Meu primeiro dia de aula no Loyola, recém-chegado de Ipatinga, foi marcante. No São Chico a gente era obrigado a usar uniformes, mas no Loyola não. Obviamente, minha mãe comprou os uniformes assim mesmo e eu, sem saber, fui totalmente trajado no primeiro dia. Cabeludo e uniformizado.
Assim que cheguei na sala, sem conhecer ninguém, uma figura esquisita aponta pra mim e manda: "olha lá o novato otário de uniforme".
Passada a vontade de cobrir o esquisito de porrada, fui me adaptar ao ambiente e fiz grandes amigos ali. Inclusive o esquisito, que se chama Girino, está no Brasil, e ainda não me deu notícias. Grande filho da puta, isso sim.
Direto na têmpora: I can't get up the nerve - John Pizzarelli.
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terça-feira, fevereiro 12, 2008
quinta-feira, janeiro 24, 2008
The horror, the horror
LP era um bom amigo dos tempos de Loyola. Aliás, será chamado de LP porque andei tomando algumas aulas sobre a visibilidade dos blogs e como certas pessoas ficam mais melindrosas (e menos bem-humoradas) quando sobem na vida.
Pois bem, eu e LP tínhamos um ritual que fazia sucesso na hora do intervalo. Éramos jovens robustos (ele não é mais, emagreceu muito de lá pra cá, enquanto eu tripliquei de largura) e folgazões, que gostávamos de maltratar os petizes.
Sendo assim, eu me posicionava de um lado do corredor, em frente à cantina, e LP do outro. Assim que passava uma criaturinha sobrecarregada de lanches e sucos ouviam-se os gritos alegres e efusivos:
“Marley!”
“LP!”
“Que saudades, meu velho!”
“Há quanto tempo.”
E assim rumávamos em direção ao outro e nos abraçávamos justamente quando a criança estava entre nós. Obviamente era um abraço chacoalhado, cheio de trancos e safanões, o que levava quase toda a comida da vítima ao solo. Com o tempo fomos nos aperfeiçoando e passamos a posicionar chaves nos bolsos de forma a amplificar os danos, além de optar sempre pelos transeuntes de óculos.
Bons tempos aqueles em que semear o terror entre os indefesos era nossa principal ocupação.
Direto na têmpora: Maria Magdalena - Sandra
Pois bem, eu e LP tínhamos um ritual que fazia sucesso na hora do intervalo. Éramos jovens robustos (ele não é mais, emagreceu muito de lá pra cá, enquanto eu tripliquei de largura) e folgazões, que gostávamos de maltratar os petizes.
Sendo assim, eu me posicionava de um lado do corredor, em frente à cantina, e LP do outro. Assim que passava uma criaturinha sobrecarregada de lanches e sucos ouviam-se os gritos alegres e efusivos:
“Marley!”
“LP!”
“Que saudades, meu velho!”
“Há quanto tempo.”
E assim rumávamos em direção ao outro e nos abraçávamos justamente quando a criança estava entre nós. Obviamente era um abraço chacoalhado, cheio de trancos e safanões, o que levava quase toda a comida da vítima ao solo. Com o tempo fomos nos aperfeiçoando e passamos a posicionar chaves nos bolsos de forma a amplificar os danos, além de optar sempre pelos transeuntes de óculos.
Bons tempos aqueles em que semear o terror entre os indefesos era nossa principal ocupação.
Direto na têmpora: Maria Magdalena - Sandra
terça-feira, março 20, 2007
Nivel intelectual
Quando eu estudava no Loyola meu irmão mais novo fez teste para ingressar naquela então conceituada instituição de ensino. Uma das etapas do processo seletivo era uma entrevista com o Mario Zan, um cara que havia acabado de chegar e que se mostrava extremamente empoado.
Começa a entrevista e tudo normal para uma criança de 9 anos: qual o sue nome, do que você gosta, qual a sua matéria favorita, etc, etc.
De repente, completamente do nada, Mario Zan inicia uma pergunta extremamente complexa, cheia de referências à opção pelos pobres, teologia da libertação e diversas outras diretrizes e propostas da igrejas da igreja católica. Depois de 5 minutos de explanação, ele encerra olhando firme nos olhos do Werner e pergunta "Qual a sua opinião sobre isso"?
Werner olha fixamente pro Mario Zan e, depois de longos 40 segundos, responde calmamente "Como assim?".
É exatamente essa reação que eu tenho diante de alguns pedidos de trabalho.
Direto na têmpora: Diamonds on the soles of her shoes - Paul Simon
Começa a entrevista e tudo normal para uma criança de 9 anos: qual o sue nome, do que você gosta, qual a sua matéria favorita, etc, etc.
De repente, completamente do nada, Mario Zan inicia uma pergunta extremamente complexa, cheia de referências à opção pelos pobres, teologia da libertação e diversas outras diretrizes e propostas da igrejas da igreja católica. Depois de 5 minutos de explanação, ele encerra olhando firme nos olhos do Werner e pergunta "Qual a sua opinião sobre isso"?
Werner olha fixamente pro Mario Zan e, depois de longos 40 segundos, responde calmamente "Como assim?".
É exatamente essa reação que eu tenho diante de alguns pedidos de trabalho.
Direto na têmpora: Diamonds on the soles of her shoes - Paul Simon
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