quinta-feira, maio 27, 2010

Dores do crescimento

Eu detesto o fato da Sophia estar crescendo.

Eu detesto o fato de que eu hoje argumento as coisas com ela e, ao invés de reagir como um animalzinho e gritar e chorar, ela entende, processa e aceita as coisas.

Eu detesto moldar esse pequeno ser humano dentro de regras que eu não inventei, detesto tirar dela a inocência de querer o impossível, detesto o fato de que hoje ela percebe os motivos por trás do que eu digo.

O véu de amor sem medida que cobria aqueles olhos vai se dissipando e eu vou virando apenas um homem que faz o possível, que erra, que é intransigente, que impõe verdades.

Eu acordo com a sensação maldita de que quanto mais a Sophia me conhece, mais ela sabe que eu não sou quem ela imaginava. Cada vez mais ela sabe que eu não sou papai, sou Maurilo. E essa era a última coisa que eu queria que ela descobrisse.




Direto na têmpora: Vaporize - Broken Bells

14 comentários:

Raphael Crespo disse...

É, cara, não tenho filhos, mas pretendo ter e fico imaginando essa aflição de, cada vez mais, se tornar realidade aquela máxima de que "criamos os filhos para o mundo".

De qualquer forma, quando bem criados, como sei que é a Sophia, eles sempre serão um pouco nossos, apesar de mais do mundo. E isso já é o suficiente.

redatozim disse...

Não é suficiente não, viu, Raphael, mas nnao tem outro jeito rs

PC disse...

Preocupa não, fio.
Neto serve pra isto.
E daqui a uns 15, 20 anos, eles voltam a pensar deste jeito.
Eu hoje fico de quatro, babo com mamãe...

Rebecca Leão disse...

Diz-se que a sensibilidade é própria das mulheres. Eu não ratifico isso. Quanto mais eu te leio, mais tenho certeza que existem bonitas exceções nesse mundo. Você é uma pessoa a quem eu admiro muito, ainda que virtualmente. Rebecca

Roberta Estevam disse...

Sou a filha mais velha de um ex-casal de mineiros (que além de mim teve apenas mais uma garota). Somos maiores de idade, vacinadas e acredite: ambas moramos com nosso pai.

E hj, depois de perceber que ele não é meu herói, ou príncipe encantado que um diz eu quis que fosse, sou capaz de amá-lo muito e mais. Por me ensinar a não mentir, por me ensinar a ser (ou ao menos tentar ser) uma boa pessoa.

Ele erra, eu sei. Acredito que todos os pais errem: tentando fazer o melhor. Ou não! Qm qm saberá dizer?! Mas o amor que existe entre nós dois, esse amor de mão dupla, é bem maior do que tudo de errado ou incerto que possa existir.

Te garanto!

Sou filha de um pai lindo há qse 30 anos! E me orgulho imensamente dele!

Sua cacheada Sophia tb se orgulhará!, mesmo que - ou qm sabe por isso mesmo - descubra que o papai, na verdade, é o Maurilo.

Abraço,
sua leitora capixaba
Roberta

Ilda Marcia disse...

estamos no mesmo barco.Não gosto dessa sensação, me deixa nervosa.

redatozim disse...

Obrigado, Rebecca.

redatozim disse...

Muito obrigado, Roberta.

redatozim disse...

É muito ruim, Ilda.

redatozim disse...

Deus te ouça, PC.

Anônimo disse...

texto forte.

redatozim disse...

se foi um elogio, obrigado, anônimo.

Raquel do Carmo disse...

Maurilo, também detesto ver a Rebecca crescer. A cada dia que passa tenho a sensação de que não consigo curtí-la exatamente da maneira como gostaria. Ontem mesmo era uma bebezinha e hoje já é mocinha. Mas ao mesmo tempo, fico muito feliz, por ver o ser humano lindo que está se tornando. Que os conselhos e ensinamentos bons sempre ficam e que se por um lado esse crescimento caminha para um certo distanciamento natural, por outro faz com que ela perceba que as imposições que até então ela não compreendia, realmente fazem sentido. E tenho certeza que com a Sophia é a mesma coisa. Sei que você dá o seu melhor sempre porque a ama incondicionalmente e pode ter certeza que na cabeça e coração dela, você sempre vai ser o papai, o super herói. Filho sempre acha que pai e mãe são eternos. E graças a Deus que a vida é assim. Abraços...

redatozim disse...

Abraços e obrigado, Raquel.