Meu primeiro carro foi um fusquinha 66 branco que meu pai ganhou em uma rifa. O nome era Ajax, o furacão branco, em referência ao slogan de um produto de limpeza da época. Pois Ajax vinha ainda com o Tibilinha, um caranguejo daqueles que costumam vir nas marchas de fuscas bem antigos, e que contava com o diferencial de poder ser retirado a qualquer momento, bastando desenroscá-lo. Tibilinha assistiu aulas comigo na faculdade, tomou chopps no Sea Lord, visitou muitos fins de mundo nessas Minas Gerais, enfim, fez parte de bons anos da minha vida.
Mas esse post é pra falar de outra característica bacana do Ajax. Como eu morava no Santo Antônio, invariavelmente tinha que pegar uma subida para chegar em casa. Porque o Santo Antônio, como Ouro Preto, desafia as leis da física: se para ir do ponto A ao B você sobe, pode ter certeza de que para voltar do B para o A vai subir outra vez. Uma grande e íngreme Rua do Amendoim.
Pois bem, o Ajax tinha o hábito de, no meio dessas precipícicas subidas, simplesmente largar o banco do motorista. Ou seja, enquanto o motor urrava pra aguentar o morro, eu me via com o banco colado no assento traseiro, praticamente pendurado pelo volante e acelerando apenas com a ponta do pé até o próximo trecho plano. O resultado foi que, durante anos, peguei a estranha mania de só dirigir segurando o banco com uma das mãos.
Saudades do Ajax, do Tibilinha e de uma época em que eu ainda era mais novo que meus carros.
Direto na têmpora: My poor brain - Foo Fighters