Quando eu era menino, talvez com meus 6 ou 7 anos, a escolinha onde eu estudava entrou em acordo com os pais e mandou proibir os chicletes dentro do ambiente.
As razões eram mais que justas: além de conter muito açúcar, fazer mal aos dentes e causar risco de acidentes com criancas que corriam sem parar, o chiclete atrapalhava as refeições e tudo mais.
Tudo foi muito bem até o dia em que a professora interpelou uma menininha que mascava seu chiclete tranquilamente durante a aula.
- Fulaninha, a gente já conversou e não pode mascar chiclete. Joga fora, por favor?
- Não posso, fessora.
- Pode, sim, Fulaninha, todo mundo combinou, tem que cumprir. Joga fora, vai.
- Não... não posso jogar fora.
- Como não pode, menina? Tem que jogar fora. Vamos, cospe esse chiclete agora.
- Não posso, fessora, ele não é meu, é da Ciclana, ela só me emprestou um pouquinho...
Parece piada, mas eu acredito, porque foi minha mãe que contou.
Direto na têmpora: Sweet sour - Band Of Skulls
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segunda-feira, outubro 08, 2012
terça-feira, novembro 08, 2011
Já fui bom nisso
Já fui bom em futebol de botão, já fui bom em Geografia, já fui bom em virar noites (trabalhando ou não), já fui bom em memorizar aniversários e já fui bom em trocar fraldas de bebê.
Agora, uma coisa que nunca soube fazer direito é empinar papagaio. Nunca. Sabe quando a gente enumera as coisas que gostava de fazer quando menino? Pois é, pipas sempre ficam fora da minha lista. Era péssimo em construir e pior ainda em fazê-las voar.
Eu era razoável em montar Revell, em bolinhas de gude, em War e em carrinho de rolimã, mas sempre achei que minha infância era meio incompleta porque a chegada de agosto não significava porcaria nenhuma pra mim.
Bom, "mas e daí", pergunta você que ainda continua lendo o post. E eu respondo: daí que por causa desse trauma eu quase nunca levo minha Sophia à Praça do Papa. Se ela tiver a triste oportunidade de me acompanhar tentando lidar com uma pipa vai perder o resto do respeito que ainda tem por mim.
E isso acontece de maneira involuntária, é (ou era, já que agora tomei consciência) algo totalmente inconsciente. Por isso eu fiquei aqui pensando: vou levar minha Sophia à Praça do Papa e deixar que ela tente empinar papagaios mesmo que falhe. Afinal, meu tempo de superpai que faz tudo e sabe tudo já acabou.
Mas na verdade, na verdade mesmo, essa vai ser também a minha chance de tentar novamente soltar pipas e de poder dizer daqui a alguns anos "olha, meu neto, o vovô Maurilo era a maior fera na pipa, sabia?"
Direto na têmpora: Good enough - Mudhoney
Agora, uma coisa que nunca soube fazer direito é empinar papagaio. Nunca. Sabe quando a gente enumera as coisas que gostava de fazer quando menino? Pois é, pipas sempre ficam fora da minha lista. Era péssimo em construir e pior ainda em fazê-las voar.
Eu era razoável em montar Revell, em bolinhas de gude, em War e em carrinho de rolimã, mas sempre achei que minha infância era meio incompleta porque a chegada de agosto não significava porcaria nenhuma pra mim.
Bom, "mas e daí", pergunta você que ainda continua lendo o post. E eu respondo: daí que por causa desse trauma eu quase nunca levo minha Sophia à Praça do Papa. Se ela tiver a triste oportunidade de me acompanhar tentando lidar com uma pipa vai perder o resto do respeito que ainda tem por mim.
E isso acontece de maneira involuntária, é (ou era, já que agora tomei consciência) algo totalmente inconsciente. Por isso eu fiquei aqui pensando: vou levar minha Sophia à Praça do Papa e deixar que ela tente empinar papagaios mesmo que falhe. Afinal, meu tempo de superpai que faz tudo e sabe tudo já acabou.
Mas na verdade, na verdade mesmo, essa vai ser também a minha chance de tentar novamente soltar pipas e de poder dizer daqui a alguns anos "olha, meu neto, o vovô Maurilo era a maior fera na pipa, sabia?"
Direto na têmpora: Good enough - Mudhoney
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Vilões
Numa boa? Os vilões do meu tempo são muito mais legais do que os seus.
Iara Faz Sujeira
Hugo Agogô
Tião Gavião
Zorak
Sleestaks
Simon, o Simpático
Um vilão qualquer aí do Scooby Doo
Direto na têmpora: Don't make me a target - Spoon
Iara Faz Sujeira
Hugo Agogô
Tião Gavião
Zorak
Sleestaks
Simon, o Simpático
Um vilão qualquer aí do Scooby Doo
Direto na têmpora: Don't make me a target - Spoon
quinta-feira, julho 22, 2010
Tempo livre
O tempo livre é uma das coisas de maior potencial da vida. É ocupando bem o tempo livre que você faz o que não é obrigação, mas prazer e explora outras áreas do seu cérebro e dos seus interesses.
Mas não estou falando daquele tempo livre que você força se espremendo entre dois trabalhos para escrever no blog (ops). Não, eu falo daquele tempo livre que surge lindo e livre na sua frente e que você pode usar para escrever um texto longo sobre algo que ame, ouvir música, passear no parque ou qualquer coisa assim.
Eu me orgulho muito, por exemplo, de quando tinha meus 13 ou 14 anos e ficava sentado assistindo às aulas de matérias nas quais já tinha passado, só descascando giz em uma folha de papel por horas e horas.
Tudo isso para, no último horário, colocar cuidadosamente o pó sobre as pás do ventilador de teto, reclamar do calor com o professor e ver a sala inteira ficar coberta de uma neblina esbranquiçada.
Isso sim, era um bom uso do tempo livre.
Direto na têmpora: I stand corrected - Vampire Weekend
Mas não estou falando daquele tempo livre que você força se espremendo entre dois trabalhos para escrever no blog (ops). Não, eu falo daquele tempo livre que surge lindo e livre na sua frente e que você pode usar para escrever um texto longo sobre algo que ame, ouvir música, passear no parque ou qualquer coisa assim.
Eu me orgulho muito, por exemplo, de quando tinha meus 13 ou 14 anos e ficava sentado assistindo às aulas de matérias nas quais já tinha passado, só descascando giz em uma folha de papel por horas e horas.
Tudo isso para, no último horário, colocar cuidadosamente o pó sobre as pás do ventilador de teto, reclamar do calor com o professor e ver a sala inteira ficar coberta de uma neblina esbranquiçada.
Isso sim, era um bom uso do tempo livre.
Direto na têmpora: I stand corrected - Vampire Weekend
quinta-feira, agosto 13, 2009
Infância
Eu adorava pão com manteiga mergulhado no Toddy.
Eu adorava Bat Fino, Os Herculóides e Milton, o Monstro.
Eu adorava andar descalço 95% do tempo.
Eu adorava melado com queijo.
Eu adorava andar de bicileta, mesmo morando em um bairro cheio de subidas.
Eu adorava vaca preta.
Eu adorava ser o irmão mais velho e o significado que isso tinha (e às vezes odiava).
Eu adorava qualquer viagem de carro lotado pra qualquer lugar que fosse.
Eu adorava entrar em casa pelo muro.
Eu adorava cada mergulho na piscina, cada joguinho de tênis, cada partida de futebol.
Eu adorava saber que estava seguro mesmo estando sozinho.
Eu adorava ser criança na década de 70.
Eu adorava ser adolescente na década de 80.
Eu adoro muito viver como eu vivo, talvez por ter vivido como vivi.
Direto na têmpora: Sweet Darlin' - She & Him
Eu adorava Bat Fino, Os Herculóides e Milton, o Monstro.
Eu adorava andar descalço 95% do tempo.
Eu adorava melado com queijo.
Eu adorava andar de bicileta, mesmo morando em um bairro cheio de subidas.
Eu adorava vaca preta.
Eu adorava ser o irmão mais velho e o significado que isso tinha (e às vezes odiava).
Eu adorava qualquer viagem de carro lotado pra qualquer lugar que fosse.
Eu adorava entrar em casa pelo muro.
Eu adorava cada mergulho na piscina, cada joguinho de tênis, cada partida de futebol.
Eu adorava saber que estava seguro mesmo estando sozinho.
Eu adorava ser criança na década de 70.
Eu adorava ser adolescente na década de 80.
Eu adoro muito viver como eu vivo, talvez por ter vivido como vivi.
Direto na têmpora: Sweet Darlin' - She & Him
terça-feira, maio 12, 2009
Uh, tempo bom.
O verdureiro gritava "olha a banaaaaaaana prata, banana caturra e outras verduras".
Yakult vinha uma vez por semana em um carrinho no estilo daqueles de sorvete. Aliás, picolés Yopa só se encontravam assim também.
A Fanta Limão ainda existia e as Mastiguinhas eram motivo de briga porque a mãe dizia que só podíamos comer uma por dia (mesmo assim, descobríamos o esconderijo e roubávamos algumas).
O maior tamanho de Coca Cola era 1 litro, em garrafa de vidro, e durava o final de semana inteiro. E tinha o horrendo Guaraná Skol.
Fora isso, não era difícil encontrar quebra-queixo e chup-chup (de água suja) na porta da escola.
Tínhamos 3, no máximo 4 canais de tv. Não usávamos cinto de segurança e a porta do quintal ficava aberta (não destrancada, aberta mesmo) e nunca fomos roubados.
Íamos de bicicleta até lagoas infestadas de xistose e nadávamos a tarde toda. Colocávamos pedras no trilho de trem, caçávamos teiús (sem matar) e construíamos carrinhos de rolimã.
Agora, o Clic (escola da minha Sophia) propõe o I Festival Clic! de Brincadeiras na Rua, para relembrar brincadeiras como queimada, bolinha de gude, garrafão, salada de fruta, pular corda, bente altas, rouba bandeira, papagaio, pique-esconde, pique-cola e muito mais.
Não sei se ela vai gostar como eu gostava, mas queria agradecer aqui a chance de dividir com ela esse pedacinho do que a gente vivia e amava. Parabéns e obrigado, Clic.
Direto na têmpora: No Panties - Trina
Yakult vinha uma vez por semana em um carrinho no estilo daqueles de sorvete. Aliás, picolés Yopa só se encontravam assim também.
A Fanta Limão ainda existia e as Mastiguinhas eram motivo de briga porque a mãe dizia que só podíamos comer uma por dia (mesmo assim, descobríamos o esconderijo e roubávamos algumas).
O maior tamanho de Coca Cola era 1 litro, em garrafa de vidro, e durava o final de semana inteiro. E tinha o horrendo Guaraná Skol.
Fora isso, não era difícil encontrar quebra-queixo e chup-chup (de água suja) na porta da escola.
Tínhamos 3, no máximo 4 canais de tv. Não usávamos cinto de segurança e a porta do quintal ficava aberta (não destrancada, aberta mesmo) e nunca fomos roubados.
Íamos de bicicleta até lagoas infestadas de xistose e nadávamos a tarde toda. Colocávamos pedras no trilho de trem, caçávamos teiús (sem matar) e construíamos carrinhos de rolimã.
Agora, o Clic (escola da minha Sophia) propõe o I Festival Clic! de Brincadeiras na Rua, para relembrar brincadeiras como queimada, bolinha de gude, garrafão, salada de fruta, pular corda, bente altas, rouba bandeira, papagaio, pique-esconde, pique-cola e muito mais.
Não sei se ela vai gostar como eu gostava, mas queria agradecer aqui a chance de dividir com ela esse pedacinho do que a gente vivia e amava. Parabéns e obrigado, Clic.
Direto na têmpora: No Panties - Trina
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