sexta-feira, agosto 24, 2007

Orçamento

Lembrei de mais um caso de um certo ex-patrão meu. Apresentávamos uma campanha para um cliente antigo da casa, mas com responsável novo pelo marketing e corria tudo bem. O conceito havia sido aprovado com louvor, o filme foi elogiadíssimo e entrávamos na sempre complicada parte dos orçamentos.

Os custos de mídia geraram algum debate e na hora dos orçamentos de produção os ânimos começaram a se alterar. De repente, bem no meio da apresentação dos orçamentos do filme o novo gerente de marketing do cliente exclama (valores fictícios obviamente):

“Cem mil reais!? Um filme desses eu faço por vinte mil fácil!”

No que o dono da agência responde de bate-pronto:

“Pois então a reunião está encerrada. Senhores, aí está o nosso novo fornecedor. Boa sorte!”.

Até a temperatura baixar foi um custo, mas acabou tudo bem e o filme foi rodado. Com nosso orçamento, claro.




Direto na têmpora: Pow R. Ball - Yatsura

8 comentários:

Rubens disse...

Gostei do seu ex-chefe. Uma vez, quando eu tinha um estúdio de gravação, estava negociando um spot para uma cohecida agência (na época era uma fundo-de-quintal). Já tinha abaixado o que podia, até mais do que podia, e o produtor queria me esfolar ainda mais, dizendo que o cliente não tinha grana, que o trabalho era importante pra agência, aquela chorumela costumeira. No final o cara queria que eu abaixasse mais 120 reais. Eu permaneci irredutível, muito mais por princípio do que pela grana, e mandei na lata: "seu cliente não está preparado para anunciar, pois ele não sabe dar o valor devido que o nosso trabalho tem. Você está ralando pra viabilizar o job, eu estou ralando pra viabilizar o job e ele encrenca com 120 reais?". Pra completar mandei a pérola: "Ele vai gastar esses 120 reais hoje à noite jantando fora com a mulher dele (na época dava pra isso) e fica querendo me esfolar?". O sujeito ficou mudo, sem graça e nunca mais me pediu um orçamento. Ainda bem.

Redatozim disse...

Boa, Rubéola. É isso mesmo, pô. Se não dão valor ao seu trabalho que façam sozinhos. Fiquei mais seu fã ainda depois dessa, meu caro.

Jonga Olivieri disse...

Simplesmente "dupirú" esta sacada!

Redatozim disse...

Dr. Mario d´Alcantara sempre tinha boas tiradas.

ML disse...

Adorei; meu namorado conta uma �tima: depois de 11 de setembro, v�rias teorias foram levantadas para explicar a queda das torres, cada um dando um pitaco. No escrit�rio de engenharia que ele trabalhava tinha um estagi�rio maior Z�-bostinha-sabich�o. Eis que durante um bate papo no caf� ele solta uma do tipo: gente � muito �bvio pq as torres ca�ram, foi por causa de nananannononono (n�o consigo lembrar a p�rula)... a� o engenheiro mais antido do escrit�rio disse: gente corre, liga pros EUA e fala pra dispensar todos os especialistas; o g�nio aqui j� tem a resposta que o mundo todo quer saber! A zua�o foi geral... hehehe Em tempo: Concordarei com o Magro e com o Redatozin; no entanto discordarei tamb�m: o poeta Vin�cius � pouco falado... a dupla Vin�cius e Tom engoliu o poeta no entanto, deu voz � outra faceta do artista. � comum as pessoas lerem poemas do Vin�cius e perguntarem "esse � aquele do Tom"? Em tempo: convido voc� a comentar um poema para a pr�xima Sexta com Letras, que acha?
Abs!

Priscila Andrade disse...

Maravilhoso! A gente, que trabalha com comunicação, criação ou qualquer outra área não tradicional (medicina, advocacia etc.) tem que parar de achar que o "pobre" do cliente precisa de ajuda. Que o trabalho está caro. E etc. É como seu amigo diz: geralmente aquele valor será gasto mesmo em um jantar. E o nosso trabalho é profissional. Tem técnica, aprendizado, experiência envolvido nisso. Se o cliente soubesse fazer ele faria, não nos contrataria, certo? E me conta: qual desses clientes merrequeiros pediria esse tipo de desconto ofensivo para um cardiologista, por exemplo? Nenhum, não é mesmo?

Beijos pra todos e boa semana.

Ah! Tô amando o livro viu? Depois comento de-ta-lha-da-men-te (nesse meu timing-tartaruga que você já conhece, hohoho).

Redatozim disse...

Opa, já topei o convite, ML, apesar de não saber exatamente se tenho capacidade pra comentar sobre poesia. Mas como sou pitaqueiro, darei pitacos. Como é que funciona isso direito?

Redatozim disse...

A valorização é que dita o regateio, Priscila. Quanto menos valorizado o profissional, mais vão chorar custos. Eta profissão durinha essa.