quarta-feira, março 30, 2011

As revoluções e o sofá

Ninguém defende e respeita tanto as redes sociais como instrumento de transformação das relações quanto eu. Falo sobre isso, discuto sobre isso, tento sempre trabalhar com isso.

Mas tem um outro lado que me incomoda e que acontece cada vez mais: o ativismo de sofá.

Gente que adere a causas, assina listas virtuais de protesto, utiliza tags contra isso ou aquilo, mas não move um músculo além disso. O posicionamento político, moral e social está no copiar e colar, no movimento do mouse, no botão de curtir, mas falta o outro lado.

Entendam, eu não tenho nada contra este tipo de iniciativa digital de combate ou apoio a o que quer que seja, desde que não achemos que isso basta. Não dá pra manter todos os hábitos, confortos e rotinas e clamar por mudança em um post.

Também não tenho nada contra quem quer distância de qualquer tipo de questionamento, que não se importa com o rumo das coisas, mas assume essa postura e lida com as consequências como quem está diante de uma fatalidade. É direito de cada um seguir o rumo que lhe impõem e se contentar com isso.

O que não dá é pra continuar votando sem se envolver no debate político e achar que vai mudar o Brasil porque repassou um email. Aí é inocência pra lá da borda.

É preciso mais. Muito mais. E enquanto não tomarmos consciência disso, continuaremos ditadores e revoltosos apenas em nossas próprias e confortáveis cadeiras. E o Bolsonaro e o Tiririca irão continuar sendo eleitos.




Direto na têmpora: Pearl necklace - ZZ Top

6 comentários:

Tertúlia Pão de Queijo disse...

Maurilo,

a gente não trabalha com pastelzinho, mas servimos pão de queijo literário. Dá uma passada lá na Tertúlia Pão de Queijo. Um local de encontro da literatura/poesia mineira.

Se achegue e seja bem-vindo!
Abraços nossos!

redatozim disse...

Valeu, Tertulianos, pão de queijo é bão também.

Sakana-san disse...

É o mesmo que rezar por quem está ali parado na sua frente, passando fome... Outro dia discutimos isso em sala de aula e ficaram putos comigo quando disse que sentimentos de indignação e preocupação de nada servem, se não agimos, então, que é melhor ser ignorante a certas coisas, pois a ignorância pode ser simplesmente um estado de alienação da pessoa. Acho que não entenderam o que eu quis dizer ou mexi na ferida das pessoas.

redatozim disse...

É, Sakana-san, eu também acho que tudo o que nos faz sentir deveria nos fazer agir.

Danuza Falabella disse...

infelizmente a mais pura e dura verdade.

redatozim disse...

Tem gente que acha que pena é igual a solidariedade, Danuza.