quinta-feira, junho 25, 2009

Sem jeito

Eu não acho que o Brasil tenha jeito. Eu acho que seremos sempre esse reduto de gente sem um pingo de pudor e totalmente descompromissada com a ética e com a população.

Exatamente por isso eu não me surpreendo em nada com a ordem do Presidente Lula de defender Sarney de qualquer maneira. Lula está pouco se lixando para princípios, para a honestidade e para a justiça que ele tanto cobrou quando não estava no poder. O objetivo de Lula é um só: continuar no poder a qualquer custo.

Aliás, exatamente como seu defendido, José Sarney, um homem tão apegado à coisa pública que, mesmo sendo maranhense de quatro costados, elegeu-se como Senador pelo Amapá para que o resto da família pudesse mamar à vontade no Maranhão.

Nem ACM foi tão despudorado. Pelo menos não consigo imaginar a velha raposa baiana saindo como candidato pelo Espírito Santo. Mas, não sei, talvez tenha faltado apenas a oportunidade mesmo.

Agora, Lula se esquece que já acusou Sarney de ser mais ladrão que Maluf. São águas passadas e o que interessa agora é manter o seu grupinho no poder. Um grupinho, aliás, que cresce com a chegada de Renan Calheiros, Collor, Sarney e quem mais vier. Abram espaço, porque lá em cima tem que caber todo mundo.

Como eu disse, eu realmente não acho que o Brasil tenha jeito. Vai seguir sempre assim, com acordos impensáveis, com atos secretos, com dinheiro desviado, e com um enorme descaso pela própria imagem. Ou você acha que Lula sente a menor vergonha de defender Sarney?

Por isso, eu acho que é hora de fazer como os políticos já fazem há um bom tempo e ligar o foda-se. Vamos assumir que o Brasil vai ser sempre assim e deixar a roubalheira comer solta, sem ter que cobrar ou achar absurdo.

Eles vão roubando a nação por lá e a gente vai vivendo a nossa vida, seguindo nossa própria consciência e fazendo as coisas que achamos corretas.

O Brasil não será mudado pelo voto e nem pela revolução. Desistam. Isso aqui é assim mesmo e é bom vocês se acostumarem.




Direto na têmpora: Saturday morning - Eels

14 comentários:

Raphael Crespo disse...

É, meu caro... A vontade, muitas vezes, é de ligar o foda-se, mesmo.

O Lula defende o Sarney em nome da governabilidade, porque sabe que precisa da maioria do Senado - que, por sua vez, está com o imortal maranhense/"amapaense".

O incrível é constatar que a governabilidade, na cabeça do Lula, é o Sarney ficar lá. Isso significa que, realmente, não adianta a população reclamar, fazer protesto, botar o bloco na rua. Pois, apesar de toda a sujeira, o coronel tem a maioria do Senado ao lado dele. E foda-se o povo.

Na verdade, eu já vivo a minha vida com o foda-se ligado, procurando crescer sem passar ninguém para trás e tentando não incomodar ninguém. Mas não consigo deixar de me incomodar e acho que não deveríamos deixar de nos incomodar.

redatozim disse...

Sei não, Raphael, incômodo pra mim só faz sentido se gerar mudança ou resultado. Se for só pra sofrer, é meio inútil. Enfim...

Mateus Gouvea disse...

Até pq os "revolucionários" qdo tomam o poder acabam se virando para o lado negro da força...

redatozim disse...

Mateus, eu fui um cara que, com 17 anos ia de perna engessada até a Praça Sete para assistir a um discurso do Roberto Freire na primeira eleição presidencial da minha vida (e para muitos brasileiros). Você não sabe como me dói admitir que eu era um idiota, não pelo Roberto Freire, mas por achar que mudaríamos alguma coisa.

tita disse...

Guilhotina neles!!!!!!

redatozim disse...

É isso aí, Tita, cortem-lhe as cabeças!

Jonga Olivieri disse...

"Sir Ney" (foi a alcunha que o Millôr deu a este canalha) é uma raposa velha que está no poder desde os tempos da ditadura.
Eu costumo dizer que já não acreditava muito na ABL. No dia em que Sarney vestiu o fardão eu pensei com os meus botões: "Acabou! Aquilo é uma casa da mãe Joana". Coitado do Machado de Assis!
O sr. da Silva, vulgo Lula, aquele que não sabe o que acontece na sala ao lado do seu gabinete mostra a cada dia que passa o quanto não tem um mínimo de dignidade.
Populista bem sucedido, passou incólume pelos escândalos que deveriam ter-lhe destituido de seu cargo.
Mas não... Lula é o maior fenômeno político deste pais, depois de Vargas. Sim, é o novo "pai dos pobres", tal e qual o fora Getúlio.
Mas a origem da questão está desde que o PT foi fundado, com apoio direto da CIA e de grupos econômicos internacionais com o intuito de afastar Leonel Brizola de chegar à presidência. Objetivo plenamente alcançado, até porque, Brizola num ato de burrice política entrou em conflito com Roberto Marinho (que o diabo o tenha) e a poderosa Rede Globo em gigantesca campanha conseguiu o objetivo final de difama-lo, queimando completamente a sua imagem. Mas isto é assunto para muito chope.
Ligar o foda-se? Não vejo outra forma de conseguir sobreviver num pais que não tem tradição de luta popular, em que os “cidadãos”, nem se lembram em quem votaram para vereador nas ultimas eleições.
Don Oliva

redatozim disse...

Porra, Oliva, que aula! Agora, te falo uma coisa, você foi bondoso com a questão do vereador. Duvido que 50% se lembrem em quem votaram para Governador.

rogério fernandes disse...

Quer saber, Monster? O que mais me admira é ver colegas meus defendendo este "dedetazinho" dizendo que ele rouba mas faz. Puta que pariu! Morra engolindo cocô, Luis Ignóbil da Silva.

redatozim disse...

Monstro, o grande problema é que eu nnao vejo diferença ética entre a administração dele e as anteriores. Os escândalos e as roubalheiras estão presentes em, ouso dizer, todas.
Ou seja, meu problema é mais com o Brasil do que com o Lula.

Jonga Olivieri disse...

Eu, como tenho anulado o voto nas eleições pra governdor e prefeito, lembro-me perfeitamente.
Mas acredito que boa pare das pessoas não se lembrem msmo!
Don Oliva

ndms disse...

O pior de tudo isso é que somos obrigados a votar

redatozim disse...

Eu anulei o meu voto pela primeira vez no segundo turno das eleições municipais do ano passado, Don Oliva. Mas lembro em quem votei para vereador (e foi eleito).

redatozim disse...

Eu não tinha opinião formada, ndms, mas nos últimos anos tenho ficado fortemente inclinado a defender o fim do voto obrigatório.