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quarta-feira, abril 08, 2009

Porco, o animal mais legal do mundo

O velho Vinicius de Moraes, que sabia das coisas de verdade, escreveu esse poema / música para o porquinho que merece ser citado, pelo menos em parte nesse post:

"Se quiser, me chame
Te darei salame
E a mortadela
Branca, rosa e bela
Num pãozinho quente
Continuando o assunto
Te darei presunto
E na feijoada
Mesmo requentada
Agrado a toda gente

Do rabo ao focinho
Sou todo toicinho
Bota malagueta
Em minha costeleta
Numa gordurinha
Que coisa maluca
Minha pururuca
É uma beleza
Minha calabresa
No azeite fritinha"


Só de ler esse trechinho a boca se enche d'água e as artérias se entopem freneticamente. A única parte macabra da canção é quando o Grande Otelo convida as crianças em tom amistoso para ir pro céu com ele e com a tia vaca, mas tudo bem.

O fato é que os porcos são criaturinhas maravilhosas. Que outro bicho tem aquele rabinho torcidinho, o focinho de tomada e ainda uma infinidade de alimentos deliciosos em si? Como já disse o Vinicius, muito melhor que eu, porco é sinônimo de mortadela, presunto, linguiça, torresmo, lombinho, costelinha e por aí vai.

Os brasileiros (e mais especificamente os mineiros) amam a culinária com base suína. Mas não somos apenas nós, os alemães, por exemplo, um povo racional, frio, mas que ama a comida e a bebida, criou o kassler, o eisbein e a minha perdição, o Käsekrainer (assim mesmo, com maiúscula, porque ele merece).

Quem lê esse blog há mais tempo, sabe que meu grande sonho é largar tudo e montar uma granja de porcos. Não faltam razões comerciais, afetivas e alimentares para tanto.

Por conta de tudo isso é que eu não escondo a minha mágoa com o Oscar, que em 1995 deu o prêmio de melhor filme para Coração Valente, mesmo tendo Babe, o Porquinho na disputa. Não sei se foi uma decisão kosher, uma decisão artística ou uma decisão política, mas nunca um animal tão joinha sofreu tanto preconceito. Tadinho.




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