segunda-feira, abril 28, 2008

Espigão

Estava lendo o Eu Consumo, do Edu, e lembrei do meu fornecedor de derivados de milho na Tom. Uma vez por semana o cara aparecia por lá e, assim que eu ouvia os gritos de “pamonha, pamonha”, descia correndo e comprava curau, às vezes bolo de milho, às vezes pamonha, enfim, todas as delícias que só aquele velho fusquinha bege podia proporcionar.

No entanto, surgiu um problema: intimidade. O cara aprendeu meu nome, os guardadores de carro também e a partir daí, bastava eu me demorar um pouco para que o sistema de som do revendedor fosse ouvido por toda região:

“Maurilo! Ô, Maurilo! Desce aí, rápido! Tem curau! Vem pegar que o cara já tá indo embora!”.

Enfim, se acontecesse com algum profissional que se importa minimamente com a própria imagem, teria sido péssimo.




Direto na têmpora: Demon Cleaner - Kyuss

16 comentários:

ndms disse...

Pior sería se êle gritasse: " porra Maurilo você me deve 2 semanas. Quando é que vai pagar ?"

Bem o uso da intimidade também é uma arte: normalmente, sua medida não deve ser tão pequena ( para evitar o isolamento ) e nem tão grande ( para evitar o sufocamento )

redatozim disse...

Eu discordo um pouco, ndms, apesar de nem sempre conseguir à risca meu raciocínio, mas pra mim, em abiente de trabalho, a intimidade é sempre nociva. A proximidade é importante, mas a intimidade complica. Enfim, é só uma opinião.

Michelle disse...

Frase celebre: intimidade é uma bosta!
Micho

alexandre disse...

não pude deixar de lembrar de rodney dy, autor do grande funk da pamonha.

acredito que nessa época não existia ainda essa pérola.

por sorte, creio eu.

redatozim disse...

Intimidade é que nem açúcar, micho: na medida certa é uma delícia, mas se exagerar faz um mal da porra. Já no trabalho, intimidade é que nem cicuta, aí você preenche o resto da frase.

redatozim disse...

Alexandre, eu tenho medo de você.

Ali quid pro quid disse...

Olá. Hoje pensei em escrever sobre os Baianos Autoritários que vociferam ordens ao som de ritmos hipnotizantes, mas antes digitei "vai descendo sua ordinária" no Google e achei um post seu de 2006. Ok, você tirou o pastel da minha boca, mas valeu, era quase exatamente o que eu ia escrever.
Abraço de um redator exilado em Americana, SP!

redatozim disse...

Ali quid, comunguemos do mesmo pastel, copie o post (citando fontes), mutile-o ou simplesmente faça um novo, oras. Há pastéis para todos. E volte sempre. Aliás, fugindo do tema, sabe que a vida do interior de SP me parece bem boa? Houve um tempo em que quis morar em Holambra com minha mulher, sabe-se lá porque.

Rubens disse...

É, não deve ser fácil ter o curau alardeado em alto som pela vizinhança...

redatozim disse...

É como eu sempre digo, Rubéola, cão ponha o meu curau no meio que eu ponho no meio do seu, ou qualquer coisa do gênero.

Amie Amie. disse...

Maurileeeet's! Acredita que o cara da pamonha passou aqui perto da loja outro dia? Adivinha de quem eu lembrei? Ai, super saudades nesse momento...

Danny Falabella disse...

isso é que dá se meter com cara de fusquinhas beges...ou talvez kombis azuis e até brasílias amarelas..hehehehe

redatozim disse...

Marceleza, sua criatura pão-dura e cheia de estilo. Ficou com vergonha de comprar um curau e trazer pra mim? Raios, mil vezes raios!

redatozim disse...

Tudo pela boa causa dos derivados de milho, Danny.

kel e tiago disse...

hummm, pamonha...
lembro quando esse senhor começou a passar perto da agência. eram todas as quartas?
nossa, agora deu água na boca!

redatozim disse...

Minha vontade é passar no "Milhão", lá em Juatuba e comprar quilos e quilos das guloseimas. Você era minha companheirinha de pamonha, Kel, depois que saiu, nunca mais o lanche foi o mesmo risos