sexta-feira, outubro 05, 2007

Imaturidade gerencial

Trabalhei com um cliente que ficou conhecido na agência pelo seu “marketing de testosterona”. Esse termo, incrivelmente adequado, por sinal, referia-se ao hábito da criatura de, por causa de uma intuição ou palpite, demandar quantidades obscenas de trabalho, com prazos ridículos, para somente depois disso analisar a viabilidade ou não das ações. Confunde produção com produtividade e nunca ouviu falar em qualidade.

No entanto, existem ainda outras formas de imaturidade gerencial espalhadas pelo mercado com as quais, infelizmente, fui obrigado a conviver. A seguir, alguns exemplos do freak show que vem tomando conta do empresariado:

1) O dono da bola: a diretoria é formada por profissionais (presumidamente) competentíssimos em suas áreas. Todos eles pedem o trabalho, aprovam as soluções, acompanham a produção e alegram-se com os resultados. No entanto, basta uma palavra do Sr. X (normalmente um superior hierárquico) para que as convicções e o suor dos outros caiam por terra sem que nenhum protesto seja sequer feito.

2) O cheio de humores: mais uma vez o trabalho passou por todas as etapas, inclusive pelo Big Kahuna, que gostou de tudo. Certa manhã, após uma conversa sobre futebol com o porteiro do prédio, o Master Blaster tem o insight de que o caminho da campanha não deveria ser bem aquele e, para a estupefação geral, volta atrás de sua decisão e pede novos rumos mesmo com o material anterior já totalmente produzido e a 3 dias da veiculação.

3) O esquecido: anote e reenvie tudo o que foi decidido por email e solicite confirmação, colha assinaturas, tire foto da pessoa na reunião para comprovar sua presença, enfim, proteja-se, porque ali a palavra vale chongas e a frase “mas eu nunca soube disso” será ouvida freqüentemente.

4) O zoneado: é mais ou menos como atender um buraco negro. A informação importantíssima se perde, os layouts aprovados são rasgados com as alterações marcadas, o briefing muda e ele ACHA que passou, peças são aprovadas sem o mínimo de atenção e nada é muito confirmado. É aquele que depois da campanha veiculada costuma dizer “tenho quase certeza que pedi pra vocês mudarem esse texto” e fica olhando desconfiado para a agência por um bom tempo depois.

5) O misterioso: tem todas as informações, sabe exatamente o que quer, tem prazo e verba para a campanha, mas esconde cada uma das informações como se fossem um segredo de estado. Libera algumas aos poucos e espera que você adivinhe a maioria delas. Normalmente surge com algum dado que possuía desde o começo para contestar a campanha já nos momentos finais.

6) O escroto: acha que seu trabalho é encontrar erros ao invés de gerar acertos. Inventa problemas, cria obstáculos, nunca está satisfeito. Passa uma impressão de “extremamente exigente”, quando na verdade não passa de “extremamente incompetente e contraproducente”.




Direto na têmpora: Submission - Sex Pistols

14 comentários:

don oliva de Saavedra y Carajos disse...

Bravíssimo! Todos muito pertinentes.
Só faltou o "quero derrubar esta agência" que é aquele que tem um amigo em outra agência, e quer mudar a qualquer custo. Mas por ter alguém acima dele (que não sabe de suas intenções) faz tudo para armar ciladas e criar situações difíceis.
Passei por isso algumas vezes, e sei o quanto é "Phoda", com "P" maiúsculo.

Redatozim disse...

Cara, isso rola demais mesmo. E vou te falar que vivi isso faz pouco tempo.

don oliva disse...

Temos que fazer justiça até àqueles que a gente não admira. mas o "Sem-rabu-dus-inferno" tinha uma expressão que eu gosto muito: "arapuca". É perfeita para certas situações como essas.

Redatozim disse...

Um dos raros momentos de felicidade do SRDI.

ISA disse...

JÁ CONVIVI COM O TIPO ESCROTO E NA MIHA OPINIÃO É O PIOR. O CARA SE ACHA E AINDA PENSA QUE É BACANA COLOCAR MEDO EM TODO MUNDO,GRITAR E FALAR QUE OS FUNCIONÁRIOS SÃO INCOMPETENTES. ISSO É HORRIVEL....

Redatozim disse...

Eu acho que cada um tem sua horribilidade própria. Não consigo escolher um pior.

Maria Luiza Pedrosa disse...

Não é só nesse contexto que tem esses camaradas não; trabalhei em uma escola que tanto fazia para os donos vender calcinha ou abrir uma franquia de curso de idiomas. Como curso de idiomas dá mais grana que as calcinhas... Era coisa de Nosferatu! "O aluno X não está pronto para passar para o próximo nível." "Passe assim mesmo pois precisamos de um número mínimo de alunos para formar turma." Nessa hora eu tinha vontade de enfiar meu diploma no... ops, melhor parar por aqui.

APPedrosa disse...

Eu tive um chefe tipo esquecido por conveniência. Dava certo, ele lembrava que a idéia foi dele. Dava errado, claro, não fizemos como ele mandou. Dava vontade de andar com gravador.

bruno bicalho disse...

Redatozim,
ótimas classificações!
Mostrou muito bem como tem nego ruim de serviço por ai...

Grande abraço!

Liene Maciel disse...

Acredito que chefes do tipo 'esquecido' é o que mais tem por aí...

Redatozim disse...

Com ensino é mais pesado ainda, Maria Luiza... desespeito total.

Redatozim disse...

Appedrosa, esse é o típico: EU ganhei, NÓS empatamos, ELES perderam.

Redatozim disse...

Abraço, Bruno. Valeu.

Redatozim disse...

Acho que tem espaço pra todos, Liene, infelizmente.