O que é pior: um ator que tenta fazer um sotaque e falha ou um ator que ignora completamente as origens do personagem e fala do jeito que quiser? Eu opto com alegria pela segunda opção.
Não sou muito noveleiro, mas agora, com Fernanda seguindo atentamente os últimos capítulos de "A Favorita", acompanhei o total desprezo do ator e bairro do Rio de Janeiro, Bento Ribeiro, pelo sotaque de seu personagem.
Na cena em questão, o personagem do ator (homônimo do local de nascimento do Ronaldo gorducho) tentava mascar a Claudia Ohana explicando suas origens mineiras (em Lavras, se não me engano). Até aí, problema nenhum, a única observação é que o cara falava com um fortíssimo sotaque carioca.
Aconteceu a mesma coisa em outra novela em que a Suzana Vieira tirava um bonitão da fazenda e levava pra morar com ela. Pois bem, o matuto falava igualzinho ao Romário.
Tá certo que nos dois casos os atores são simplesmente péssimos e despreparados, mas daí a ligar o foda-se e falar do jeito que quiser me parece meio errado.
Imagine, por exemplo, o Auto da Compadecida com um ator de sotaque gaúcho fazendo o Chicó e um outro com aquela puxada forte da periferia paulista fazendo o João Grilo. "Não sei não, tchê, só sei que foi assim, bah!"
O tal Bento Ribeiro é filho do João Ubaldo Ribeiro (!) e, apesar de um ator horroroso, me parece o menos culpado no processo. Tem um diretor que diz corta e manda editar a cena, tem alguém que selecionou o cara pro elenco e tem um monte de gente que acha normal alguém de Lavras puxar o "s".
E o pior, enquanto procurava no Google informações sobre nosso canastrãozinho, ainda achei elogios à sua "atuação". Ainda bem que agora lá em casa tem duas tvs e eu posso assistir Mad Men (em dvd) no horário nobre.
Direto na têmpora: Use me - Bill Withers