Alguém politicamente incorreto diria que a morte da Amy Winehouse deveria ser seguida de uma pessoa com um cartaz feito toscamente em casa com a mensagem: "Eu já sabia".
Poucas mortes foram tão anunciadas quanto a dela. Todo mundo via, todo mundo sabia que ia acontecer e não era interesse de ninguém fazer nada. Sempre é ruim quando isso acontece, mas infelizmente acho que ainda veremos acontecer outras vezes.
Agora, eu acho uma bobagem imensa compara a morte de Amy com a de Janis, Hendrix, Morrison e Kurt Cobain apenas pela idade. É uma forçação de barra tremenda para arranjar notícia.
Antes de mais nada, Janis, Hendrix e Morrison sim, podem se comparar um ao outro. viveram em uma época de excessos, experimentação, um caso geracional de abuso. Morreram 20 astros do rock como poderiam ter morrido 200. Era uma coisa da época.
Ninguém poderia, por exemplo, apontar o dedo para Hendrix e dizer "esse cara está exagerado" quando do lado dele estavam Keith Richards, Eric Clapton e Jimmy Paige. Os que morreram pegavam pesado, mas a maioria dos que sobreviveram também.
No caso de Amy, não. Estamos na época de um bom-mocismo exagerado e ela chamava a atenção justamente porque tinha um problema. Era a exceção, e não a regra, o que deixa ainda mais flagrante o fato de que ninguém se importou em ajudá-la.
São épocas diferentes, realidades diferentes, motivos diferentes. A única coisa em comum é a idade, oq eu me parece muito pouco para criar uma ligação. John Bonham e Keith Moon morreram ambos com 32 anos e têm tanto em comum com a Amy quanto qualquer um dos outros.
Acho que a morte de Amy teria mais a ver com a de Kurt Cobain. A incapacidade de lidar com a fama, a pressão da imprensa, o escrutínio público. Ele escolheu a arma e ela usou outros meios.
Acredito mesmo que Amy está mais para o suicídio de Kurt do que para a consequência de um estilo de vida comum ao ambiente e à época dos outros três.
Dito tudo isto, é apenas a minha opinião. E só é uma pena mesmo não poder esperar mais canções cantadas por aquela bela voz.
Direto na têmpora: Infinity milk - Dananananaykroyd
segunda-feira, julho 25, 2011
sexta-feira, julho 22, 2011
Filmezinho lindo pro final de semana
Jean-François (2009) from tom haugomat & bruno mangyoku on Vimeo.
Direto na têmpora: The end - Flood
quinta-feira, julho 21, 2011
Tentativa de assassinato
Ontem minha mulher tentou me matar. Eu sei, se você me conhece deve estar pensando "porra, como demorou...", mas pra mim ainda foi uma surpresa.
Não sei se foi porque ela ficou sabendo do meu seguro de vida ou simplesmente porque ela cansou de me carregar nas costas, mas ontem Fernanda, se aproveitando do meu frágil estado físico e das alucinações criadas pelo Trimedal, me ofereceu um remedinho ótimo pra febre e dor no corpo.
Aceitei na hora, mandei pra dentro a pílula maldita e fui acordar uma hora da manhã com dificuldade de respirar, o nariz fechado e os olhos inchados.
Voltei ao meu leito de morte, deitei e esperei pacientemente pelo pior.
Felizmente para mim e infelizmente para a crudelíssima esposa, não foi dessa vez ainda que a Morte venceu o nojinho e me levou. Acordei debilitado, mas disposto a descobrir a verdade e fucei o lixo até achar a embalagem do remédio que dizia claramente: CONTRA-INDICADO PARA PESSOAS ALÉRGICAS AO ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO.
Sobrevivi, mas temo que a ousadia da Fernanda não tenha limites. Estou mudando meu seguro de vida agora, mas se o pior acontecer conto com vocês para que nenhum centavo chegue aos bolsos da assassina.
Nem sequer um centavinho!!!
Este é o rosto de um homem vivo apenas por milagre.
Direto na têmpora: All mine - Portishead
Não sei se foi porque ela ficou sabendo do meu seguro de vida ou simplesmente porque ela cansou de me carregar nas costas, mas ontem Fernanda, se aproveitando do meu frágil estado físico e das alucinações criadas pelo Trimedal, me ofereceu um remedinho ótimo pra febre e dor no corpo.
Aceitei na hora, mandei pra dentro a pílula maldita e fui acordar uma hora da manhã com dificuldade de respirar, o nariz fechado e os olhos inchados.
Voltei ao meu leito de morte, deitei e esperei pacientemente pelo pior.
Felizmente para mim e infelizmente para a crudelíssima esposa, não foi dessa vez ainda que a Morte venceu o nojinho e me levou. Acordei debilitado, mas disposto a descobrir a verdade e fucei o lixo até achar a embalagem do remédio que dizia claramente: CONTRA-INDICADO PARA PESSOAS ALÉRGICAS AO ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO.
Sobrevivi, mas temo que a ousadia da Fernanda não tenha limites. Estou mudando meu seguro de vida agora, mas se o pior acontecer conto com vocês para que nenhum centavo chegue aos bolsos da assassina.
Nem sequer um centavinho!!!
Este é o rosto de um homem vivo apenas por milagre.
Direto na têmpora: All mine - Portishead
quarta-feira, julho 20, 2011
O maior ladrão que você já viu
A casa do meu pai esteve alugada durante um tempo para uma família de picaretas. A coisa foi tão séria que eles foram despejados, disseram na frente do juiz que não iriam pagar porque não queriam e hoje não podem ter nada em nome deles sob pena de confisco de bens (outro dia mesmo rolou uam graninha confiscada na conta de um deles).
São picaretas assumidos que vivem como não podem e que mostram total desrespeito pelos outros. Depois que eles saíram da casa, por exemplo, um jardineiro bastante humilde apareceu na porta para cobrar um dinheiro, coisa de 200 reais que deviam a ele. Pior, o cara estava armado.
Mas o melhor deles foi o patriarca dos vagabundos que visitou nosso vizinho de frente, dono de um posto de gasolina, e se identificou como sendo o proprietário da casa do meu pai.
Combinou com ele de usar o posto e "anotar" seus gastos para pagar mensalmente.
Resultado? Quando foi despejado, deixou um débito de mais de 7 mil reais em sua continha do posto. E olha que isso já faz pelo menos 10 anos.
Por que estou contando essa história? Porque procurei os ladrões na internet e sabe o que descobri? Duas amigas minhas são amigas dos caras. Será que eu aviso?
Direto na têmpora: Strings break - The Union Trade
São picaretas assumidos que vivem como não podem e que mostram total desrespeito pelos outros. Depois que eles saíram da casa, por exemplo, um jardineiro bastante humilde apareceu na porta para cobrar um dinheiro, coisa de 200 reais que deviam a ele. Pior, o cara estava armado.
Mas o melhor deles foi o patriarca dos vagabundos que visitou nosso vizinho de frente, dono de um posto de gasolina, e se identificou como sendo o proprietário da casa do meu pai.
Combinou com ele de usar o posto e "anotar" seus gastos para pagar mensalmente.
Resultado? Quando foi despejado, deixou um débito de mais de 7 mil reais em sua continha do posto. E olha que isso já faz pelo menos 10 anos.
Por que estou contando essa história? Porque procurei os ladrões na internet e sabe o que descobri? Duas amigas minhas são amigas dos caras. Será que eu aviso?
Direto na têmpora: Strings break - The Union Trade
terça-feira, julho 19, 2011
segunda-feira, julho 18, 2011
Boa ideia
Cinco observações sobre boas ideias para qualquer um que use a criatividade no seu cotidiano.
1) Não se apegue demais a uma boa ideia, mas também não deixe que ela se perca à toa.
2) Entenda que a boa ideia é obrigação, mas que a ideia genial é sempre a soma de mais fatores do que se pode controlar.
3) Uma boa ideia não precisa ser sua para ser boa. E se for de outro, contribua para que ela seja uma ideia ainda melhor.
4) Boas ideias de alguém sem repertório tendem a se transformar em repetições da mesma ideia.
5) Tecnologia viabiliza propostas, abre caminhos, cria possibilidades, mas o trabalho de ter a boa ideia continua sendo seu.
Direto na têmpora: Movin' On Up - Primal Scream
1) Não se apegue demais a uma boa ideia, mas também não deixe que ela se perca à toa.
2) Entenda que a boa ideia é obrigação, mas que a ideia genial é sempre a soma de mais fatores do que se pode controlar.
3) Uma boa ideia não precisa ser sua para ser boa. E se for de outro, contribua para que ela seja uma ideia ainda melhor.
4) Boas ideias de alguém sem repertório tendem a se transformar em repetições da mesma ideia.
5) Tecnologia viabiliza propostas, abre caminhos, cria possibilidades, mas o trabalho de ter a boa ideia continua sendo seu.
Direto na têmpora: Movin' On Up - Primal Scream
sexta-feira, julho 15, 2011
Um grande favor
Por favor, assista isso e me convide pra fazer um projeto duca.
I mean it!
Direto na têmpora: Advertisements - Eden Ants
I mean it!
Direto na têmpora: Advertisements - Eden Ants
Direito divino
Anda circulando um texto de Eliane Brum, da revista Época, com o título "Meu filho, você não merece nada".
O texto é muito bacana e é interessante como reflete o microcosmo da publicidade. Cada vez mais vemos alguns jovens não especialmente talentosos adentrando a profissão e cobrando reconhecimento / valorização / salários iguais aos de profissionais experientes, premiados e reconhecidos.
É lógico que existem profissionais extremamente jovens e que demonstram uma maturidade impressionante, uma qualidade de texto ou leiaute acima da média. São as exceções e, normalmente, são também os mais humildes.
Humildes porque sabem que possuem o talento para ir mais longe e que não é vergonha aprender com os outros. Não precisam vestir a fantasia de gênio e inventar um brilho que ainda não têm.
Ah, meus jovens publicitários, como me dói dizer que vocês estão caindo no conto da celebridade instantânea do BBB. Como eu acho triste ter que explicar que ninguém é Pelé tendo jogado só cinco partidas. Uma carreira se constrói ganhando um leão por dia ou pelo menos mostrando que se dá conta do recado em campanhas nacionais e cartões de natal igualmente.
O melhor favor que já me fizeram foi olharem meu portifólio e dizerem: "tá legal, mas você precisa sair dessa fase de trocadilhos e piadinhas" quando eu tinha 3 anos de profissão. Fiquei puto, mas calei, escutei e aprendi. Poucos conselhos me serviram tanto.
Por isso, se algum dia alguém te disser que você não é assim tão bom quanto acha, não fique bravo. Não o chame de burro, não se ache um injustiçado e nem faça beicinho.
Entenda o que está sendo dito. Peça uma segunda, uma terceira, uma quarta opinião se for preciso, mas não feche os olhos.
Acredite, só porque você se acha um gênio, não quer dizer que seja verdade.
Direto na têmpora: All in white - The Vaccines
O texto é muito bacana e é interessante como reflete o microcosmo da publicidade. Cada vez mais vemos alguns jovens não especialmente talentosos adentrando a profissão e cobrando reconhecimento / valorização / salários iguais aos de profissionais experientes, premiados e reconhecidos.
É lógico que existem profissionais extremamente jovens e que demonstram uma maturidade impressionante, uma qualidade de texto ou leiaute acima da média. São as exceções e, normalmente, são também os mais humildes.
Humildes porque sabem que possuem o talento para ir mais longe e que não é vergonha aprender com os outros. Não precisam vestir a fantasia de gênio e inventar um brilho que ainda não têm.
Ah, meus jovens publicitários, como me dói dizer que vocês estão caindo no conto da celebridade instantânea do BBB. Como eu acho triste ter que explicar que ninguém é Pelé tendo jogado só cinco partidas. Uma carreira se constrói ganhando um leão por dia ou pelo menos mostrando que se dá conta do recado em campanhas nacionais e cartões de natal igualmente.
O melhor favor que já me fizeram foi olharem meu portifólio e dizerem: "tá legal, mas você precisa sair dessa fase de trocadilhos e piadinhas" quando eu tinha 3 anos de profissão. Fiquei puto, mas calei, escutei e aprendi. Poucos conselhos me serviram tanto.
Por isso, se algum dia alguém te disser que você não é assim tão bom quanto acha, não fique bravo. Não o chame de burro, não se ache um injustiçado e nem faça beicinho.
Entenda o que está sendo dito. Peça uma segunda, uma terceira, uma quarta opinião se for preciso, mas não feche os olhos.
Acredite, só porque você se acha um gênio, não quer dizer que seja verdade.
Direto na têmpora: All in white - The Vaccines
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quinta-feira, julho 14, 2011
Boitatá
Eu e Sophia fomos gravar essa musiquinha que eu compus na Audio 40, do Ivan Cruvinel.
Eu fiz a letra e a música, o Ivan instrumentalizou e fez todo o arranjo, a Sophia gritou e eu cantei. Eu sei, não tenho vergonha na cara, mas a baixinha adora.
Boitatá by mauriloandreas
Direto na têmpora: Brand new love - Superchunk
Eu fiz a letra e a música, o Ivan instrumentalizou e fez todo o arranjo, a Sophia gritou e eu cantei. Eu sei, não tenho vergonha na cara, mas a baixinha adora.
Boitatá by mauriloandreas
Direto na têmpora: Brand new love - Superchunk
quarta-feira, julho 13, 2011
Confiança
O basquete é um esporte em grupo, mas alguns caras fazem dele um show individual. E se tem uma lição para tirar de caras como Jordan e Bird é que a confiança, quando é bancada pelo talento, pode desestruturar quem tinha alguma dúvida sobre você.
O grande problema é que confiança se constrói com o tempo, mas pode ser abalada por detalhes se ela é apenas fachada.
A lição por trás disso tudo? Sei lá, só queria mostrar esses dois videos.
Dikembe Murombo desafiou Jordan a fazer um lance livre de olhos fechados. Resultado? Bam!
Faltando 13 segundos para o fim do jogo, Bird avisa o grande defensor Xavier McDaniel que vai arremessar na cara dele a um segundo do final. Acertou o arremesso e reclamou que deixou 2 segundos no relógio.
Direto na têmpora: Lost weekend - Art Brut
O grande problema é que confiança se constrói com o tempo, mas pode ser abalada por detalhes se ela é apenas fachada.
A lição por trás disso tudo? Sei lá, só queria mostrar esses dois videos.
Dikembe Murombo desafiou Jordan a fazer um lance livre de olhos fechados. Resultado? Bam!
Faltando 13 segundos para o fim do jogo, Bird avisa o grande defensor Xavier McDaniel que vai arremessar na cara dele a um segundo do final. Acertou o arremesso e reclamou que deixou 2 segundos no relógio.
Direto na têmpora: Lost weekend - Art Brut
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terça-feira, julho 12, 2011
As crianças que me fizeram virar tubérculo
Este é o último ano da Sophia no Clic. Já estou morrendo de saudades antecipadas daquele lugar que me transformou em tubérculo e que ajudou a Sophia a se tornar confiante, articulada, independente e curiosa como ela é.
Com as crianças do Clic eu virei o Batatão e me sinto quase mais um deles. Conheci e me tornei amigos de seus pais, me senti parte da escola e da comunidade.
Já fiz música para eles, já escrevi textos para eles e hoje estive lá, contando história para eles.
Essa meninada faz parte da minha vida. E como é bom receber cada abraço, cada grito, cada beijo "espontâneo" que arranco deles.
Acho que eu ainda preciso aprender que tudo passa, que as coisas mudam. O Clic ensinou isso pra Sophia, mas parece que essa aula eu perdi.
Direto na têmpora: Fripp - Catherine Wheel
Com as crianças do Clic eu virei o Batatão e me sinto quase mais um deles. Conheci e me tornei amigos de seus pais, me senti parte da escola e da comunidade.
Já fiz música para eles, já escrevi textos para eles e hoje estive lá, contando história para eles.
Essa meninada faz parte da minha vida. E como é bom receber cada abraço, cada grito, cada beijo "espontâneo" que arranco deles.
Acho que eu ainda preciso aprender que tudo passa, que as coisas mudam. O Clic ensinou isso pra Sophia, mas parece que essa aula eu perdi.
Direto na têmpora: Fripp - Catherine Wheel
segunda-feira, julho 11, 2011
Menos um grande
Jackson Drummond Zuim morreu no último sábado, foi cremado ontem e eu só soube hoje. Não pude me despedir do cara que, se não era um amigo próximo, foi fundamental em minha carreira.
Zuim era talentoso, engraçado, generoso e marcou uma época da publicidade em Minas Gerais.
Conheci seus casos antes de conhecê-lo e, mesmo com pouco tempo de contato, recebi dele uma ajuda para mudar de emprego. Quando cheguei na nova agência, passei três meses com salários atrasados, uma estrutura péssima e liguei de novo pra ele e sua voz de baixo profundo.
- Porra, Zuim, esse lugar é uma zona, os caras não pagam, assim não dá.
- Ô, Barão (Barão era como Zuim chamava todo mundo), cê tá insatisfeito?
- Tô, Zuim, aqui é muito ruim.
- Então peraí.
E em menos de dois dias eu estava saindo daquele lugar para um emprego novo e muito melhor onde fiquei mais de dois anos.
Agora, foi-se embora o Zuim. A última vez que o encontrei foi em 2008 e escrevi isso aqui.
Hoje, não tenho a dizer além de um muito obrigado e vai com Deus a um dos grandes redatores que Minas já teve.
Direto na têmpora: One fine day - Cracker
Zuim era talentoso, engraçado, generoso e marcou uma época da publicidade em Minas Gerais.
Conheci seus casos antes de conhecê-lo e, mesmo com pouco tempo de contato, recebi dele uma ajuda para mudar de emprego. Quando cheguei na nova agência, passei três meses com salários atrasados, uma estrutura péssima e liguei de novo pra ele e sua voz de baixo profundo.
- Porra, Zuim, esse lugar é uma zona, os caras não pagam, assim não dá.
- Ô, Barão (Barão era como Zuim chamava todo mundo), cê tá insatisfeito?
- Tô, Zuim, aqui é muito ruim.
- Então peraí.
E em menos de dois dias eu estava saindo daquele lugar para um emprego novo e muito melhor onde fiquei mais de dois anos.
Agora, foi-se embora o Zuim. A última vez que o encontrei foi em 2008 e escrevi isso aqui.
Hoje, não tenho a dizer além de um muito obrigado e vai com Deus a um dos grandes redatores que Minas já teve.
Direto na têmpora: One fine day - Cracker
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sexta-feira, julho 08, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
Bom dia, Sophia
O mau humor matutino da Sophia está praticamente extinto e eu acho que a Fluffy tem muito a ver com isso.
Hoje, por exemplo, ela acordou, olhou pra mim e disse apenas uma palavra, com voz de zumbi:
- Marzipã...
Direto na têmpora: Stand inside your love - Smashing Pumpkins
Hoje, por exemplo, ela acordou, olhou pra mim e disse apenas uma palavra, com voz de zumbi:
- Marzipã...
Direto na têmpora: Stand inside your love - Smashing Pumpkins
quarta-feira, julho 06, 2011
Poeminha transitório
Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava emparedar
Com paredes, com paredes de titânio
Só pra BHTrans não vir me incomodar
Direto na têmpora: This love - Pantera
Eu mandava, eu mandava emparedar
Com paredes, com paredes de titânio
Só pra BHTrans não vir me incomodar
Direto na têmpora: This love - Pantera
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terça-feira, julho 05, 2011
Emocionado
Ando meio emocionado demais. Um negócio meio sem explicação de chorar em despedidas, do coração bater mais rápido com qualquer sorriso da filha, de parecer adolescente diante de tantos projetos bacanas.
Talvez seja sinal de que alcancei enfim a imaturidade, assim mesmo, orgulhosamente com "i". Imaturidade que me faz achar tudo maior, que me deixa mais espantado, menos acostumado.
A dor anda machucando mais, o riso anda mais verdadeiro e até mesmo a raiva de alguma coisa vem mais pura.
Não sei se dura, mas é assim que ando nesses dias: meio emocionado demais da conta.
Direto na têmpora: Supersonic - Oasis
Talvez seja sinal de que alcancei enfim a imaturidade, assim mesmo, orgulhosamente com "i". Imaturidade que me faz achar tudo maior, que me deixa mais espantado, menos acostumado.
A dor anda machucando mais, o riso anda mais verdadeiro e até mesmo a raiva de alguma coisa vem mais pura.
Não sei se dura, mas é assim que ando nesses dias: meio emocionado demais da conta.
Direto na têmpora: Supersonic - Oasis
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segunda-feira, julho 04, 2011
Animais
Lendo para a minha Sophia:
- A baleia azul é o maior animal do mundo...
- Não é!
- É sim, Sophie.
- Não é!
- Qual é o maior animal então?
- O Skandiossauro.
- Skandiossauro? Que bicho é esse?
- Eu que inventei e ele vai do chão até o céu. É maior que a baleia ou não é?
Direto na têmpora: Menina do mato - Ruy Maurity
- A baleia azul é o maior animal do mundo...
- Não é!
- É sim, Sophie.
- Não é!
- Qual é o maior animal então?
- O Skandiossauro.
- Skandiossauro? Que bicho é esse?
- Eu que inventei e ele vai do chão até o céu. É maior que a baleia ou não é?
Direto na têmpora: Menina do mato - Ruy Maurity
sexta-feira, julho 01, 2011
A greve e o twitter
A NBA está de greve. Ruim para os fãs, ruim para a Liga e, provavelmente, ruim para os donos e jogadores.
A única coisa boa é rir do ridículo que a situação gera. Por exemplo, o jornalista Ric Bucher acaba de twittar o seguinte:
"NBA GMs/coaches can still follow their players on Twitter during lockout. But a mention or re-tweet? $1 million fine + maybe loss of picks."
Se você não fala inglês, o textinho singelo diz que técnicos e General Managers dos times podem seguir os jogadores no Twitter, mas se retuitarem algo de autoria ou mencionarem os jogadores, podem levar multa de um milhão de dólares e ainda perder seu direito a escolha no draft.
Lógico que isso gerou piadas como: "se um técnico quiser cutucar um jogador no FB ele pode?". Mas a coisa é mais séria.
A situação, que realmente parece ridícula, mostra que as redes sociais já não são coisinha de meninada como muitos pensam, mas um meio de comunicação e interação que precisa ser levado em conta em qualquer processo coletivo, seja ele institucional, organizacional ou mercadológico.
E não dá mais pra fugir disso.
Direto na têmpora: Balloons - Foals
A única coisa boa é rir do ridículo que a situação gera. Por exemplo, o jornalista Ric Bucher acaba de twittar o seguinte:
"NBA GMs/coaches can still follow their players on Twitter during lockout. But a mention or re-tweet? $1 million fine + maybe loss of picks."
Se você não fala inglês, o textinho singelo diz que técnicos e General Managers dos times podem seguir os jogadores no Twitter, mas se retuitarem algo de autoria ou mencionarem os jogadores, podem levar multa de um milhão de dólares e ainda perder seu direito a escolha no draft.
Lógico que isso gerou piadas como: "se um técnico quiser cutucar um jogador no FB ele pode?". Mas a coisa é mais séria.
A situação, que realmente parece ridícula, mostra que as redes sociais já não são coisinha de meninada como muitos pensam, mas um meio de comunicação e interação que precisa ser levado em conta em qualquer processo coletivo, seja ele institucional, organizacional ou mercadológico.
E não dá mais pra fugir disso.
Direto na têmpora: Balloons - Foals
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quinta-feira, junho 30, 2011
Barata
Ontem surgiu uma barata na pia do banheiro lá de casa e Fernanda e Sophia quase dissolveram de tanto berrar. Enquanto eu matava a criatura nojenta, Sophia mostrava toda a sua revolta:
- Mas, mãe, por que essa barata tá querendo entrar aqui em casa com esse frio!? Por quê!? Será que ela veio pegar ração da Fluffy!?
Direto na têmpora: Busted - The Black Keys
- Mas, mãe, por que essa barata tá querendo entrar aqui em casa com esse frio!? Por quê!? Será que ela veio pegar ração da Fluffy!?
Direto na têmpora: Busted - The Black Keys
quarta-feira, junho 29, 2011
10 dúvidas que eu tive hoje
1) Se eu fingir e acreditar muito que a Nossa Senhora do Carmo não existe ela desaparece de verdade?
2) É a marca que define o seu público ou é o público que define uma marca?
3) A pessoa que deixa o cachorro fazer cocô na rua e não limpa pode ser considerado menos racional do que o próprio cachorro?
4) A sua verdade precisa mesmo ser a minha verdade também?
5) Será que algum dia as pessoas vão entender que eleger um político requer um pouco mais de consciência do que escolher o vencedor do BBB?
6) Ainda é possível comprar um tênis Montreal com antimicrobial?
7) Por que torresmo é tão bom se faz tão mal?
8) É falta de educação avisar para alguém que ele (ou ela) é extremamente chato (ou chata)?
9) Por que chá de losna faz tão bem se é tão ruim?
10) Já posso ir embora?
Direto na têmpora: She blinded me with science - Thomas Dolby
2) É a marca que define o seu público ou é o público que define uma marca?
3) A pessoa que deixa o cachorro fazer cocô na rua e não limpa pode ser considerado menos racional do que o próprio cachorro?
4) A sua verdade precisa mesmo ser a minha verdade também?
5) Será que algum dia as pessoas vão entender que eleger um político requer um pouco mais de consciência do que escolher o vencedor do BBB?
6) Ainda é possível comprar um tênis Montreal com antimicrobial?
7) Por que torresmo é tão bom se faz tão mal?
8) É falta de educação avisar para alguém que ele (ou ela) é extremamente chato (ou chata)?
9) Por que chá de losna faz tão bem se é tão ruim?
10) Já posso ir embora?
Direto na têmpora: She blinded me with science - Thomas Dolby
terça-feira, junho 28, 2011
Escritor, eu?
Em 2010 eu lancei três livros infantis. Há cerca de 6 anos eu já havia bancado a edição de um livro de casos, crônicas e historinhas com 300 unidades. Se tudo der certo, lanço pelo menos mais dois títulos em 2011. Volta e meia escrevo poesias e algum arremedo de literatura aqui no Pastelzinho.
Ainda assim, não consigo me ver como escritor.
A verdade é que minha renda vem da publicidade e meu tempo é dedicado à propaganda. Literatura é apenas um hobby que começa a ganhar força e, Deus queira, pode um dia se tornar algo maior.
Por isso me sinto tão sem graça quando participo de eventos literários, entrevistas ou mesmo me pedem dicas sobre a função de escritor. Sobre publicidade eu já acho que tenho mais a dizer e até ando falando bastante sobre isso, mas literatura? Sei lá, não me sinto escritor. Nestas situações me vejo mais ou menos como um peladeiro chamado a falar sobre como funciona o futebol profissional.
Na verdade não importa. Gosto de escrever meus pastéis, de inventar minhas historinhas, de arriscar meus contos, crônicas e ensaios. Escrevo por prazer e cada vez quero escrever mais.
E talvez aí, sim, nesse sentido, eu possa enxergar em mim um escritor.
Direto na têmpora: Give me back my man - The B-52s
Ainda assim, não consigo me ver como escritor.
A verdade é que minha renda vem da publicidade e meu tempo é dedicado à propaganda. Literatura é apenas um hobby que começa a ganhar força e, Deus queira, pode um dia se tornar algo maior.
Por isso me sinto tão sem graça quando participo de eventos literários, entrevistas ou mesmo me pedem dicas sobre a função de escritor. Sobre publicidade eu já acho que tenho mais a dizer e até ando falando bastante sobre isso, mas literatura? Sei lá, não me sinto escritor. Nestas situações me vejo mais ou menos como um peladeiro chamado a falar sobre como funciona o futebol profissional.
Na verdade não importa. Gosto de escrever meus pastéis, de inventar minhas historinhas, de arriscar meus contos, crônicas e ensaios. Escrevo por prazer e cada vez quero escrever mais.
E talvez aí, sim, nesse sentido, eu possa enxergar em mim um escritor.
Direto na têmpora: Give me back my man - The B-52s
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segunda-feira, junho 27, 2011
O dia dela
Por toda a diferença que você fez na minha vida, pelo seu carinho, pelo seu amor incondicional, pela preocupação, pelo cuidado, pela forma como cuida de nossas coisas, pela filha maravilhosa que fez comigo, pela família que trouxe para mim, pelo perdão, pelo agradecimento, pelos beijos, pela viagens, pelo passado, pelo futuro e, principalmente pelo nosso tempo presente, muito obrigado, minha Fer.
E um aniversário maravilhoso para você.
Direto na têmpora: Walkabout - Sugarcubes
E um aniversário maravilhoso para você.
Direto na têmpora: Walkabout - Sugarcubes
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homenagem
domingo, junho 26, 2011
Quatro dias com elas
Acabo de passar quatro dias inteiros com Sophia e Fernanda. Um prazer temporão que me trouxe, além de momentos deliciosos, duas pérolas e uma grande certeza:
Pérola 1
Sempre que Sophia vai a Ouro Preto, passamos na chocolateria e a casa fica repleta de doces e guloseimas da tia Rosa. Por isso eu nem estranhei tanto quando, no meio de uma conversa, Sophia perguntou:
- Toda vez que a gente vai a Ouro Preto é Páscoa?
Pérola 2
Fernanda e eu estávamos brigando com Sophia por alguma coisa relacionada à Fluffy (nossa cadelinha) e, já sem paciência, ameaçamos:
- Sophia, se isso continuar nós vamos ter que devolver a Fluffy, é isso que você quer?
- Não...
- Então quantas chances a gente vai ter que dar pra você mostrar que é responsável pra cuidar dela?
E a baixinha, pensativa:
- Só uma... quer dizer, melhor duas!
Grande certeza
Se existem pessoas muito agitadas que são 220 volts a Sophia é, no mínimo, plutônio enriquecido.
Direto na têmpora: I might - Wilco
Pérola 1
Sempre que Sophia vai a Ouro Preto, passamos na chocolateria e a casa fica repleta de doces e guloseimas da tia Rosa. Por isso eu nem estranhei tanto quando, no meio de uma conversa, Sophia perguntou:
- Toda vez que a gente vai a Ouro Preto é Páscoa?
Pérola 2
Fernanda e eu estávamos brigando com Sophia por alguma coisa relacionada à Fluffy (nossa cadelinha) e, já sem paciência, ameaçamos:
- Sophia, se isso continuar nós vamos ter que devolver a Fluffy, é isso que você quer?
- Não...
- Então quantas chances a gente vai ter que dar pra você mostrar que é responsável pra cuidar dela?
E a baixinha, pensativa:
- Só uma... quer dizer, melhor duas!
Grande certeza
Se existem pessoas muito agitadas que são 220 volts a Sophia é, no mínimo, plutônio enriquecido.
Direto na têmpora: I might - Wilco
quarta-feira, junho 22, 2011
Até segunda
Então, até segunda e fiquem com um filme muito bacana. Passa rápido mesmo. Beijos.
Direto na têmpora: Life is life - Noah and The Whale
Last Day Dream from Chris Milk on Vimeo.
Direto na têmpora: Life is life - Noah and The Whale
Autoria
Meu amigo e compadre Rogério Fernandes é um artista com identidade própria. Basta bater o olho em uma de suas peças para saber que ele é o autor.
Luis Fernando Veríssimo é outro. Mesmo com tantos textos falsos rodando pela internet como sendo de sua autoria, é facil separar o joio do trigo simplesmente porque Veríssimo tem um estilo muito próprio.
Ser identificado como autor de uma obra ao primeiro contato é, na minha opinião, sinal de maturidade artística. É conhecer de perto o seu talento e testar seus limites sem correr o risco de se perder.
Exemplificando por algo ruim, é como a trincheira da Nossa Senhora do Carmo. Quando você vê os carros e os ônibus tendo que se cruzar em "X" para que cada um chegue à sua pista e o transtorno que isso causa no trânsito de toda a região, você sabe na hora que é uma obra da BHTrans.
Os caras arrebentam.
Direto na têmpora: Throwing things - Superchunk
Luis Fernando Veríssimo é outro. Mesmo com tantos textos falsos rodando pela internet como sendo de sua autoria, é facil separar o joio do trigo simplesmente porque Veríssimo tem um estilo muito próprio.
Ser identificado como autor de uma obra ao primeiro contato é, na minha opinião, sinal de maturidade artística. É conhecer de perto o seu talento e testar seus limites sem correr o risco de se perder.
Exemplificando por algo ruim, é como a trincheira da Nossa Senhora do Carmo. Quando você vê os carros e os ônibus tendo que se cruzar em "X" para que cada um chegue à sua pista e o transtorno que isso causa no trânsito de toda a região, você sabe na hora que é uma obra da BHTrans.
Os caras arrebentam.
Direto na têmpora: Throwing things - Superchunk
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Rogério Fernandes
terça-feira, junho 21, 2011
Atendimento
Eu já disse e repito: eu posso criticar algum profissional de atendimento, mas nunca a profissão de atendimento.
É fundamental ter alguém que consiga combinar firmeza, flexibilidade e argumentar sem se deixar levar pela emoção e avaliando até onde a argumentação pode ir sem prejudicar agência ou cliente.
Resumindo, um bom atendimento e um bom revisor valem ouro para redatores (ou pelo menos para mim).
Daí que me lembrei de um certo dono de agência que reuniu sua equipe de criativos para opinar sobre a equipe de atendimento. A pergunta foi direta:
- Qual o melhor profissional de atendimento da agência na opinião de vocês?
A resposta foi unânime:
- Fulana de Tal.
O dono pareceu ficar intrigado com a resposta e aí argumentou-se que a pessoa em questão sabia ser firme com o cliente, defendia as ideias e, ao mesmo tempo, sabia trazer feedbacks negativos de forma clara, além de manter todos sempre a par do andamento dos trabalhos.
O dono pensou e respondeu:
- Engraçado, eu prefiro Beltrana de Tal. Se eu ligo pra elas as quatro da manhã ela atende, a outra não.
Em meio ao olhar incrédulo e rompendo o silêncio dos criativos uma voz surgiu para resumir a situação.
- Então você precisa é de um amigo, pô, não é de um atendimento.
Reunião encerrada.
Direto na têmpora: Brainstorm - Arctic Monkeys
É fundamental ter alguém que consiga combinar firmeza, flexibilidade e argumentar sem se deixar levar pela emoção e avaliando até onde a argumentação pode ir sem prejudicar agência ou cliente.
Resumindo, um bom atendimento e um bom revisor valem ouro para redatores (ou pelo menos para mim).
Daí que me lembrei de um certo dono de agência que reuniu sua equipe de criativos para opinar sobre a equipe de atendimento. A pergunta foi direta:
- Qual o melhor profissional de atendimento da agência na opinião de vocês?
A resposta foi unânime:
- Fulana de Tal.
O dono pareceu ficar intrigado com a resposta e aí argumentou-se que a pessoa em questão sabia ser firme com o cliente, defendia as ideias e, ao mesmo tempo, sabia trazer feedbacks negativos de forma clara, além de manter todos sempre a par do andamento dos trabalhos.
O dono pensou e respondeu:
- Engraçado, eu prefiro Beltrana de Tal. Se eu ligo pra elas as quatro da manhã ela atende, a outra não.
Em meio ao olhar incrédulo e rompendo o silêncio dos criativos uma voz surgiu para resumir a situação.
- Então você precisa é de um amigo, pô, não é de um atendimento.
Reunião encerrada.
Direto na têmpora: Brainstorm - Arctic Monkeys
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segunda-feira, junho 20, 2011
Minha velhinha
Sophia reclama muito às vezes. Em certo dias ela entra numa onda de criticar e achar tudo ruim que é osso.
Por causa disso, outro dia eu falei que ela parecia uma velha e comecei a chamá-la de "minha velhinha". Acho que acertei algum ponto dolorido, porque a reação da menina foi botar as mão zinhas na cintura, fazer sua cara de maior deboche e disparar.
- Eu não gosto que me chame de velhinha. Você é que é velhinho, viu, seu velho coroco!
O pior é que ela não falou com raiva, nem falta de educação, foi só mesmo pra apontar a ironia de um "velho" como eu chamar uma menina de 5 anos de idosa. Ri tanto que nem consegui brigar.
Direto na têmpora: The bottom line - Big Audio Dynamite
Por causa disso, outro dia eu falei que ela parecia uma velha e comecei a chamá-la de "minha velhinha". Acho que acertei algum ponto dolorido, porque a reação da menina foi botar as mão zinhas na cintura, fazer sua cara de maior deboche e disparar.
- Eu não gosto que me chame de velhinha. Você é que é velhinho, viu, seu velho coroco!
O pior é que ela não falou com raiva, nem falta de educação, foi só mesmo pra apontar a ironia de um "velho" como eu chamar uma menina de 5 anos de idosa. Ri tanto que nem consegui brigar.
Direto na têmpora: The bottom line - Big Audio Dynamite
sexta-feira, junho 17, 2011
Para isso fomos feitos
Eu acho simplesmente maravilhoso o Poema de Natal do Vinícius de Moraes. Hoje pensei muito nele e resolvi fazer algo inspirado, mas nem sequer próximo à obra-prima.
Um dia descobrirás que tuas mãos foram feitas para o carinho, embora saibam também agredir, mutilar, afastar.
Que tua boca foi feita para o beijo, embora insista ainda em ofender, negar e mentir.
Que teus pés foram feitos para seguir sonhos, embora tenham aprendido (talvez rápido demais) a fugir, pisar e chutar.
Descobrirás, um dia, que teus olhos foram feitos para toda a sorte de lágrimas, alegres ou não, e que teu ombro foi feito para o consolo.
Que tua garganta foi feita para o grito de "eu te amo" e para o sussurro de "não me deixes".
Que tua força foi feita para ajudar quem não a tem.
Um dia descobrirás que teu coração foi feito somente para ser pleno, que teu prazer foi feito cuidadosamente para o outro.
E tu, apesar de toda a dor que existe, foste inteiro feito para a alegria.
Direto na têmpora: Man on the moon - R.E.M.
Um dia descobrirás que tuas mãos foram feitas para o carinho, embora saibam também agredir, mutilar, afastar.
Que tua boca foi feita para o beijo, embora insista ainda em ofender, negar e mentir.
Que teus pés foram feitos para seguir sonhos, embora tenham aprendido (talvez rápido demais) a fugir, pisar e chutar.
Descobrirás, um dia, que teus olhos foram feitos para toda a sorte de lágrimas, alegres ou não, e que teu ombro foi feito para o consolo.
Que tua garganta foi feita para o grito de "eu te amo" e para o sussurro de "não me deixes".
Que tua força foi feita para ajudar quem não a tem.
Um dia descobrirás que teu coração foi feito somente para ser pleno, que teu prazer foi feito cuidadosamente para o outro.
E tu, apesar de toda a dor que existe, foste inteiro feito para a alegria.
Direto na têmpora: Man on the moon - R.E.M.
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quinta-feira, junho 16, 2011
Ponto final
O ponto se sente pequenininho, sem graça, sozinho, somente um pontinho.
Não tem o topete ondulado do til, nem a coluna ereta da exclamação. Não se curva em interrogações, não se repete em reticências, não se alonga em uma pausa de vírgula.
Não começa a conversa como um travessão, não une palavras para criar outras como um hífen, não se equilibra sobre outro e vira dois pontos.
É um ponto e pronto. Fim de história. Ponto final.
Direto na têmpora: We close our eyes - Oingo Boingo
Não tem o topete ondulado do til, nem a coluna ereta da exclamação. Não se curva em interrogações, não se repete em reticências, não se alonga em uma pausa de vírgula.
Não começa a conversa como um travessão, não une palavras para criar outras como um hífen, não se equilibra sobre outro e vira dois pontos.
É um ponto e pronto. Fim de história. Ponto final.
Direto na têmpora: We close our eyes - Oingo Boingo
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quarta-feira, junho 15, 2011
Sophia, o bem e o mal.
Após assistir Kung Fu Panda 2, Sophia veio me perguntar:
- Papai, por que o bem sempre vence nos desenhos?
- Você não acha que o bem deveria vencer, filha?
- Tinha que ser uma hora o bem, outra hora o mal, ué.
- Que nem no Estranhas Histórias em que alguns meninos se dão bem e outros se dão mal, né?
- É. Esse negócio do bem vencer toda hora é muito chato.
Orgulho. Orgulho de vera.
Direto na têmpora: Love is no big truth - Kings Of Convenience
- Papai, por que o bem sempre vence nos desenhos?
- Você não acha que o bem deveria vencer, filha?
- Tinha que ser uma hora o bem, outra hora o mal, ué.
- Que nem no Estranhas Histórias em que alguns meninos se dão bem e outros se dão mal, né?
- É. Esse negócio do bem vencer toda hora é muito chato.
Orgulho. Orgulho de vera.
Direto na têmpora: Love is no big truth - Kings Of Convenience
O bom e o ruim de todo dia
Todo dia tem coisa boa.
Por exemplo, outro dia a Globalbev enviou pra mim um suco de uva e um suco de laranja da marca Fast Fruit e um açaí da marca Amazoo.
Legal receber isso, ainda mais que não houve nenhum tipo de solicitação para divulgar a ação deles. Simplesmente correram o risco de me enviar e me deram a chance de experimentar os produtos e poder falar bem ou mal.
Gostei muito do suco de laranja e Sophia adorou o de uva. Açaí mesmo eu não tomo, então distribuí aqui no trabalho e as impressões não foram tão boas, mas como não provei, não posso detalhar.
O fato é que achei legal o Pastelzinho receber esse tipo de atenção e resolvi comentar.
Agora, todo dia tem coisa ruim também. Aí outro dia fui levar meu carro com menos de 7 mil quilômetros na oficina porque o bichinho se recusava a pegar de manhã e o rapaz perguntou logo de cara:
- Você usa mais álcool ou mais gasolina?
- Tanto faz, o carro é flex, então uso um ou outro dependendo do preço.
- Ah, pára de usar álcool e usa só gasolina que o problema resolve.
- Bom, eu faço isso se vocês tirarem o "Flex" que está pregado no carro e trocarem por "Gasolina". Pra mim, carro Flex me dá o direito de usar qualquer dos dois combustíveis ou o carro de você não é assim?
Aí o cara fez uma expressão sem graça, saiu de perto e eu fiquei lá, pensando em como as coisas nem sempre são o que parecem.
Direto na têmpora: Me and the major - Belle & Sebastian
Por exemplo, outro dia a Globalbev enviou pra mim um suco de uva e um suco de laranja da marca Fast Fruit e um açaí da marca Amazoo.
Legal receber isso, ainda mais que não houve nenhum tipo de solicitação para divulgar a ação deles. Simplesmente correram o risco de me enviar e me deram a chance de experimentar os produtos e poder falar bem ou mal.
Gostei muito do suco de laranja e Sophia adorou o de uva. Açaí mesmo eu não tomo, então distribuí aqui no trabalho e as impressões não foram tão boas, mas como não provei, não posso detalhar.
O fato é que achei legal o Pastelzinho receber esse tipo de atenção e resolvi comentar.
Agora, todo dia tem coisa ruim também. Aí outro dia fui levar meu carro com menos de 7 mil quilômetros na oficina porque o bichinho se recusava a pegar de manhã e o rapaz perguntou logo de cara:
- Você usa mais álcool ou mais gasolina?
- Tanto faz, o carro é flex, então uso um ou outro dependendo do preço.
- Ah, pára de usar álcool e usa só gasolina que o problema resolve.
- Bom, eu faço isso se vocês tirarem o "Flex" que está pregado no carro e trocarem por "Gasolina". Pra mim, carro Flex me dá o direito de usar qualquer dos dois combustíveis ou o carro de você não é assim?
Aí o cara fez uma expressão sem graça, saiu de perto e eu fiquei lá, pensando em como as coisas nem sempre são o que parecem.
Direto na têmpora: Me and the major - Belle & Sebastian
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terça-feira, junho 14, 2011
Primeiras vezes
Ser pai é experimentar diversas primeiras vezes. O primeiro sorriso, o primeiro beijo, a primeira palavra lida, a primeira apresentação de dança.
Minha Sophia tem menos de seis meses de aula de dança e já deu um verdadeiro show em sua primeira apresentação. Olhos de coruja do pai pra enxergar o show? Provavelmente, mas quem se importa? É através destes olhos com filtro que irei enxergá-la durante toda a sua vida.
São estes olhos parciais que vão chorar de novo e de novo ao vê-la dançar, nadar, ler, escrever, enfim, fazer tudo o que a maioria das crianças faz.
E é através destes olhos que eu enxergo no sorriso da minha Sophia um tipo de cura para todos os males. E vê-la dançar assim, sorrindo e leve, é para mim alegria em estado puro.
Direto na têmpora: You - TV On The Radio
Minha Sophia tem menos de seis meses de aula de dança e já deu um verdadeiro show em sua primeira apresentação. Olhos de coruja do pai pra enxergar o show? Provavelmente, mas quem se importa? É através destes olhos com filtro que irei enxergá-la durante toda a sua vida.
São estes olhos parciais que vão chorar de novo e de novo ao vê-la dançar, nadar, ler, escrever, enfim, fazer tudo o que a maioria das crianças faz.
E é através destes olhos que eu enxergo no sorriso da minha Sophia um tipo de cura para todos os males. E vê-la dançar assim, sorrindo e leve, é para mim alegria em estado puro.
Direto na têmpora: You - TV On The Radio
segunda-feira, junho 13, 2011
Mavs! Mavs! Mavs!
A temporada acabou e o post não pode esperar até amanhã. Os Dallas Mavericks são os campeões da NBA em 2011 e quem não curte basquete vai ter um descanso do assunto no Pastelzinho a partir de amanhã.
Sou torcedor dos Celtics, mas já expliquei aqui porque gostaria que o Heat não ganhasse o título da NBA. Além disso, quando meu pai esteve nos EUA em 95 ou 96, sabe qual camisa eu pedi se ele não achasse a de Boston? Acertou. Dos Mavs.
O primeiro time de Dallas de que me lembro tinha Mark Aguirre, Derek Harper e Rolando Blackman. Era um time que sempre perdia dos Lakers em 87, 88, mas que jogava bonito e sério.
Depois me lembro dos Mavs da época que pedi a camiseta, quando Jason Kidd (sim, este mesmo que acaba de ser campeão depois de dar uma volta em New Jersey), Jim Jackson e Jamal Mashburn prometiam ser um dos mais empolgantes trios de jovens jogadores da época, o que infelizmente não aconteceu.
Há menos tempo tivemos o inesquecível time com Nowitzki e Nash, além de Michael Finley, que parou nos grandes Spurs.
Em 2006, os Mavericks perderam as finais para o Miami Heat após estarem ganhando de 2 a 0. Em 2007 tiveram uma campanha maravilhosa na temporada regular com Dirk Nowitzki levando o MVP, mas foram eliminados na primeira rodada dos playoffs pelo Golde State, oitavo time do Oeste na época.
Juro que achei que eles não teriam mais chances ao título. Na NBA as janelas de oportunidade passam rápido e com Lakers, Celtics e agora Miami mais fortes, eu nem me lembrava dos Mavs como potenciais candidatos.
Errei feio. Nas minhas previsões, Dallas sairia na primeira rodada.
Ganharam porque tiveram um time que joga em conjunto, que tem coragem e que ganhou um senso de defesa até então inexistente com Tyson Chandler. Shawn Marion não é mais o mesmo de Phoenix, mas foi fundamental também na defesa. Dirk foi preciso quando o time mais precisou (ao contrário de LeBron). Jason Kidd reinventou seu jogo e dominou o ritmo do ataque. Barea fez uma bela temporada e playoffs mais lindos ainda. Jason Terry tem os maiores culhões da NBA nos tempos de hoje. E Rick Carlisle, que já tinha feito um belo trabalho nos Pacers e depois acabou meio esquecido, mostra que é e sempre foi um puta técnico.
Um título que ajuda a diminuir a dor de tantos bons times que deramem nada na história dos Mavericks, que redime Kidd e Nowitzi, dois craques que se aposentariam sem o troféu e que desmantela o "já ganhou" vergonhoso e o conceito de "supertime" de Miami, pelo menos nesta temporada.
Estou feliz. Muito feliz. Nunca foi tão bom errar.
Direto na têmpora: Missing - Everything But The Girl
Sou torcedor dos Celtics, mas já expliquei aqui porque gostaria que o Heat não ganhasse o título da NBA. Além disso, quando meu pai esteve nos EUA em 95 ou 96, sabe qual camisa eu pedi se ele não achasse a de Boston? Acertou. Dos Mavs.
O primeiro time de Dallas de que me lembro tinha Mark Aguirre, Derek Harper e Rolando Blackman. Era um time que sempre perdia dos Lakers em 87, 88, mas que jogava bonito e sério.
Depois me lembro dos Mavs da época que pedi a camiseta, quando Jason Kidd (sim, este mesmo que acaba de ser campeão depois de dar uma volta em New Jersey), Jim Jackson e Jamal Mashburn prometiam ser um dos mais empolgantes trios de jovens jogadores da época, o que infelizmente não aconteceu.
Há menos tempo tivemos o inesquecível time com Nowitzki e Nash, além de Michael Finley, que parou nos grandes Spurs.
Em 2006, os Mavericks perderam as finais para o Miami Heat após estarem ganhando de 2 a 0. Em 2007 tiveram uma campanha maravilhosa na temporada regular com Dirk Nowitzki levando o MVP, mas foram eliminados na primeira rodada dos playoffs pelo Golde State, oitavo time do Oeste na época.
Juro que achei que eles não teriam mais chances ao título. Na NBA as janelas de oportunidade passam rápido e com Lakers, Celtics e agora Miami mais fortes, eu nem me lembrava dos Mavs como potenciais candidatos.
Errei feio. Nas minhas previsões, Dallas sairia na primeira rodada.
Ganharam porque tiveram um time que joga em conjunto, que tem coragem e que ganhou um senso de defesa até então inexistente com Tyson Chandler. Shawn Marion não é mais o mesmo de Phoenix, mas foi fundamental também na defesa. Dirk foi preciso quando o time mais precisou (ao contrário de LeBron). Jason Kidd reinventou seu jogo e dominou o ritmo do ataque. Barea fez uma bela temporada e playoffs mais lindos ainda. Jason Terry tem os maiores culhões da NBA nos tempos de hoje. E Rick Carlisle, que já tinha feito um belo trabalho nos Pacers e depois acabou meio esquecido, mostra que é e sempre foi um puta técnico.
Um título que ajuda a diminuir a dor de tantos bons times que deramem nada na história dos Mavericks, que redime Kidd e Nowitzi, dois craques que se aposentariam sem o troféu e que desmantela o "já ganhou" vergonhoso e o conceito de "supertime" de Miami, pelo menos nesta temporada.
Estou feliz. Muito feliz. Nunca foi tão bom errar.
Direto na têmpora: Missing - Everything But The Girl
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sexta-feira, junho 10, 2011
Teorias sobre Kobe e LeBron
O Miami Heat ainda tem boas chances de ganhar o título da NBA. São duas partidas em casa e, mesmo os Mavericks tendo Dirk, Kidd e Terry jogando muito, não dá pra esquecer que do outro lado temos Wade, LeBron e Bosh. Assim mesmo, com Wade antes de LeBron.
Já falei outro dia sobre o que considero um absurdo neste time de Miami. A forma como LeBron anunciou sua decisão, a falta de coragem dele de ser como Jordan e não aceitar ficar como segunda arma em nenhum time, a celebração prematura do Heat como se fosse a comemoração do título antes mesmo da temporada começar.
Mas hoje quero falar especificamente sobre LeBron James. Antes de mais nada, comparar Kobe ou LeBron a Michael Jordan é coisa de quem não entende de basquete, algo como querer comparar Robinho ou Neymar a Pelé. Agora, comparar Kobe e James sim, pode ser interessante.
Antes de mais nada, são dois atletas completos, que conseguem fazer a diferença no ataque e na defesa. LeBron tem uma vantagem física por ser mais alto e mais forte, mas Kobe tem um instinto assassino e uma vontade de atacar a cesta que talvez faltem a James. E aí vem o meu ponto: talvez isso tenha a ver com a forma que eles começaram na NBA.
Os dois entraram na NBA ainda muito jovens, direto da high school e sem passar pela universidade. Os dois eram reconhecidos, já na época, como talentos especiais que certamente afetariam o jogo de uma maneira única. Kobe foi "draftado" pelo Charlotte Hornets e LeBron pelo Cleveland Cavaliers, dois times de mercados pequenos que precisavam de heróis.
A diferença? Kobe se recusou a jogar pelos Hornets e foi parar, aos 18 anos, nos Lakers com Shaquille O'Neal. LeBron ganhou a missão de ser, aos 18 anos, o salvador da pátria dos Cavaliers.
Nas três primeiras temporadas, Kobe jogou dois anos como reserva e depois um ano como titular na temporada reduzida pela greve de 99. Nas três primeiras temporadas, Le Bron James foi titular e jogador mais importante da equipe.
Nas três temporadas seguintes Phil Jackson chegou, os Lakers foram tricampeões com uma contribuição fundamental de Kobe para o MVP das três finais: Shaquille O'Neal. Nas três temporadas seguintes Cleveland perdeu uma final de NBA e duas finais do Leste para três times diferentes com LeBron James liderando um time sem outras estrelas.
Resumindo: Kobe teve tempo de amadurecer. Na verdade, Kobe só precisou carregar seu time nas costas quando já era um jogador maduro, formado e, ainda assim, só conseguiu seus outros dois títulos quando esteve ao lado de Pau Gasol.
LeBron James sempre foi cobrado, até pelo próprio talento, como se fosse capaz de levar qualquer time ao título desde que chegou à liga. Não foi. Não é.
Talvez tenha faltado a LeBron a sombra de um Shaquille O'Neal, algum tempo no banco aprendendo a ser grande. Tudo foi dado a ele como uma herança que ele não podia negar, os louros e as reponsabilidades.
Unir-se a Wade e Bosh talvez seja a maneira que James encontrou para se livrar do peso da gelialidade que lhe foi imposto e que não maltratou Kobe no início de carreira. O problema é que agora talvez seja tarde demais para tentar se esconder atrás de outros craques para amadurecer.
LeBron vendeu muitas camisas, ganhou e rendeu muito dinheiro, produziu belos espetáculos nas quadras, mas não se formou como o cara capaz de liderar e vencer em qualquer situação.
James irá conseguir seu título. Talvez não esse ano, talvez como o segundo ou terceiro melhor jogador de um time, mas vai conseguir. Kobe só conseguiu dois títulos como o fodaço do time com mais de 10 anos de carreira.
A verdade é que, em 2011, LeBron James e o Miami Heat ainda têm muita chance de levar a taça para casa. Têm talento de sobra para isso e, embora eu torça muito pro Dallas, ainda acho que a vantagem é do trio de South Beach.
Mesmo que ganhe e que dê um show nas duas últimas partidas, é absurdo comparar LeBron com Michael Jordan. E, para falar a verdade, até que ele desenvolva algum novo nível de intensidade, liderança e killer instinct, compará-lo com Kobe também me parece prematuro.
Direto na têmpora: Can I Please Crawl Out Your Window? - The Hold Steady
Já falei outro dia sobre o que considero um absurdo neste time de Miami. A forma como LeBron anunciou sua decisão, a falta de coragem dele de ser como Jordan e não aceitar ficar como segunda arma em nenhum time, a celebração prematura do Heat como se fosse a comemoração do título antes mesmo da temporada começar.
Mas hoje quero falar especificamente sobre LeBron James. Antes de mais nada, comparar Kobe ou LeBron a Michael Jordan é coisa de quem não entende de basquete, algo como querer comparar Robinho ou Neymar a Pelé. Agora, comparar Kobe e James sim, pode ser interessante.
Antes de mais nada, são dois atletas completos, que conseguem fazer a diferença no ataque e na defesa. LeBron tem uma vantagem física por ser mais alto e mais forte, mas Kobe tem um instinto assassino e uma vontade de atacar a cesta que talvez faltem a James. E aí vem o meu ponto: talvez isso tenha a ver com a forma que eles começaram na NBA.
Os dois entraram na NBA ainda muito jovens, direto da high school e sem passar pela universidade. Os dois eram reconhecidos, já na época, como talentos especiais que certamente afetariam o jogo de uma maneira única. Kobe foi "draftado" pelo Charlotte Hornets e LeBron pelo Cleveland Cavaliers, dois times de mercados pequenos que precisavam de heróis.
A diferença? Kobe se recusou a jogar pelos Hornets e foi parar, aos 18 anos, nos Lakers com Shaquille O'Neal. LeBron ganhou a missão de ser, aos 18 anos, o salvador da pátria dos Cavaliers.
Nas três primeiras temporadas, Kobe jogou dois anos como reserva e depois um ano como titular na temporada reduzida pela greve de 99. Nas três primeiras temporadas, Le Bron James foi titular e jogador mais importante da equipe.
Nas três temporadas seguintes Phil Jackson chegou, os Lakers foram tricampeões com uma contribuição fundamental de Kobe para o MVP das três finais: Shaquille O'Neal. Nas três temporadas seguintes Cleveland perdeu uma final de NBA e duas finais do Leste para três times diferentes com LeBron James liderando um time sem outras estrelas.
Resumindo: Kobe teve tempo de amadurecer. Na verdade, Kobe só precisou carregar seu time nas costas quando já era um jogador maduro, formado e, ainda assim, só conseguiu seus outros dois títulos quando esteve ao lado de Pau Gasol.
LeBron James sempre foi cobrado, até pelo próprio talento, como se fosse capaz de levar qualquer time ao título desde que chegou à liga. Não foi. Não é.
Talvez tenha faltado a LeBron a sombra de um Shaquille O'Neal, algum tempo no banco aprendendo a ser grande. Tudo foi dado a ele como uma herança que ele não podia negar, os louros e as reponsabilidades.
Unir-se a Wade e Bosh talvez seja a maneira que James encontrou para se livrar do peso da gelialidade que lhe foi imposto e que não maltratou Kobe no início de carreira. O problema é que agora talvez seja tarde demais para tentar se esconder atrás de outros craques para amadurecer.
LeBron vendeu muitas camisas, ganhou e rendeu muito dinheiro, produziu belos espetáculos nas quadras, mas não se formou como o cara capaz de liderar e vencer em qualquer situação.
James irá conseguir seu título. Talvez não esse ano, talvez como o segundo ou terceiro melhor jogador de um time, mas vai conseguir. Kobe só conseguiu dois títulos como o fodaço do time com mais de 10 anos de carreira.
A verdade é que, em 2011, LeBron James e o Miami Heat ainda têm muita chance de levar a taça para casa. Têm talento de sobra para isso e, embora eu torça muito pro Dallas, ainda acho que a vantagem é do trio de South Beach.
Mesmo que ganhe e que dê um show nas duas últimas partidas, é absurdo comparar LeBron com Michael Jordan. E, para falar a verdade, até que ele desenvolva algum novo nível de intensidade, liderança e killer instinct, compará-lo com Kobe também me parece prematuro.
Direto na têmpora: Can I Please Crawl Out Your Window? - The Hold Steady
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quinta-feira, junho 09, 2011
Um curta bacana
Um curta bacana porque tem Nova Iorque, porque tem Verdi, porque tem uma história legal, porque é bem produzido pra caramba.
Enjoy!
Direto na têmpora: Pretty in Pink - The Psychedelic Furs
Enjoy!
Pizza Verdi (short film) 2011 from gary nadeau on Vimeo.
Direto na têmpora: Pretty in Pink - The Psychedelic Furs
quarta-feira, junho 08, 2011
Trilha
Pisava a poeira do chão como quem pisa o medo de alguém. Um passo força cruel, outro arrependimento.
Secava na boca um pedido, deitava no olhar uma dúvida, pousava no ombro a vermelha serragem de alguma saudade árida.
Pisava a poeira do chão como quem cumpre um rito. Um rumo firme no prumo do queixo, o caminho correto como bússola no peito.
E ainda assim se perdia, o caminho largo e comprido, escapando de toda certeza com os velhos pés tortos que tinha.
Direto na têmpora: Head over heels - Tears For Fears
Secava na boca um pedido, deitava no olhar uma dúvida, pousava no ombro a vermelha serragem de alguma saudade árida.
Pisava a poeira do chão como quem cumpre um rito. Um rumo firme no prumo do queixo, o caminho correto como bússola no peito.
E ainda assim se perdia, o caminho largo e comprido, escapando de toda certeza com os velhos pés tortos que tinha.
Direto na têmpora: Head over heels - Tears For Fears
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terça-feira, junho 07, 2011
10 tipos de pessoa que eu gosto
1) Gente que abraça com vontade.
2) Gente que consegue reinventar a rotina.
3) Gente que não tem vergonha de dizer que gosta da gente.
4) Gente que não vive os sonhos dos outros.
5) Gente que carrega o passado como uma pluma e não como uma pedra.
6) Gente que sabe a hora de parar e respirar.
7) Gente que coloca pessoas na frente de negócios.
8) Gente que fala a verdade sem ser agressivo.
9) Gente que pede desculpas sem ser submisso.
10) Gente que discute sem perder a linha.
PS - É provável que eu não me enquadre em qualquer destes itens, mas quem disse que a gente admira no outro simplesmente o que já é nosso?
Direto na têmpora: I'll be there - The Jackson Five
2) Gente que consegue reinventar a rotina.
3) Gente que não tem vergonha de dizer que gosta da gente.
4) Gente que não vive os sonhos dos outros.
5) Gente que carrega o passado como uma pluma e não como uma pedra.
6) Gente que sabe a hora de parar e respirar.
7) Gente que coloca pessoas na frente de negócios.
8) Gente que fala a verdade sem ser agressivo.
9) Gente que pede desculpas sem ser submisso.
10) Gente que discute sem perder a linha.
PS - É provável que eu não me enquadre em qualquer destes itens, mas quem disse que a gente admira no outro simplesmente o que já é nosso?
Direto na têmpora: I'll be there - The Jackson Five
segunda-feira, junho 06, 2011
Acho que eu peguei algum tipo de Foundphotos na viagem.
O sapequíssimo tio Julio e a primeira de uma série fotos que tirou escondido com a máquina da dona Eneida.
O major Barry Schnalzen e seu fabuloso cão empalhado eram garantia de sucesso nas festinhas do quartel.
Acupunturistas amadores: devotados à saúde ou sacanas de marca maior?
Direto na têmpora: Same in the end - Pennywise
O major Barry Schnalzen e seu fabuloso cão empalhado eram garantia de sucesso nas festinhas do quartel.
Acupunturistas amadores: devotados à saúde ou sacanas de marca maior?
Direto na têmpora: Same in the end - Pennywise
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Followers and friends
O que faz você seguir alguém que não conhece no Twitter? O que leva alguém perfeitamente reservado e sensato escolher uma pessoa que nunca viu para iniciar uma amizade no Facebook? Que assuntos fidelizam você a um blog? Que afinidades aproximam você de uma página da web?
Agimos por impulso na internet. Mostramos ali as coisas que realmente nos iteressam, mesmo que elas não estejam presentes em nossos discursos ou na persona que construímos e ostentamos diariamente.
É muito esclarecedor conhecer alguém através das referências que ele nos passa quando está sendo realmente ele mesmo. Aliás, vale como reflexão sobre nós mesmos, como uma ferramentazinha de auto-conhecimento, se preferirem.
E ainda assim, muitas empresas (e agências) insistem em menosprezar todo o retorno que vem através de buzz e de tendências que surgem nestes ambientes. Definir uma estratégia para eles, então? Impensável.
Acho que falta pra esses caras a compreensão de que seguidores e amigos podem virar, quando tratados com respeito e criatividade, consumidores e embaixadores da marca.
Direto na têmpora: The holiday song - The Pixies
Agimos por impulso na internet. Mostramos ali as coisas que realmente nos iteressam, mesmo que elas não estejam presentes em nossos discursos ou na persona que construímos e ostentamos diariamente.
É muito esclarecedor conhecer alguém através das referências que ele nos passa quando está sendo realmente ele mesmo. Aliás, vale como reflexão sobre nós mesmos, como uma ferramentazinha de auto-conhecimento, se preferirem.
E ainda assim, muitas empresas (e agências) insistem em menosprezar todo o retorno que vem através de buzz e de tendências que surgem nestes ambientes. Definir uma estratégia para eles, então? Impensável.
Acho que falta pra esses caras a compreensão de que seguidores e amigos podem virar, quando tratados com respeito e criatividade, consumidores e embaixadores da marca.
Direto na têmpora: The holiday song - The Pixies
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sexta-feira, junho 03, 2011
Em dose dupla
Sophia teve ontem um dia de alegria em dobro. Logo pela manhã caiu mais um dentinho e, segundo ela própria, "a janelinha virou uma porta".
Às 20h, chegou Fluffy McCloud (nome que Sophia escolheu por causa desse desenho aqui) e Sophia virou alegria pura. A Fluffy é uma Dachshund (ou Teckel, como preferir) de pêlo duro que é uma verdadeira simpatia e que agora é também a amiguinha que a Sophia tanto queria. Definitivamente, um dia feliz.
Direto na têmpora: Souls at zero - Black Tie Dynasty
Às 20h, chegou Fluffy McCloud (nome que Sophia escolheu por causa desse desenho aqui) e Sophia virou alegria pura. A Fluffy é uma Dachshund (ou Teckel, como preferir) de pêlo duro que é uma verdadeira simpatia e que agora é também a amiguinha que a Sophia tanto queria. Definitivamente, um dia feliz.
Direto na têmpora: Souls at zero - Black Tie Dynasty
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Sophia
quinta-feira, junho 02, 2011
Um pé apaixonado
Aquele pé era simplesmente apaixonado por uma menininha de cabelos cacheados e muito risonha.
Ele ficava olhando pra ela, queria conversar com ela, fazer carinho, mas a menina detestava.
- Sai daqui seu cascorento! Vai embora chulezento! Eca, eca, eca!
O pé então tomava um banho reforçado, cortava e limpava bem as unhas, passava cremes, jogava talco entre os dedos e ficava todo lindo e cheiroso só pra menina.
E você acha que adiantava? Que nada! Era só chegar perto que a meninca começava.
- Sai daqui seu cascorento! Vai embora chulezento! Eca, eca, eca!
O pé então ficava cada dia mais triste e mais choroso. E ele ficou tão desesperado de amor que resolveu procurar uma feiticeira que morava na floresta ali perto.
Bateu na porta da casinha, entrou e foi logo chorando:
- Buuuuuuááááá!!! Eu gosto dela e ela não gosta de miiiiiiiiiiimmmmm!!!
- Quem não gosta de você, pezinho?
- A menina sorridente dos cabelos cacheaaaaadooooooossss!!!
- Calma, calma, mas por que ela não gosta de você?
- Porque... porque... porque eu sou um... um... um péééééééé!!!
A feiticeira pensou, coçou a cabeça, procurou no seu livro de poções e feitiços e disse:
- Olha, pezinho, eu tenho aqui alguns feitiços de transformação, mas eu não sou muito boa nisso. Você quer que eu tente mesmo assim? Não dá pra ter certeza do resultado, hein?
- Eu quero, eu quero sim. Qualquer coisa é melhor do que ser um pé desamado.
A feiticeira então fez um pozinho na sua cozinha, jogou em cima do pé falou as palavras mágicas e bum... a transformação ficou completa.
Um tempinho depois, alguém bateu à porta da menininha. Ela abriu, mas não viu ninguém. Bateram de novo e ela sentiu um focinhozinho gelado cheirando seu pezinho.
Era um coelhinho bem branquinho e fofo que ela pegou e abraçou e amou e cuidou muito bem daquele dia em diante. E o coelhinho foi sempre feliz, feliz.
Mas o que a menina não sabia era que, depois que ela dormia, o coelhinho saía escondido, abria o armário e se deitava bem confortável dentro de algum sapato bem grande.
Ficava ali, aconchegado, sonhando bem descansado com o tempo em que ele ainda era pé.
PS - Essa historinha eu fiz pra Sophia, que simplesmente detesta quando meu pé diz que a ama e tenta dar uns beijninhos nela.
Direto na têmpora: Blue skinned beast - Madness
Ele ficava olhando pra ela, queria conversar com ela, fazer carinho, mas a menina detestava.
- Sai daqui seu cascorento! Vai embora chulezento! Eca, eca, eca!
O pé então tomava um banho reforçado, cortava e limpava bem as unhas, passava cremes, jogava talco entre os dedos e ficava todo lindo e cheiroso só pra menina.
E você acha que adiantava? Que nada! Era só chegar perto que a meninca começava.
- Sai daqui seu cascorento! Vai embora chulezento! Eca, eca, eca!
O pé então ficava cada dia mais triste e mais choroso. E ele ficou tão desesperado de amor que resolveu procurar uma feiticeira que morava na floresta ali perto.
Bateu na porta da casinha, entrou e foi logo chorando:
- Buuuuuuááááá!!! Eu gosto dela e ela não gosta de miiiiiiiiiiimmmmm!!!
- Quem não gosta de você, pezinho?
- A menina sorridente dos cabelos cacheaaaaadooooooossss!!!
- Calma, calma, mas por que ela não gosta de você?
- Porque... porque... porque eu sou um... um... um péééééééé!!!
A feiticeira pensou, coçou a cabeça, procurou no seu livro de poções e feitiços e disse:
- Olha, pezinho, eu tenho aqui alguns feitiços de transformação, mas eu não sou muito boa nisso. Você quer que eu tente mesmo assim? Não dá pra ter certeza do resultado, hein?
- Eu quero, eu quero sim. Qualquer coisa é melhor do que ser um pé desamado.
A feiticeira então fez um pozinho na sua cozinha, jogou em cima do pé falou as palavras mágicas e bum... a transformação ficou completa.
Um tempinho depois, alguém bateu à porta da menininha. Ela abriu, mas não viu ninguém. Bateram de novo e ela sentiu um focinhozinho gelado cheirando seu pezinho.
Era um coelhinho bem branquinho e fofo que ela pegou e abraçou e amou e cuidou muito bem daquele dia em diante. E o coelhinho foi sempre feliz, feliz.
Mas o que a menina não sabia era que, depois que ela dormia, o coelhinho saía escondido, abria o armário e se deitava bem confortável dentro de algum sapato bem grande.
Ficava ali, aconchegado, sonhando bem descansado com o tempo em que ele ainda era pé.
PS - Essa historinha eu fiz pra Sophia, que simplesmente detesta quando meu pé diz que a ama e tenta dar uns beijninhos nela.
Direto na têmpora: Blue skinned beast - Madness
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Internet
A gente tentando entender a internet hoje e os caras prevendo 2015.
Direto na têmpora: Your new boyfriend - Rocketship
Digital Life: Today & Tomorrow from Neo Labels on Vimeo.
Direto na têmpora: Your new boyfriend - Rocketship
quarta-feira, junho 01, 2011
Shaquille O'Neal e as finais da NBA
Eu detesto os Lakers. Muito. Mesmo assim, eu nunca consegui desgostar do Shaquille O'Neal.
Há cerca de 10 minutos Shaquille O'Neal anunciou sua aposentadoria após 19 anos, 4 títulos e muitas histórias marcantes na NBA.
Shaquille é daqueles caras que coloca o espetáculo em primeiro lugar e que, no auge da forma, era simplesmente impossível de ser detido. Explorar sua única falha clara, os lances livres, era a última esperança ao final de uma partida, uma tática chamanda Hack-a-Shaq que polarizou opiniões e não impediu Shaq de pulverizar muitos adversários.
O'Neal se aposentou com uma mensagem gravada em sua casa e enviada via twitter, falando com os fãs em primeiro lugar. Ele não criou um show de televisão, não vendeu espaço de mídia, não encheu os bolsos e não bancou o babaca diante de milhões.
E é exatamente o parágrafo acima que me leva às finais da NBA. O Miami Heat é favorito e deve ganhar. Quaqluer time com Dwayne Wade, LeBron James e Chris Bosh tem 80% de chances de ganhar qualquer coisa que disputar. É um basquete bonito, com talento e aplicação tática, mas eu simplesmente não consigo torcer pra eles.
Acho que o Heat vence a série em 6 jogos (talvez 5), mas LeBron James estragou isso tudo pra mim.
Um cara que faz um show de 60 minutos para anunciar sua decisão de deixar Cleveland e vende espaços publicitários caríssimos não se importa com seus fãs. Nada contra um jogador mudar de equipe. Acontece, faz parte do negócio, mas a forma com que James lidou com isso foi uma promoção vergonhosa de si próprio.
Ele não precisava, Cleveland não merecia. Foi uma pena que ele tivesse que agir assim para conseguir seu primeiro título.
Voltando a Shaquille O'Neal, ele infelizmente não conseguiu ajudar os meus Celtics a serem campeões. Ele infelizmente ajudou os Lakers a ganharem três títulos. Ele infelizmente não ganhou um título com os Suns e nem com o Magic, dois times que jogavam lindamente. Ainda assim, eu nunca consegui deixar de gostar e de me divertir com ele.
Shaquille O'Neal vai embora como um jogador único, humano, inesquecível, amado até por eles que deveriam odiá-lo. Já LeBron James, que provavelmente é um dos 5 jogadores mais talentosos que já vi jogar, dificilmente conseguirá o mesmo, ainda que tenha muitos títulos pela frente.
Boa sorte, Shaq. Obrigado por tudo, apesar de tudo.
Direto na têmpora: Impatience is a virtue - Two Door Cinema Club
Há cerca de 10 minutos Shaquille O'Neal anunciou sua aposentadoria após 19 anos, 4 títulos e muitas histórias marcantes na NBA.
Shaquille é daqueles caras que coloca o espetáculo em primeiro lugar e que, no auge da forma, era simplesmente impossível de ser detido. Explorar sua única falha clara, os lances livres, era a última esperança ao final de uma partida, uma tática chamanda Hack-a-Shaq que polarizou opiniões e não impediu Shaq de pulverizar muitos adversários.
O'Neal se aposentou com uma mensagem gravada em sua casa e enviada via twitter, falando com os fãs em primeiro lugar. Ele não criou um show de televisão, não vendeu espaço de mídia, não encheu os bolsos e não bancou o babaca diante de milhões.
E é exatamente o parágrafo acima que me leva às finais da NBA. O Miami Heat é favorito e deve ganhar. Quaqluer time com Dwayne Wade, LeBron James e Chris Bosh tem 80% de chances de ganhar qualquer coisa que disputar. É um basquete bonito, com talento e aplicação tática, mas eu simplesmente não consigo torcer pra eles.
Acho que o Heat vence a série em 6 jogos (talvez 5), mas LeBron James estragou isso tudo pra mim.
Um cara que faz um show de 60 minutos para anunciar sua decisão de deixar Cleveland e vende espaços publicitários caríssimos não se importa com seus fãs. Nada contra um jogador mudar de equipe. Acontece, faz parte do negócio, mas a forma com que James lidou com isso foi uma promoção vergonhosa de si próprio.
Ele não precisava, Cleveland não merecia. Foi uma pena que ele tivesse que agir assim para conseguir seu primeiro título.
Voltando a Shaquille O'Neal, ele infelizmente não conseguiu ajudar os meus Celtics a serem campeões. Ele infelizmente ajudou os Lakers a ganharem três títulos. Ele infelizmente não ganhou um título com os Suns e nem com o Magic, dois times que jogavam lindamente. Ainda assim, eu nunca consegui deixar de gostar e de me divertir com ele.
Shaquille O'Neal vai embora como um jogador único, humano, inesquecível, amado até por eles que deveriam odiá-lo. Já LeBron James, que provavelmente é um dos 5 jogadores mais talentosos que já vi jogar, dificilmente conseguirá o mesmo, ainda que tenha muitos títulos pela frente.
Boa sorte, Shaq. Obrigado por tudo, apesar de tudo.
Direto na têmpora: Impatience is a virtue - Two Door Cinema Club
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O blog e seus presentes
Ter um blog é uma delícia de emprego. Emprego porque, no meu caso, assumi o compromisso de escrever alguma coisa todos os dias úteis. E uma delícia por causa de presentes como este que a Sandra Sakamoto, também conhecida nos comments como Sakana-san, me deu.
Na verdade o presente é pra Sophia, mas a história é muito legal. A Sandra é apaixonada por insetos e tem um amigo entomologista no Rio de Janeiro especialista em lepidópteras.
Pois bem, outro dia este amigo “salvou” uma lagarta de ser morta e cuidou dela assumindo a responsabilidade pela vida do animalzinho junto com com a Sandra.
A lagartinha virou uma mariposa e ganhou o nome de Sufia em homenagem à minha Sophia e seus casos que, segundo a Sandra, a "fazem crer na pureza do ser humano".
Hoje mostrei as fotos da mariposinha pra minha Sophia e ela ficou simplesmente apaixonada. Expliquei que a cor era assim pra ela se camuflar e a pequena ficou toda preocupada e com medo de que algum pássaro pudesse comer sua amiguinha. Chegou ao ponto de pedir pra ir visitar Sufia.
Provavelmente não iremos visitar Sufia no Rio de Janeiro, mas esse post é pra agradecer muito à Sandra e seu enorme carinho. Uma pessoa que nunca vi de perto, mas que já faz parte das nossas vidas lá em casa.
E pra encerrar, as fotos de Sufia "vestida" de lagarta e de mariposa.
Direto na têmpora: Tangerine Speedo - Caviar
Na verdade o presente é pra Sophia, mas a história é muito legal. A Sandra é apaixonada por insetos e tem um amigo entomologista no Rio de Janeiro especialista em lepidópteras.
Pois bem, outro dia este amigo “salvou” uma lagarta de ser morta e cuidou dela assumindo a responsabilidade pela vida do animalzinho junto com com a Sandra.
A lagartinha virou uma mariposa e ganhou o nome de Sufia em homenagem à minha Sophia e seus casos que, segundo a Sandra, a "fazem crer na pureza do ser humano".
Hoje mostrei as fotos da mariposinha pra minha Sophia e ela ficou simplesmente apaixonada. Expliquei que a cor era assim pra ela se camuflar e a pequena ficou toda preocupada e com medo de que algum pássaro pudesse comer sua amiguinha. Chegou ao ponto de pedir pra ir visitar Sufia.
Provavelmente não iremos visitar Sufia no Rio de Janeiro, mas esse post é pra agradecer muito à Sandra e seu enorme carinho. Uma pessoa que nunca vi de perto, mas que já faz parte das nossas vidas lá em casa.
E pra encerrar, as fotos de Sufia "vestida" de lagarta e de mariposa.
Direto na têmpora: Tangerine Speedo - Caviar
terça-feira, maio 31, 2011
Revisionismo 2
O ser humano erra muito. Faz bobagem, vive épocas de absurdos grandiosos, dá mostras de ser irrecuperável como espécie.
Até aí tudo bem, nós conseguimos ser falíveis, vergonhosos, estúpidos e ainda assim evoluímos em certos aspectos e alcançamos coisas bem legais.
Ainda assim, não dá pra negar que houve o holocausto há menos de 3 quartos de século e varrer o horror pra debaixo do tapete. Não dá pra ignorar que um dos maiores escritores brasileiros era bastante racista e que naquela época o racismo era aceito como fato. Também não dá pra achar que Collor foi presidente, hoje é senador e que nada aconteceu no meio do caminho.
Nosso pai Sarney, o onipresente, duradouro e inoxidável acha que o impeachment de collor foi um fato menor na nossa história. Um pezinho de página que só os velhos resmungões leem.
Daqui a pouco, alguém vai dizer o mesmo sobre a ditadura.
A importância do fato não pode ser relativizada. Não dá pra esconder o ocorrido, mudar o texto, limpar o sangue da calçada e fingir que está tudo bem. Isso é revisionismo. Isso é ocultação de cadáver. Isso é cuspir na cara da história e de quem viveu uma época.
Só o tempo vai dizer qual o real tamanho de um fato. Não cabe a nós decidir o que é significativo ou pertinente para jovens e crianças que recebem apenas uma versão dos fatos.
Dane-se essa mania idiota de limpeza. Que se debata o holocausto em toda a sua estupidez para que ele não ocorra de novo. Que se mantenha o texto e se questione o autor sem macular a obra. Que saibamos quem foi Fernando Collor e qual o seu real papel para o amadurecimento da democracia brasileira.
E, principalmente, que Sarney não seja o escriba oficial da nossa história.
Direto na têmpora: Little miss can't be wrong - Spin Doctors
Até aí tudo bem, nós conseguimos ser falíveis, vergonhosos, estúpidos e ainda assim evoluímos em certos aspectos e alcançamos coisas bem legais.
Ainda assim, não dá pra negar que houve o holocausto há menos de 3 quartos de século e varrer o horror pra debaixo do tapete. Não dá pra ignorar que um dos maiores escritores brasileiros era bastante racista e que naquela época o racismo era aceito como fato. Também não dá pra achar que Collor foi presidente, hoje é senador e que nada aconteceu no meio do caminho.
Nosso pai Sarney, o onipresente, duradouro e inoxidável acha que o impeachment de collor foi um fato menor na nossa história. Um pezinho de página que só os velhos resmungões leem.
Daqui a pouco, alguém vai dizer o mesmo sobre a ditadura.
A importância do fato não pode ser relativizada. Não dá pra esconder o ocorrido, mudar o texto, limpar o sangue da calçada e fingir que está tudo bem. Isso é revisionismo. Isso é ocultação de cadáver. Isso é cuspir na cara da história e de quem viveu uma época.
Só o tempo vai dizer qual o real tamanho de um fato. Não cabe a nós decidir o que é significativo ou pertinente para jovens e crianças que recebem apenas uma versão dos fatos.
Dane-se essa mania idiota de limpeza. Que se debata o holocausto em toda a sua estupidez para que ele não ocorra de novo. Que se mantenha o texto e se questione o autor sem macular a obra. Que saibamos quem foi Fernando Collor e qual o seu real papel para o amadurecimento da democracia brasileira.
E, principalmente, que Sarney não seja o escriba oficial da nossa história.
Direto na têmpora: Little miss can't be wrong - Spin Doctors
segunda-feira, maio 30, 2011
Escrever bem
Escrever bem é uma arte, mas também pode ser uma arma. Arma de conquista, arma de convencimento, arma de argumentação.
E para a sorte de quem escreve, uma das grandes confusões que as pessoas fazem é entre um texto bem escrito e um texto que diz algo realmente importante. As pessoas ainda confundem forma e conteúdo.
Só que esse disfarce não resiste a uma avaliação mais detalhada. Basta ir além de adjetivos e construções atraentes para encontrar um enorme vácuo onde deveria estar o conteúdo.
Na internet as pessoas se encantam muito com o primeiro olhar e, me parece, se impressionam ainda mais facilmente com um bom texto, mesmo que ele diga nada.
Por isso eu me convenço cada vez mais de que estamos cercados por um analfabetismo intelectual. Admite-se como conquista suficiente ler as palavras e admirar as formas, quando o essencial deveria estar no debate das entrelinhas, dos interesses e das absurdas verdades absolutas.
Escrever bem é uma qualidade desejável e importante, mas questionar um conteúdo bem escrito é algo mais necessário ainda.
Direto na têmpora: The shining hour - Grant Lee Buffalo
E para a sorte de quem escreve, uma das grandes confusões que as pessoas fazem é entre um texto bem escrito e um texto que diz algo realmente importante. As pessoas ainda confundem forma e conteúdo.
Só que esse disfarce não resiste a uma avaliação mais detalhada. Basta ir além de adjetivos e construções atraentes para encontrar um enorme vácuo onde deveria estar o conteúdo.
Na internet as pessoas se encantam muito com o primeiro olhar e, me parece, se impressionam ainda mais facilmente com um bom texto, mesmo que ele diga nada.
Por isso eu me convenço cada vez mais de que estamos cercados por um analfabetismo intelectual. Admite-se como conquista suficiente ler as palavras e admirar as formas, quando o essencial deveria estar no debate das entrelinhas, dos interesses e das absurdas verdades absolutas.
Escrever bem é uma qualidade desejável e importante, mas questionar um conteúdo bem escrito é algo mais necessário ainda.
Direto na têmpora: The shining hour - Grant Lee Buffalo
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Aladim em Ouro Preto
Sophia percebendo na Igreja do Pilar uma certa referência às mil e uma noites.
- Papai, a gente vai é ali naquela igreja da Yasmin?
Direto na têmpora: Get Better - Mates of State
- Papai, a gente vai é ali naquela igreja da Yasmin?
Direto na têmpora: Get Better - Mates of State
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Sophia
sexta-feira, maio 27, 2011
Animação pro findi
E já que tem muito vídeo no Pastelzinho hoje, vai mais um para o final de semana. Lindo, aliás.
Direto na têmpora: Split needles - The Shins
Direto na têmpora: Split needles - The Shins
Fãs do Chefão
Três cenas para quem, como eu, é fã de "O Poderoso Chefão".
Direto na têmpora: All of this - The Naked And Famous
Direto na têmpora: All of this - The Naked And Famous
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Poderoso Chefão,
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quinta-feira, maio 26, 2011
A tribo culturalista
- Mamãe essa é a minha índia culturalista.
- Olha só, Sophie, posso pegar?
- Nãããããããooooooo!!! Você vai destruir a cultura culturalista!
Direto na têmpora: Bang on - The Breeders
- Olha só, Sophie, posso pegar?
- Nãããããããooooooo!!! Você vai destruir a cultura culturalista!
Direto na têmpora: Bang on - The Breeders
quarta-feira, maio 25, 2011
A vida no Opera House
Ultimamente tenho me sentido como um membro da comunidade operística mundial. Comprei Tosca e La Traviata para Sophia e pronto, está ainda mais apaixonada por ópera.
Só de ouvir a música ela já percebe a cena e identifica se há briga, romance, alegria, e aí, com minha ajuda (e principalmente dos libretos que acompanham a coleção), vai construindo a história na sua cabeça.
Outro dia, passando pela sala, ouço agudos agudíssimos trinando algo como "Laialaaaaaaaaiaialaia".
- O que é isso que você está cantando, Sophia?
- Uma ópera que eu fiz.
- Que legal, como ela chama?
- A ópera chama "O Abominável Homem das Neves" e essa música é "No Himalaia".
Direto na têmpora:
Só de ouvir a música ela já percebe a cena e identifica se há briga, romance, alegria, e aí, com minha ajuda (e principalmente dos libretos que acompanham a coleção), vai construindo a história na sua cabeça.
Outro dia, passando pela sala, ouço agudos agudíssimos trinando algo como "Laialaaaaaaaaiaialaia".
- O que é isso que você está cantando, Sophia?
- Uma ópera que eu fiz.
- Que legal, como ela chama?
- A ópera chama "O Abominável Homem das Neves" e essa música é "No Himalaia".
Direto na têmpora:
terça-feira, maio 24, 2011
Raiozinho de sol
Depois de escapar de uma nuvem escura, de um prédio cabreiro, de uma cortina sisuda, o raiozinho de sol se deita inocente sobre algum canto do chão.
Enxerido, revela a poeira que pairava insuspeita pelo ar da sala. Desnuda partículas, exibe no susto um ar que é visível, rouba um pouco de inocência e deixa lá seu tantinho de poesia.
Primeiro é o gato que busca o raio, a preguiça em pessoa, ou melhor eu diria, a preguiça em gatice. Se estica invertebrado, se espalha alongado e é um novo bichano, comprido e leve, de outra certa infantil substância.
Para o gato, raiozinho de sol é novelo, é prato de leite, é carne fresquinha, é caçar passarinho, tudo isso num suave jato de luz.
Mas chega o menino e se encosta no gato, felino mimado que não sabe dividir. E em pouco, são só menino e raio sol, dois, mas quase um.
É um entregar de tão doce abandono, de um quentume tão morno, que o corpo se perde em um sono micromoleculocelular e se deixa assim, um mantra, um sossego, uma paz que não há quem medite tão pura.
Um encontro de tempo desmedido, com regras das mais descabidas que fazem de um minuto uma tarde, que fazem de uma soneca uma vida.
Um menino e um raio de sol, pronto. Me basta, me supre, me completa mil cenas, me recheia mil sonhos, me inventa mil textos. Mas então, como toda e qualquer tragédia, a nuvem escura se move um milímetro, o prédio cabreiro se agiganta impassível, a cortina sisuda retoma seu posto.
Em um cruel passe de mágica, da luz fez-se o vago e já não resta da fresta o jorro iluminado. Sumiu-se a poeira que antes bailava, notícias do gato já não se tem, perdeu-se o menino em outra brincadeira.
No pedaço de chão, impressa em carpete, restou a invisível sensação de memória, um talvez de infância, um fiapo de instante. Uma ausente presença que aquece e conforta e promete outras tardes para quem não amanheceu ainda.
Direto na têmpora: Pour que l'amour me quitte - Camille
Enxerido, revela a poeira que pairava insuspeita pelo ar da sala. Desnuda partículas, exibe no susto um ar que é visível, rouba um pouco de inocência e deixa lá seu tantinho de poesia.
Primeiro é o gato que busca o raio, a preguiça em pessoa, ou melhor eu diria, a preguiça em gatice. Se estica invertebrado, se espalha alongado e é um novo bichano, comprido e leve, de outra certa infantil substância.
Para o gato, raiozinho de sol é novelo, é prato de leite, é carne fresquinha, é caçar passarinho, tudo isso num suave jato de luz.
Mas chega o menino e se encosta no gato, felino mimado que não sabe dividir. E em pouco, são só menino e raio sol, dois, mas quase um.
É um entregar de tão doce abandono, de um quentume tão morno, que o corpo se perde em um sono micromoleculocelular e se deixa assim, um mantra, um sossego, uma paz que não há quem medite tão pura.
Um encontro de tempo desmedido, com regras das mais descabidas que fazem de um minuto uma tarde, que fazem de uma soneca uma vida.
Um menino e um raio de sol, pronto. Me basta, me supre, me completa mil cenas, me recheia mil sonhos, me inventa mil textos. Mas então, como toda e qualquer tragédia, a nuvem escura se move um milímetro, o prédio cabreiro se agiganta impassível, a cortina sisuda retoma seu posto.
Em um cruel passe de mágica, da luz fez-se o vago e já não resta da fresta o jorro iluminado. Sumiu-se a poeira que antes bailava, notícias do gato já não se tem, perdeu-se o menino em outra brincadeira.
No pedaço de chão, impressa em carpete, restou a invisível sensação de memória, um talvez de infância, um fiapo de instante. Uma ausente presença que aquece e conforta e promete outras tardes para quem não amanheceu ainda.
Direto na têmpora: Pour que l'amour me quitte - Camille
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Thank you, Mr. McCartney.
Show maravilhoso, o do McCartney, viu? Fomos eu e minha Fer e amamos cada instante, cada música, até mesmo a organização mereceu aplausos.
Obviamente me emocionei com Blackbird e Something. Obviamente dancei pra caramba. Obviamente cantei junto e me encantei com o cara que fez parte da minha formação como ouvinte de música e influenciou muito do que eu gosto.
Demorou, mas aconteceu. E, graças também à hospitalidade de Raphael e Sabrina Crespo, foi perfeito.
Perfeito.
Direto na têmpora: Back in the U.S.S.R. - The Beatles
Obviamente me emocionei com Blackbird e Something. Obviamente dancei pra caramba. Obviamente cantei junto e me encantei com o cara que fez parte da minha formação como ouvinte de música e influenciou muito do que eu gosto.
Demorou, mas aconteceu. E, graças também à hospitalidade de Raphael e Sabrina Crespo, foi perfeito.
Perfeito.
Direto na têmpora: Back in the U.S.S.R. - The Beatles
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sexta-feira, maio 20, 2011
Pra encerrar a sexta
Amiguinhos, só devo voltar a postar na próxima quarta-feira, por isso, filmezinho de "até logo" pra vocês. Inté.
Direto na têmpora: Ace of spades - Hayseed Dixies
Sometimes the Stars from The Audreys on Vimeo.
Direto na têmpora: Ace of spades - Hayseed Dixies
Os jovens-jovens
Outro dia alguém pesquisou nas ruas de Nova Iorque e descobriu que muitos teens não fazem ideia de quem foram os Beatles.
Parece absurdo, eu sei, mas os Beatles já se separaram faz tempo, dois deles morreram, não há novas gravações, enfim, a situação tem lá seus atenuantes.
De qualquer forma, eu tenho a impressão de que é possível determinar a idade de alguém pelas celebridades que ele conhece. Usando o futebol como exemplo: se o cara não conhece Nilton Santos ele não é necessariamente jovem. Se o cara não conhece Sócrates, ele com certeza é jovem. Agora, se o cara não conhece o Higuita ele definitivamente não tem mais de 18 anos.
Higuita não diz nada para os jovens-jovens, assim como algum goleiro da Colômbia da década de 60 não diz nada pra mim.
Sendo assim, defino aqui meu padrão de reconhecimento da juventude-jovem pelo Higuita. Se você não conhece o figura, provavelmente ainda não fez vestibular e certamente nunca provou a pururuca Bottrel (ok, se você tem menos de 30 muito dificilmente provou).
Então, fica combinado. Se você, jovem-jovem, quiser conversar com o tio Maurilo como se tivéssemos uma idade mais compatível, procure na Wikipedia tudo sobre o homem da foto aí debaixo.
E pra começar, assista a este vídeo aqui.
Direto na têmpora: Bull rider - The Detours
Parece absurdo, eu sei, mas os Beatles já se separaram faz tempo, dois deles morreram, não há novas gravações, enfim, a situação tem lá seus atenuantes.
De qualquer forma, eu tenho a impressão de que é possível determinar a idade de alguém pelas celebridades que ele conhece. Usando o futebol como exemplo: se o cara não conhece Nilton Santos ele não é necessariamente jovem. Se o cara não conhece Sócrates, ele com certeza é jovem. Agora, se o cara não conhece o Higuita ele definitivamente não tem mais de 18 anos.
Higuita não diz nada para os jovens-jovens, assim como algum goleiro da Colômbia da década de 60 não diz nada pra mim.
Sendo assim, defino aqui meu padrão de reconhecimento da juventude-jovem pelo Higuita. Se você não conhece o figura, provavelmente ainda não fez vestibular e certamente nunca provou a pururuca Bottrel (ok, se você tem menos de 30 muito dificilmente provou).
Então, fica combinado. Se você, jovem-jovem, quiser conversar com o tio Maurilo como se tivéssemos uma idade mais compatível, procure na Wikipedia tudo sobre o homem da foto aí debaixo.
E pra começar, assista a este vídeo aqui.
Direto na têmpora: Bull rider - The Detours
quinta-feira, maio 19, 2011
Sophia sobre o escuro
No escuro a gente acha que algumas coisas que não existem, existem. No claro a gente acha que está tudo bem porque a gente vê tudo o que existe.
No escuro, se a gente vê Coraline, acha que a mãe dela existe. No claro também. Dá medo igual.
No escuro a gente tem medo do que não vê. No claro a gente só tem medo do que vê.
No escuro a gente tem vontade de dormir e de brincar. No claro a gente tem vontade de brincar. No pôr-do-sol a gente também tem vontade de brincar. Ah, a gente tem vontade de brincar é o dia inteiro.
Direto na têmpora: Human - The Human League
No escuro, se a gente vê Coraline, acha que a mãe dela existe. No claro também. Dá medo igual.
No escuro a gente tem medo do que não vê. No claro a gente só tem medo do que vê.
No escuro a gente tem vontade de dormir e de brincar. No claro a gente tem vontade de brincar. No pôr-do-sol a gente também tem vontade de brincar. Ah, a gente tem vontade de brincar é o dia inteiro.
Direto na têmpora: Human - The Human League
quarta-feira, maio 18, 2011
Uma inocente observação política
Não consigo pensar em alguma exceção para o que eu vou dizer, embora isso não queria dizer que ela não exista.
É que desde sempre vejo grupos políticos tidos como sérios se aliando a alguma corja com o argumento de que é pelo bem de um projeto maior.
Acontece na direita, acontece na esquerda, acontece no centro. Alia-se a qualquer um desde que isso signifique a vitória de um objetivo "x" e as pessoas não apenas aceitam como defendem este tipo de atitude.
Eu, em minha visão ingênua, imagino um sorveteiro que está louco para levar a qualidade inquestionável de seus produtos a todo o País. São sorvetes deliciosos, saudáveis, nutritivos, baratos e, para que estejam à disposição de todos, o sorveteiro precisa se aliar a alguém, já que não tem condições de produzir no volume necessário.
Ele busca vários parceiros, mas percebe que a opção mais lucrativa e rápida é se aliar a um famoso produtor de cocô de vaca. Não é o que ele queria, mas é importante para o projeto maior.
Em pouco tempo o sorveteiro atinge sua meta e está presente em todo o Brasil, levando às massas seu delicioso sorvete com um custo reduzido e os mais diversos sabores.
O único problema é que agora ele está misturado com cocô de vaca.
E aí, vale a pena?
Direto na têmpora: Vaulted eel - Rasputina
É que desde sempre vejo grupos políticos tidos como sérios se aliando a alguma corja com o argumento de que é pelo bem de um projeto maior.
Acontece na direita, acontece na esquerda, acontece no centro. Alia-se a qualquer um desde que isso signifique a vitória de um objetivo "x" e as pessoas não apenas aceitam como defendem este tipo de atitude.
Eu, em minha visão ingênua, imagino um sorveteiro que está louco para levar a qualidade inquestionável de seus produtos a todo o País. São sorvetes deliciosos, saudáveis, nutritivos, baratos e, para que estejam à disposição de todos, o sorveteiro precisa se aliar a alguém, já que não tem condições de produzir no volume necessário.
Ele busca vários parceiros, mas percebe que a opção mais lucrativa e rápida é se aliar a um famoso produtor de cocô de vaca. Não é o que ele queria, mas é importante para o projeto maior.
Em pouco tempo o sorveteiro atinge sua meta e está presente em todo o Brasil, levando às massas seu delicioso sorvete com um custo reduzido e os mais diversos sabores.
O único problema é que agora ele está misturado com cocô de vaca.
E aí, vale a pena?
Direto na têmpora: Vaulted eel - Rasputina
Princesa
Ontem meu amigo Herbert Rafael, da 3Bits, me ligou e eu atendi com a mesma brincadeirinha de sempre:
- Ei, princesa!
Ouvindo a saudação, Sophia gritou lá do quarto:
- Papai! Não pode chamar os outros de princesa, só eu!
Essa tal de genética é um negócio hereditário mesmo.
Direto na têmpora: Beside you - Iggy Pop
- Ei, princesa!
Ouvindo a saudação, Sophia gritou lá do quarto:
- Papai! Não pode chamar os outros de princesa, só eu!
Essa tal de genética é um negócio hereditário mesmo.
Direto na têmpora: Beside you - Iggy Pop
terça-feira, maio 17, 2011
Duas bonitinhas da Sophia
Anteontem perdemos uma pessoa da família e fomos explicando para a minha Sophia que tio Paulinho (tio-avô dela) havia virado estrelinha e que por isso estávamos tristes, etc. Aí, bem na hora de dormir, Fernanda e ela tiveram um diálogo mais ou menos assim:
- Mamãe, vamos rezar pro tio Paulinho ser bem feliz na casinha nova dele?
- Vamos sim, Sophia.
Rezaram e depois a pequena continuou.
- Mamãe, bichinho quando morre vira caveirinha, não é?
- É, sim, filha.
- E porque é que a gente vira estrelinha?
- A gente vira caveirinha também, filha, mas é que tem uma coisa dentro da gente chamada alma que faz a gente sentir e pensar que vai pro Céu e vira estrelinha.
- É o coração?
- Não, é outra coisa...
Foi daí pra cima. E eu que não participei do papo fiquei feliz por saber da curiosidade dela, do carinho dela com o Paulinho e mais feliz ainda porque não ter que responder essas coisas complicadas que eu mesmo não entendo.
__//__
Hoje a minha Sophia escutou Adele pela primeira vez. A música terminou e ela pediu pra repetir.
Depois da segunda audição de "Someone like you" eu coloquei outra música e ela perguntou:
- É a mesma moça?
- É, sim.
- A voz dela é liiiiinnnndaaaaa.
É mesmo, Sophia, e se você leitor pasteleiro não conhece, olha aí.
Direto na têmpora: No more "I love yous" - The Lover Speaks
- Mamãe, vamos rezar pro tio Paulinho ser bem feliz na casinha nova dele?
- Vamos sim, Sophia.
Rezaram e depois a pequena continuou.
- Mamãe, bichinho quando morre vira caveirinha, não é?
- É, sim, filha.
- E porque é que a gente vira estrelinha?
- A gente vira caveirinha também, filha, mas é que tem uma coisa dentro da gente chamada alma que faz a gente sentir e pensar que vai pro Céu e vira estrelinha.
- É o coração?
- Não, é outra coisa...
Foi daí pra cima. E eu que não participei do papo fiquei feliz por saber da curiosidade dela, do carinho dela com o Paulinho e mais feliz ainda porque não ter que responder essas coisas complicadas que eu mesmo não entendo.
__//__
Hoje a minha Sophia escutou Adele pela primeira vez. A música terminou e ela pediu pra repetir.
Depois da segunda audição de "Someone like you" eu coloquei outra música e ela perguntou:
- É a mesma moça?
- É, sim.
- A voz dela é liiiiinnnndaaaaa.
É mesmo, Sophia, e se você leitor pasteleiro não conhece, olha aí.
Direto na têmpora: No more "I love yous" - The Lover Speaks
A ilusão do vôo
Acabo de assistir a duas animaçõezinhas bem legais sobre a ilusão do vôo. Essa ilusão que a gente tem de poder ir mais alto do que seria humanamente possível, de contrariar a física e inventar um rumo que exija asas e não pés.
Uma teimosia de que a queda não é fim, mas o começo de uma nova trajetória que nos suspende até algum lugar onde somos livres.
A sensação de que somos leves, quase imateriais e de que nossos caminhos são o espaço aberto e não as trilhas pré-traçadas.
Às vezes é fundamental alimentar essa ilusão do vôo e acreditar que as leis da física são meras sugestãoes.
Os dois filmezinhos estão logo aí abaixo pra vocês conferirem também.
Direto na têmpora: Going, going, gone - Infectious Grooves
Uma teimosia de que a queda não é fim, mas o começo de uma nova trajetória que nos suspende até algum lugar onde somos livres.
A sensação de que somos leves, quase imateriais e de que nossos caminhos são o espaço aberto e não as trilhas pré-traçadas.
Às vezes é fundamental alimentar essa ilusão do vôo e acreditar que as leis da física são meras sugestãoes.
Os dois filmezinhos estão logo aí abaixo pra vocês conferirem também.
The Diver from James Lancett on Vimeo.
Le nuage from Pierre Clenet on Vimeo.
Direto na têmpora: Going, going, gone - Infectious Grooves
segunda-feira, maio 16, 2011
Eternos 3 anos de idade
Certas pessoas nunca ultrapassam os seus 3 anos de idade. Gostam de ver sempre as mesmas coisas, de ler sempre os mesmos livros, de brincar sempre nos mesmos brinquedos.
Extraem um grande prazer não da variedade, do inusitado, do ousado, mas da repetição. Confortam-se com a segurança de ouvir as mesmas expressões, de seguir a sequência que tranquiliza, de encontrar o reconfortante final sem surpresas.
Gente assim é fundamental em determinados cargos em que a constância e a repetição de ações mostram-se fundamentais, mas quando trabalham com marketing ou comunicação produzem os maiores desastres. São inimigos convictos da criatividade, defensors de fórmulas que possam ser usadas milhares de vezes em qualquer situação, avessos ao risco.
São crianças de 3 anos rindo das piadas que já conhecem, teimando em pasteurizar a mensagem, negando-se a entender que o mundo não é seguro, não é imutável, não é só deles e não é aconchegante como o velho dvd que se assiste pela milhonésima vez.
Direto na têmpora: The greatest - Cat Power
Extraem um grande prazer não da variedade, do inusitado, do ousado, mas da repetição. Confortam-se com a segurança de ouvir as mesmas expressões, de seguir a sequência que tranquiliza, de encontrar o reconfortante final sem surpresas.
Gente assim é fundamental em determinados cargos em que a constância e a repetição de ações mostram-se fundamentais, mas quando trabalham com marketing ou comunicação produzem os maiores desastres. São inimigos convictos da criatividade, defensors de fórmulas que possam ser usadas milhares de vezes em qualquer situação, avessos ao risco.
São crianças de 3 anos rindo das piadas que já conhecem, teimando em pasteurizar a mensagem, negando-se a entender que o mundo não é seguro, não é imutável, não é só deles e não é aconchegante como o velho dvd que se assiste pela milhonésima vez.
Direto na têmpora: The greatest - Cat Power
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comunicação,
criatividade,
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Novidades do mundo de Sophia
Minha Sophia vai ganhar um cachorrinho Dachshund (Teckel) de pêlo duro. Uma fêmeazinha que ela viu no final de semana e pela qual já se apaixonou.
Minha Sophia agora tem janelinha. Nunca vi alguém tão feliz por perder um dente.
Minha Sophia estava saindo da casa dos meus pais em uma noite gelada de sábado, entrou no carro correndo e pediu pra mim:
- Porquinho, liga o ar bem quentinho, bem quentinho? Quentinho igual a um sol. Quentinho igual a um dia na praia!
Direto na têmpora: Rainbow in the dark - Dio
Minha Sophia agora tem janelinha. Nunca vi alguém tão feliz por perder um dente.
Minha Sophia estava saindo da casa dos meus pais em uma noite gelada de sábado, entrou no carro correndo e pediu pra mim:
- Porquinho, liga o ar bem quentinho, bem quentinho? Quentinho igual a um sol. Quentinho igual a um dia na praia!
Direto na têmpora: Rainbow in the dark - Dio
sexta-feira, maio 13, 2011
Bacon and Hobbes
Uma homenagem do pessoal da "Pants Are Overrated " a um dos meus personagens favoritos: Calvin.
Direto na têmpora: Song 2 - Blur
Direto na têmpora: Song 2 - Blur
Labels:
Calvin,
homenagem,
quadrinhos
Romantismo
Fernanda:
- Que música é essa?
Eu:
- É do Cake.
Fernanda:
- Cake? Não tô gostando, não.
Sophia entra na conversa:
- É, papai, a mamãe só gosta daquelas cosias beeeeem românticas...
PS - Enfim o blogger voltou e tô conseguindo postar, mas alguns comentários e o post de ontem desapareceram. Um saco, mas é assim.
Direto na têmpora: Let me go - Cake
- Que música é essa?
Eu:
- É do Cake.
Fernanda:
- Cake? Não tô gostando, não.
Sophia entra na conversa:
- É, papai, a mamãe só gosta daquelas cosias beeeeem românticas...
PS - Enfim o blogger voltou e tô conseguindo postar, mas alguns comentários e o post de ontem desapareceram. Um saco, mas é assim.
Direto na têmpora: Let me go - Cake
quarta-feira, maio 11, 2011
Jabá total
Eu hoje acordei com vontade de fazer jabá. Vou recomendar empresas das quais eu gosto como recomendo livros: sem ganhar um puto. Quem quiser que faça bom proveito.
Se você gosta de pizza, indico a "Domenico Pizzeria", que além de uma senhora pizza ainda tem a promoção de compre um vinho e leve outro igual. Vale muito a visita.
Se você curte uma empresa criativa e com uma linha de produtos (principalmente) infantis que são de deixar a gente doido, tem que conhecer a "Gatos Pingados". Ah, e eles estão com promoção.
Ainda sobre crianças, se você curte livros infantis e espaços criativos, visite a "Livraria Corre Cutia", que além de ser uma delícia de lugar, tem meus livros.
Claro que tem mais lugares, lojas e marcas que mereceriam uma jabazada gratuita, mas aí eu deixo a indicação pra quem resolver perguntar. Fiquem à vontade.
Direto na têmpora: Grown so ugly - The Black Keys
Se você gosta de pizza, indico a "Domenico Pizzeria", que além de uma senhora pizza ainda tem a promoção de compre um vinho e leve outro igual. Vale muito a visita.
Se você curte uma empresa criativa e com uma linha de produtos (principalmente) infantis que são de deixar a gente doido, tem que conhecer a "Gatos Pingados". Ah, e eles estão com promoção.
Ainda sobre crianças, se você curte livros infantis e espaços criativos, visite a "Livraria Corre Cutia", que além de ser uma delícia de lugar, tem meus livros.
Claro que tem mais lugares, lojas e marcas que mereceriam uma jabazada gratuita, mas aí eu deixo a indicação pra quem resolver perguntar. Fiquem à vontade.
Direto na têmpora: Grown so ugly - The Black Keys
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dica
Matutina
Sophia acorda hoje naquela preguicinha e pede pra dormir mais um pouquinho.
- Papai, quando você sair deixa só uma flechinha de luz na porta do quarto, tá?
Direto na têmpora: Right here, right now - Jesus Jones
- Papai, quando você sair deixa só uma flechinha de luz na porta do quarto, tá?
Direto na têmpora: Right here, right now - Jesus Jones
terça-feira, maio 10, 2011
Confuso
Tem gente que confunde inveja com admiração. Tem gente que confunde ciúmes com amor.
Tem gente que confunde opinião com verdade, desejo com necessidade, proximidade com amizade.
Tem gente que confunde emprego com identidade, tem gente que confunde sorriso com permissão e um abraço com perdão.
Tem gente que confunde um talvez com um sim e uma possibilidade com uma certeza.
Tem gente que confunde privacidade com isolamento e abuso com liberdade.
E quer saber do que mais? Tá tudo certo, a vida é confusa mesmo.
Direto na têmpora: The prettiest star - David Bowie
Tem gente que confunde opinião com verdade, desejo com necessidade, proximidade com amizade.
Tem gente que confunde emprego com identidade, tem gente que confunde sorriso com permissão e um abraço com perdão.
Tem gente que confunde um talvez com um sim e uma possibilidade com uma certeza.
Tem gente que confunde privacidade com isolamento e abuso com liberdade.
E quer saber do que mais? Tá tudo certo, a vida é confusa mesmo.
Direto na têmpora: The prettiest star - David Bowie
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opinião
O olhar criativo
Darei duas palestras este mês sobre o olhar criativo. Escolhi o tema porque ainda me impressiono com quantas pessoas se autodefinem como "não-criativas" ou "pouco criativas".
É muita gente que ainda não percebeu que a criatividade é um exercício diário e que está muito além da função (no caso da propaganda) do redator e do diretor de arte.
Eu considero que olhar criativamente para as coisas, raciocinar de maneira nova sobre um velho problema, buscar a inovação nos relacionamentos são obrigações de praticamente todo profissional.
Para mim, alçar a criatividade ao status de privilégio de poucos é um equívoco que muitas empresas, de qualquer segmento, ainda cometem e tendem a continuar cometendo.
Dito isso, criatividade também requer um exercício de humildade. É preciso ouvir que a ideia não é boa, que o processo não funciona, que alguém achou um caminho melhor.
E, principalmente, ser criativo não quer dizer de maneira alguma que você tenha direito de mexer no meu texto, porra!
PS - Tirando o último parágrafo que é obviamente uma brincadeira, o resto do texto tá valendo e eu assino embaixo.
Direto na têmpora: I'm on standby - Grandaddy
É muita gente que ainda não percebeu que a criatividade é um exercício diário e que está muito além da função (no caso da propaganda) do redator e do diretor de arte.
Eu considero que olhar criativamente para as coisas, raciocinar de maneira nova sobre um velho problema, buscar a inovação nos relacionamentos são obrigações de praticamente todo profissional.
Para mim, alçar a criatividade ao status de privilégio de poucos é um equívoco que muitas empresas, de qualquer segmento, ainda cometem e tendem a continuar cometendo.
Dito isso, criatividade também requer um exercício de humildade. É preciso ouvir que a ideia não é boa, que o processo não funciona, que alguém achou um caminho melhor.
E, principalmente, ser criativo não quer dizer de maneira alguma que você tenha direito de mexer no meu texto, porra!
PS - Tirando o último parágrafo que é obviamente uma brincadeira, o resto do texto tá valendo e eu assino embaixo.
Direto na têmpora: I'm on standby - Grandaddy
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criação,
criatividade,
opinião,
palestras
segunda-feira, maio 09, 2011
O acordeão
Minha Sophia tem um bom ouvido musical. Não é nada excepcional, mas ela já liga o pandeiro instintivamente ao samba, a guitarra ao rock, o violino à música clássica e vai assim construindo seu arquivo de sons e suas correlações cada vez mais complexas.
Pois outro dia, ouvindo um tango, Sophia escutou um acordeão e, sem familiaridade com o estilo musical hermano disparou:
- Isso é música de festa da junina, né?
PS - Eu sei que o instrumento usado no tango é o bandoneón, mas como ele é um instrumento de fole e como aqui no Brasil dizemos acordeão ou sanfona, optei por valorizar a piada e não me concentrar nos detalhes. De qualquer forma, obrigado ao marco que percebeu e comentou a questão.
Direto na têmpora: Pretty ballerina - Eels
Pois outro dia, ouvindo um tango, Sophia escutou um acordeão e, sem familiaridade com o estilo musical hermano disparou:
- Isso é música de festa da junina, né?
PS - Eu sei que o instrumento usado no tango é o bandoneón, mas como ele é um instrumento de fole e como aqui no Brasil dizemos acordeão ou sanfona, optei por valorizar a piada e não me concentrar nos detalhes. De qualquer forma, obrigado ao marco que percebeu e comentou a questão.
Direto na têmpora: Pretty ballerina - Eels
sexta-feira, maio 06, 2011
Meu conselho para as mães
A todas as mães do mundo, um conselho: sejam como a minha própria mãe, que ao me ver chegar com o fruto da minha inabilidade, sempre mostrou-se carinhosa.
Minha habilidade manual compara-se a de um ser desprovido de polegares opositores. E eu não estou exagerando.
Meus vergonhosos vasinhos de cerâmica, por exemplo, poderiam ser confundidos com uma nebulosa ou com os resto mortais de um guaxinim.
A bem da verdade, tudo o que eu produzia chegava purgando cola branca, cheio de ângulos estranhos e materiais que, definitivamente, não deveriam estar ali. Receber uma obra de arte minha era como ganhar um passe para vislumbrar diretamente algum canto esquecido do inferno.
E no entanto, ó amor materno, minha progenitora sempre recebeu todos estes abortos criativos com o mesmo olhar carinhoso e as mesmas palavras amorosas:
- Que lindo, meu filho. O que é isso mesmo?
Direto na têmpora: Bayern - Die Toten Hosen
Minha habilidade manual compara-se a de um ser desprovido de polegares opositores. E eu não estou exagerando.
Meus vergonhosos vasinhos de cerâmica, por exemplo, poderiam ser confundidos com uma nebulosa ou com os resto mortais de um guaxinim.
A bem da verdade, tudo o que eu produzia chegava purgando cola branca, cheio de ângulos estranhos e materiais que, definitivamente, não deveriam estar ali. Receber uma obra de arte minha era como ganhar um passe para vislumbrar diretamente algum canto esquecido do inferno.
E no entanto, ó amor materno, minha progenitora sempre recebeu todos estes abortos criativos com o mesmo olhar carinhoso e as mesmas palavras amorosas:
- Que lindo, meu filho. O que é isso mesmo?
Direto na têmpora: Bayern - Die Toten Hosen
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dia das mães,
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humor
O bigode da bruxa
A bruxa Zita vivia em uma casa velha e escura, bem no meio da floresta. As amigas dela já tinham todas se mudado, mas a bruxa Zita continuava morando ali sozinha, longe de tudo e de todos.
Sabe o que é? É que a Zita tinha um pouco de vergonha de sair dali por causa do seu bigode. Sim, é a mais pura verdade, a bruxa Zita tinha um bigodão de meter medo em qualquer um. E nem em bruxas isso é legal.
Do outro lado da cidade, bem longe da floresta, Marcos estava morrendo de tédio. Não achava mais graça na televisão, não se divertia mais com seus jogos eletrônicos, nem descia para o playground do prédio para brincar.
Na verdade, Marcos queria era sair por aí, ver pessoas diferentes, conhecer lugares novos, viver aventuras. Mas ao invés disso, todo mundo dizia que ele era muito criança e Marcos apenas suspirava e brincava de novo com o game que ele já conhecia de cor.
Só que o tempo passou e, como todo mundo sabe, a vida é cheia de coincidências. O dia em que Marcos resolveu fugir de casa foi exatamente o mesmo dia em que a Zita decidiu largar seu cantinho solitário e correr mundo.
E aí, justamente porque a gente vive se encontrando e desencontrando por aqui e por ali, o menino Marcos e a bruxa Zita deram de cara um com o outro exatamente à meia-noite, na praça mais bonita da cidade.
Foram dois sustos grandes. Quer dizer, o Marcos tomou um susto grande e a bruxa Zita teve uma surpresa grande. De qualquer forma, os dois ficaram muito espantados.
- Gente, mas é um menino... o que será que ele está fazendo por aqui? - pensou a bruxa.
- Uau! É uma bruxa! E que bigode enorme! - foi o que pensou o Marcos.
Um ficou olhando para o outro sem saber o que falar, sem saber o que fazer e então, como se tivessem combinado, ele sentou na ponta de um banco e ela sentou na outra.
Ele tentava parecer mais alto, fazia cara de adulto e fingia não ter medo. Ela olhava pros lados, tentava esconder o bigode com a mão e fingia procurar alguma coisa em sua sacola.
Depois de alguns minutos, Marcos não aguentou mais de curiosidade e perguntou:
- A... a... a... a senhora é uma bruxa?
- Sou sim - disse a bruxa Zita tentando parecer simpática. Meu nome é Zita, muito prazer.
- Meu nome é Marcos - o menino respondeu baixinho. Você mora por aqui? Eu não sabia que havia bruxas na cidade.
- Bom, na verdade eu moro na floresta lá longe.
E com um olhar triste, Zita completou:
- Quer dizer, morava...
- Você fugiu de casa? Eu também fugi.
- Bom, eu acho que eu não fugi de casa. É que eu moro sozinha e não dá pra fugir de casa se não tem mais ninguém em casa, né?
- É, mas você pode estar fugindo de alguma coisa que não é uma pessoa. Pode fugir de um medo, de uma briga, de muito barulho, de um monte de coisas.
Os dois então falaram juntos:
- Da solidão...
Daí pra frente, eles foram conversando e sabendo cada vez um pouquinho mais sobre a vida do outro.
O Marcos ficou sabendo que a Zita tinha vergonha do bigode, que quase não saía de casa por isso, que era uma bruxa ótima em fazer poções de troca e que adorava morcegos e teias de aranha bem compridas.
A Zita ficou sabendo que o Marcos também era muito sozinho, que passava o dia inteiro no quarto, que detestava ser tratado como criança, que era fã de Harry Potter e odiava couve.
Falaram tanto, tanto, tanto que quando deram por si (ou será que é por sis?) já estava amanhecendo. A Zita então puxou sua capa e os dois dormiram naquela cabaninha, bem debaixo da estátua, sem que ninguém percebesse.
Os dois acordaram no meio da tarde e, talvez porque houvesse algum feitiço na capa da bruxa, ninguém incomodou os dois. Era um dia de sol e lá foram eles arranjar o que comer.
Marcos ofereceu um cachorro-quente para a Zita e ela, que nunca tinha experimentado, provou e adorou.
Zita fez um guisado de olhos de calango e o Marcos, por educação, teve que provar um pouquinho, mas achou tão delicioso que comeu tudo e ainda repetiu duas vezes.
Resolveram sair daquela cidade e continuar andando por aí. Conheceram lugarejos frios e antigos, passaram por cidades quentes e cheias de gente, brincaram no meio de vilas abandonadas e foram aprendendo um com o outro pelo meio do caminho.
Marcos aprendeu a fazer um guisado de calango quase tão bom quanto o dela e Zita já sabia todos os truques para arrebentar no Super Mario Kart. Ficaram amigos, mas amigos mesmo, como se sempre tivessem estado um do lado do outro.
Mas o tempo passa, a saudade aperta e a vida tem um jeito todo especial de lembrar a gente das coisas que ficaram para trás. Marcos andava com vontade de abraçar seus pais e Zita até sonhava com os longos vôos de vassoura ao lado das suas amigas.
Sem que nenhum dos dois precisasse falar nada, eles já sabiam que estava chegando a hora de dizer adeus.
Os dois tinham mudado muito naquele tempo juntos: estavam mais confiantes, mais corajosos, mais felizes. E um não queria ir embora sem dar um grande presente pro outro.
Nenhum dos dois se lembra (ou talvez se lembrem, mas não queiram contar) de quem foi a ideia da troca, mas o fato é que foi coisa de gênio. A Zita fez uma de suas famosas poções de troca e ziiiiiiiiiiiiinnnnnnnng! Seu bigode foi parar no rosto do Marcos!
Tá certo que na troca ela ganhou algumas espinhas do menino que já estava virando adolescente, mas nem ligou. Em bruxas, espinhas e verrugas são até charmosas. E o Marcos ficou felicíssimo com seu bigode novinho em folha que o fazia parecer mais velho, mais forte, mais poderoso.
Dizem que os dois choraram em silêncio na hora de partir, mas como um estava de costas pro outro, ninguém tem certeza se foi verdade ou não.
Zita reencontrou suas amigas e viveu mais dois mil anos fazendo feitiços, criando aranhas, voando de vassoura e, de vez em quando, se trancando por horas no quarto para jogar Super Mario Kart.
Marcos virou o rei da turma com seu belo bigode de bruxa e com as histórias incríveis que tinha para contar, mas volta e meia ainda ficava quieto, calado no seu canto.
Era um pouco de saudades, um pouco de tristeza, mas era algo mais também.
Ninguém me contou, mas eu sei, que o que o Marcos tinha mesmo era uma vontade danada de comer o guisado de olhos de calango que só a Zita sabia fazer.
Direto na têmpora: Flores - Cafe Tacuba
Sabe o que é? É que a Zita tinha um pouco de vergonha de sair dali por causa do seu bigode. Sim, é a mais pura verdade, a bruxa Zita tinha um bigodão de meter medo em qualquer um. E nem em bruxas isso é legal.
Do outro lado da cidade, bem longe da floresta, Marcos estava morrendo de tédio. Não achava mais graça na televisão, não se divertia mais com seus jogos eletrônicos, nem descia para o playground do prédio para brincar.
Na verdade, Marcos queria era sair por aí, ver pessoas diferentes, conhecer lugares novos, viver aventuras. Mas ao invés disso, todo mundo dizia que ele era muito criança e Marcos apenas suspirava e brincava de novo com o game que ele já conhecia de cor.
Só que o tempo passou e, como todo mundo sabe, a vida é cheia de coincidências. O dia em que Marcos resolveu fugir de casa foi exatamente o mesmo dia em que a Zita decidiu largar seu cantinho solitário e correr mundo.
E aí, justamente porque a gente vive se encontrando e desencontrando por aqui e por ali, o menino Marcos e a bruxa Zita deram de cara um com o outro exatamente à meia-noite, na praça mais bonita da cidade.
Foram dois sustos grandes. Quer dizer, o Marcos tomou um susto grande e a bruxa Zita teve uma surpresa grande. De qualquer forma, os dois ficaram muito espantados.
- Gente, mas é um menino... o que será que ele está fazendo por aqui? - pensou a bruxa.
- Uau! É uma bruxa! E que bigode enorme! - foi o que pensou o Marcos.
Um ficou olhando para o outro sem saber o que falar, sem saber o que fazer e então, como se tivessem combinado, ele sentou na ponta de um banco e ela sentou na outra.
Ele tentava parecer mais alto, fazia cara de adulto e fingia não ter medo. Ela olhava pros lados, tentava esconder o bigode com a mão e fingia procurar alguma coisa em sua sacola.
Depois de alguns minutos, Marcos não aguentou mais de curiosidade e perguntou:
- A... a... a... a senhora é uma bruxa?
- Sou sim - disse a bruxa Zita tentando parecer simpática. Meu nome é Zita, muito prazer.
- Meu nome é Marcos - o menino respondeu baixinho. Você mora por aqui? Eu não sabia que havia bruxas na cidade.
- Bom, na verdade eu moro na floresta lá longe.
E com um olhar triste, Zita completou:
- Quer dizer, morava...
- Você fugiu de casa? Eu também fugi.
- Bom, eu acho que eu não fugi de casa. É que eu moro sozinha e não dá pra fugir de casa se não tem mais ninguém em casa, né?
- É, mas você pode estar fugindo de alguma coisa que não é uma pessoa. Pode fugir de um medo, de uma briga, de muito barulho, de um monte de coisas.
Os dois então falaram juntos:
- Da solidão...
Daí pra frente, eles foram conversando e sabendo cada vez um pouquinho mais sobre a vida do outro.
O Marcos ficou sabendo que a Zita tinha vergonha do bigode, que quase não saía de casa por isso, que era uma bruxa ótima em fazer poções de troca e que adorava morcegos e teias de aranha bem compridas.
A Zita ficou sabendo que o Marcos também era muito sozinho, que passava o dia inteiro no quarto, que detestava ser tratado como criança, que era fã de Harry Potter e odiava couve.
Falaram tanto, tanto, tanto que quando deram por si (ou será que é por sis?) já estava amanhecendo. A Zita então puxou sua capa e os dois dormiram naquela cabaninha, bem debaixo da estátua, sem que ninguém percebesse.
Os dois acordaram no meio da tarde e, talvez porque houvesse algum feitiço na capa da bruxa, ninguém incomodou os dois. Era um dia de sol e lá foram eles arranjar o que comer.
Marcos ofereceu um cachorro-quente para a Zita e ela, que nunca tinha experimentado, provou e adorou.
Zita fez um guisado de olhos de calango e o Marcos, por educação, teve que provar um pouquinho, mas achou tão delicioso que comeu tudo e ainda repetiu duas vezes.
Resolveram sair daquela cidade e continuar andando por aí. Conheceram lugarejos frios e antigos, passaram por cidades quentes e cheias de gente, brincaram no meio de vilas abandonadas e foram aprendendo um com o outro pelo meio do caminho.
Marcos aprendeu a fazer um guisado de calango quase tão bom quanto o dela e Zita já sabia todos os truques para arrebentar no Super Mario Kart. Ficaram amigos, mas amigos mesmo, como se sempre tivessem estado um do lado do outro.
Mas o tempo passa, a saudade aperta e a vida tem um jeito todo especial de lembrar a gente das coisas que ficaram para trás. Marcos andava com vontade de abraçar seus pais e Zita até sonhava com os longos vôos de vassoura ao lado das suas amigas.
Sem que nenhum dos dois precisasse falar nada, eles já sabiam que estava chegando a hora de dizer adeus.
Os dois tinham mudado muito naquele tempo juntos: estavam mais confiantes, mais corajosos, mais felizes. E um não queria ir embora sem dar um grande presente pro outro.
Nenhum dos dois se lembra (ou talvez se lembrem, mas não queiram contar) de quem foi a ideia da troca, mas o fato é que foi coisa de gênio. A Zita fez uma de suas famosas poções de troca e ziiiiiiiiiiiiinnnnnnnng! Seu bigode foi parar no rosto do Marcos!
Tá certo que na troca ela ganhou algumas espinhas do menino que já estava virando adolescente, mas nem ligou. Em bruxas, espinhas e verrugas são até charmosas. E o Marcos ficou felicíssimo com seu bigode novinho em folha que o fazia parecer mais velho, mais forte, mais poderoso.
Dizem que os dois choraram em silêncio na hora de partir, mas como um estava de costas pro outro, ninguém tem certeza se foi verdade ou não.
Zita reencontrou suas amigas e viveu mais dois mil anos fazendo feitiços, criando aranhas, voando de vassoura e, de vez em quando, se trancando por horas no quarto para jogar Super Mario Kart.
Marcos virou o rei da turma com seu belo bigode de bruxa e com as histórias incríveis que tinha para contar, mas volta e meia ainda ficava quieto, calado no seu canto.
Era um pouco de saudades, um pouco de tristeza, mas era algo mais também.
Ninguém me contou, mas eu sei, que o que o Marcos tinha mesmo era uma vontade danada de comer o guisado de olhos de calango que só a Zita sabia fazer.
Direto na têmpora: Flores - Cafe Tacuba
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quinta-feira, maio 05, 2011
Um dinossauro, um quase-dinossauro e um mamute
Trina Tricerátopo
Tricerátopos são dinossauros chifrudos
E com a pequena Trina também é assim
Três chifres na testa muito pontudos
E a barriga bem cheia de comer capim
Mas um dia ela teve um problema profundo
Quando encontrou pela frente um estranho bichinho
Era o primeiro pássaro da história do mundo
Que viu a cabeça da Trina e fez o seu ninho
Erasmo Elasmossauro
Bem diferente e muito querido
Erasmo não era um dinossauro comum
Vivia na água, tinha pescoço comprido
E fazia bolhinhas quando soltava pum
Levantava a cabeça para respirar
Mas tinha um fôlego superfantástico
Se nascesse hoje em dia ia arrebentar
Na seleção americana de pólo aquático
Milton Mamute
Milton Mamute era um bicho pesado
Tinha patas enormes, admiráveis
Seu andar era firme e nunca apressado
E só comia vegetais muito saudáveis
Suas presas eram feitas de puro marfim
E seu pelo o protegia do frio assustador
Mas o clima esquentou, o gelo teve fim
E o pobre Milton quase morreu de calor
Direto na têmpora: I can't win - The Strokes
Tricerátopos são dinossauros chifrudos
E com a pequena Trina também é assim
Três chifres na testa muito pontudos
E a barriga bem cheia de comer capim
Mas um dia ela teve um problema profundo
Quando encontrou pela frente um estranho bichinho
Era o primeiro pássaro da história do mundo
Que viu a cabeça da Trina e fez o seu ninho
Erasmo Elasmossauro
Bem diferente e muito querido
Erasmo não era um dinossauro comum
Vivia na água, tinha pescoço comprido
E fazia bolhinhas quando soltava pum
Levantava a cabeça para respirar
Mas tinha um fôlego superfantástico
Se nascesse hoje em dia ia arrebentar
Na seleção americana de pólo aquático
Milton Mamute
Milton Mamute era um bicho pesado
Tinha patas enormes, admiráveis
Seu andar era firme e nunca apressado
E só comia vegetais muito saudáveis
Suas presas eram feitas de puro marfim
E seu pelo o protegia do frio assustador
Mas o clima esquentou, o gelo teve fim
E o pobre Milton quase morreu de calor
Direto na têmpora: I can't win - The Strokes
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quarta-feira, maio 04, 2011
Rosa sobre azul
O dia se despediu com um traço de rosa sobre o azul e respingou de saudades alguma estrela que veio depois.
Direto na têmpora: Red Flags And Long Nights - She Wants Revenge
Direto na têmpora: Red Flags And Long Nights - She Wants Revenge
Jantares
Minha Sophia enrola muito pra comer. Não sei se é de agitação dela ou se é por falta de fome mesmo, só sei que se deixar um almoço dura 4 horas.
Pois outro dia, a pequena mal acordou e já veio falar comigo muito séria.
- Papai, eu conversei com a Sara e agora eu vou jantar no Clic só de manhã, tá?
- Mas, sophia, você não vai ao Clic de manhã.
- Eu sei, mas eu tenho que jantar de manhã senão não dá tempo de acabar.
Direto na têmpora: Common reactor - Silversun Pickups
Pois outro dia, a pequena mal acordou e já veio falar comigo muito séria.
- Papai, eu conversei com a Sara e agora eu vou jantar no Clic só de manhã, tá?
- Mas, sophia, você não vai ao Clic de manhã.
- Eu sei, mas eu tenho que jantar de manhã senão não dá tempo de acabar.
Direto na têmpora: Common reactor - Silversun Pickups
terça-feira, maio 03, 2011
Biblioteca Solidária 2011
Pessoal, vocês já conhecem o esquema. Estou colocando à venda livros que li ao longo do ano e o valor permanece o mesmo: um cobertor de casal (cerca de 17 reais).
Os livros estarão comigo e basta trazer o cobertor para levar (o que significa que é preciso estar em BH para participar). Ah, a preferência será dada àqueles que pedirem primeiro pela caixa de comentários ou pelo email mauriloandreas@gmail.com.
Os cobertores serão entregues à creche Morada Nova e distribuídos para pessoas carentes nas ruas de BH.
Muito obrigado e boa leitura.
- A escritora (Ethel Kacowicz)
- A felicidade conjugal / O diabo (Leon Tolstói)
- A ilha sob o mar (Isabel Allende)
- A queda (Albert Camus)
- As intermitências da morte (José Saramago)
- Coisas frágeis (Neil Gaiman)
- Coisas frágeis 2 (Neil Gaiman)
- Contos fantásticos (Guy de Maupassant)
- Cotoco (John van de Ruit)
- Diário reinventado (Eduardo Osório Cisalpino)
- Germinal (Émile Zola)
- Neverwhere (Neil Gaiman)
- No tapa (Leonardo Araújo)
- O animal agonizante (Philip Roth)
- Os espiões (Luis Fernando Veríssimo)
- Pais e filhos (Ivan Turguêniev)
- Seda (Alessandro Baricco)
- Talvez uma história de amor (Martin Page)
- Travessia de verão (Truman Capote)
- Três contos (Gustave Flaubert)
Direto na têmpora: Nome aos bois - Titãs
Os livros estarão comigo e basta trazer o cobertor para levar (o que significa que é preciso estar em BH para participar). Ah, a preferência será dada àqueles que pedirem primeiro pela caixa de comentários ou pelo email mauriloandreas@gmail.com.
Os cobertores serão entregues à creche Morada Nova e distribuídos para pessoas carentes nas ruas de BH.
Muito obrigado e boa leitura.
- A felicidade conjugal / O diabo (Leon Tolstói)
- A queda (Albert Camus)
- Coisas frágeis 2 (Neil Gaiman)
- No tapa (Leonardo Araújo)
- O animal agonizante (Philip Roth)
- Os espiões (Luis Fernando Veríssimo)
- Pais e filhos (Ivan Turguêniev)
- Travessia de verão (Truman Capote)
Direto na têmpora: Nome aos bois - Titãs
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segunda-feira, maio 02, 2011
A duração do minuto
Um dito popular fala que a duração do minuto depende de que lado da porta do banheiro você está. E se nem a percepção do tempo, algo teoricamente bem claro, é imune a interpretações pessoais e valores relativos, nada mais está.
Por isso é impossível divisar com clareza o que ofende e o que faz rir. O senso comum, o óbvio, o absurdo variam de cultura para cultura, de pessoa para pessoa. E existem ainda aqueles que optem por esticar os limites, ser ofensivo por escolha, como forma de provocar, de gerar discussões, questionamentos, mudanças.
É engraçado como o mesmo comentário sobre, digamos, o PT, causa reações diferentes de dois petistas com a mesma orientação política, tempo de atuação, etc. Um ri, outro se enerva. Um entende como piada, outro acha um absurdo direitista.
Enfim, é impossível agradar a todos e este certamente não pode ser o objetivo de quem quer que esteja nas redes sociais.
De qualquer forma, segue um vídeo do humorista Seth Meyers em um evento da Casa Branca acontecido ontem. A diferença entre as reações do Obama e do Trump quando são zoados dizem tudo.
Direto na têmpora: Hit me with your best shot - Pat Benatar
Por isso é impossível divisar com clareza o que ofende e o que faz rir. O senso comum, o óbvio, o absurdo variam de cultura para cultura, de pessoa para pessoa. E existem ainda aqueles que optem por esticar os limites, ser ofensivo por escolha, como forma de provocar, de gerar discussões, questionamentos, mudanças.
É engraçado como o mesmo comentário sobre, digamos, o PT, causa reações diferentes de dois petistas com a mesma orientação política, tempo de atuação, etc. Um ri, outro se enerva. Um entende como piada, outro acha um absurdo direitista.
Enfim, é impossível agradar a todos e este certamente não pode ser o objetivo de quem quer que esteja nas redes sociais.
De qualquer forma, segue um vídeo do humorista Seth Meyers em um evento da Casa Branca acontecido ontem. A diferença entre as reações do Obama e do Trump quando são zoados dizem tudo.
Direto na têmpora: Hit me with your best shot - Pat Benatar
Teorias da Conspiração
Mal Osama Bin Laden foi declarado morto e começaram as teorias conspiratórias dizendo que sem fotos do corpo, filmagens, etc tudo não passa de uma grande farsa.
Claro que todos nós sabemos que mentir sobre um fato não seria algo exatamente raro na história do Governo Americano (procure no Google: "Bush" e "weapons of mass destruction"), mas me parece um risco tolo a se correr apenas por um impulso na popularidade.
Vamos supor que seja tudo mentira. Obama ganha popularidade, fica favoritíssimo à reeleição e começam a pipocar vídeos de Osama segurando jornais do dia na mão, dizendo que tudo não passa de mentira dos porcos imperialistas e que o povo americano vai sofrer as consquências.
Duvido muito que o governo dos EUA fosse encarar um risco assim. E, acredite, se Bin Laden está livre e vivo, ele não vai deixar uma mentirinha tola assim passar em branco.
Por isso, por mais que ache que teorias conspiratórias dão bons filmes, prefiro passar o ônus da prova ao falecido (ou não) Osama. Se estiver vivo, apareça e acabe com mais uma grande mentira patrocinada pelo poder dos EUA. Se morreu, aproveite as virgens.
Eu, na minha modesta opinião terceiro mundista (inocência?), duvido que alguém se arriscaria a um blefe desse tamanho, com tantas chances de dar errado e que coloca tanta coisa em risco.
Direto na têmpora: Metal heart - Cat Power
Claro que todos nós sabemos que mentir sobre um fato não seria algo exatamente raro na história do Governo Americano (procure no Google: "Bush" e "weapons of mass destruction"), mas me parece um risco tolo a se correr apenas por um impulso na popularidade.
Vamos supor que seja tudo mentira. Obama ganha popularidade, fica favoritíssimo à reeleição e começam a pipocar vídeos de Osama segurando jornais do dia na mão, dizendo que tudo não passa de mentira dos porcos imperialistas e que o povo americano vai sofrer as consquências.
Duvido muito que o governo dos EUA fosse encarar um risco assim. E, acredite, se Bin Laden está livre e vivo, ele não vai deixar uma mentirinha tola assim passar em branco.
Por isso, por mais que ache que teorias conspiratórias dão bons filmes, prefiro passar o ônus da prova ao falecido (ou não) Osama. Se estiver vivo, apareça e acabe com mais uma grande mentira patrocinada pelo poder dos EUA. Se morreu, aproveite as virgens.
Eu, na minha modesta opinião terceiro mundista (inocência?), duvido que alguém se arriscaria a um blefe desse tamanho, com tantas chances de dar errado e que coloca tanta coisa em risco.
Direto na têmpora: Metal heart - Cat Power
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domingo, maio 01, 2011
Anatomia Sophística
- Papai, tô com uma dor bem aqui na "cinturinha" do pé.
Nota do tradutor: na anatomia Sophística, "cinturinha" é aquela parte mais fininha, bem no final da perna, onde a canela se liga ao pé.
Direto na têmpora: Shattered shine - Crystal Stilts
Nota do tradutor: na anatomia Sophística, "cinturinha" é aquela parte mais fininha, bem no final da perna, onde a canela se liga ao pé.
Direto na têmpora: Shattered shine - Crystal Stilts
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