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terça-feira, janeiro 27, 2009

Crônica de uma vasectomia

Conforme prometido, segue aí o texto do meu bom amigo Gastão sobre suas agruras durante a vasec. Enjoy.


Amigos, estou de volta.

A cirurgia foi relativamente tranqüila. "Tranqüila" porque não foi nada do outro mundo, comparada a operações mais sérias. E "relativamente" porque também não é assim uma coisa à toa, levando em conta a região operada.

Cheguei ao local da castração na hora marcada, 10h da manhã do dia 28. Só fui convocado para o procedimento às 11h.

Uma enfermeira, dessas tias velhas e gordas, me dá uma daquelas camisolas de doente e recomenda: "Tira a roupa toda e veste a camisola, com a abertura para trás." E ainda ressalta: "É para tirar a roupa TODA, viu?"

Assim eu faço. Entro no banheiro gelado, tiro a roupa toda, dou a última olhada para o "condenado", visto a camisola e vou para o matadouro.

Chegando lá, vejo a tal tia junto com outra enfermeira, esta novinha, quase gatinha, com cara da espertinha. Ambas olham para mim sem conseguir esconder o riso. Deito na maca, com o cuidado de não mostrar a bunda para elas.

A tia véia me pede: "Com licença, vamos fazer uma pequena assepsia". Levanta a porra da camisola e começa a passar, com pinça e gaze, um líquido no meu pau, que nessa altura estava com uns 2 centímetros de comprimento. Era um cone de pele no meio das pernas. Detalhe: toda a região estava totalmente depilada.

A tia véia acaba a assepsia, e sai da sala. Ficamos só eu e a enfermeira novinha. Em silêncio. 1 minuto, 2 minutos, até que eu quebro o silêncio: "Situação estranha essa..." Ela tenta me consolar: "Ah, para o paciente é estranho, mas nós já estamos tão acostumadas..." Eu penso em falar "Olha, você tá vendo meu pau desse tamaninho, mas é porque eu tou com frio e com vergonha. Você precisa ver esse menino em posição de ataque, viu?" Mas desisto de falar, fico calado.

Ela tenta melhorar o meu lado com uma conversa no mínimo surrealista: "Eu fico embaraçada é quando eu tenho que lidar com números." Eu desisto de vez e fico ainda mais calado.

Neste momento, entra meu amigo, médico e carrasco: "E aê, Gastão, hahahaha, que situação, hein?". É um sádico, como todos os cirurgiões.

E começa o espetáculo.

Anestesia, tudo bem. Corta aqui, mexe ali, de repente, uma dor. "Pô, velho, tá doendo!" Mais anestesia. Começo a sentir puxando as coisas por dentro. Não é dor, mas uma sensação estranha. "E aí, Gastão, tudo tranqüilo?", ele pergunta. "Olha, tranqüilo mesmo, só quando eu estiver vestindo a calça para ir embora."

Mas o procedimento segue tranqüilo, na medida do possível. Conversamos sobre os velhos tempos, os velhos amigos, futebol e saúde. A cirurgia demora uns 30 minutos. Levanto e vejo uma poça marrom-avermelhada na maca. Fico pensando se eu havia cagado na maca sem perceber, mas concluo que era apenas iodo.

Meu amigo / médico / carrasco me passa as recomendações: repouso, gelo no local, e um tal de "suspensório escrotal", que eu nem pensei em adquirir. Suspensório escrotal, não!! E decreta 10 dias de abstinência sexual. Ainda tento negociar: "Mas nem uma punhetinha?". Não, nem uma punhetinha. Que merda. Ficar 10 dias sem churrasco a gente até agüenta, mas ficar sem churrasco e sem pão com manteiga é dureza.

Vou embora para Lafaiete, de ônibus. Cada buraco da estrada é sentido no meio das pernas. Paciência. Vou escutando Pink Floyd, Animals, no discman.

Os dias seguintes são de cuidado ao andar. O gelo é foda. Lafaiete com 15 graus de frio e eu pondo gelo no saco. O pau se encolhe de tal jeito que a gente acha que nunca mais ele vai sair dali. Quase desenvolvo a técnica de mijar assentado, mas até que não precisou.

Passados alguns dias, estou praticamente normal. Incomoda um pouco ao deitar e ao levantar da cama. E ainda permanece o instinto de levar a mão para proteger a região, ao passar perto de uma quina, uma criança ou algo que sugira risco.

E a vida segue. Falta pouco para completar meus 10 dias de abstinência sexual. Pouco mais de 7000 minutos...




Direto na têmpora: Whiskey in the jar - Thin Lizzy