quarta-feira, outubro 01, 2008

Na ponta da língua

A Charlene comentou sobre as mudanças ortográficas no post anterior e pediu minha opinião sobre o tema.

Não sou nem de longe a pessoa adequada para falar sobre o assunto, muito pelo contrário, a verdade é que agradeço (e já agradeci até em um post no pastelzinho) diariamente pelos revisores. No entanto, como a ignorância nunca me impediu de dar pitaco sobre porra nenhuma, lá vamos nós.

Eu não sei quem faz parte do grupo que define essas coisas. Eu não sei qual o peso da opinião de Portugal (a mãe da língua, afinal de contas). Eu não sei por que não podemos simplesmente falar “brasileiro” e definir nossas próprias regras. Vamos e venhamos, por mais que tenhamos alguma proximidade cultural, as influências sobre a nossa língua são totalmente diferentes das que atingem Cabo Verde, Timor, Angola e mesmo Portugal.

O que acho, na verdade, é que a língua é dinâmica e que o uso deveria ditar as normas e não o oposto. A mudança deveria vir de baixo para cima e, por desconhecimento, não sei dizer se isso foi levado em conta.

Aliás, por causa da frase anterior, sugiro uma mudança para a próxima reforma: acabar com a diferença entre “isso” e “isto”, “esse” e “este” e por aí vai. Eu nunca sei usar corretamente e não tenho a mínima capacidade intelectual para aprender.

Enfim, é essa a minha pequena pérola de contribuição. Ah, e se achar algum erro, ou vários, neste (nesse) texto, guarde pra você, ok?




Direto na têmpora: My beloved monster - Eels

23 comentários:

Gastão disse...

Redatozim, meu irmão... Discordo de muitas coisas nessa reforma. Mas começo o comentário dizendo que discordo da (e me admiro com) a sua sugestão de se abolir a diferença entre "esse" e "este". A regra é clara: é "esse aí, este aqui".

Sou adepto e usuário do trema, acho importante e vou sentir falta. Para palavras de uso diário, como "cinqüenta", "freqüência", "lingüiça", acho até que não vai fazer muita falta, pois as reconheceremos à primeira leitura. Mas em outras palavras menos utilizadas, como "aguei" (pretérito do verbo aguar) vai fazer falta.

Outra coisa: acho muito úteis acentos em certas palavras que a regra manda não acentuar, para diferenciar a pronúncia e o significado. Por exemplo, "pôde" (passado) para diferenciar de "pode" no presente. Ou "pára" (verbo) e "para" (preposição). Ou idéia, colméia.

N'é por nada não, mas eu vou continuar usando essas coisas todas.

"Tive uma IDÉIA. PÁRA o carro naquele posto e bota CINQÜENTA Reais de gasolina".

Aquele abraço!

redatozim disse...

Só uma coisa, gasta, se eu disser "é este aí" ou "esse aqui", não faz a menor diferença no entendimento, ao contrário de todos os seus exemplos de trema e acentuação. Ou seja, vou continuar usando "este" e "esse" aleatoriamente e ninguém vai perder com isso. Só o português, mas dele eu prefiro distância.

danny falabella disse...

well..eu menos ainda posso dizer alguma coisa...mas concordo com o que vc disse..."esse e este" é irritante..assim como "por que, por quê, porque e porquê" ARRRRRRRRRGH

redatozim disse...

Exatamente, danny, por que ninguém se importa com isso? Por quê? Por quê?

ndms disse...

Redatozim, 100% de acordo contigo, ou seja, vamos valorizar a prática do uso e simplificar a complexa teoría

Anônimo disse...

Pasteleiro.
Então chupa que é de uva.

Gastão disse...

Olha, Redatozim, se acompanhados de "aqui" e "aí", realmente não faz muita diferença entre "esse" e "este". "Esse aqui" todo mundo entenderia que é o que tá perto de mim.

Não tou dizendo que a diferenciação seja fundamental. No inglês, por exemplo, só existe "this", e eles não fazem reforma ortográfica para a implementação do "thas", ou do "vhis".

Aliás, no dia-a-dia (tem hífen?), ninguém dispensa o uso do "aqui" e do "aí". Por exemplo, imagina que você tá com um jornal na mão, e eu tou com outro. Aí você pergunta qual dos dois é de hoje. Eu jamais responderia só "este é de hoje, esse é de ontem". Eu usaria um "esse aqui", "esse aí", ou pelo menos apontaria com gesto.

(na prática a gente quase sempre fala "esse", porque é mais fácil. O "este" até parece meio pedante)

Tanta falação, cara, essa coisa de idioma é um assunto muito complexo.

Tudo bem, o principal é transmitir a mensagem. Um "esse aqui" não agride ninguém. Uma vírgula a mais, um acento esquecido, vá lá, muitas vezes não ofendem ninguém também.

Mas um "excessão", uma "licensa" (erros aos quais todos nós estamos sujeitos), aí a coisa já começa a incomodar um pouco.

E os "oia aki", os "to istudano" que a gente vê na internet, então, estes são de doer.

Então, compadre, qual é o limite entre o dispensável e o fundamental, o perdoável e o incômodo?

Anônimo disse...

Que bacana,sou leitora algum tempo do seu blog e hoje descobri que vai palestrar na minha faculdade acabei de me inscrever.

redatozim disse...

Exatamente, ndms, as regras são indispensáveis, mas podem mudar. A gente acostuma com tudo.

redatozim disse...

Anônimo 1: Rafinha, você e seu uso abusivo de substâncias ilegais.

redatozim disse...

Meu caro Gastrópodo, como eu disse, a gente se acostuma com tudo. Quem estabelece o limite não sou eu, apenas sigo o determinado até o ponto que minha incompetência para assuntos linguísticos permita.
Continuo achando que "esse' e "este" é uma bobagem e continuo achando o trema fundamental, mas a língua pe dinâmica. quem sou eu para dizer o que serve às pessoas de tantos países com culturas e influências diferentes? Só acho que tudo evolui, por que a língua não?

redatozim disse...

Anônimo 2, tem certeza de que é uma boa idéia se inscrever para uma palestra minha? Aliás, tem certeza de que faz bem para você freqüentar (com trema) o pastelzinho? Deus tenha piedade da sua alma.

Anônimo disse...

Assim não tem graça.

"Anônimo 1"

Gastão disse...

Redatozim, quando eu perguntei "então, compadre, qual é o limite etc, etc" eu não tava querendo uma resposta sua, uma opinião. Era uma pergunta retórica.

Como quem diz "ô que merda, ninguém sabe dizer qual é o limite entre o aceitável e o inaceitável. Enquanto isso, meu filho continua dizendo 'o vei, to istudano aki im kaza, depois nos konversa +' no MSN."

redatozim disse...

Meu brother gasta, eu saquei sua intenção, só quis mesmo explicar melhor o meu ponto de vista. Agora, imagina o dia que forem normatizar a linguagem do msn? É kaza, ksa, ou kasa?

Anônimo disse...

A humildade ou modestia exageradas não faz bem a ninguem

Micho en el pais de las maravillas disse...

AH! essa eu não posso deixar de comentar!
É que particularmente acho que deveriamos ficar mais preocupados em ensinar as pessoas a se expressar corretamente, tanto quanto nos preocupamos em ensinalás a escrever.
A questão das novas regras me interessa pelo fato de não ter sido alfabetizada em português e acentos agudos, graves e circunflexos...são complexos para mim. Que dira as tremas e hifens..
O que realmente me preocupa e a quantidade de pessoas que falam e se expressam de forma errada, abusando de gerundios e desrespeitando de forma avassaladora a concordancia.
Eu tenho que ter paciência ( com acento) para todas as perolas que leio e escuto de pessoas que trabalham com comunicação e não estão nem ai para nossa queridissima lingua! e que mais que dificuldades de ortografia tem dificuldades de se expressar de forma clara e inteligente.
Ufff! falei, vai ver este post esta lotado de erros.
Desculpem viu?

Tsu disse...

Nesse caso nem Prof. Pasquale responde!!!!

Charlene disse...

antes de mais nada , obrigado pelo post

e bom a minha revolta como disse é pq cursei letras e nada mais injusto do que ssa alteração... ,meu pensamento atual é

- se já não temos mais reprovação e nem mesmo recuperação , então para que saber falar o português corretamente né??

- o brasil esta cada vez mais se afundando...

redatozim disse...

anônimo, eu graças a Deus não tenho nenhum dos dois.

redatozim disse...

isso é a mais pura verdade, micho, com regras novs ou não, o grande problema das pessoas é a capacidade de exprimir claramente o que pensam.

redatozim disse...

isso aí, tsu

redatozim disse...

charlene, não podia concordar mais com você, por isso votei no Buarque para presidente.