segunda-feira, setembro 03, 2007

Desculpas

O trânsito estava horrível, peguei o ônibus errado, a bateria do celular acabou, só vi seu email depois, estou com dor de cabeça, fui dormir muito tarde ontem, acordei muito cedo hoje, estava sem dinheiro, estava sem vontade, estava sem roupa, estava sem tempo, perdi seu número, perdi a hora, perdi minha agenda, era que dia mesmo, era onde mesmo, lembrei pela manhã mas esqueci, lembrei à noite mas era tarde, nem me lembrei, fazer o quê, né, na próxima eu vou.




Direto na têmpora: Jennifer - Letters to Cleo

8 comentários:

don oliva disse...

Brilhante. Gosto demais desses textos que me remetem a Woody Allen, vagando perdidamente pelas ruas de Manhattan, envoltos no conflito do dia a dia do anti-herói dos tempos modernos.
Mas é a vida da gente. Tem dias em que o desacerto é tão grnade que dá vontade de deletar o momento do “acordei”, zerar, e começar tudo de novo.
Daí só posso dizer, que para além de um puta redator publicitário, você tem estilo, Guiñazu. O que o leva a transcender esta condição do texto volátil que cometemos nessa profissão, também volátil, num mundo cada vez mais volátil ainda...

Redatozim disse...

Poxa, Don Oliva, em que pese você ser suspeito para falar, agradeço desmesuradamente os elogios.

Jonga Olivieri disse...

Nem considerei elogio. Acho que tentei captar o que você escreveu e descrever o que senti... é quando digo que redator publicitário não tem (e não deve nem pode ter estilo), e já quando você escreve no blog, sai um outro tipo de maneira de escrever. Que tem estilo... só isso! Reafirmo aqui...

Redatozim disse...

Pois agradeço de novo.

ML disse...

Se eu não pegartrânsito ou o ônibus errado e nem minha mãe passar mal e eu ficar com medo de deixá-la sozinha, eu passo lá!
A-D-O-R-E-I!

Redatozim disse...

risos, desculpa se arranja pra tudo mesmo. Obrigado, ML.

Rubens disse...

Um amigo meu vivia indo aos compromissos sociais sempre sem a esposa. Os amigos, lógico, perguntavam onde estava a digníssima. De tanto ter de dar desculpas sobre a ausência dela, acabou encontrando uma solução. Quando chegava em algum lugar e alguém perguntava dela, mandava sem exitação: "Você escolhe: letra A, está com dor de cabeça; letra B, está de caganeira; letra C, brigou comigo e não quer ver a minha cara; letra D, odeia eventos como este; Letra E, nehuma das respostas anteriores". E sorria com uma puta cara de alívio. Dar desculpas já é uma merda; pros outros então...

Redatozim disse...

Essa é boa pro trabalho. Emenda o feriado e na segunda deixa as alternativas pro chefe: a) eu tive um grave problema de saúde, b) eu fui abduzido e passei esses 4 dias em Marte, c) fiquei sem dinheiro pro ônibus e só fui conseguir emprestado ontem.