segunda-feira, março 30, 2009

Quando crescer

Da macieira nascem maçãs.

Da bananeira nascem bananas às pencas.

Da canguru nascem (adivinha?) canguruzinhos.

De cada semente uma planta, de cada receita uma janta.

Antes de nascer já se sabe o que vem, antes de brotar já se adivinha no que vai dar.

Não tem surpresa, não tem mistério, não tem desculpa.

A cadelinha não pare porco, nem a vaca vai parir galinha.

Mas com gente é complicado, com gente não é bem assim.

Por isso eu te olho tonto e te entendo pouco quando você pergunta o que eu vou ser quando crescer.

E eu vou saber? Ninguém veio me dizer o que eu vou ser quando crescer. Não sei se vou ser o cozinheiro ou o prato, a face ou o tapa, o que afasta ou o que abraça.

Não sei se já tive minha quota, não sei se o melhor está por vir, se é só o começo ou se é quase o fim.

Não sei dizer o que você quer saber, o que vou fazer, que bicho vai dar. Hoje mesmo, nessa exata hora, não faço idéia do que vou ser quando crescer. Não tenho a menor pista de como isso tudo vai acabar.




Direto na têmpora: Message In a Bottle - Gavin Jones & John King

19 comentários:

O mundo de Sabrina disse...

Toda vez que paro pra pensar o que vou ser quando crescer dá um desespero, uma vontade de mandar parar o mundo pra eu descer. Aí, quando essa confusão mental passa, sempre chego à mesma conclusão: vivemos em constante mutação e são esses questionamentos que trazer beleza (e coragem) à vida, não é?
Bjos!

redatozim disse...

É um jeito de enxergar sim, Sabrina, aliás, um jeito de enxergar muito melhor do que o meu rs

ndms disse...

Gostei muito!

redatozim disse...

Valeu, ndms.

Presunto disse...

Relaxa Cotão. E eu espero que vc não comece a questionar se vc quer ser homem ou mulher... Isso costuma acontecer com cruzeirense, mas sabe-se lá... Vc é casado e pai de família. Pense nisso! ;-)

Num tom mais sério: o que vc prefere? Ser vermelho um dia, ou amarelo pra sempre?

Ou, numa embalagem shaolin, vc prefere ser uma borboleta que voa por aí, livre, leve e solta, curtindo o sol, o vento, as flores, e de repente cai na teia de uma aranha? Ou uma aranha que faz a sua teia, e ali fica, sem jamais experimentar o prazer ou o horror de ser a borboleta?

Eu tenho andado com dúvidas existenciais profissionais também...

redatozim disse...

Ou quem sabe ser a teia, presunto, que não tem crise de identidade e nem sabe o que está fazendo no meio dessa história da borboleta e da aranha.

Sei lá, mas é mesmo difícil essa questão.

danny falabella disse...

perfeito! Nenhum de nós temos pista de como tudo vai acabar...e isso é muito bacana...(ou não) hehehehe

redatozim disse...

é bacana demais, danny, e a gente tem mais é que lidar bem com isso.

Flor que Fala disse...

Lidar com isso sem ansiedade... como faz?
Assustei encontrar aqui a pergunta que eu me faço tão repetidas vezes..
Tive que assinar em baixo lá no blog...
Bjos

redatozim disse...

Acho que todo mundo passa por esse devaneio em alguma hora, Flor que Fala. Coincidimos aqui rs

Anônimo disse...

Saber nós sabemos.Só não tomamos consciência no corpo físico,mas tá tudo lá no mental.Fizemos parte do que planejaram pra nós.

redatozim disse...

Não sei se concordo, Anônimo, não sei mesmo. Ainda coloco muita fé no livre arbítrio.

camila disse...

adorei! e nao acredito nem um pouco no "está escrito". cada dia pode ser um novo fim e um novo começo.

redatozim disse...

concordo, fubá

Anônimo disse...

Redatozim, também acredito no livre arbítrio,que inclusive é respeitado mesmo depois de um ¨plano de vôo¨já traçado.O problema é que nem sempre o nosso livre arbítrio nos garante sucesso nas nossas decisões...

Anônimo disse...

Ah, isso não quer dizer que não gostei do post.Valeu!

redatozim disse...

Na verdade, Anônimo, esse sucesso nas decisões nada garante. O livre arbítrio serve mesmo é pra quebrar a cara e ir descobrindo o caminho até chegar em algum lugar que a gente não sabe qual é. Quer dizer, essa é minha opinião, mas o que sei eu dessas coisas do espírito...

Claudia disse...

Pra comentar isso... quem eu? me falta palavra...verbo substantivo, abstrato...chamo o Moska,inseto, voa...no ar...
diz ai para o moço do pastel Paulinho:
-Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?-

Boas coisas aqui...gostei do recheio

redatozim disse...

Claudia, o recheiozinho é simples, mas é feito com carinho. Bom apetite.