sexta-feira, agosto 25, 2006

O elevador dedo-duro

Trabalhei na ABC pouco menos de um ano. Foram, na verdade, o primeiro salário direito que ganhei, os primeiros clientes mais bacanas que atendi e as primeiras peças mais legais do meu portifólio. Só que tinha um lance, o Augusto, que era o dono da agência, era um cara completamente de lua, que assustava muitos dos funcionários com seu jeito estouradão.
Quando o Augusto chegava era um Deus nos acuda. Nêgo fingindo que trabalhava, caboclo arrumando a mesa, gente voltando correndo pro setor, um verdadeiro pandemônio. A única coisa que mantinha uma certa ordem no meio desse caos era o elevador, que emitia um som de campainha sempre que parava no andar. Então era ouvir o barulho do elevador e todo mundo se arrumava pro patrão encontrar tudo na mais perfeita ordem.
Não sei se por desconfiança ou por puro saco cheio do barulhinho, um dia o Augusto mandou desligar a tal campainha e não avisou ninguém. Deu-se então a desgraça. Quando o homem entrou na agência encontrou turma batendo papo, jogando no computador, tomando cafezinho e aí foi aquele esporro, de "ninguém trabalha nessa merda" pra cima.
Daí por diante acabou-se o sossego. Nunca uma campainha de elevador fez tanta falta.




Direto na têmpora: God Save the Queen - Sex Pistols

5 comentários:

zegarapa disse...

na lápis não tem, mas a carla é tranx.

redatozim disse...

Falar nisso, cê tá na Lapis?

zega disse...

fríla. também faço faxina e animo festinhas.

(já deixei meu messenger lá atrás.)

redatozim disse...

achei não. repete ele aqui.

zega disse...

ze_alvaro@hotmail.com