vista que eu tenho sobre certas coisas.

Portanto, continue desbocado e falando demais. Nessa, eu pego carona! :D

Sakana-san disse...

Eu não perdoaria também. Não acredito na justiça dos homens e nem tão pouco na justiça divina. :(

redatozim disse...

Rapha, se idade fosse a única métrica para validar maior ou menor capacidade para defender algum ponto de vista, debate se resolvia comparando certidão de nascimento.

redatozim disse...

Também ando cada dia mais descrente, Sakana-san, e no fundo acho isso bem triste.

Mateus Gouvea disse...

Eu acho que tem que cortar os braços e as pernas ou então gerar uma pequena ruptura nas vertebras para que o infeliz só consiga mover a cabeça.

Bom que não iriam ocupar espaço na cadeia. Poderiam ficar em casa.

redatozim disse...

Eu nem sugiro punição, Mateus, mas acho que soltura depois de dois anos na Febem é inadmissível.

Raquel do Carmo disse...

Sou muito a favor do perdão em diferentes situações e ultimamente é uma coisa que tenho buscado muito na minha vida: fazer do perdão algo concreto. Entretanto, para certos acontecimentos como este que corta o coração e atinge profundamente a alma, não vou ser hipócrita de dizer que perdoaria ou seria fácil perdoar. Depois que virei mãe, como muito bem disse a Danuza aí acima, a gente fica mais sensível e se comporta meio que bicho: mata ou morre pra proteger a cria.

redatozim disse...

Eu sou a favor do perdão, mas assumo, tenho dificuldade em perdor, Raquel. Mas, realmente, nesse caso específico, me dou o direito de não perdoar o filho da mãe.