Meu sobrinho tinha um maltês chamado Cartoon. Pequeniníssimo, o cão vivia apavorado com meu irmão, que aproveitava toda e qualquer oportunidade para dar um sacode na criaturinha.
Certa feita, meu irmão sozinho em casa percebe que Cartoon deu aquela belíssima mijada no tapete da sala. Furioso ele caminha em direção ao cachorro, levanta o animal e, antes mesmo de termninar o berro de "Cartoooooon", percebe que o serzinho desfaleceu.
Seu ódio se transforma imediatamente em desespero. Como ele contaria para o filho que matou o seu bichinho de estimação? Atabalhoadamente ele tenta reanimar o corpinho inerte com chacoalhadas, respiração boca-a-boca, o diabo.
Cuidadosamente ele posiciona Cartoon sobre o sofá e liga para o veterinário. Quase chorando ele explica o que aconteceu, dizendo que não teve a intenção, que nem encostou no cachorro e daí por diante.
O veterinário tenta acalmá-lo, procura obter algumas informações quando, levando um susto, meu irmão percebe que o Cartoon está ali, parado ao seu lado, olhando fixamente para ele.
"Cartoon! Cartoon! Ele tá vivo, doutor, ele tá vivo!"
"É, algumas raças pequenas, quando estão sob forte stress, têm esse mecanismo de defesa. O cérebro 'desliga' para a própria proteção do bichinho."
E enquanto meu irmão observava incrédulo Cartoon sair todo serelepe, o veterinário complementou:
"Olha, esse cachorro deve ter um medo horrível de você."
Direto na têmpora: Drowse - Queen