segunda-feira, julho 09, 2012

Cadê Sophia?

 A festa já ia começar, mas cadê Sophia Comelli? Ninguém sabia.

Todo mundo já tinha chegado, a música estava animada, mas nada da Sophia chegar.

Tinham jogos, brincadeiras, correria e diversão, mas cadê Sophia Comelli? Não tinha chegado, não…

Foi aí que, um pouco preocupada, a meninada do Bolão começou a imaginar.

-       Será que um E.T., chegou na casa dela para tomar chá? – perguntou Enzo.

-       Pode ter sido que as plantas cresceram tanto que ela não conseguiu sair – argumentou Ana Carolina.

-       E se o pai dela virou um urso? – disse João Pedro.

-       E se a mãe dela virou uma pata? – espantou-se Maria.

-       Hmmm… eu acho que ela ficou comendo amora até perder a hora – rimou o Lucas Szuster.

-       Ou comendo broa até ficar à toa – completou Sophia Zeferino.

-       Pra mim, ela atrasou porque choveu mel e ela ficou grudada – sugeriu o João Victor.

-       Pois, pra mim, ela quis vestir uma roupa de geleia e ficou toda atrapalhada – respondeu a Ana.

-       Eu acho que uma bruxa quis sequestrá-la – assustou-se o Pedro França.

-       Eu acho que um ogro deixou ela presa dentro da mala – gritou a Julinha.

-       Aposto que ela errou o caminho e foi parar na Bahia – pensou alto o Henrique.

-       Ou pegou um ônibus e foi visitar a tia – falou baixinho a Lalá.

-       O foguete dela pode ter ficado sem gasolina – comentou o Dudu.

-       Ela pode ter ficado conversando com um sapo bonina – arriscou a Cacá.

-       Vai que um elefante sentou no pé dela – exclamou o Thomás.

-       Vai que a cara dela ficou toda amarela – emendou a Nicole.

-       Quem sabe ela está cuidando de mil gatos? – supôs o Marcelo.

-       Quem sabe ela precisou comprar mil sapatos? – divagou a Jojô.

-       Ela pode ter ganhado um sorteio de um milhão – animou-se o Lucas Passeado.

-       Ela pode ter ficado afundada no colchão – matutou o João Camilo.

Estavam todos assim, imaginando coisas malucas, quando chegou a Sophia bem feliz e sorridente.

-       SOPHIA, ONDE VOCÊ ESTAVA? – berraram todos juntos.

E então ela respondeu.

-       Meninada, meninada, vocês não sabem o que aconteceu. Eu já estava saindo de casa quando um E.T. amigo meu apareceu para tomar chá. Quando ele foi embora, eu tentei vir, mas as plantas tinham crescido tanto que fecharam a porta. Aí eu cortei tudo, mas meu pai virou um urso, minha mãe virou uma pata e eu demorei um tempão pra desfazer o feitiço. Quando eu acabei, fiquei horas comendo amoras e depois comendo broa. Aí caiu uma chuva de mel e eu fiquei toda grudada, vesti minha roupa de geleia e fiquei toda atrapalhada. Quando estava prontinha, uma bruxa tentou me sequestrar. Escapei dela, mas um ogro me pegou e prendeu dentro da mala. Foi uma luta pra escapar, mas saí correndo, errei o caminho e fui parar na Bahia. Precisava voltar depressa, então peguei um ônibus, mas, no meio do caminho, resolvi visitar minha tia. Pra chegar na hora, só mesmo de foguete, mas, imaginem só, o meu estava sem gasolina. Fiquei triste, mas aí chegou um sapo bonina e conversou comigo pra me animar. Quando fui me levantar, tinha um elefante no meu pé. Briguei pra ele sair e fiquei com a cara amarela de tanto gritar. Enquanto tiravam o elefante do meu pé e eu lavava meu rosto, passaram mil gatinhos e eu resolvi cuidar de todos eles. Foi aí que eu lembrei de um monte de aniversários e fui na loja comprar mil sapatos de presente. Comprei um cupom e ganhei um milhão na hora. Estava muito cansada de tanta atividade, então fui tirar um cochilo e, juro que é verdade, fiquei afundada no colchão. Quando consegui me livrar, peguei o dinheiro do sorteio, comprei um avião e pedi pro moço me trazer até aqui.

E aí, depois de tanta conversa, de tanta bagunça, de tanta aventura, de tanta história e de tanta confusão, sabe o que acontece? A festa acabou. Ah, e esta história também. Tchau!




Direto na têmpora: On Melancholy Hill - Gorillaz

quinta-feira, junho 28, 2012

Futuro

O futuro tem o hábito engraçado

De nunca chegar

Para quem vive no passado




Direto na têmpora: Countdown - Pulp

sexta-feira, junho 22, 2012

Hot Heat

Eu torci muito pelo LeBron James em Cleveland (exceto contra o Boston, é claro). Eu me decepcionei muito com LeBron James nos anos seguintes, não tanto como jogador, mas principalmente por sua postura fora das quadras. Eu me rendi ao talento de LeBron James nos últimos dias.

Aliás, ano passado eu escrevi esse texto aqui sobre ele e muito do que eu achava continua valendo.

O fato é que o Miami Heat venceu um time mais jovem e muito talentoso, mostrou calma diante da pressão e provou que pode sim, e infelizmente, confirmar a bravata de LeBron ao dizer que foi a Miami para ganhar "não um, não dois, não três, mas múltiplos títulos".

Não é um resultado que me deixa feliz, até porque gosto muito do time do Thunder, mas é, acima de tudo, merecido.

E, mais importante, LeBron James mostrou que não é o garotinho assustado que imaginávamos diante dos grandes momentos. É um jogador capaz de fazer com que os grande momentos se curvem a ele.

Parabéns, Heat. Parabéns, LeBron. Ah, e parabéns pro Wade de quem eu sempre gostei.




Direto na têmpora: She don't use jelly - The Flaming Lips

segunda-feira, junho 18, 2012

Sertanejo

Sou do fazendeiro o oposto
Na lida que inventei
Amores, sortes e gosto
Colho mais do que plantei

Não há horta ou semeadura
Não se tira do mal a raiz
E ainda assim há fartura
De tudo o que faz feliz

Na chuva ou na estiagem
Sol rachando ou geada
Minha terra não é miragem
É vida que me foi dada

Ao fim desta safra tardia
Retorno à terra enfim
Deixando semente em Sophia
O bem que existiu em mim




Direto na têmpora: This city's a mess - Said The Whale

quinta-feira, junho 14, 2012

Verde

- Então tá bom, chegando em casa eu te conto a novidade, tá?

- Novidade? Que novidade, Guta?

- É segredo, curioso. Em casa você fica sabendo.

Pronto, bastou aquilo pra bagunçar o dia dele. Cabeça voando, falava consigo mesmo diante da tela imóvel do computador.

- Segredo? Guta nunca teve segredo pra mim. Bom, coisa ruim não deve ser pela voz dela. Ou então é bom pra ela e ruim pra mim. E se a novidade for aquele curso na França que ela sempre sonhou? E se ela estiver indo embora?

Ficou naquela, entre intrigado e irritado pela tal novidade. Na volta, o caminho que ele fazia diária e calmamente de bicicleta, agora parecia a subida da Graciosa. A cabeça não parava. Maldita curiosidade.

O tempo no elevador, outra eternidade. Abriu a porta e se deparou com ela a sorrir no meio da sala. A mesma Guta, mas agora com cabelos completamente verdes.

- Cabelo verde, Guta? Sério?

- Não gostou?

- Não sei. Verde? Difícil de acostumar.

- Pois é, resolvi hoje cedo, assim, de surpresa.

- É? Mas cabelo verde? Tem certeza? De onde você tirou essa ideia?

- Sei lá, assim que eu soube que o juiz havia autorizado a adoção hoje cedo decidi que queria ser a primeira mãe de cabelo verde da minha família.

Ele não parava de chorar. Seria pai. E então era verde a cor da alegria.




Direto na têmpora:  Can't get used to losing you - The English Beat

terça-feira, junho 12, 2012

All you need is love

Uma fagulha.
Um instante.
Duas palavras, talvez três.
Um começo sorri.
O resto é entrega, é labuta, é a busca.
Porque o amor não é presente, é conquista.
A dor e o prazer de lutar juntos a luta que se escolheu lutar.
Uma vida inteira, muitas.
E ainda assim morrer sabendo que desistir nunca foi uma opção.
Porque viver de outro jeito não seria viver.




Direto na têmpora:  Dearest - The Black Keys

segunda-feira, junho 11, 2012

O namorado da Fernanda

Amanhã é Dia dos Namorados. Dia de jantares e motéis e presentes e beijos e reencontros e longos telefonemas.

E no meio de tudo isso eu ainda acordo pensando como um menino: "ela disse sim, ela disse sim".




Direto na têmpora: FNT - Semisonic

sexta-feira, junho 08, 2012

Leitorinha

Sophia comprou seu primeiro livro "grande" para ler sozinha: "Tito, o cãozinho roubado". DEita na sala para ler. Lê antes de dormir. Senta com o livro à mesa. Uma delícia de se ver como ela diz em tons de conquista que já acabou a página 19.

E lá vai ela, parecida comigo em algumas coisas, com a Fernanda em outras e com ela mesma em muitas.

Minha leitorinha, meu denguinho, minha menina tão melhor que eu.




Direto na têmpora: Turn to stone - Electric Light Orchestra

quarta-feira, junho 06, 2012

A teoria do problema

Pode reclamar, pode xingar, pode querer se matar, pode querer dar porrada, pode chorar, pode fingir de morto, pode brigar, pode questionar, pode argumentar, pode explicar, pode detonar, pode fingir que nem liga, pode nem ligar, pode fazer o que você quiser, mas RESOLVA A PORRA DO PROBLEMA!




Direto na têmpora: Let me on out - The Raveonettes

terça-feira, junho 05, 2012

Radicais livres

Essa semana foi pródiga em topar com pessoas de raciocínio extremista sobre os mais diversos temas. Gente que não entende que você escolher uma coisa não faz com que ela seja perfeita e que não basta fechar os olhos para que os problemas daquilo que você defende sumam.

Gente, por exemplo, que acha absurdo quando uma ditadura censura um jornal, mas acha normal quando um líder de esquerda fecha uma tv. Pouco importa que os argumentos dos dois lados sejam exatamente iguais, a pessoa sempre usa dois pesos e duas medidas.

E isso tem acontecido recentemente não apenas com posições políticas, futebolísticas ou religiosas, mas até mesmo nos assuntos mais bestas. Não sei se as pessoas estão mais extremistas e indisponíveis para ouvir os outros ou se tem sido apenas um azar meu mesmo.

De qualquer forma, a única verdade absoluta é que o torresmo é feito por anjos cozinheiros em um castelo cercado por unicórnios e temperado com arco-íris. O resto sempre é discutível.




Direto na têmpora: Drive - Blind Melon

segunda-feira, maio 07, 2012

Biblioteca solidária maio 2012

Chegou o frio e com ele a Biblioteca solidária do tio Maurilo. A ideia é a mesma. Vendo os livros que já li (e tem dois da Fernanda também) ao preço de um cobertor. Você pode pagar em cobertor ou em dinheiro: só 10 reais.

E pra completar, estou vendendo meus livros infantis Esse Bicho Virou História e Na Horta, no Jardim, No Quintal ao preço de 10 reais + um cobertor (ou 20 reais).

O funcionamento é o mesmo: quem mandar primeiro o email para mauriloandreas@gmail.com garante o livro, sem chororô. Pelo Facebook, pelo blog ou pelo twitter não vale.

Chega de papo e segue a lista:

A cabana – William P. Young
Momo e o senhor do tempo – Michael Ende
Agora é que são elas – Paulo Leminski
O romancista ingênuo e o sentimental – Orhan Pamuk
Milarepa – Eric-Emmanuel Schmitt
As pequenas memórias – José Saramago
Expedição ao inverno – Aharon Appelfeld
La ley de la ferocidad – Pablo Ramos
Romance sem palavras – Carlos Heitor Cony
A escalada – Anatoli Boukreev / G. Weston DeWalt
Azul – Rubén Darío
Submarino – Joe Dunthorne
Fala, amendoeira – Carlos Drummond de Andrade
O clube do suicídio – Robert Louis Stevenson
Steve Jobs – Walter Isaacson
Desonra – J. M. Coetzee
A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe
Nova York – Will Eisner
Sandman (Noites sem fim) – Neil Gaiman
Nada me faltará – Lourenço Mutarelli
Inconfidências de uma adolescente – Marcita Coelho
O galo músico – Fernando Sabino
Amores guardados – Lêda Couto
Sinal e ruído – Neil Gaiman
A comédia trágica ou a tragédia cômica de Mr. Punch – Neil Gaiman
Slam – Nick Hornby
Pequeñas intenciones – Jorge Consiglio




Direto na têmpora: Do you - Portugal The Man

quinta-feira, maio 03, 2012

Pode acontecer

Pode acontecer, sem aviso ou motivo aparente, que tudo aquilo que nos separa se transforme precisamente naquilo que nos une.

E assim, entre perplexos e ausentes, sentimos que nossas verdades valem nada, que nossas certezas são risíveis, que é preciso entender que a mudança do outro corre paralela à nossa e que é infinita a chance de nos encontrarmos. Por infinitos motivos, em infinitos momentos.

Basta não olhar o passado, basta fazer parte do acaso, basta estar solto e leve como quem não espera. E aí o oceano que separa passa a ser a vasta água que conecta.

E ódio se esvai, líquido pelo ralo.




Direto na têmpora: Always new depths - Bloc Party

terça-feira, abril 24, 2012

Esse cara aí do seu lado.

Esse cara aí do seu lado come wasabi com pão.

Esse cara aí do seu lado batia muito na irmã.

Esse cara aí do seu lado já namorou o meu chefe.

Esse cara aí do seu lado já levantou, agora é outro.

Esse cara aí do seu lado tem alergia a perfume.

Esse cara aí do seu lado arranhou o carro da Dona Célia.

Esse cara aí do seu lado eu nunca vi antes.

Esse cara aí do seu lado tem o maior jeito de pintor.

Esse cara aí do seu lado tava naquela festa.

Esse cara aí do seu lado tava naquele enterro.

Esse cara aí do seu lado é aquele que você falou?

Esse cara aí do seu lado tem cara de corno.

Esse cara aí do seu lado.

Todo cara aí do seu lado.

E aquele ali mais na frente também.



Direto na têmpora: Crash years - The New Pornographers

quinta-feira, abril 12, 2012

A gente se encontra

A gente se encontra na internet. É impossível calcular o número de amigos com os quais retomei contato e pessoas novas que passei a conhecer e admirar por causa da internet.

Você que não nasceu analógico como eu, não sabe a diferença que isso faz. Não sabe o que é falarolhando nos olhos e instantaneamente ao invés de mandar uma carta e não sabe o que é encontrar alguém que, sem a internet, teria 99,99999% de chances de nunca fazer parte da sua caminhada.

Tudo isso para dizer que Rudolf Reimerink buscou por "Musetti" no Google e chegou ao Pastelzinho. Ele se apresentou como amigo de infância do meu pai e dos meus tios e desde então retomou contato com eles e passou a me conhecer também.

Pois outro dia contei no Pastelzinho como me lembrava com saudades do Sujismundo e como o apresentei para a minha Sophia, que simplesmente adorou. É aí que volta à cena o Rudolf Reimerink, amigo do meu pai. Alguém que, sem nunca ter conhecido pessoalmente eu ou Sophia, resolver nos presentear gcom uma ilustração do Sujismundo original e assinada pelo seu criador Ruy Perotti.

Uma relíquia de 1973 que deixa uma alegria enorme de saber que a internet significa muita coisa, mas que ela vale a pena mesmo quando é amplificador do que a gente tem de bom.

Muito obrigado, Rudolf. Eu, Fernanda e Sophia adoramos.






Direto na têmpora: Myriad harbour - The New Pornographers

quinta-feira, abril 05, 2012

Sua mão que me guia

Os antigos navegantes aprenderam a ler as estrelas para chegar. Nunca se estava irremediavelmente perdido enquanto sobre sua cabeça houvesse um céu e dentro dela uma esperança.

Hoje é mais fácil perder-se, mesmo com aparelhos, mapas, computadores, satélites. Em algum momento deixamos de olhar para o céu sobre nossas cabeças. Em algum momento nos abandonou a esperança.

E assim começamos a criar nossas próprias estrelas, que podem ter a forma de um sonho, de uma paixão ou simplesmente de duas mãos.

Duas pequenas mãos que seguram as minhas e me guiam por um mundo cada vez mais escuro em que já não me enxergo.

Duas mãos e um sorriso.

Duas mãos e mil cachos.

Duas mãos e um coração.

Duas mãos e o nome Sophia: minha filha, minha vida, minha estrela, meu guia.




Direto na têmpora: The other side of zero - Elizabeth & The Catapult

quarta-feira, abril 04, 2012

Inimigo meu

Inimigo meu, fiques tranquilo que não te desejo o pior em todos os dias e nem sequer uma morte dolorosa e lenta. Não sou desses, embora fale como esses.

A verdade, inimigo meu, é que tampouco te desejo sucesso, alegria e saúde. Apenas pensei em ti porque me faltava assunto para escrever e eu, que tanto já falei sobre a amizade, hoje tive um gosto de variar.

Mas se quase não penso em ti, o que desejo afinal? Uma saudável distância, a paz de jamais rever-te e a esperança de que o teu caminho, qualquer que seja, nada tenha que ver com o meu.

Pouco me importa o que te venha a suceder, inimigo meu, e assim é melhor.

De resto, mantenho o compromisso de viver, lutar, ser feliz e errar como sempre fiz, preferencialmente sem que tenhas absolutamente nada a ver com isso.

E a ti, nada além da vida que mereças.




Direto na têmpora: Walking with a ghost - The National Fanfare Of Kadebostany

quarta-feira, março 28, 2012

Queen

Eu era muito fã de Queen desde os meus 7 anos de idade. Enquanto em casa meus pais ouviam muita música clássica, Chico Buarque e MPB (o que era ótimo), foi através do "tio" Ernesto, nosso vizinho, que eu me aprofundei mais em Queen.

É claro que We Are The Champions, We Will Rock You e outras já rolavam na rádio, mas eu ainda me lembro de escutar o News Of The World inteiro emprestado através do Guga, filho do "tio" Ernesto e um dos primeiros amigos que fiz na minha vida.

Eu me lembro do lançamento do Jazz, em 78 quando tinha apenas 7 anos e de pirar com Don't Stop Me Now e Fat Bottomed Girls enquanto descobria Bohemian Rhapsody, Somebody to Love e outros clássicos mais antigos.

Depois veio The Game, com Crazy Little Thing Called Love, Play The Game e Another One Bites The Dust, seguido pela trilha do filme Flash Gordon. Eu tinha 9 anos e a vida era boa para quem curtia o Queen.

Em 82 veio o Hot Space e, apesar de Under Pressure ser uma das coisas mais incríveis que eu já tinha ouvido, além dela apenas Life is Real e Las Palabras de Amor se destacavam em um disco que estava abaixo do que se esperava do Queen.

Com 13 anos recebi o The Works com desconfiança. Radio Gaga e I Want To Break Free eram hits, mas talvez pop demais para mim na época. Foi o último disco que comprei do Queen.

Ainda assim, vi o show mais importante e sensacional da minha vida em 11 de janeiro de 1985, ainda com 13 anos: Queen no Rock in Rio. Uma experiência alucinante e inesquecível.

Daí em diante acompanhei o Queen com certa distância, vibrando com as poucas músicas novas de que gostava, mas sem comprar discos ou me envolver demais. De uma certa forma era como se aquela banda tivesse quabrado minhas ilusões sobre amor eterno e a infalibilidade humana.

O tempo passou, chorei quando Freddie Mercury morreu e continuei curtindo o velho Queen que foi tão marcante na minha vida.

Uma paixão que continua hoje através da Sophia e que me faz fechar os vidros do carro quando estou dirigindo, colocar Spread Your Wings ou Somebody To Love no máximo volume e cantar desafinada e incontrolavelmente como se estivesse ainda no final dos anos 70, descobrindo a paixão musical de uma vida.




Direto na têmpora: Brighton Rock - Queen

terça-feira, março 27, 2012

Os tigres que caçavam bananas

Pouca gente sabe (na verdade, só eu sabia) que há muitos e muitos anos, os tigres caçavam bananas.

Não queriam saber de comer peixes, nem aves, nem vacas ou porcos. O que eles gostavam mesmo era de atacar uma bananeira indefesa e encher o barrigão com frutas bem maduras. E gulosos, com um apetite de tigre, comiam com casca e tudo.

Só que um dia apareceram macacos nas terras dos tigres. Aqueles bichos espertos logo se apaixonaram pelas bananas também e foi aí que o problema começou.

Como era muito rápidos, vinham saltando de árvore em árvore e logo estavam roubando as bananas dos tigres, que ficavam furiosos com aquilo.

A raiva era muita, mas você já tentou pegar um macaco? Era difícil demais e os tigres ficavam cada vez mais frustrados e com fome.

Chegou um dia em que sobrou apenas uma bananeira cheia, a maior e mais bonita delas. E de guarda por ali, ficava o mais feroz e poderoso dos tigres.

Os macacos queriam muito aquelas bananas, mas sabiam que com aquele tigrão não dava para brincar, então resolveram esperar.

Talvez você não saiba, mas os tigres também dormem, e assim que o grandalhão cochilou, um dos macacos subiu na bananeira e começou a catar as frutas.

Só que o rabo do macaco, comprido como ele só, encostou no focinho do tigre e começou a fazer cosquinhas balançando pra lá e pra cá.

O tigre acordou de repende e sem nem pensar deu uma mordida no rabo do macaco que fugiu como um raio.

Ah, mas vocês nem imaginam o que aconteceu. O tigre lambeu os beiços, sentiu o gosto e disse:

- Hmmmmm... mas isso é melhor que banana! Que coisa gostosa! Está resolvido: de hoje em diante é isso que eu quero comer.

E foi a partir daquele dia que os tigres pararam de comer bananas e começaram a comer veados, porcos-do-mato, bois, búfalos, peixes, macacos, é claro, e até gente.

Por isso, quando acabar essa história, olhe para trás com muito cuidado e veja se não tem um bicho enorme, laranja e preto olhando para você. Se estiver corra! Ou então tente dar uma banana pra ele. Quem sabe funciona?




Direto na têmpora: This tune - Television

segunda-feira, março 26, 2012

Inocentes

A culpa não é de quem mata, não é de quem estupra, nem é de quem rouba.

A culpa não é de quem oferece e nem de quem aceita propina, não é de quem sonega, não é de quem propaga, não é de quem se nega.

A culpa não é de quem cria, não é de quem revisa, não é de quem aprova, não é de quem produz.

A culpa está no outro, está no fundo, já não está.

Culpa? Nem morto.

Culpa? Estamos em falta.

Culpa? Pegue aqui uma justificativa qualquer e bons sonhos.




Direto na têmpora: Safari - The Breeders

sexta-feira, março 23, 2012

Os Saints não são santos

Este é um post sobre futebol americano, mas não é.

Tudo começou quando Sean Payton, técnico dos New Orleans Saints, campeões da NFL em 2009, instituiu uma política de recompensa para os jogadores. A ideia era premiar quem fizesse o quarterback adversário derrubar a bola, impedisse o lançamento, coisas assim.

O problema é que os prêmios valeriam também para quem machucasse os quarterbacks adversários. Tirou do jogo? Prêmio. Tirou da temporada? Prêmio. Jogadores de maior expressão como o talentoso novato Cam Newton tinham valores especiais e o craque Aaron Rodgers, por exemplo, valia um prêmio de 5.000 dólares para quem o lesionasse.

Obviamente futebol americano é um esporte de muito contato e acertar o outro com bastante força faz parte do jogo. É difícil medir durante o jogo a intenção por trás do golpe, se dinheiro ou vontade de vencer, mas ainda assim a prática é questionável.

Induz ao golpe desnecessário, à busca de algo além da vitória, ao ódio contra o seu opositor, alé de colocar em (mais) risco a carreira de um colega de profissão.

A NFL se pronunciou e punições duras foram impostas, mas fica a notícia que assusta e que faz pensar se todo time do esporte, mesmo na universidade, não mantém a mesma prática.




Direto na têmpora: Burn my shadow - Unkle

quinta-feira, março 15, 2012

Injustiças

Eu e minha Sophia no carro há menos de 1 hora.

- Papai, qual é o mês mais curto.

- Fevereiro.

- Porque tem 29 dias, né?

- É, às vezes tem 29 e às vezes tem 28.

- Como assim?

- É que tem um negócio chamado ano bissexto: de quatro em quatro anos fevereiro fica com 29 dias, entendeu?

- Mais ou menos.

- É assim, esse ano teve 29 dias em fevereiro, né? Então ano que vem tem 28 e no outro 28 e no outro 28. Depois volta pra 29. É 28, 28, 28, 29. 28, 28, 28, 29, entendeu agora?

- São três 28 e só um 29?

- Exato.

- Mas isso não é justo...




Direto na têmpora: Ride into the sun - The Velvet Underground

Sophia e as músicas

Às vezes quando estamos só eu e minha Sophia no carro eu coloco alguma música e percebo que ela ficou quieta. Olho para trás e percebo que ela está mirando o nada, ouvindo com algo além dos ouvidos.

A música acaba e ela, sem se mover diz apenas "de novo", com a voz mais ausente do mundo. E eu repito a canção enquanto ela sente aquilo como tudo deve ser sentido.

E nessas horas eu sinto que alguém no mundo me entende. E amo que eu e a minha Sophia tenhamos coisas em comum como uma música qualquer para amar.

A de hoje foi essa.






Direto na têmpora: Our lies - Rasputina

quarta-feira, março 07, 2012

Pé de amora

Para os meus tempos em Ipatinga.

De cima do pé de amora
O tempo impede a hora
E todo céu é azul
É azul
É azul




Direto na têmpora: One way or another - Blondie

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Depende

Depende do jeito que ela olha pra mim

Se o dia prossegue
Se a dor se apequena
Se eu acredito em pra sempre

Depende do jeito que ela me cuida, do jeito que ela me aninha, do jeito que ela segura minha mão

E então nada mais depende, mesmo que ela me ame um minuto somente, porque com o olhar ela disse que sim.




Direto na têmpora: Vagabond - Beirut

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Farol de São Tomé

A família da Fernanda tem uma casa em Farol de São Tomé, município de Campos, no Rio de Janeiro e fomos para lá no carnaval.

Após o terceiro dia, animadíssima com o sol, mar e praia, Sophia declarou:


- Essa é a melhor viagem da minha vida!


- Melhor que Porto de Galinhas?


- Melhor!


- Melhor que a Praia do Forte?


- Melhor!


- Melhor que o Rio de Janeiro?

- Melhor!
E eu, maligno, pensando no futuro.

- Melhor que a Disney?

Ela então me olhou muito séria e disse:

- Olha, papai, eu nunca fui à Disney e sempre fui doida pra ir, mas agora eu só quero vir aqui pra sempre!

Corta para o pai rindo loucamente por dentro e imaginando tudo o que ele poderá comprar com a grana economizada.




Direto na têmpora: No way - Sonic Youth

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Preconceito

O ser humano é curioso e temerário diante do diferente. Desde crianças, sempre que estamos diante de algo que não compreendemos ou que não corresponde aos padrões apreendidos inicia-se uma batalha dentro de nós entre o instinto de descobrir e o de se afastar.

Grande parte da nossa personalidade e dos caminhos que seguiremos depende das proporções com que combinamos estes fatores de medo e curiosidade.

Com o tempo, a curiosidade tende a se transformar em empatia e o medo tende a se transformar em raiva. Nasce assim o preconceito.

Fui criado em uma época em que piadas sobre gays e negros eram comuns até mesmo em programas infantis como os Trapalhões. Entendo que também no humor existe a capacidade de diminuir, de subjugar, de excluir alguém pela piada, mas sempre consegui enxergar o lado do riso que mostra com leveza a diferença e aproxima mais do que afasta.

São linhas tênues.

Sempre tive amigos negros, alguns namoricos com mulheres negras e nunca entendi bem o preconceito. Para mim a diferença da cor da pele é a mesma da cor do cabelo ou da altura. Poderíamos estar dividos entre gordos e magros, com sardas e sem sardas, orelhas presas e orelhas soltas. Até pelo convívio próximo eu nunca tive esse tipo de visão da diferença na questão cor da pele. Às vezes até fazíamos piada, mas nada com o intuito de ofender, apenas repetindo padrões e costumes.

Mas na questão da diversidade sexual a coisa era diferente. A verdade é que na minha adolescência de interior era padrão criticar, evitar, isolar e até mesmo magoar os gays para mostrar como éramos "machos".

Homem que é homem não fala fino, homem que é homem não beija outro homem, coisas do tipo. E isso nos distanciava das pessoas. "Eles" não eram homens, eram algo diferente, estranho.

E por isso eu tive amigos gays que só foram se assumir anos depois e por isso eu agi muitas vezes como um babaca até que eu amadureci e eles também.

Compreendemos mais ou menos ao mesmo tempo que ser gay é como ser louro, ter orelhas de abano ou mãos bonitas. É apenas uma das características que forma aquela pessoa. Passei a compreender, a respeitar e a romper com padrões com os quais fui criado, menos pelos meus pais, e mais pelo ambiente em que vivia.

Para mim, o preconceito perdeu o sentido e já fica difícil entender porque esses caras não podem se casar na igreja ou entrar de mãos dadas no cinema.

"Ah, mas você já chamou um amigo de gay que eu já vi". Sim. E talvez seja apenas um hábito que preciso mudar. Ou talvez não, talvez o humor não precise ser tão correto e tão cuidadoso assim e a brincadeira seja apenas uma brincadeira quando não tem o intuito de machucar. Pode ser também que eu precise refletir ainda mais sobre o assunto.

Não sei.

Mas sei que, para mim, a questão continua a mesma: como reagimos diante do diferente, do que não responde aos padrões aos quais estivemos expostos por tanto tempo. Curiosidade ou medo?

E quanto menos medo, quanto menos ignorância, menos motivos para que continue sendo assim. Porque a violência é quase sempre sinônimo de incompreensão absoluta, a reação de uma criança que, diante de um brinquedo de montar resolve o problema do seu jeito ou se frustra e quebra o joguete.

Eu amadureci (ou estou amadurecendo). E você?



* Parabéns pela inconstitucionalidade da Prop8 na Califórnia.




Direto na têmpora: Elevator love letter - Stars

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Abandono

Três pessoas vieram perguntar / reclamar / constatar que eu abandonei o Pastelzinho. Não nego, larguei mesmo isso aqui de lado.

Acho que perdi o pique de escrever diariamente e, sem essa motivação, acabo deixando pra depois. Percebi também que um post colocado aqui tem uns 200 views e 2 ou 3 comentários, enquanto que basta que eu coloque no Facebook para que ele alcance fácil 500 ou 600 views.

Não vou dizer que não posto mais, mas posso garantir que vai ser cada vez menos.

Quem sabe um dia eu recupero o pique?




Direto na têmpora: Needing / Getting - OK Go

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Vocês ainda vendem Foundphotos aqui?

 Conseguiu fotografar o Gelson caindo, Edith?



Amei a bicicleta, agora me dá um quintal?



Ei, Timmy, eu vou ser seu amigo pra sempre... pra sempre!




Direto na têmpora: The mess up - DZ Deathrays

domingo, janeiro 22, 2012

Domingo

O quarto cheirava a manhãs. Levantou o pescoço sem abrir os olhos e sem vontade. Sorriu. Sentia café, torradas e suco de laranja no ar.

Abriu os olhos. Deitado ao pé da cama o cão ainda ressonava.

Depois da porta, mais um dia.

Encostou novamente a cabeça no travesseiro. Pensou em alguma lembrança morna. Sonhou-se.

Menos um dia.








Direto na têmpora: We have all the time in the world - Fun Lovin' Criminals

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Vê se não fode, Nascimento.

Cancelem o carnaval em 2012. O Brasil tem mais problemas a resolver. Sumam de vista também com o Campeonato Brasileiro, as festas de finais de ano e todo e qualquer reality show, meu amigo, porque é problema pra caramba.

Aproveitando o ensejo, matem o Michel Teló, proibam a exibição do Chaves, tirem as novelas do ar, exilem o Silvio Santos, fechem o canal Sony e desliguem os aparelhos do Chico Anysio.

Mas antes e mais importante do que tudo, eliminem qualquer possibilidade de que cheguem um dia as férias do Carlos Nascimento.

Sem o Carlos Nascimento e os arautos da velha imprensa somos um bando de idiotas. Quem nos dirá o que é divertido, o que está na moda, o que é relevante?

Quem nos trará opiniões compradas com dinheiro de mídia para que possamos respeitar, concordar e obedecer?

Já fomos mais inteligentes, já fomos mais obedientes. Já entendemos melhor que se não está na tv não é verdade, não existe.

Que o problema só é real se for veiculado.

Emburrecemos, de fato, sem o discurso de Carlos Nascimento e outros arautos da verdade patrocinada.

Gostamos de bobagem, falamos merda, fazemos piada com pum e cocô, curtimos mais a caixa do que o brinquedo que eles nos oferecem há tanto tempo.

Tá certíssmo o Carlos Nascimento. Mas vai ficar sozinho com toda a razão dele, meus queridos, porque o mundo mudou pra todo mundo. Até mesmo pra Luiza que está no Canadá ou na putaqueapariu.




Direto na têmpora: Dance with me - Etta James

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Forgotten foolery

Tem uma música da Ida Maria sobre a qual eu já falei antes e que acho maravilhosa chamada "When it comes to you". Gosto demais mesmo e a letra tem dois trechos que me impressionam muito por bater com o que eu sinto. Saca só.


I can't wait for the day
When all the bad things I deserve
Come crashing in and all I do is love you

(...)
Then, when everything's changed
When all's forgotten foolery 
And you are mine entirely and


Stars could guide our way
No matter how far away
Deep down or gone astray
God knows I'm lost
and all I do is love you


Se bobear, eu até já falei disso também, mas é o que eu penso. O ideal era que chegasse logo o dia em que a gente pagasse por todas as merdas que fez, que o passado ficasse pra trás, que as brigas, que as picuinhas, que as bobagens e tudo mais se tornassem "tolices esquecidas" e a gente pudesse se perder.

Que nada adiante importasse e os caminhos não trouxessem o medo do  já vivido, mas só o começo do que houvesse para se viver. Que mesmo as memórias boas e maravilhosas ficassem inúteis diante do que está pela frente. Do que a gente quer, do que a gente sonha, do que a gente precisa.

Que amar fosse o início do início, o zero absoluto, a surpresa do simples. O primeiro passo de toda você que ainda tenho pra amar, Fernanda.




Direto na têmpora: Canvas - Imogen Heap

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Occupy e SOPA

Dois movimentos ganharam muito espaço na internet recentemente. Um deles, na verdade, ainda está por acontecer verdadeiramente.

O Occupy Wall Street foi um movimento que buscou questionar, protestar e tentar transformar o capitalismo através de uma ação de presença física em seu símbolo máximo que é Wall Street. O movimento ganhou outras cidades, invadiu a internet, mas, até onde eu sei, não obteve resultados concretos.

Sendo honesto, é um movimento de pressão que revela insatisfações, levanta questionamentos, mas acredito que só pode trazer mudanças práticas com a chegada de novos empresários e políticos com novas visões. Cabe ao povo votar, pressionar e aguardas. Fora isso, não há muito o que fazer.

Independentemente de concordar ou não com o movimento, ele é um tanto inocente em suas pretensões.

Ao contrário do Occupy, onde a insatisfação das pessoas comuns era a base, com a SOPA a batalha na verdade se dá entre algumas grandes empresas (Google, Facebook) e outras ainda maiores (Time Warner, CBS).

Outra diferença é que no caso da SOPA os boicotes podem ser eficientes, embora eu ache difícil imaginar que o Google irá parar de funcionar por causa da lei ou que as pessoas deixarão de ver filmes da Warner para protestar.

A propósito, eu sou contra a SOPA pelo poder que ela confere ao governo americano de proibir sites que sejam ideologicamente conflitantes com seus interesses sobre as mais diversas alegações. No entanto, para mim esta é outra batalha perdida. A vantagem é que pelo próprio espaço da guerra ser virtual, existe espaço para burlar a vigilância com soluções tecnológicas e outras artimanhas.

Se a SOPA vingar, como eu imagino que irá vingar, os direitos autorais terão vencido uma batalha contra a "liberdade" da internet, mas a guerrilha está só começando.




Direto na têmpora: Videogames - Lana Del Rey

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Papel e tinta






Direto na têmpora: Put me to sleep - Porcelain Raft

terça-feira, janeiro 10, 2012

Gêmeos

Hoje no almoço Sophia viu o Messi na tv e gritou:

- Olha, papai, o Ringo!

Pior que parece. Deve ser o nariz.
















Direto na têmpora: Wake up - Tim Armstrong

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Trilhando

Estende a mão

Alcança o fogo

E se deixa queimar

Que a dor purifica

Que a perda ilumina

Que todo caminho perdido

Foi feito para não se trilhar




Direto na têmpora: Say Aha - Santigold

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Oi, obrigado, por favor, tchau

Minha Sophia começou com timidezas ao encontrar pessoas novas. Normal, mas foi aí que eu expliquei a ela o seguinte: "você não precisa ser simpática, você não precisa conversar, você não precisa fazer gracinhas, mas educada você precisa ser."

A partir daí Sophia sempre diz oi, tchau, obrigado e por favor. É o mínimo que se espera de alguém preparado para respeitar e merecer o respeito dos outros.

Ah, mas Sophia tem só 6 anos e essas coisas não são tão importantes assim nessa idade, né? Mas são. Educação é coisa que se aprende de pequeno e que se leva para sempre.

Por isso eu não consigo respeitar quem entra em uma sala e não dá bom dia, quem interrompe uma conversa e não pede licença ou desculpas. Eu simplesmente tenho vergonha de pessoas que convivem com você, mas não acham importante dizer "olá", "tudo bom" ou qualquer coisa assim.

Pra mim é o tipo de gente que olha tanto para o próprio umbigo que sequer percebe que são seres humanos aqueles que estão à sua volta. E se a falta de educação é hierarquizada, pior. Sabe aqueles que cumprimentam o chefe e não olham na cara do vizinho de sala? Pois é.

O que essas pessoas não percebem é que agir assim é como tatuar "babaca" na própria testa.

O gesto de ignorar os outros vira parte de quem a pessoa é: "o cara é muito competente, mas notem, é um babaca" ou "a menina é talentosa demais, mas nunca vi tão babaca". Se você convive com gente assim, seja no clube, no prédio, no trabalho ou na família, afaste-se.

Como eu sempre digo, um babaca por perto é tudo o que o seu dia precisa para ser uma merda.




Direto na têmpora: Hey - The Vines

terça-feira, janeiro 03, 2012

Os jovens velhos

Eu invejo os da geração de hoje por serem nativos digitais. Acho que eles têm uma oportunidade de ouro para transformar os meios digitais enquanto consumidores e atores na circulação das mensagens.

Por isso talvez eu me assuste tanto quand me deparo com jovens velhos, gente de 20 anos ou menos que quer ditar regras para tudo. Perfil de twitter de carro só pode falar sobre carro, Facebook de shopping só pode falar sobre compras e promoções, blog de agência de publicidade tem que ser um portifólio online.

Esse raciocínio tolo deve significar que se você está namorando só pode falar de amor com ela. Se está na pelada com os amigos, não pode falar de política, só de futebol.

Quanto mais eu trabalho em comunicação, mais eu acredito que as relações das pessoas com as marcas se dão além dos produtos e serviços em si (e graças a Deus a agência em que eu trabalho pensa assim também). Infelizmente algumas pessoas pensam como se pensava há 50 anos e jogam fora a oportunidade de inovar, de viver seu tempo com o que ele tem de bom.

Pobres coitados. Tão jovens e já tão velhos.




Direto na têmpora: Eyelids - Fridge

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Resolução única

Minha única resolução para 2012 é não comprar mais livros. claro que se eu ganhar algum não irei recusar, mas comprar está fora de cogitação.

E se você me pergunta o motivo, seguem fotos da minha fila de livros para ler, sendo que ainda tenho um por receber.











Direto na têmpora: In the ground - Horse Brothers

sexta-feira, dezembro 30, 2011

2012

2012 vai ser um ano que começa com algumas suspeitas, muitas dúvidas e outras tantas expectativas.

Vai ser ano de eleições municipais.

Vai ter um dia a mais. Vai ter mais feriados.

Vai ser o ano em que eu, Fernanda e Sophia vamos aprender a viver sem o Clic.

Vai ser o ano de me concentrar ou me dispersar de vez e descobrir se eu sou outra coisa diferente.

2012 vai ser o ano de cuidar da saúde ou não, de gastar mais consciente ou não, de resolver certas questões ou não.

Vai ser o ano de uma posição menos definitiva e de uma visão menos ingênua.

Vai ser o ano de aplicar o bordão que eu mesmo inventei de, para tudo na minha vida, ser menos especialista e mais entusiasta.

Vai ser o ano de ser o melhor marido que a Fernanda vai ter, o pai mais incrível que a Sophia já teve e o Maurilo mais inteiro que eu já conheci.

Delicadeza nem que seja na porrada. Alegria nem que seja aos prantos.

Feliz 2012.




Direto na têmpora: I don't believe in love - We Are Trees

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Uma semana de atraso

Sophia demorou uma semana para nascer. O parto estava previsto para o dia 22 de dezembro, mas ela só foi dar as caras mesmo no dia 29.

Uma semana que ela me deve de pegá-la no colo, de cheirar seu hálito, de dar banho e fazer dormir.

Uma semana a menos de nós dois que eu tento recuperar em cada abraço, a cada história que conto, a cada eu te amo que digo.

Uma semana em que fui apenas humano, sem a superdor de um pai.

Uma semana que ela me deve e que me paga sorriso a sorriso, beijo a beijo, carinho a carinho.

Uma semana que ainda me faz tanta falta mesmo depois de 6 anos.

O que eu queria mesmo, daqueles quereres de pedir ajoelhado e chorando, era essa semana de volta, meu doce.

Mais sete dias depois que eu morresse, desafiando o tempo e a vida, pra fazer tudo o que faltou, pra dizer tudo o que eu não disse, para fazer valer tanto amor que eu sinto por você.

Feliz aniversário, minha Sophia. Te amo para sempre e mais uma semana.




Direto na têmpora: Can't stand losing you - The Police

terça-feira, dezembro 27, 2011

Em que você acredita?

Eu fico muito feliz que você tenha uma fé, uma religião, um Deus que te conforte, que te faça uma pessoa melhor para você mesmo e para os outros. De verdade.

Eu me alegro que tudo isso que você sente se transforme em uma convicção tão grande que pareça impossível que alguém não sinta o mesmo.

Parece amor.

É amor.

É como estar apaixonado e sentir que é impossível que o resto do mundo não perceba o quanto a pessoa que você ama é incrível. A diferença é que, ao contrário de uma relação a dois, todos podem amar a mesma coisa que você e quanto mais pessoas amarem, melhor.

No entanto, isso não acontece bem assim.

Por mais que eu fique feliz com as suas escolhas, com as suas certezas e com a sua fé, isso não quer dizer que eu sinta o mesmo. Eu respeito, mas eu sou diferente.

Talvez eu não entenda os seus motivos, talvez o que seja fundamental para você seja uma bobagem para mim, talvez eu discorde de tudo o que você acha incrível.

A religião é um sentimento individual, mesmo quando compartilhado por milhões de pessoas. O caminho que você chama de único é único para você. Desfrute-o bem. Mas entenda que ele não necessariamente serve para mim.

Católico, evangélico, judeu, ateu, hindu, umbandista, islâmico. Pessoas.

Pressupor que tenhamos que acreditar nas mesmas coisas para sermos amigos é limitado. Imaginar que não possam existir crenças, opções e verdades diferentes das suas é arrogante.

Não é preciso que a gente divida a mesma ideia de salvação ou um conceito de pecado para nos respeitarmos, gostarmos um do outro ou nos tornarmos irmãos. Basta que acreditemos que há naquela outra pessoa algo a mais do que a religião que ela segue.

Sendo honesto, qualquer verdade que pressuponha a eliminação de todas as outras para existir não pode ser tão boa assim.

Enquanto isso, você acredita em algo, eu acredito em algo, e a gente se respeita, sem condescendência ou desdém, simplesmente porque entendemos que o ser humano não é padrão, não é gado, não é repetição.

E se agente achar outras coisas que façam valer a pena estarmos próximos (mesmo que nada tenham a ver com crenças, fé, Deus ou religião), fiquemos próximos.

Por que não?




Direto na têmpora: Miss you - The Rapture

quinta-feira, dezembro 22, 2011

6 anos

Quando minha Sophia era pequenininha ela adorava que eu cantasse para ela. Além de Blackbird, dos Beatles (nossa música desde antes de ela nascer) eu cantava outras.

Colocava ela no meu colo e ninava cantando Cheek to Cheek bem baixinho. Ela dormia quietinha e tranquila como se meu braço fosse a casa dela.

Ainda é.

E sempre vai ser, minha Sophia.






Direto na têmpora: Cheek to cheek - Fred Astaire

Maurilão, o mecenas.

Acaba de chegar para mim o livro Evil Machines, do Terry Jones. Para quem não sabe, Terry Jones é o fulano da foto abaixo e um dos membros do Monty Python.


Mas o mais legal é que o livro foi publicado por meio de crowdfunding, ou seja, foram os leitores que bancaram a obra colaborando com o que podiam e recebendo benefícios dependendo do valor.

Eu recebi uma edição capa dura, autografada e com meu nome na lista dos "patrocinadores". Vocês que me desculpem, mas esse não vai para a biblioteca solidária do tio Maurilo de jeito nenhum.












Direto na têmpora: Family tree - Black Lips

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Choro

A primeira vez que eu ouvi o choro da Sophia eu sorri.
Não era um lamento suave ou tranquilo, era um urro que clamava vida, um grito primal que celebrava um começo.
Só fui chorar depois, quando fiquei sozinho, civilizado e escondido.




Direto na têmpora: The geeks were right - The Faint

terça-feira, dezembro 20, 2011

O primeiro livro da minha Sophia

A IDEIA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS.



ERA UMA VEZ UM CONTADOR DE HISTÓRIAS. ELE CONTAVA MUITAS HISTÓRIAS.



ÀS VEZES ELE CONTAVA INCRÍVEIS.



UM DIA ELE CANSOU DE SER UM CONTADOR DE HISTÓRIAS.



QUEM CONTARÁ HISTÓRIAS?



 ELE VOLTOU PARA O SEU TRABALHO.



ELE APRENDEU A NÃO DEIXAR O SEU TRABALHO.



O FIM.




Direto na têmpora: You don't love me - The Kooks

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Quem foi que disse

Eu, de novo, inventando de compor música. Minha despedida do Clic.

  Quem Foi que disse by mauriloandreas

Ficha técnica: Arranjos do Helder e do Luciano (Kundum)



Direto na têmpora: Quem foi que disse - Maurilo Andreas

Para o ano que vai começar logo

A falecida banda Trinidad, quando meu irmão Werner era o baterista. Adoro essa música.

  Acenda a luz - Trinidad by mauriloandreas




Direto na têmpora: Acenda a luz - Trinidad

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Idiotinhas

Eu passo boa parte do meu dia tentando não deixar que os outros percebam que eu sou um idiota. Algumas vezes eu consigo, mas quase sempre a coisa é clara demais para ser ignorada.

Na verdade, eu acredito que todo mundo, em variados graus, é idiota aos dezesseis anos, o que não quer dizer que eles precisem continuar sendo ao longo da vida.

Eu, por outro lado, me sinto meio idiota desde que deixei de ser criança. Já fui idiota com gente que não conhecia, idiota no trânsito, idiota comigo mesmo, idiota propositalmente, idiota acidentalmente, idiota com a família, idiota com quem gostava de mim, idiota na escola, idiota no trabalho, idiota no lazer.

Hoje eu convivo melhor com o fato de ser idiota. Eventualmente consigo deter algumas idiotices prestes a sairem da minha boca e já percebo com mais facilidade quando acabei de agir como idiota. Isso não quer dizer que eu esteja melhorando, nada disso, ontem mesmo me surpreendi com minha própria idiotice.

Mas, o importante mesmo é aceitar meu título de Lord Of The Idiots e tentar entender que a idiotice é como o alcoolismo. Está sempre dentro de mim e eu preciso mesmo é seguir em frente e tentar não alimentar o vício.




Direto na têmpora: The motion waltz - Rufus Wainwright

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Quando a gente achava que tudo ia dar certo...






Direto na têmpora: The sun - Portugal The Man

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Feliz 2012





Direto na têmpora: Say hello wave goodbye - Nouvelle Vague

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Esportismos

A quem interessar possa, eu torço pelo Atlético Mineiro. Na NBA eu sou fanático pelos Boston Celtics, na MLB eu gosto dos Boston Red Sox e na NFL eu sempre curti os Denver Broncos.

O Galo é aquela coisa de derrotas impossíveis; o Boston ficou mais de 20 anos sem um título até 2008 e sofrendo com perdas trágicas como Len Bias e Reggie Lewis; os Red Sox ficaram quase 90 anos sem ganhar nada até a conquista de 2004 e, na década de 90, pareci que os Broncos seriam meu único motivo de alegria esportiva por conta dos dois Super Bowls em 1997 e 98.

Ledo engano. Enquanto o Galo continua aquela coisa de ficar sempre no "quase", os dois times de Boston me deram muitas alegrias na primeira década do século XXI e Denver nunca mais foi relevante.

Corta para 2011 e os Broncos começam a temporada perdendo 4 das 5 primeiras partidas em mais uma temporada tipicamente desastrosa. Entra em cena Tim Tebow, o garoto bonzinho e religioso que não chega a ser um quarterback de encher os olhos. Duas primeiras partidas são uma vitória e uma derrota humilhante.

Depois? 6 vitórias seguidas e a história mais comentada da NFL. Um cara limitado, um time com grande defesa e vitórias que só surgem no último quarto de jogo ou na prorrogação.

Ontem foi assim de novo: faltando 2 minutos e 8 segundos os Broncos perdiam por 10 a 0. Touchdown com passe de Tebow, vacilo dos Bears, chute de 59 jardas de Matt Prater e pronto, temos prorrogação.

Na prorrogação bola dos Bears, grande jogada defensiva dos Broncos e um chute de 51 jardas. Pronto, vitória de Denver.

Milagre? Sorte? Calma sob pressão? Um time que simplesmente deu certo com o novo quarterback? Difícil dizer. Difícil também imaginar os Broncos campeões com tantas vitórias no último minuto quando temos um time invicto como os Packers e outros simplesmente arrasando.

Ainda assim, é bom assistir a NFL com alguma esperança de novo. In Tebow We Trust!




Direto na têmpora: Odd soul - Mutemath

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Vídeos da Sophia e afins


Sophia cantando O Leãozinho



Sophia e a Dança Russa no festival do 1o Ato



Sophia e a meninada do Clic em O Soldadinho de Chumbo




Direto na têmpora: Conrad - Jets To Brazil

terça-feira, dezembro 06, 2011

Biblioteca Solidária - Natal 2011

Pessoal, chegou a hora da Biblioteca Solidária do tio Maurilo. São 20 títulos, sendo que um eu ainda estou lendo, com o preço de 10 reais por livro.

O dinheiro arrecadado será usado para comprar panetones (obrigado, SuperNosso, pela negociação especial) que serão distribuídos às crianças da Creche Morada Nova, no Aglomerado Santa Lúcia.

A regra é a mesma: o email que chegar primeiro leva o livro. É só mandar o título que você deseja para mauriloandreas@gmail.com.



A Felicidade Conjugal / O diabo – Leon Tolstói

A Fera na Selva – Henry James

A Ilha do Dia Anterior – Umberto Eco

A Libélula dos Seus Oito Anos – Martin Page

A Trilogia de Nova York – Paul Auster

As Intermitências da Morte – José Saramago

Cachalote – Daniel Galera e Rafael Coutinho

Cândido - Voltaire

Dicionário Universal de Citações – Paulo Rónai

Enquanto Agonizo – William Faulkner

Koko Be Good – Jen Wang

Monstros Invisíveis – Chuck Palahniuk

Na Praia – Ian McEwan

No Tapa – Leonardo Araújo

O Clube do Filme – David Gilmour

O Estranho Mundo de Tim Burton – Paul A. Woods

O Filho Eterno – Cristovão Tezza

Pais e Filhos – Ivan Turguêniev

Retrato de Um Viciado Quando Jovem – Bill Clegg

The Beatles, A História Por Trás de Todas As Canções – Steve Turner


Além disso, estou vendendo meus livros "Todas as Estrelas do Mundo", "Esse Bicho Virou História" e "Na Horta, No Jardim, no Quintal" com preço promocional de 20 reais + um brinquedo usado ou novo.

Nesse caso os brinquedos serão distribuídos para as crianças da AURA - Associação Unificada de Recuperação e Apoio, que cuida de crianças com câncer.

Divulguem e façam seus pedidos pelo email mauriloandreas@gmail.com

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Tempo

Algoz, companheiro, bênção, maldição.

O tempo importa, o tempo dura, o tempo existe.

Nós, talvez não.






Direto na têmpora: Space oddity - Emilie Simon

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Essa rolou hoje no FB





Direto na têmpora: Can you dig it? - The Mocking Turtles

quarta-feira, novembro 30, 2011

Dezembro

Eu conheço gente que detesta as festas de final de ano. Gente de quem eu gosto, pessoas que eu respeito, seres humanos de quem eu discordo completamente nessa questão.

Eu adoro as festas de finais de ano. Eu gosto das luzes, gosto da proximidade, gosto da desculpa para mandar cartões de Natal e receber ligações de gente sumida.

Eu amo rabanadas, eu não consigo esperar para presentear quem eu gosto e eu viro criança de novo quando sewnto com meus irmãos e meus pais

Eu acho uma delícia cultivar na Sophia essa fantasia de Papai Noel e paz universal, de amor incondicional.

Eu não quero dizer com tudo isso que eu ignore o caráter cada vez mais comercial da festa e os relacionamentos forçados, mesmo que momentâneos, que ela nos obriga a fazer.

Não é perfeito, longe disso. Mas a alternativa de um dezembro sem esses instantes me parece muito mais triste.

E quando estou com Fernanda, Sophia e tantos outros que amo, a farsa vira verdade, e eu acabo acreditando.

Putz, como é bom acreditar.




Direto na têmpora: Closing time - Semisonic

terça-feira, novembro 29, 2011

Iveco

Trabalhei por dois anos na Domínio Público e, mesmo depois de ter saído, acompanhei o trabalho da agência para a Iveco. É um belíssimo caso de construção de marca, mesmo com todas as dificuldades de se atender a conta (e acreditem, é difícil em um grau que nem dá pra contar aqui).

Agora, a Iveco sai da Domínio Público por causa de um alinhamento, ou seja, a conta do Brasil tem que ser atendida pela mesma agência que atende mundialmente a marca.

Perde a Domínio Público onde tenho muitos amigos, perde o mercado mineiro com a saída de uma conta internacional e, na minha opinião, perde a Iveco.

Infelizmente essa dinâmica do mercado é um tanto comum e não é raro ver contas valorizadas aqui saírem para se tornar apenas mais uma em outro lugar. Pode ser vaidade, pode ser ilusão, pode ser uma determinação externa. Cada caso é um caso, mas como norma o resultado só costuma ser positivo para a nova agência da conta. E muitas vezes nem faz tanta diferença assim para eles.

Por isso eu me orgulho e torço para que cada vez mais o empresário mineiro entenda que vale a pena ficar aqui em Minas Gerais. Quanto mais empresas ficarem e acreditarem, menos talentos precisam sair e mais valorizados somos todos.

Uma lástima mesmo a saída da Iveco. Perdemos todos.




Direto na têmpora: Me and my gin - Little Miss Higgins

segunda-feira, novembro 28, 2011

Cagador de Regra em Redes Sociais

A profissão de Cagador de Regra em Redes Sociais está em alta. São centenas de milhares de especialistas dissecando a situation e criando normas fundamentais.

Por exemplo, já ficou definido que Facebook não é lugar para falar de futebol, política ou sexo e que Twitter não é lugar para falar sobre o clima. Também já está mais provado que alguns assuntos em TT (insira aqui o seu) são a conclusão definitiva de que o Brasil não vai para frente.

O problema é que o conteúdo a que você tem acesso nas redes sociais é escolha sua e, muito mais fácil do que querer fazer com que todos concordem com você, é simplesmente escolher seguir quem é relevante para seus objetivos.

Tá certo, cagar regra é bom e todo mundo tem direito à sua opinião, mas não fique achando que o FB ou o Twitter vão mudar por causa das suas preferências. Pare de seguir algumas pessoas, reduza o número de amigos e crie um ambiente mais saudável e agradável para você mesmo.

Ou não. Afinal, se a sua onda é cagar regra, vai nessa! E se eu achar que isso é um problema, basta que eu pare de seguir você.




Direto na têmpora: Rock Island Line - Mano Negra

quinta-feira, novembro 24, 2011

Timidez

Ah, minha Sophia, que timidez inventada é essa? Esse rosto escondido, esse riso contido, esse bico fechado que interrompe a torrente de falar?

Deixa disso, minha Sophia, que seu sorriso evitado é quase um pecado e pra quem já sabe seu riso, dá vontade de chorar.




Direto na têmpora: I wouldn't believe your radio - Stereophonics

terça-feira, novembro 22, 2011

2 de dezembro

Muppets! Muppets! Muppets! 2 de dezembro no Brasil. Yeeeeaaaahhhhhhh!







Direto na têmpora: On a plane - Kajagoogoo

segunda-feira, novembro 21, 2011

Sophia conhece o Sujismundo

Se você tem uns 40 anos ou mais, pode ser que se lembre do Sujismundo, o personagem porcalhão que era a grande atração de uma campanha de informação sobre higiene e limpeza do Governo nos anos 70. Pois eu me lembro bem e adorava o personagem quando tinha meus 6 ou 7 anos.

Ontem, quando Sophia resistia ao banho noturno, me lembrei da figura e resolvi mostrar alguns filmezinhos da época pra ela (God save Youtube). Resultado? Tomou o banho na boa, foi dormir e acordou falando sobre como adorou as aventuras do Sujismundo, de seu filhinho e do Doutor Prevenildo.

Hoje eu tenho o compromisso de mostrar mais alguns e chego à conclusão de que certas coisas são realmente atemporais.


PS - Os vídeos usam a grafia "Sugismundo", mas a wikipedia e a maioria dos artigos prefere "Sujismundo", por isso adotei a segunda.













Direto na têmpora: Pride and joy - Marvin Gaye

sexta-feira, novembro 18, 2011

Chinelos

- Sophia, cadê seu Crocs?

- Não sei.

- Vamos procurar.

- Não tô achando, papai.

- Ah, já sei o que aconteceu, você veio de chinelo e eu esqueci o Crocs lá em casa. Vai de chinelo mesmo.

- Mas, papai, a mamãe não deixa eu ir de chinelo pro Clic porque pode estragar, eu posso cair...

- Tá bom, Sosophie, mas hoje não tem jeito, vai de chinelo mesmo.

- Tá, mas olha só, a mamãe não gosta que esconde as coisas dela, então liga pra ela e conta, porque aí ela não fica brava, mas se esconder...

- Certo, depois eu ligo.

- Papai, é melhor ligar agora.

- Eu ligo depois, Sosophie.

Passado um tempo eu liguei, contei pra Fernanda e Sophia, assim que eu desliguei, veio me falar. 

- Isso mesmo, papai, que bom que você ligou.

- É, liguei.

E ela, desconfiando do seu velho pai. 

- Se eu não falasse você ia esconder não ia?




Direto na têmpora: Long legs - The Magic Number

quinta-feira, novembro 17, 2011

50 anos da Comunicação Social na UFMG

Eu me formei em 93 como Bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela UFMG. Hoje, depois de uns 15 anos, voltei à Fafich para comemorar os 50 anos do curso.

Eu adorei estudar na Federal e mais especificamente no Campus. É uma puta mistura de visões, opiniões, estilos e formações que acabam abrindo a cabeça para caminhos diferentes daqueles com os quais eu estava familiarizado.

Fiz muitos amigos, alguns com os quais mantenho contato e outros não. Conheci professores motivados e motivadores como a Carla Madeira e o falecido Baesse e outros não.

Foi bom pra caramba e hoje me arrependo de não ter investido um pouco mais para concluir também o curso de jornalismo ou iniciar um mestrado logo após a formatura. Poderia ter sido bom, mas eu realmente estava louco pra sair pro mercado.

Só sei que foi bom voltar à UFMG, rever amigos como a Rafa, o Elias Sunshine, a Carla e o Fred. E foi melhor ainda por ter sido como convidado para um evento tão bacana como foi esse.




Direto na têmpora: Dig dug - We Are Scientists

quarta-feira, novembro 16, 2011

Página

A página vazia é promessa.
Comporta o impossível, um gesto, uma história, o momento mais breve, o absurdo de tudo.

A página vazia é o não.
A ausência da primeira palavra, a falta da ideia precisa, a testemunha de algo que ainda não vingou.

A página vazia é espaço.
O berço de gênios, a voz de segredos, o palco de verdades e mentiras e o que couber em nós.

A página vazia é convite.
Receber o que nunca foi dito e o que precisa ser repetido, o inútil, o belo, o violento e o tolo, o que  interessa a todos e o que basta a você.

A página vazia é prazer.
Imediato para quem escreve, futuro para quem lê.

A página vazia é espelho.
De qualquer imagem, de qualquer sonho, de qualquer você.

A página vazia pode ser a primeira, a última, a única, a de número 12 ou 489. Não importa. A página vazia é o que resta a fazer, o futuro, o próximo passo.

E é impossível escolher não seguir.




Direto na têmpora:  So damn clever - Plain White T's

segunda-feira, novembro 14, 2011

10 coisas que eu detesto sobre mim

Algumas dessas coisas eu posso mudar, outras eu não consigo mudar e outras estão além do meu alcance. Pouco importa, todas me incomodam.


1) Detesto perder a paciência com a Sophia.

2) Detesto ser tão desleixado com dinheiro.

3) Detesto não poder fazer nada quando magoam a Fernanda.

4) Detesto não ter força de vontade para me alimentar melhor.

5)  Detesto investir tão pouco tempo em escrever literatura.

6) Detesto começar tantas coisas que não termino.

7) Detesto essa tendência de me envolver parcialmente em muitas coisas e não me envolver integralmente em coisas que importam.

8) Detesto ir tão raramente a Ipatinga.

9) Detesto adiar tanto as coisas importantes para a minha casa.

10) Detesto quando falo muito e ajo pouco.




Direto na têmpora: Children of the grave - Black Sabbath

sexta-feira, novembro 11, 2011

Eu, Sophia, o Coelho da Páscoa e a lua

Eu e a minha Sophia sempre enxergamos a figura de um coelho na lua cheia. Ontem estávamos no carro e ela perguntou:

- Papai, onde o coelhinho da Páscoa mora?


- Hmmmmmm... não sei, Sosophie.

- Será que é o Coelhinho da Páscoa que fica lá na lua?


- Olha, filha, sabe que pode ser?


- Mas aí como é que ele vem trazer os ovinhos?


- Será que ele dá um pulão e chega aqui, Sosophie?

- Ou ele sente o cheio de chocolate e vem voando, né, pai?


- É... ou será que ele vem num foguete de cenoura?


- Ai, pai, você é muito engraçado... foguete de cenoura... aiai.




Direto na têmpora: Honey you know where to find me - Morrissey

Antecipado

Já comprei todos os presentes de Natal de 2011 e falta apenas um deles chegar. É ansiedade mesmo e, pior, acho que está contaminando a minha Sophia. Hoje, às 8 da manhã a baixinha veio falar comigo.

 - Papai, eu vou começar a escrever minha cartinha pro Papai Noel, tá bom?

- Agora, Sophia?

E ela, toda séria.

- É, sim, quanto mais cedo, melhor.




Direto na têmpora: Smooth criminal - Michael Jackson

quinta-feira, novembro 10, 2011

Extinto

A IUCN - International Union for Conservation of Nature acaba de fazer um recenseamento e concluir que os rinocerontes negros estão oficialmente extintos.

Não sei quantas outras sub-espécies de rinocerontes ainda existem, mas pelo que li existem boas chances de que algumas delastambém já estejam extintas ou muito próximas disso. É estranho pensar que o rinoceronte negro passa a dividir com algumas focas, leões, lobos e bisões a duvidosa distinção de não mais existir. 

Confesso que se a notícia fosse sobre algum outro animal eu talvez não tivesse prestado tanta atenção, mas o rinoceronte sempre foi um dos meus animais favoritos, junto com os sapos, os porcos e os tubarões. Foi o primeiro bicho de pelúcia que dei para a minha Sophia e o animal que mais me chamou a atenção quando estive na África do Sul (e por lá os rinocerontes vão muito bem, obrigado).
Sei lá, é simplesmente ruim, é triste, é desnecessário ver uma espécie acabar assim. Como diria a Sophia se eu fosse contar pra ela a notícia: "não gostei, papai!"






Direto na têmpora: Helicopter - Deerhunter

quarta-feira, novembro 09, 2011

O circo não é só alegria.






Direto na têmpora: Stare me out - Crowded House

terça-feira, novembro 08, 2011

Já fui bom nisso

Já fui bom em futebol de botão, já fui bom em Geografia, já fui bom em virar noites (trabalhando ou não), já fui bom em memorizar aniversários e já fui bom em trocar fraldas de bebê.

Agora, uma coisa que nunca soube fazer direito é empinar papagaio. Nunca. Sabe quando a gente enumera as coisas que gostava de fazer quando menino? Pois é, pipas sempre ficam fora da minha lista. Era péssimo em construir e pior ainda em fazê-las voar.

Eu era razoável em montar Revell, em bolinhas de gude, em War e em carrinho de rolimã, mas sempre achei que minha infância era meio incompleta porque a chegada de agosto não significava porcaria nenhuma pra mim.

Bom, "mas e daí", pergunta você que ainda continua lendo o post. E eu respondo: daí que por causa desse trauma eu quase nunca levo minha Sophia à Praça do Papa. Se ela tiver a triste oportunidade de me acompanhar tentando lidar com uma pipa vai perder o resto do respeito que ainda tem por mim.

E isso acontece de maneira involuntária, é (ou era, já que agora tomei consciência) algo totalmente inconsciente. Por isso eu fiquei aqui pensando: vou levar minha Sophia à Praça do Papa e deixar que ela tente empinar papagaios mesmo que falhe. Afinal, meu tempo de superpai que faz tudo e sabe tudo já acabou.

Mas na verdade, na verdade mesmo, essa vai ser também a minha chance de tentar novamente soltar pipas e de poder dizer daqui a alguns anos "olha, meu neto, o vovô Maurilo era a maior fera na pipa, sabia?"




Direto na têmpora: Good enough - Mudhoney

segunda-feira, novembro 07, 2011

Minha casa

Minha casa é mais de quatro paredes e cozinha e banheiros e salas e teto.

Minha casa é minha família, minha casa são minhas histórias e meu trabalho com pessoas que respeito, minha casa são minhas viagens com pessoas que eu amo, minha casa são meus projetos, meus desafios, meus erros, minha luta, meu riso.

Minha casa não é destino fixo com rua e número, é estado de espírito, é abraço ao alcance da mão, é não me sentir perdido.

Não sou eu que moro em minha casa, é minha casa que vive em mim, no sonho por fazer e no medo por enfrentar. É abrigo de sonhos.

O endereço da minha casa é onde quer que eu esteja, com tudo o que levo em mim.




Direto na têmpora: Femme Fatale - Beck

segunda-feira, outubro 31, 2011

Quando éramos um

E então éramos um. Apenas um, com defeitos e qualidades conhecidos; limites, medos e certezas bem definidos; espaços demarcados; vida que seguia em um monólogo confortável.

De repente, do nada, veio o desejo de sermos dois e quem sabe três, quatro ou cinco depois. Uma operação antimatemática em que a soma das partes resulta magicamente em outro número um. Uma unidade. Somos nós, plural, mas somos singular, o casal.

Cabe a nós descobrir a receita inexata, falível e jamais repetida que faz um relacionamento funcionar. Nos vemos cercados de medidas delicadas para combinar ingredientes que nem sempre se misturam.

Erramos torcendo para que a fórmula não desande, para que não tenha sobrado maturidade ou faltado flexibilidade. Arriscamos, refazemos, tentamos, jogamos tudo para o alto e deixamos somente a bagunça do que restou e não fundiu, não criou, não germinou diante de nós.

Somos falhos. Talvez não tenhamos mesmo nascido para sermos este um que engloba dois, três ou cinco. Talvez sejamos feitos para seguir sós, comodamente únicos, inflexíveis, bem adaptados.

Mas eis que em meio à terra onde já não se vislumbra o fruto, ergue-se o gesto, descobre-se um sentido e pode ser que baste apenas uma palavra para que algo brote novamente. Uma vontade, um compromisso, um desejo que resolvemos por algum acordo imemorial chamar de amor.

Atentos! A colheita não é certa e o trabalho irá de novo nos fechar os olhos e castigar os sentidos.

Atentos, firmes, juntos. E novos. Imaculados. Límpidos e claros como deve ser um recomeço. Porque se não vale a pena tentar de novo por amor, mesmo que doa cada fibra do corpo e trema cada brilho da alma, nada mais há de valer alguma coisa.

E que lugar terrível seria um mundo assim para viver.



Para meus queridos amigos, muitas bênçãos, muita força, muito carinho e tudo o que possamos oferecer a vocês dois, a vocês quatro, a vocês UM.




Direto na têmpora: Use it - The New Pornographers