quinta-feira, março 13, 2008

Curitiba, Curitiba

Morei em Curitiba no segundo semestre de 97, uma daquelas decisões inexplicaáveis em que resolvi largar tudo e mudar para um lugar que eu nunca havia visitado, sem nenhum conhecido e para trabalhar em alguma área totalmente nova.

O resultado não foi o esperado e, 6 meses depois, eu estava trabalhando novamente como redator em uma agência de publicidade e com possibilidades de dar aula em uma faculdade, justamente para o curso da área. Sendo assim, pra fazer o que eu já fazia (e com a grana acabando), achei melhor voltar para casa.

O fato é que achei Curitiba uma cidade limpa, organizadíssima, cheia de lugares muito bacanas pra se visitar como o Jardim Botânico, Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski (onde assisti David Bowie) e dois de meus lugares favoritos, a Universidade Livre e o Bosque Polonês.


É bonita a tal Universidade Livre do Meio Ambiente.


Eu adorava ficar à toa no Bosque Polonês.

Fiz muitos amigos por lá, mas tive dificuldade em construir amizade com os curitibanos mesmo. O pessoal com quem convivi era de São Paulo, Palmas, União da Vitória, Ubiratã, enfim, “estrangeiros” como eu. Não vai aí uma crítica ao povo da cidade, foi apenas algo que aconteceu e que pra mim está ok.

Mas o Leandro, que morava na república comigo, odiava a cidade. Mesmo. Com todas as suas forças. Só não me pergunte o motivo porque eu realmente não faço idéia.

Pois bem, um dia o Leandro (que é de Ubiratã-PR) sai de casa para fazer compras no Mercadorama e, batata, o clima louco da cidade entra em ação, o céu desaba e ele volta para casa ensopado.

Eu na sala, entra o Leandro pingando água, cheio de sacolas. A ponto de explodir, ele deposita tudo na cozinha, abre a janela da sala, põe a cabeça pra fora do nosso prédio de dois blocos, uns 6 apartamentos por andar, 20 pavimentos e berra:

“Ô lugarzinho fodido! Cidade escrota! Lugar bom pra cair uma bomba! Vai todo mundo tomá no cu!”

Dito isto, fecha a janela, volta-se pra mim e pergunta “e aí, tudo beleza?”

Depois desse dia, nunca mais os moradores do prédio cumprimentaram alguém do meu apê.




Direto na têmpora: Notorious – Duran Duran

quarta-feira, março 12, 2008

The horror, the horror

Adoro os absurdos que pipocam no nosso cotidiano. Há que se ficar atento para não desperdiçar essas pílulas de loucura que alimentam nosso humor.



Um singelo cartaz na garagem do prédio comercial onde trabalho.




Parada do Universo em Desencanto em frente à minha casa em pleno domingo.




Direto na têmpora: Skavez - Hepcat

terça-feira, março 11, 2008

Turma da dentadura

Essa é só pra quem já tá na mesma faixa de veiêra que eu ou acima. Uma das mais preciosas aberturas de um programa de tv de todos os tempos. Ah, e ainda tinha o Chaka e os Sleestaks (avatar do caríssimo Glauquito).

Tomem sua sopinha sem sal, coloquem os óculos de grau, sentem na cadeira de balanço e curtam este vídeo batuta.


Diz a lenda que a música tema é do ELO.




Eu tenho um amigo que já pegou uma mulher igualzinha ao Chaka. Aliás, Chaka era homem ou mulher?




Dá até nome de banda: Chaka and the Sleestaks.




Direto na têmpora: Fling - Built to Spill

Fight the power!

Um dos protestos mais bacans dos quais eu já participei. Aliás, se disserem que fui eu quem comprou todos os narizes de palhaço para a equipe eu nego até sob tortura.

O auge foi durante uma reunião com o cliente quando o diretor de Criação tirou o nariz do bolso, posicionou sobre a face e exclamou, para horror do dono da agência, "mas isso é uma palhaçada!"

Vamos à escalação seguindo a foto de cima.
Em pé: Danilo, Claudão, Fabriceira, eu e Don Oliva.
Sentados: Pedrolli e o Menino Monstro.



Cara de palhaço, pinta de palhaço...




Direto na têmpora: We've gotta get out of this place - The Animals

segunda-feira, março 10, 2008

Pelo telefone

Eu tinha um amigo em Ipatinga, chamá-lo-emos de F, que vivia um relacionamento conturbado. Muitas brigas, chifres mútuos e a coisa rendia já por uns bons 5 anos. Certo dia, a namorada liga e solta o indefectível “passa aqui porque precisamos conversar”.

F pensa um pouco e solta o raciocínio:

“São 21h30. Eu vou descer a pé até o Cariru, pegar um ônibus pro Bom Retiro, caminhar até a sua casa, tomar um pé na bunda, pegar o ônibus de volta e subir a pé pro Castelo? Quer saber, vamos terminar por telefone mesmo. Beijão procê.”

Talvez pouco romântico, mas prático de doer. Ah, os dois são casados e vivem felizes na Bahia até onde eu sei.




Direto na têmpora: Go – Pearl Jam

Mais um do Incultos

Em homenagem ao clássico de ontem, segue aí um conto (fictício, amiguinhos) que está no Incultos. Tomara que gostem.


Mineirão

Existem poucas coisas a se dizer quando o assunto é amor à primeira vista. Primeiro porque, por mais atrapalhado, gago e sem jeito que um fique, o olhar apaixonado do outro conserta e perdoa tudo.

O caso do Horácio e da Evinha foi assim. Eu sei porque estava lá, olhando pra cara de bobo do Horácio quando eles se conheceram. Era final do Campeonato Mineiro, Atlético e Cruzeiro, num jogo que acabou empatado, ou seja, decisão mesmo só no domingo seguinte. Saímos do estádio Horácio, Verruga e eu, devidamente fardados com o uniforme do Galo, fomos até o carro e resolvemos esperar o movimento diminuir para podermos ir embora.

Enquanto tomávamos as derradeiras cervejas, um anjo azul (como o Horácio a descreveu) sentou-se no capô do carro ao lado, acompanhada de um garoto de seus 16 anos. Imediatamente o Horácio ficou louco pela mulher. Sorria sem graça, ameaçava ir na direção dela, torcia as mãos, ria alto pra chamar a atenção, enfim, todo aquele ritual inútil que os machos apaixonados sofrem. Percebendo seu desespero, o Verruga na hora comentou: “se não fosse cruzeirense até que dava um caldo”, mas ficou quieto ao receber o olhar de ódio do Horácio.

Aí o Horácio tomou coragem, beijou o escudo do Galo pedindo proteção, olhou bem nos olhos da garota e soltou a cantada histórica: “sabe que eu nunca comi um tropeiro do 30?” Para quem não sabe, 30 é um dos bares do Mineirão, que fica do lado cruzeirense do estádio. Ela sorriu e respondeu: “então está convidado para conhecer domingo que vem”.

Depois de descobrir o nome e o telefone da Evinha, naquela mesma noite o Horácio ligou e marcou um almoço no dia seguinte, depois na terça, quarta, quinta e sexta, sem falar nos cinemas, choppinhos, mirantes e tudo mais que rola nestes começos apaixonados de qualquer coisa.

No sábado, véspera da grande final, o coração do Horácio estava apertado. A verdade é que futebol nunca mais foi assunto entre os dois, ainda mais porque ele descobriu que ela era da Máfia Azul e ela sacou na hora que ele era da Galoucura. E aí? Eles iriam ao Mineirão? Um iria respeitar a dor do outro em caso de derrota? E se ele apanhasse de amigos cruzeirenses dela ou se os amigos dele arrebentassem o irmãozinho da Evinha? Pronto, estava armado o drama.

A noite ia chegando e o Horácio não sabia o que fazer. Resolveu ligar pra Evinha e marcar um encontro porque tinha “algo muito importante para conversar”.

Naquela noite, Evinha abriu a porta com cara de choro. O Horácio entrou calado, com um pacote debaixo do braço. Depois de alguns minutos de silêncio embaraçoso, ele abre o embrulho, tira duas camisas do América e pede com voz embargada: “que tal a gente ver o jogo de amanhã só pela televisão?”

Ele ainda sofre escondido com as derrotas do Galo no último minuto e ela ainda espera o tão sonhado Campeonato Brasileiro para o Cruzeiro*, mas a verdade é que nunca houve dois americanos tão felizes.



*Escrito antes do título de campeão brasileiro conquistado pelo Cruzeiro em 2003.




Direto na têmpora: Satellite – Dave Matthews Band

Um clássico

Luiz Pareto é um ícone da internet. Além de postar um arquivo completo com os trotes do adevogado (incluindo foto!!!), segue uma página com entrevistas, referências e muito mais. Eis aqui um completo link sobre o Pareto e seu trote.



Calma, filhadaputa, calma!




Direto na têmpora: Trapped under ice - Metallica

sexta-feira, março 07, 2008

Saudade boa

Vontade de ver a Fernanda barriguda de novo. Alguém aí tem os números premiados da próxima megasena?


Ela com barriga e eu sem. Agora inverteu.




Direto na têmpora: All things must pass - Beatles

Craque

Aos 12 anos Péricles compreendeu definitivamente que não levava jeito para o futebol. Apesar de apaixonado, era simplesmente horrendo na prática do nobre esporte bretão. Concentrou-se então nos estudos, formou-se em Geologia, casou-se e teve um casal de filhos.

Aos 12 anos Ernesto, o filho do Péricles, jogou a primeira partida “oficial” diante dos pais. Marcou dois gols, deu o passe para outro e acabou com o jogo.

Ao final da peleja, enquanto o treinador exaltava as qualidades do futuro craque, Péricles estava calado. Voltaram para a casa e, enquanto todos dormiam, Péricles foi silenciosamente até a garagem e, com uma faca, rasgou os pneus da bicicleta do Ernesto.

Abrir mão do sonho tudo bem, mas agüentar o filho esfregando na cara, isso não. Isso não, porra.




Direto na têmpora: Snow day - Lisa Loeb

Outra do Sabino

Já que o povo gostou, vai aí mais uma do Fernando Sabino que, eu juro, será a última aqui.

A última crônica

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.

A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.





Direto na têmpora: Held your hand like yesterday - The Drovers

quinta-feira, março 06, 2008

mini headbanger

Essa eu juro que é verdade. Juro. Estava levando a Sophia para a escola hoje e, de repente, começa a rolar um Rage Against the Machine. Ia pular a música, mas quando olhei pra trás, estava Sophia toda concentrada balançando a cabeça.

“Tá gostando da música, Sophia?

E ela, largando os brinquedos:

“Tá. Bate palma, papai.”

E fomos batendo palmas e balançando a cabeça ao som de Zack de la Rocha e seus amigos até chegar na escolinha.

Como é lindo um momento rock pesado com sua filhinha de dois anos.




Direto na têmpora: Sunshine of your love – Living Colour

Sabinão

Aproveito para postar, em homenagem ao Roger, Tetê, Leo e Fernanda Coelho um texto do Fernando Sabino que acho dos mais maravilhosos sobre o nascimento de uma criança.



Dez Minutos de Idade

A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar.

Estava nascendo. Era um menino.

Nem bonito, nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida.

Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.

Portanto alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que se acariciam, múltiplos caminhos para os pés.

É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes que se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam.

Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou o novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto alegremo-nos.

Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedo, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão fantasma, formigas em fila, pão com manteiga, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado.

O mundo hoje, tal como estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar ou apenas uma eterna garrafa de coca-cola e um delicioso chica-bom.

Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com aquela seriedade da infância; chupa o chica-bom, bebe a coca-cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século, que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber.

Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão de tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me destes por nasceres.

Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te abençôo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também - e vai viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.

Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida a minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela.

Se acreditares em estrelas, vai buscá-la.





Direto na têmpora: Isolation - Joy Division

Picolé de jaca

Está fazendo um calor ipatinguense hoje. Aliás, Ipatinga era tão quente que derretia o asfalto. Juro. A gente ficava remexendo aquele piche derretido na rua e chegava em casa com a unha preta até a metade. Aí as mães pegavam creolina, estopa e limpavam aquilo na base da brutalidade pura. Depois, a recomendação era não passar nem perto do fogão para não sair correndo pela casa em chamas.

Meu pai, que morre de medo de cobra, juntava os filhos para matar as jararacas e corais que apareciam na copa lá de casa. Do lado do lixo tinha um pau de matar gambá. Meu irmão do meio uma vez chutou um ouriço caixeiro achando que era tatu e, se não estivesse de botas, teria furado o dedo. Isso sem falar que era só entrar na mata em frente de casa para tropeçar num teiú.

Sophia não vai ter uma infância assim. Vai ter outra diferente que pode ser até melhor, quem sabe. Mas eu não desisto e criei uma referência nota 10 pra ela: picolé de jaca. Ela experimentou, gostou e agora todo picolé que vê já é picolé de jaca. Ela também gosta de vacas e, outro dia, ouviu pela primeira vez o som de uma cigarra e adorou.

É pouco, mas é o que temos para o momento.




Direto na têmpora: O assassinato do camarão - Originais do Samba

quarta-feira, março 05, 2008

Outro fim

Assisti ao filme A Lenda com Will Smith e achei apenas mediano. O final, por ser hollywoodianísimo, me incomodou especialmente.

Agora chega à net o final alternativo do filme que, acreditem, muda completamente a história com relação ao que se viu nas telas.

Quem assistiu, vale a pena conferir. É só clicar aqui.




Direto na têmpora: Porcelina of the vast oceans - Smashing Pumpkins

A mesa de um adolescente

A mesa de um adolescente tem que ter coisinhas esquisitas de quem ainda não cresceu.


Tem um Smush-Bush pra você esmagar o presidente americano quando estiver nervoso




Tem porta-retrato com foto da mulher e da filha (no caso do adolescente, seria a namorada)




Tem a versão toy do Grito do Munch (que grita mesmo)




Tem polaroid que não funciona



Direto na têmpora: Message of the Bhagavat - Shelter

terça-feira, março 04, 2008

Realidade alternativa

Os amiguinhos aí gostam de futebol? Pois bem, sabe quando você vai ao campo com radinho no ouvido e parece que o locutor está narrando um jogo e você está assistindo outro? Pois bem, tenho vivido isso muito, mas muuuuiiiitooo mesmo.

Tem gente que te pinta um quadro e esquece que você está ali, de frente para a cena. Às vezes a pessoa esquece inclusive que foi você quem criou aquilo tudo e fala como se a realidade fosse outra. Aí você estufa o peito, olha nos olhos do(a) ensandecido(a) e exclama com alívio: “ah, vai mentir pros presos!”

Ok, ainda não tive coragem de mandar mentir pros presos, mas falta pouco pra isso acontecer. Menos do que a pessoa imagina.




Direto na têmpora: Little lover’s so polite – Silversun Pickups

segunda-feira, março 03, 2008

Pra quem curte os irmãos

Fiz uma lista posicionando os filmes dos irmãos Coen em ordem de boeza. O único que não entra na lista é o Gosto de Sangue, que eu ainda não assisti, mas já tô baixando.

O foda dessa lista é que, até o 9, todos os filmes são sensacionais. Só o 10 e 11 ficam um pouco abaixo, mas mesmo assim valem a pena ser vistos.

Enfim, quem se importa?

1) E aí, meu irmão, cadê você?
2) Fargo
3) Onde os fracos não têm vez
4) O grande Lebowski
5) Barton Fink
6) Roda da fortuna
7) Arizona nunca mais
8) O homem que não estava lá
9) Ajuste Final
10) Matadores de velhinhas
11) O amor custa caro



Direto na têmpora: Red light indicates doors are secured – Arctic Monkeys

Octopus's garden

Eu conheci um hotel todo feito de sal no deserto de Atacama, Chile. As paredes, cadeiras, mesas, camas, tudo era feito de sal. Sei que existem bangalôs sobre as águas e hotéis inteiramente feitos de gelo, mas este hotel submarino eu achei genial. Se eu tivesse grana, faria minha reserva hoje mesmo.



Isso sim, é vista pro mar.




Direto na têmpora: My advice - James Iha

Eric e Agnaldo

Conheço pouco The Animals, mas acho a voz do Eric Burdon uma das melhores da história do rock, portanto estou baixando 700 mega de música da banda pra me redimir.

Acontece que, pra entrar no clima, estava ouvindo hoje um dos clássicos do grupo e lembrei de uma versão que o Agnaldo Timóteo fez da canção. Poucos minutos de fuçação na net e montei um comparativo das duas letras só pra vocês entenderem a diferença básica entre Eric Burdon e Agnaldo Timóteo. Pior que isso, só a farm version que a Rita Lee fez pra "I wanna hold your hand", mas prefiro nem entrar em detalhes.


The house of the rising sun
A casa do sol nascente

There is a house in New Orleans
A casa dos meus sonhos

They call the Rising Sun
é feita de ilusão

And it's been the ruin of many a poor boy
E vive sempre cheia de amor

And God I know I'm one
amor e solidão


My mother was a tailor
Na casa dos meus sonhos

She sewed my new bluejeans
virá para aquecer

My father was a gamblin' man
Minh'alma sempre a te esperar

Down in New Orleans
num lindo alvorecer


Now the only thing a gambler needs
Eu sei que este sol

Is a suitcase and trunk
vai um dia aparecer

And the only time he's satisfied
Na luz que existe em teu lindo olhar

Is when he's on a drunk
pra minha alma iluminar




Direto na têmpora: Friggin' in the Riggin' - Sex Pistols

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Tipinhos odiosos

Eu odeio vários tipos de pessoa. Muitos mesmo. Ainda assim, eu não me canso de perceber que existem sempre novos modelos odiáveis capazes de fazer nossa bile transbordar.

Pra falar a verdade, são tantos motivos para detestar que pode até ter gente que me inclua em alguns deles, mas vestido com a coragem e a propensão para denunciar o mal que vem marcando minha passagem pelo planeta e, mais especificamente, por este blog, segue aí uma pequena listinha para que os estimados leitores possam também odiar:

- o “cagüeta furtivo”: esse é o cara que, por total ausência de talento e caráter, se valoriza única e exclusivamente falando mal do trabalho dos outros.

- o “amigo do rei”: o nome é explicativo, mas é aquela figura que, apesar da latente incapacidade profissional e desvio de personalidade, aproveita-se do relacionamento com o “dono da boca” para galgar os degraus na empresa, na política ou na sociedade em geral.

- o “gênio fantasma”: qualquer um que descaradamente assuma a autoria de trabalhos dos outros. Normalmente trabalhos que ele inicialmente olhou com desdém.

- o “chupim inconseqüente”: seu lema é “me dá, me dá, me dá”. Suga ao máximo os que estão à sua volta e, inexplicavelmente, dorme com um sorriso nos lábios noite após noite.

- o “vaselina”: assumir uma posição é algo impensável para ele. Na segunda guerra eram aqueles que conseguiam estar bem com judeus e nazistas ao mesmo tempo. Normalmente se encaixa também no perfil “chupim inconseqüente”.

- o “pau-mandado”: incapaz de ter uma idéia original, é o rei da inflexibilidade. É o cara que está sempre obedecendo ordens e que, normalmente, serve apenas para fazer cumprir horários. Corre o sério risco de ver sua cabeça explodir caso pense por si só.

- o “encarregado”: esse aí precisa tomar decisões sempre, mesmo sem ter a menor qualificação para tanto. Sendo assim, trata os subalternos e fornecedores como se soubesse o que faz, disparando frases como “faça o que eu mandei” ou “preciso disso agora e pronto”. Costumam ter longas carreiras e relacionamentos pessoais miseráveis.


PS – alguns FDP podem incluir-se em várias das categorias simultaneamente.




Direto na têmpora: Rue de Ménilmontant - Camille

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Adivinha quem é?

Eu diria: "esse aí abaixo é o Spencer Elden".

"Grandes merdas", você pensaria.

E eu responderia, "mas o que você não sabe é que ele, agora com 17 anos, é o bebê nadando atrás da nota de dólar na capa do Nevermind do Nivarna, um dos maiores discos da história do rock".

E você retrucaria "aaaah", mas pensaria "grandes merdas".







Direto na têmpora: Bebemorando - Ruy Maurity

Mais 5 de cada

5 músicas meio estranhas que eu adoro

Telephone call from Istanbul – Tom Waits
You know my name (look up the number) – The Beatles
I got you babe – Cher, Beavis & Butthead
Oh Yeah – Yello
Patrícia Rockfeller – autor desconhecido


5 lugares que fecharam em BH e dos quais eu sinto falta

Blue
Mandrágora
Savassinuca
República do Rock
Cine Imaginário


5 “celebridades” de quem eu gostaria de saber o paradeiro (ou talvez, não)

Beto Fuscão
Molly Ringwald
Maria Claudia
Angelo Maximo
Manolo do Bumbo




Direto na têmpora: Trópico de Cancer - Cafe Tacuba

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

O homem anfíbio

Eu, como fã declarado de sapos e ex-criador de salamandras, não pude deixar de roubar este vídeo do Caixa Preta e reproduzir aqui.

Na boa, eu adoro sapos.






Direto na têmpora: Drug me - Dead Kennedys

Cancela o casamento

Essa saiu no Estado de Minas. Se não foi sacanagem de algum amigo, o tal Ricardo tá fodido. Pensando bem, a mulher nunca vai engolir, ele tá fodido de qualquer jeito.







Direto na têmpora: Anyone else but you - Moldy Peaches

Cocô artístico

Essa eu não vi, mas Fernanda veio contar que Sophia foi fazer cocô no peniquinho e, quando acabou, olhou para a obra, reparou no formato e disse: “olha, uma lua!”

E emendou em seguida: “Agora eu quero uma estrela.”




Direto na têmpora: Sleep - Kimya Dawson

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Descontrole das funções corporais

Há muito, muito tempo, em uma terra muito, muito distante, alguns amiguinhos desfrutavam o carnaval com toda a sua opulência alcoólica quando um deles, despreparado talvez, fica para trás enquanto os demais seguem para a folia.

Ao retornarem ao seu pequeno chateâu, percebem um exercício de pintura abstrata pelas paredes. De baixo para cima, em espiral ou formando figuras helicoidais, jatos de vômito ornavam o ambiente. Nosso amiguinho FB, hoje um renomado profissional de saúde, havia criado uma perfeita imitação do exorcista em nossa sala, desafiando inclusive as leis da física.

Vinte anos depois, encontro situação parecida no emprego. Um meliante de codinome Pintoloco anda aterrorizando o sanitário da Criação com jatos de urina desconexos e igualmente absurdos. Aliás, já até postei sobre isso aqui.

Pois hoje, em uma (infeliz) coincidência, adentrei o banheiro logo ápós o Pintoloco. Foi como deparar-se com a recém vítima de um serial killer antes da polícia chegar. Aliás, como um serial killer, acredito que o Pintoloco esteja deixando pistas, já que incoscientemente seu desejo real é ser descoberto.

O fato é que tenho uma forte suspeita sobre quem seja o Pintoloco. E temo pela minha vida.




Direto na têmpora: Bonanza Exorcista - Sexo Explícito

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Coisas do cinema

Ontem me veio um estalo e eu percebi uma coisa que meu cérebro já sabia, mas que eu me recusava a aceitar como verdade: o House é o pai do Stuart Little.



Dr. House, quem diria, já foi pai de famia.




Pela cara do homem, Stuart perdeu média de novo.




Direto na têmpora: Sexx Laws - Beck

Ah, Mr. Jackson

25 anos de Thriller, o álbum mais vendido da história. Revi os clips de Beat It, Thriller e Billie Jean, pretendo ouvir ainda hoje Human Nature e The Girl Is Mine.

Apesar de nunca ter sido um fã do cara (até porque na época eu era bem mais rock'n'roll), não dá pra negar que esse foi um puta disco. Eu prefiro o Off the Wall, mas foi com Thriller que Mr. Jackson recebeu o título de "King of Pop".

E a revolução nos videoclips? Apesar de Thriller ser o mais famoso, Beat It é o meu favorito e, por isso, aí vai ele. No mais, com todas as transformações esquizóides de Michael, fiquei com bastante medo deste recém-lançado Thriller 25.

Pensando bem, melhor assim, já que ando meio duro e a pepita não deve sair baratinha.



Birêêêêêêêêê! Birêêêêêêêêê!



Direto na têmpora: Overkill- Men at Work

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O cara que mora do seu lado

O prédio onde eu moro é muito louco. Há uns 15 anos, o cara que morava no meu apê foi assassinado, dentro do prédio, por causa de uma briga sobre vagas de garagem.

Logo que me mudei não era raro ouvir os gritos de "me dá dinheiro, mãe, eu vou te matar" e coisas do gênero. O rapaz, viciado em diversos tipos de drogas, chegou a tomar uma porrada na cabeça do vigia do prédio com um cano de ferro. Depois, quando a mãe e o pai entraram na justiça para decidir quem NÃO ficaria com a guarda dele, mudaram do prédio.

Do outro lado do corredor, tinha um que fazia festa de segunda a segunda, com direito a putaiada e, quando a gente reclamava, a resposta era "sou solteiro, faço festa mesmo". O detalhe é que ele tinha seus 40 e poucos anos. A polícia ia lá pelas reclamações de barulho pelo menos uma vez por semana.

Ontem à noite, outro vizinho morreu de overdose, ostentando 8 picadas em um dos braços. Aí você pergunta: "moras na Pedreira Prado Lopes?" E eu penso bastante, mas bastante mesmo antes de responder que não.




Direto na têmpora: Butterfly on a wheel - The Mission

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Maurilo Bolseiro

Ok, eu não seria um bom hobbit com 1,80m e mais de 100kg, mas saca só esse cara do País de Gales que construiu (e vive) em uma casa no melhor estilo hobbit. Até quem não curte Tolkien vai achar bacana.



Mr. Bilbo, I presume.




Aconchegante, não?




Direto na têmpora: B for my name - Beastie boys

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Who's that girl?



Fiquei na dúvida se deixava vocês tentarem adivinhar ou se entregava a resposta logo. Pois bem, venceu a segunda: a garotinha de 15 anos acima é Frances Bean Cobain, filha do velho Kurt e da piradíssima Courtney Love.

E sabe o que é mais impressionante? Caretíssima a criança. Deus conserve.




Direto na têmpora: Sweet, Sweet Lovin' - The Platters

Procura-se

Estes seres foram vistos pela última vez em Ipatinga, lá pelos inícios da década de 70. Quem tiver notícias, avise, porque eles estão fazendo uma falta...


Vai mais um biscoitinho ai, fião?




O meliante com uma de suas camisas favoritas.




Direto na têmpora: Dimension - Wolfmother

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Orgasmatron

Acaba de sair a notícia sobre um implante que pode levar as mulheres ao orgasmo simplesmente apertando um botão. Parece meio Barbarella, mas a notícia tem jeito de ser verdadeira.

Fico feliz pelas mulheres, de verdade, parabéns a todas, mas me sinto a cada dia mais inútil. Se bem que, como está em algum livro do Veríssimo, a única coisa para a qual as mulheres precisam dos homens é para abrir vidro de azeitona emperrado.

Sendo assim, recolho-me à minha insignificância masculina, vou ali comer um torresmo, beber uma pinga e já volto.




Direto na têmpora: It ain't me, babe - Bob Dylan

Nada como os Muppets

Não é à toa que eu e a Sophia adoramos Muppets e Vila Sésamo, eles são demais desde os anos 60. Esse filminho com o Animal é o máximo.






Direto na têmpora: Changüich a la Chichona - Molotov

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Gostinho

Não gosto do meu pescoço curto, não gosto dos meus pés grandes demais, não gosto de falar (muito e sempre) o que não devia, não gosto de calar o que precisaria dizer, não gosto de ter escutado muito pouco Van Morrison, não gosto de ser tão atento, não gosto de um monte de coisas que já vesti, não gosto de fazer barba, não gosto de cobrir os pés (eles de novo)pra dormir, não gosto de muita coisa que fiz e menos ainda de não ter feito milhares de outras coisas.
E o pior é que gosto muito do jeito que estou agora, dá pra entender?




Direto na têmpora: I will follow you into the dark - Death Cab for Cutie

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

O 14o reich

Uma indicação do Gasta que vale a pena assistir e se divertir ou entristecer, conforme o dia. São só 4 minutos e eu recomeeeendo.


Prrrrresidente Lula, deu merrrrda




Direto na têmpora: Le Premier Bonheur du Jour - Os Mutantes

De onde vêm os bebês?

Bom, a minha veio por Sedex.


Você nem imagina o preço do frete.




Direto na têmpora: Metrópole - Legião Urbana

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Bichinho d'água

A primeira aula de natação da Sophia foi hoje. Chegando lá, por uma feliz coincidência, descobrimos que o João, coleguinha de escola dela, também faz natação ali.

Ela ficou em volta da piscina, colocou os pezinhos n'água, mas não se animou a nadar ainda. Para incentivá-la, eu falava "olha, Sophia, o João nada igual a um peixinho". Logo depois, na saída da academia, dá-se o diálogo:

"Sophia quer nadar igual a um peixinho?"

"Não."

"E igual a um tubarão?"

"Não."

"Então a Sophia quer nadar igual a quem?"

E ela, sem pestanejar: "cavalo-marinho".

Agora, de onde ela tira essas coisas eu nunca vou saber.




Direto na têmpora: A vontade de mudar - Madredeus

Toma na cabeça

Acabo de descobrir, através do blog de uma aluna, que meus ex-alunos me consideravam um prego. Nem me senti ofendido, afinal, sempre achei 83,4% dos meus professores muito pregos. O que magoou foi o fato de já fazer uns 10 anos que ninguém me chamava de prego.

Claro que nesse meio tempo chamaram de canalha, vagabundo, ladrão, sem vergonha, ordinário, burro, mau caráter, incompetente, fdp, etc, mas prego fazia tempo que não entrava na lista. Enfim, começo hoje a campanha com os outros professores para reprovação em massa dos meus ex-alunos. Infiéis, tremei!




Direto na têmpora: XV anos - Ira!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Produtos suspeitos

Essa sacola estava hoje em um departamento da agência (não na criação). Não sei quem é o dono, nem o que ela contém e, para falar a verdade, prefiro nem saber.



"Isso aí do lado da sua sacola é talco?"




Direto na têmpora: Lavar as mãos - Arnaldo Antunes

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O novato otário

Meu primeiro dia de aula no Loyola, recém-chegado de Ipatinga, foi marcante. No São Chico a gente era obrigado a usar uniformes, mas no Loyola não. Obviamente, minha mãe comprou os uniformes assim mesmo e eu, sem saber, fui totalmente trajado no primeiro dia. Cabeludo e uniformizado.

Assim que cheguei na sala, sem conhecer ninguém, uma figura esquisita aponta pra mim e manda: "olha lá o novato otário de uniforme".

Passada a vontade de cobrir o esquisito de porrada, fui me adaptar ao ambiente e fiz grandes amigos ali. Inclusive o esquisito, que se chama Girino, está no Brasil, e ainda não me deu notícias. Grande filho da puta, isso sim.




Direto na têmpora: I can't get up the nerve - John Pizzarelli.

Nós, os bairros

Eu nunca tive bicho geográfico, mas alguns amigos meus já tiveram. Também nunca tive berne e nem um mísero bicho de pé. Verme eu acho que toda criança do interior já teve, então, ok. Piolho eu tive, mas fica do lado de fora e já tive também um fibrolipoma no braço direito, mas aí não é bicho e não conta.

Sei lá, acho muito doido esse lance de animais vivendo na gente.




Direto na têmpora: White wedding - Billy Idol

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Burton, Jarmusch, Crowe e os Coen

Fui ver Sweeney Todd na sexta-feira e, enquanto teve gente que saiu no meio do filme, eu mantive minha opinião de que Tim Burton é um gênio.

Eu gosto de Tim Burton porque ele faz filmes de um jeito que ninguém mais faria. É impossível começar a assistir um filme e não saber, imediatamente, que o diretor é Tim Burton.

Os irmãos Coen são assim também, mas sem a grandiosidade e o estilo visual do Burton. No caso deles o que pega são os personagens e os diálogos.

Aliás, uma das minhas grandes tristezas é o fato de Marty Feldman ter morrido em 1982, caso contrário ele seria certamente uma estrela recorrente nos filmes dos irmãos Coen. Algo como o Steve Buscemi, que fez Fargo, o Grande Lebowski, etc.


Marty Feldman, sósia de Néstor Kirchner e predecessor de Steve Buscemi


O filme é do Adam Sandler, mas deu pra entender

O Jim Jarmusch, outro de quem sou fã, já é sensacional pelas histórias e personagens estranhos. Qualquer um que faça filmes incríveis com os caras do White Stripes, Tom Waits e outros malucos, merece reconhecimento.

Para finalizar, o Cameron Crowe, muito mais pop e palatável do que os outros três, constrói filmes que (aparentemente) qualquer um poderia fazer e ainda assim consegue usar a música de forma soberba e acertar em cheio em quase tudo o que dirige. Ou alguém discorda que a cena do ônibus em Quase Famosos, onde todo mundo canta Tiny Dancer do Elton John, é perfeita?

Enfim, só falando um pouco sobre cinema mesmo, nada demais. Fiquem à vontade pra descer a lenha.




Direto na têmpora: Paper Scratcher - Blind Melon

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Nojinho de homem

Os homens, em oposição às mulheres, são uma raça nojenta. Uma raça divertida, mas incomensuravelmente nojenta. Nos últimos 20 minutos presenciei uma discussão onde se debatia vigorosamente a superioridade de uma cabra em relação a uma galinha como objeto sexual.

De repente, o assunto desvia para a atuação dos peixes neste mundo pervertido da zoofilia e surge o debate: qual o melhor peixe para a prática do sexo oral? Uma carpa ou um bagre? No que alguém exclama: "carpa é muito melhor, é lisinha, bagre tem lixa na boca".

Enfim, nojo, muito nojo. Não sei como vocês mulheres ainda se casam com a gente.




Direto na têmpora: Là où je suis née - Camille

Os dedinhos

A maldade humana (ok, a minha) não tem realmente limites. Dizem por aí que o Presidente Lula já foi o feliz proprietário de um Fox da VW. Se não entendeu a piadinha, clique aqui.




Direto na têmpora: Time trap - Built to Spill

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Videozins

Hoje já postei fotos, agora vou postar vídeos, porque não tô querendo muito saber de falar. Nenhum deles é novíssimo, mas vamos lá.

Primeiro, Hurra Torpedo, com uma versão completamente esquizóide de Total Eclipse of the Heart. Se você ainda não viu, tem que assistir.

Depois, que #@*$% aconteceu com a cara do Michael Jackson!? Detalhe para o furico no queixo.

Na seqüência, Seven Nation Army é mixado com Sweet Dreams e o resultado é fantástico! Esse é mais novinho.

Para finalizar, eu juro que não queria postar um clip que visualmente não tem nada demais, mas David Bowie junto com Arcade Fire cantando Wake Up ao vivo é simplesmente muito bom pra deixar de fora. Enjoy!




Imagina isso na cozinha da Ana Maria Braga.




Tira isso da cara, menino!




White Stripes + Eurythmics = grrreeeaaat




E a Heather Graham na platéia. Eita!




Direto na têmpora: Wake Up - Arcade Fire

Sessão de fotos

Sophia começou a gostar de sair nas fotos. De vez em quando até faz pose. E nós lá, só clicando.



O mar eu não curti, mas a areia...




Famosos sempre exibem seu roupão favorito na Caras.


PS - 3 links novos aí do lado: um poético (Rodrigo Lodi), um estranho (Recessivos) e um sobre atendidmentos (Mal Brifado).




Direto na têmpora: Lead the way - Lizz Wright

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

O que o capeta ouve

Jeronimus Bosch pintou o inferno com seu talento, Dante descreveu o inferno com seu gênio, mas para escutar o som que o capeta usa para infernizar (sem trocadilho) os outros, só ouvindo funk carioca durante 4 dias seguidos.

Aliás, o próprio nome "funk" já me transtorna. Funk!? Funk!?!?!? Funk!?!?!?!?!? Esses caras sabem o que é funk por acaso? Pelamordedeus, tinham que emporcalhar o bom nome de uma das mais vigorosas correntes musicais modernas? Ainda bem que James Brown está morto pra não ver, ou melhor, ouvir isso.

Eu sei que tem gente que vai dizer que é "um movimento legítimo, social, quase espiritual, que representa a alma carioca/brasileira e a favelização existente em cada coração tupiniquim". Pois bem, a polka também é uma representação legítima da cultura de um povo e nem por isso eu deixo de achar uma porcaria.

Não me entendam mal, nada contra quem escuta funk carioca usando um fone de ouvido hermeticamente preparado para não vazar som, tenho amigos com defeitos muito piores. O que me incomoda é o povo abrir o porta-malas, largar o volume nas picas e mandar o petardo AGORA EU TÔ SOLTEIRA E NINGUÉM VAI ME SEGURAR... DAQUELE JEITO!". Ora, faça-me o favor e vá lamber sabão.

No mais, o carnaval foi ótimo, com direito a picolé de jaca e de creme holandês, daqueles típicos feitos de água suja. Sophia amou.




Direto na têmpora: The most useless thing - Scarnella

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Sei lá, mil fantasias

Os sete jardins de Assurbanipau, imperador da Ciméria.

Nabucodonosor, o sábio dos treze mil leques.

A dança sagrada das virgens introspectivas de Guarapari.

Nenhum destes nomes é verdadeiro (eu acho), mas bem que poderiam ser o título da fantasia abaixo ou de alguma outra dos antigos bailes transmitidos pela TV Manchete.

Aliás, assim como todo paisagista é o Burle Marx, todo "desafilador de fantasias de luxo" é o Clovis Bornay. Ou era, acho que ele morreu. Na verdade, não importa, esta é uma das outras coisas de que não sinto a mínima falta no carnaval. E quem tem uma história boa sobre o Clovis Bornay é o Oliva do Casos da Propaganda. Pergunta pra ele procê ver.




Apesar do cavanhaque, juro que este não sou eu.




Direto na têmpora: I got it goin' on - Us3

Um pouco de Incultos

Durante o carnaval não postarei. Eu sei, eu sei, dói, mas é importante que vocês tentem conter o pranto. É que realmente os festejos momescos pedem um ócio pleno ao qual me entregarei prontamente. Sendo assim, colocarei aqui um dos contos do meu livro “Incultos” e voltarei a postar na quinta, dia 7 de fevereiro.



Sortes

A vida sempre tinha sido irônica com o Vieirinha. Se passava de ano direto em todas as matérias, pegava catapora e ficava metade das férias de molho. Se a menina pela qual era apaixonado enfim dava bola, no dia seguinte surgia uma bela herpes no canto da boca.

Ficou mais velho e a sina continuo a mesma, muita sorte, mas talvez na hora errada: passava no vestibular e a faculdade entrava em greve, resolvia viajar para o nordeste e ainda na estrada recebia a notícia que as aulas voltariam. Teve aquela vez, por exemplo, em que o Vieirinha ganhou um carro numa rifa qualquer e, todo satisfeito, chegou ao trabalho apenas para descobrir que havia sido demitido. Pouco tempo depois, estava vendendo o carro para pagar as dívidas.

Não era um cara infeliz, sabia levar com bom humor e paciência estes caminhos tortuosos de sortes e azares. Os amigos do Vieirinha divertiam-se com seus casos, mas era só ele virar as costas que a palavra “coitado” surgia em todas as bocas.

Até que um dia o Vieirinha conheceu a Salete. Foi numa festa de trabalho. Ela tinha ido com uma amiga e se encantou com o jeito meio atrapalhado do rapaz. Ficaram juntos e na volta para casa, só para compensar, o pneu furou e ele teve que empurrar o carro por toda a Afonso Pena.

Mas o azar foi pouco perto da mudança que a Salete trouxe para a vida do Vieirinha. Era um novo homem, mais confiante, mais alegre, até mesmo mais produtivo no trabalho. Estava apaixonado da mais perigosa maneira, como um boxeador apoiado nas cordas enquanto era bombardeado pelos carinhos da Salete, bem próximo de um nocaute.

Algum tempo depois, ao pagar uma conta numa casa lotérica, o Vieirinha pegou de troco um jogo na MegaSena. Números aleatórios, só para não carregar moedas. Colocou no bolso displicentemente e só foi lembrar do bilhete 2 ou 3 dias depois do resultado do sorteio. O comentário era que o ganhador vivia em Belo Horizonte e não havia buscado o prêmio ainda. Por desencargo de consciência resolveu conferir os números.

Ainda descrente, percebeu que os 4 primeiros números coincidiam. Ressabiado conferiu o quinto e batata! Estava ali, faltava apenas um para tornar-se um milionário. Nesse momento, o rosto da Salete cruzou-lhe a mente. Vieirinha tremeu. Sabia como funcionava sua sorte, com as dolorosas compensações de cada êxito, merecido ou não. Ganhar aquele prêmio poderia custar-lhe a Salete ou sabe-se lá o que mais.

Vieirinha então balançou a cabeça fingindo um misto de desapontamento e resignação, rasgou o bilhete e lamentou-se para os poucos apostadores presentes “é, passou longe”.

O prêmio acumulado nunca foi retirado e o Vieirinha volta e meia comenta que sorte mesmo é ter uma mulher como a Salete em casa.




Direto na têmpora: Suco de tangerina – Beastie Boys

Sempre o filho da mãe do Onetti

Acabei de ler o livro do Onetti. Em um dos últimos contos ele faz referência a um poeta japonês que tem uma historinha muito bacana que vou reproduzir mal e porcamente aqui.

Um jovem guerreiro japonês caminhava por uma cidade estranha quando viu uma bela jovem com um leque, abanando um túmulo. Ele então se aproximou e a moça, percebendo seu olhar inquisitivo, explicou: “Quando meu marido morreu, pediu que eu não tivesse outro homem enquanto a terra sobre ele estivesse úmida e este outono foi tão chuvoso...”

Aí eu leio um negócio sensacional desses, paro de escrever e tem gente que não entende o motivo.




Direto na têmpora: Elevador – André Abujamra

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Clip Clip

O filme não é tão novo e é bem bobinho, mas o clip é a mais perfeita referência aos 80 e ao princípio da era videoclipe. Aliás, tô postando um dos Buggles também e, juro, não consigo dizer qual o mais oitentista dos dois.


E o Oscar de melhor roteiro vai para...



Did the internet kill the video star?




Direto na têmpora: (There's) Always something there to remind me - McCoy Tyner

Asfalto

O peso do cimento me torna penoso o andar. Encho os pulmões de fumaça e acho meu destino em um outdoor. Já não durmo de janelas abertas e fico aqui, em alguma esquina, esperando um teiú cruzar o meu caminho, a batida de um pica-pau ou o barulho do esquecido rio. E tanto concreto na alma já não me deixa chorar.

"Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo."

Gilberto Gil




Direto na têmpora: Fidjo Maguado - Cesaria Evora

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Restrições alimentares

Eu sou muito chato pra comer. Muito, de verdade. Não como ovo, não como peixe, não como feijão, não como berinjela e, principalmente, não como frango. Poupem seus expletivos. Já ouvi todo o tipo de comentário sobre esta minha dieta limitada e nenhuma me comoveu. Não como porque não gosto e pronto.

Acontece que, até chegar nessa atitude zen de perceber que não preciso gostar de tudo pra agradar todo mundo, passei por poucas e boas quando era criança. Principalmente com o maldito frango. Não era raro encontrar alguém bastante solícito para me apresentar receitas diferentes que transformariam o odioso galináceo e um manjar dos deuses.

“Ah, mas você não gosta de frango porque nunca provou o empadão de galinha da Vó Bituca.”

“Você acha que não gosta! O frango ao molho de anchovas da minha mãe todo mundo adora!”

“Olha, vou te fazer um favor, vou fazer pra você um frango fritinho com salada de nabo e funcho que vai mudar sua opinião.”

Enfim, caí em todo o tipo de esparrela e provei as mais bizarras receitas para chegar à conclusão inequívoca de que frango é frango e eu não gosto, porra!

Portanto, se algum dos estimados leitores me convidar algum dia para um almoço, jantar ou qualquer comilança congênere, lembre-se: nada supera a simplicidade do bife, batata frita e arroz.




Direto na têmpora: A lavadeira, o varal e a saudade – Os Mulheres Negras

terça-feira, janeiro 29, 2008

Nova vida cultural

Depois da Sophia, minha vida cultural mudou. Semana passada fui ao Barney, antes aos 3 Porquinhos e no último domingo fui ver a Vaquinha Lelé. Para comprovar, seguem algumas fotos representativas destes novos tempos.

Só pra evitar comentários reclamões, as fotos da Sophia com as criaturas da turma do Barney não foram feitas no show, sendo meramente ilustrativas. E todas foram tiradas com celular.



BJ e Sophia em momento descontraído.



Baby Bop, amiga íntima.



O único personagem do qual a Sophia não teve medo ao vivo.




Direto na têmpora: Persephone - Cocteau Twins

Fala aí, mudinho

Falar é extremamente perigoso.

Você, por exemplo, vê um amigo fazendo uma entrevista na empresa em que trabalha e depois brinca com um colega funcionário: “e aí, é você quem vai sair pro fulano entrar?”. O que acontece? Provavelmente nada. No meu caso, a pessoa com quem falou é realmente demitida para que o entrevistado entre e minha cara vai ao chão.

Se numa discussão sobre futebol você comenta com o torcedor do time X que a equipe dele é como um deficiente que, por mais que você torça, nunca ganha a corrida, o máximo que pode rolar são algumas risadas, certo? No meu caso, a irmã do interlocutor sofre da mesma deficiência com a qual você brincou, causando permanente mal-estar.

Quando a mulher de um coleguinha muda para o interior e você jocosamente comenta que ela irá largá-lo, todos compreendem que é uma piada. Quando sou eu, a mulher termina o noivado e o coleguinha fica na merda.

O que nunca acontece com os outros, acontece comigo sempre que abro a boca. E olha que os casos acima, todos reais, foram bastante minimizados e não representam a totalidade das situações desagradáveis que já causei / vivi. Até o pastelzinho já me deu problema com postagens.

Enfim, se algum dia eu falar (ou escrever) merda pra alguns de vocês, por favor, relevem. É mais forte que eu.




Direto na têmpora: Saldo de Aratu – Mundo Livre S/A

O mal

Meu amigo Leozinho sempre diz que “para o mal não há limites”. Concordo plenamente e cada dia mais com ele. Tem sempre jeito de piorar algo, de ser mais escroto, mais desrespeitoso, mais prepotente.

Não estou nem falando dos crimes bárbaros e fatos hediondos que se aproximam cada vez mais de nós. O papo é mais simples. Falo é de gente que se encarapita no talento dos outros pra fazer o próprio filme, gente que abusa do pequeno poder que tem.

Aliás, sempre achei que o problema do mundo é o pequeno poder. O porteiro da boite que se acha o dono do lugar, o cara do telemarketing que está pouco se lixando para o seu problema, o flanelinha que guarda vaga para o bacana. Gente que se arvora no único e diminuto poder que possui para tiranizar seu relacionamento com os outros.

E aí eu concordo cada vez mais com meu grande e sumido amigo Jônio Bethônico: “tantas pessoas para matar e tão pouco tempo”.




Direto na têmpora: The bees - Belly

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Os 3 sentidos

Acabei de ler, em cerca de duas horas, o "Sob o sol-jaguar" do Ítalo Calvino. São 80 e poucas páginas em que o fodaço escreve sobre os 5 sentidos de uma maneira sensacional (aliás, como quase tudo o que o Calvino faz).

O problema é que a idéia era escrever sobre os 5 sentidos, mas o caboclo acabou morrendo antes. Sendo assim, ficamos com audição, olfato, paladar e uma vontade imensa de ter algum tipo de talento para ousar completar a pentologia (!?!?!) com tato e visão.

Fiquei na mesma situação com "Almas mortas" do Gogol. Feliz de estar lendo aquilo e puto porque não ia saber o fim nunca. Aliás, filosofando, tem tanta coisa na vida que é assim que daria um livro. Com final, por favor.




Direto na têmpora - Fly America - Joelho de Porco

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Ai, minha coluna

Agora que o acordo já foi feito, posso divulgar: depois da Revista do Banco Mercantil do Brasil, agora serei colaborador da revista do Shopping Cidade com uma coluna mensal. Obrigado aos meninos da Nube, à Amanda e vamos que vamos.

Quanto a vocês, demais clientes da pastelaria, infelizmente não posso reproduzir os textos aqui, mas tenho certeza de que estão felizes com a notícia e que enviarão flores e presentes mimosos para celebrar a minha pessoa. Valeu, também.




Direto na têmpora: Vietnow - Rage Against the Machine

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Pote de ouro

O fim do arco-íris (e o começo também) fica bem atrás do prédio onde eu trabalho. Se alguém aí quiser um pote de ouro, sirva-se.


O começo do arco-íris...



...e o final. Ou vice-versa, sei lá.




Direto na têmpora: You ain't goin' nowhere - Bob Dylan

Tênis, o melhor esporte do mundo

Mesmo correndo o risco de uma surra homérica em casa, demonstro aqui minha total aprovação à final do Australian Open 2008. Sábado às 6h30 da matina estarei ligado na ESPN para acompanhar o evento. Todo roxo, mas lá, firme.


Decisão impossível: para quem torcer?




Direto na têmpora: Pizza cutter - Letters to Cleo

The horror, the horror

LP era um bom amigo dos tempos de Loyola. Aliás, será chamado de LP porque andei tomando algumas aulas sobre a visibilidade dos blogs e como certas pessoas ficam mais melindrosas (e menos bem-humoradas) quando sobem na vida.

Pois bem, eu e LP tínhamos um ritual que fazia sucesso na hora do intervalo. Éramos jovens robustos (ele não é mais, emagreceu muito de lá pra cá, enquanto eu tripliquei de largura) e folgazões, que gostávamos de maltratar os petizes.

Sendo assim, eu me posicionava de um lado do corredor, em frente à cantina, e LP do outro. Assim que passava uma criaturinha sobrecarregada de lanches e sucos ouviam-se os gritos alegres e efusivos:

“Marley!”

“LP!”

“Que saudades, meu velho!”

“Há quanto tempo.”

E assim rumávamos em direção ao outro e nos abraçávamos justamente quando a criança estava entre nós. Obviamente era um abraço chacoalhado, cheio de trancos e safanões, o que levava quase toda a comida da vítima ao solo. Com o tempo fomos nos aperfeiçoando e passamos a posicionar chaves nos bolsos de forma a amplificar os danos, além de optar sempre pelos transeuntes de óculos.

Bons tempos aqueles em que semear o terror entre os indefesos era nossa principal ocupação.




Direto na têmpora: Maria Magdalena - Sandra

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Analfavolks

Como é bonito ver grandes empresas fazerem cagadas como meros mortais. Olha aí o filminho da Volks onde "ônibus" se acentua com til. Isso mesmo, na primeira cena já é possível ver a pérola "õnibus".


Achei õtimo!




Direto na têmpora: Estamos adorando Tokio - Karnak

Twitter, blogs e etc

Entrei no twitter, no BlogBlogs.Com.Br e tô fuçando todos os links que os caras passaram no curso. Teve bom o esquema.

Por falar nisso, um dos palestrantes foi o Ian Black, um dos fundadores do Virunduns, blog sensacional que agrupava cagadas auditivas relacionadas a música. Ou seja, quando alguém ouve Menino do Rio e solta "dragão com a toalha no braço" ou ainda a tradicionalíssima "trocando de biquini sem parar". Já postei sobre isso, mas a palestra do cara me deixou saudosista. Se alguém aí quiser saber, depois eu conto a minha virundada com Sonífera Ilha, dos Titãs, e Beat Acelerado, do Metrô.




Direto na têmpora: Nada ao vivo - Fellini

terça-feira, janeiro 22, 2008

Tocando banjo a noite inteira

8h15 da manhã no curso e um dos caras da Franklin Covey bate no meu ombro e pergunta amistosamente: "e aí, continua tocando banjo?". Diante do meu olhar de incredulidade ele afirma: "devo estar te confundindo".
Postado por eu, o tocador de banjo.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

É fantástico, mas pode ser mais

Andei tomando uns tapas da Fernanda durante o último Fantástico, mas aproveito que estou em SP e não posso apanhar instantaneamente para reafirmar meu comentário: agora que a Patrícia Poeta substituiu a Glória Maria, só falta o Zeca Camargo sair pra entrada da Rosana Jatobá e, pronto, o Show da Vida vira meu programa favorito imediatamente.




Direto na têmpora: I drove all night - Roy Orbison

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Caras e bocas

Amiguinhos, gostaria de lembrar que eu sou apenas o instalador, mas segue aí a nova capa de Caras com outro coleguinha da TOM esbanjando fama e glamour.


A capa diz Boe, mas bem pode ser o Chubes




Direto na têmpora: I melt with you - Jason Mraz

No tabuleiro do Bobby Fischer tem

A morte de Bobby Fischer, um dos mais geniais (e insanos) enxadristas de todos os tempos me pegou de surpresa.

O cara foi campeão americano de xadrez aos 14 anos, Grande Mestre aos 15 e o primeiro americano campeão mundial de xadrez em 1972. Indiscutivelmente um fodão entre fodões.

No entanto, perdeu o título em 75 porque não quis jogar contra o Karpov, deixou o xadrez, sumiu por ano sem que ninguém soubesse seu paradeiro, foi preso por desafiar sanções americanas à Iugoslávia em 92, fazia comentários antisemitas mesmo sendo filho de judeus e em 2005 renunciou à cidadania americana e virou islandês.

Daí que comecei a pensar, alguém aí sabe por onde anda o Mequinho?




Direto na têmpora: Purple Rain - Prince

quinta-feira, janeiro 17, 2008

4 grandes

Só pra constar, quatro dos filmes mais maravilhosos da propaganda mundial.



A trilha eu baixei em mp3



Inveja do argentino que criou.



Vai, pode chorar...



Odeie alguma coisa, amiguinho!




Direto na têmpora: The Top - The Cure

Todo mês sangra

Pode parecer estranho, mas o Banco do Brasil me faz sentir mulher. Calma, amiguinhos, nenhuma operação de mudança de sexo ou alternância das preferências sexuais à vista.

É que eu vou ao Banco do Brasil uma vez por mês, como um ciclo menstrual. Isso me causa desconforto, irritação e mau humor, como um ciclo menstrual. E quando vão chegando os dias, eu sempre me torno uma pessoa de difícil convívio, como uma TPM.

A diferença é que, durante os ciclos menstruais, as mulheres compram absorventes e eu sinto vontade mesmo é de comprar um revólver. Tirando isso, é igualzinho.




Direto na têmpora: Laughing out loud - Wallflowers

quarta-feira, janeiro 16, 2008

A lenda

Essa só vai ter graça pra quem conhece o Iracema, mas segue aí o cartaz feito pelos amiguinhos da TOM para homenagear Ilacir, a lenda.


O homem, o mito, o filho da puta.




Direto na têmpora: The Sheik of Araby The Beatles

terça-feira, janeiro 15, 2008

Cinco de cada

5 músicas que me deixam nervoso de um jeito bom
Massacre – Titãs
Zero – Smashing Pumpkins
Killing in the name – Rage Against the Machine
(I’m not your) stepping stone – Sex Pistols
21st century digital boy – Bad Religion


5 músicas que a Sophia gosta que eu cante (e que eu gosto de cantar)
Blackbird – The Beatles
Cheek to cheek – Billie Holiday
Little girl blue – Nina Simone
My funny valentine – Chet Baker
Spread your wings – Queen


5 músicas que me deixam deprê de um jeito bom
Flashback – Dalto
Life on mars? – David Bowie
Carolina – M. Ward
My father’s gun – Elton John
Pedaço de mim – Chico Buarque


5 músicas que me fazem pensar na Fer
Embraceable you – John Pizzarelli
I’ll be seeing you – François Hardy & Iggy Pop
Fake plastic trees – Radiohead
Once in a while – Madeleine Peyroux
Ain’t no sunshine – Bill Withers




Direto na têmpora: Ruby Tuesday - Rolling Stones

Sete Mares

De todas as coisas, não tenho dos piratas a vil disposição.

Os mares vistos do topo da gávea, o sangue lavando o convés e o vasto mapa impresso em estrelas são para mim menos que nada. Das grandes aventuras, guardo a distância precisa dos que morrem anônimos por detrás das escrivaninhas.

Não me seduz a bandeira negra, não me corre nas veias o rum, não me agita o estremecer dos canhões. Aos saques, estupros e lutas, entrego seco as costas.

Se ao romper da aurora o urro de certa abordagem, repleto de saliva e fúria, vem ferir-me os ouvidos, abro algum velho romance a suspirar condescendente “piratas, piratas”... e lanço o tapa-olho à estante.




Direto na têmpora: I try - Macy Gray

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Fofão

Já havia escrito, nesse post antigo aqui, sobre meu relacionamento afetivo com a Av. Prudente de Morais. Na Prudente havia a Doce Vida, o Fox, a Riccio e todos eles fecharam. Com eles, foi-se uma das melhores partes da minha vida.

Pois neste fim-de-semana tive que me emocionar com o fechamento do Fofão. Passei na Prudente e parei, na expectativa de saborear o melhor risole de milho de BH, quando me deparei com as portas fechadas e o singelo cartazinho escrito à mão que comunicava o encerramento das atividades e agradecia aos clientes pela preferência em todos esses anos.

Senti uma dor física com o fechamento do Fofão, a certeza de que esse fim sem aviso prévio encerrou um ciclo pra mim. As ruas agora já sabem que não sou mais o jovem cabeludo que morava em frente à barragem do Santa Lúcia quando ali era só mato. Não caminho mais pela Prudente para ver meus tios, não sigo pra escola, não como mais o risole, nem tomo chopp com os colegas de colégio. Não envio cartas, não danço na Guilden, não fico sentado na Doce Vida, não vivo mais como já vivi.

Sou um outro Maurilo, mais velho e, de certa forma, até bem mais feliz. Mas ainda assim dói não me reconhecer aqui como já não me reconheço em Ipatinga, e essa cidade que deixo pra Sophia já não é mesmo minha.




Direto na têmpora: Cinema Mudo - Paralamas do Sucesso

domingo, janeiro 13, 2008

Notas do domingo

- Fernanda e eu fomos hoje ao Shopping Cidade assistir a "Meu nome não é Johnny". As salas novas são, ouso dizer, as melhores de BH.

- Há cerca de 10 dias Sophia foi pela primeira vez ao cinema e rendeu, vibrando e feliz, bons 45 minutos. Ontem, foi ao teatro ver os 3 Porquinhos e ficou a peça toda com direito a se levantar em meio a uma cena em que o lobo perseguia os suínos e dizer quase gritando: "Não pode, lobo, não pode".

- Sábado descobri que a Fofão, na Av. Prudente de Morais, fechou. Quase enfartei, mas isso merece um post à parte que prometo para amanhã.




Direto na têmpora: My head sounds like that - Peter Gabriel

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Sophia Minnie

Enfim, um filmezinho da Sophia, encarnada em um de seus personagens favoritos: Minnie Mouse!


Quem é o pai da Minnie?




Direto na têmpora: Supa Scoopa and Mighty Scoop - Kyuss

quinta-feira, janeiro 10, 2008

É velho, mas é bom

A Reebok fez, há uns bons 5 anos, a série Terry Tate Office Linebacker. Uma série de filmes simplesmente fantásticos cujo inicial ainda é, para mim, uma das mais divertidas peças de publicidade de todos os tempos. Achei e coloco aqui pra quem quiser ver. Aliás, quem tiver interesse nos outros comerciais da série, é só procurar Terry Tate Office Linebacker no youtube para encontrar um monte de versões. Only in english, sorry.






Direto na têmpora: Into the lungs of hell - Megadeth

O gingante, o mendingo e o indiota

Um publicitário que conheci tinha um estranho hábito: concordava a cor "laranja" com o gênero. Por exemplo, o sapato, por ser masculino, seria laranjo, enquanto que a camisa seria laranja.

Eu sei que a cor é alaranjada, e que aí sim concorda lindamente com o gênero (o sapato alaranjado, ó sim, o sapato alaranjado). No entanto, o supracitado esmerava-se em emitir opiniões sobre o layout laranjo, o muro laranjo, o vestido laranjo, inclusive em reuniões importantes, para a vergonha / divertimento do restante da equipe.

Havia outro que dizia "vincular a campanha" e ainda um que cismava em "disconcordar" com o cliente. E o pior é que hoje me lembro de cada um deles muito mais por estes lapsos de fala do que pelas qualidades ou defeitos profissionais.

Foi por isso que, durante a apresentação do trabalho final da minha matéria, fiz questão de reforçar com os alunos que, tão importante quando a campanha em si, era o cuidado em referir-se ao produto sempre como iogurte e pelamordedeus nunca, nunca mesmo, como "iorgute".




Direto na têmpora: Choro de Memórias - Paulinho da Viola

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Eu, o amigo do Barney

Dia 19 de janeiro tenho um econtro marcado com Barney e sua turma. Tenho certeza de que a Sophia irá amar e é até possível que, por devoção a ela, eu não invada o palco e esgane Barney com minhas próprias mãos diante de centenas de criancinhas automaticamente traumatizadas pela cena.

De qualquer forma, lembrei da Ju Sampaio, grande redatora, figura ímpar e uma das mães do sucesso internacional Mothern (devidamente linkado ao lado). Certa feita, estava ela assistindo aos educativos episódios do dinossauro roxo ao lado de seu marido Ed, quando ele, ainda meio em transe, pergunta: "Ju, quanto tempo você acha que o Barney duraria na pré-história?"


BJ, Barney e BabyBop em todo o seu esplendor.




Direto na têmpora: Trauermarsch - Gustav Mahler

terça-feira, janeiro 08, 2008

Dublê de dublador

Essa eu tive que roubar do James. No clássico dos anos 80, uma pérola das piores dublagens de todos os tempos. É curtinho, vale conferir e prestar atenção na voz do negão dos Warriors, que encerra com chave de ouro.


Uma bela dublagem, "é claaaaaro".




Direto na têmpora: Cybernetic pillow - Riverside

segunda-feira, janeiro 07, 2008

A Teoria da Pizza

Existe uma teoria que afirma que pizza e sexo, mesmo quando são ruins, são bons. Eu concordo plenamente com este raciocínio filosófico e, a partir dele, desenvolvi uma listinha de coisas que “mesmo quando são x, são y”. Contribua quem quiser.


O Jô, mesmo quando tenta ser simpático, é o mais antipático do mundo.

Filmes búlgaros de arte, mesmo quando são curtos, são longos.

Ex-mulher, mesmo quando é na boa, é uma pele. (não tenho, mas digo de ouvir falar)

Os filmes do Tim Burton, mesmo quando são ruins, são bacanas demais.

Em Ouro Preto, mesmo quando você sobe na ida, sobe de novo na volta.

Os anos 80, mesmo quando são cult, são bregas.

Listas, mesmo quando são legais, são chatas.





Direto na têmpora: Head over heels – The Go-Go’s

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Riding the K-Train

Já que estamos naquela época mágica em que quase niguém lê o pastelzinho, vou aproveitar e seguir minha linha de postagens que só eu gosto. Depois de abordar escritores obscuros, livros de meu interesse e um comercial sooperdooper de bacana, chegou a vez da NBA e dos Boston Celtics.

Há alguns meses, os Celics, depois de adicionarem Ray Allen, trocaram 7 jogadores por Kevin Garnett. O resultado foi, além da chegada de jogadores novos como James Posey, Scott Pollard, Eddie House e outros, uma mudança completa no perfil da equipe. Os número não mentem jamais.

- Depois da troca em que os TWolves levaram 7 jogadores e Boston ficou com Garnett, os TWolves são o último lugar disparado da liga e Boston o primeiro.

- Na temporada anterior, Boston acabou o ano com 24 vitórias em 82 jogos. Com KG são 27 vitórias em 30 jogos.

- Os Celtics agora têm a melhor defesa da NBA.

- Após dois anos fora dos playoffs, Boston só não chega esse ano se Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett perderem em conjunto pelo menos 60 jogos.

- Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett têm, enfim, uma chance real de ganhar um merecidíssimo título.

- Os Celtics venceram todas as 9 partidas contra times do poderoso Oeste.

- Apenas 5 outros times chegaram a 30 partidas com apenas 3 derrotas na história da NBA.

- Com o título dos Red Sox no baseball, a campanha invicta dos Patriots no futebol americano e a nova era dos Celtics, Boston deve ser o melhor lugar do mundo para um fã de esportes viver.

Eu sei, eu sei, ninguém se interessa, but I'm loving it, baby! Ah, aproveitando o ensejo, segue o sensacional comercial da Adidas estrelando o nosso amantíssimo Garnett, ainda nos seus tempos obscuros com os Timberwolves.


Take us there, KG!




Direto na têmpora: A whisper - Coldplay