Mme. Louise Petrét, a visionária belga que passou os melhores anos de sua vida tentando ensinar conchinhas a voarem.
O pequeno Teddy e sua mãe, que o obrigou a se vestir como menina até os 17 anos, mas depois desistiu.
Ô, Mercedes, me dá um gole dessa merda aí!
Direto na têmpora: That's what you get - Paramore
quinta-feira, março 31, 2011
quarta-feira, março 30, 2011
As revoluções e o sofá
Ninguém defende e respeita tanto as redes sociais como instrumento de transformação das relações quanto eu. Falo sobre isso, discuto sobre isso, tento sempre trabalhar com isso.
Mas tem um outro lado que me incomoda e que acontece cada vez mais: o ativismo de sofá.
Gente que adere a causas, assina listas virtuais de protesto, utiliza tags contra isso ou aquilo, mas não move um músculo além disso. O posicionamento político, moral e social está no copiar e colar, no movimento do mouse, no botão de curtir, mas falta o outro lado.
Entendam, eu não tenho nada contra este tipo de iniciativa digital de combate ou apoio a o que quer que seja, desde que não achemos que isso basta. Não dá pra manter todos os hábitos, confortos e rotinas e clamar por mudança em um post.
Também não tenho nada contra quem quer distância de qualquer tipo de questionamento, que não se importa com o rumo das coisas, mas assume essa postura e lida com as consequências como quem está diante de uma fatalidade. É direito de cada um seguir o rumo que lhe impõem e se contentar com isso.
O que não dá é pra continuar votando sem se envolver no debate político e achar que vai mudar o Brasil porque repassou um email. Aí é inocência pra lá da borda.
É preciso mais. Muito mais. E enquanto não tomarmos consciência disso, continuaremos ditadores e revoltosos apenas em nossas próprias e confortáveis cadeiras. E o Bolsonaro e o Tiririca irão continuar sendo eleitos.
Direto na têmpora: Pearl necklace - ZZ Top
Mas tem um outro lado que me incomoda e que acontece cada vez mais: o ativismo de sofá.
Gente que adere a causas, assina listas virtuais de protesto, utiliza tags contra isso ou aquilo, mas não move um músculo além disso. O posicionamento político, moral e social está no copiar e colar, no movimento do mouse, no botão de curtir, mas falta o outro lado.
Entendam, eu não tenho nada contra este tipo de iniciativa digital de combate ou apoio a o que quer que seja, desde que não achemos que isso basta. Não dá pra manter todos os hábitos, confortos e rotinas e clamar por mudança em um post.
Também não tenho nada contra quem quer distância de qualquer tipo de questionamento, que não se importa com o rumo das coisas, mas assume essa postura e lida com as consequências como quem está diante de uma fatalidade. É direito de cada um seguir o rumo que lhe impõem e se contentar com isso.
O que não dá é pra continuar votando sem se envolver no debate político e achar que vai mudar o Brasil porque repassou um email. Aí é inocência pra lá da borda.
É preciso mais. Muito mais. E enquanto não tomarmos consciência disso, continuaremos ditadores e revoltosos apenas em nossas próprias e confortáveis cadeiras. E o Bolsonaro e o Tiririca irão continuar sendo eleitos.
Direto na têmpora: Pearl necklace - ZZ Top
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terça-feira, março 29, 2011
A medida do carinho
Eu sempre fui desmedido em meus carinhos. Gosto do abraço apertado, de jogar pro ar, de grudar com vontade. Meu carinho é arrebatamento puro, carece de delicadeza.
Na AURA estou aprendendo, a duras penas, que é possível amar muito e leve. Dosar o toque, evitar o abraço, privilegiar a sensibilidade.
São crianças com limitações e dores e impedimentos e embora seja precisa amá-las exageradamente, é preciso ser moderado no contato.
É difícil pra mim, mas estou aprendendo. Abaixo, uma foto da turminha que lá esteve hoje e a historinha que fiz a partir do pedido deles de incluir: falcão de fogo, vizinho e dentes-de-sabre. A próxima terá: três meninos, um lobo, uma noite de lua cheia.
Atrás, da esq. para a dir.: Eric, Juninho, Sabrina, Samara e Vanderlúcio. Na frente, da esq. para a dir.: Emerson, Oseias, Rainer, Evelyn e Lorena.
O falcão de fogo
Do lado da casa de um homem, vivia um falcão de fogo, em cima de uma grande árvore. Era um pássaro muito bonito, de asas brilhantes e bico forte, rápido como uma flecha.
Só que tinha um problema, só o homem conseguia ver o pássaro, ninguém mais.
E aí aconteceu o que a gente já sabia que ia acontecer: o homem ficou com fama de doido. Todo mundo ria dele e gritava “olha lá o doido do falcão”, “lá vai o maluco que vê bichos de fogo”.
Mas o homem nem ligava, continuava olhando pro pássaro na árvore ao lado e acreditando nele como quem acredita nas próprias mãos.
Um dia, uma chuva muito forte caiu na cidade. O rio subiu e muitas casas foram inundadas. Pessoas ficaram presas em cima dos telhados, gente se agarrou a árvores e ninguém sabia o que fazer.
O homem que todos achavam louco morava em um lugar bem alto e lá de cima viu aquilo tudo acontecer. Ele então foi correndo pra árvore e começou a pedir socorro para o falcão de fogo:
- Ajuda eles, falcão! Você é forte, você é rápido, você pode salvar essa gente!
Enquanto isso, lá embaixo na cidade, a água continuava subindo. Já tinha gente achando que ia se afogar quando, de repente, um rastro flamejante desceu como um raio e começou a pegar pessoas em suas garras e levar embora.
No começo todos se assustaram, mas depois começaram a perceber que aquela luz estava levando todos para um lugar seco e seguro. Em poucos minutos, todo mundo estava salvo.
A partir daquele dia, ninguém nunca mais duvidou do homem. Eles ainda não viam o falcão, mas aprenderam a acreditar que nem tudo o que é verdadeiro a gente consegue enxergar.
E por isso, quando o homem contou que tinha um tigre dentes-de-sabre morando em um quartinho da sua casa, ninguém duvidou, ninguém riu, ninguém achou que ele estava maluco.
Todos deram os parabéns ao homem e ficaram muito felizes em saber que além do falcão de fogo, a cidade agora tinha outro amigo para cuidar deles, mesmo que eles não pudessem ver.
Afinal, tem muitas coisas que a gente só enxerga de verdade, com os olhos do coração.
Direto na têmpora: Be sweet - The Afghan Whigs
Na AURA estou aprendendo, a duras penas, que é possível amar muito e leve. Dosar o toque, evitar o abraço, privilegiar a sensibilidade.
São crianças com limitações e dores e impedimentos e embora seja precisa amá-las exageradamente, é preciso ser moderado no contato.
É difícil pra mim, mas estou aprendendo. Abaixo, uma foto da turminha que lá esteve hoje e a historinha que fiz a partir do pedido deles de incluir: falcão de fogo, vizinho e dentes-de-sabre. A próxima terá: três meninos, um lobo, uma noite de lua cheia.
Atrás, da esq. para a dir.: Eric, Juninho, Sabrina, Samara e Vanderlúcio. Na frente, da esq. para a dir.: Emerson, Oseias, Rainer, Evelyn e Lorena.
O falcão de fogo
Do lado da casa de um homem, vivia um falcão de fogo, em cima de uma grande árvore. Era um pássaro muito bonito, de asas brilhantes e bico forte, rápido como uma flecha.
Só que tinha um problema, só o homem conseguia ver o pássaro, ninguém mais.
E aí aconteceu o que a gente já sabia que ia acontecer: o homem ficou com fama de doido. Todo mundo ria dele e gritava “olha lá o doido do falcão”, “lá vai o maluco que vê bichos de fogo”.
Mas o homem nem ligava, continuava olhando pro pássaro na árvore ao lado e acreditando nele como quem acredita nas próprias mãos.
Um dia, uma chuva muito forte caiu na cidade. O rio subiu e muitas casas foram inundadas. Pessoas ficaram presas em cima dos telhados, gente se agarrou a árvores e ninguém sabia o que fazer.
O homem que todos achavam louco morava em um lugar bem alto e lá de cima viu aquilo tudo acontecer. Ele então foi correndo pra árvore e começou a pedir socorro para o falcão de fogo:
- Ajuda eles, falcão! Você é forte, você é rápido, você pode salvar essa gente!
Enquanto isso, lá embaixo na cidade, a água continuava subindo. Já tinha gente achando que ia se afogar quando, de repente, um rastro flamejante desceu como um raio e começou a pegar pessoas em suas garras e levar embora.
No começo todos se assustaram, mas depois começaram a perceber que aquela luz estava levando todos para um lugar seco e seguro. Em poucos minutos, todo mundo estava salvo.
A partir daquele dia, ninguém nunca mais duvidou do homem. Eles ainda não viam o falcão, mas aprenderam a acreditar que nem tudo o que é verdadeiro a gente consegue enxergar.
E por isso, quando o homem contou que tinha um tigre dentes-de-sabre morando em um quartinho da sua casa, ninguém duvidou, ninguém riu, ninguém achou que ele estava maluco.
Todos deram os parabéns ao homem e ficaram muito felizes em saber que além do falcão de fogo, a cidade agora tinha outro amigo para cuidar deles, mesmo que eles não pudessem ver.
Afinal, tem muitas coisas que a gente só enxerga de verdade, com os olhos do coração.
Direto na têmpora: Be sweet - The Afghan Whigs
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segunda-feira, março 28, 2011
Oyster Boy e as Estranhas Histórias
Meu livro Estranha Histórias foi descaradamente inspirado por Tim Burton e seu The Melancholy Death of Oyster Boy.
Fiz roupinhas pra Sophia com os personagens, comprei a edição capa dura em inglês e ainda hoje leio as histórias do "livro assustador", como ela diz.
Então, segue aí uma das minhas favoritas pra quem ainda não conhece passar a conhecer e comprar o do Tim Burton e, é claro, o meu.
Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.
She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets too close to her,
the pins stick farther in.
Direto na têmpora: Fool's day - Blur
Fiz roupinhas pra Sophia com os personagens, comprei a edição capa dura em inglês e ainda hoje leio as histórias do "livro assustador", como ela diz.
Então, segue aí uma das minhas favoritas pra quem ainda não conhece passar a conhecer e comprar o do Tim Burton e, é claro, o meu.
Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.
She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets too close to her,
the pins stick farther in.
Direto na têmpora: Fool's day - Blur
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Música é instinto
Bobby McFerrin dá um show ao demonstrar como a escala pentatônica é inerente ao ser humano. O vídeo é antigo e eu, desgraçadamente, só assisti ontem quando meus irmãos me mostraram.
Veja. É simplesmente maravilhoso.
Direto na têmpora: Insane inside - Smoke Fish
Veja. É simplesmente maravilhoso.
Direto na têmpora: Insane inside - Smoke Fish
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sábado, março 26, 2011
Kendrick Perkins e os intangíveis
Provavelmente a maioria de vocês não sabe, mas Kendrick Perkins é um pivô relativamente baixo para a posição, com médias de 6,4 rebotes e 6,1 pontos por jogo.
Perkins jogou toda a sua carreira, até fevereiro de 2011, com os Celtics, ganhou um título e chegou a outra final. Em março, Perkins fez parte de uma série de trocas, indo parar no Oklahoma City Thunders, enquanto o Boston recebeu Nenad Krstic, um pivô mais alto com médias de 5,5 rebotes e 10,1 pontos e ainda Jeff Green, um ala jovem com médias de 5,6 rebotes e 14,1 pontos.
Os números dizem que foi uma grande troca, mas mesmo na NBA, uma liga regida pelas estatísticas, números contam apenas parte da história.
Assim que a troca foi feita eu disse, e o meu amigo Gui Deus pode confirmar: "os Celtics perderam a boa chance que tinham de ganhar o título em 2011."
O título ainda não foi decidido, na verdade não estamos sequer nos playoffs, mas o Boston que liderava o Leste com facilidade já caiu para segundo e está prestes a escorregar para terceiro depois da troca.
Kendrick Perkins faz falta pela presença física, pela liderança, pela postura defensiva, pelo companheirismo e entrosamento com os colegas, pelo respeito, ou medo, que impõe aos adversários. Nada disso pode ser traduzido em números ou substituído por estatísticas melhores. Não é assim que se mede o valor de um atleta ou de qualquer outro profissional.
O que vale de verdade são os benefícios e valores intangíveis que eles trazem para o jogo. E para perceber isso é preciso sensibilidade e capacidade de avaliar pessoas.
Se você ficou curioso, depois da troca o Boston, que tinha melhor campanha, ganhou 9 e perdeu 7 e o Thunder levou 11 e perdeu 4, sendo que com Perkins saudável são 5 vitórias e só uma derrota.
Culpa dos malditos intangíveis.
Direto na têmpora: Some velvet morning - Primal Scream
Perkins jogou toda a sua carreira, até fevereiro de 2011, com os Celtics, ganhou um título e chegou a outra final. Em março, Perkins fez parte de uma série de trocas, indo parar no Oklahoma City Thunders, enquanto o Boston recebeu Nenad Krstic, um pivô mais alto com médias de 5,5 rebotes e 10,1 pontos e ainda Jeff Green, um ala jovem com médias de 5,6 rebotes e 14,1 pontos.
Os números dizem que foi uma grande troca, mas mesmo na NBA, uma liga regida pelas estatísticas, números contam apenas parte da história.
Assim que a troca foi feita eu disse, e o meu amigo Gui Deus pode confirmar: "os Celtics perderam a boa chance que tinham de ganhar o título em 2011."
O título ainda não foi decidido, na verdade não estamos sequer nos playoffs, mas o Boston que liderava o Leste com facilidade já caiu para segundo e está prestes a escorregar para terceiro depois da troca.
Kendrick Perkins faz falta pela presença física, pela liderança, pela postura defensiva, pelo companheirismo e entrosamento com os colegas, pelo respeito, ou medo, que impõe aos adversários. Nada disso pode ser traduzido em números ou substituído por estatísticas melhores. Não é assim que se mede o valor de um atleta ou de qualquer outro profissional.
O que vale de verdade são os benefícios e valores intangíveis que eles trazem para o jogo. E para perceber isso é preciso sensibilidade e capacidade de avaliar pessoas.
Se você ficou curioso, depois da troca o Boston, que tinha melhor campanha, ganhou 9 e perdeu 7 e o Thunder levou 11 e perdeu 4, sendo que com Perkins saudável são 5 vitórias e só uma derrota.
Culpa dos malditos intangíveis.
Direto na têmpora: Some velvet morning - Primal Scream
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sexta-feira, março 25, 2011
Sophia, eu, o bigode.
Essa sessão de fotos me rendeu mais uma tarde usando bigodes ;-)
Direto na têmpora: Corduroy - Pearl Jam
Direto na têmpora: Corduroy - Pearl Jam
El retuerno del Bigodón
Sophia pediu pra eu fazer a barba. Então hoje, quando comecei o processo de barbeamento total, negociei com ela a possibilidade de ficar só de bigode pelo menos até a hora do almoço.
Ela autorizou e deu-se isso aí que está na foto abaixo.
A foto original.
A foto do sex symbol que eu emulo.
Fernanda odiou e obviamente evita me beijar, mas eu achei do caralho e, se pudesse, usaria só bigode pro resto da vida.
Enfim, o melhor mesmo foi Sophia que, ao me ver sem a barba exclamou:
- Papai, você tá tão novinho nas bochechas!
Direto na têmpora: Destroy the evidence - Casiotone for the Painfuly Alone
Ela autorizou e deu-se isso aí que está na foto abaixo.
A foto original.
A foto do sex symbol que eu emulo.
Fernanda odiou e obviamente evita me beijar, mas eu achei do caralho e, se pudesse, usaria só bigode pro resto da vida.
Enfim, o melhor mesmo foi Sophia que, ao me ver sem a barba exclamou:
- Papai, você tá tão novinho nas bochechas!
Direto na têmpora: Destroy the evidence - Casiotone for the Painfuly Alone
quinta-feira, março 24, 2011
Todo mundo pode ser redator publicitário
Qualquer um pode ter uma ideia genial, criar um título bacana, fazer um filme que emociona.
Qualquer um pode pegar um texto, mudar duas palavras e dizer com propriedade "agora sim, tá perfeito".
Qualquer um pode traduzir em poucas palavras toda a complexidade de uma estratégia de branding ou o posicionamento de uma marca.
Qualquer um pode fazer peças que traduzam os anseios de uma empresa e ao mesmo tempo encantem o seu público, mesmo com uma absurda limitação de verba.
Qualquer um pode oferecer uma solução rápida e eficiente para os problemas mais cabeludos, qualquer um pode desenvolver um raciocínio inovador para as demandas mais triviais, qualquer um pode chegar a uma forma absolutamente original de tratar o tema mais batido do mundo.
Se você acredita nisso, se você realmente acredita que qualquer um pode ser um redator publicitário, parabéns: você provavelmente está bem preparado para viver uma longa carreira como cliente.
Uma campanha do AMADOR - Associação das Mães e Amigos do Redator.
Direto na têmpora: Horror Hotel - The Misfits
Qualquer um pode pegar um texto, mudar duas palavras e dizer com propriedade "agora sim, tá perfeito".
Qualquer um pode traduzir em poucas palavras toda a complexidade de uma estratégia de branding ou o posicionamento de uma marca.
Qualquer um pode fazer peças que traduzam os anseios de uma empresa e ao mesmo tempo encantem o seu público, mesmo com uma absurda limitação de verba.
Qualquer um pode oferecer uma solução rápida e eficiente para os problemas mais cabeludos, qualquer um pode desenvolver um raciocínio inovador para as demandas mais triviais, qualquer um pode chegar a uma forma absolutamente original de tratar o tema mais batido do mundo.
Se você acredita nisso, se você realmente acredita que qualquer um pode ser um redator publicitário, parabéns: você provavelmente está bem preparado para viver uma longa carreira como cliente.
Uma campanha do AMADOR - Associação das Mães e Amigos do Redator.
Direto na têmpora: Horror Hotel - The Misfits
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A casa da Rainha da Noite
Sophia anda apaixonada pela ópera A Flauta Mágica, de Mozart. Comprei nas bancas como parte de uma coleção indicada pelo Ivan Pawlow e hoje a baixinha já reconhece A Rainha da Noite, Tamina e, é claro, o seu favorito Papageno.
Pois hoje, ouvindo pela milésima vez o dueto do Papageno e da sua Papagena, Sophia perguntou se os dois eram meio aves e meio gente de verdade. Titubiei, enrolei e não respondi. Poucos segundos depois, minha Sophia volta à carga:
- Papai, um dia a gente pode ir na casa da Rainha da Noite?
Fiquei ali, feito uma besta, balbuciando qualquer coisa e morrendo de dó de explicar que aquela maravilha que deixava ela tão encantada era apenas fantasia.
Papageno e Papagena.
Direto na têmpora: Blah Blah Blah - Say Hi To Your Mom
Pois hoje, ouvindo pela milésima vez o dueto do Papageno e da sua Papagena, Sophia perguntou se os dois eram meio aves e meio gente de verdade. Titubiei, enrolei e não respondi. Poucos segundos depois, minha Sophia volta à carga:
- Papai, um dia a gente pode ir na casa da Rainha da Noite?
Fiquei ali, feito uma besta, balbuciando qualquer coisa e morrendo de dó de explicar que aquela maravilha que deixava ela tão encantada era apenas fantasia.
Papageno e Papagena.
Direto na têmpora: Blah Blah Blah - Say Hi To Your Mom
Antipatizantes
A Mega-Sena antipatiza comigo. Meus joelhos também. Aliás, acho que as coisas têm uma relação afetiva conosco que a gente só não percebe se não quiser.
Algumas pessoas são adoradas pelos semáforos e outras são odiadas pelos elevadores. Portas se fecham mais rápido para alguns, eletrodomésticos duram mais para outros, sabonetes praticamente se desfazem ao primeiro toque de certas pessoas.
É inexplicável, mas existe essa preferência dos seres inanimados por um ou outro. Comigo a coisa é clara: números me odeiam.
Se o negócio é sorteio, qualquer que seja ele, pode contar com uma chance a mais de ganhar se eu estiver no meio. Não levo nada em bingo, que dirá na já citada Mega-Sena.
Em compensação sabe com o quê eu tenho sorte? Celular. Mesmo com um probleminha aqui e outro ali, nunca perdi o aparelho e, mais importante, quase nunca recebo ligações quando estou no cinema.
O fato é que objetos podem te amar, odiar ou simplesmente desprezar.
E se você acha que não há vergonha maior para um marido do que mostrar-se inútil para abrir latas e afins, lembre-se: não há muito o que você possa fazer. Quando as latas de azeitona são seduzidas pelo mais leve toque de sua esposa, mas resistem bravamente a qualquer tipo de avanço seu, a culpa não é sua fraqueza.
É resultado apenas do maldito temperamento da porra do vidro de azeitona.
Direto na têmpora: Law of nature - Juliana Hatfield
Algumas pessoas são adoradas pelos semáforos e outras são odiadas pelos elevadores. Portas se fecham mais rápido para alguns, eletrodomésticos duram mais para outros, sabonetes praticamente se desfazem ao primeiro toque de certas pessoas.
É inexplicável, mas existe essa preferência dos seres inanimados por um ou outro. Comigo a coisa é clara: números me odeiam.
Se o negócio é sorteio, qualquer que seja ele, pode contar com uma chance a mais de ganhar se eu estiver no meio. Não levo nada em bingo, que dirá na já citada Mega-Sena.
Em compensação sabe com o quê eu tenho sorte? Celular. Mesmo com um probleminha aqui e outro ali, nunca perdi o aparelho e, mais importante, quase nunca recebo ligações quando estou no cinema.
O fato é que objetos podem te amar, odiar ou simplesmente desprezar.
E se você acha que não há vergonha maior para um marido do que mostrar-se inútil para abrir latas e afins, lembre-se: não há muito o que você possa fazer. Quando as latas de azeitona são seduzidas pelo mais leve toque de sua esposa, mas resistem bravamente a qualquer tipo de avanço seu, a culpa não é sua fraqueza.
É resultado apenas do maldito temperamento da porra do vidro de azeitona.
Direto na têmpora: Law of nature - Juliana Hatfield
quarta-feira, março 23, 2011
Como esse cara fala
Eu ontem passei mais de uma hora falando para os estudantes de comunicação da Faculdade Promove de BH.
Não posso dizer que tenha falado "com" eles, porque como sempre eu despejei a verborreia sem direito de resposta ou contradição.
Ainda assim, eles aplaudiram no final e eu fiquei aqui, cheio de orgulho besta de achar que esse falatório danado pode ter ajudado alguém.
Pessoal do Promove, muito obrigado, e precisando é só chamar.
Direto na têmpora: For the girl - The Fratellis
Não posso dizer que tenha falado "com" eles, porque como sempre eu despejei a verborreia sem direito de resposta ou contradição.
Ainda assim, eles aplaudiram no final e eu fiquei aqui, cheio de orgulho besta de achar que esse falatório danado pode ter ajudado alguém.
Pessoal do Promove, muito obrigado, e precisando é só chamar.
Direto na têmpora: For the girl - The Fratellis
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terça-feira, março 22, 2011
A menina e o porquinho
Ela me chama de Porquinho, ela tem o abraço mais gostoso do mundo e inventa nomes para todos os seus bichinhos e briga e perde a paciência e gosta e desgosta de uva de um jeito que ninguém entende.
Ela diz que ainda não aprendeu e pede pra gente ensinar, se cobra demais e ama os próprios cachinhos e fala sozinha andando pela casa e agitando as mãos e dizendo histórias que eu jamais saberia contar.
Ela escreve cartas para os amigos sem ainda saber escrever e decora falas de filmes e imita vozes e pede carinho nas axilas e grita o grito mais agudo e ri o riso mais gostoso e quer ter sempre a palavra final.
Ela me ensina todo dia que ser pai é ter paciência, que ser pai é errar e ser amado, que ser pai é ser presente mesmo de longe, que ser pai é ter a certeza, depois do grito, de que todo grito é desperdício e que bom mesmo seriam o abraço e o beijo e o sonho.
Mas ela é assim e eu sou assado. E ela ainda vai ser tudo quando eu sou cada vez menos. Ela aprende o que eu esqueço, ela acredita onde eu duvido, ela enxerga onde eu já me perdi de vista.
Ela é o começo de uma Sophia, de toda Sophia, de muitas Sophias e eu sou alguém que olha e que se confunde todo entre ser pai e querer ficar olhando e curtindo o milagre de vê-la se transformar em si mesma.
Direto na têmpora: Girl - Built to Spill
Ela diz que ainda não aprendeu e pede pra gente ensinar, se cobra demais e ama os próprios cachinhos e fala sozinha andando pela casa e agitando as mãos e dizendo histórias que eu jamais saberia contar.
Ela escreve cartas para os amigos sem ainda saber escrever e decora falas de filmes e imita vozes e pede carinho nas axilas e grita o grito mais agudo e ri o riso mais gostoso e quer ter sempre a palavra final.
Ela me ensina todo dia que ser pai é ter paciência, que ser pai é errar e ser amado, que ser pai é ser presente mesmo de longe, que ser pai é ter a certeza, depois do grito, de que todo grito é desperdício e que bom mesmo seriam o abraço e o beijo e o sonho.
Mas ela é assim e eu sou assado. E ela ainda vai ser tudo quando eu sou cada vez menos. Ela aprende o que eu esqueço, ela acredita onde eu duvido, ela enxerga onde eu já me perdi de vista.
Ela é o começo de uma Sophia, de toda Sophia, de muitas Sophias e eu sou alguém que olha e que se confunde todo entre ser pai e querer ficar olhando e curtindo o milagre de vê-la se transformar em si mesma.
Direto na têmpora: Girl - Built to Spill
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Sophia
segunda-feira, março 21, 2011
Hope Sandoval
Você também viveu os anos 90?
Você também se lembra de Mazzy Star?
Você também era apaixonado pela Hope Sandoval?
Pois hoje eu estava ouvindo obsessivamente Sometimes Always do The Jesus & Mary Chain e resolvi rever o vídeo da canção.
Eu me lembrava claramente do clipe se passar em um pub, mas não recordava de jeito nenhum quem era a moça que cantava. E foi assim que, ao acessar o Youtube, tive a belíssima surpresa de rever Hope Sandoval e descobrir (será que eu já soube disso e esqueci?) que era ela que dividia o vocal com Jim Reid.
Confesso, eu curtia Mazzy Star, mas gostava mesmo era da moça. Não que ela fosse uma lindeza assoberbante, mas como meu amigo Jônio Bethônico tinha lá sua paixonite pela PJ Harvey, meu lance era com a Hope Sandoval. Cada doido com sua mania.
Por conta disso e por conta da minha obsessão musical de hoje, toma aí, ó.
Direto na têmpora: Happy - Mazzy Star
Você também se lembra de Mazzy Star?
Você também era apaixonado pela Hope Sandoval?
Pois hoje eu estava ouvindo obsessivamente Sometimes Always do The Jesus & Mary Chain e resolvi rever o vídeo da canção.
Eu me lembrava claramente do clipe se passar em um pub, mas não recordava de jeito nenhum quem era a moça que cantava. E foi assim que, ao acessar o Youtube, tive a belíssima surpresa de rever Hope Sandoval e descobrir (será que eu já soube disso e esqueci?) que era ela que dividia o vocal com Jim Reid.
Confesso, eu curtia Mazzy Star, mas gostava mesmo era da moça. Não que ela fosse uma lindeza assoberbante, mas como meu amigo Jônio Bethônico tinha lá sua paixonite pela PJ Harvey, meu lance era com a Hope Sandoval. Cada doido com sua mania.
Por conta disso e por conta da minha obsessão musical de hoje, toma aí, ó.
Direto na têmpora: Happy - Mazzy Star
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domingo, março 20, 2011
Grito de guerra
O fim de semana foi uma delícia. Ontem fomos a Macacos e na volta subimos na torre do Alta Vila pra conferir a lua absurda que andou pelo céu.
A lua tava exibida no sábado.
Hoje fomos ao cinema e, na volta, passamos na casa dos meus sogros.
Estávamos brincando de vôlei com balão, Sophia dividiu a família em duas equipes e a partida estava emocionante quando a Renata, tia da Sophia, resolveu animar a pequena.
- Sophia, qual é o grito de guerra do nosso time?
E a baixinha mais do que depressa.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrggggggggggghhhhhh!
Não foi criativo, mas foi um grito, pô.
Sophia aprendeu a usar os cachos como porta-canetas. Juro.
Direto na têmpora: Love is rare - Morcheeba
A lua tava exibida no sábado.
Hoje fomos ao cinema e, na volta, passamos na casa dos meus sogros.
Estávamos brincando de vôlei com balão, Sophia dividiu a família em duas equipes e a partida estava emocionante quando a Renata, tia da Sophia, resolveu animar a pequena.
- Sophia, qual é o grito de guerra do nosso time?
E a baixinha mais do que depressa.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrggggggggggghhhhhh!
Não foi criativo, mas foi um grito, pô.
Sophia aprendeu a usar os cachos como porta-canetas. Juro.
Direto na têmpora: Love is rare - Morcheeba
sexta-feira, março 18, 2011
Nevando na Sophia
- Papai eu queria que aqui tivesse neve pra eu poder brincar nela.
- Deve ser legal mesmo, Sophia, mas muita neve é ruim, porque as pessoas nem podem sair de casa, as ruas ficam fechadas, complica tudo. Aí muita neve não é legal, né?
- É, podia nevar só sabado e domingo...
Direto na têmpora: The dazzled - Crystal Stilts
- Deve ser legal mesmo, Sophia, mas muita neve é ruim, porque as pessoas nem podem sair de casa, as ruas ficam fechadas, complica tudo. Aí muita neve não é legal, né?
- É, podia nevar só sabado e domingo...
Direto na têmpora: The dazzled - Crystal Stilts
Profissionalmente incorreto
Advogado é aquele cara que trabalha com terno e bravata.
Publicitário é aquele cara que sabe que propaganda é a lama do negócio.
Médico é aquele cara que só atende quem é paciente mesmo.
Jornalista é aquele cara que relata os fatos com toda a isenção do dono do jornal.
Engenheiro de trânsito é aquele cara que desenha o sistema de circulação perfeito para uma cidade sem carros, ônibus e pessoas.
Dentista é aquele cara que cuida dos dentes da boca e cobra os olhos da cara.
Desenvolvedor de tecnologia é aquele cara que inventa algo de que você não precisava, que vai te dar muita dor de cabeça e sem o qual você nunca mais vai conseguir viver.
Veterinário é aquele cara que cuida do seu amigo, mas cobra de você.
Gigolô é aquele cara que administra o restaurante e ainda bate na comida.
Professor é aquele cara que ensina 95% de tudo o que você vai esquecer ao longo da vida.
Direto na têmpora: Salute your solution - The Raconteurs
Publicitário é aquele cara que sabe que propaganda é a lama do negócio.
Médico é aquele cara que só atende quem é paciente mesmo.
Jornalista é aquele cara que relata os fatos com toda a isenção do dono do jornal.
Engenheiro de trânsito é aquele cara que desenha o sistema de circulação perfeito para uma cidade sem carros, ônibus e pessoas.
Dentista é aquele cara que cuida dos dentes da boca e cobra os olhos da cara.
Desenvolvedor de tecnologia é aquele cara que inventa algo de que você não precisava, que vai te dar muita dor de cabeça e sem o qual você nunca mais vai conseguir viver.
Veterinário é aquele cara que cuida do seu amigo, mas cobra de você.
Gigolô é aquele cara que administra o restaurante e ainda bate na comida.
Professor é aquele cara que ensina 95% de tudo o que você vai esquecer ao longo da vida.
Direto na têmpora: Salute your solution - The Raconteurs
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quinta-feira, março 17, 2011
Falando pra criançada
Hoje estive na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH para conversar com a meninada da Escola Municipal Ulisses Guimarães.
Obviamente a conversa foi quase nada e passamos meia hora contando histórias, rindo e bagunçando.
E aproveitando que o assunto é literatura infantil, aproveito pra colocar aqui o poeminha que os meninos da AURA me encomendaram falando de Power Rangers, praia, camarões e Dia das Bruxas.
Com areia até o joelho
Na frente daquele marzão
O Power Ranger vermelho
Vendia o seu camarão
Estava juntando dinheiro
Pra comprar sua fantasia
De polícia ou marinheiro
E depois viajar para a Bahia
A festa das Bruxas ele queria ver
Dançar fantasiado e feliz
Por isso trabalhava até anoitecer
Cheio de protetor no nariz
Até aí, tudo muito legal
O Dia das Bruxas é mesmo estupendo
Mas existia um segredo mortal
Que o Power Ranger vivia escondendo
E o que o tal Power Ranger magrelo
Contou para pouca gente
É que chegou na praia amarelo
Mas foi avermelhando com o sol quente
Direto na têmpora: Just looking - Stereophonics
Obviamente a conversa foi quase nada e passamos meia hora contando histórias, rindo e bagunçando.
E aproveitando que o assunto é literatura infantil, aproveito pra colocar aqui o poeminha que os meninos da AURA me encomendaram falando de Power Rangers, praia, camarões e Dia das Bruxas.
Com areia até o joelho
Na frente daquele marzão
O Power Ranger vermelho
Vendia o seu camarão
Estava juntando dinheiro
Pra comprar sua fantasia
De polícia ou marinheiro
E depois viajar para a Bahia
A festa das Bruxas ele queria ver
Dançar fantasiado e feliz
Por isso trabalhava até anoitecer
Cheio de protetor no nariz
Até aí, tudo muito legal
O Dia das Bruxas é mesmo estupendo
Mas existia um segredo mortal
Que o Power Ranger vivia escondendo
E o que o tal Power Ranger magrelo
Contou para pouca gente
É que chegou na praia amarelo
Mas foi avermelhando com o sol quente
Direto na têmpora: Just looking - Stereophonics
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quarta-feira, março 16, 2011
Hoje, 18h32
Funcionário 1
- Porra, ouviu esse trovão?
Funcionário 2
- Aposto que a chuva vai desabar 3 pras 7.
Funcionário 3 em tom desesperançoso
- Foda-se, eu não vou pra casa tão cedo hoje mesmo.
Direto na têmpora: The great beyond - R.E.M.
- Porra, ouviu esse trovão?
Funcionário 2
- Aposto que a chuva vai desabar 3 pras 7.
Funcionário 3 em tom desesperançoso
- Foda-se, eu não vou pra casa tão cedo hoje mesmo.
Direto na têmpora: The great beyond - R.E.M.
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