terça-feira, fevereiro 03, 2009

Absurdos

Agências de publicidade são o grande reino dos absurdos. Até aí, nenhuma novidade, mas tinha um cara com quem eu trabalhava que dava um verdadeiro show.

Cada pedido de trabalho seguia o mesmo padrão: conversinha mole (1) + prazo fictício (2) + briefing porco (3) + falso pedido de desculpas (4) + beijomeliga (5).

Para quem não entendeu, um exemplo fictício:

"Pessoal, como todos sabem estamos em um processo de redimensionamento da visão morfo-psico-funcional do cliente em relação aos objetivos mercadoanalíticos da linha de produtos (1). Por causa disso, surgiu uma demanda urgente e precisaremos desenvolver um folder institucional para hoje às 16h (2). Na verdade, sabemos pouco sobre o conteúdo da peça. Podemos sugerir os temas, pensar em um formato, já que a abordagem deve ser geral, mas sem perder o foco (3). Eu sei que é difícil trabalhar assim, que está faltando informação e que o prazo está puxado, mas foi o que conseguimos (4). Se quiserem conversar e trocar uma idéia, talvez ajude (5)."

Invariavelmente tínhamos que ligar para a criatura e, surpresa, ele passava o briefing completo por telefone. Normal, normalíssimo.

Ah, e a aprovação da peça sempre era feita 3 dias depois do prazo passado, afinal a pressa sempre é um conceito muito relativo e a necessidade também.




Direto na têmpora: Over at the Frankenstein place - Rocky Horror Show

8 comentários:

Eduardo César disse...

Pô Maurilo... vai me dizer que você não pegou que o atendimento só queira ouvir a sua voz?

redatozim disse...

Edu, ele fazia isso com todos, então talvez não fosse a minha voz, mas qualquer voz. carência, sabe como é?

Janaína disse...

AAAAhhhh, o fascinante mundo da comunicação e as incríveis mágicas que temos que fazer pra sobreviver nele!!! Até hoje me pergunto porque não ouvi os conselhos de vovô. Homem sábio era aquele! rs

redatozim disse...

Eu cheguei a pensar em fazer Zootecnia, Janaína, mas fui tolo.

Jonga Olivieri disse...

Isso fora o "... maiores informações com o signatário". Havia um tempo em que era muito comum.
Uma vez um diretor de criação de uma agência em que trabalhei passou um pedido de alguma coisa e no final, além de colocar a referida frase, assinou:
"O Signatário".
Ficou na história.
Don Oliva

redatozim disse...

Essa é a preguiça na forma máxima, Don Oliva. Viva a burocracia.

emmibi disse...

Hahahaahahahaha
aaiii que típicooo.
Eu juro que quando fui do Atendimento numa agência eu não era assim. Eu era uma pessoa bem legal.

redatozim disse...

Tem muito atendimento bom, emiibi, como tem muito carfa de criação que não é estrela, mas o oposto é sempre a regra.