sexta-feira, agosto 24, 2012

Meu amigo, o jerico

Desde que eu era pequeno minha mãe sempre dizia: "pára com isso, menino, que ideia de jerico".

Acho que era a coisa que eu mais ouvia.

Quando eu quis comer algodão porque não me achava fofinho, ela disse isso.

Quando eu resolvi ir atrás da minha paixão, Rapunzel, e eles me acharam pedindo carona na beira da estrada com a mochila no ombro, ela também disse isso.

Até quando eu derreti uma joiazinhas dela pra fazer um megasuperanel ela disse isso!

Fui ouvindo, fui ouvindo e acabei mesmo acreditando que eu tinha um amigo chamado Jerico e que vivia tendo ideias muito legais que minha mãe odiava.

Só muito tempo depois fui saber que jerico era tipo um burro. Naquela época, o Jerico pra mim era um menino da minha idade, do meu tamanho, só que muito mais esperto e maneiro do que eu.

Resolvi assumir a amizade e pra tudo o que eu precisava, sabia que podia contar com o Jerico.

Na hora da prova eu não sabia qual era a capital da Bolívia? Perguntava pro Jerico e a resposta vinha fácil: Inhapim.

Não sabia o que dizer pra menina mais linda da escola? Fala pra ela que você é um robô e que foi programado pra ficar ao lado dela até ganhar um beijo, se não você vai destruir a cidade.

Queria entrar pro time de futebol, mas era péssimo? Vai de óculos escuros e bengala, o treinador vai achar que pra quem é cego você até que joga muito bem.

E assim foi. Sempre que eu precisava, o Jerico estava do meu lado. Claro que as sugestões dele nem sempre funcionavam, mas uma coisa eu preciso dizer: ele nunca era chato. Mesmo quando tudo dava errado, eu e ele morríamos de rir e nos preparávamos para outra situação com a mesma vontade de fazer tudo, menos o que todo mundo fazia.

Fui crescendo, entrei para a faculdade, me formei, me casei e hoje trabalho em uma grande empresa. Não vejo mais o Jerico com tanta frequência, mas quando a coisa aperta, quando tudo fica muito comum, eu chamo meu amigo e lá vamos nós descobrir até que ponto somos loucos e até onde os outros são capazes de ir.

Tem dado certo. E sabe a menininha do robô? Tá esperando o nosso terceiro filho.

Valeu, Jerico!


PS - historinha inspirada pela Sophia, que sempre tem as mais adoráveis ideias de jerico.


Direto na têmpora: Naked in the city again - Hot Hot Heat

segunda-feira, agosto 20, 2012

Irreversível

Dizem que a morte é irreversível. Na verdade, não sei.

Até onde percebo, nunca estive morto e não faltam crenças por aí a me defenderem milhares de conceitos diferentes sobre a morte e o que acontece após a mesma.

Já com a vida é diferente. Podemos até ter outras depois, mas nenhuma será igual a esta. É o barro com que trabalhamos hoje, é o que nos resta e o que nos sobra.

É nesse breve percurso, que algumas vezes nos parece tão longo, que deixamos o rastro de nossos erros, nossas mãos estendidas, nossas ações, nossas intenções, nossas conquistas, perdas e paixões. 

Pode ser que haja outra chance em outro lugar, em outra vida, em outra dimensão. Quem sabe?

A verdade é que nessa vida que vivemos, nesse insignificante e único nanoinstante do infinito que nós é dado, não há remendo. Nosso trajeto é nosso legado para outros trajetos tão curtos como os nossos.

A vida, sim, é irreversível, meus amigos. E viver bem é o único caminho.




Direto na têmpora: Remember - The Raveonettes

sexta-feira, agosto 17, 2012

Paixão

Eu respeito e acredito no poder de tudo aquilo que te faça viver melhor e ser mais feliz, seja uma religião, uma dieta ou um programa de tv.

Quem sou eu para tentar te ensinar o que é felicidade quando ainda estou aprendendo que o que é bom pra mim pode ser veneno para os outros?

O fato é que eu acredito na força das paixões. Muitas vezes eu não compreendo alguém que dá a vida por um time de futebol ou que esbraveja e rompe amizades por conta de uma visão política, mas eu admiro. De verdade. E torço pra que essa paixão não seja um equívoco, mas sim um motor que faça a pessoa ser melhor, mais completa, mais "ela mesma".

Até porque, sobre alguém sem paixões há muito pouco o que se dizer.




Direto na têmpora: Sir, Your Fashion Has the Cold Heart of A Killer - The Beautiful Girls


quinta-feira, agosto 16, 2012

O que a gente tem a dizer

Durante anos encontrei profissionais de publicidade que sabiam exatamente como dizer as coisas. Como dizer que o consumidor iria pagar mais, como dizer que aquela promoção era imperdível, como dizer que meu achocolatado era melhor do que o outro. Na verdade, sempre fui, ou tentei ser, um deles.

Os reis da forma, os mestres da boa ideia. Admirava, admiro e respeito todos eles. O título que marca, o roteiro bem sacado são uma forma de trazer leveza, beleza e criatividade ao dia do público. E de vender, é claro.

O problema é que, já faz algum tempo, somos convidados a participar do processo de descobrir, junto ao cliente, "o que deve ser dito". É um passo anterior, que fornece a base para a grande ideia sobre "como dizer".

Talvez seja um momento mais assustador do que a chegada do computador e mais revolucionário do que a popularização da internet. Precisamos nos envolver mais, abrir nossas mentes para outros processos, outras demandas, outras questões.

O desafio de sermos mais completos do que julgávamos necessário faz com que uns aproveitem e outros se encolham.

Por enquanto é uma decisão de cada um. Em pouco tempo será uma questão de sobrevivência. Melhor escolher seu lado agora e arregaçar as mangas, filhote.




Direto na têmpora: One - Vampire Weekend

quinta-feira, agosto 09, 2012

Álbum de fotografias

Gino tinha 21 anos e, no meio do curso de Engenharia Química, com tantas provas, matérias e preocupações com estágios e empregos, já começava a sentir falta da época do colégio.

Foi assim que bateu nele a vontade de rever as fotos da velha turma: as festas, os encontros, a bagunça na escola e a formatura do ensino fundamental.

Abria os arquivos e relembrava rostos, piadas, aventuras e parecia que já não estava mais no meio da faculdade, e sim vivendo novamente os bons momentos dos seus 17 anos. Tudo havia se passado há apenas 4 anos, mas pareciam séculos.

Até que um rosto chamou a atenção de Gino. Começou a reparar em um menino de cabelos claros e olhos bem pretos que aparecia em todas as fotos. Engraçado, não se lembrava dele.

Com certeza não eram da mesma sala, mas o garoto podia ser de outra classe. A idade era mais ou menos a mesma dele na época e não seria estranho se eles tivessem amigos em comum.

Passou as fotos na escola, as fotos das festas, da formatura e o menino sempre estava ali, sorridente, brincalhão e irritantemente desconhecido.

Deu de ombros, desligou o computador e foi dormir. Inútil, a imagem do menino tão presente e que escapava da sua memória o mantinha acordado. Resolveu mandar um email com uma das fotos para ver se alguém da turma se lembrava.

Acordou no dia seguinte, correu pra mais uma das intermináveis aulas e, no meio do caminho, foi checar os emails. Dos 13 emails para amigos que havia enviado, 7 haviam respondido e nem um sequer se lembrava do garoto.

Achou aquilo estranho e ficou mais impressionado ainda quando de noite descobriu que nenhum dos colegas se lembrava do rapaz. Encaminhou a foto para a turma inteira e, 3 dias depois, tinha a certeza na caixa de emails: ninguém sabia quem era o mocinho de olhos escuros.

Os dias se passavam e Gino ficava cada vez mais incomodado com aquilo. A coisa chegou a tal ponto que se resolveu a matar estágio e foi até a escola falar com os professores. Como podia se esquecer de alguém que estivera tão perto dele em tantas ocasiões? Algum educador com certeza poderia esclarecer o mistério.

Chegou à escola e deu de cara com o Romão da portaria. O Romão estava ali há uns 30 anos e seria a pessoa certa para esclarecer as coisas.

Conversaram fiado, trocaram novidades e logo depois o Gino já foi mostrando a foto. Romão olhou, olhou e um tempo depois perguntou.

- Como é que você fez isso? 

- Isso o quê?

- Essa foto com o Rui.

- Ah, então esse de cabelo claro chama Rui? De que turma ele era?

- Chamava Rui, sim. Como é que você fez isso?

- Fiz o quê, Romão? São as fotos da minha época aqui na escola.

Romão balançou a cabeça. Gino ficou olhando pra ele sem entender até que o velho porteiro falou.

- Gino, essa foto é impossível. O Rui estudou aqui 20 anos antes de você. Ele tinha uns 16 anos quando se enforcou no banheiro do vestiário. Eu sei porque fui eu quem tirou o corpo da corda. Agora, me responde como é que você fez isso?

Gino saiu correndo. Apagou todas as fotos do computador, reformatou a máquina e jurou nunca mais dizer uma palavra sobre o assunto para ninguém. Nunca mais procurou o Romão e nem buscou o contato dos velhos amigos.

O medo durou uns 3 anos. Dormia de luz acesa,acordava sobressaltado, olhava pra trás sempre que estava sozinho e sentia arrepios e calafrios a todo o instante.

Com o tempo foi esquecendo as fotos, esquecendo o menino-fantasma e seguiu sua vida. Formou-se, casou, teve duas filhas e assim seguia sua história.

Em uma manhã de domingo qualquer acordou com uma bagunça tremenda na sala. Levantou-se e encontrou as baixinhas com as fotos do casamento espalhadas pela sala. Comentavam que o pai usava cavanhaque, que estava mais magro, que não tinha cabelos, brancos, que a mãe que estava linda, que a avó estava engraçada.

Juntou-se a elas, pegou uma foto a esmo e gelou ao ver, bem atrás dele e da mulher, aqueles cabelos claros, aquele sorriso vivo e aqueles malditos olhos bem pretos que olhavam direto para a câmera.




Direto na têmpora: Jane Says - Jane's Addiction

terça-feira, julho 24, 2012

O jeito dela

Nada é mais italiano do que uma história contada por Sophia.

Da mente para a boca, um torvelinho. Da boca para as mãos, um furacão.

Tirar dela o gesto, é roubar-lhe um pouco da voz, é amansar a fantasia, é fazer dela mais uma menina comum.

Menos italiana, menos força da natureza, menos minha Sophia.




Direto na têmpora: Finish line - Fanfarlo

segunda-feira, julho 09, 2012

Cadê Sophia?

 A festa já ia começar, mas cadê Sophia Comelli? Ninguém sabia.

Todo mundo já tinha chegado, a música estava animada, mas nada da Sophia chegar.

Tinham jogos, brincadeiras, correria e diversão, mas cadê Sophia Comelli? Não tinha chegado, não…

Foi aí que, um pouco preocupada, a meninada do Bolão começou a imaginar.

-       Será que um E.T., chegou na casa dela para tomar chá? – perguntou Enzo.

-       Pode ter sido que as plantas cresceram tanto que ela não conseguiu sair – argumentou Ana Carolina.

-       E se o pai dela virou um urso? – disse João Pedro.

-       E se a mãe dela virou uma pata? – espantou-se Maria.

-       Hmmm… eu acho que ela ficou comendo amora até perder a hora – rimou o Lucas Szuster.

-       Ou comendo broa até ficar à toa – completou Sophia Zeferino.

-       Pra mim, ela atrasou porque choveu mel e ela ficou grudada – sugeriu o João Victor.

-       Pois, pra mim, ela quis vestir uma roupa de geleia e ficou toda atrapalhada – respondeu a Ana.

-       Eu acho que uma bruxa quis sequestrá-la – assustou-se o Pedro França.

-       Eu acho que um ogro deixou ela presa dentro da mala – gritou a Julinha.

-       Aposto que ela errou o caminho e foi parar na Bahia – pensou alto o Henrique.

-       Ou pegou um ônibus e foi visitar a tia – falou baixinho a Lalá.

-       O foguete dela pode ter ficado sem gasolina – comentou o Dudu.

-       Ela pode ter ficado conversando com um sapo bonina – arriscou a Cacá.

-       Vai que um elefante sentou no pé dela – exclamou o Thomás.

-       Vai que a cara dela ficou toda amarela – emendou a Nicole.

-       Quem sabe ela está cuidando de mil gatos? – supôs o Marcelo.

-       Quem sabe ela precisou comprar mil sapatos? – divagou a Jojô.

-       Ela pode ter ganhado um sorteio de um milhão – animou-se o Lucas Passeado.

-       Ela pode ter ficado afundada no colchão – matutou o João Camilo.

Estavam todos assim, imaginando coisas malucas, quando chegou a Sophia bem feliz e sorridente.

-       SOPHIA, ONDE VOCÊ ESTAVA? – berraram todos juntos.

E então ela respondeu.

-       Meninada, meninada, vocês não sabem o que aconteceu. Eu já estava saindo de casa quando um E.T. amigo meu apareceu para tomar chá. Quando ele foi embora, eu tentei vir, mas as plantas tinham crescido tanto que fecharam a porta. Aí eu cortei tudo, mas meu pai virou um urso, minha mãe virou uma pata e eu demorei um tempão pra desfazer o feitiço. Quando eu acabei, fiquei horas comendo amoras e depois comendo broa. Aí caiu uma chuva de mel e eu fiquei toda grudada, vesti minha roupa de geleia e fiquei toda atrapalhada. Quando estava prontinha, uma bruxa tentou me sequestrar. Escapei dela, mas um ogro me pegou e prendeu dentro da mala. Foi uma luta pra escapar, mas saí correndo, errei o caminho e fui parar na Bahia. Precisava voltar depressa, então peguei um ônibus, mas, no meio do caminho, resolvi visitar minha tia. Pra chegar na hora, só mesmo de foguete, mas, imaginem só, o meu estava sem gasolina. Fiquei triste, mas aí chegou um sapo bonina e conversou comigo pra me animar. Quando fui me levantar, tinha um elefante no meu pé. Briguei pra ele sair e fiquei com a cara amarela de tanto gritar. Enquanto tiravam o elefante do meu pé e eu lavava meu rosto, passaram mil gatinhos e eu resolvi cuidar de todos eles. Foi aí que eu lembrei de um monte de aniversários e fui na loja comprar mil sapatos de presente. Comprei um cupom e ganhei um milhão na hora. Estava muito cansada de tanta atividade, então fui tirar um cochilo e, juro que é verdade, fiquei afundada no colchão. Quando consegui me livrar, peguei o dinheiro do sorteio, comprei um avião e pedi pro moço me trazer até aqui.

E aí, depois de tanta conversa, de tanta bagunça, de tanta aventura, de tanta história e de tanta confusão, sabe o que acontece? A festa acabou. Ah, e esta história também. Tchau!




Direto na têmpora: On Melancholy Hill - Gorillaz

quinta-feira, junho 28, 2012

Futuro

O futuro tem o hábito engraçado

De nunca chegar

Para quem vive no passado




Direto na têmpora: Countdown - Pulp

sexta-feira, junho 22, 2012

Hot Heat

Eu torci muito pelo LeBron James em Cleveland (exceto contra o Boston, é claro). Eu me decepcionei muito com LeBron James nos anos seguintes, não tanto como jogador, mas principalmente por sua postura fora das quadras. Eu me rendi ao talento de LeBron James nos últimos dias.

Aliás, ano passado eu escrevi esse texto aqui sobre ele e muito do que eu achava continua valendo.

O fato é que o Miami Heat venceu um time mais jovem e muito talentoso, mostrou calma diante da pressão e provou que pode sim, e infelizmente, confirmar a bravata de LeBron ao dizer que foi a Miami para ganhar "não um, não dois, não três, mas múltiplos títulos".

Não é um resultado que me deixa feliz, até porque gosto muito do time do Thunder, mas é, acima de tudo, merecido.

E, mais importante, LeBron James mostrou que não é o garotinho assustado que imaginávamos diante dos grandes momentos. É um jogador capaz de fazer com que os grande momentos se curvem a ele.

Parabéns, Heat. Parabéns, LeBron. Ah, e parabéns pro Wade de quem eu sempre gostei.




Direto na têmpora: She don't use jelly - The Flaming Lips

segunda-feira, junho 18, 2012

Sertanejo

Sou do fazendeiro o oposto
Na lida que inventei
Amores, sortes e gosto
Colho mais do que plantei

Não há horta ou semeadura
Não se tira do mal a raiz
E ainda assim há fartura
De tudo o que faz feliz

Na chuva ou na estiagem
Sol rachando ou geada
Minha terra não é miragem
É vida que me foi dada

Ao fim desta safra tardia
Retorno à terra enfim
Deixando semente em Sophia
O bem que existiu em mim




Direto na têmpora: This city's a mess - Said The Whale

quinta-feira, junho 14, 2012

Verde

- Então tá bom, chegando em casa eu te conto a novidade, tá?

- Novidade? Que novidade, Guta?

- É segredo, curioso. Em casa você fica sabendo.

Pronto, bastou aquilo pra bagunçar o dia dele. Cabeça voando, falava consigo mesmo diante da tela imóvel do computador.

- Segredo? Guta nunca teve segredo pra mim. Bom, coisa ruim não deve ser pela voz dela. Ou então é bom pra ela e ruim pra mim. E se a novidade for aquele curso na França que ela sempre sonhou? E se ela estiver indo embora?

Ficou naquela, entre intrigado e irritado pela tal novidade. Na volta, o caminho que ele fazia diária e calmamente de bicicleta, agora parecia a subida da Graciosa. A cabeça não parava. Maldita curiosidade.

O tempo no elevador, outra eternidade. Abriu a porta e se deparou com ela a sorrir no meio da sala. A mesma Guta, mas agora com cabelos completamente verdes.

- Cabelo verde, Guta? Sério?

- Não gostou?

- Não sei. Verde? Difícil de acostumar.

- Pois é, resolvi hoje cedo, assim, de surpresa.

- É? Mas cabelo verde? Tem certeza? De onde você tirou essa ideia?

- Sei lá, assim que eu soube que o juiz havia autorizado a adoção hoje cedo decidi que queria ser a primeira mãe de cabelo verde da minha família.

Ele não parava de chorar. Seria pai. E então era verde a cor da alegria.




Direto na têmpora:  Can't get used to losing you - The English Beat

terça-feira, junho 12, 2012

All you need is love

Uma fagulha.
Um instante.
Duas palavras, talvez três.
Um começo sorri.
O resto é entrega, é labuta, é a busca.
Porque o amor não é presente, é conquista.
A dor e o prazer de lutar juntos a luta que se escolheu lutar.
Uma vida inteira, muitas.
E ainda assim morrer sabendo que desistir nunca foi uma opção.
Porque viver de outro jeito não seria viver.




Direto na têmpora:  Dearest - The Black Keys

segunda-feira, junho 11, 2012

O namorado da Fernanda

Amanhã é Dia dos Namorados. Dia de jantares e motéis e presentes e beijos e reencontros e longos telefonemas.

E no meio de tudo isso eu ainda acordo pensando como um menino: "ela disse sim, ela disse sim".




Direto na têmpora: FNT - Semisonic

sexta-feira, junho 08, 2012

Leitorinha

Sophia comprou seu primeiro livro "grande" para ler sozinha: "Tito, o cãozinho roubado". DEita na sala para ler. Lê antes de dormir. Senta com o livro à mesa. Uma delícia de se ver como ela diz em tons de conquista que já acabou a página 19.

E lá vai ela, parecida comigo em algumas coisas, com a Fernanda em outras e com ela mesma em muitas.

Minha leitorinha, meu denguinho, minha menina tão melhor que eu.




Direto na têmpora: Turn to stone - Electric Light Orchestra

quarta-feira, junho 06, 2012

A teoria do problema

Pode reclamar, pode xingar, pode querer se matar, pode querer dar porrada, pode chorar, pode fingir de morto, pode brigar, pode questionar, pode argumentar, pode explicar, pode detonar, pode fingir que nem liga, pode nem ligar, pode fazer o que você quiser, mas RESOLVA A PORRA DO PROBLEMA!




Direto na têmpora: Let me on out - The Raveonettes

terça-feira, junho 05, 2012

Radicais livres

Essa semana foi pródiga em topar com pessoas de raciocínio extremista sobre os mais diversos temas. Gente que não entende que você escolher uma coisa não faz com que ela seja perfeita e que não basta fechar os olhos para que os problemas daquilo que você defende sumam.

Gente, por exemplo, que acha absurdo quando uma ditadura censura um jornal, mas acha normal quando um líder de esquerda fecha uma tv. Pouco importa que os argumentos dos dois lados sejam exatamente iguais, a pessoa sempre usa dois pesos e duas medidas.

E isso tem acontecido recentemente não apenas com posições políticas, futebolísticas ou religiosas, mas até mesmo nos assuntos mais bestas. Não sei se as pessoas estão mais extremistas e indisponíveis para ouvir os outros ou se tem sido apenas um azar meu mesmo.

De qualquer forma, a única verdade absoluta é que o torresmo é feito por anjos cozinheiros em um castelo cercado por unicórnios e temperado com arco-íris. O resto sempre é discutível.




Direto na têmpora: Drive - Blind Melon

segunda-feira, maio 07, 2012

Biblioteca solidária maio 2012

Chegou o frio e com ele a Biblioteca solidária do tio Maurilo. A ideia é a mesma. Vendo os livros que já li (e tem dois da Fernanda também) ao preço de um cobertor. Você pode pagar em cobertor ou em dinheiro: só 10 reais.

E pra completar, estou vendendo meus livros infantis Esse Bicho Virou História e Na Horta, no Jardim, No Quintal ao preço de 10 reais + um cobertor (ou 20 reais).

O funcionamento é o mesmo: quem mandar primeiro o email para mauriloandreas@gmail.com garante o livro, sem chororô. Pelo Facebook, pelo blog ou pelo twitter não vale.

Chega de papo e segue a lista:

A cabana – William P. Young
Momo e o senhor do tempo – Michael Ende
Agora é que são elas – Paulo Leminski
O romancista ingênuo e o sentimental – Orhan Pamuk
Milarepa – Eric-Emmanuel Schmitt
As pequenas memórias – José Saramago
Expedição ao inverno – Aharon Appelfeld
La ley de la ferocidad – Pablo Ramos
Romance sem palavras – Carlos Heitor Cony
A escalada – Anatoli Boukreev / G. Weston DeWalt
Azul – Rubén Darío
Submarino – Joe Dunthorne
Fala, amendoeira – Carlos Drummond de Andrade
O clube do suicídio – Robert Louis Stevenson
Steve Jobs – Walter Isaacson
Desonra – J. M. Coetzee
A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe
Nova York – Will Eisner
Sandman (Noites sem fim) – Neil Gaiman
Nada me faltará – Lourenço Mutarelli
Inconfidências de uma adolescente – Marcita Coelho
O galo músico – Fernando Sabino
Amores guardados – Lêda Couto
Sinal e ruído – Neil Gaiman
A comédia trágica ou a tragédia cômica de Mr. Punch – Neil Gaiman
Slam – Nick Hornby
Pequeñas intenciones – Jorge Consiglio




Direto na têmpora: Do you - Portugal The Man

quinta-feira, maio 03, 2012

Pode acontecer

Pode acontecer, sem aviso ou motivo aparente, que tudo aquilo que nos separa se transforme precisamente naquilo que nos une.

E assim, entre perplexos e ausentes, sentimos que nossas verdades valem nada, que nossas certezas são risíveis, que é preciso entender que a mudança do outro corre paralela à nossa e que é infinita a chance de nos encontrarmos. Por infinitos motivos, em infinitos momentos.

Basta não olhar o passado, basta fazer parte do acaso, basta estar solto e leve como quem não espera. E aí o oceano que separa passa a ser a vasta água que conecta.

E ódio se esvai, líquido pelo ralo.




Direto na têmpora: Always new depths - Bloc Party

terça-feira, abril 24, 2012

Esse cara aí do seu lado.

Esse cara aí do seu lado come wasabi com pão.

Esse cara aí do seu lado batia muito na irmã.

Esse cara aí do seu lado já namorou o meu chefe.

Esse cara aí do seu lado já levantou, agora é outro.

Esse cara aí do seu lado tem alergia a perfume.

Esse cara aí do seu lado arranhou o carro da Dona Célia.

Esse cara aí do seu lado eu nunca vi antes.

Esse cara aí do seu lado tem o maior jeito de pintor.

Esse cara aí do seu lado tava naquela festa.

Esse cara aí do seu lado tava naquele enterro.

Esse cara aí do seu lado é aquele que você falou?

Esse cara aí do seu lado tem cara de corno.

Esse cara aí do seu lado.

Todo cara aí do seu lado.

E aquele ali mais na frente também.



Direto na têmpora: Crash years - The New Pornographers

quinta-feira, abril 12, 2012

A gente se encontra

A gente se encontra na internet. É impossível calcular o número de amigos com os quais retomei contato e pessoas novas que passei a conhecer e admirar por causa da internet.

Você que não nasceu analógico como eu, não sabe a diferença que isso faz. Não sabe o que é falarolhando nos olhos e instantaneamente ao invés de mandar uma carta e não sabe o que é encontrar alguém que, sem a internet, teria 99,99999% de chances de nunca fazer parte da sua caminhada.

Tudo isso para dizer que Rudolf Reimerink buscou por "Musetti" no Google e chegou ao Pastelzinho. Ele se apresentou como amigo de infância do meu pai e dos meus tios e desde então retomou contato com eles e passou a me conhecer também.

Pois outro dia contei no Pastelzinho como me lembrava com saudades do Sujismundo e como o apresentei para a minha Sophia, que simplesmente adorou. É aí que volta à cena o Rudolf Reimerink, amigo do meu pai. Alguém que, sem nunca ter conhecido pessoalmente eu ou Sophia, resolver nos presentear gcom uma ilustração do Sujismundo original e assinada pelo seu criador Ruy Perotti.

Uma relíquia de 1973 que deixa uma alegria enorme de saber que a internet significa muita coisa, mas que ela vale a pena mesmo quando é amplificador do que a gente tem de bom.

Muito obrigado, Rudolf. Eu, Fernanda e Sophia adoramos.






Direto na têmpora: Myriad harbour - The New Pornographers